• 27/01/2010

    Lula Government: successive disservices to the indigenous peoples in Brazil

    The Lula Government dimmed the lights of 2009 with the announcement of one more authoritarian document in reference to the indigenous peoples in Brazil. Decree 7056/2009, which determined the restructuring of the National Foundation of Indigenous Affairs (FUNAI), was signed on 28 December marked by the absolute non-existence of indigenous participation in its formulation. An act that, by itself, profoundly disrespected the indigenous peoples and standing legislation and that, in it constitutes one more attempt to disarticulate the indigenous and indigenist movement in the country.

     

    By not having open and prior face-to-face democratic debate on the theme, the government empowered and gave legitimacy to reaction on the part of the indigenous peoples who have mobilized, in Brasilia and in other regions of the country, for the purpose of demonstrating discontent and opposition regarding the preparatory process and to the decree itself that directly affects their lives.

     

    Faced with this reaction, not having the due courage of publicly assuming the option taken in indigenous non-participation in the preparation process of the decree, the government, in releasing the information, by means of various sources, according to which the referred to restructuring would have been debated in meetings of the National Commission of Indigenous Policy (CNPI), is seeking to distribute responsibility for its monocratic act with the indigenous representatives and indigenist participants of that Commission. In addition to this, members of the government, some of these previously identified as defenders of the indigenous and popular cause in the country, have demonstrated great effort and insistence in proposing meetings for “negotiation” in separation of the different indigenous delegations that have been protesting in Brasilia. By means of these two initiatives, the government is fomenting distrust among the leaders and organizations and attempting to promote a veiled and ominous strategy of division of the indigenous and indigenist movement in Brazil.

     

    Unfortunately, this does not constitute an isolated fact in recent years. To the contrary, this is inserted in a history of process marked by great and recurrent disservices imposed by the current government on the indigenous peoples of the country. Many of these instances are emblematic and contribute to corroboration of this statement. We cite some of these below by way of exemplification.

     

    In October of 2007, the Ministry of Health issued directive 2656 that dealt with “responsibilities in provision of health care for the indigenous peoples”. Because there had not been due process of consultation and information to the indigenous peoples, the directive generated a series of questions that later culminated in the suspension of its effects, including as indicated by the Federal Prosecutor (Ministério Público Federal).

     

    On May 27, 2009, decree 6861 was issued that “Disposes over Indigenous Education, defines its organization in ethno-educational territories and other provisions”. Yet today the fact is not understood that this decree has been signed without the indigenous peoples being permitted to express opinion on the theory of the same, as during the same period referred to, the Regional Conferences on Indigenous Education were being conducted, which culminated in the National Conference on Indigenous Education, in November of the same year. The fact that the government had decreed the creation of the “ethno-educational territories” prior to any deliberation by the National Conference trampled the process and generated a series of misunderstandings between the delegates of the same. Also on that occasion the governmental representatives adopted a strategy of “negotiation” separately with different delegations for the purpose of dividing the participants in the desperate search for legitimating, a posteriori, of the previously established authoritarian act.

     

    Further in this scenario, we cannot fail to mention the fact of the government having imposed “down the throat” the transposition of the rio São Francisco. This was done including, by use of force, of ostensive presence of the Army on the perimeters of the work, with the purpose of intimidating and “to stifle” any new attempts to demonstrate opposition by popular movements and by the indigenous peoples, who had their lands directly impacted by this project of the Program of Acceleration of Growth (PAC).

     

    Finally, it is made necessary to remember the lamentable episode in which president Lula himself, in improvised discourse, referred to the indigenous peoples as “obstacles” to development of the nation and with this, instead of combating, ended up further contributing to existing prejudice by a large portion of Brazilian society in relation to these peoples. As we know, this prejudice, besides being in and of itself a form of violence, is cause of many other forms of violence committed on a daily basis against indigenous peoples in Brazil.

     

    It is understood that indigenous peoples and their leaders as well as indigenous organizations and support entities must be constantly attentive to these demobilizing and dismantling movements put into practice by the current government, as in past examples. This is made even more necessary in the present context and in an election year. We are all aware of the interests of the economic sectors, traditional donors to electoral campaigns, over the natural resources that exist in the lands of the indigenous peoples in our country. All that the government wants at the moment is to split up the indigenous and indigenist movement. That is because, in this manner, their disservice to the indigenous peoples can be imposed with greater frequency and less resistance. The mega-hydrelectric of Belo Monte is in line, threatening the indigenous peoples in the area. What will be next? The exploitation of minerals in indigenous lands?

     

    Brasilia, 21 January of 2010

     

    Cleber C. Buzatto

    Vice-Secretary General of CIMI (Indigenist Missionary Council)

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  • 26/01/2010

    Indígenas continuam acampados na Esplanada dos Ministérios

    Cerca de 150 indígenas permanecem em Brasília, acampados em frente ao Ministério da Justiça. Eles querem conversar com o ministro Tarso Genro (Justiça) e com o presidente Lula para pedir a revogação do Decreto 7.056, publicado em 28 de dezembro de 2009.

     

    A maioria dos indígenas presentes é da região sul. De acordo com Romancil Cretã, uma das lideranças do Paraná, os indígenas perderam toda confiança que tinham em Márcio Meira, presidente da Funai. “O Márcio esteve na nossa região ano passado, conversou com todo o cacicado e chegou a comentar que se houvesse algum tipo de reestruturação na Funai, o Paraná não seria atingido. Mas não foi isso que aconteceu, pois se antes nós tínhamos três superintendências do órgão, agora nós não temos nenhuma”, desabafa Cretã.

     

    O líder também não entende porque a reestruturação da Funai os prejudicou tanto. Segundo ele, o Paraná possui a segunda maior população da região sul do Brasil e a maior divisão territorial indígena. “Admitimos que é necessária sim uma mudança no órgão, mas não dessa forma como nos foi imposta. No Paraná a Funai precisava era de um melhor orçamento e que fosse mais presente nas terras indígenas. Mas não deveria ser fechada”, diz.

     

    Cretã pretende falar pelo menos com a assessoria da presidência, para começar os diálogos. “Nós só vamos sair daqui quando conseguirmos ter uma conversa. Queremos que esse decreto seja no mínimo suspenso, e que uma proposta indígena, a nossa proposta de reestruturação seja aceita”, afirma.

     

    Nesta terça-feira, 26, mais indígenas chegaram, vindos de Rondônia. E de acordo com Romancil Creta, mais 50 indígenas kaingangue devem chegar esta semana.

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  • 26/01/2010

    Indígenas do Nordeste denunciam violências da Transposição na Europa

    Povos indígenas em defesa do Rio São Francisco

     

    Uma delegação dos povos indígenas do Nordeste viaja a Europa para denunciar as violências e as violações de seus direitos decorrentes do projeto da Transposição do rio São Francisco. A delegação indígena estará na Itália, na Suíça, na Bélgica e na França, entre o dia 24 de janeiro e 06 de fevereiro de 2010.

     

    O projeto da Transposição das águas do rio São Francisco tem um impacto socioambiental devastador sobre 33 povos indígenas da região e sobre inúmeras comunidades quilombolas, tradicionais e ribeirinhas. Contrário à Constituição Brasileira, e a tratados internacionais como a convenção 169 da OIT e a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU, estas comunidades não foram informadas, consultadas ou ouvidas acerca do empreendimento.

     

    A delegação indígena apresentará as denúncias junto aos órgãos internacionais em defesa dos direitos humanos, como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Internacional de Trabalho (OIT), os governos europeus, o Parlamento Europeu e sociedade civil européia.

     

    Objetivo da viagem

     

    O objetivo da viagem é chamar a atenção do Supremo Tribunal Federal, para que julgue as ações pendentes referentes à Transposição, que denunciam as inúmeras irregularidades do projeto e que inclusive questionam se a obra seja de acordo com a Constituição. Até julgar estas ações, o STF deveria mandar parar as obras imediatamente.

     

    Para alcançar este objetivo, a delegação terá audiências com representantes da ONU – particularmente com os relatores especiais de direitos humanos –, da Organização Internacional de Trabalho (OIT) e do Parlamento Européia e entidades da sociedade civil e com a imprensa européia. Ocorrerão, ainda, vários encontros, atividades e debates nas diversas cidades.

     

    Na viagem será divulgado ainda o “Relatório de denuncia: Povos Indígenas do Nordeste impactados pela Transposição do Rio São Francisco" (para baixar o relatório clique: https://cimi.org.br/?system=news&action=read&id=4017&eid=401).

     

    As etapas previstas são: Roma, Udine, Bolzano na Itália, Genebra na Suíça (onde se encontram a ONU e a OIT), Bruxelas na Bélgica (Parlamento Europeu) e Paris na França.

     

    A Transposição

     

    A transposição das águas do rio São Francisco é um mega-projeto de engenharia hidráulica que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula. Prevê a construção de dois canais de mais de 600 km de extensão para desviar a água, 2 barragens hidrelétricas, 9 estações de bombeamento, 27 aquedutos, 8 túneis e 35 barragens de reservas de água.

     

    Atualmente, o projeto está em fase de construção a pesar das numerosas irregularidades judiciárias.

     

    Direitos negados e violados

     

    A campanha Opará – Povos Indígenas em defesa do rio São Francisco visa denunciar as numerosas violações dos direitos indígenas por parte do projeto de transposição.

     

    Viola o direito a consulta previa e informada, porque o governo não realizou procedimentos de consulta dos povos indígenas impactados pelo projeto de transposição.

     

    Viola os direitos territoriais indígenas, porque a Constituição Federal estabelece que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios fazem parte do patrimônio da União, garantindo a posse permanente aos índios que a ocupam; proíbe também qualquer processo de remoção forçada da população.

     

    O projeto de transposição constitui uma invasão dos territórios indígenas Truká e Pipipã, que atualmente estão ocupados por parte do exercito brasileiro para garantir o inicio das obras, e ameaça a integridade dos territórios dos povos Tumbalalá, Kambiwá e Anacé.

     

    O projeto viola o direito de auto-afirmação étnica, porque representantes dos poderes públicos repetidamente negaram a presença de povos indígenas dentro da área de influencia do projeto.

    Viola em fim o direito de acesso a justiça, porque o dia 19 de dezembro 2007 o Supremo Tribunal Federal se recusou de considerar legitimas as ações jurídicas contra o projeto apresentadas pelas organizações da sociedade civil.

     

    Informações gerais sobre a Transposição

     

    O rio São Francisco é a terceira bacia hidrográfica do Brasil e tem uma extensão de 3.160 km. O rio já sofreu intervenções profundas que prejudicaram gravemente o seu equilíbrio ambiental: sete hidrelétricas e mais de 30 barragens, geridas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF). Essas intervenções já provocaram o desmatamento de 95% das suas matas ciliares e a remoção forçada de 150.000 pessoas.

     

    O investimento previsto pelo projeto de transposição è de 6,6 bilhões de Reais. O governo alega que o motivo deste mega-projeto seria de saciar a sede de 12 milhões de moradores do semi-árido do Nordeste. Porém, segundo os dados do próprio projeto do governo, apenas 4 % das águas transpostas serão destinadas a população rural, 26% a uso urbano e industrial e 70% a projetos de irrigação de grandes extensões de monocultura, para produção destinada principalmente a exportação.

     

    Entretanto, um outro projeto do próprio governo brasileiro propõe abastecer 24 milhões de pessoas dessas regiões, pela metade do investimento.

     

    O projeto de transposição tem um forte impacto sócio-ambiental sobre os 33 povos indígenas que moram na sua bacia hidrográfica. Cerca de 8.000 índios terão um impacto direto, que vão desde a remoção forçada, até a inundação de partes dos seus territórios e a destruição de lugares sagrados.

     

    A pesar de todas as provas para tais impactos, no dia 19 de dezembro de 2007, o Supremo Tribunal Federal declarou que o projeto não terá impactos negativos em terras indígenas e se recusou de considerar legitimas as ações jurídicas contra a transposição apresentadas pelas organizações indígenas e pela sociedade civil. As obras estão em curso a partir do mês de Junho de 2007 e 15% das obras já foi realizado.

     

    Membros da delegação

     

    Os representantes da delegação são:

     

    – Manoel Uilton dos Santos, liderança do povo indígena Tuxá e coordenador geral da Articulação dos Povos e das Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme);

    – Edilene Bezerra Pajeú, liderança do povo indígena Truká, professora indígena e membro da Comissão dos Professores Indígenas de Pernambuco (Copipe) e da Comissão Nacional dos Professores Indígenas;

    – Saulo Ferreira Feitosa, membro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) desde 1983 e membro titular da Comissão Brasileira de Justiça e Paz dos Bispos Brasileiros.

     

    A campanha Opará

     

    Opará é o nome indígena para o rio São Francisco, e significa rio-mar. A campanha visa impedir o projeto da transposição, e, pressionar o governo brasileiro para que respeite os direitos das comunidades atingidas, particularmente as comunidades indígenas. A transposição precisa ser repensada, e, se levada adiante, ser planejada de forma diferente para que não atinge os povos indígenas, suas terras e sua modo de viver. A campanha também pressiona para a revitalização do rio São Francisco.

     

    A Campanha Opará é promovida pelas seguintes organizações brasileiras:

     

    – APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo);

    – Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia;

    – Núcleo de Estudos em Comunidades e Povos Tradicionais e Ações Socioambientais da Universidade do Estado da Bahia;

    – Comissão Pastoral dos Pescadores/NE (CPP/NE);

    – Conselho Indigenista Missionário (Cimi);

    – Comissão Pastoral da Terra (CPT);

    – Articulação Popular pela revitalização do Rio São Francisco;

    – Via Campesina Nordeste Brasil.

     

    Contatos das várias entidades envolvidas e principais povos atingidos:

     

    – Cimi 55/61/2106 1666 Paul ou Maíra;

    – Cimi Europa 39/3336348279 Martina;

    – CPP / NE 55/75/88353113 Alzeni Tomaz;

    – Via Campesina 55/82/9950 0227 Hélio;

    – Povo Truká 55/87/ 9606 6065 Cacique Neguinho;

    – Povo Tumbalalá 55/87/ 9131 0008 Cacique Cícero NECTAS/UNEB 55/87/ 7588 56 0622 Juracy Marques.

     

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  • 22/01/2010

    News Bulletin 897: Indigenous and Indigenist entities publish manifesto on restructuring of National Foundation of Indigenous Affairs (FUNAI)

    Seven entities of the indigenous and indigenist movement, on Thursday, January 21, 2010, published a manifesto on the publication of Decree 7.056, of 28 December, 2009, which restructures the FUNAI. The participating entities, Cimi among them, affirm the importance of there being a FUNAI restructuring, but highlight that it was not done in the best manner, because it failed to respect the indigenous peoples right to be heard. According to the memorandum, the restructuring was “intramural”, resulting in the peoples feeling disrespected.

     

    On another point, the document also states that such comportment by FUNAI introduced the possibility that [contracted] “corporate sectors of the agency, opposed to any change… could join together to cause tumult in the process”. In relation to the statements by FUNAI that the National Commission of Indigenous Policy (CNPI) already knew of the restructuring process, the manifesto refutes. “To present an overview of the proposal for restructuring in the CNPI without the possibility of democratic debate, as was done with the proposals for the Statute of the Indigenous Peoples or the Legislative Project of the Council of Indigenist Policy, cannot be characterized as consultation or a product of deliberation in this jurisdiction”.

     

    According to the document, the entities also hope that “indigenous participation be assured in the accompaniment of the implementation of restructuring, after duly rendering it adequate to the real interests of the indigenous peoples and organizations”. In closing, they assure vigilance in the defense of the rights of the indigenous peoples, taking into consideration their real necessities and aspirations.

     

    Demonstrations

     

    The protests against the publication of the decree began in Brasilia on 11 January, and have seen more than 500 indigenous participants in the federal capital. Circa 200 indigenous participants continue in protest, encamped in front of the Ministry of Justice. The indigenous peoples intend to speak with Minister of Justice, Tarso Genro, and with President Lula. They seek the revocation of the decree and the departure of the president of the agency, Márcio Meira.

     

    Brasilia, 21 January of 2010

    CIMI – Indigenist Missionary Council

     

                                                                           ***

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  • 22/01/2010

    Memorandum on the restructuring of the FUNAI

    We, the undersigned, taking into consideration the publication of the Decree of restructuring of the National Foundation of Indigenous Affairs (FUNAI) occurring on 28 December of 2009, and its repercussions that motivated the occupation of the headquarters of the agency in Brasilia by various indigenous delegations, hereby publicly manifest:

     

    1 – The indigenous movement and its allies always defended the necessity and importance of the restructuring of the indigenist agency, seeing to once again make its institutional structure and functional roster adequate to the demands of the indigenous peoples, especially in reference to territorial claims, assuring the demarcation of the remaining not-demarcated indigenous lands, and the monitoring of the distinct actions and policies of the government directed to the indigenous peoples, which today are dispersed in distinct ministries. In effect, ever since 2003 a restructuring of the Funai was hoped for, when the Lula Government announced the New Indigenist Policy in its Government Program. The indigenous movement and its allies, with great expectation, waited for this to become a reality.

     

    2 – The indigenous movement and its allies, nevertheless, question the manner in which the proposal of restructuring was worked “intramural” within the FUNAI, repeating the tactic of the “consummate fact”, practiced by the government on other occasions. As a consequence, the indigenous peoples and organizations feel their right to prior and informed consultation, assured in Convention 169 of the International Labor Organization (ILO), which is, indeed, law in the country, was disrespected. This introduces the possibility of corporate sectors [contractors] of the agency opposed to any change that affects their personal and group interests to jointly cause tumult in the process.

     

    3 – The de facto lack of a process of dialogue with the indigenous peoples and organizations in the distinct regions resulted, as events have demonstrated, in that they do not feel duly informed and consulted regarding the impacts of the restructuring and the implications and process of its implementation. The indigenous and indigenist representatives on the National Commission of Indigenist Policy (CNPI) reiterated, in the last Commission meeting held in the month of December of 2009, a few days prior to the publication of the Decree, the necessity of dialogue, in that respect.

     

    4 – The mere presentation of an overview of the proposal of restructuring in the CNPI without the possibility of democratic debate, as was done with the proposals of the Statute of the Indigenous Peoples, or with the Legislative Project of the Council of Indigenist Policy, cannot be characterized as prior consultation or as a product of deliberation in this jurisdiction.

     

    5 – Faced with this context, the reaction of the indigenous leaders against the publication of the Decree is understandable, necessitating, on the part of the government, a receptive posture to the critiques, adjusting the decree, in cases where there is lack of perception of the particular realities of each people or ethnic region, without necessarily disturbing the fundamental proposition of restructuring: to render FUNAI adequate to fulfillment of its institutional role in the perspective of a new indigenist policy, far from tutelary, authoritarian, dependency assistant and paternalistic.

     

    It is also hoped that, in discussion of the Regimen anticipated in the Decree, the perceptions and critiques concerning the Decree be discussed with the indigenous peoples and incorporated in that legal document.

     

    6 – It is necessary to be sufficiently enlightened on the content of the Decree and inclusive of how it will be effectively implemented in the distinct jurisdictions: local technical coordinations, regional coordinations and seat in Brasilia, to overcome fears related, for example, to the enfeeblement of the role of the FUNAI in the tenure regularization of the indigenous lands or over the lack of specialized staff for each area of actuation. In this sense it is necessary that, in the selection process of new service personnel, the FUNAI prioritize the specializations that reinforce its role in the tenure regularization of the Indigenous Lands (anthropologists, environmentalists, topographers, etc.).

     

    7 – It is hoped that indigenous participation be assured in accompaniment of the implementation of the restructuring, after [being made] duly adequate to the real interests of the indigenous peoples and organizations.

     

    8 – Given that the Government decreed this administrative act without having provided sufficient spaces of dialogue with the movement and indigenous peoples, it is incumbent on the same to respect the right of dissatisfaction and manifestation that the Federal Constitution assures to the social movements, prioritizing via dialogue and by negotiation as set forth by the new National Plan of Human Rights in similar cases.

     

    9 – Finally, we exhort the Government, based on the experience generated by the Decree of the restructuring of FUNAI, to assure to the indigenous peoples the right to free, prior and informed consultation, as assured in Convention 169 of the ILO, on the distinct questions that affect them. Their being, after all, the primary stakeholders.

     

    10 – To the indigenous peoples and organizations we manifest our disposition to remain vigilant in defense of their rights, taking into consideration their actual necessities and aspirations.

     

    Brasilia, 19 January of 2010.

     

    Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    Centro de Trabalho Indigenista – CTI

    Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC

    Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME

    Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região – ARPIPAN

    Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB

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  • 22/01/2010

    Semelhanças, diferenças, alianças

    Clique aqui e leia o artigo “Semelhanças, diferenças, alianças: Religião na Europa e América Latina a partir de um plebiscito suíço sobre a construção de minaretes”, de Paulo Suess, assessor teológico do Cimi.

     

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  • 21/01/2010

    Informe nº. 897: Entidades indígenas e indigenistas publicam manifesto sobre reestruturação da Funai

    Sete entidades do movimento indígena e indigenista publicaram nesta quita-feira um manifesto sobre a publicação do Decreto 7.056, de 28 de dezembro de 2009, que reestrutura a Fundação Nacional do Índio (Funai). As entidades participantes, entre elas o Cimi, afirmam a importância de se ter uma reestruturação da Funai, mas ressaltam que não foi feita da melhor maneira, pois  desrespeitou os indígenas em seu direito de serem ouvidos. De acordo com a nota, a reestruturação foi trabalhada “intra-muros”, fazendo com que os povos se sentissem desrespeitados.

     

    Em outro ponto, o documento também afirma que tal comportamento da Funai deu brechas para que  “setores coorporativos do órgão, contrários a qualquer mudança se articulasse para tumultuar o processo”. Em relação às afirmações da Funai  de que a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) já sabia do processo de reestruturação, o manifesto rebate. “Apresentar a grosso modo à proposta de reestruturação na CNPI sem possibilitar o debate democrático, como foi feito com as propostas do Estatuto dos Povos Indígenas ou do Projeto de Lei do Conselho de Política Indigenista, não pode ser caracterizado como consulta ou produto de deliberação desta instância”.

     

    De acordo com o documento, as entidades também esperam que “a participação indígena seja assegurada no acompanhamento da implementação da reestruturação, depois de devidamente adequada aos reais interesses dos povos e organizações indígenas”. Por fim, asseguram estar vigilantes na defesa dos direitos dos povos indígenas, tendo em consideração suas reais necessidades e aspirações.

     

    Manifestações

     

    Os protestos contra a publicação do decreto começaram em Brasília no dia 11 de janeiro e chegou a contar com a participação de mais de 500 indígenas na capital federal. Cerca de 200 indígenas continuam em protesto, acampados em frente ao Ministério da Justiça. Os indígenas pretendem falar com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o presidente Lula. Eles pedem a revogação do decreto e a saída do presidente do órgão, Márcio Meira.

     

    Brasília, 21 de janeiro de 2010.

     

    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

     

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  • 21/01/2010

    Governo Lula: desserviços sucessivos aos povos indígenas no Brasil

    O governo Lula apagou as luzes de 2009 com o anúncio de mais uma peça autoritária referente aos povos indígenas do Brasil. O Decreto 7056/2009, que determinou a reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai), foi assinado no dia 28 de dezembro com a marca da absoluta inexistência de participação indígena na sua formulação. Um ato que, por si, desrespeitou profundamente os indígenas e a legislação vigente e que, em si, constitui-se em mais uma tentativa de desarticular o movimento indígena e indigenista no país.

     

    Por não ter aberto e enfrentado prévia e democraticamente o debate sobre o tema, o governo potencializou e deu legitimidade à reação por parte de indígenas, que têm se mobilizado, em Brasília e noutras regiões do país, a fim de demonstrar descontentamento e contrariedade frente ao processo preparatório e ao próprio decreto que afeta diretamente suas vidas.

     

    Frente a essa reação, não tendo a devida coragem de assumir publicamente a opção que fez pela não participação indígena no processo de preparação do decreto, o governo, ao divulgar a informação, por meio de diferentes fontes, segundo a qual a referida reestruturação teria sido debatida em reuniões da Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI), vem buscando dividir a responsabilidade do seu ato monocrático com os representantes indígenas e indigenistas participantes desta Comissão. Além disso, membros do governo, alguns destes antes identificados como defensores da causa indígena e popular no país, têm demonstrado grande esforço e insistência na proposição de reuniões de “negociação” em separado com as diferentes delegações indígenas que estão vindo protestar em Brasília. Por meio destas duas iniciativas, o governo está fomentando a desconfiança entre as lideranças e organizações e tentando promover a sorrateira e nefasta estratégia de divisão do movimento indígena e indigenista no Brasil.

     

    Infelizmente, este não se constitui num fato isolado nestes últimos anos. Pelo contrário, está inserido num processo histórico marcado por grandes e recorrentes desserviços impostos pelo atual governo aos povos indígenas no país. Muitos desses fatos são emblemáticos e contribuem para corroborar essa afirmação. Citamos, na seqüência, a título de exemplificação, alguns deles.

     

    Em outubro de 2007, o Ministério da Saúde editou a portaria 2656 que tratava das “responsabilidades na prestação da atenção à saúde dos povos indígenas”. Por não ter sido feito o devido processo de consulta e informação aos povos indígenas, a portaria gerou uma série de questionamentos que culminaram, posteriormente, com a suspensão dos seus efeitos, inclusive por indicação do Ministério Público Federal.

     

    No dia 27 de maio de 2009, foi editado o decreto 6861 que “Dispõe sobre a Educação Escolar Indígena, define sua organização em territórios etnoeducacionais, e dá outras providências”. Até hoje não se compreende o fato deste decreto ter sido assinado sem que os indígenas pudessem opinar sobre o teor do mesmo, uma vez que no referido período estavam sendo realizadas as Conferências Regionais de Educação Escolar Indígena, que culminaram com a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, ocorrida em novembro do mesmo ano. O fato de o governo ter decretado a criação dos “territórios etnoeducacionais” antes de qualquer deliberação da Conferência Nacional atropelou o processo e gerou uma série de desentendimentos entre os delegados da mesma. Também naquela ocasião os representantes governamentais adotaram a estratégia da “negociação” em separado com diferentes delegações a fim de dividir os participantes na busca desesperada pela legitimação, a posteriori, do ato autoritário praticado anteriormente.

     

    Ainda neste cenário, não podemos deixar de mencionar o fato de o governo ter imposto “goela abaixo” a transposição do rio São Francisco. Fez isso, inclusive, com o uso da força por meio da presença ostensiva do Exército nos canteiros de obras com a finalidade de amedrontar e “abafar” quaisquer novas tentativas de manifestações contrárias, por parte de movimentos populares e dos povos indígenas, que terão suas terras diretamente impactadas por mais essa obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

     

    Por fim, faz-se necessário lembrar o lastimável episódio em que o próprio presidente Lula, em discurso improvisado, taxou os povos indígenas como “entraves” ao desenvolvimento da nação e, com isso, em vez de combater, acabou potencializando o preconceito ainda existente em grande parcela da sociedade brasileira em relação a estes povos. Como sabemos, esse preconceito, além de ser uma violência em si, é causa de muitas outras violências que são cometidas cotidianamente contra indígenas no Brasil.

     

    Entendo que os povos indígenas e suas lideranças, bem como, as organizações indígenas e entidades de apoio precisam estar permanentemente atentos a esses movimentos desmobilizadores e desarticuladores postos em prática pelo atual governo, a exemplo de outros passados. Isso se faz ainda mais necessário no atual contexto e num ano eleitoral. Todos somos cientes dos interesses de setores econômicos, tradicionais doadores de campanhas eleitorais, sobre os recursos naturais existentes nas terras dos povos indígenas em nosso país. Tudo o que o governo quer, nesse momento, é um movimento indígena e indigenista “rachado” entre si. Isso porque, dessa maneira, seus desserviços sobre os povos indígenas poderão ser impostos com maior freqüência e menor resistência. Belo Monte está na fila. Qual será o próximo? A exploração mineral em terras indígenas?

     

    Brasília, 21 de janeiro de 2010.

     

    Cleber C. Buzatto

    Secretário Adjunto do Cimi

     

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  • 21/01/2010

    Nota sobre a reestruturação da Funai

    Manifesto de entidades de apoio e Organizações Indígenas

     

    Nós, abaixo-assinados, tendo em consideração a edição do Decreto de reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) ocorrida em 28 de dezembro de 2009, e suas repercussões que motivaram a ocupação da sede do órgão em Brasília por várias delegações indígenas, viemos a público nos manifestar.

     

    1 – O movimento indígena e seus aliados sempre defenderam a necessidade e importância da reestruturação do órgão indigenista, visando à readequação de sua estrutura institucional e quadro funcional às demandas dos povos indígenas, especialmente no tocante às reivindicações territoriais, assegurando a demarcação do passivo de terras indígenas e o monitoramento das distintas ações e políticas de governo voltadas aos povos indígenas, hoje dispersas em distintos ministérios. Com efeito, esperava-se que esta reestruturação fosse viabilizada desde 2003, quando o movimento indígena e seus aliados aguardaram com grande expectativa que o Governo Lula tornasse realidade a almejada Nova Política Indigenista anunciada em seu Programa de Governo.

     

    2 – O movimento indígena e seus aliados, contudo, questionam a forma como a proposta de reestruturação foi trabalhada “intra-muros” na Funai, repetindo a tática do “fato consumado”, praticada pelo Governo em outras ocasiões. Como conseqüência, os povos e organizações indígenas se sentiram desrespeitados no seu direito à consulta livre, prévia e informada assegurada pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já é lei no país. Isso deu margem a que setores corporativos do órgão, contrários a qualquer mudança que afete seus interesses pessoais e de grupo, se articulassem para tumultuar o processo.

     

    3 – Faltou, de fato, um processo de diálogo com os povos e organizações indígenas nas distintas regiões que, como os fatos têm demonstrado, até o momento não se sentiram devidamente informados e esclarecidos sobre os impactos da reestruturação e as implicações e procedimentos de sua implementação. Os representantes indígenas e indigenistas na Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) reiteraram, na última reunião da Comissão realizada no mês de dezembro de 2009, poucos dias antes da publicação do Decreto, a necessidade de diálogo, a respeito.

     

    4 – Apresentar a grosso modo a proposta de reestruturação na CNPI sem possibilitar o debate democrático, como foi feito com as propostas do Estatuto dos Povos Indígenas ou do Projeto de Lei do Conselho de Política Indigenista, não pode ser caracterizado como consulta ou produto de deliberação desta instância.

     

    5 – Face a este contexto é compreensível a reação das lideranças indígenas contra a publicação do Decreto, fazendo-se necessária, por parte do Governo, uma postura de acolhida às críticas, ajustando o decreto, nos casos onde houve falhas na percepção das realidades peculiares de cada povo ou região étnica, sem necessariamente mexer com o propósito fundamental da reestruturação: a adequação da Funai para o cumprimento de seu papel institucional na perspectiva de uma nova política indigenista, longe do indigenismo tutelar, autoritário, assistencialista e paternalista.

     

    Espera-se também que, na discussão do Regimento previsto no Decreto, as percepções e críticas acerca do Decreto sejam discutidas com os povos indígenas e incorporadas naquele diploma legal.

     

    6 – É preciso ser suficientemente esclarecido o conteúdo do Decreto e, inclusive, como será efetivamente implementado nas distintas instâncias: coordenações técnicas locais, coordenações regionais e sede em Brasília, para superar temores, relacionadas, por exemplo, com o enfraquecimento do papel da Funai na regularização fundiária das terras indígenas ou com a falta de quadros especializados para cada área de atuação. Neste sentido, é preciso que, no processo de seleção dos novos servidores, a Funai priorize as especializações que reforcem seu papel na regularização fundiária das Terras Indígenas (antropólogos, ambientalistas, topógrafos etc.).

     

    7 – Espera-se que a participação indígena, seja assegurada no acompanhamento da implementação da reestruturação, depois de devidamente adequada aos reais interesses dos povos e organizações indígenas.

     

    8 – Dado que o Governo decretou este ato administrativo sem ter previsto suficientes espaços de diálogo com o movimento e os povos indígenas, cabe ao mesmo respeitar o direito de insatisfação e manifestação que a Constituição Federal assegura aos movimentos sociais, priorizando a via do diálogo e da negociação como prevê o novo Plano Nacional de Direitos Humanos em casos semelhantes.

     

    9. Por fim, exortamos o Governo, com base na experiência gerada pelo Decreto de reestruturação da Funai, a assegurar aos povos indígenas o direito à consulta livre, prévia e informada, conforme assegura a Convenção 169 da OIT, sobre as distintas questões que os afeta. São eles, afinal, os primeiros interessados diretos.

     

    10. Aos povos e organizações indígenas, manifestamos a nossa disposição de continuar vigilantes na defesa de seus direitos, tendo em consideração as suas reais necessidades e aspirações.

     

    Brasília, 19 de janeiro de 2010.

     

    Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    Centro de Trabalho Indigenista – CTI

    Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC

    Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME

    Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região – ARPIPAN

    Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB

     

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  • 21/01/2010

    Vote: GDF Suez está entre as empresas mais irresponsáveis do mundo

    Pelos impactos e violações de direitos ocorridos por causa da construção da usina de Jirau, o grupo já é um dos favoritos ao título de empresa mais irresponsável do mundo. Vote na Suez você também: http://www.publiceye.ch/en/vote.

     

    Há quase uma semana, quando foi lançada mundialmente a “People´s Award” (Premiação do Público, em tradução livre para o português), na qual os internautas de todos os países votam na empresa e organização que mais desrespeita o meio ambiente e populações afetadas por suas ações, o grupo francês GDF Suez, pelos impactos e violações de direitos ocorridos na construção da usina de Jirau, no rio Madeira (RO), figura entre as favoritas ao título de empresa mais irresponsável do mundo.

     

    A votação via internet faz parte da premiação internacional Public Eye Awards ("Olho do Público") e acontece até 26 de janeiro, um dia antes da divulgação do resultado, que acontecerá em Davos, na Suíça.  Até agora, a GDF Suez está entre as duas mais votadas, com cerca de 1.300 votos.  Para votar, acesse: http://www.publiceye.ch/en/vote.

     

    Impactos

     

    De acordo com Roland Widmer, da OSCIP Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, uma das entidades que indicaram GDF Suez pelo prêmio Public Eye, "o empreendimento está causando sérios impactos socioambientais. A eleição da Suez pelo prêmio Public Eye demonstra que, cada vez mais, a sociedade civil cobra o abismo entre discurso oficial de empresas e sua atuação efetiva".

     

    Entre as violações de direitos humanos estão a ausência de consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas e a falta de atenção aos índios isolados que serão diretamente afetados.  Pesquisadores alertam também sobre os impactos ambientais que a obra traz, entre eles estão o desmatamento e a possível extinção de espécies de peixes.

     

    Carta à Suez

     

    Organizações brasileiras e internacionais enviaram, na quarta-feira passada (13), uma carta ao presidente do grupo, Gérard Mestrallet. O presidente da Suez na América Latina e do consórcio Energia Sustentável do Brasil, Jan Flachet e Victor Paranhos, respectivamente, também receberam o documento.

     

    O objetivo da ação é fazer com que a empresa suspenda imediatamente as obras de Jirau e tome medidas emergenciais com relação aos impactos ambientais e sociais já criados por causa do empreendimento.  "A GDF Suez e suas subsidiárias têm demonstrado uma grave falta de responsabilidade nas etapas de planejamento e construção da usina de Jirau, além de violar os direitos humanos e as normas de proteção ambiental, fatos pelos quais a empresa é responsável tanto no plano ético como no legal", diz um trecho do documento.

     

    Por possuir 35,6% das ações da Suez, o governo da França – por meio de seu presidente, Nicolas Sarkozy – também recebeu cópia da carta.  Assinam o documento 16 entidades e redes da sociedade civil, entre as quais Survival International, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, Amazon Watch, Movimentos dos Atingidos por Barragens – MAB, Greenpeace e o Grupo de Trabalho Amazônico – GTA.  A organização France Libertés – Fondation Danielle Mitterrand, da ex-primeira dama da França, também é signatária do documento.

     

    Leia o documento na íntegra.

     

    A usina

     

    Jirau está sendo construída a 150 quilômetros de Porto Velho (RO). A usina foi planejada para ter um reservatório de 258 quilômetros quadrados e gerar 3450 megawatts de energia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o maior financiador da obra, combinando financiamento direto com repasses pelas instituições financeiras: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú Unibanco.

     

    Localizado no coração da Amazônia, o empreendimento é um dos maiores e mais caros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ambientalistas, a obra torna vulnerável a biodiversidade da região, populações ribeirinhas do Brasil, Bolívia e Peru, povos indígenas isolados, e causa outros impactos socioambientais.

     

    Em maio de 2008, o consórcio Energia Sustentável do Brasil venceu o leilão de venda de energia de Jirau com deságio de 21% (R$ 71,40 por Mwh). Liderado pela GDF Suez, o consórcio anunciou logo após o leilão a mudança do local de construção da usina em 9,2 quilômetros.  O consórcio não realizou estudos de impacto ambiental para a nova localização, contrariando a legislação ambiental.

     

    A empresa e seus parceiros no consórcio já foram multados por desmatamento ilegal e atualmente são réus nas ações civis públicas ajuizadas no Brasil pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual de Rondônia e organizações da sociedade civil.

     

    Saiba mais sobre a campanha contra GDF Suez em Jirau.

     

    Leia também:

    Líder do consórcio de Jirau está entre as empresas mais irresponsáveis do mundo.

     

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