• 09/02/2010

    Crianças indígenas do Pará terão material didático bilíngue

    Com o objetivo de promover educação escolar diferenciada para crianças indígenas que cursam da 1ª a 4ª série do ensino fundamental a Coordenadoria de Educação Escolar Indígena Infantil – Ceind, da Secretaria de Estado de Educação – Seduc, oferece oficina para produção de material didático específico. Por meio da utilização de línguas maternas e processos próprios de aprendizagem a oficina foi realizada entre os dias 10 e 21 de janeiro, no auditório do Complexo Parque dos Igarapés em Belém – PA. Participaram os alunos da Escola Itinerante de Formação de Professores Índios dos municípios de Marabá, Oriximiná, São Félix do Xingu, Santarém e da capital paraense.

    O material elaborado servirá de base para o ensino nas 116 escolas indígenas, 11 da rede pública estadual e 105 municipais. “Vamos reunir tudo o que já estava sendo produzido nas unidades de ensino indígenas nos livros a serem distribuídos pelo governo do estado”, diz a coordenadora da Ceind Puyr Tembé. Puyr complementa ao enfatizar o ineditismo da iniciativa. “É a primeira vez que acontece a oficina no Pará. Reunimos 35 alunos do curso de formação de professores indígenas, promovido pela Seduc em parceria com o Ministério da Educação”, declara.

    O índio Takaktyx Kayapó participou da oficina e considerou fundamental a iniciativa por ajudar na preservação da língua materna dos povos indígenas e superar a dificuldade dos alunos com a língua portuguesa. “Algumas crianças da nação Kayapó têm dificuldades com a pronúncia de certas palavras como papai e mamãe”, explica.

    O resultado da oficina é a publicação de livros didáticos bilíngües para o ensino fundamental das escolas indígenas do Pará. O material será impresso em língua portuguesa e na língua nativa dos alunos pertencentes às etnias: Assurini, Caiapó, Jaraqui, Mundurucu, Suruí, Tembé, Tupaiu e Wai Wai. A coordenadora ressalta que o conteúdo dos livros está voltado para a realidade das crianças indígenas paraenses. “Por meio deles, os alunos conhecerão em sua língua nativa a história e a cultura dos povos indígenas, além de serem alfabetizados”, assegura.

    Puyr Tembé espera que, em breve, todas as escolas da rede pública estadual possam também ter acesso ao material para romper com a imagem criada sobre a população indígena.“Não somos apenas seres humanos que vivem com arco e flecha na mão e o corpo pintado. A sociedade precisa conhecer a nossa história e saber que tem índio advogado, professor, como qualquer outra pessoa”, esclarece.

    Entre os dias 23 de janeiro e 05 de fevereiro de 2010, a Ceind promove curso de formação voltado para os profissionais e técnicos de apoio à educação escolar indígena. Na ocasião, será apresentado o material elaborado durante a oficina.
     
    Por Valena Oliveira com informações da assessoria de comunicaçâo da Seduc

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  • 09/02/2010

    Ministros assumem causa Guarani

    Sob os olhares atentos de algumas dezenas de Guarani e o som ritmado dos mbaraká e takuara, dos nhanderu e nhandesi (lideres religiosos) dos Povos Guarani da América do Sul, três helicópteros pousam tranquilamente no campo de futebol. Ministros da Cultura do Brasil e do Paraguai e autoridades vieram cumprir um protocolo previamente enviado à coordenação do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, que se realizou na pequena aldeia de Añetete, no Oeste do estado, no vale do rio Paraná.

     

    Nada de muita falação, porque autoridades não têm tempo a perder. Apenas o essencial. Chegar, ver e ser visto, ouvir e assinar documento e dizer a que vieram. Apertar mãos, distribuir sorrisos, esbanjar simpatia. Essa parece ter sido a orientação do protocolo do Ministério da Cultura. O que para os “povos da palavra” como são reconhecidos os Guarani, representa mutilação de seu direito de dizer sua palavra. Afinal de contas tinham e queriam dizer muito. Sufocados pelo sofrimento, agredidos em seus direitos, confinados em pequenos pedaços de terra ou acampados nas beiras das estradas e latifúndios, submetidos à violência física e discriminação diária, eles queriam dizer apenas isso aos ministros da Cultura do Brasil e do Paraguai. Queriam ser ouvidos pelas autoridades. Afinal de contas estavam há dois dias debatendo a grave situação por que passam mais de 600 comunidades Guarani no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai. São mais de 300 mil pessoas invadidas e saqueadas em suas terras e culturas.

     

    Ironias da história, o povo que escreveu uma das mais belas páginas de resistência no Continente, que construiu um dos mais promissores modelos que afrontaram o modelo colonial, caracterizado por Piere Lugon de “República Comunista Cristã dos Guarani”, esses mesmos Povos Guarani, dispersos num grande território que vai do rio da Prata ao Amazonas, estão hoje exigindo reconhecimento de seus direitos enquanto povos que querem ser respeitados, viver em paz e felizes em suas terras, hoje submetidos a tantos males. 

     

    Após as apresentações, foi feita a leitura do documento do Encontro no qual reivindicam a “Criação e manutenção de uma Secretaria Especial de Representação do Povo Guarani vinculado ao MERCOSUL Cultural”. Alem disso, o documento propõem a criação de um foro permanente de discussão em defesa dos direitos Guarani, no âmbito do MERCOSUL. O documento também reivindica a realização de atividades culturais, seminários, intercâmbio, políticas públicas e a garantia da punição contra a discriminação, preconceito e violência praticadas contra o povo Guarani.

     

    Infelizmente o que tem sido o tema central dos debates e manifestações dos Povos Guarani durante o Encontro não constou no documento final assinado pelos Ministros: a questão da terra. Isso foi duramente cobrado pelos participantes na avaliação. Foi justiçado de que houve um erro na digitação, por isso foi posteriormente acrescentado “garantir a demarcação e ou devolução das terras e territórios tradicionalmente ocupados pelo povo Guarani, bem como a revisão dos limites conforme seus usos, costumes e tradições”.

     

    No final do encontro ainda foi lido e aprovado outro documento, esse sim falando do processo histórico colonial da invasão e da necessidade urgente da regularização das terras Guarani. Um documento especial falando da grave situação dos Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, onde deveria ser realizado o encontro, também constará apenas na publicação que será feita pelo Ministério da Cultura. O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul, realizou-se entre os dias 2 e 5 de fevereiro na aldeia Añetete, no município de Diamante D’Oeste, no Paraná, contando com a participação de aproximadamente 800 Guarani do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.

     

    Os Guarani e as fronteiras

    No documento do encontro foi reivindicado a “garantia e respeito, da partir de mudanças das leis de fronteira, o livre transito cultural, de acordo com as tradições dos povos indígenas nas fronteiras entre Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia, compreendendo que para nós, povo Guarani, os territórios étnicos e ancestrais sempre nos pertenceu – abertura das fronteiras”.

     

    O Ministro Juca Ferreira, em sua breve fala, destacou a importância dos Guarani na fronteira:  “Essa cooperação e essa presença dos povos indígenas nas proximidades das fronteiras, longe se ser um problema é uma solução para o Brasil. Para nós do Ministério da Cultura não temos nenhum medo, nenhum temor da presença dos povos indígenas e demarcação de seus territórios próximos à fronteira. Os povos indígenas têm direito, e além de direito eles são segurança para a estabilidade ecológica, social e política na medida em que  estabelecem relações afetivas com os parentes que vivem nos outros países.”

     

    O Ministro de Cultura do Paraguai, Ticio, foi mais longe. Disse que muito temos que aprender da grande nação Guarani, que não apenas tem sido o Yvy(terra) mas o “tekohá” (território tradicional)  do MERCOSUL, que está acima das nações, das fronteiras.

     

    No final foi lida uma nota de solidariedade enviada ao Encontro pela Via Campesina. “A Via Campesina entende que os camponeses e indígenas tem um papel importante de preservação do meio ambiente e da agrobiodiversidade. Desejamos que a articulação feita através do Encontro consolide uma real solidariedade e fortalecimento dos Povos Guarani” (Via Campesina do Paraná)

     

    Na avaliação da grande maioria dos participantes, apesar de algumas limitações na pauta do encontro, foi um passo importante na construção e fortalecimento da unidade do povo Guarani, a partir do olhar da Cultura. Não esquecendo que se desenvolve num território e que, portanto, a primeira e mais importante forma de apoiar a cultura Guarani é garantindo suas terras/territórios.

     

    No dia do herói e são Sepé Tiaraju

    No dia de Sepé Tiaraju, assassinado há mais de dois séculos e meio, reconhecido como um dos 10 heróis nacionais no Brasil e tido como santo pelo povo no Rio Grande do Sul, os Guarani vêm dizer ao mundo que não são passado apenas, mas que estão em luta no presente e querem ajudar a construir uma outra solidariedade e nova configuração política e econômica na América do Sul.

     

    Egon Heck

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  • 09/02/2010

    Belo Monte: ditadura, nunca mais

    Nota da ABONG sobre Belo Monte

     

    Era uma vez um “Belo Monte”. Tão belo que despertou a sede insaciável dos monstros que vieram para ficar e somente deixarão a terra que há anos ocupam, quando se apropriarem de vez, de todos os rios, todos os minérios, toda a biodiversidade do pulmão do mundo que, já em estado grave, clama pela resistência ativa de seus habitantes naturais: os povos da floresta.

     

    A vila de Belo Monte fica localizada nas proximidades do rio Xingu, Estado do Pará, no coração da selva amazônica, próxima à cidade de Altamira. É ali, onde a bacia do Xingu tem a mesma biodiversidade em peixes que toda a Europa, que o governo brasileiro – tomando o nome da vila – pretende construir uma das maiores hidrelétricas do mundo. Este é um projeto do tempo da ditadura militar, data dos anos 70. Originalmente, previa a construção de cinco usinas na região.

     

    Desde então, os povos indígenas, os ribeirinhos, a população da região, ambientalistas e a Igreja local vêm lutando contra este projeto. Em 1989, os índios realizaram o “Primeiro Encontro das Nações Indígenas do Xingu”, que alcançou repercussão nacional e internacional. Pouco depois deste encontro, o Banco Mundial negou o suporte financeiro e o projeto foi arquivado. Mas não foi abandonado. Agora, por iniciativa do governo Lula, ele volta com toda a força, como parte dos projetos do PAC. Para acalmar a resistência ao projeto, o governo reduziu a proposta de cinco para uma única usina.

     

    O governo afirma que ela gerará 11.233 megawatts. No entanto, é sabido que essa potência só será produzida durante apenas quatro meses, nos demais o máximo que se conseguirá é 4.000 MW, ou seja, um terço do anunciado. O volume de terra a ser retirado para formar os canais será tão grande quanto aquele escavado para a construção do canal do Panamá! Milhares de pessoas dos municípios de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo serão retiradas de suas terras compulsoriamente, tornando-se mais pobres. Um terço da cidade de Altamira ficará submerso. Os estudiosos afirmam que a construção de uma usina é apenas uma etapa: o projeto seria financeiramente deficitário se se limitasse a uma única usina. Aprovada e iniciada a primeira, o projeto das outras quatro virá necessariamente.

     

    Profundos impactos serão causados na fauna e na flora; haverá comprometimento da navegabilidade, da pesca, da agricultura; animais serão extintos e os modos de vida locais se perderão em definitivo; grandes áreas de bosques serão inundadas. Cem quilômetros do rio Xingu, um afluente do Amazonas – com largas cachoeiras e fortes corredeiras, arquipélagos, florestas, canais naturais rochosos – se tornarão secos ou serão reduzidos a um filete de água! E, isto, logo após a Conferência de Copenhague sobre a gravidade da questão ambiental no mundo atual.

     

    Para fazer aprovar este projeto, o governo vem passando por cima de uma série de exigências: seriam necessárias 27 audiências públicas, foram feitas apenas 4 e, mesmo assim, os principais interessados, os indígenas, ou não tiveram acesso ou tiveram seu acesso dificultado. O Ministério Público do Pará denunciou este fato. Para fazer o IBAMA conceder a licença ambiental, houve pressão sobre seus funcionários: dois deles deixaram o órgão no final do ano passado em função disso. O Ministério das Minas e Energia (Edson Lobão) e o Ministério do Meio Ambiente (Carlos Minc) pressionaram para que a licença ambiental fosse concedida e o fosse o quanto antes. E assim foi.

     

    Não satisfeito com este procedimento autoritário, a Advocacia Geral da União (AGU), logo em seguida à concessão da licença, lançou uma nota – apoiada pelo Presidente da República – ameaçando processar os membros do Ministério Público que venham a colocar em questão a licença concedida ou o próprio projeto. Os meios de comunicação observaram que esta posição da AGU é inédita.

     

    Na verdade, é um retorno às práticas da ditadura: foi assim que os militares construíram suas grandes obras, seus grandes projetos (inundação das Cataratas de Sete Quedas, a construção das barragens de Tucuruí e tantas outras, a Transamazônica, a usina nuclear de Angra dos Reis, o “Brasil Potência”, o “Brasil, ame-o ou deixe-o”…). Foi passando por cima da sociedade, dos povos indígenas – que não deveriam ser um empecilho ao “progresso” -, das populações ribeirinhas, dos atingidos pelas barragens, do respeito ao meio ambiente.

     

    O Brasil deixou de ser ditadura há 25 anos e, num regime democrático, a sociedade tem o direito de se manifestar, de protestar quando percebe que projetos governamentais vão trazer prejuízo para a população. Finda a ditadura, graças à mobilização do conjunto da sociedade civil, dos movimentos sociais, das entidades de defesa dos direitos humanos, das Igrejas, construiu-se uma Constituição que restabeleceu as liberdades democráticas, ampliou os instrumentos de participação social e de defesa da sociedade contra os abusos do poder. Um destes instrumentos de defesa criados pela Constituição foi o Ministério Público. Esta instituição deve ter absoluta liberdade de ação: opor ameaças ao seu trabalho é reeditar comportamentos diante dos quais não nos calaremos. Não passem por cima da Constituição Cidadã: ditadura, nunca mais!

     

    O objetivo principal da energia que será gerada em Belo Monte é atender às necessidades das grandes empresas já instaladas ou que vão se instalar na região ou em suas proximidades; o que importa são os resultados financeiros para as empreiteiras privadas, para as estatais (seja Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Chesf, Furnas, Eletronorte, Eletrosul) e para os Bancos. Falou-se, inicialmente, de um custo de 6,7 bilhões; agora já se fala em 30 bilhões. Segundo o pesquisador Oswaldo Sevá, trata-se de “um projeto absurdo, [que] foi imaginado por gente que só pensa em dinheiro”. Um conjunto de pesquisadores insiste que há muitas alternativas para gerar energia elétrica no Brasil sem destruir o meio ambiente, sem prejudicar os habitantes (em particular, os povos indígenas), de forma limpa e mais inteligente. Entre outras coisas, eles mostram que é pouco sensato construir uma usina na Amazônia e depois ter de construir enormes redes de transmissão para levar esta energia para outras regiões. Após ter revisado toda a produção e distribuição de energia já existente no Brasil, o que economizaria uma energia muito maior do que Belo Monte pode produzir, o governo brasileiro deveria concentrar-se no investimento das energias alternativas que são hidrelétricas, sim, mas pequenas – nunca grandes – energia eólica – que eles demonstram que pode produzir dez vezes mais energia que Itaipu – e energia solar (que as autoridades brasileiras poderiam desenvolver, se tivessem interesse).

     

    A ABONG se solidariza com os atingidos e as atingidas pelo projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, e por todos os projetos de hidrelétricas em execução ou planejadas na Amazônia (quase 400), denuncia a depredação ambiental que será causada se este projeto for levado adiante e repudia veementemente a decisão do governo Lula, que vem manchar de vergonha quem acreditou que a esperança prometida de dias melhores estaria voltada para quem, de fato, precisa de vida digna.

     

    São Paulo, 05 de fevereiro de 2010.

     

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  • 05/02/2010

    Movimentos sociais fazem ato de apoio à atuação do MPF no caso Belo Monte

    Representantes do Movimento das Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade (MMTA-CC), do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH) e da Prezalia do Xingu vão entregar hoje às 15 horas ao Ministério Público Federal (MPF) pedido de atuação da instituição contra irregularidades na licença expedida esta semana pelo Ibama que autoriza o início das obras da hidrelétrica de Belo Monte.

     

    O ato dos movimentos sociais será uma demonstração de apoio ao MPF na polêmica criada na última quarta-feira pela Advocacia-Geral da União, que criticou o trabalho dos procuradores da República contra irregularidades em projetos hidrelétricos no norte do país (veja resposta oficial do MPF em http://tinyurl.com/resposta-do-MPF-a-AGU).

     

    Também em apoio ao MPF, os movimentos sociais solicitaram à Justiça Federal que sejam incluídos como co-autores dos processos judiciais que a Procuradoria da República no Pará move no caso Belo Monte.

     

    Assunto: Ato de movimentos sociais em apoio à atuação do MPF no caso Belo Monte

    Data: Nesta sexta-feira, 05 de fevereiro, às 15 horas

    Local: Sede do MPF em Belém, na rua Domingos Marreiros, 690 – Umarizal

    (entre Generalíssimo e 14 de março)

     

    Assessoria de Comunicação

    Procuradoria da República no Pará

    Atendimento à imprensa: Helena Palmquist, Murilo Hildebrand Abreu e Pollyanna Gomes

    Telefones: (91) 3299.0148 / 0177 / 0141 /(91) 8403.9943 / (91) 8212.9526

    [email protected]

    Twitter: @MPF_PA

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  • 05/02/2010

    Movimentos sociais fazem ato de apoio à atuação do MPF no caso Belo Monte

    Representantes do Movimento das Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade (MMTA-CC), do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH) e da Prezalia do Xingu vão entregar hoje às 15 horas ao Ministério Público Federal (MPF) pedido de atuação da instituição contra irregularidades na licença expedida esta semana pelo Ibama que autoriza o início das obras da hidrelétrica de Belo Monte.

     

    O ato dos movimentos sociais será uma demonstração de apoio ao MPF na polêmica criada na última quarta-feira pela Advocacia-Geral da União, que criticou o trabalho dos procuradores da República contra irregularidades em projetos hidrelétricos no norte do país (veja resposta oficial do MPF em http://tinyurl.com/resposta-do-MPF-a-AGU).

     

    Também em apoio ao MPF, os movimentos sociais solicitaram à Justiça Federal que sejam incluídos como co-autores dos processos judiciais que a Procuradoria da República no Pará move no caso Belo Monte.

     

    Assunto: Ato de movimentos sociais em apoio à atuação do MPF no caso Belo Monte

    Data: Nesta sexta-feira, 05 de fevereiro, às 15 horas

    Local: Sede do MPF em Belém, na rua Domingos Marreiros, 690 – Umarizal

    (entre Generalíssimo e 14 de março)

     

    Assessoria de Comunicação

    Procuradoria da República no Pará

    Atendimento à imprensa: Helena Palmquist, Murilo Hildebrand Abreu e Pollyanna Gomes

    Telefones: (91) 3299.0148 / 0177 / 0141 /(91) 8403.9943 / (91) 8212.9526

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  • 04/02/2010

    Nota do Conselho Indigenista Missionário contra construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

    O Conselho Indigenista Missionário vem a público manifestar sua indignação frente  à concessão, pelo IBAMA, da licença prévia que permitirá o leilão para construção e exploração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, município de Altamira/PA.

     

    Na opinião do Cimi, este é um projeto autoritário, oriundo ainda do período dos governos da ditadura militar e que, desde então, sofre oposição dos movimentos sociais, dos povos indígenas, ribeirinhos, ambientalistas, cientistas, especialistas em energia hidráulica e da população em geral da região do Rio Xingu. Todos estes segmentos são unânimes em dizer que esta obra é inviável em função de seus impactos sociais, econômicos, culturais, ambientais. Além disso, a navegabilidade das águas nos trechos de vazão reduzida será inviabilizada, comprometendo a sustentabilidade de povos indígenas e ribeirinhos que dependem do rio para viver.

     

    No que se refere à capacidade energética de Belo Monte, o governo vem sustentando a versão falaciosa segundo a qual seriam gerados 11.223 MW, quando todos os estudos demonstram que a geração média será de 4.428 MW devido à variação da vazão das águas entre o período das cheias e das secas.

     

    O Cimi se soma às vozes que ecoam na Amazônia, nas demais regiões do Brasil e no exterior contrárias à construção deste empreendimento porque, além dos impactos acima referidos, ele tem como objetivo primeiro a geração de energia para as empresas mineradoras que exploram ferro, alumínio, bauxita, manganês e outros minérios na região amazônica. Estes segmentos econômicos saqueiam os recursos de nosso país, os exportam e deixam aqui no Brasil apenas a terra devastada.

     

    O Cimi também repudia o modo como esse projeto vem sendo apresentado pelo governo do presidente Lula, de maneira autoritária, sem participação da população. Além disso, os estudos de impacto ambiental e de viabilidade socioeconômica foram realizados apenas para atender formalidades e não para apontar com seriedade sua viabilidade. O próprio Ibama, ao conceder a licença prévia, alegou nas suas conclusões técnicas que algumas questões não puderam ser analisadas com profundidade, dentre elas o componente indígena e as contribuições das audiências públicas e que, portanto, não concluiu sua análise a contento.

     

    Na avaliação do Cimi, é também descabida e inaceitável a reação, transmitida em nota pública, da Advocacia-Geral da União contra possíveis iniciativas de procuradores do Ministério Público Federal. Tal reação constitui-se numa clara manifestação de intransigência e tentativa de intimidação a procuradores que, por ventura e necessidade jurídica, venham legitimamente a ingressar com ações judiciais contra as obras de Belo Monte.

     

    Por fim, nos solidarizamos com todas aquelas comunidades que sofrem a imposição deste desastroso projeto e conclamamos aos movimentos sociais, populares, ambientais, indígena e indigenista a continuarmos firmes e unidos na luta contra Belo Monte.

     

    Brasília, 04 de fevereiro de 2010

    Conselho Indigenista Missionário

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  • 04/02/2010

    STJ suspende demarcação de terra indígena Porquinho no Maranhão

    O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Cesar Asfor Rocha, suspendeu liminarmente os efeitos da Portaria n. 3.508/2009, do Ministério da Justiça, que determinou a demarcação da Terra indígena Porquinho dos Canela-Apãnjekra localizada nos municípios maranhenses de Grajaú, Fernando Falcão, Formosa da Serra e Barra do Corda.

     

    Com base em parecer elaborado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), o ministro da Justiça considerou a área de 301 mil hectares como tradicionalmente ocupada pelo grupo indígena e determinou que a Funai promova sua demarcação administrativa para posterior homologação pelo presidente da República.

     

    Os municípios atingidos pela demarcação recorreram ao STJ sustentando, entre outros pontos, que as fontes utilizadas no relatório que fundamentou a referida Portaria são “inconsistentes e falham no sentido de comprovar a ocupação indígena na área pretendida” e que ela afronta direitos legítimos de milhares de proprietários e moradores tradicionais que “habitam, trabalham e convivem mansa e pacificamente na área há mais de 300 anos”.

     

    Alegaram, ainda, que a Portaria não levou em consideração que o Maranhão possui apenas 15% de terras férteis, sendo que 8% delas já estão nas mãos dos índios, e que os aproximadamente 7.500 índios que habitam as aldeias existentes nos municípios possuem atualmente 439 mil hectares de terras já demarcadas, escrituradas e devidamente registradas.

     

    Liminarmente, o presidente do STJ considerou os fundamentos da impetração relevantes em relação à possível ocorrência de erros formais no Relatório de Delimitação e Identificação que deu origem à Portaria. Para Cesar Rocha, está configurado o periculum in mora (perigo da demora), tendo em vista o afastamento da população que habita a área em questão.

     

    Assim, a demarcação fica suspensa até o julgamento do mérito do mandado de segurança interposto pelos municípios.

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  • 04/02/2010

    Informe nº 899 – Belo Monte: “Não houve diálogo”

    O presidente do Cimi, Dom Erwin Kräutler, reafirma sua posição sobre Belo Monte e ressalta não esmorecer, mesmo sem diálogo. “Vou continuar lutando!”

     

    O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler, esteve esta semana em Brasília e reafirmou seu posicionamento sobre a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará: “Sou contra!”. A voz firme do bispo não enfraqueceu após a notícia de que a licença prévia que autoriza a realização do leilão da Usina havia sido publicada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), no dia 1º de fevereiro.

     

    Na quarta-feira pela manhã, ao se reunir com o presidente do Ibama, Roberto Messias, Dom Erwin foi enfático. “Não fomos nós que pedimos este encontro agora. Foi o próprio presidente do Ibama que solicitou esta reunião, antes mesmo de sair a licença. E nós estamos aqui, sempre abertos ao diálogo. Agora, eles é que não estão abertos ao diálogo franco”, ressaltou. Também participaram da reunião o secretário executivo do Cimi, Eden Magalhães, o assessor jurídico do Cimi, Paulo Machado Guimarães e o diretor de licenciamento do Ibama, Pedro Bignelli.

     

    Durante a reunião, Messias perguntou se agora, com as 40 condicionantes colocadas no licenciamento e uma contrapartida de 1,5 bi, Erwin não estaria contemplado. “Fiquei indignado!”, declarou o bispo. “Eu não acredito nestas empresas que vão assumir a obra, porque depois que estiver tudo acertado e elas forem as donas do empreendimento, podem fazer o que bem entenderem”.

     

    De acordo com Dom Erwin, ao ser questionado sobre as audiências públicas e a falta de respeito com a população do Xingu, Roberto Messias sempre mudava de assunto. “Eu tentei por duas vezes questiona-lo sobre as audiências, pois nós sempre defendemos que fossem feitas 27 e, no entanto, só quatro foram realizadas e ainda assim de forma autoritária, impedindo inclusive a participação do Ministério Público Federal. Mas em nenhuma vez ele respondeu ao meu questionamento”, lembrou.

     

    Lacunas

    Dom Erwin não saiu satisfeito  da reunião e lamentou que a audiência tenha acontecido diante de um fato já consumado. “Dialogar o quê agora? Muitos pontos que ficaram em aberto ainda não têm resposta!”, ressaltou. De acordo com Dom Erwin, a questão dos ribeirinhos, que não têm para onde ir, não foi solucionada; não apontam soluções para as áreas adjacentes que serão deterioradas; não escutaram o painel de especialistas nas audiências; não sabem informar sobre a situação da água a ser represada; não informam explicitamente que bairros inteiros serão inundados e que um terço da cidade de Altamira vai pro fundo das águas; não sabem mensurar o fluxo migratório que deve aumentar consideravelmente na região; entre outros pontos.

     

    Eden Magalhães também foi enfático. “Este é um projeto que vem desde a época da ditadura e é um absurdo encaminha-lo. Fazem esta conversa agradável com a gente, mas sabemos que por trás existem grandes interesses econômicos”, declarou.

     

    Apoio do Ministério Público Federal

    Ainda na quarta-feira, Dom Erwin também se encontrou com Dra. Débora Duprat, subprocuradora geral da República e toda equipe de procuradores da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal. No encontro, várias questões foram discutidas sobre o empreendimento, inclusive a nota que a Advocacia Geral da União soltou, afirmando que irá processar os membros do Ministério público que tentarem inviabilizar a construção da usina. Já no final da tarde, a Procuradoria Geral da República e a Procuradoria da República no Pará soltaram nota onde afirmam que “tais críticas, em tom ácido, parecem desprezar que um Estado democrático não se constrói com base na coerção, direta ou velada, provenha ela de onde vier”.

     

    Sobre o licenciamento, os procuradores se comprometeram em criar um grupo de trabalho para estudar o licenciamento e também o parecer técnico e, em breve, terão uma posição quanto à possibilidade de ingressar com ações judiciais pedindo a suspensão da licença prévia concedida pelo Ibama. O grupo será formado por procuradores de Altamira e da PGR, em Brasília.

     

    Na avaliação do Cimi, o empreendimento Belo Monte é autoritário e repleto de vícios que comprometem a sua legitimidade. Além disso, vem sendo empurrado – ao contrário do que o presidente Lula afirmou – “goela abaixo” da população que vive na região do Xingu.

     

    Conselho Indigenista Missionário

    Brasília, 04 de fevereiro de 2010

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  • 04/02/2010

    NOTA A IMPRENSA – Procuradoria Geral da República

    A Constituição conferiu ao Ministério Público, entre outras, a atribuição de impugnar atos do poder público que afrontem suas próprias disposições e demais normas constantes do ordenamento jurídico.

     

    No cumprimento da referida missão constitucional, não é possível ao Ministério Público, como gostariam muitos, excluir da sua atuação determinados atos em razão da sua relevância, por mais justificada que seja, para políticas governamentais.

     

    Por isso mesmo, é inevitável que, com freqüência, os seus desempenhos institucionais criem embaraços a empreendimentos governamentais que, de alguma forma, estejam em desacordo com a lei.

     

    É precisamente o que se verifica no caso de hidrelétricas no norte do país, em que a atuação do Ministério Público atende não à vontade pessoal de seus representantes mas ao que determinam a Constituição e as leis e certamente não será obstada pelo aceno de medidas que, alegadamente dirigidas contra supostos abusos e desvios, revelam intuito intimidatório.

     

    O Procurador-Geral da República não se omitirá diante de condutas indevidas de membros do Ministério Público, que deverão ser apuradas pelos órgãos internos e pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

     

    Jamais deixará, entretanto, de apoiar e defender firmemente todos que se empenham no exercício pleno e regular das atribuições constitucionais do Ministério Público.

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  • 03/02/2010

    Belo Monte “Pharonic project and generator of death” Special interview with Dom Erwin Kräutler

    (originally posted on IHU Online on 17 december 2009)

     

    "I know how much sweat these people poured and how much time they spent to build their homes. I say again: these are brick houses, not shacks or stilt platforms! Now these people will be forcibly uprooted from their homes and moved to where?", asks Dom Erwin Kräutler in an interview to IHU On-Line, conducted via e-mail. The Bishop of Altamira, a municipality located in the middle of the Amazon forest in Pará, describes the support that the Church has given the people to fight against the Belo Monte hydroelectric dam and also what happened after the meeting with Lula in September this year. "There is no shortage of options and no lack of leading scientists that present alternatives. But they are immediately silenced and even ridiculed when they talk about solar or wind power", he notes.

     

    Dom Erwin also examined the blackout that occurred in November. "Until today, were not disclosed the real reasons that caused the blackout. But the occurrence of a system failure or even irresponsibility in the maintenance does not justify building a giant dam, with unforeseeable consequences, harmful to the peoples of the Xingu region and the environment. " When asked how Marina Silva and Lula have acted in relation to the Belo Monte, Dom Erwin is vehement: "Marina Silva disappointed me. I never thought that she would submit so tranquilly to the dictates of her candidacy for president. "

     

    the interview:

     

    IHU On-Line – What is the support that you have received from the Church in the struggle against hydroelectric Belo Monte?

     

    Don Erwin — I am bishop of the Church that is in the Xingu. The "my" church (not in the possessive, but of belonging!) Is this, who is, here and now, in the Amazon. It is not only part of the Church throughout the world, but it also remains the Church with all its features: one, holy, catholic and apostolic. And this local Church is now faced with tremendous challenges. I have not the least doubt:  I am receiving the support of the Church in the Xingu, the People of God who live here and walk, struggle and pray, it unites and celebrates, is engaged in a just and fraternal society, believes that "another world is possible" , which for us coincides with the dream of Jesus: the kingdom of God. Yes, I feel that this Church in the Xingu supports its bishop when he assumes the defense of people who live here against a megalomaniac and pharaonic project that promises to generate energy, but in fact will generate death.

     

    The Church in Pará and Amapá (II North Regional CNBB) has stated unequivocally at its 32nd Pastoral Regional Assembly (26 – August 28, 2009) in an “Open Letter” which expressly says: "At this moment, we witness with great concern the procedures around the projected construction of the Hydroeletric plant of Belo Monte.. One more major enterprise does not take into account the real concerns of the population and only stirs up the ambition of those who preach a development that will certainly be passenger and destructive. (. ..). What development is this that unscrupulously destroys the habitat of people and families, flora and fauna? This mega project, if implemented, will leave thousands of "life projects" bulldozed by compulsory displacement of many families from their homes and from their lands. (…) the Indigenous peoples and traditional communities for centuries persecuted and decimated, will receive the fatal blow losing their territory and natural resources – and especially the beloved land of their rites and myths, where they buried their ancestors. Our ears resonate with the cry of a Kayapo Indian, ‘What will become of our children! "

     

    Already in the Document of the Ninth Meeting of Bishops of the Amazon (Manaus, 11 to 13 September 2007)" Missionary Disciples  in the Amazon" protests: "The great projects are decided outside the Amazon, attending to interests that do not benefit the Amazonians. There are projects of the government and enterprises with transnational capital. It is necessary to analyze the consequences of these projects: the social and ecological imbalance, deforestation, climate change etc.. " (n. 24)

     

    I also know that the CNBB (National Conference of Bishops of Brazil, its presidency and the Permanent Council, has always supported me and our commitment in favor of indigenous peoples in the Xingu, of the riverine peoples and people in general that inhabit the city of Altamira and other neighboring cities that will be fatally affected by this project.

     

    IHU On-Line – What reactions did you have after the meeting with Lula, who at the time, said that nothing would be done "down our throat?’

     

    Don Erwin – President Lula invited me for one more audience, which was due to have occurred between November 25 and 27. I waited every day to be called, but on Nov.26, around 9pm, I was informed that the President was traveling to Venezuela and unfortunately not been able to find a window in his schedule to receive me. The promise of " not to push the project down the throats of anyone" the President did not have the permission of his energy sector has not altered its strategies.

     

    After the meeting with President Lula on 22 July 2009 I had another opportunity to talk with government representatives, this time in Altamira, on the occasion of the already notorious policed public hearings. Again, I absolutely invite representatives of social movements of Altamira, but the doctors returned to parade the same litany of advantages and benefits that no longer convinces anyone. They explained that they defended the viability of Belo Monte in purely technical terms and, so cornered, they admitted that the problems are situated in the social and environmental dimension. Who among us did not know that? Still, it was good to hear that they agree that such problems exist. Then questions began to flow, none of them obtaining a convincing answer. The doctors come with vague promises or remain calm when going into details, or, say that everything has a solution, but do not reveal what kind of solution that will be.

     

    Worse, suddenly they lose their temper and react with an arrogance and prepotency we never expected of members of the current government and bring to mind the days of Military Dictatorship. They say openly that we can do what we please: "The project will go on!". The cynicism of statements like these seems insurmountable. The gentlemen Walter Cardinal and Adhemar Palocci are convinced of their role in relation to this nefarious project and want to move like a steamroller over us all. I do not know if the President of the Republic really realizes the dictatorial onslaught by his first echelon. I pray to God that our president gets real and gives up the execution of this project. Otherwise, he will go down in history as the great predator of the Amazon and the gravedigger of the indigenous peoples  and riverine peoples the Xingu.

     

    We can see with great anguish that, for these sectors of government, the office of the President and the minister of Mines and Energy, the project is decided. So all the pressure upon the IBAMA is considered "tiresome" for failing to conclude their studies to issue the expected preliminary license for a construction of the Hydroeletric dam of Belo Monte. One gets the distinct impression that these ministries and sectors of government are not interested in a detailed, thorough and responsible assessment by the competent body. Pressure upon IBAMA is the order of the day. No more "obstacles and trinkets"! Long ago at a banquet given by the Governor of Mato Grosso, Blairo Maggi, the largest individual soy grower in the country and winner of the "Golden Chainsaw" trophy for his contribution to deforestation of the country, President Lula himself was left carrying a compromising declaration.

     

    He identified the indigenous peoples, the quilombolas, the environmentalists and even the Federal Prosecutor as "obstacles" to progress. Also considered "trinkets" articles of environmental legislation, because these legal parameters would be hobbling the development of the country. Therefore, the order is to ignore or at least not give much importance to social and environmental impacts. Otherwise, the country would be doomed to stagnation. It may even be that the president later regret what was said off the cuff, but the media had already reported the gaffe and the government sectors have seized this presidential statement in chorus declared the highest authority in the country.

     

    Nevertheless, we do not stop, and continue to draw the attention of society to the irreversible social and environmental effects that the project, if implemented, will cause. I realize that in Altamira and the surrounding municipalities, only a part of the entrepreneurs and traders defend the project because they think a lot of money will flood the place, forgetting, however, that one-third of Altamira goes under, and Vitória do Xingu will become a ghost town because they will lose the port that supplies Altamira and the entire region of the Transamazonica. The tributaries of the Xingu River in the municipalities Senador Jose Porfirio and Porto de Moz will dry up or be reduced to mere trickles of water, making navigation and fishing impossible, which sustains these people and family farms on the banks of those rivers.

     

    Altamira is now bordering on 100 thousand inhabitants. More than thirty thousand people will be forcibly removed from their homes that will remain underwater, in exchange for promises of a better life. The Eletrobrás technicians, however, do not know where they will house all these families. And the experiences of other projects smaller than Belo Monte teach us that the promises do not materialize. President Lula himself told me at the hearing that I had with him on 22 July 2009, "the great debt of Brazil in relation to those affected by dams, has not been paid”. Will it be that from now on, everything will change? Will it be that, suddenly, all promises will be honored, and families uprooted from their homes will be transferred to mansions built for them in an agreeable place? The Government still today does not know to where all these people will be removed. In addition, they dramatically underestimate the population that will be directly affected by this disgrace.

     

    A few days ago, in an interview with Jornal do Brazil (13.12.09), the president of IBAMA, Roberto Messias Franco, mentioned my name and agreed with me " he has a legitimate concern: what if more people come, poor people, with the construction? You are right to want a welfare plan for these people”.  Then he said, "the nearly 12 million people who live there, in stilt houses, on borders of streams, without basic sanitation, should be resettled in better conditions than those of today. President Lula makes a point of saying that people can not be torn out of place, but relocated a place where life could be better.. It will require new neighborhoods, new cities, with assistance, homes, structure. However, the president of IBAMA is terribly wrong when he speaks of "houses on stilts". There exist "some" houses of this type on the banks of the Igarapé Altamira and along the Acioly Ernesto Estrada, but the streets (always in terms of streets, not of housing!) in the area to be flooded, according to studies made by the Government (EIA / RIMA), are lined with homes, the overwhelming majority of them two story masonry houses. I felt a tightness in my heart during the procession of the Immaculate Conception held last December 8. We walked through streets whose days are numbered if the project becomes reality.

     

    There are not only 12 thousand people. I ask the president of IBAMA to send his staff to update the census of those directly affected. I know how much sweat these people poured and the time they spent to build their homes. I say once again: these are brick houses, not shacks or huts on stilts! Now these people will be forcibly uprooted from their homes and moved to where? President Lula does not explain "where life can be better", he only promises "new neighborhoods, new cities, with assistance, homes, structure”. Will it be that Lula dreams of a tropical Shangri-La for these people that will be affected by the disaster of Belo Monte, does he want to recuperate the lost paradise or cause to emerge from the repressed waters of the Xingu a submerged Atlantis. Déjà vu! This movie we already know from the Itaipu dam, and even more since Tucuruí and the disastrous Balbina! Who gives the guarantee so that the presidential promises materialize? When the lake submerges a third of the city of Altamira, President Lula and his staff now will already have their cushy pensions and will wash their hands because they do not have to provide tribute or satisfaction to those who will at that time govern Brazil. And will it be that a future government will honor the commitment made by President Lula of resettling these people "where life can be better? The future Amazon generation will condemn to the inferno those who caused all this misery and irreversibly devastated this beautiful region. But the arrogant   energy sector of the Government is unwilling to hear the outcry from the people. Damn those against the dam! Well according to that ancient Arab proverb: The dogs bark and the caravan passes!

     

    IHU On-Line – Some criticisms have been made that only the environmentalists are against it, but do not present alternatives for energy production in the country. What options do we have to generate energy, without being based on the construction of hydroelectric dams in the Amazon?

     

    Don Erwin – There are many options and lack leading scientists that present alternatives. But they are immediately silenced and even ridicule when they talk about solar or wind power. A few days ago, Fantástico, da Rede Globo, presented new technologies that the Japanese invented for large scale solar energy generation. The problem is that none of the alternatives interest the construction companies which are eager to apply their know-how and run all their machinery strictly to build power plants, the traditional model, with barriers, huge cement walls, dikes and derivation canals. This is what they know how do and make astronomical profits. Nothing is important about the consequences for the peoples of the region and the environment. That is why they shamelessly pressure IBAMA to immediately release the license. There is great invoicing pressure.

     

    IHU On-Line – Were there repercussions from the blackout, which occurred last week, on the argument in favor of construction of the Belo Monte? Does the blackout reinforce the motivations of the government?

     

    Don Erwin – Naturally, for the defenders of the project, the blackout was welcome. They were delighted when the media published the news that some states in the south and southeast were without power for hours. Only today were the real reasons that caused the blackout revealed. But the occurrence of a system failure or even irresponsibility in maintenance does not justify a gigantic construction, with unforeseeable consequences, harmful to the peoples of the region of the Xingu and to the environment.

     

    IHU On-Line – Marina Silva said that "there is no escaping the energy use of the Xingu River. Analyzing also Lula’s position on the enterprise, as you see these ways of looking at the rivers of the Amazon?

     

    Don Erwin – Marina Silva disappointed me. I never thought that she would submit so tranquilly to the dictates of her candidacy for president. I never thought she would relinquish her conviction to defend the environment against insane projects and inexcusable omissions in their viability studies. Marina speaks as a candidate of the Green Party and, as such, should just assume the defense of the "Green of the Forests"! The statement "there is no escaping the energy use of the Xingu river" is the same old saw that we are tired of hearing from the mouth of the intransigent government technocrats. Worse, by repeating this refrain, Marina capitulates before the ideals that made her a respected voice and reference at the national and international levels in dealing with defense of the Amazon. It is no longer the Marina that I met and hosted in Altamira on the day that they killed Sister Dorothy! Marina has betrayed her vanguard mission for the people of the forest. What does she hope to achieve with this change in her vision? Some votes from those who even now remain in opposition to her?

     

    IHU On-Line – What is the strength and the limits of social pressure against Belo Monte? Can the decision, in your opinion, on the construction still be reversed?

     

    Don Erwin – Of course it can be reversed! And that’s what we hope! That finally all this seductive discourse by the government and mining and dam companies be demystified. The sword of Damocles is hanging over the Xingu and its people, hanging by a very slender thread. But like the legend told by the Roman writer Horace does not end in tragedy because the slender thread resisted, likewise we hope that sanity wins out over insanity, and Xingu continues to  "live forever".

     

    IHU On-Line – What is the role of indigenous peoples in the fight against Belo Monte?

     

    Don Erwin – One thing is certain: the indigenous peoples will not give up. They may be beaten to the shame of the present Government, but they will never give up. They have other parameters in evaluating the projects. For them, the river is sacred, and the subject of the story is the people, not a um project invented by "whites", who regard the land, the jungle and river as raw materials for doing business. The slogan of the neo-liberal capitalist is "no land, no forests, no river outside of the market!" while the indigenous peoples from the depth of their ancient wisdom, cry out: "All the land, the jungle and the river for Life and Peace." Two projects are in confrontation: one in favor of life, another for the business at any price.

     

    This tells me that in the context of the Program for Acceleration of Growth (PAC), the indigenous peoples are suffering one more phase of anti – indigenism, this time starting from the highest levels of government. I recall at least two highly shameful episodes. The Minister of Mines and Energy Edison Lobao refers to the Indians with a term so discriminatory that is the envy of the Nazi regime against the Jewish people. The Minister soiled the international image of Brazil. He calls the indigenous peoples and their allies "demonic forces"! When the "scandal of the parabolic" the respected jurist and diplomat Rubens Ricupero, Secretary of the Treasury in 1994, inadvertently revealed " off the record" nothing incriminating some details of the Real Plan, had to resign. Minister Lobao was not "off the record", but loud and clear for Brazil and the whole world to hear and know what he thought of indigenous peoples. Yet he remains in office. I understand that, according to the Citizen Constitution [The Federal Constitution of Brazil]  of 1988, the minister should be prosecuted for racial discrimination.

     

    O other case was perpetrated by Funai, which should protect the interests and concerns of the indigenous peoples. He preferred to assume the role of Judas in the matter of Belo Monte. He will go down in history as a traitor of the indigenous peoples of the Xingu! The Funai is the successor of the Service for Protection of the Indian (SPI), conceived and created in 1910, the great defender of indigenous peoples, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. It was closed in 1967 due to international protests over the carnage promoted in Indian villages by the SPI and under its benevolent gaze. Funai, the current indigenous agency of the Government, the successor to the SPI, also closes his eyes to a projected disaster. As the SPI covered its ears to the cries of tortured Indians of the last century and therefore was shut down, the 21st century Funai does not want to bother with the cry of these people. Before serves the interests of dam and mining companies than ever will care about the indigenous peoples, or about the riverine peoples or about families from the lowlands of Altamira who will be forcibly evicted from their homes, or the flora or fauna of the Xingu. Without the slightest scruple they repeat King Louis XV of France (1710-1774): "apres moi le deluge” (After me the deluge).

     

    One more chapter in the resistance to the Belo Monte project was written on December 1st. The Attorney General’s Office asked for a debate between the Federal Government and the people who will be most affected if the project becomes reality. Dozens of indigenous riparian and representatives of social movements of Altamira faced a long and tiring journey to the capital in order to participate in the discussions, coordinated by Dr. Deborah Duprat, Deputy Attorney General’s Office. And there was no surprise of those who came from afar: the representatives of major organs of the Federal Government simply did not attend the public hearing. Neither the National Foundation for Indigenous Affairs (FUNAI) nor the National Agency of Electrical Energy (Aneel), and, worse still, not even the Brazilian Electric Power Company (Eletrobrás) found it necessary to do this. Antonia Melo, recently honored by the OAB-Pará with Jose Carlos Castro award in recognition of their human dignity and the environment in the Amazon, complained on behalf of all: "Today, once again, they did not want to hear the people. They did not want to debate with the people. It’s a shame the arbitrariness with which they are dealing with our people!" Even so, the leaders delivered documents in which, once again, they repudiated the construction of the dam and hydroelectric plant of Belo Monte and say they will not give up the fight, waving – God forbid it happen! – Even with the possibility of bloodshed in defense of the river. What scares me in this whole episode is the brutal determination of government to simply ignore these people for who it was not just a stroll to Brasilia and put representatives of indigenous peoples the riverine peoples, the people of Altamira “on ice”. Through an anti-democratic attitude like this, it is clear they are trying to kill us through exhaustion. But they won’t succeed!

     

    And the Indians protested in a letter dated December 1, 2009 that is striking because of its strong message. It is the ultimate indigenous cry to a government apparently insensate. Anyone who reads the last paragraph of this letter is sad because of the annoying coldness of the Government, but the sadness is transformed and indignation and outrage against those responsible for an insane project they want to put into play without pity and compassion, costs what it costs:

     

    "We the Indigenous peoples, will no longer sit with any government official to talk about UHE Belo Monte, for we have spoken too long, and this cost 20 years of our history. If the Brazilian government wants to build the Belo Monte in the arbitrary way, as it is being proposed, that is the sole responsibility of this government and its representatives and of the justice system what is going to happen with the executors of this work, with the workers, with indigenous peoples. The Xingu River could turn into a river of blood. That is our message. That Brazil and the world are aware of what can happen in the future if the Brazilian government does not respect our rights as indigenous peoples in Brazil”.

                                                                           

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    International Rivers

    http://www.internationalrivers.org/en/blog/glenn-switkes/dam-slaves

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