• 25/03/2010

    General Secretary of Bishops Conference visits Guarani Kaiowa

    On March 19 and 20, the General Secretary of the CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, accompanied the Indigenist Missionary Council (CIMI) on a visit to the Guarani Kaiowá communities in the region of Dourados in Mato Grosso do Sul. Dom Dimas became intimately acquainted with the reality of the communities of Laranjeira Ñanderu, Pasu Piraju and Guyraroká.

     

    In the Laranjeira Ñanderu community encampment, which is on the side of the road, Dom Dimas could see the situation of a people who struggle to return to their traditional territory, but who live in abject misery and abandonment. In tents of black plastic under a scalding sun, without potable water, they are depending on basic food baskets because they have nowhere to plant or hunt. “We have an inhuman situation in this encampment. We have to take concrete measures as rapidly as possible”, stated the bishop. Also present were Bishop of the Xingu and President of CIMI, Dom Erwin Kräutler, and Federal Prosecutor from the MPF, Marco Antnio Delfino Neto.

     

    In the Guyraroká community, the bishop heard deeply moving reports from the parents and spouse of Rolindo Vera, the teacher disappeared during the retaking of their traditional land.  They came from the community of Ypo’í to report their realities. The bishop was also presented with several reports on violence suffered by these peoples in several different communities, when he made clear that the question of the land is most urgent. “The CNBB has already sent a letter to President Lula requesting agility in these demarcations”, he said.

     

    In Pasu Piraju, where the indigenous people live confined in a very small space, the Secretary of the CNBB heard 78 year old leader Carlitos, who does not resign himself to living in such a constricted space. “We are here as slaves, quite simply because we are not able to leave here” stated the leader.

     

    With his presence, Dom Dimas is also able to leave a message of hope with the Guarani. “We will achieve victory, we cannot lose hope, we cannot be discouraged!”, he declared.

     

     

    Photo Essay on the visit of CIMI to Mato Grosso do Sul

     

    March 9-20, 2010 visit by President of the National Conference of Bishops of Brazil, Dom Dimas and President of CIMI and Bishop of the XINGU Dom Erwin Kräutler

     

    contributing photographers:

    Cleymenne Cerqueira/Cimi

    Maíra Heinen/Cimi

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  • 25/03/2010

    Informe nº 906: Movimento indígena consegue duas grandes vitórias

    Assinada Medida Provisória que cria a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena

     

    O presidente Lula assinou ontem (24), Medida Provisória que cria a Secretaria Especial de Saúde Indígena. A nova secretaria, que fará parte da estrutura do Ministério da Saúde, terá recursos próprios e irá substituir a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), atual responsável pelo atendimento aos indígenas e que, ao longo dos anos, se viu envolvida em acusações de corrupção e desvio de verbas. A medida agora depende de aprovação no Congresso Nacional, o que poderá acontecer em um prazo de 60 dias.

                       

    A criação da secretaria é bandeira na luta do movimento indígena há muitos anos. Em 2008, o tema da saúde indígena se destacou no Acampamento Terra Livre, motivando a criação, dentro do Ministério da Saúde, do Grupo de Trabalho Saúde Indígena, formado por membros do governo e lideranças indígenas, que incorporaram em suas discussões a criação da secretaria. No mesmo ano, lideranças indígenas conseguiram impedir que o governo criasse a Secretaria de Atenção Primária e Promoção da Saúde, que não trataria de forma específica a questão da saúde indígena.

     

    A criação da Secretaria Especial muda a gestão de toda a atenção à saúde indígena. Ela passa a ser responsável pelo atendimento de todas as demandas e pela criação de políticas públicas exclusivas para a saúde indígena, que por sua vez devem ser delineadas com base nas diretrizes aprovadas nas Conferências Nacionais de Saúde Indígena, pela Lei Arouca, pela legislação trabalhista e da administração pública, bem como pela Constituição Federal.

     

    Para o vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário, Roberto Liebgott, a criação da Secretaria traz de volta à União responsabilidades constitucionais que são de sua competência. “A política que vinha sendo desenvolvida foi considerada inconstitucional porque se fundamentava na lógica da terceirização de serviços. Agora, o responsável pelo atendimento à saúde indígena volta a ser o Governo Federal”, afirmou.

     

    DSEIs

     

    Quando estiver estruturada, a Secretaria Especial será um elo de ligação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), que pelo projeto terão autonomia administrativa e financeira na prestação de serviços às comunidades. Os Distritos são responsáveis pela elaboração do plano distrital, no qual serão apresentadas todas as demandas, os serviços e ações a serem realizadas, bem como os equipamentos, viaturas e medicamentos necessários.

     

    Essas unidades são responsáveis pelo conjunto de atividades técnicas de atenção à saúde. Elas promovem a reordenação da rede de saúde e das práticas sanitárias e organizam as atividades administrativo/gerenciais e estimulam o controle social. Com a autonomia administrativa dos Distritos a comunidade indígena estará mais próxima da gestão do recurso no que diz respeito à atenção básica. Com isso haverá maior agilidade na prestação dos serviços, diminuindo o tempo de resposta nas ações desenvolvidas pela instituição.

     

     

    Rejeitada proposta de súmula vinculante: uma grande vitória na luta pela terra

     

    A Comissão de Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), composta pela ministra Ellen Gracie, pelo ministro Joaquim Barbosa e pelo ministro Ricardo Lewandowski, aprovou manifestação pela inadequação formal da proposta de súmula vinculante nº 49, proposta pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). Veja o despacho. 

     

    A manifestação foi aprovada no dia 18 de março e nega o pedido da CNA para que fosse acolhido o marco temporal de 5 de outubro de 1988 como referência obrigatória para a garantia constitucional dos direitos indígenas às terras que tradicionalmente ocupam.

     

    A decisão vem nos seguintes termos conclusivos:

     

    "[…] Ante todo o exposto, por não ter sido satisfeito requisito indispensável para sua regular tramitação – seja pela total inadequação do uso de súmula de jurisprudência materialmente circunscrita a tema diverso daquele tratado na proposta, seja pela inexistência de reiteradas decisões que tenham dirimido definitivamente todos aspectos de tão controvertida questão constitucional -, manifesta-se esta Comissão de Jurisprudência pela inadequação formal da presente proposta externa de edição de súmula vinculante e, por conseguinte, pelo seu imediato arquivamento. À Secretaria, para que encaminhe estes autos à Presidência do Supremo Tribunal Federal", conclui a manifestação.

     

    O Cimi, por meio de sua Assessoria Jurídica, juntamente com as organizações indígenas, já havia elaborado manifestação contra o pedido da CNA.

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  • 25/03/2010

    Belo Monte: External funding may be decisive

    From Sao Paulo
    11/03/2010

    What could be a disadvantage for the Chinese in the race for the supply of equipment supply for the Belo Monte plant – the loan from BNDES, which finances only equipment produced in Brazil – can turn in favour for China. If the Brazilian national development bank is not capitalized, it will not be able to provide funding for 80% of the total to be invested in the work. Thus, the way out for the consortium hoping to win the auction could be to sign on the Chinese, who in their package include the financing of equipment through the Chinese Eximbank.

    Last year, when the Energy Research Company (EPE) announced that the total investment of Belo Monte would be $  16 billion, BNDES also said it would finance up to 80% of the work. But the bank, bound to the rules of Basel, has a limitation to loan to a single enterprise, which is $  12 billion. The value already represented only 75% of investments. As the total number was revised, by the EPE, and should reach $  20 billion, without the bank’s capitalization it will not be possible to fulfill the promise of funding up to 80%. Not to mention that the estimate of the contractors is to spend more than $  20 billion. The Bank was contacted, but until the closing of this issue has not given response.

    One member of a consortium tells of the fact that without a clear position regarding the capitalization of the bank until the auction, the price conditions for the race are completely changed. Even if a Brazilian bank is willing to replicate the conditions of BNDES financing, as a transfer agent, it will charge more expensively for maintaining a funding of this size in its loan portfolio for 30 years. That is why the Chinese can earn extra competitiveness in this race, as they are willing to finance the supply contract which represents a third of the total value of the total expense of $  20 billion.

    The idea of buying foreign products and take all the funding in one package attracts some companies so much that they came knocking on the door of Aneel (the national Energy Agency) proposing an unusual feature: link 20% of energy sold to the dollar, in order not to incur in the costs of hedging. That would mean that part of the tariff would be adjusted by the dollar, as is the energy from Itaipu. The idea was rejected by Aneel. (JG)

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  • 24/03/2010

    Audiência na Justiça Federal decidirá futuro de famílias Indígenas Xakriabá, no norte de Minas Gerais

    No dia 9 de abril será realizada audiência na Justiça Federal de Montes Claros (MG), para que sejam ouvidas a comunidade indígena Xakriabá e a Fundação Nacional do Índio (Funai) – autores da ação – e os réus Agenor Ferreira dos Santos, João Pereira da Silva e Ivan de Souza Correa. O assunto é a ação dos indígenas Xakriabá para a manutenção de posse da área de Morro Vermelho, de 2.860 hectares, no norte de Minas Gerais.

     

    As famílias da aldeia Morro Vermelho, vivendo antes de forma precária, sem moradia, alimentação e sem terra para plantar suas roças, resolveram retomar em 02 maio de 2006, uma área de terras da reserva, conhecida como “Morro Vermelho”.  São mais de 30 famílias que viviam na periferia de São João das Missões e estão resistindo nesta área há quatro anos. Após a ação de retomada, o povo vem sofrendo constantes ameaças, que por sua vez vem sendo denunciadas ao Ministério Público Federal e Funai.

     

    Histórico da luta Xakriabá

    O território Xakriabá se localiza na região do médio São Francisco, no município de São João das Missões, norte de Minas Gerais. Atualmente a população é estimada em torno de 9 mil índios, vivendo em mais de 30 comunidades/aldeias e a luta do povo Xakriabá em reaver parte do seu território tradicional tem marcado a vida de várias gerações.

     

    Em 1978, a Funai criou um Grupo Técnico (GT) para identificação territorial e a demarcação ocorreu em 1979, deixando de fora a áreas importantes e reduzindo para menos de um terço a área original pertencente ao território Xakriabá. Com a permanência dos fazendeiros na reserva, o conflito tomou grandes proporções, culminando com a chacina que vitimou o cacique Rosalino Gomes de Oliveira e mais duas lideranças na madrugada de 13 de fevereiro de 1987. A homologação da área se deu em 1989.

     

    A diminuição significativa do território obrigou muitas famílias indígenas a morar nas cidades do entorno. Em 1999 ocorreu a demarcação e homologação da área de Rancharia, garantindo assim mais um espaço importante para as famílias indígenas. A área foi ampliada em cerca de 6 mil hectares. Por ocasião da antiga demarcação a população Xakriabá era de 3 mil indígenas e hoje sobrevive no mesmo espaço cerca de 9 mil índios.

     

    A busca de empregos em canaviais de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul tem causado vários problemas. Além de sofrerem com o distanciamento de suas famílias, muitos indígenas acabam sendo vitimas do trabalho escravo e da violação dos direitos trabalhistas. A saída permanente da reserva ainda condiciona o processo de negação da identidade étnica.

     

    Em 2005, a FUNAI liberou um antropólogo para fazer novo levantamento sobre a área pleiteada. O resultado deste trabalho apontou a necessidade de criação de um novo GT.

     

    Frente a esta situação, lideranças Xakriabá unificaram o processo de luta pela ampliação dos limites do território, visto que este pedido se arrastava na Funai há mais de 10 anos e assim, a partir da demarcação,  possibilitar que as famílias Indígenas possam sobreviver com um pouco mais de dignidade.

     

    Na luta pela terra, um integrante da comunidade, Avelino Nunes Macedo, foi assassinado, fato que chocou o país e deixou muito indignado o povo Xakriabá. As investigações descartavam qualquer ligação com o conflito pela disputa da terra, mas o indígena estava diretamente ligado a todo o processo, morava na área retomada e participava ativamente da luta pela ampliação do território.

     

    Situação Atual das novas áreas de retomadas

    Estas áreas fazem limites com outras já demarcadas, localizadas nos municípios de São João das Missões e Itacarambí, fazendo divisas com Januária, Cônego Marinho e Miravânia, todas as cidades localizadas no norte de Minas Gerais.

     

    No município de São João das Missões, 30 famílias lutam pela área conhecida como Morro Vermelho, de aproximadamente 3 mil hectares. Atualmente uma ação de manutenção de posse na Justiça Federal de Montes Claros coloca em risco a vida dessa comunidade. O juiz negou a liminar requerida pelos índios e determinou o retorno dos fazendeiros às referidas terras.

     

    GT

    Depois de audiências com a Funai em 2007, foi assinada uma portaria de criação de um GT para estudos da área. No documento, o prazo para a entrega do relatório era Maio de 2008, este prazo já foi extrapolado e os trabalhos de campo só foram concluídos em Julho de 2009.

     

    Toda esta caminhada tem contado com a mobilização das lideranças e comunidades na esperança de ver os seus direitos garantidos e respeitados.

     

    Em 13 de janeiro de 2010, o Juiz despachou, designando uma nova audiência com as partes para o dia 23 de março, já que agora existem estudos na área.

     

    A situação é preocupante, visto que várias famílias indígenas xakriabá que estão sobrevivendo nestas áreas já construíram suas casas, escola, roças, reservatórios de água, numa luta para garantir a dignidade e melhoria das condições de vida da comunidade.

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  • 24/03/2010

    BNDES será notificado sobre co-responsabilidade de impactos da usina de Belo Monte

    Notificação extrajudicial será entregue nesta quarta-feira (24/3), às 11h, na sede do banco, no Rio de Janeiro

     

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já se dispôs a ser o maior financiador da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, em Altamira (PA), será advertido da co-responsabilidade pelos impactos da obra, que assumirá com a efetivação do empréstimo.

     

    Nesta quarta-feira (24/3), os movimentos sociais de Altamira, com apoio de organizações nacionais, entregam ao BNDES uma notificação extrajudicial que adverte o banco sobre a fragilidade da licença ambiental expedida pelo Ibama. De acordo com o instrumento jurídico, a licença não oferece nenhuma garantia de que a obra é viável do ponto de vista socioambiental, uma vez que a avaliação técnica do órgão, que afirmou que “não há elementos suficientes para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento”, foi desconsiderada no ato do licenciamento. Nesse sentido, o financiamento pelo banco seria ilegal, e se a obra vier a ser construída, ele será, de acordo com a legislação brasileira, responsabilizado pelos prejuízos socioambientais que não foram previstos.

     

    Segundo a notificação, se os eventos danosos anunciados nos pareceres técnicos do Ibama vierem efetivamente a ocorrer, o BNDES seria passível de ser cobrado por todos os custos decorrentes dos impactos sobre a fauna, flora e pessoas da região, quaisquer que sejam os seus valores, e inclusive aqueles que são impossíveis de se valorar.

     

    A notificação também aponta que, como gestor de recursos públicos, e comprometido, conforme seu estatuto social, a realizar “exame técnico e econômico-financeiro de empreendimento, projeto ou plano de negócio, incluindo a avaliação de suas implicações sociais e ambientais” para aprovar qualquer transação financeira, o BNDES tem o dever de considerar todas as variáveis que envolvem a obra.

     

    Impactos de Belo Monte

    A notificação destaca o atropelo com que o Ibama concedeu a licença prévia de Belo Monte, desconsiderando as observações da equipe que fez o Parecer Técnico 06/2010, que não aceitava a solução proposta para alguns dos impactos socioambientais que afetarão a região.

     

    Um dos importantes impactos que não foi considerado diz respeito à qualidade da água. Estudo realizado por especialistas da Universidade de Brasília (UnB), a pedido do Ibama, e entregue poucos dias antes da emissão da licença, afirma que a modelagem utilizada no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é equivocada e insuficiente para fazer prognósticos futuros de como ficará a qualidade da água. Afirma também que, ao contrário do que diz o estudo elaborado pela Eletrobrás, é alta a probabilidade de que a água ao longo de 144 km do rio Xingu  fique “podre” (eutrofizada) e abaixo dos parâmetros mínimos exigidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que deveria impedir a expedição da licença.

     

    Outro ponto importante diz respeito aos impactos na região da Volta Grande do rio Xingu, um trecho de mais de 100 km de rio, onde moram centenas de famílias, e que viverá uma “eterna seca” caso a obra seja construída, pois grande parte da água do rio será desviada para os canais a serem construídos. O problema é que a licença contrariou a decisão da equipe técnica do Ibama, que afirma que a quantidade de água que a Eletrobrás propõe liberar para esse trecho – e que foi aceita pela diretoria do órgão – é insuficiente para manter o modo de vida dessas pessoas, pois, com as alterações profundas no ciclo natural, não haveria mais como pescar ou navegar.

     

    Além do BNDES, todos os demais financiadores também deverão ser notificados.

     

    O ato

    Nesta quarta-feira, 24, às 11 h, integrantes de movimentos sociais e ONGs, além de representantes das populações indígenas e ribeirinhas de Altamira, realizam uma manifestação criativa em frente à sede do BNDES, para acompanhar a entrega da notificação à direção do banco.

     

    Local: Rua República do Chile, 100, no centro do Rio de Janeiro

    Mais informações:

    Renata Pinheiro, Movimento Xingu Vivo para Sempre – (21) 8782-3443

    Raul do Valle, Instituto Socioambiental (ISA) – (61) 8155-7492

    João Roberto Lopes, Plataforma BNDES – (21) 8648-1511

    Roland Widmer – Programa Ecofinanças/Amigos da Terra Amazônia Brasileira – (11) 7457-7035

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  • 23/03/2010

    Audiência pública debate situação dos Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul

    Discutir os conflitos e violências sofridas pelos indígenas Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul. Esse foi o objetivo da audiência pública proposta pela senadora Marina Silva que aconteceu na manhã de hoje (23) na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

     

    A mesa de debates foi presidida pelos senadores Marina Silva e Cristovão Buarque, que destacaram a importância do evento para denunciar a situação de descaso em que vivem os indígenas do MS. Também participaram das discussões representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, do governo de Mato Grosso do Sul, do Ministério Público Federal (MPF), da Justiça do estado e do povo Guarani-Kaiowá.

     

    O que se constata no estado é a verdadeira omissão dos governos Federal e Estadual quanto à situação dos Guarani-Kaiowá. Todo e qualquer tipo de atendimento a esse povo não funciona como deveria. Diversas famílias vivendo acampadas sob lonas e em áreas alagadas à beira de estradas. Muitas crianças ainda morrem de desnutrição. Outras tantas não estudam, pois não têm acesso às escolas e ao transporte escolar quando moram longe dos colégios.

     

    Tais violações de direitos foram, mais uma vez constatadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que visitou comunidades indígenas da região semana passada. Em nota pública, o Conselho afirma que “só haverá justiça, democracia e fraternidade quando os direitos de todos forem assegurados, quando a pluralidade de povos for respeitada como uma riqueza e a terra voltar a ser um espaço de vida e não apenas mercadoria ou objeto de produção para o enriquecimento de alguns”.

     

    Reafirmação de violências

     

    O procurador do MPF em Dourados, Dr. Marco Antônio Delfino de Almeida, trouxe ao plenário a situação extremamente grave e desumana a que estão submetidos os Guarani-Kaiowá, como o não atendimento pela segurança pública do estado às solicitações dos indígenas. “Os Guarani não têm acesso ao atendimento que qualquer cidadão tem. Uma situação de preconceito, inaceitável, pois outros órgãos que são de competência do Governo Federal, como Caixa Econômica e Banco do Brasil, por exemplo, são prontamente atendidos quando ligam no 190 e solicitam atendimento”, disse.

     

    Ele ainda destaca a discriminação e perseguição aos indígenas, bem como os casos explícitos de racismo, os altos índices de violência, homicídio e suicídio, sem mencionar os programas assistencialistas do governo que não dá voz aos povos indígenas na hora de construir os grandes empreendimentos ou programas sociais. “O Haiti é aqui! Os Guarani não recebem o mesmo tratamento dispensado pelo Governo Federal que os haitianos. É preciso que a questão indígena no país seja priorizada”, afirmou.

     

    “Não há nada mais degradante e humilhante para o indígena do que receber cesta básica. Ele precisa de terra para produzir e prover a subsistência de sua família. O tratamento dispensado a eles também é uma forma de violência”, falou. Ainda de acordo com o procurador, é preciso resolver a questão da terra, que está sendo tomada pelas grandes lavouras de soja e cana ou pelas usinas, o que é um empecilho à ocupação das terras tradicionais por quem lhes são donos de direito.

     

    De acordo com o antropólogo Rubens Tomás de Almeida, o Brasil não pode esquecer dos 45 mil indígenas Guarani-Kaiowá e Ñhandeva que vivem ao extremo sul do MS. “Também não podemos esquecer seus problemas com alimentação, desnutrição, violências e demais violações de direitos. Cestas básicas não vão resolvê-los”, afirmou. Ele ainda acrescentou que as prioridades para os Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul são a terra e o plantio de roças que garantam o sustento de suas famílias e não assistencialismo do governo.

     

    Para Almeida o movimento pela terra só acabará quando estudos antropológicos forem realizados, reconhecendo as terras tradicionais e as devolvendo às comunidades índigenas. Ele destaca ainda que a única forma de se resolver a questão é que haja diálogo e negociação entre os indígenas, os produtores e o Estado. Discussões que precisam ser feitas com todos os indígenas nas grandes Aty Guassú (assembléias indígenas) e não somente com as lideranças. Além disso, precisamos de políticas públicas que garantam atendimento eficaz, contínuo e bem planejado a esses povos”, disse.

     

    Representações indígenas

     

    Representantes indígenas participaram da audiência pública e puderam expor com veemência a realidade em que vivem seus povos. Anastácio Peralta Kaiowá, ressaltou a importância da terra para os Guarani-Kaiowá para que tenham autonomia e auto-sustentação. “Em mais de 500 anos o pensamento continua igual: de explorar o índio e a terra, como fonte de lucro. Somos tratados como animais a base de ração (cesta básica)”, declarou.

     

    A representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Rosana Kaingang, falou enfaticamente sobre a atuação do Estado e da Polícia Federal, citando os inúmeros casos de criminalização de lideranças do movimento indígena no país. “Se o Brasil fosse de fato um país democrático e popular não estaria prendendo nossos líderes, violando nossos direitos e colocando a Força Nacional e a PF em cima de nós, para invadir nossas casas de madrugada e prenderem pais de família”, afirmou.

     

    Ela cobra ainda providências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lhe pergunta o porquê de estar atacando a luta dos povos. “Estamos cansados de enviar documentos à Brasília, de fazer denúncias que nunca têm solução. Não temos porque sermos amendrotados pelos órgãos de segurança nacional, que impedem nossa entrada inclusive na sede da Funai, aqui em Brasília”, disse.

     

    Relatório enviado à ONU

     

    Documento produzido pela Survival International e enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) na semana passada denuncia tais violações concluindo que a situação dos indígenas do Mato Grosso do Sul é a pior vivida por todos os povos indígenas nas Américas.

     

    De acordo com o relatório, o não reconhecimento das terras tradicionais dos Guarani indígenas é a principal causa dos problemas enfrentados por este povo, além de explicitar claramente que o aumento das lavouras de cana-de-açúcar para a produção do etanol fará com que os indígenas percam mais terra, o que agravará os conflitos.

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  • 23/03/2010

    Secretário geral da CNBB visita índios Guarani, no MS

    Nos dias 19 e 20 de março, o secretário Geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, acompanhou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em visita às comunidades Guarani Kaiowá na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Dom Dimas conheceu de perto a realidade das comunidades de Laranjeira Ñanderu, Pasu Piraju e Guyraroká.

     

    No acampamento da comunidade Laranjeira Ñanderu, que está acampada à beira da estrada, dom Dimas pode ver a situação de um povo que luta para voltar para sua terra tradicional, mas que vive em total miséria e abandono, em barracos de lona preta num sol escaldante, sem água potável, dependendo de cestas básicas pois não têm onde plantar ou caçar. “É uma situação desumana o que vimos neste acampamento. Temos que tomar medidas concretas o mais rápido possível”, afirmou o bispo. Na ocasião também estavam presentes o bispo do Xingu e presidente do Cimi, Dom Erwin Kräutler, e o procurador do Ministério Público Federal, Marco Antônio Delfino Neto.

     

    Na comunidade Guyraroká, o bispo ouviu relatos emocionados dos pais e da esposa de Rolindo Vera, professor desaparecido durante a retomada da terra tradicional do povo. Eles vieram da comunidade do Ypo’i para relatarem suas realidades. O bispo também presenciou vários relatos da violência sofrida por estes povos em várias comunidades diferentes, quando ficou claro que a questão da terra é a mais urgente. “A CNBB já enviou carta ao presidente Lula pedindo agilidade nestas demarcações”, disse.

     

    Em Pasu Piraju, onde os indígenas vivem confinados num espaço muito pequeno, o secretário da CNBB também ouviu Carlitos, liderança de 76 anos e que não se conforma em viver num espaço tão apertado. “Estamos aqui parecendo escravos, porque simplesmente não podemos sair daqui”, afirmou a liderança.

     

    Com sua presença, dom Dimas também pôde deixar uma mensagem de esperança aos Guarani. “Nós vamos conseguir a vitória, não podemos perder a esperança, não podemos desanimar!”, declarou

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  • 22/03/2010

    Newsletter 905 – Cimi Council meets in Campo Grande (MS)

    Between March 15 and March 21, the national directorship of the Indigenous Missionary Council (CIMI) and co-ordinators of the regions where the entity is active, have been meeting in Campo Grande (MS) to reaffirm their commitment and solidarity with the peoples of the region.

     

    Together with the president of CIMI and bishop of the Prelature of the Xingu, Dom Erwin Kräutler, they have given their unconditional support to the struggle of the indigenous peoples for guarantee of their rights and especially to their lands.

     

    This week, the Secretary General of the National Conference of Bishops of Brazil (CNBB) Dom Dimas Lara Barbosa participates, together with CIMI, in this encounter of solidarity to the communities of the state, verifying intimately the situation to which these peoples are submitted.

    The grave violations of human rights, confinement in small reserves, high indices of violence and infant mortality, the encampments of indigenous families at the sides of roads, in a reality of misery and lack of assistance were the reasons that led the group to decide to visit. At the beginning of the month, members of the Special Secretariat for Human Rights of the Office of the President of the Republic also visited these people and confirmed a degrading and miserable situation.

    After analyzing the current situation of indigenous peoples in the state, members of CIMI reaffirm, in a public letter that "together with the bishops of the 5th General Conference of the Episcopate of Latin American and Caribbean countries, the church is called to be advocate for justice and defender of the poor in the face of intolerable social and economic inequalities that cry out to heaven".

    Also in the document, members of CIMI support the historical resistance of the indigenous peoples joining together with the silenced voices that scream for an end to impunity, an end to discrimination and an end to the absence of land and rights of these peoples.

     
    Below the letter in full:

     

    LETTER FROM CAMPO GRANDE:
    SOLIDARITY WITH THE INDIGENOUS PEOPLES IN

    MATO GROSSO DO SUL

    We denounce once again the grave violations of human rights that continue to be committed against the Kaiowá-Guarani people in Mato Grosso do Sul: confinement in small reserves, high levels of violence, infant mortality, families camped on the roadside, the reality of misery and lack of assistance.

    Given this reality, the Indigenist Missionary Council (CIMI) met in Campo Grande to reaffirm their commitment and solidarity with the indigenous peoples of Mato Grosso do Sul, as well as to position themselves on an unrestricted basis in support of the struggle for guarantee of their rights, particularly their land as spaces of life and not of merchandise.

    While politicians declare that this state will not be "land of Indians", we unite with those who say: "Mato Grosso do Sul is also the land of the Guarani Kaiowá, the Terena, the Kadiweu, the Ofaié, the Kinikinawa, the Guató”. There will only be justice, democracy and fraternity when the rights of all are assured, when the plurality of peoples is respected as a wealth and land again becomes a space of life and not just a commodity or object of production for enrichment of a few.

    As the bishops of Mato Grosso do Sul have already denounced, "this deals with an unsustainable and unjust situation, the result of a consumer society that privileges profit, and whose solution, indefinitely delayed, does nothing but increase the anguish and revolt of all”. Even the Council for the Defense of the Human Person, the Special Secretariat for Human Rights of the Presidency of the Republic (SEDH), in visit to the indigenous communities in Mato Grosso do Sul at the beginning of the month, acknowledged that the indigenous peoples of the state live in a situation that is degrading and miserable. In many places they lack food and water. The peoples face problems from the lack of demarcation of their lands and constantly suffer discrimination and prejudice. Moreover, they are impeded from engaging basic activities of subsistence, such as fishing and hunting.

    The certainty of impunity and the omission of federal and state governments are stimulants for such cruelty to continue and expand. Therefore, with the indigenous people of this state we demand investigation and rigorous punishment of this violence, as well as the immediate demarcation of all the indigenous lands. We position ourselves against palliative pretensions by farmers and some authorities such as purchase of land or transference of communities to distant regions, flagrant violations of constitutional rights of the indigenous peoples.

    We join together with the voices of the bishops of the 5th General Conference of the Latin American and Caribbean (2007), held in Aparecida (SP), that "the Church is called to be the advocate of justice and defender of the poor in the face of intolerable social and economic inequalities, that cry to heaven "(Document of Aparecida 395). It is possible to apply to the peoples of Mato Grosso do Sul what the bishops said in Aparecida: "Indigenous communities are found outside of their land because these were invaded and degraded. If they do not have sufficient land to develop their cultures, suffer grave attacks on their identity and survival […]" (DAp 90).

    We reaffirm our commitment to the indigenous people of this state, we support their historical resistance, patience, wisdom and profound spirituality, which have allowed them to overcome centuries of war, extermination and oppression. With them we learn to build another world possible, necessary and best for all, firmly moving toward the definitive Kingdom.

    CIMI, united with the silenced voice of the indigenous peoples, says stop the violence, stop the denial of the land, stop the impunity, enough of the intolerance! Land, Life, Justice and Peace for the indigenous peoples of Mato Grosso do Sul!

     
    Campo Grande (MS), 18 March of 2010.

    CIMI – Indigenist Missionary Council
    An Organization linked to CNBB – National Conference of Bishops of Brazil

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  • 22/03/2010

    Report to UN reveals appalling situation of Guarani in Brazil

    The situation of the Guarani tribe of southern Brazil is one of the worst of all indigenous peoples in the Americas, says a new report by Survival to the UN.

    The release of the report coincides with the International Day for the Elimination of Racial Discrimination on 21st March.

    The Guarani suffer high rates of suicide, malnutrition, unfair imprisonment and alcoholism, and are regularly targeted and killed by gunmen hired by the ranchers who have taken over their land.

    The denial of the Indians’ land rights is singled out in the report as the main cause of this explosive situation.

    The report warns that the growing demand for ethanol as an alternative to gasoline will take more land from the Guarani and further worsen the situation.

    Despite living in one of the wealthiest states in one of the world’s largest emerging economies, many Guarani live in dire poverty. Some live under tarpaulins on the side of busy highways, others in chronically overcrowded ‘reserves’ where they are reliant on government handouts.

    One Guarani community living on the roadside, who have seen three of their leaders killed by ranchers’ gunmen, said, ‘We are growing impatient with the excessive delay of land demarcation. It is slowly killing us and exposing us to genocide’.

    Survival’s Director Stephen Corry said today, ‘This report exposes the appalling situation which the Guarani face. It is the Brazilian government’s moral and legal responsibility to ensure that the human rights abuses and the racial discrimination which the Guarani are suffering is stopped. If swift and efficient action is not taken, many more Guarani will suffer and die’.

    Some facts

    1. Violence: the Guarani suffer from violent attacks and many Guarani leaders have been assassinated. 42 Guarani were killed in Mato Grosso do Sul in 2008 because of internal and external conflicts.

    2. Suicide: the suicide rate amongst the Guarani is one of the highest in the world. More than 625 Guarani have committed suicide since 1981 (almost 1.5% of the Guarani population), and in 2005, the Guarani suicide rate was 19 times the national rate. Guarani children as young as nine years old have taken their own lives.

    3. Malnutrition and poor health: many Guarani suffer from malnutrition, and their infant mortality rate is more than double the national average, whilst life expectancy is more than 20 years lower than the national average.

    4. Unfair imprisonment: Guarani are often wrongly imprisoned, with little or no access to legal advice and interpreters. They serve ‘disproportionately harsh sentences for minor offences’.

    5. Exploitation of manual labourers: many Guarani are forced to work cutting sugar cane for the ethanol factories which now occupy their land. They earn pitiful wages and are exposed to inhumane working conditions.

    Download the report (in English or in Portuguese)

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  • 22/03/2010

    Moção de apoio e solidariedade à luta do povo Tupinambá de Olivença

    As entidades abaixo assinadas vêm expressar toda sua indignação com a infame campanha de criminalização contra o povo Tupinambá de Olivença e suas lideranças na justa e histórica luta pela reconquista de seu território.

    Não é de agora que o povo Tupinambá sofre perseguições a exemplo desta campanha difamatória e preconceituosa  que está a pleno vapor aqui no sul da Bahia. Vem de longa data a trajetória deste povo e também as agressões sofridas por causa da defesa de seu território, perseguições praticadas pela elite local e apoiadas pela conivência do Estado Brasileiro.

    Quase 200 anos depois a história se repete de forma injusta contra os Tupinambá de Olivença. Num passado não muito distante a liderança Tupinambá conhecida como Caboclo Marcelino, um ardoroso defensor de seu povo, foi perseguido, caluniado e desaparecido “misteriosamente”. Hoje, entre as várias lideranças Tupinambá que sofrem calunias e perseguição, se destaca a liderança do cacique Babau da comunidade da Serra do Padeiro em Buerarema, recentemente preso pela Polícia Federal e que se encontra na Superintendência da PF em Salvador. Pelo teor das acusações impostas à liderança Babau, fica patente a continuidade da carga preconceituosa que se tem no Brasil contra as populações indígenas. De novo faz-se uma inversão de valores e as vítimas são transformadas em réus.

    Os Tupinambá de Olivença estão sendo considerados “invasores” de seu próprio território por aqueles que os expropriaram de forma violenta e traumática, e apesar da comprovação documental de sua imemorial posse. Assim como no passado, a atual campanha discriminatória e criminalizante em curso tem o claro objetivo de menosprezar os direitos dos Tupinambá. Incita a opinião pública contra as comunidades indígenas que lutam por seus direitos, utilizando os meios de comunicação local a serviço do poder político e econômico da região. Divulga-se uma série de mentiras e acusações contra as lideranças do povo Tupinambá de Olivença que estão mais a frente da luta.

    Babau é considerado chefe de um bando. Ser liderança de uma comunidade indígena, ou quilombola é ser chefe de bando de bandidos? Se organizar em comunidade e lutar por seus direitos se tornou perigoso, pois é considerado formação de quadrilha. Ocupar e retomar suas terras, muitas delas totalmente devastadas pelo invasor, se tornou “invasão de fazendas”, e por ai vão as acusações imputadas às lideranças do Movimento Indígena, notando-se em todas elas uma total inversão de valores e uma forte carga de preconceito.

    Diante deste grave contexto, solicitamos a imediata e isenta apuração dos fatos, bem como a tomada de providências urgentes que impeçam este processo de criminalização e ataques racistas à luta e às lideranças do Povo Tupinambá de Olivença, bem como a imediata liberdade do cacique Rosivaldo Ferreira. Repudiamos a distorção apresentada pelos meios de comunicação, segundo a qual a sociedade do sul da Bahia festeja a prisão do cacique Babau – muito pelo contrário, esta prisão causa indignação.  Repudiamos mais uma vez a ação da Polícia Federal no tratamento dispensado às comunidades indígenas. Convocamos todos aqueles que acreditam em uma nova sociedade possível que se somem à luta dos Tupinambá pela recuperação definitiva de seu território, reivindicando que o Estado Brasileiro confirme a demarcação desta terra indígena, efetivando os direitos constitucionais deste povo.

     

    Itabuna, 19 de março de 2010.

     

    – Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves – Ilhéus – Bahia

    – Associação para o Resgate Social Camacaense (ARES) – Camacan – Bahia

    – Comissão Pastoral da Terra Sul e Sudoeste-(CPT)– (Itabuna- Vitória da Conquista e Caetité)

    – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) – (Itabuna  e Salvador)

    – Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Regional Leste (Bahia, Minas e Espírito Santo)

    – Movimento Negro Unificado (MNU) – Itabuna – Bahia

    – Conselho de Cidadania Paroquial (CCP) – Santa Rita de Cássia – Itabuna – Bahia

    – Missionárias Agostinianas Recoletas – Itabuna – Bahia

    – Fraternidade das Catequistas Franciscanas – Itabuna – Bahia

    – Fórum de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania da Região Cacaueira – Sul da Bahia

    Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul – CEPEDES – Bahia

     

    – Frente de Luta e Resistência do Povo Pataxó – Extremo sul da Bahia

    – Sindicato dos Bancários do Extremo sul da Bahia – Itamarajú  – Bahia

    – Comissão de Lideranças do Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe – (Pau Brasil, Camacãn  e Itajú  do Colônia)

    – Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) – Salvador

    – Movimento de Trabalhadores Assentados e Acampados e Quilombolas da Bahia – CETA

    – Sociedade Ambientalista da Lavoura Cacaueira (SALVA) – Mascote -Bahia

    – Rede Alerta Contra o Deserto Verde – Bahia e Espírito Santo

    – Pastoral da Juventude da Diocese de Itabuna –Itabuna – Bahia

    – Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE – Bahia

    – Centro de Desenvolvimento Agro-ecológico do Extremo Sul da Bahia – Terra Viva– Itamarajú – Bahia  

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