• 16/04/2010

    Índios do povo Tupinambá continuam em terras baianas

    Decisão da Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve indígenas do povo Tupinambá em terras no sul da Bahia. Decisão do TRF1 negou pedido de fazendeiros que reclamavam a propriedade da terra.

     

    Disputas, na região, entre fazendeiros e indígenas culminaram em ações na Justiça, de reintegratórias de posse. Muitas delas tiveram resultados favoráveis aos fazendeiros.

    Em recurso da Fundação Nacional do Índio (Funai), ficou esclarecido que se tratava de área diferenciada de outras em litígio, tendo em vista já ter sido concluído e publicado em 2009 o estudo do órgão de identificação desta área em particular – Terra Indígena Tupinambá de Olivença, de ocupação do grupo tribal Tupinambá, localizada nos municípios de Buerarema, Ilhéus e Uma, Estado da Bahia.

     

    O presidente do TRF1 e relator do processo, Jirair Aram Meguerian, enfatizou a importância do estudo de identificação e delimitação da Funai, o qual  demonstrou que as referidas áreas seriam terras tradicionalmente indígenas. Manteve, assim, a permanência dos índios naquela região, negando, pois, os agravos que buscavam manter as decisões de reintegração de posse dos fazendeiros.

     

    Agravo Regimental no SLAT 2008.01.00.054821-0/BA
    Agravo Regimental na SLAT 2008.01.00.054977-7/BA

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  • 15/04/2010

    Informe nº 909: Licença prévia e leilão de Belo Monte suspensos pela Justiça Federal

    Juiz federal de Altamira concordou com o MPF em uma das ações civis públicas que tratam das irregularidades no empreendimento

     

    A Justiça Federal determinou, ontem, a suspensão da licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte e o cancelamento do leilão, marcado para a próxima terça (20/04). O juiz Antonio Carlos de Almeida Campelo concedeu medida liminar (urgente) por ver “perigo de dano irreparável”, com a iminência da licitação.

     

    A decisão é fruto da apreciação de uma das duas ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público Federal tratando das irregularidades do empreendimento. Trata, especificamente, da falta de regulamentação do artigo 176 da Constituição Federal, que exige edição de lei ordinária para o aproveitamento de potencial hidráulico em terras indígenas.

     

    “Resta provado, de forma inequívoca, que o AHE Belo Monte explorará potencial de energia hidráulica em áreas ocupadas por indígenas que serão diretamente afetadas pela construção e desenvolvimento do projeto”, diz o juiz na decisão.

     

    Além de suspender a licença prévia e cancelar o leilão, o juiz concordou com as outras medidas solicitadas pelo MPF: que o Ibama se abstenha de emitir nova licença, que a Aneel se abstenha de fazer novo edital e que sejam notificados o BNDES e as empresas Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Vale do Rio Doce, J Malucelli Seguradora, Fator Seguradora e a UBF Seguros.

     

    A notificação, diz o juiz, é “para que tomem ciência de que, enquanto não for julgado o mérito da presente demanda, poderão responder por crime ambiental”. As empresas também ficam sujeitas à mesma multa arbitrada contra a Aneel e o Ibama em caso de descumprimento da decisão: R$ 1 milhão, a ser revertido para os povos indígenas afetados.

     

    O MPF aguarda ainda julgamento de outro processo, também da semana passada, em que questiona irregularidades ambientais na licença concedida à Belo Monte.

     

    Boa notícia

    Uma das representantes do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antônia Melo, disse que a notícia da liminar foi uma surpresa, mas que reforçou a esperança do povo do Xingu. “Já fazia alguns meses que esperávamos uma resposta do judiciário. Já estávamos até descrentes em relação aos resultados das ações, mas ficamos felizes ao saber que o juiz percebeu que os argumentos do MPF eram verdadeiros”, declarou.

     

    Para Antônia Melo, é um novo ânimo na luta dos povos do Xingu. “Essa liminar deu mais credibilidade ao judiciário e a gente consegue ter mais esperanças! Vamos continuar lutando e nos manifestando para que este projeto seja cancelado”, ressaltou. Segundo ela, haverá ainda uma reunião com o movimento para ver quais as próximas ações. “O movimento não pode parar!”, concluiu.

     

    Para Saulo Feitosa, Secretário Adjunto do Cimi, a liminar revela que o judiciário tem o mesmo entendimento de segmentos da sociedade que se colocam contra a obra. “A decisão fortalece a luta contra o projeto e anima todos os movimentos a persistirem, continuarem lutando”, declarou.

     

    Ação do Cimi

    Além do Ministério Público Federal, o Conselho Indigenista Missionário, por meio de sua assessoria jurídica, também havia entrado com uma ação civil pública no dia 16 de março, contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte. De acordo com o assessor jurídico do Cimi, Paulo Machado Guimarães, a questão posta nesta ação é única: "o decreto-legislativo que autorizou o aproveitamento dos recursos hídricos do rio Xingu, para a construção do AHE Belo Monte, além do licenciamento concedido pelo Ibama e o administrativo na Aneel relativo ao referido AHE Belo Monte são nulos, de pleno direito".

     

    Tais autorizações do governo implicam no aproveitamento de recursos hídricos em terras indígenas e desconsideraram a necessidade prevista no § 1° do Art. 176 da Constituição de que haja uma lei ordinária prevendo as condições específicas para o aproveitamento de recursos hídricos nestas terras, como também é exigido para a pesquisa e lavra de minérios.

     

    Tal lei ordinária não existe e o Cimi sustenta que o Congresso Nacional não pode autorizar qualquer aproveitamento de recursos hídricos em terras indígenas e, consequentemente, a Aneel não pode dar curso em medidas administrativas tendentes à licitação para a construção de Belo Monte e muito menos o Ibama pode licenciar qualquer obra neste sentido.

     

    No dia 6 de abril o Juiz Federal em Altamira despachou determinando que o Ibama, a Aneel e a União respondessem aos termos da ação, antes de apreciar o pedido de concessão de liminar. O prazo é de 60 dias.

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  • 15/04/2010

    Solidarity with the Tupinambá people – Free Cacique Babau

     

    Tupinambá Cacique (Chief) Babau, Rosivaldo Ferreira da Silva, was arrested in the middle of the night on March 10 of 2010. He was sleeping in his Serra do Padeiro home, as were his wife and three year old son. In an illegal action, the Federal Police destroyed furniture and used extreme force to immobilize the Cacique when they invaded his residence located in the municipality of Buerarema in southern Bahia. He believed he was facing gunmen because the officers were camouflaged, their faces painted black. They did not present identification or an arrest warrant, and used verbal abuse and threats.

     

     

    Slandering campaign

    Babau is an important leader of his people, along with other caciques. Provocation of violence like this arrest, has been stimulated since publication of the identification and delimitation report for the Tupinambá Indigenous Land. This report was completed by a Technical Working Group constituted by the National Foundation for Indigenous Affairs (Funai), in compliance with Article 231 of the Federal Constitution of 1988, the Indian Statute and Decree 1775/96. Since then, the Tupinambá have been the target of an intense campaign of accusations, threats, homicide attempts, as well as suffering profound discrimination on the part of the local political and economic interests, which historically invade and destroy Tupinambá Indigenous Land. Personalities of the municipality have incited small-scale farmers, including through use of local media, to arm themselves and to attack the Tupinambá.

     

    Torture 

    The Federal Police have open inquiries for investigating these reports. As a consequence, an extremely aggressive action by the Federal Police in the village of Serra do Padeiro on October of 2008 left 14 Tupinambá injured by rubber bullets, homes and vehicles of the community destroyed, the indigenous school and its equipment ravaged and even school meals laid waste. Two Tupinambá were arrested on that occasion. In June of 2009, following another action by the Federal Police together with fazenda owners – in an eviction action – signs of torture on the bodies of five Tupinambá were verified by medical examinations conducted at the Medical Legal Institute of the Federal District, in Brasilia. The inquiry, assumed by the same police official who coordinated the action by the FP officers, in the mean time reported that no torture occurred. None of the agents were deactivated during or after the investigations.

     

    No proofs

    The preventive arrest of Babau by court order was at the request of the Federal Police, which investigates reports made primarily by fazenda owners or by their employees. Babau is recognized throughout the country as an important leader. Because of this high profile, he has been generically designated as the “author” of a variety of criminal acts in southern Bahia. In all known investigations, however, there is no indication – much less proof – that Babau has been the author of the supposed threats, homicide attempts, bodily injury, formation of a gang, arson and other accusations.

     

    This being the case, if there was evidence of authorship, according to Brazilian law, the Ministério Público Federal (Office of the Federal Prosecutor) would require the arrest of the accused. The MPF Attorneys are convinced that Babau is not guilty of charges presented by Federal Police of Bahia, and they also refute the representation in the police opinion submitted to the judge in order to obtain the arrest warrent. The MPF has, to date, entered three writs of habeas corpus (HCs) in favor of Babau, calling for his immediate release.

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  • 15/04/2010

    Liminar de reintegração de posse contra comunidade Xakriabá é suspensa

    Em audiência realizada no último dia 9, a Justiça Federal de Montes Claros – MG suspendeu, por oito meses, a liminar de reintegração de posse contra a comunidade Xakriabá da Aldeia Morro Vermelho situada no Município de São João das Missões norte de Minas Gerais.

     

    A decisão faz parte de um acordo firmado após várias intervenções do Ministério Público Federal (MPF) e advogados da comunidade durante a audiência. A juíza Carla Dumont Oliveira Carvalho também determinou que se oficie imediatamente a Presidência da Funai em Brasília para que informe, no prazo de 30 dias, acerca da possibilidade de conclusão do processo de demarcação. Pelo Ministério Público Federal foi solicitado que a Funai, caso não conclua o processo em oito meses, informe o prazo máximo em que o concluirá. Caso esta reivindicação da Justiça Federal não seja atendida, a liminar de reintegração de posse será reapreciada.

     

    Sofrendo pressão

     

    Esta nova audiência foi marcada pelas pressões dos fazendeiros com o objetivo de fazer cumprir a decisão da Justiça Federal que se arrastava por mais de três anos.

     

    Estiveram presentes os advogados da comunidade Xakriabá, André Alves de Souza e Marcos Antônio de Souza, representando a FUNAI, a procuradora Federal, Caroline Marinho Boaventura Santos, representante do Ministério Público Federal, Allan Versiani de Paula, representante dos fazendeiros, Helder Mota juntamente com 40 lideranças da comunidade Xakriabá representadas pelos Caciques Domingos Nunes de Oliveira, Santo Caetano Barbosa, Agenor da Conceição, e ainda o prefeito de São João das Missões, o indígena José Nunes de Oliveira e vereadores.

     

    A comunidade Xakriabá da Aldeia do Morro Vermelho retomou a área em Maio de 2006 e no ano de 2007, o Juiz Federal deu liminar de reintegração de posse favorável aos fazendeiros. Apartir desta decisão, os conflitos se intensificaram juntamente com as ameaças aos Indígenas ocupantes da citada área. A comunidade se mobilizou e continuou resistindo mesmo com parecer desfavorável da Justiça Federal (liminar de reintegração de posse).

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  • 15/04/2010

    Povo Tupinambá de Ilhéus denuncia à Comissão de Direitos Humanos ameaças sofridas de fazendeiros locais

    Uma delegação de indígenas do povo Tupinambá, proveniente do sul da Bahia, foi recebida na tarde do dia 13 de abril, pela presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, deputada Iriny Lopes (PT-ES).

     

    Os indígenas apresentaram como reivindicação prioritária o apoio da CDHM para a libertação de Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau, preso desde o dia 10 de março na Superintendência da Polícia Federal em Salvador (BA).

     

    Babau lidera as comunidades Tupinambá da região de Ilhéus(BA) na luta pela demarcação de seus territórios – já reconhecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em relatório preliminar do grupo antropológico designado para o caso – e enfrenta a resistência de fazendeiros locais. O cacique foi preso sob a acusação de formação de quadrilha.

     

    “Nós fomos os primeiros habitantes desse país. Estamos ocupando as nossas terras há mais de quinhentos anos e não podemos aceitar que fazendeiros digam que as terras são deles”, defendeu um dos indígenas durante a reunião na CDHM.

     

    Em janeiro, os Tupinambá já haviam denunciado à CDHM episódios de violência e tortura contra algumas de suas lideranças. Nesta reunião, reiteraram as denúncias e afirmaram que estão sofrendo ameaças constantes. “As crianças não podem ir à escola porque um fazendeiro ameaçou furar o pneu do carro que faz o transporte dos alunos, porque a estrada atravessa parte da terra dele. E não conseguimos nem dormir. É preciso deixar sempre alguém vigiando para ver se os fazendeiros não aparecem para nos matar. Todos os dias eles passam dando tiros para cima e sempre que podem nos intimidam na cidade”, declarou um dos caciques.

     

    A deputada Iriny Lopes firmou compromisso para se reunir com o Diretor-Geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e com o presidente da Funai, Márcio Meira, para tratar do caso e pedir providências no sentido de garantir a segurança dos indígenas e a celeridade do processo de demarcação e homologação do território.

     

    “A Comissão conhece o caso e está ciente da situação enfrentada pelos povos indígenas da região de Ilhéus. Vamos atuar junto à Polícia Federal e à Funai para que o conflito seja apaziguado e, no mais curto espaço de tempo, as terras sejam reconhecidas e os índios possam usufruir delas sem qualquer ameaça”, declarou a parlamentar.

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  • 14/04/2010

    Justiça suspende leilão e licença de Belo Monte

    Juiz federal de Altamira concordou com o MPF em uma das ações civis públicas que tratam das irregularidades no empreendimento

    A Justiça Federal determinou a suspensão da licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte e o cancelamento do leilão, marcado para a próxima terça (20/04). O juiz Antonio Carlos de Almeida Campelo concedeu medida liminar (urgente) por ver “perigo de dano irreparável”, com a iminência da licitação.

    A decisão é fruto da apreciação de uma das duas ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público Federal tratando das irregularidades do empreendimento. Trata, especificamente, da falta de regulamentação do artigo 176 da Constituição Federal, que exige edição de lei ordinária para o aproveitamento de potencial hidráulico em terras indígenas.

    “Resta provado, de forma inequívoca, que o AHE Belo Monte explorará potencial de energia hidráulica em áreas ocupadas por indígenas que serão diretamente afetadas pela construção e desenvolvimento do projeto”, diz o juiz na decisão.

    Além de suspender a licença prévia e cancelar o leilão, o juiz concordou com as outras medidas solicitadas pelo MPF: que o Ibama se abstenha de emitir nova licença, que a Aneel se abstenha de fazer novo edital e que sejam notificados o BNDES e as empresas Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Vale do Rio Doce, J Malucelli Seguradora, Fator Seguradora e a UBF Seguros.

    A notificação, diz o juiz, é “para que tomem ciência de que, enquanto não for julgado o mérito da presente demanda, poderão responder por crime ambiental”. As empresas também ficam sujeitas à mesma multa arbitrada contra a Aneel e o Ibama em caso de descumprimento da decisão: R$ 1 milhão, a ser revertido para os povos indígenas afetados.

    O MPF aguarda ainda julgamento de outro processo, também da semana passada, em que questiona irregularidades ambientais na licença concedida à Belo Monte.

    Procuradoria da República no Pará
    Assessoria de Comunicação
    Atendimento à imprensa: Helena Palmquist e Murilo Hildebrand Abreu
    Fones: (91) 3299.0148 / (91) 8403.9943 / (91) 9999.8189 / (91) 8212.9526

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  • 14/04/2010

    Federal Judge suspends auction and Belo Monte licence

     

    Federal judge of Altamira (state of Pará) agreed with the Federal Public Ministry in one of the public civil suits dealing with irregularities in the venture of the construction of the Belo Monte hydroelectric.

     

     

    The Federal Court ordered the suspension of the preliminary license for the Belo Monte hydroelectric dam and the cancellation of the auction, scheduled for next Tuesday (20/04). Judge Antonio Carlos de Almeida Campelo granted a preliminary injunction (urgent) seeing "danger of irreparable harm" considering the immanency of the auction.

     

    The decision is the result of the assessment of one of two public civil actions filed by federal prosecutors dealing with irregularities of the enterprise. It focuses specifically on the lack of regulation of Article 176 of the Federal Constitution of Brazil, which requires the issueing of an ordinary law for the use of hydraulic potential on Indian lands.

     

    "It remains proven unequivocally that the Belo Monte hydroelectric will exploit the hydro energetic potential in areas occupied by indigenous people who will be directly affected by the construction and development of the project," the judge said in the decision.

     

    In addition to suspending the previous license and canceling the auction, the judge agreed with the other measures required by the prosecutors of the Public Ministry: that the environmental agency IBAMA refrain from issuing a new license, that the National Electric Energy Agency Aneel refrains from making new edict and that the BNDES, as well as the enterprises Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Vale do Rio Doce, J Malucelli Insurance Company, Fator Insurance company and the UBF Seguros insurance company be notified of the decision.

     

    The notification says the judge is "to take notice that, while the merits of this complaint have not been judged, they may respond to environmental crime." The companies are also subject to the same penalty arbitrated against Aneel and IBAMA in the event of noncompliance with the decision: a fine of 1 million Brazilian real, to be reverted to the affected indigenous peoples.

     

    The MPF is still awaiting trial of another public civil suit, also filed last week, questioning irregularities in the environmental permit granted to the Belo Monte hydroelectric.

     

     

    www.Twitter.com/StopBeloMonte

     

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  • 14/04/2010

    Avatar II: a luta contra Belo Monte

    por Rodolfo Salm    

     

    James Cameron, diretor de Titanic e da badalada aventura ecológico-espacial Avatar, esteve em Altamira no final de março para conhecer a região onde se pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. Dias antes, durante sua participação no Fórum Internacional de Sustentabilidade em Manaus, nos dias 26 e 27, o cineasta havia "implorado" ao presidente Lula que reconsiderasse a decisão da construção da monumental obra no Xingu. No dia 29 ele dirigiu-se de barco à Terra Indígena Arara, da Volta Grande do Xingu. Lá, reuniu-se com índios de várias etnias, incluindo os Kayapó, e mais tarde encontrou-se conosco, representantes da universidade, da Igreja, dos movimentos sociais e dos ribeirinhos, os não-índios que também lutam contra a concretização deste projeto desastroso. Cameron relatou-nos que ficou sensibilizado com a preocupação dos índios com o rio, a floresta e as futuras gerações. E que dissera a eles que o sucesso mundial do seu novo filme abre-lhe, por algum tempo, a possibilidade de ajudá-los, divulgando seus temores na luta contra Belo Monte em larga escala.

     

    Para municiá-lo com informações importantes para esta luta, falamos de nossas preocupações. Eu fiz questão de lembrar a extrema fragilidade ecológica da floresta da bacia do rio Xingu, fragilidade esta relacionada à sua forte sazonalidade climática, que faz com que nos longos períodos muito secos a floresta queime com facilidade. Assim, as grandes ondas migratórias que inevitavelmente acompanhariam a construção da barragem e a multiplicação das atividades econômicas destrutivas para a floresta que acompanhariam a infra-estrutura criada levariam, em poucos anos, à destruição de metade de toda a floresta amazônica. E que isso tudo faz da campanha contra Belo Monte a mais importante empreitada ecológica da atualidade. Disse ainda que ele, hoje, trabalhando com um meio de comunicação tão poderoso quanto o cinema, poderia ter uma importância ainda maior que Sting teve em 1989, quando o músico, aliado a importantes líderes Kayapó como Raoní e Paiacan, atraiu a mídia internacional para a demonstração que redundou na suspensão do financiamento do Banco Mundial para esta mesma obra desastrosa. Ao que ele me respondeu que se encontraria com Sting dentro de alguns dias, e poderíamos assim ter os dois unidos na causa.

     

    A reação às declarações de Cameron foi imediata. O jornalista Sérgio Barreto Motta publicou em seu blog no Monitor Mercantil Digital, já dia 29, um artigo que começa assim: "Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU lideram na produção e exportação de armas e controlam 95% do arsenal nuclear da Terra. A Inglaterra participou de investidas polêmicas, como a Guerra do Iraque; os Estados Unidos foram o único país do mundo a jogar bombas atômicas em seres humanos. A China ocupou o Tibet, mas o premiado diretor de Exterminador do Futuro, Titanic e Avatar, James Cameron, vem ao Brasil dizer que não deve ser construída a hidrelétrica de Belo Monte".

     

    À parte o completo descomprometimento deste argumento com qualquer sentido mínimo de lógica, é curiosa (e, por que não, apropriada) a comparação do jornalista da construção da hidrelétrica de Belo Monte com algumas das maiores tragédias da humanidade, em sua lamentável defesa de que também poderíamos cometê-las. Para o jornalista, Cameron, ao somar-se aos que protestam contra o projeto Belo Monte, "adverte o Brasil para não crescer, ou então para crescer com base em óleo e carvão, ou mesmo com base nuclear, que não gera gás carbônico, mas cujo lixo ainda não tem destino certo no planeta". Como se a energia de Belo Monte, que tem como objetivo final principalmente a mineração nesta região (e a conseqüente destruição da Amazônia), fosse nos trazer desenvolvimento econômico. Não traria.

     

    Essa energia seria usada, como na história de Avatar, para atender a interesses alienígenas, voltados à exploração da bauxita, o nosso "unobtainium" (fictício minério valiosíssimo do filme), por grandes mineradoras multinacionais que estão se instalando rapidamente em toda a região Amazônica. Esta energia, na verdade, seria exportada de forma bem baratinha, embutida no preço de minérios, de cujo lucro veríamos uma ínfima parte. Ao invés de gerar desenvolvimento, essa obra seria um peso morto nas costas do contribuinte e a rápida destruição da Amazônia traria mais subdesenvolvimento, mudanças climáticas, seca e fome para o resto do país, uma vez que, por exemplo, boa parte das chuvas que permitem a agricultura do estado de São Paulo desloca-se por "rios voadores" conduzidos por correntes atmosféricas a partir da floresta amazônica.

     

    O jornalista prossegue: "O Brasil recebeu essa dádiva, que é a possibilidade de gerar energia para o desenvolvimento simplesmente com o uso da água. E essa estrela internacional, colecionador de prêmios, vem a seminário em Manaus trazer a mensagem de que a usina de Belo Monte faz mal ao planeta". Corrijo o articulista: na verdade, a dádiva de nosso país é ter em seu território a maior parte da maior floresta tropical do mundo, e não água para gerar energia para a exploração destrutiva de seu subsolo. E Cameron não veio ao Brasil dizer o que devemos fazer. Deve, isso sim, ao sair daqui, dizer ao mundo que nós, brasileiros que vivemos na região, não queremos a usina porque ela faria muito mal a nós e ao planeta. Em Manaus, James Cameron comparou a luta dos Kayapó que se opõem à usina à dos Na’vi, povo criado por ele no filme e que vive na floresta de Pandora. Antes da vinda do diretor ao Brasil, Marina Silva já fizera a mesma comparação: "Quem pensa que a história relatada no filme Avatar só pode ocorrer em outro planeta, engana-se: Pandora também pode ser aqui", em referência a Belo Monte.

     

     

    Sou mais pessimista que James Cameron quanto à tecnologia e o futuro da humanidade. Em 2154, não acredito que estaremos chegando a galáxias distantes em naves espaciais colossais para roubar energia de planetas ainda virgens. Estaremos na verdade aqui, definhando. Seremos uma espécie ameaçada de extinção pelo longo processo de degradação ambiental e por termos exaurido e contaminado nossas principais fontes de vida e energia. E este processo teria na construção da hidrelétrica de Belo Monte um marco fundamental do barramento de todos os rios da Amazônia, e da consumação da sua destruição completa. Algumas analogias presentes no filme são perfeitamente didáticas. A minha preferida é a observação da Dra. Grace Augustine, a botânica interpretada pela atriz Sigourney Weaver que vive em Pandora há 15 anos, em relação ao Unobtainium: "a riqueza deste mundo não está no solo, está em toda a nossa volta, os Na’vi sabem e estão lutando para defender isso".

     

    Recentemente, estive no local exato onde se pretende construir a muralha que barraria o Xingu, na altura da ilha Pimental. Sobre a ilha, por onde a barragem passaria cruzando o rio, há uma imensa árvore morta que nos dá uma idéia aproximada da altura do possível paredão de 30 metros (ver foto acima). Hoje, trata-se de uma região paradisíaca, incrivelmente preservada.

     

    Passando de barco pela área é difícil acreditar que dentro de poucos anos pode haver ali um muro da altura de um prédio de dez andares. E que, acima da muralha, o rio que corre daria lugar a um lago podre e parado e, abaixo dela, o Xingu, com sua água desviada para canais de derivação, ficaria permanentemente quase seco, transformando suas margens em desertos, e expondo o seu leito aos garimpeiros e enxames de pragas que se multiplicariam nos pedrais e poças abandonadas.

     

    O desfecho desta história real é difícil de antecipar. Apesar do leilão marcado para as próximas semanas, não há nada definitivo sobre Belo Monte. Nós não temos aqui na Terra aqueles seres gigantes alados, convocados em Pandora para auxiliar os Na’vi na sua luta final contra os terráqueos alienígenas. Mas não faltam guerreiros dispostos a matar e a morrer pela vida do rio, que também é sagrado para os que vivemos aqui. Felizmente, parece que teremos importantes aliados na tarefa de levar esta história ao mundo. E eles estão começando a se mexer.

     

    Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.

     

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  • 14/04/2010

    Carta de Repúdio da Rede Brasileira de Educação Ambiental sobre a UHE Belo Monte

    Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea), em 14/04/2010

     

    Nós educadores e educadoras ambientais deste país vimos por meio desta nos posicionar e manifestar, enquanto coletivo, com relação à UHE de Belo Monte.

     

    Com maturidade e responsabilidade, nos posicionamos contrários a construção de Belo Monte.  Salientamos que, à medida que a população brasileira se conscientiza em relação à importância da preservação socioambiental, seremos capazes de constituirmo- nos em cidadãos capazes de demandar menos energia e de redução significativa do desperdício.  Podemos somar esforços e, conjugada e coletivamente, pensar num futuro sustentável para o Brasil.

     

    A situação ambiental que vivemos vem piorando e se tornando extremamente crítica em vários pontos e setores da sociedade brasileira.  A cultura do "progresso" ainda não conseguiu suplantar as desigualdades e a idéia de que

     

    o crescimento do país está necessariamente associado a sua destruição social, ambiental e étnica.  Nós educadores e educadoras ambientais deste país, almejamos e trabalhamos para uma sociedade constituída em bases sustentáveis, que nos faça ter orgulho da herança e da memória que deixaremos à nossos filhos e netos.

     

    Queremos registrar assombro e consternação diante do tamanho do impacto social, étnico e ambiental que se antevê para Belo Monte: estragos de proporções cataclismáticas, desnecessárias e estapafúrdias, em um momento onde o mundo pensa em soluções na direção contrária.

     

    Há o sincero risco de se desestabilizar a milenar harmonia do rio Xingu e suas gentes, principalmente os povos indígenas que ali aprenderam a respeitar a Terra e a viver com ela e não contra ela – como estamos fazendo com este péssimo exemplo.

     

    Alertas em oposição à obra vem de diversos setores, aos quais nos alinhamos, neste momento.  Entre eles estão cientistas, institutos de pesquisa e movimentos ambientalistas, indigenistas e sociais.  Muitos questionam o empreendimento do ponto de vista de seus custos e benefícios e perguntam: A quem se remetem os custos?  E a quem se remetem os benefícios?

     

    Enquanto isso, parece que há um certo comodismo conformista por parte da sociedade brasileira.  Talvez estejamos paralisados, inertes, esperando por algo que virá impávido e infalível, como Muhammed Ali.  Mas alertamos: não virá.  Estamos diante de nosso Destino e o devemos assumir com nossas mãos, corações e mentes.

     

    Não há limites para os desastres da ganância embutida no desenvolvimento a qualquer custo.  Um desenvolvimento excludente e desigual que não pergunta: desenvolver para quem?  E privilegia, muitas vezes, os mais abastados da sociedade brasileira.  Por que Belo Monte?  Para quem Belo Monte?  São perguntas que orbitam a mente dos educadores e educadoras ambientais deste país, personagens- cidadãos da esperança; profissionais indispensáveis para a construção de uma cultura e uma sociedade sustentável.

     

    Saudações Ecofraternas

     

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  • 14/04/2010

    Belo Monte: Avatar stars participate in demonstration in Brasília

    Organizations struggling against Belo Monte and in defense of life of Xingu peoples marched yesterday (12) on the Esplanade of Ministries, in Brasilia.

     

    Organizations fighting the Belo Monte hydroelectric and in defense of life of Xingu peoples marched Monday April 12 on the Esplanade of Ministries, in Brazil‘s capital Brasília.

     

    More than a thousand people participated in a march against the construction of the dam on the Xingu River, in the state of Pará. The public act had the support of over 50 organizations and social movements in addition to Hollywood filmmaker (director of the film Avatar), James Cameron and actors Sigourney Weaver and Joel David Moore.

     

    In the march, indigenous peoples and leaders of movements of people affected and threatened by the construction of dams expressed the reasons placing them squarely against the project. "You do not know what the Xingu river is. It no longer has a current. Our people and our forests are dying. To what end such a hydroelectric? Enough! I have come a great distance to ask ANEEL that it not support construction of the Belo Monte!" vented Piracumã Iawarapiti, a cacique (chief) from the Xingu region.

     

    Along the demonstration route, the protesters made brief stops in front of the Ministry of Environment, the National Congress and the Ministry of Justice. At the Ministry of Mines and Energy, they delivered a document critical of the energy model, emphasizing that construction of the hydroelectric Belo Monte reaffirms the option for this model. The document also notes that the project favors only large companies with the aggravating element of using BNDES resources and the State Pension Fund.

     

    International Support

    "I am not Brazilian, but I cannot refrain from supporting this cry of resistance", Said James Cameron, filmmaker and director of the award-winning film Avatar. Cameron arrived around 14:00 to demonstrate in front of the National Agency of Electrical Energy (ANEEL). Accompanied by actors in the film Avatar, Sigourney Weaver and Joel David Moore. He conveyed his total support to the population of the Xingu, condemning the hydroelectric plant of Belo Monte. Actress Sigourney Weaver also stated her position. "We must find alternatives to the existing development model."

     

    Cameron expressed interest in filming the real Amazon and the way of life of the indigenous peoples of the Xingu. "It is a model where you never take more than you give!" He said. The filmmaker intends to make documentaries about the way of life of indigenous peoples in Amazônia. "I am very interested. I would like to express what I have seen and felt here in Brazil and especially with peoples of the Xingu. I have had several invitations to learn about their way of life and this opportunity exists of making a film here in Brazil", he said.

     

    Absurd price

    After the demonstration, journalists and leaders proceeded to a press conference, attended by Roger Höhn, of the MAB (Movement of Peoples Affected by Dams); Antonia Melo, Movement Xingu Forever Alive; Sheila Juruna, representative of indigenous people of Xingu; Raul Vale, of the ISA;  James Cameron, Joel David Moore, Sigourney Weaver and actor Vitor Fasano.

     

    The leaders of the movements explained their arguments in opposition to Belo Monte, highlighting that they have already been struggling for more than 20 years to prevent the destruction of the Xingu river. Rogério also addressed the absurd price attached to the electricity and underscored the environmental damage were Belo Monte to be constructed.

     

    Antônia Melo emphasized the litany of impacts that the hydroelectric could cause such as diseases, uncontrolled population growth (over 100 thousand people would descend on the region), the profound decay of more than 100 km of the Xingu River, the fact that more than 15 thousand rural workers would lose their arable lands, the indigenous lands would remain desiccated.

     

    Xingu: The House of God

    The testimony of indigenous speaker Juruna Sheila was deeply emotional. For her the sentiment is that of revolt. "We are struggling and we have hope. But development is not done this way". She said that in her language, Xingu means House of God and therefore is not for nothing that the locals defend both river.

    Sheila also said that Belo Monte is a great snake that is going to devour everything there and ended her speech with a song that said "afraid of never more hearing".

     

    In relation to indigenous peoples, the director of Avatar used the U.S. as an example of what should be avoided. “The indigenous peoples were destroyed in the U.S. Their population decreased dramatically. They have no power or voice. They live in small places and have no hope, so much so that there are high rates of suicide in these communities”, he said.

     

    Dinosaurs

    Cameron utilized various comparisons to illustrate why he is opposed to Belo Monte. "The great dam technologies are the dinosaur technologies of the twentieth century or even the nineteenth century". From the director’s perspective, human beings are intelligent enough to create other technologies.

     

    He also compared the rivers to the human circulatory system. "Rivers are the arteries of life for the forest and its populations. And what happens when we block these arteries? A heart attack. Or a stroke. With deadly consequences. That is more or less what would happen to the Xingu river", he said.

     

    The filmmaker’s interest in Belo Monte was questioned by journalists. "I’m not from here, and I know Brazililans don’t like a gringo to come over and tell them what to do. But I know that Belo Monte and the safe guarding of the Amazon is a problem of the entire world. We are all on the same planet. The winds, oceans and atmosphere do not recognize borders!" He concluded.

     

     

    www.Twitter.com/StopBeloMonte

     

     

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