• 23/06/2010

    Belo Monte e a jactância autoritária de Lula

    Por Telma Monteiro

     

    Lula esteve em Altamira para “lançar” Belo Monte. Foi acompanhado de autoridades e políticos em campanha. Políticos adoram grandes obras. Campanhas eleitorais no Brasil costumam receber apoio financeiro de empreiteiras e de concessionárias de serviços públicos. Em especial do setor energético onde se vê o desenvolvimento de grupos de poder nacionais e internacionais unidos aos partidos políticos para benefício mútuo.

     

    Para Lula não passamos de medíocres e meia dúzia de jovens desinformados porque não conhecemos o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. Compartilhando experiências, disse que quando jovem foi protestar contra a usina de Itaipu.  Na época ele acreditou que Itaipu iria alterar o clima da região, causar terremoto, que o peso da água mudaria o eixo da Terra e que a Argentina seria inundada. É bom esclarecer que tirando a história idiota da mudança do eixo da Terra, os demais impactos acontecem no caso de grandes hidrelétricas. Se ele considera fantasias é por pura falta de conhecimento e não de informações disponíveis.

     

    Ao nos chamar de meia dúzia de jovens bem intencionados e mal informados esqueceu que entre esses [jovens] estão a equipe técnica do Ibama que analisou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Belo Monte, os técnicos e procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que se debruçaram por meses sobre o calhamaço de informações do processo, dos especialistas da academia que emitiram seus pareceres, do juiz da Vara de Altamira, Antonio Carlos Campelo, que acompanha o caso desde a primeira ação ajuizada, das organizações da sociedade civil que contam com pessoal habilitado em questões ambientais, dos movimentos sociais da região do Xingu que vivem o dia a dia do rio, dos indígenas que conhecem profundamente o comportamento do ecossistema do qual suas vidas dependem.

     

    Mais uma vez a falta de conhecimento de Lula atrapalha seu discernimento. Quem não conhece o projeto de Belo Monte e não tem paciência para ouvir é ele, apesar de tudo o que já foi publicado e falado a respeito. Em Altamira ele se jactava. Jactou-se de histórias, pseudo-experiências e afirmações que empolgam uma platéia constituída de cabos eleitorais e bajuladores dele e da governadora do Pará. A retórica é o seu velho e gasto artifício utilizado quando precisa fazer cara de paisagem política.

     

    Em se tratando de um presidente que se vangloria de ter chegado aonde chegou sem que fosse preciso ter estudado, não surpreende que tenha desprezado as conclusões de acadêmicos e especialistas.  Pensando bem, quando Lula nos chama de desinformados pode estar se referindo à falta de outras informações sobre Belo Monte, que não estão disponíveis. 

     

    Nesse caso podemos mesmo estar desinformados.  Entre as informações que Lula diz que tem e afirma que não temos, pode estar a estratégia de utilização dos recursos de energia para aumentar sua influência na política regional. Ou a pretensão de ser lembrado no futuro como um estadista que encontrou o ideal da política energética com a exploração da Amazônia. Outra possibilidade seria a de que ele detém as últimas informações sobre áreas específicas de importância relativas ao objetivo de transformar o Brasil na quinta economia global.

     

    O diálogo e o debate não são importantes para Lula e a prova está no seu discurso que ignorou completamente o resto da sociedade.  Embora o engajamento de Lula na construção de Belo Monte seja surpreendente, ele tem explicação. Um país rico em recursos naturais como o Brasil tem tudo a oferecer, hoje, ao mundo, para atrair a cobiça das grandes potências.

     

    Por outro lado, o setor privado brasileiro não quer investir em obras com viabilidade econômica duvidosa, idealizadas por estatais hipertróficas, como se viu no imbróglio do leilão de Belo Monte. Não sendo possível obter taxas de retorno compatíveis com os altos custos sociais e ambientais, deixa-se o investimento, o financiamento e os riscos para o Estado que parece ser rico o suficiente.

     

    O engajamento de Lula na campanha de exploração do potencial energético da Amazônia é uma espécie de espectro pairando entre dois extremos: o de nenhum governo e o de uma ditadura. Claramente esse presidente está incentivando falsas parcerias público-privadas, como no caso de Belo Monte, onde quem banca e corre riscos é só o Estado, com o fim de atingir objetivos políticos específicos e hegemônicos. Lula quer voltar em 2015 para continuar sua obra. Nada mais.

     

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  • 23/06/2010

    García: OIT não obriga à consulta indígena em projetos de desenvolvimento

    Mais de um mês após a aprovação Lei do Direito à Consulta Prévia aos Povos Indígenas ou Originários pelo Congresso Nacional peruano, a norma ainda continua sem ser promulgada.  Ontem (21), o Poder Executivo divulgou uma observação a respeito da Lei. Enquanto isso, o país segue sendo palco de diversos conflitos que poderiam ser evitados com a Lei de Consulta.

     

    Para quem esperava logo a promulgação da dita Lei, a observação enviada ontem pelo mandatário peruano, Alan García, e pelo presidente do Conselho de Ministros, Javier Velásquez, ao presidente do Congresso da República, Luis Alva Castro, não é nada boa. No Ofício, García e Velásquez ressaltaram uma série de questões que vão de encontro ao esperado com a aprovação da norma.

     

    Entre as considerações, os membros do Poder Executivo destacaram que "a lei deve estabelecer que, se não se consegue o acordo ou consentimento ao que faz referência, isso não implica ao Estado a renúncia ao exercício do Ius Imperum, pois isso presumiria a dispersão do caráter unitário e soberano da República". Além disso, afirmaram que o "o Convênio 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho] não prevê a obrigação da consulta a respeito dos planos, programas e projetos de desenvolvimento nacional e regional".

     

    A questão da identificação das medidas administrativas e legislativas que deverão ser consultadas também foi observada por García e Velásquez, os quais sustentaram que "o procedimento proposto pela lei implica o risco de atrasar ou deter o desenvolvimento do país". Além desses pontos, os dois representantes do poder Executivo ainda apresentaram observações a respeito de outras cinco questões da norma.

     

    Para a Coordenadora Nacional de Direitos Humanos (CNDDHH, por suas siglas em castelhano), o documento enviado ontem ao Congresso da República revelou que "mais uma vez, o Poder Executivo se põe de costas às justas reivindicações dos povos indígenas e desatende os diversos pronunciamentos internos e internacionais que exortavam a promulgação da lei".

     

    Dessa forma, a CNDH, em comunicado divulgado hoje em seu blog, comentou que continuará demandando a promulgação da norma. "Esperamos que o Congresso da República, fazendo uso das faculdades contidas no terceiro parágrafo do artigo 108 da Constituição Política, insista na Lei e a promulgue", afirmou.

     

    Enquanto a Lei ainda não é promulgada, vários conflitos que poderiam ser evitados continuam a aumentar as estatísticas peruanas. De acordo com comunicado da Coordenadora divulgado na última sexta-feira (18), a Defensoria do Povo revelou que, dos 255 conflitos registrados até o dia 31 de maio deste ano, 132 eram relacionados a questões socioambientais.

     

    Na ocasião, CNDH destacou ainda que a maioria dos projetos geradores de conflitos é realizada em setores mais pobres da sociedade, como comunidades camponesas, quechuas, aymaras ou nativas, onde a informação ainda é pouca. E, por isso, "resulta necessário que o Estado garanta os direitos destas populações de serem consultadas previamente e lhes ofereçam informação oportuna sobre as vantagens ou desvantagens que gerariam a execução destes projetos, para que, com base nisso, decidam livremente".

     

    O ofício do Poder Executivo enviado ao Congresso Nacional e o posicionamento da CNDH sobre o assunto estão disponíveis em: http://blog.dhperu.org/

     

    Karol Assunção

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  • 23/06/2010

    MPF/AM quer garantir melhorias na saúde indígena no Alto Rio Negro

    O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal, com pedido de liminar, para determinar à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) a imediata aquisição de motores de popa e a reestruturação física, de equipamentos e de recursos humanos do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Rio Negro.

     

    A ação civil pública foi ajuizada após inspeção realizada pelo MPF/AM no município de São Gabriel da Cachoeira (a 850 quilômetros a noroeste de Manaus), no período de 13 a 16 de maio de 2010, quando, durante audiência pública, constatou diversas irregularidades na saúde indígena e na educação.

     

    O Dsei Alto Rio Negro abrange os municípios amazonenses de Barcelos, Santa Izabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, que somam uma população de mais de 33 mil índios e quase 700 aldeias.

     

    Em razão da falta de estrutura do distrito – principalmente pela ausência de motores de popa para o deslocamento das equipes de saúde – os indígenas estão sem atendimento em suas respectivas aldeias e pólos-base há um ano e seis meses, situação que tem acarretado o aumento da incidência de doenças como a tuberculose e a malária entre os indígenas. Segundo a procuradora da República Luciana Portal Gadelha o atendimento à saúde dos indígenas tem se restringido apenas às ações de resgate, com a remoção dos pacientes para o município de São Gabriel da Cachoeira e Manaus, mediante a disponibilização de equipes em pontos estratégicos da região.

     

    Conforme prevê a Política Nacional de Atenção à Saúde Indígena, a estrutura dos Dsei’s é composta por postos de saúde dentro das aldeias indígenas, pólos-base com equipes multidisciplinares de saúde indígena e Casa do Índio (Casai), para apoiar as atividades de referência para o atendimento de média e alta complexidade.

     

    Estrutura precária – Relatório do Dsei Alto Rio Negro, de maio deste ano, aponta que a sede do Dsei, em São Gabriel da Cachoeira, é de propriedade da diocese local, que aluga o imóvel para a Funasa, sem contrato formal, sendo que atrasos nos pagamentos causaram transtornos, chegando à beira do despejo.

     

    Dos 25 pólos-base do Dsei, seis não possuem sede alguma. Outros oito pólos têm a estrutura classificada como péssima pelo relatório apresentado. Nas aldeias, de acordo com o documento, a situação é ainda mais precária, não atendendo aos requisitos da Portaria Funasa nº 840, que prevê para os postos de saúde das aldeias, entre outros, sala administrativa, sala de reunião, salas de apoio, consultório de enfermagem, consultório indiferenciado, consultório odontológico, sala de procedimentos e copa.

     

    Entre as dificuldades encontradas no atendimento aos indígenas pelo Dsei, está a comunicação entre os pólos-base e as aldeias. Devido às grandes distâncias, são necessários de três a quatro dias de viagem de algumas aldeias até os pólos-base, em pequenas embarcações.

     

    Conforme projeção feita pela própria Funasa em 2008, há a necessidade de aquisição de 13 veículos terrestres, 24 barcos sem motor, 170 barcos com motos, 50 grupos geradores de energia, 26 rádios de comunicação, além de equipamentos de informática.

     

    Considerando que o principal problema enfrentado pelo Dsei Alto Rio Negro é a insuficiência de motores de popa para o deslocamento das equipes multidisciplinares de saúde indígena, o MPF/AM irá oficiar órgãos federais, como a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas e a Receita Federal, para verificar a possibilidade de doação de motores de popa ou barcos apreendidos para a Funasa, permitindo, assim, a retomada das ações de atenção à saúde dos indígenas na região.

     

    A ação tramita na 7ª Vara Federal do Amazonas, sob o nº 7111-24.2010.4.01.3200.

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  • 23/06/2010

    Funasa quer inviabilizar aprovação da Secretaria Especial de Saúde Indígena no Congresso Nacional

    Lideranças indígenas que lutam pela aprovação, no Congresso Nacional, da Medida Provisória 483/2010, que cria a Secretaria Especial de Saúde Indígena, denunciaram nesta manhã, por meio de nota pública, que setores ligados a direção da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) utilizam-se de manobras políticas junto ao PMDB e partidos aliados para evitar que a matéria seja aprovada, o que representaria o fim de uma luta de mais de dez anos dos indígenas brasileiros por atendimento médico adequado.

    De acordo com a nota divulgada pelos líderes indígenas que militam na área de saúde e pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), instância nacional que congrega as organizações regionais indígenas de todo país, pessoas ligadas aos coordenadores da Funasa nos estados e também ao ex e ao atual presidente do órgão, respectivamente, Danilo Fortes e Faustino Lins, estão usando os cargos de afilhados políticos do PMDB como moeda de troca para negociar junto ao partido a rejeição à MP 483.

    A nota afirma que “este senhores trabalham nas últimas horas para que os cargos, hoje existentes na Funasa, a maioria preenchidos pelos afilhados políticos do PMDB, não saiam da Funasa e façam parte da nova Secretaria de Saúde Indígena. Trabalham também para que o saneamento básico nas aldeias, hoje fonte de barganhas políticas e corrupção na Funasa, também não faça parte da estrutura da nova secretaria”.

    No período em que esteve sob gestão da Funasa, a saúde indígena sofreu grave deterioração em meio a denúncias de corrupção e desvio de verbas por parte do órgão governamental. A população indígena em todo Brasil foi totalmente abandonada e hoje faltam medicamentos, médicos, obras de infra-estrutura e saneamento básico em praticamente todas as regiões.

    Diante da gravidade da situação, os Povos Indígenas pedem o apoio de todos os deputados federais, do governo federal e de entidades parceiras, no sentido de garantir a aprovação integral da MP 483/2010, na forma como foi encaminhada pelo governo e pelas comunidades indígenas. Qualquer mudança na proposta para atender interesses contrários aos indígenas será repudiada de forma veemente. A medida provisória está na pauta do plenário da Câmara dos Deputados e deve ser apreciada na tarde desta quarta-feira, dia 23.

    Com o intuito de garantir a manutenção dos convênios já estabelecidos entre as aldeias e o governo, bem como uma transição pacífica e sem interferências políticas da saúde indígena da Funasa para a Secretaria Especial, os Povos Indígenas também solicitam o afastamento imediato do presidente da Funasa, Faustino Lins.

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  • 23/06/2010

    Jovem Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe participa de Consulta na OEA

    Patrícia Moraes Pataxó, indígena do Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, estudante do curso de Direito na UFBA (Universidade Federal da Bahia), embarcou no dia 21 de junho para Washington (USA) onde, de  22 a 25 de junho, representa o movimento indígena brasileiro em evento de consulta da Organização dos Estados Americanos.


    A indicação de Patrícia para essa representação foi feita pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) durante a última reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) no início deste mês, e aprovada pelas demais organizações indígenas.


    O evento é uma consulta da OEA sobre a participação indígena na Organização. Durante o evento, estarão também presentes os relatores da organização para direitos humanos, direitos indígenas – entre outros – para os quais Patrícia leva relatos dos descumprimentos desses direitos no Brasil, como nos casos dos Tupinambá da Bahia, Guarani de Mato Grosso do Sul, e diversos casos graves.

     

    Patrícia, vem acompanhando as questões das violências cometidas contra seu povo e, mais recentemente, tem dado todo suporte à comunidade de Serra do Padeiro no município de Buerarema. Ela acompanha desde o início todo o processo de criminalização das lideranças daquela comunidade. Este e diversos casos de violação de direitos deste povo serão relatados pela jovem indígena no evento.

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  • 23/06/2010

    A impunidade que envergonha a Justiça do Pará

    Por causa da morosidade e gravíssimos erros da Justiça do Pará, fazendeiros mandantes de assassinatos de trabalhadores rurais no Sul do Pará não serão julgados, beneficiando-se da prescrição dos crimes.

     

    1- Fazendeiro Valter Valente: prescrição depois de 28 anos

     

    O lavrador Belchior Martins da Costa foi assassinado no dia 02.03.1982, por disputa de terra, quando colhia sua roça de arroz. Conforme declarações da época, o corpo foi perfurado por 140 tiros, mas a policia não fez nenhuma perícia.

     

    28 anos depois do crime o Juiz da Comarca de Rio Maria, Dr. Roberto Cezar Oliveira Monteiro, designou o dia 24.06.2010, para o julgamento pelo Tribunal do Júri, de José Herzog, um dos acusados pelo assassinato. Trata-se de apenas mais um crime do campo que ficará na mais absoluta impunidade, pois a Justiça paraense deixou transcorrer 28 anos para finalmente realizar o julgamento, quando é pouquíssimo provável se obter uma condenação.

     

    O principal acusado, o fazendeiro Valter Valente, contra o qual há provas fortes, hoje tem cerca de 80 anos de idade e não será submetido a julgamento. Contra Jose Herzog, é notória a inconsistência das provas diante da frágil investigação criminal da época. Isso mostra que este julgamento consiste num jogo de cartas marcadas, cujo resultado certo será a impunidade.  

     

    Assim, o Comitê Rio Maria e a Comissão Pastoral da Terra – que com imensas dificuldades e obstáculos, conseguiram levar o processo até a pronuncia e, ao longo dessas 3 décadas, denunciaram e exigiram providencias das autoridades – não serão coniventes com essa farsa e decidiram que os advogados da CPT não participarão desse julgamento como Assistentes de Acusação.

     

    2- Fazendeiro Geraldo de Oliveira Braga: prescrição depois de 20 anos

     

    Braz Antônio de Oliveira, diretor do STR de Rio Maria, e seu companheiro Ronan Rafael Ventura foram mortos em abril de 1990 por uma máfia a serviço de fazendeiros. Após 19 anos de tramitação e morosidade da Justiça, finalmente em 16.02.2009, o Supremo Tribunal Federal declarou a prescrição do crime com relação ao mandante Geraldo de Oliveira Braga, fazendeiro de Minas Gerais, hoje com 74 anos de idade. 

     

    Por sua vez, o processo que tramita na Comarca de Rio Maria com relação aos executores do crime, teve o andamento e o curso da prescrição suspensos em 05.05.2010, até a captura ou o comparecimento espontâneo dos acusados, o que obviamente nunca acontecerá.

     

    3- Fazendeiro Jerônimo Alves de Amorim

     

    Como é de conhecimento público, Jerônimo já foi condenado a 19 anos e meio de prisão em regime fechado como mandante do assassinato do sindicalista Expedito Ribeiro de Souza, presidente do STR de Rio Maria, morto em 02.02.91, mas cumpriu só um ano e meio da sua pena. O processo foi transferido ilegalmente para o Tribunal de Justiça de Goiás onde Jerônimo tinha sua família, apesar de responder a outro processo criminal no Estado do Pará.

     

    A partir de 2001, ele cumpriu sua pena em prisão domiciliar na sua luxuosa residência de Goiânia e em dezembro de 2001 beneficiou de um escandaloso indulto, por cumplicidade do Tribunal de Justiça de Goiânia.

     

    O fazendeiro Jerônimo Alves de Amorim também responde a outro processo criminal, pelo assassinato de 2 pessoas de Xinguara, em 1993. O Tribunal de Justiça do Pará omitiu o nome do assistente de acusação em publicação oficial, o que atrasou o feito. Em 2004, ele recorreu da sentença de pronuncia ao Superior Tribunal de Justiça. O processo ficou parado, de 19.05.2005 até 30.04.2010, período em que retornou para o Tribunal de Justiça do Pará, para que intimasse o réu para a nomeação de novo advogado. Tudo indica que este crime também resultará em prescrição, consagrando mais uma vez, a impunidade.  

     

    Lembramos ainda que os dois fazendeiros Adilson Laranjeira e Vantuir Gonçalves de Paula, mandantes condenados em 2003 a 19 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato do sindicalista João Canuto de Oliveira, nunca foram capturados para cumprir a pena. Um deles morreu de morte natural em 2007 e o outro ainda está foragido.

     

    Será que a Justiça do Pará mudou após a condenação de dois fazendeiros mandantes da morte da Irmã Dorothy? Obviamente que não. É importante destacar que todos esses casos recentes de impunidade são apenas a ponta do iceberg. Quantos processos de vitimas pobres ainda estão engavetados?

     

    A responsabilidade do Tribunal de Justiça do Pará por tão graves impunidades continua sendo uma vergonha. E a violência continua.

     

    “Se vossa justiça não supera a justiça dos doutores da lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu” (Mt 5,20).

     

    Como é atual esta palavra de Jesus!

     

    Xinguara-PA, 22 de junho de 2010.

     

    Antonia Macedo Ribeiro

    Secretaria do Comitê Rio Maria

     

    Frei Henri Burin des Roziers

    Advogado da Comissão Pastoral da Terra

     

    Jovandre Antonio de Melo

    Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria

     

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  • 23/06/2010

    Movimentos são impedidos de entrar em estádio e se manifestar contra Belo Monte

    O início desta semana foi marcado por persistentes manifestações contra a visita do Presidente Lula a Altamira, no Pará, região Norte do Brasil. Nesta terça-feira, centenas de ribeirinhos, indígenas, ambientalistas, membros de movimentos sociais, estudantes e demais atores sociais contrários à construção da hidrelétrica Belo Monte se reuniram para manifestar descontentamento com a atitude "ditatorial" do Presidente.

     

    A notícia é de Natasha Pitts e publicada pela Adital, 22-06-2010.

     

    "A manifestação de ontem foi realizada para passar um recado para o Lula. Acredito que nós conseguimos mostrar que não estamos satisfeitos com a construção de Belo Monte", esclareceu Michel Alves, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), fazendo referência ao bloqueio, realizado nas primeiras horas de ontem (21), por cerca de 400 manifestantes na rodovia Transamazônica.

     

    Na manhã de hoje, por volta das 8 horas, as mobilizações recomeçaram. Os manifestantes se concentraram na Praça do Matias, na orla do cais de Altamira, de onde seguiram em caminhada para o Estádio Bandeirão, local em que o presidente Lula esteve presente para lançar os projetos de asfaltamento da Transamazônica, o programa Luz para Todos e a hidrelétrica de Belo Monte.

     

    "Hoje, a maior parte dos manifestantes foi impedida de entrar no estádio. É muito triste uma situação dessas, pois prova que o governo do Estado do Pará e o governo Lula não querem nos escutar. Para nós Lula é um covarde, que está impondo uma ditadura, pois não escuta a população, mas apenas alguns grupos que estão a favor da construção da hidrelétrica", desabafa Michel.

     

    Durante a programação promovida no Estádio, uma situação chamou a atenção. Um representante dos povos indígenas do Xingu entregou uma carta ao presidente Lula manifestando a vontade do seu povo de que hidrelétrica fosse construída.

     

    De acordo com Michel, algumas lideranças estão sendo cooptadas e compradas para repassar às autoridades e ao mundo uma imagem distorcida do que os povos do Xingu realmente querem. "Os caciques estão contra Belo Monte", garante.

     

    Após o fim das atividades no Estádio Bandeirão e com a partida do Presidente, os manifestantes retornaram para casa. A visita de Lula foi apenas mais uma oportunidade de mostrar a total insatisfação com a realização de um projeto que passou por cima dos interesses do povo e desrespeitou a legislação ambiental.

     

    "As manifestações por hoje estão encerradas, mas nós estamos voltando para casa com a intenção de já começar a planejar novas lutas e ações", assegura Michel.

     

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  • 22/06/2010

    Documento final – I ASSEMBLEIA DOS POVOS INDIGENAS DE GOIAS E TOCANTINS

    Documento final da I Assembléia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins.

    Nós povos indígenas das etnias do estado de Goiás e Tocantins presentes nesta assembléia, apresentamos nossas reivindicações e cobramos nossos direitos no presente documento, que será encaminhado as entidades competentes para que sejam tomadas as devidas providências. Segue abaixo as reivindicações oriundas das etnias Apinajé, Krahô, Xerente, Karajá de Xambioá, Javaé, Krahô-Kanela, Karajá de Aruanã, Tapuia e Acadêmicos Indígenas da UFT.

     

    Educação Escolar indígena

     

    Povo Xerente

    Solicitar reforma nas escolas indígenas

    Implantação de escolas nas aldeias que não tem.

    Entrega de merenda escolar em dia

    Respeito ao perfil profissional na hora de contratação dos servidores da Educação que irão trabalhar dentro das aldeia como professores e diretores, para que tenha mo mínimo ensino médio.

     

    Povo Karajá-Xambioa

     

    Implantação do uma biblioteca no CEMI Karajá-Xambioá com todos os móveis necessários.

    Contratação de novos professores, incluindo os professores bilíngües (mulher).

    Produção de material didático especifica do povo Karajá-xambioá.

    Mudança no cardápio de alimentação escolar.

    Bolsas para os universitários indígenas, principalmente os de cursos integrais.

     

    Povo Krahô-Kanela

     

    Queremos a construção do colégio na aldeia Lamkraré na área K.K.

     

    Povo Tapuia   

     

    Que o governo do Estado de Goiás crie uma resolução que garanta concurso publico especifico para professores indígenas.

    Que o governo garanta o recurso especifico e criação de material didático próprio.

    Construção de uma quadra poliesportiva para pratica de educação física.

    Incentivo para cursos preparatórios para vestibulares nas aldeias indígenas.

     

    Povo Karajá de Aruanã

    Estamos precisando de concurso publico diferenciado para termos segurança no trabalho.

     

    Povo Krahô

    Construção da escola nas aldeias que ainda não tem.

    Contratação de auxiliares gerais vigia e merendeira.

    Murar escolas.

    Contratação do professores nos lugares que não tem.

    Iluminação nas escolas

    Material completo;

    Televisão

    DVD

    Maquina digital

    Antena parabólica

    Precisamos de um supervisor para visitar nas escolas todos  os meses.

    Diária para os caciques nos encontros da educação.

     

    Povo Javaé

    Ampliação, reformar muros de todas as escolas.

     

    Fundação Nacional de Saúde

     

    Povo Xerente

    Necessidade de transporte na área xerente para buscar os doentes de sua aldeia.

    Pagamento do agente indígena de saúde e AISAN.

    Existência de enfermaria precária e falta de medicamento

    O atualmente o atendimento de só 10 pessoas na visita dos médicos é insuficiente seja ampliado o numero de consultas por visita médicas.

     

    Povo Krahô-Kanela

    Queremos os melhoramentos de saúde do povo K.K (transporte, consulta, exame, remédio).

    Queremos o termino e conclusão do posto de saúde na aldeia Lankraré e conclusão de banheiro.

     

    Povo Tapuia

    Completar saneamento básico na área I e II

    Poço artesiano e banheiros

    Construção de um posto de saúde, específico ao atendimento medico e odontológico na aldeia.

    Recurso de exames médicos de urgência.

    Convênio com hospital de Rubiataba e Ceres.

     

    Povo Krahô

    Reclama falta de medicação, falta transporte, falta de atendimento médico nas aldeias.

    A contratação de um médico

    Falta de rádio nas aldeias

    Luz para todos na área Krahô

    Posto de saúde que não tem

    Aumento dos salários dês Ais e AISAN

    Capacitação do Ais e AISAN

    Queremos que a FUNASA mande fazer a prótese,

    contração dos Ais nos lugarem que não tem

    Carros nos postos de saúde

    Saneamento básico nas aldeias que ainda não tem

    Telefone nos lugares que não tem

    Armários para guardar os medicamentos

    Melhoramento na casa de apoio

    Boa alimentação para os pacientes.

    Material completo para o dentista.

    Ambulância no pólo base e ponto de apoio

    Dois transportes para os pajés para tratar dos pacientes em outras aldeias

    Toda manutenção para os veículos.

    Uniformes para os argentes de saúde

    Bicicletas para os Ais

    Balança para os Ais nas aldeias que não tem posto de saúde

    Ajuda de custa para os conselheiros locais de saúde nos encontros.

    Implantação de para raios.

     

    Povo Javaé:

     

    Reformas dos postos de saúde nas aldeias Barreira Branca e São João, com alojamento para as técnicas em enfermagem, ampliação dos postos de saúde e distribuição de água.

    Reclamam a falta de assistência de encaminhamento para o pólo, muitas vezes os pacientes pagam a passagem do seu bolso.

    Despreparo dos técnicos de saúde

    Falta de médicos que atendem somente 3 (três) indígenas por dia

    Falta de automóveis

    Falta de respeito dos funcionários dos pólos com os indígenas

    Dormitórios e refeições do pólo de saúde muito precários

    Falta de respeito com os pacientes que ao chegar à rodoviária vão a pé ate o pólo

     

    Povo Apinajé:

    Saúde: Melhoria do atendimento da saúde preventiva, saneamento básico, transporte e comunicação.

    Educação: Construção de escolas nas aldeias aonde ainda não tem, e uma educação escolar indígena diferenciada.

    Terra: garantia, vigilância e fiscalização de nossa terra.

    Encascalhamento e recuperação de nossas estradas internas, no total de mais de 300 KM. Bem como recuperação das pontes.

    Instalação de energia elétrica do programa luz para todas nas aldeias aonde  não tem.

    Construção de ginásio poli-esportivo nas duas aldeias; São José e Mariazinha.

    Iluminação pública em todas as aldeias.

    Instalação de telefones públicos em todas as aldeias.

    Paralisação e cancelamento, pelos órgãos ambientais, MPF e FUNAI de todas os projetos que estão ameaçando e causando danos ambientais e sociais aos nossos territórios e aos nossos povos (hidrelétricas, sojas, eucaliptos etc.)

    Cordialmente caciques e lideranças  Apinajé.

     

    Funai

     

    Povo Xerente

    Complementação das linhas de energia elétrica nas aldeias

    Isenção da taxa de energia de todas as aldeias e das que viram obter. (CELTINS)

    Situação das estradas é precárias, dificuldade de acesso às aldeias.

    Melhorias nas estradas e pontes

     

    Povo Tapuia:

     Nova reestruturação da FUNAI e deixar uma Administração Regional em Goiânia para melhor atendimento das etnias Karajá de Aruanã Tapuia Avá Canoeiros de GO.

    Que a FUNAI dê assistência no nosso processo de ampliação em  nosso território tradicionais.

                                          

    Povo Krahô-Kanela:

    Demarcação do restante do terreno K.K. T. I. Mata Alagada.

    Fiscalização na área.

    Regularização da documentação do povo indígena K. K. que se encontra em restrição no SPC

     

    Povo Karajá-Xambioá:

    Rebaixamento de rede de energia na aldeia Nova Kurehê
    Reforma da estrada que da acesso as aldeias da terra Karajá-xambioá.
    Construção de uma ponte que dá acesso as aldeias.
    Continuação do projeto de construção de casas nas aldeias;
    Embargamentos dos recursos hídricos do rio Araguaia.

    Estudantes indígenas

     

    Ter uma equipe preparada para avaliação dos documentos apresentados pelos alunos que passam no vestibular: autodeclaração

    Declaração da sua comunidade (seus caciques e lideranças reconhecida) e só matricular se apresentar documentação completa.

    Criação de um programa para os universitários indígenas fora das aldeias em relação

    a sua permanência:

    Transporte

    Alimentação

    Vestuário

    Material acadêmico

    Garantir uma política de bolsa permanência em que o aluno não tenha que cumprir as 20 horas.

    Resolução urgente para abrigar os estudantes indígenas pois a casa esta super lotado.

    Apoio para a construção da casa, pois o lote nos já temos.

    Precisamos de um espaço maior dentro da universidade.

    Que tenhamos uma coordenação na SEDUC responsável pela educação superior indígena.

     

    Povo Krahô:

    Estradas para todas as aldeias cascalhadas e as ponte de concreto no lugar que precisa

    Queremos que AR de Arguaína continue onde está.

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  • 22/06/2010

    Manifestantes contra Belo Monte bloquearam a Transamazônica em Altamira, PA

    Por volta das 5 h da manhã desta segunda, 21, cerca de 400 manifestantes, entre moradores de Altamira, agricultores familiares e ribeirinhos, fecharam a rodovia Transamazônica na altura do km 18 no trecho Altamira – Marabá, em protesto contra o projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte. O ato ocorreu um dia antes do lançamento da pedra fundamental da barragem pelo presidente Lula, que estará em Altamira neste dia 22 de junho. 

     

    Em função do bloqueio, cedo pela manha formou-se uma fila de caminhões e carros que tentavam chegar a Altamira. Frustrados, alguns motoristas tentaram forçar a passagem, mas foram impedidos pelos manifestantes. Diversas faixas acusavam o governo federal de desrespeitar os povos do Xingu, ameaçados por um recrudescimento da violência, da pobreza e dos crimes ambientais em uma das regiões mais fustigadas por estes problemas no Pará.

     

    As 15h, o protesto foi encerrado após avaliação de que o recado ao governo contra a usina havia sido dado através da imprensa nacional e internacional. De acordo com lideranças do protesto, a resistência ao que consideram um “projeto enfiado goela abaixo” persistirá, unificando ribeirinhos, pequenos agricultores e grupos indígenas.

     

    Com a presença de Lula em Altamira nesta terça (22), os manifestantes farão novo protesto na cidade. A concentração ocorrerá as 8:00 h na Praça do Matias, orla do cais, e seguirá em caminhada para o Estádio Bandeirão, onde ocorrerão as atividades com o presidente.

     

    De acordo com o governo do Pará, este garantirá a presença de cerca de 20 mil pessoas  para aplaudir os discursos de Lula. Diante disto, os organizadores dos protestos contra Belo Monte esperam que seja assegurada a segurança e a integridade física dos manifestantes pacíficos que se opões à obra.

     

    Mais informações:

     

    Antônia Melo – Movimento Xingu Vivo para Sempre, Altamira – 93. 9135-1505

    Ronaldo – Comissão Pastoral da Terra (CPT), Altamira – 91. 9143-0496

     

    Serviço:

    O que: Protestos contra Belo Monte

    Quando: 22 de junho de 2010, as 8:00 h

    Onde: Praça do Matias, na orla do cais, Altamira, PA

     

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  • 22/06/2010

    Carta-aberta do Encontro de Atingidos e Atingidas pela Transposição

    Vindos de todos os estados do Nordeste, Minas Gerais e São Paulo nos encontramos em Campina Grande, na Paraíba. Somos 82 pessoas, vítimas dos impactos da malfadada Transposição do rio São Francisco e de outras grandes obras do capital que estão em curso no Nordeste. Representantes de movimentos sociais, sindicatos, associações, comunidades, ONGs, pastorais, nos reunimos durante de 17 a 19 de junho de 2010 para discutirmos os males que a realização dessa obra tem nos causado e o que vamos fazer para enfrentá-los.

     

    O Projeto da Transposição representou para alguns, inicialmente, a esperança de ter acesso à água farta para nosso consumo e uso na produção.  O início das obras, no entanto, revela a verdadeira natureza e as intenções inconfessas desse projeto. Trata-se de fortalecimento de um modelo de desenvolvimento econômico que serve ao grande capital nacional e internacional e não respeita a população que diz beneficiar. Longe disso, a Transposição tem representado prejuízos e ameaças principalmente para as populações mais pobres, entre elas camponeses, indígenas, quilombolas, moradores das periferias urbanas e não só eles. As suas graves conseqüências se estendem e vitimizam a todos nós nordestinos e brasileiros.

     

    A promessa mentirosa de 12 milhões de beneficiados pela transposição já está evidente na longa lista dos impactos atuais sobre a população atingida pelas obras: desalojamento de famílias; perda dos meios de produção e das terras mais férteis; dificuldades de acesso à água; desemprego e subemprego; indenizações não pagas ou injustas; novas moradias não concluídas; escolas precarizadas; migração para as cidades; perda das raízes sociais e culturais; aumento da violência, da prostituição, da gravidez adolescente e do alcoolismo; depressão; casos de suicídio; desinformação e informação distorcida; intimidação e terrorismo sobre pessoas e comunidades resistentes; ameaças por parte de autoridades, funcionários públicos e de empresas; divisão e desintegração de famílias e comunidades; invasão de propriedades; poeira e insegurança nas estradas causadas pelo intenso tráfego de caminhões; casas rachadas em conseqüência de explosões; pequenas comunidades inchadas pela chegada de operários sem infra-estrutura de suporte; comunidades indígenas e quilombolas desrespeitadas; destruição de cisternas de água para consumo humano e uso agrícola e outras infra-estruturas de convivência com o semiárido; desmatamento; extinção de animais silvestres; seca de nascentes, interrupção de rios e riachos e envenenamento de águas; trabalho precário e superexplorado nas obras; pagamentos em atraso; desemprego com o término das obras; igreja dividida, omissa ou francamente favorável ao projeto; órgãos públicos não assumem responsabilidades, empurram para outros; atingidos sem ter a quem recorrer …

     

    “Queria esta água; mas não esperava que fosse desse jeito…”; “queria esta água mas não queria sair” são queixas muito ouvidas estes dias. Queremos água, terra e vida digna, mas dentro de um modelo que respeite a nossa cultura. O semiárido brasileiro é viável, tem água. São 70 mil açudes e 36 bilhões de metros cúbicos de água acumulada. Alternativas mais baratas e viáveis como as divulgadas pelo Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Água) e pela ASA (Articulação do Semiárido) estão mais de acordo com o belo sertão que vivenciamos e que almejamos. O que precisamos é democratizar o acesso a esse bem tão precioso para a vida de todos nós.

     

    Isso é o que motiva a nossa luta e resistência.  Por isso afirmamos o nosso compromisso em nos mobilizar e continuar na luta para que tenhamos vida e em abundância. A história da Transposição não é nova, é a reedição de folhetins que conhecemos de outros canais.

     

    Campina Grande, 19 de junho de 2010.

     

    Frente Paraibana em Defesa das Terras, das Águas e dos Povos do Nordeste – Frente Cearense por uma Nova Cultura da Água e Contra a Transposição do Rio São Francisco – Articulação Popular pela Revitalização do São Francisco (MG, BA, PE, AL, SE) – Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) – Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP (NE) – Comissão Pastoral da Terra Regionais NE I (CE), NE II (PE, PB, RN, AL) e NE III (BA) – Conselho Indigenista Missionário – Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) – Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Apodi/RN e Santa Maria da Boa Vista/PE – Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP) – Marcha Mundial das Mulheres – Diaconia.

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