• 29/09/2010

    Ministério da Justiça publica quatro portarias declaratórias e um relatório de identificação de Terras Indígenas

    Informações foram publicadas no Diário Oficial da União na última segunda-feira (27)

     

    O ministro da justiça Luiz Paulo Barreto publicou no dia 27 de setembro, as portarias declaratórias das Terras Indígenas Sombrerito, do povo Guarani Ñandeva (MS), Sururuá, do povo Tikuna e Kokama (AM), Ponte de Pedra, do povo Paresi (MT), e Buriti, do povo Terena (MS). O presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) publicou ainda o relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Paukalirajausu, do povo Nambikuara (MT).

     

    Nas portarias, o ministro declara as terras como de posse permanente dos povos indígenas interessados. De acordo com as portarias, as terras indígenas ficaram identificada nos termos do parágrafo 1º do art. 231 da Constituição Federal como sendo tradicionalmente ocupadas pelos grupos indígenas.

     

    A Terra Indígena Buriti, tem aproximadamente 17.200 ha e fica nos municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. A T.I. Sombrerito também fica no MS, no município de Sete Quedas e possui 12.608 ha. A T.I. Ponte de Pedra situa-se nos municípios de Campo Novo dos Parecis, Diamantino e Nova Maringá, no Mato Grosso e possui 17 mil ha. Nos processos das três terras citadas acima, as contestações foram julgadas improcedentes. Já para a T.I. Sururuá não houve contestações. A terra tem pouco mais de 36 mil ha e fica nos municípios de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, no Amazonas.

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  • 29/09/2010

    Missão e Povos Indígenas

    Por Egon Heck

    Cimi Regional Mato Grosso do Sul

     

    Os povos indígenas não entraram pela porta dos fundos ou pela janela, neste 2º Congresso Missionário Regional Oeste 2 da CNBB, que se realizou em  Dourados. Eles estavam previstos como uma das importantes realidades a serem vistas e que exigiriam uma tomada de posição por parte dos cristãos no aprofundamento de sua missão.  Assim o expressou o padre Edson, de saudosa memória, quando assumiu com entusiasmo a proposta do Congresso. Os indígenas Kaiowá Guarani presentes apesar de serem apenas cerca de 20 pessoas, trouxeram para o coração do Congresso o clamor dos povos nativos na região submetidos ao rigor da violência colonial, da discriminação e do racismo.

     

    Na oficina “Missão e Povos Indígenas” eles protagonizaram momentos memoráveis ao manifestarem com convicção e clareza a dureza de suas vidas ameaçadas, suas terras negadas. Eles foram chegando com sua expressão simples, tranqüilos, recatados, mas também vistosos e paramentados com seus cocares, colares, vestimentas, mbaracás e takuara. Foram aos poucos conquistando a simpatia e ou curiosidade dos participantes. Muitos foram os que tiraram fotos com eles. Muitos também terão melhor conhecido e assumido sua causa, a luta pelos direitos desses povos.

     

    No documento produzido na oficina, mais de 60 participantes de todas as dioceses do estado do Mato Grosso do Sul, expressaram seu ardente desejo de que os cristãos, desde os fiéis leigos, os sacerdotes, os religiosos e religiosas, até os bispos assumam com amor, ardor e profetismo a causa dos povos indígenas. Essa é uma causa do Evangélio, do Jesus da cruz, do conflito, que por causa de sua mensagem e testemunho de vida, foi assassinado. O assessor da oficina, teólogo Paulo Suess, que dias antes visitara vários acampamentos e aldeias Kaiowá Guarani da região, insistiu na importância de nós como cristãos, termos a coragem de assumir essa causa, que é a do Cristo da cruz e da ressurreição.

     

    A questão indígena foi assumida pelos participantes do 2º Congresso.  Quanto às injustiças contra os povos indígenas decidimos assumir a sua voz: "Não lutamos por qualquer terra, mas pelas nossas terras sagradas, tradicionais. Por isso, voltamos às terras donde fomos expulsos, onde estão enterrados nossos antepassados, onde podemos desenvolver nossa cultura, economia e espiritualidade". Também nos comprometemos com o resgate dos valores e a dignidade das populações afro-descendentes. Assumimos estes clamores como nos convida o documento de Aparecida: "O Santo Padre nos recorda que a Igreja está convocada a ser advogada da justiça e defensora dos pobres, diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas que clamam ao céu".(DAp 395)

     

    Padre Estevão, que fez uma reflexão sobre a missão hoje, se referiu à missão e causa indígena. “A metade dos assassinatos de indígenas no ano passado aconteceram aqui. E 100% dos suicídios de indígenas aconteceram aqui. Então como podemos celebrar a Eucaristia, diante dessa realidade.”

     

    Em várias oficinas temáticas foi citada a questão indígena e sugerido que o Congresso assuma essa causa e se tomem medidas concretas a favor dos direitos desses nossos irmãos. A escolha concreta e decida da causa dos pobres e excluídos no regional, surgiu como exigência em vários relatórios, como das pastorais sociais, meio ambiente, pequenas comunidades, vida religiosa, povos indígenas e afrodescendentes.

     

    Desafios e compromissos

     

    Foram destacados como principais lacunas e desafios a questão da terra, da violência, da desinformação e má informação a respeito da questão indígena, isso tudo revelando a continuidade de uma mentalidade e sistema neocolonial, discriminatório e racista. “Em nossa sociedade continua predominando uma mentalidade neocolonial, em que os índios são considerados como impedimento do progresso, como realidade a ser superada, quer integrando-os no sistema produtivo ou tomando suas terras.”

     

    Em relação ao trabalho missionário constatou-se a existência de trabalhos isolados, muitas vezes marcados pela pressa, falta de inculturação e conhecimento do povo           (missionário tipo formula 1 que faz “pit stop” – parada rápida – nas aldeias).

     

    Diante dessa realidade foi sugerida a formação de pastorais indigenistas em todas as dioceses. E que estas sejam críticas, dinâmicas, criativas e proféticas. Que a CNBB regional, juntamente com o Cimi e outras instâncias supra diocesanas, busquem trabalhar a diversidade das ações e presenças, numa unidade missionária.

    Foi destacada a atitude da Conferência dos Religiosos no Brasil (CRB) regional MS, que assumiu a causa indígena como prioridade de sua ação e está ajudando viabilizar a presença e atuação de uma comunidade de irmãs junto aos povos indígenas no regional.

     

    Faride Kaiowá, um dos caciques participantes do encontro, avaliou como muito importante o momento, pois puderam dizer o que vivem, sentem e por que lutam, inclusive fazendeiros.

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  • 29/09/2010

    MPF notifica Ibama sobre exigências prévias de Belo Monte

    Procuradores alertam que nenhuma nova licença poderá ser concedida antes que todas as condicionantes sejam concretizadas

    O Ministério Público Federal notificou o diretor de licenciamento do Ibama, Sebastião Custódio Pires, sobre o não-cumprimento das condicionantes prévias da hidrelétrica de Belo Monte. No oficio, o MPF chama atenção para as providências relativas aos povos indígenas afetados pelo projeto. Além das chamadas condicionantes indígenas, existem pelos menos mais 35 ações relativas à infraestrutura dos municípios afetados, qualidade da água, sobrevivência das espécies da volta grande do Xingu e outras preocupações socioambientais.


    Pela legislação ambiental em vigor no país, após o leilão da obra, as condicionantes deveriam estar sendo providenciadas pelos empreendedores. O MPF alerta o Ibama que, de acordo com informações da Fundação Nacional do Índio, não foram cumpridas as seguintes pré-condições relativas aos indígenas impactados: a desintrusão (retirada dos ocupantes não-índios) das Terras Indígenas (TI) Arara da Volta Grande e Cachoeira e de todas as áreas indígenas afetadas, a redefinição de limites da TI Paquiçamba, que vai ficar sem acesso à água com as barragens, e a regularização fundiária dos povos indígenas.


    Além disso, antes mesmo do leilão já foram desobedecidas duas condicionantes: as Terras Cachoeira Seca e Arara da Volta Grande deveriam ter sido demarcadas e a Terra Apiterewa, dos índios Parakanã, deveria ter sido palco de desintrusão. No ofício do MPF, o Ibama é lembrado de que só depois de todas as providências exigidas na Licença Prévia é que poderá se estudar a concessão de qualquer nova licença para o início das obras.


    Entenda o processo de licenciamento – A Licença Prévia concedida pelo Ibama à hidrelétrica de Belo Monte é, como o nome traduz, uma figura do processo de licenciamento que estabelece as condições prévias essenciais da viabilidade ambiental do empreendimento. No caso da hidrelétrica no Xingu, foram estabelecidas 40 condicionantes – ações que, obrigatoriamente, tem que ser concretizadas pelo empreendedor antes que sejam iniciados os estudos para a Licença de Instalação, segunda etapa do licenciamento ambiental.


    As condicionantes que são referidas pelo MPF no ofício enviado essa semana fazem parte do chamado componente indígena do licenciamento de Belo Monte e foram detalhadas em parecer da Funai que considerou viável a obra, desde que fossem obedecidas as condições elencadas relativas aos índios (veja o documento na íntegra em http://bit.ly/parecer-funai).


    Além das condições relativas à sobrevivência dos povos indígenas, existem outras condições prévias – as chamadas condicionantes – que precisam ser providenciadas para que a obra de Belo Monte possa começar. São questões, por exemplo, como a infraestrutura de saúde e educação da região afetada, que vai receber, segundo estimativa dos Estudos de Impacto, cerca de 100 mil migrantes nos anos de instalação da usina.


    “É preciso haver escolas, hospitais, médicos, remédios, para que não aconteça um colapso nos serviços públicos”, explica o procurador da República Cláudio Terre do Amaral, um dos procuradores da República que acompanha o empreendimento de Belo Monte. Todas as exigências – direitos dos indígenas, de infraestrutura, relativas à escolas, saúde, saneamento, qualidade da água, remoção de atingidos – estão sendo acompanhadas pelo MPF.

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  • 29/09/2010

    Shell envolvida em disputa por apropriação de terra indígena no Brasil

    Por Survival Internacional

     

    As autoridades brasileiras têm escrito ao gigante energético Shell, para expressar sua preocupação pelas atividades de seu novo sócio brasileiro em uma empresa conjunta que está produzindo biocombustíveis em terras tradicionais de um empobrecido povo indígena.

     

    No mês passado, a Shell firmou um acordo avaliado em 12 milhões de dólares para produzir biocombustíveis de cana de açúcar com o gigante brasileiro, Cosan. Porém, parte da cana de açúcar da Cosan é cultivada em terras que pertencem legalmente aos indígenas Guarani.  

     

    Um fiscal brasileiro com poderes constitucionais para defender os direitos indígenas nos tribunais tem escrito à Shell advertindo de que sua participação na empresa conjunta “põe em risco o compromisso da empresa com a biodiversidade e a sustentabilidade”.

     

    O filme Birdwatchers chamou a atenção de todo o mundo em 2008 de todo o mundo sobre a difícil situação dos Guarani, e uma das estrelas do filme, Ambrósio Vilhalva, faz parte da comunidade afetada pela Cosan.

     

    Em declarações sobre as plantações de cana que têm “comido” grande parte  do território de seu povo, Ambrósio afirmou:  “As plantações de cana de açúcar estão acabando com os indígenas! Nossas terras estão cada vez mais e mais pequenas. As plantações estão matando o nosso povo!”, afirmou.

     

    Neste mês o principal especialista da ONU em matéria de direitos indígenas publicou um informe ao Conselho de Direitos Humanos  da ONU em que disse que está profundamente preocupado sobre as acusações de violência contra o povo Guarani e o grave impacto que a política agressiva de governos passados de vender grandes extensões de terra ancestrais a não indígenas têm causado.

     

    Praticamente a totalidade do território Guarani lhes foi retirado para dar espaço a fazendas de gado e plantações de soja e cana de açúcar. Os guarani sofrem violentos ataques sempre que  tentam voltar aos seus territórios ancestrais. Seus líderes são miras frequentes de pistoleiros e dezenas já foram assassinados. Este povo indígena registra um dos maiores índices de suicídio do mundo, e as crianças morrem de desnutrição porque o povo não tem terra para cultivar ou caçar.

     

    Fontes internas da Survival declararam hoje: “A Shell está ameaçando agravar uma das situações mais críticas dos povos indígenas do Brasil. Agora que a empresa sabe o que o seu sócio brasileiro está fazendo, esperamos que não queiram estar envolvidos no atroz roubo das terras Guarani”.

     

     A Survival escreveu a Shell sobre as atividades da Cosan que ferem claramente a Declaração dos Princípios Gerais de Negócios da Shell (em inglês).

    Leia o Código de Ética da Cosan (em inglês).

     

    Descargar el informe de Survival a la ONU sobre la situación de los guaraníes de Mato Grosso do Sul, Brasil (en inglés).

     

    http://www.survival.es/noticias/6527

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  • 29/09/2010

    Declaração pública de acadêmicos e estudantes brasileiros em apoio à greve de fome Mapuche

    Estamos acompanhando, há mais de dois meses, a delicada situação que vivem os 32 presos políticos mapuche que mantêm uma greve de fome em diversos sistemas penitenciários chilenos. Esta ação pretende denunciar as irregularidades dos processos judiciais que os afetam, como conseqüência da aplicação da Lei Antiterrorista – antiga normativa de segurança interior do estado, instituída pelo governo militar, em 1984 – frente as legítimas manifestações de reivindicação forjadas por diversas comunidades mapuche que vêm lutando pela restituição de seus territórios ancestrais usurpados e pelo reconhecimento de seus direitos fundamentais.

     

    O rigoroso processo de criminalização do movimento mapuche – pelo qual 58 pessoas têm sido processadas, das quais 5 se encontram condenadas, 42 em prisão preventiva e 11 cumprindo medidas cautelares – se caracteriza pela aplicação de procedimentos que atentam contra as leis e tratados internacionais assinados pelo Chile, tal como foi reconhecido pela fiscal da Corte Suprema, Mónica Maldonado. Ações como: tortura aos detidos, montagem ilegítima de “provas” de incriminação, invasões ilegais de domicílio, manipulação de testemunhas sob proteção, violência policial excessiva, entre outras ações, formam parte das irregularidades constatadas nos processos judiciais em andamento.

     

    É claro, no entanto, que isto não se trata de uma conjuntura particular. O uso da violência contra o povo mapuche vem se desdobrando, há vários anos, também no âmbito das comunidades. A militarização das áreas em conflito e a atuação da polícia chilena, em muitos casos, como defensora dos grandes empresários do agronegócio, causaram um derramamento de sangue unilateral e impune, que já ocasionou a morte, nos últimos anos, de três jovens mapuche: Alex Lemún, Matías Catrileo e Jaime Mendoza Collío.

     

    Em função da nossa ligação com o mundo acadêmico brasileiro e preocupados com as atuais condições do povo mapuche, assim como aderindo às numerosas manifestações de solidariedade internacional sobre suas demandas, nós, os abaixo assinantes, nos permitimos exigir do Estado chileno 1) respeitar os tratados e convênios internacionais assinados (especialmente a Declaração Universal de Direitos Humanos e o Convênio 169 da OIT); 2) desmilitarizar o território mapuche; 3) modificar a Lei 18.314 sobre condutas terroristas; 4) respeitar o direito das pessoas a um processo judicial equitativo e 5) atender de forma imediata às exigências colocadas pelos mapuche em greve, procurando evitar um final trágico.

     

    Nas proximidades das comemorações do Bicentenário do Chile, deve haver, certamente, alguns cidadãos – em particular aqueles que têm sido tratados como cidadãos de segunda categoria –, que não terão nada a festejar. É necessário, portanto, criar de forma definitiva as instâncias políticas, sociais e culturais para reconhecer e saldar a dívida histórica contraída pelo Estado chileno com os mapuche e com as diversas populações originárias que habitam o território nacional. Acreditamos que esse seja o único caminho possível para garantir o futuro de uma sociedade realmente democrática e intercultural.

     

    CAMPINAS, 09 de Setembro de 2010

    ASSINAM A DECLARAÇÃO

    Alexander Hilsenbeck, Estudante Em Ciências Políticas Da Universidade Estadual De Campinas

    Aliádne De P Damazio, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Alieth Sirlene Pereira Cavassa, Estudante Do Instituto De Química – Universidade Estadual De Campinas.

    Aline Corrêa Freitas, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Aline R. Coselea, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Aline Yuri Hasegawa, Pesquisadora Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Allan Michel De Souza, Estudante De Biologia – Universidade Estadual De Campinas

    Ana CRC Souza, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Ana Cruz Correa, Estudante Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas, CEMARX Centro De Estudos Marxistas

    André Luiz Ferreira Da Silva, Advogado – Mestrando Pela Universidade De São Paulo (USP) Escola Superior De Agricultura Luiz De Queiroz- ESALQ. Pós-Graduação Em Ecologia Aplicada – CPGI-EA (ESALQ E CENA).

    Andrea Bertelli Peres, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Andréa Peres, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas Universidade Estadual De Campinas.

    Andrei Felipe Campanini, Estudante Em Historia – Universidade Estadual De Campinas

    Ángela Sandolval, Intercambista da Universidad Autonoma Metropolitana na Universidade Estadual de Campinas.

    Angelo Remedio Neto, Universidade Estadual De Campinas

    Aníbal Rocha De Carvalho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas Universidade Estadual De Campinas.

    Ariadny Rocha, Estudante Da Facultad De Educação, Grupo Historia, Educação E Sociedade No Brasil – Universidade Estadual De Campinas

    Augusto De Arruda Postigo, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Barbara Furlan Tozzi, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Barbara Malonoglia, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.
    Bárbara Nascimento De Oliveira, Estudante De Comunicação Social – Jornalismo – Universidade Federal De Sergipe

    Beatriz M Yonamine, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Beeroth De Souza, Estudante Da Faculdade De Educação Física – Universidade Estadual De Campinas

    Bela Feldman-Bianco, Docente Do Departamento De Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Centro De Estudos De Migrações Internacionais IFCH-UNICAMP

    Bernardo Mendes Ribeiro, Estudante Em Pedagogia – Universidade Estadual De Campinas

    Bruna Alem Santinho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Bruna Louzada Bumachar, Mestranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Bruno Francisco De Sales Martim Martins, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Bruno G Ximenes, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Bruno Santana, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Bryan Felix Da Silva De Moraes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Caio Matsui, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Camila Godoy, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Camila Rocha Firmino, Estudante Em Antropologia – Universidade Federal De São Carlos

    Carla Cristina F Barbosa, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Carlo Romani, Docente Historia Contemporânea – Universidade Federal Do Estado Do Rio De Janeiro, Docente Relações Internacionais – Universidade De Ribeirão Preto,. Integrante Do Coletivo Alternativa Verde.

    Carlos Andrade Rivas, Gutierrez Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo, Núcleo De Antropologia Urbana.

    Carlos Eduardo Amorim Camões, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Carlos Eduardo Henning, Doutorando Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Carolina Barbosa Filho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas
    Carolina Manarca Cerniak, Intercabista da Universidad Nacional Del Litoral (Argentina) na Universidader Estadual de Campinas

    Carolina Milanez, Universidade Estadual De Campinas

    Carolina Perini De Almeida, Cientista Social – Universidade Estadual De Campinas, Centro Interno De Estudos Rurais, Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena-Unicamp

    Caroline Himmelreich Ayala, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Caroline Maria Florido, Pedagogia, Grupo Historia, Educação E Sociedade No Brasil – Universidade Estadual De Campinas

    Clarissa Rocha De Melo, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Federal De Santa Catarina , Núcleo De Estudos Sobre Populações Indígenas

    Claudene F. A. Pereira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Clerbe Souza, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Cristiane Santos Souza, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisadora Núcleo De Pesquisa E Estudos Sobre Juventudes, Identidades, Cidadania E Cultura – Universidade Católica De Salvador.

    Cristina Antonioevna Dunaeva, Doutoranda Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas. Docente De História Da Arte Universidade Regional Do Cariri- URCA– CE.

    Daniel Bargagli, Estudante Do Instituto De Geociência – Universidade Estadual De Campinas

    Daniel Picoli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Daniela Ribas Ghezzi, Doutoranda Em Sociologia – Universidade Estadual De Campinas.

    Danielle Consolino, Estudante Do Instituto De Estudos Da Linguagem – Universidade Estadual De Campinas

    Denia Román Solano, Doutorando – Programa De Pós-Graduação Em Antropologia – Universidade Federal De Santa Catarina, Pesquisadora Do Instituto De Investigaciones Sociales – Universidad De Costa Rica.

    Desirée De Lemos Azevedo, Mestranda Em Antropologia Social Universidade – Estadual De Campinas, Pesquisadora Centro De Estudos Migratórios- Unicamp.

    Diana Nascimento Moraes Novaes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Diego Amoedo Martínez, Estudante Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Diego N. Bertazzoli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.
    Diego Santiago Ortiz Lopez, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Diego Tosta De Siqueira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Dil Bartolo Lía Constanza, Intercambista – Universidad Nacional De Mar Del Plata (Argentina) na Universidade estadual de Campinas

    Edna Maria De Araujo, Coordenadora Do Grupo De Pesquisa Núcleo Interdisciplinar De Estudos Sobre Desigualdades Em Saúde – Universidade Estadual De Feira De Santana – Bahia, Brasil

    Eric Krahembull De Oliveira, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Érica Giesbrecht, Doutorando Em Música – Universidade Estadual De Campinas

    Erika Moreira, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Ernenek Mejía, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Estevam F De Souza, Estudante Do Instituto De Física – Universidade Estadual De Campinas

    Eugenio Rodrigues Rosa Do Nascimento, Estudante De Física – Universidade Estadual De Campinas

    Fabiana C Rodrigues, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Fabiana De Andrade, Mestranda Do Programa De Pós Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Fábio Baqueiro Figueiredo, Doutorando Em Estudos Étnicos E Africanos – Universidade Federal Da Bahia, Pesquisador Grupo De Pesquisa África: História E Identidades.

    Fabio Luis Barbosa Dos Santos, Professor De Historia Da America – Universidade De Guarulhos Brasil

    Felipe Dalcin, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Felipe F. Vander Velden, Docente Departamento De Antropologia – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Do Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Fernanda Akemi Pereira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Fernanda Nogueira, Mestre Departamento De Teoria Literária E Literatura Comparada – Universidade De São Paulo, Red Conceptualismos Del Sur

    Fernanda Rafael De Souza Cruz, Estudante Da Faculdade De Engenharia Civil Arquitetura E Urbanismo – Universidade Estadual De Campinas

    Flávia Merlotti Paniz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Flávia Pereira Da Silva, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Franciane M Da Costa, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Franck Seguy, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas, Grupo De Pesquisa Sobre Política E Direito – Universidade Estadual De Campinas

    Fransisco Antunes Caminati, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Gabriel Lima De Oliveira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Gabriel Lutt, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Gabriela Zanotto Bosshard, Estudante Do Instituto De Química, Universidade Estadual De Campinas

    Geisel Bento Julião, Povo Indígena Wapichana, Mestrando Em Educação – Pontifícia Universidade Católica De São Paulo. Membro Da Organização Dos Professores Indígenas De Roraima.

    Geraldo Augusto Pinto, Pós-Graduação Em Sociedade, Cultura E Fronteiras – Universidade Estadual Do Oeste Do Paraná.

    Guilherme Righetto Lopes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Guilherme Silva, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Guilherme Zacura Neto, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Héctor Guerra Hernández, Doutorando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Helena Cavalcanti Schiel, Doutoranda – Laboratoire D´Anthropologie Sociale – EHESS.

    Hugo Ciavatta, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Inaiá M A Bonelli, Universidade Estadual De Campinas

    Íris Morais Araújo, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo, Pesquisadora Do Núcleo De História Indígena E Indigenismo -USP.

    Isadora Werneck De Andrade, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Janaina Roberta Pereira Costa, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Jimena Pichinao, Mestranda Em Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp. João Henrique Galvão, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    João Manoel Da Silva Magalhães, Estudante Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas

    John Manuel Monteiro, Chefe Do Departamento De Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Do Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Jorge Mauricio Herrera Acuña, Estudante Do Programa De Pós Graduação Em Antropologia Social- Universidade De São Paulo.

    José Leonardo De Souza Lima, Estudante Da Universidade Federal Da Paraíba, Centro De Referência De Direitos Humanos – UFPB

    José Onesio Ramos, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    José Quidel Lincoleo, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Julia Ferreira Scavitti, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Juliana Da Silva, Universidade Regional Do Cariri- URCA.

    Juliano Volpato, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Karen De Andrade, Estudante Instituto De Estudos De Linguagem – Universidade Estadual De Campinas

    Larissa De Souza Pereira, Estudante Doutorado Em Biologia, Departamento Botânica – Universidade Estadual De Campinas

    Larissa Nadai, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Leandro Cardoso, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Leandro Oliveira Ferreira, Estudante De Comunicação Social – Jornalismo – Universidade Da Amazônia

    Lenina Alejandra Valenzuela Acuna, Doutorado Em Física – Universidade Estadual De Campinas

    Leonardo Coutinho Rodrigues, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Letícia Graciano Nunes, Estudante Em Artes Visuais – Universidade Estadual De Campinas

    Letícia P De Marchi, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Lidia Raizer, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas
    Liliana Lopes Sanjurjo, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Liliana Rolfsen Petrilli Segnini, Departamento De Ciências Sociais. Faculdade De Educação E Doutorado Em Ciências Sociais. IFCH – Universidade Estadual De Campinas

    Lívia C G Moraes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Lucas Alves Ferreira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luciana Ramirez Da Cruz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Lucybeth Camargo De Arruda, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisadora Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Luis Abner Silva Espinoza, Estudante De ENGENHARIA MECANICA – Universidade Estadual De Campinas

    Luís Fernando Rosa, Instituto De Biologia – Universidade Estadual De Campinas.

    Luis Fernando West, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luisa S. M. Coan, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luísa Valentini, Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo

    Luiz Cruz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luiz Fernando Moreno De Lima, Estudante Do Programa Ciências Biológicas – Universidade Estadual De Campinas

    Luma Feboli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Luriatan Felipe Muniz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Maíra Cavalcanti Vale, Estudante Da Pós-Graduação Em Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas.

    Marcela Pergolizzi, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Marcelo Grassi Corrêa, Estudante De Engenharia Florestal – Universidade Estadual De Goiás

    Marcelo Miney Mendes, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas
    Marco Antonio Perruso, Prof. Sociologia – Universidade Federal Rural Do Rio De Janeiro, Núcleo De Análises Em Políticas Públicas – UFRRJ

    Marcos Alexandre Dos Santos Albuquerque, Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social Centro De Filosofia E Humanidades – Universidade Federal De Santa Catarina, Núcleo De Estudos Das Populações Indígenas

    Marcos Vinícius Santos Dias Coelho, Doutorando Em História Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Estudos Da Cultura- Unicamp.

    Maria Andrea Dos Santos, Estudante Do College Of Liberal Arts – Department Of Anthropology/African Diaspora Program – University Of Texas At Austin (USA).

    Maria Bernardete F. F. Campos, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Maria Emilia Rodrigues De Castro, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Maria Rosário Gonçalves De Carvalho, Profa. Associada, Departamento De Antropologia, Faculdade De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Federal Da Bahia.

    Mariana Borges, Estudante Da Faculdade De Letras Eixo De Escrita Criativa – Pontifícia Universidade Católica Do Rio Grande Do Sul

    Mariana Conti Takahashi, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

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  • 29/09/2010

    Construir para destruir

    Karina Miotto

     

    O governo federal está convicto de que investir em hidrelétricas na Amazônia é um bom negócio. “Para quem?”, questionam-se ambientalistas e pesquisadores, além de populações que serão atingidas por obras megalômanas como Santo Antonio e Jirau, em andamento no rio Madeira (RO), e de outras dez planejadas para os rios Teles Pires (MT) e Tapajós (PA), cada uma com cinco usinas, além de Belo Monte, no Xingu (PA). Há quem diga que elas podem selar a destruição da floresta. O presidente Lula parece não se incomodar, e deu sinal verde para outras Usinas Hidrelétricas de Energia (UHEs) para a região.

     

    A quantidade exata é incerta, pois nem órgãos oficiais como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, consegue responder quantas obras deste porte estão previstas para a Amazônia brasileira. Os números do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, por exemplo, referem-se genericamente apenas à “região norte”.

     

    Para fechar o quebra-cabeças, a ONG International Rivers analisou documentos oficiais e chegou a uma conclusão de assustar: afirma que o governo planeja construir 68 empreendimentos na Amazônia brasileira, entre UHEs e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Não à toa, a EPE afirma que 66% do potencial hidrelétrico a ser explorado no país está na floresta. “A destruição tem um custo alto que não está sendo levado em conta. É óbvio que o governo não estudou impactos de todas as barragens planejadas e nem debateu isto com a população, antes de fazer seus planos”, diz Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

     

    Ao ofertar energia, criam-se condições para que mineradoras e metalúrgicas tenham interesse em explorar os recursos da região amazônica. "Querem transformar o Brasil em fornecedor de energia barata para multinacionais. Esta é uma atitude colonialista baseada na guerra econômica e não nas necessidades sociais", afirma Oswaldo Sevá, professor das faculdades de engenharia mecânica e de ciências sociais da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

     

    “A construção de UHEs não se justifica por geração de empregos ou desenvolvimento local, mas por negócios lucrativos, que é o que o capitalismo precisa para se recuperar de uma crise estrutural", complementa Sevá. "Se juntarmos todas as intervenções planejadas, teremos uma verdadeira hecatombe de consequências imprevisíveis. Hidrelétricas podem destruir a Amazônia" afirma Telma Monteiro, coordenadora de energia da Associação Kanindé, que atua em questões indígenas.

     

    UHEs e seus impactos socioambientais

     

    Impactos ambientais e sociais estão intrinsecamente ligados. “Parte da população que não está nas cidades e mesmo quem mora em áreas urbanas depende direta ou indiretamente dos rios para sobreviver. Os impactos vão muito além das áreas afetadas”, afirma Raul do Valle, advogado do Instituto Socioambiental (ISA). “É inconcebível impactar tanto a floresta sendo que a própria região não se beneficia dessa geração de energia”, complementa Ricardo Baitelo, da Campanha de Energia do Greenpeace.

     

    “Na Amazônia, a construção de UHEs é mais problemática do que em outras regiões do país. É fatal”, diz Baitelo. Deslocamento de populações indígenas e tradicionais, migração e caos na infraestrutura urbana são alguns exemplos de consequências sociais drásticas. Do ponto de vista ambiental, há alteração da vazão do rio, da qualidade da água, impactos para a viabilização da obra (como construção de estradas, o que gera desmatamentos), danos à biodiversidade que podem chegar à extinção de espécies e emissão de gases como CO2 e metano.

     

    Fearnside afirma que “é expressiva a emissão de gases de efeito estufa por hidrelétricas amazônicas”. Ele explica que reservatórios em regiões tropicais, como é o caso da Amazônia, têm grandes áreas com vegetação herbácea: de fácil decomposição, cresce rapidamente e produz metano, um gás 25 vezes mais nocivo do que o CO2 para o aquecimento global – uma prova de que a propalada energia limpa das usinas é um tanto quanto questionável.

     

    (Maus) exemplos históricos

     

    Nas usinas do rio Madeira, antes mesmo de as obras começarem já houve aumento de migração, trânsito e violência em Porto Velho (RO). Conforme explica Fearnside, em 1990 e aos seis anos de idade, a usina de Tucuruí (PA) liberava mais gases de efeito estufa do que a cidade de São Paulo.  "Estas usinas, somadas às de Balbina (AM), Samuel (RO) e Estreito (TO) são desastrosas do ponto de vista socioambiental", complementa Sevá, da UNICAMP.

     

    Para Baitelo, o governo opta por grandes obras a fontes menos impactantes por algumas razões. “É uma questão cultural, de knowhow e de desconfiança quanto ao potencial de energias renováveis, mas também tem o lado político, que envolve superfaturamentos e lucro de empreiteiras".

     

    Estes são quesitos presentes na polêmica construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que atropelou pesquisas econômicas e ambientais em nome do interesse do governo brasileiro. Se for  construída, praticamente secará 100 km da Volta Grande do rio Xingu, extinguirá espécies de peixes, deslocará até 40 mil pessoas e alagará uma parte da zona urbana, além de ser ineficiente do ponto de vista energético: durante a maior parte do ano produzirá 40% da energia prometida de, no máximo, 11 mil MW. “Por isso, o governo está bancando. Ninguém quer assumir o risco, pois não existem garantias de retorno financeiro e nem de compensações de perdas", diz Sevá. Quem pagará a conta será o cidadão brasileiro. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bancará até 80% do total de R$ 19,6 bilhões dos custos.

     

    "Belo Monte vem da época da ditadura, em que não havia freios nem espaço para resistência. É uma vergonha do ponto de vista de engenharia e também ético. Há 30 anos ouvimos mentiras: a obra não será barata, mas caríssima; dados do governo mudaram três vezes a área alagada – de 430 km2, foi para 516 km2 e agora está em 640 km2; é mentira que vai atingir poucas pessoas e que, se não for feita, pode haver apagão; não vai promover o desenvolvimento de Altamira e não existe compromisso de reassentar ninguém", afirma Sevá.

     

    As polêmicas vêm de outras ações arbitrárias do próprio governo, o que explica as nove ações judiciais movidas pelo Ministério Público Federal devido a irregularidades no processo. "Se ganharmos uma delas, a obra nem começa. Belo Monte não é um fato consumado, como tem sido propagado", afirma Felício Pontes Jr, procurador da república no Pará. Para ele, “esta é a obra mais cara do país, fica no coração da Amazônia e é completamente ineficiente”.

     

    A Amazônia não precisa de hidrelétricas

     

    De acordo com Baitelo, a média de radiação solar na Amazônia é superior à da Alemanha, país com mais painéis instalados, ao lado da Espanha. “Roraima e Pará poderiam utilizar a eólica. A energia gerada seria quatro vezes maior do que de qualquer das UHEs que estão sendo construídas no Madeira. Isso sem falar na biomassa", explica. Além disso, em UHEs muita gente trabalha por pouco tempo, o que não acontece no caso de energias renováveis, pois é preciso manter a mão de obra em toda a cadeia.

     

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  • 29/09/2010

    MPF/TO propõe ação civil pública contra Funasa para garantir direitos de indígenas à saúde

    O Ministério Público Federal no Tocantins propôs ação civil pública em desfavor da União e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa/TO) com o objetivo de garantir que as comunidades indígenas residentes no estado recebam tratamento adequado à sua saúde, assegurando ações básicas a partir do provimento integral do quadro das Equipes Multidisciplinares de Atenção à Saúde Indígena. A ação ressalta que a situação da saúde indígena é alarmante e exige intervenção urgente do Poder Judiciário em salvaguardar o direito à saúde dos povos indígenas que vivem no Tocantins.

     

    Em caráter de antecipação de tutela, o MPF/TO requer da Justiça Federal que a União, por intermédio da Funasa, seja obrigada a realizar no prazo de seis meses concurso público para o preenchimento dos cargos necessários à prestação eficiente de saúde, estabelecendo-se vencimentos compatíveis com os praticados pelo Governo Federal para profissionais da área. Durante este prazo, as equipes sob seu controle administrativo e gerencial devem ser mantidas em atividade, inclusive quanto ao cumprimento da carga horária prevista, à eficiência e ao pagamento da remuneração correspondente.

     

    Também por meio da Funasa, a União deve disponibilizar um veículo por equipe para o transporte dos profissionais da saúde até as aldeias. No prazo de 12 meses, devem ser instalados postos de saúde em todas as aldeias definidas no Plano Distrital. O mesmo Plano Distrital deverá trazer definição das ações voltadas ao saneamento básico nas comunidades indígenas abrangidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI/TO.

     

    Por meio do Ministério da Saúde, é requerido que a União suspenda as transferências dos recursos destinados ao financiamento das equipes de Saúde Indígena para os municípios antes destinatários, repassando-os diretamente para a Coordenação Regional da Funasa no Tocantins, para que esta assuma os compromissos financeiros com o pagamento das remunerações dos profissionais de saúde. Também é requerida a fixação de multa no valor de R$ 510,00 mensais por família indígena integrante do DSEI/TO, que deverá ser revertida à própria comunidade para enfrentamento de suas necessidades fundamentais.

     

    Precariedade no atendimento aos indígenas

     

    A ACP integra procedimento que tramita na Procuradoria da República no Tocantins para apurar ou buscar garantir acesso aos serviços básicos de saúde às comunidades indígenas, ao qual já estão apensados diversos outros procedimentos, todos com objetos correlatos. Estes procedimentos visam apurar reclamações quanto ao atendimento à saúde indígena prestado pela Funasa/TO, especialmente no que diz respeito ao transporte de indígenas para os locais de atenção à saúde e das equipes multidisciplinares até às aldeias, bem como da estruturação dessas equipes e sua remuneração.

     

    Durante audiências públicas realizadas para debater o tema e em denúncias às autoridades de diferentes esferas da administração pública, foi explicitada a insatisfação dos indígenas com os órgãos responsáveis por lhes garantir uma melhor qualidade de vida, com preocupação especial com as crianças. Representantes dos povos indígenas do Tocantins apontam a ausência de veículos para o transporte de equipes multidisciplinares. O transporte dos índios para as cidades até mesmo para atendimentos simples leva a uma série de outros problemas, tais como o alcoolismo.

     

    Em relação à capacitação das equipes multidisciplinares, é apontado que a alta rotatividade faz com que profissionais devidamente treinados desapareçam do sistema, sendo substituídos por profissionais sem treinamento, situação comum a todas as aldeias que integram o DSEI/Tocantins. Faltam quase todas as especializações. A remuneração dos profissionais que atendem à saúde indígena também é inferior à que outros profissionais equivalentes recebem no próprio serviço público. O salário previsto para um médico de 20 horas semanais é de R$5.500,00 quando médicos no Estado do Tocantins que trabalham para o Programa de Saúde na Família chegam a receber remuneração equivalente a R$18.000,00.

     

    O saneamento básico também é precário, o que impacta diretamente a prevenção e controle de doenças. Serviços de saneamento adequados contribuem para minimizar riscos à saúde pública. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada para investigar a morte de crianças indígenas por subnutrição em 2005, apontou em seu relatório que por falta de mobilidade das equipes multidisciplinares de saúde, houve aumento de morbidade, casos de diarreias e infecções respiratórias agudas e, em algumas áreas, de desnutrição. Apesar da comoção que as mortes das crianças indígenas causou, o drama dos povos indígenas permanece, com óbitos já neste ano de 2010.

     

    Direitos garantidos por lei

     

    Os diversos procedimentos administrativos instaurados permitiram apurar que a Funasa jamais estruturou adequadamente as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena, estando todas carentes de profissionais. Ao contrário do que consta na própria legislação (portaria do Ministério da Saúde nº 2.656 de 17 de outubro de 2007), as comunidades indígenas não são atendidas nas aldeias, e para fugir à responsabilidade da contratação, a Funasa transfere a alguns municípios o ônus de contratar os profissionais para as equipes, o que é feito de forma irregular. A Funasa também não dotou as aldeias, pelo menos as maiores e de referência para as outras, com postos de saúde equipados e dotados de profissionais, e existe grande carência de saneamento básico e abastecimento de água nas aldeias.

     

    O acesso à saúde dos povos indígenas reclama um modelo adequado à diversidade de seus valores culturais, que atenda aos princípios do controle social, da integralidade e da universalidade próprios do Sistema Único de Saúde, mas também de diferenciação, especificidade e tradição cultural que lhe são peculiares. O Congresso Nacional já aprovou a Lei nº 9.836 de 23/09/99, conhecida como Lei Arouca, que regulamenta o subsistema de atenção à saúde indígena no âmbito do SUS. Com o estabelecimento do SUS, a responsabilidade de toda a estrutura de Estado relacionada ao atendimento à saúde indígena, incluindo as unidades de saúde, os funcionários e os recursos orçamentários, passou a ser da Funasa.

     

    A Portaria nº 254, de 31 de janeiro de 2002, instituiu a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), prevendo a adoção de um modelo complementar e diferenciado de organização dos serviços – voltados à proteção, promoção e recuperação da saúde – que assegurasse aos índios, em última análise, o direito à vida.

     

    Clique aqui para ter acesso à íntegra da ação.

     

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  • 28/09/2010

    Santa Catarina: em decisão, desembargador federal privilegia direito originário do povo Guarani Mbyá às suas terras tradicionais

    O desembargador federal Fernando Quadros da Silva deferiu pedido contra suspensão das portarias declaratórias das Terras Indígenas Tarumã, Morro Alto, Piraí e Pindoty, do Grupo Indígena Guarani Mbyá, em Santa Catarina.

     

    De acordo com o desembargador, “O direito dos índios sobre as terras tradicionalmente ocupadas por suas comunidades é originário, reconhecido pela Constituição Federal, e prepondera, como referiu o Supremo Tribunal Federal, sobre direitos privados, direitos adquiridos, inclusive sobre a propriedade registrada em escritura pública”, afirma.

     

    Ele também desconsiderou as alegações de irregularidade no processo administrativo de demarcação, já que, de acordo com a legislação, o processo administrativo de demarcação tem efeito declaratório do direito originário dos povos indígenas às suas terras tradicionalmente ocupadas. Contrariamente a eventuais títulos de aquisição da propriedade, o direito dos indígenas às suas terras é “originário”, ou seja, advém da existência anterior destes povos no território nacional.

     

    Interesses particulares

     

    No final de agosto, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, havia suspendido as portarias declaratórias das terras indígenas Guarani Mbyá Morro Alto, Piraí, Tarumã e Pindoty, nos municípios de São Francisco do Sul e Araquari, em Santa Catarina.

     

    Com ações judiciais contra demarcação de terras indígenas, donos de terras, empresários de marcas como a Karsten e a Fundição Tupy, conseguiram atravancar o processo demarcatório destas terras. Cerca de 300 pessoas entraram com ações, representadas pela Associação de Proprietários Interessados em Imóveis nas Áreas Indígenas no Norte de SC (Apis) e o juiz da 1ª Vara Federal de Joinville deferiu a ação, suspendendo os efeitos das portarias assinadas pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro, em 2009.

     

    Leia a decisão na íntegra:

     

    http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=trf4&documento=3747573&hash=5b3574919c72b00b2ad28a62bde4afed

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  • 28/09/2010

    Carta denúncia sobre a cooptação de indígenas

    Carta denúncia sobre a cooptação de indígenas

    Brasília – DF, 24 de setembro de 2010

     

     

    Ao Ministério Público Federal – MPF

     

     

    A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), organização representativa e articuladora dos povos indígenas desta região, criada para defender e promover os seus direitos, vem a público manifestar veementemente sua indignação contra a ação da empresa Eletronorte de presentear as lideranças indígenas da região de Altamira/PA, para apoiar a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

     

    Tal fato foi narrado à COIAB por lideranças indígenas da região durante um evento entre os dias 04 e 07 de junho de 2010, em Altamira/PA e numa visita do coordenador geral da Coordenação, Marcos Apurinã, às aldeias que serão impactadas pela obra. Os envolvidos nas negociações alegaram receber ameaças da Eletronorte, uma das empresas responsáveis pela construção de Belo Monte, que também chantageia com a retirada da assistência de saúde, da FUNAI, entre outros benefícios, se eles se manifestassem contra Belo Monte.

     

    O relato foi publicado várias vezes em grandes veículos de comunicação, como o jornal Folha de S. Paulo, que afirmou “líderes Xicrins têm recebido cestas básicas, aluguel de barcos, motores e até casas alugadas em Altamira (PA). Estima-se que os presentes tenham custado R$  400 mil”.

     

    A COIAB teve acesso também a um documento de uma reunião que houve entre a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), lideranças indígenas de algumas aldeias impactadas pela AHE Belo Monte e a Eletronorte, entre os dias 09 e 10 de setembro de 2010. Na ata da reunião, a FUNAI afirma ter assinado junto à Eletronorte um termo de compromisso visando o fortalecimento em longo prazo dos programas abrangentes aos povos presentes no parecer. O documento cita que quando chegarem as compensações, as comunidades têm que estar preparadas para entender como funciona a administração desse recurso. A ata relata ainda que “todos os equipamentos adquiridos nessa primeira fase são emergenciais (…) para começar a trabalhar na precaução desses problemas que as terras indígenas com certeza terão com o empreendimento de Belo Monte”.

     

    Ciente do posicionamento contrário dos povos indígenas à construção de Belo Monte, o governo brasileiro tem assumido uma postura negligente e desrespeitosa com os povos indígenas, uma vez que além de violar integralmente os direitos dos  povos indígenas garantidos na Constituição Federal e na legislação internacional (Convenção 169 OIT e Declaração da ONU), que exige consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas em caso de empreendimentos que afetem suas vidas, o governo tem permitido também que a Eletronorte “compre” os indígenas.

     

    Belo Monte, segundo especialistas, é inviável do ponto de vista econômico, ambiental, social e cultural, pois poderá gerar impactos irreversíveis na flora, na fauna, na biodiversidade, e, sobretudo, na vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem na área de abrangência da usina.

     

    Desde que surgiu essa denúncia os indígenas antes unidos contra a usina, hoje estão com medo e temem prejuízos maiores que os impactos ambientais.

     

    Em razão desses fatos, a COIAB repudia e se manifesta contra a essas atitudes e a intenção do Governo de considerar os povos indígenas como empecilhos para o desenvolvimento do país, quando tudo o que querem é continuar preservando os ecossistemas e a biodiversidade, e, sobretudo, condições de vida digna e de qualidade dos povos e suas futuras gerações, bem como o bem-estar do planeta e da humanidade.

     

    Por tudo isso, reivindicamos que o governo brasileiro tome as providências necessárias e puna a empresa Eletronorte, impedindo-a de presentear as lideranças indígenas da região de Altamira/PA e ameaçar os indígenas para apoiar a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. 

     

     

    Coordenação Executiva da COIAB

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  • 28/09/2010

    Marcha de Mulheres pedirá pela liberdade dos presos político mapuche

    Depois da inciativa de 14 integrantes do grupo Alianza Territorial Mapuche que foram até a sede da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), em Santiago, no Chile, para tratar sobre a situação dos 34 presos políticos mapuche que estão em greve de fome há mais de dois meses, agora é a vez de as mulheres se organizarem pela causa mapuche.

    A reportagem é de Tatiana Félix e publicada por Adital, 27-09-2010.

    Na próxima quarta-feira (29) será realizada de Temuco à Santiago a Marcha das Mulheres pela Vida e Liberdade dos Prisioneiros Políticos Mapuche. Assim como outras manifestações que já aconteceram, a iniciativa tem como objetivo pedir pelo fim da Lei Antiterrorista, o fim do duplo julgamento nos Tribunais Civis e Militares e o fim das testemunhas protegidas e sem rosto.

    A decisão pelo ato foi tomada durante a Mesa de Diálogo Alternativa do Povo Mapuche, que aconteceu na última sexta-feira (24). Participaram dos diálogos as mães dos presos políticos em greve de fome, as mães dos jovens mapuche assassinados entre 2002 e 2009 e as mulheres do Movimento Autônomo Mapuche.

    Elas enfatizaram que a greve de fome está sendo realizada com o intuito de defender a preservação da "mãe Terra usurpada, que está gritando desde o mais profundo de suas entranhas, sobre a exploração, a contaminação e a desertificação a que tem sido submetida pelas grandes transnacionais de madeiras, água, energia e os derramamentos em nossas comunidades".

    Desde o último dia 23, os representantes do grupo Alianza Territorial Mapuche estão na sede da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), no Chile. Eles aproveitam a visita para entregar uma carta dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon e uma cópia para o Ministério das Relações Exteriores e para a Missão Permanente das Nações Unidas do Governo do Chile.

    A carta foi entregue pela Secretária Executiva da CEPAL, Alícia Bárcena, que visitou o grupo da Alianza Territorial que permanece nas instalações da CEPAL.

    Porém, os representantes do grupo mapuche foram informados pela CEPAL que, de acordo com a política institucional da ONU, o Secretário-Geral não pode considerar um pronunciamento público enquanto o grupo que permanece nesta Comissão não retirar.

    Manifestações atravessam as fronteiras

    A cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, no sul do Brasil, também será palco de uma manifestação pela causa dos mapuche, na próxima quinta-feira (30). Militantes dos direitos humanos, ativistas sociais, estudantes e outros, se reunirão em frente ao Consulado Chileno na cidade para entregar uma carta de apoio aos presos políticos, que estão sofrendo duras conseqüências por lutarem pelos seus direitos territoriais.

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