• 04/10/2010

    Eleição em Buerarema (BA): liderança indígena tupinambá é agredida por policial

    O indígena Zeno Tupinambá foi agredido com vários tapas e xingamentos por uma policial militar, neste domingo (3), quando entrava na cidade de Buerarema para votar. Zeno vinha num ônibus da comunidade Serra do Padeiro e foi interceptado pela policial, que o mandou descer do veículo e exigiu aos gritos e xingamentos, material de campanha, que ela dizia estar no carro.

    Zeno negou veementemente que haveria material de campanha no ônibus, mesmo sendo agredido com tapas e xingamentos pela policial. Depois das agressões a policial acabou liberando o veículo.

    Os indígenas já previam a situação e chegaram a enviar documentos para o Ministério Público solicitando apoio de segurança para garantir o direito de ir e vir e de se expressar no dia da eleição. Muitos boatos e ameaças haviam sido feitos à comunidade. Na sexta-feira (1), foram distribuídos panfletos por toda a cidade, discriminando os candidatos que diziam apoiar a luta do povo Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe de Pau Brasil. Os indígenas pedem que justiça seja feita e que as devidas providências sejam tomadas sobre estas e outras agressões em relação à comunidade.

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  • 01/10/2010

    Ganância e cumplicidade matam 13 trabalhadores no Pará

    A Coordenação Nacional da CPT, chocada com uma chacina de grandes proporções no Assentamento Rio Cururuí, município de Pacajá, PA, chama a atenção da sociedade brasileira para o clima de violência na região e responsabiliza as autoridades por novos massacres que possam ocorrer caso providências efetivas não forem tomadas.

     

    Entre os dias 17 e 19 de setembro, 13 trabalhadores do PA Rio Cururuí, foram assassinados num conflito que vinha sendo anunciado há tempo. A causa geradora desta estúpida violência são os interesses de madeireiras que, para obter lucros cada vez maiores, corrompem funcionários públicos e lideranças de assentamentos semeando a cizânia da ganância e da discórdia entre os assentados da reforma agrária e de outras comunidades.

     

    O assentamento Rio Cururuí foi criado pelo Incra em terras da União e implantado em 2005. A área, porém, era cobiçada pelas madeireiras. Em maio de 2007, a imprensa noticiou que pistoleiros ligados a madeireiros expulsaram dezenas de famílias da área, destruindo seus bens. As famílias que retornaram viviam dominadas pelo medo de novamente serem agredidas.

     

    As CPTs de Anapu e de Tucuruí, desde 2008, vêm recebendo denúncias de assentados sobre o abandono em que vivem. A isto se acrescentou um novo complicador.  Um grupo de 70 famílias começou a ser pressionado pelo Incra e pelos dirigentes do assentamento, ligado à Fetraf (Federação dos Trabalhadores  na Agricultura),  a deixarem a área na qual haviam sido colocados pelo Incra ainda em 2004, antes da implantação do assentamento, sob a alegação de ocuparem a área de reserva legal  do projeto. A reserva, porém, está sendo explorada por madeireiros, alguns presumivelmente sem a devida autorização de manejo florestal pois, em junho deste ano, o IBAMA e policias da Delegacia de Conflitos Agrários do Pará (DECA) prenderam 1.4 mil metros cúbicos de madeira retirados ilegalmente da área.

     

    As denúncias dos assentados repassadas à Ouvidora Agrária Nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) chegaram ao conhecimento dos que estavam sendo denunciados o que desencadeou o conflito que assumiu as dimensões de uma chacina.

     

    A Coordenação Nacional da CPT afirma que a política de manejo florestal que incide muitas vezes sobre áreas de assentamentos, ou de comunidades tradicionais, visa única e exclusivamente o crescimento econômico que se concentra nas grandes madeireiras. Estas utilizam de todos os instrumentos possíveis, legais e ilegais, para explorar a rica diversidade florestal de nosso país. Corromper funcionários públicos e lideranças das comunidades faz parte de sua estratégia. As comunidades camponesas e os assentados, na maior parte das vezes, são totalmente excluídos dos “benefícios” deste manejo.

     

    O que acontece hoje na Amazônia é a repetição do que ocorreu em todo o território nacional desde a época do Brasil Colônia. A natureza é vista como mera fonte de riquezas e é sistematicamente depredada para gerar divisas. As comunidades são espoliadas dos poucos bens que possam ter, quando não fisicamente eliminadas.

     

    A CPT vê ainda como uma outra fonte potencial de conflitos e violência a aprovação da MP 458, transformada na lei 11.952/09 que regulariza a grilagem de terras na Amazônia. Surgem, em diversos pontos, notícias de conflitos de interesses entre os que buscam a regularização e as famílias as comunidades que tradicionalmente ocupam aquelas terras.

     

    É hora de colocar um ponto final em tanta violência. Titular as terras e territórios das comunidades tradicionais e realizar uma Reforma Agrária ampla com a participação das comunidades e trabalhadores é condição sine qua non para que haja paz no campo

     

    Goiânia, 30 de setembro de 2010

     

     

    A Coordenação Nacional

     

    Maiores informações:

    CPT Tucurui – (94) 3787-2588

    CPT Nacional – Setor de Comunicação – (62) 4008-6412

     

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  • 30/09/2010

    Carta Aberta: Belo Monte e a palavra do presidente

    No dia 22 de julho de 2009, o presidente Lula recebeu no Palácio do Planalto uma delegação de lideranças indígenas e sociais, representantes da comunidade científica e o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler para uma audiência sobre a controversa megahidrelétrica de Belo Monte. Na ocasião, os representantes da sociedade civil expuseram ao Presidente uma série de questionamentos sobre os enormes riscos e impactos socioambientais de Belo Monte, bem como sobre a duvidosa viabilidade econômica do empreendimento. Ao final da reunião, Lula deu a sua palavra de que o governo federal "não enfiaria Belo Monte goela abaixo" de povos indígenas, movimentos sociais e outros grupos da sociedade brasileira. Assim, o Presidente afirmou que o governo estava aberto ao diálogo e, como um primeiro passo, seriam providenciadas respostas imediatas aos questionamentos sobre:

     

    – impactos sociais e ambientais do Complexo Belo Monte sobre os povos indígenas, ribeirinhos e outras populações locais da bacia do Xingu, especialmente no trecho de 100 km da Volta Grande do Xingu, que pode vir a ficar praticamente sem água com o desvio do rio;

     

    – a ineficiência energética do projeto, que na maior parte do ano só produziria 40% da energia planejada;

     

    – o valor dos investimentos necessários para o empreendimento e a sua viabilidade econômica, considerando os custos de construção, a reduzida capacidade de geração de energia e os reais custos de prevenção e mitigação de impactos socioambientais;

     

    – a tarifa a ser cobrada da população brasileira pela energia produzida por Belo Monte, assim como a utilização da mesma para subsidiar industrias eletro-intensivos, sobretudo para a fabricação de alumínio; e

     

    – garantias efetivas de que não serão construídas outras usinas no Rio Xingu, Altamira, Pombal e São Felix do Xingu, que teriam impactos sociais e ambientais cumulativos muito maiores, sobretudo para os povos indígenas.

     

    Desde a reunião de julho de 2009, o comportamento do governo federal tem sido o oposto daquele que foi prometido pelo presidente Lula. Enquanto todos os questionamentos acima ficaram sem resposta, o governo simplesmente tem se recusado a dialogar com a sociedade civil e outros atores, inclusive negando-se a participar em audiências públicas sobre Belo Monte organizadas em Brasília pelo Ministério Público Federal e pelas Comissões de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e do Senado.

     

    Mais grave ainda, tem ocorrido verdadeiras investidas contra instituições democráticas do país, construídas a duras penas ao longo de décadas, inclusive durante a ditadura militar. Alguns exemplos desse comportamento incluem:

     

    – audiências públicas realizadas de forma absolutamente irregular, em número insuficiente, para discutir um estudo de impacto ambiental incompleto e distorcido da realidade e sem adequada divulgação prévia, e sob um forte aparato policial repressivo;

     

    – descumprimento do artigo 231 da Constituição Federal e da Resolução 169 da OIT, que asseguram aos povos indígenas o direito ao consentimento livre, prévio e informado sobre grandes empreendimentos que afetam seus territórios e suas vidas;

     

    – concessão "política" da Licença Prévia para Belo Monte sob forte pressão da Casa Civil, contrariando pareceres das equipes técnicas do IBAMA e da FUNAI;

     

    – o uso de falsos argumentos por desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF1), invocando o fantasma de um apagão no setor elétrico, para justificar a derrubada de liminares concedidas por juízes contra a Licença Prévia e o leilão de Belo Monte, em favor de ações movidas pelo Ministério Publico Federal e entidades da sociedade civil;

     

    – ameaças pela Advocacia Geral da União – AGU contra juízes federais, procuradores da república e entidades da sociedade civil que têm movido ações judiciais contra irregularidades no licenciamento ambiental de Belo Monte;

     

    – alterações de última hora em leis e regulamentos financeiros para conceder um pacote inédito de crédito subsidiado, além de incentivos fiscais, com dinheiro do contribuinte brasileiro, para um empreendimento comprovadamente sem viabilidade técnica e econômica;

     

    – manobras por autoridades do governo para obrigar fundos de pensão de empresas estatais (Petros, Previ, Funcef) a investirem em Belo Monte, ignorando riscos financeiros para investidores e o desrespeito a diretrizes de responsabilidade socioambiental dos mesmos.

     

    No final de agosto, Lula assinou o Decreto de Outorga que permite a Contrato de Concessão para a UHE Belo Monte ao Consórcio Norte Energia. Na oportunidade, o Presidente afirmou que seu governo se diferencia de seus antecessores no tratamento de Belo Monte “por não ter medo de debater” com a sociedade civil (sic!). Tal comentário foi antecedido por declarações igualmente equivocadas numa recente visita a Altamira para “inaugurar” as obras de Belo Monte, onde o presidente hostilizou e procurou ridicularizar e desqualificar os questionamentos de críticos sobre a usina.

     

    No momento, o Governo Federal ensaia a aprovação de uma Licença de Instalação "parcial" – algo que inexiste na legislação ambiental brasileira – para as chamadas "instalações iniciais" de Belo Monte (canteiro, acampamento, linha de transmissão, travessões de acesso), na tentativa de tornar o empreendimento um "fato consumado".

     

    O Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anuncia que o banco vai conceder um empréstimo recorde de cerca de R$ 20 bilhões para financiar 80% das obras de Belo Monte. Com dinheiro emprestado do mercado financeiro internacional, o BNDES pretende aprovar um megaempréstimo com juros subsidiados (abaixo daqueles pagos pelo Tesouro), tudo por conta do contribuinte. Ao mesmo tempo, falta ao BNDES um mínimo de transparência sobre os critérios utilizados para a análise da viabilidade econômica e riscos financeiros de Belo Monte, inclusive relacionados aos impactos socioambientais do empreendimento.

     

    Pautado em visões ultrapassadas sobre desenvolvimento econômico incompatíveis com os desafios do século XXI e motivado por laços promíscuos com empreiteiras e interesses eleitorais que se sobrepõem ao interesse público, o governo de Lula descarta oportunidades para promover a eficiência energética e fontes alternativas de energia, enquanto ressuscita um autoritarismo aterrador que imaginávamos ter superado com o fim da ditadura militar.

     

    Se prevalecer a vontade do atual governo, será assinada uma sentença de morte do Rio Xingu e de seus habitantes, em flagrante descumprimento da Constituição Brasileira e de acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, tais como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção sobre Diversidade Biológica. É esse o Brasil que queremos? Em que situação ficará a democracia de um pais cujo presidente não honra a própria palavra, enquanto passa do discurso da “ética na política” para a “política da contravenção”?

     

    29 de setembro de 2010

     

    Assinam esta carta os seguintes participantes da reunião com o Presidente Lula em 22/07/09:

     

    – Antonia Melo da Silva – Coordenação do Movimento Xingu Vivo Para Sempre

    – Célio Bermann, Professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo

    – Dom Erwin Krautler – Bispo da Prelazia do Xingu e Presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    – Felício Pontes, Procurador da República, Ministério Público Federal – Pará

    – Idalino Nunes Assis – Representante das comunidades ribeirinhas do Xingu,

    – José Carlos Ferreira da Costa – Associação da Resistência Indigena Arara do Maia- Volta Grande do Xingu,

    – Lucimar Barros Silva – representante dos moradores da Agricultura familiar da Volta -Grande do Xingu,

    – Ozimar Pereira Juruna – representante da Aldeia Juruna Paquisamba – Volta Grande do Xingu

     

    Endossam esta carta as seguintes organizações da sociedade civil brasileira:

     

    ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais

    Amigos da Terra – Amazônia Brasileira

    Articulação de Mulheres Brasileira – AMB

    Associação Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins -APA-TO

    Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF

    Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé

    Associação de Desenvolvimento da Agroecologia e Economia Solidária – ADA AÇAÍ

    Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte – APROMAC

    Associação de Saúde Ambiental – TOXISPHERA

    Associação do Povo Indígena Juruna do Xingu

    Associação dos Agricultores da Volta Grande do Xingu

    Associação dos Índios Moradores de Altamira

    Associação Floresta Protegida

    Associação Global de Desenvolvimento Sustentado

    Associação Nacional de Ação Indigenista da Bahia

    Associação para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável – ADEIS

    Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes – APACC

    Associação Rádio Comunitária de Altamira – Nativa FM

    BankTrack

    CAMPA

    Centro de Defesa dos Direitos Indígenas de Altamira – CDDI

    Centro de Educação e Assessoria Popular – CEAP

    Centro de Pesquisa e Assessoria Esplar

    Centro de Referência do Movimento da Cidadania pelas Águas Florestas e Montanhas

    Iguassu Iterei

    Comitê de Desenvolvimento Sustentável Porto de Moz

    Comitê Dorothy

    Comitê em Defesa da Vida das Crianças Altamirenses

    Comitê Independente por Justiça Ambiental – C.I.J.A

    Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre, Belém/PA

    Conselho Indígena de Altamira – COIA

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    Conselho Municipal da Cidade de Porto Velho

    Conservação Internacional – Brasil

    Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB

    Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém –

    FAMCOS

    Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE

    Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB

    FEM- Fundação Irmã Elza Marques

    Fórum Brasileiro de Economia Solidaria – FBES

    Fórum Carajás

    Fórum da Amazônia Ocidental – FAOC

    Fórum da Amazônia Oriental – FAOR

    Fórum das Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP

    Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP

    Fórum dos Direitos Humanos Dorothy Stang Regional Transamazônica e Xingu

    Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

    Fórum Popular de Altamira

    Frente Cearense Por uma Nova Cultura de Água

    Fundação Tocaia

    Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP

    Greenpeace

    Grupo Ambientalista da Bahia – Gamba

    Grupo de Articulação dos Direitos Indígenas de Altamira

    Grupo de Defesa da Amazônia – GDA

    Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB

    Grupo de Trabalho Amazônico – GTA

    IBASE

    Instituto Amazônia Solidaria e Sustentável – IAMAS

    Instituto Ambiental Vidágua

    Instituto Brasileiro de Inovações Sociedade Saudável – IBISS-CO

    Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc

    Instituto de Pesquisas em Ecologia Humana

    Instituto Madeira Vivo – IMV

    Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS

    Instituto Socioambiental – ISA

    Instituto Terramar

    Instituto Universidade Popular UNIPOP

    International Rivers

    Iterei – Refugio Particular de Animais Nativos

    Justiça Global

    Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura

    Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

    Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA

    Movimento de Mulheres do Campo e Cidade do Pará

    Movimento de Mulheres Regional Transamazônica e Xingu

    Movimento de mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade

    Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

    Movimento Xingu Vivo para Sempre – MXVPS

    Núcleo Amigos da Terra Brasil

    Operação Amazônia Nativa – OPAN

    Organização Não Governamental Arirambas – ARIRAMBAS

    Organização pelo Desenvolvimento da Amazônia com Direitos Humanos – ONDAS-DH

    Organização Universalista em Direitos Humanos – U.S.O.S.

    Prelazia do Xingu

    Rede Alerta contra o Deserto Verde

    Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

    Rede Brasileira de Arteducadores

    Rede Brasileira de Justiça Ambiental

    Rede Jubileu Sul Brasil

    Sindicato das Trabalhadoras Domésticas Região Transamazônica e Xingu

    Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Altamira

    Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Porto de Moz

    Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Vitória do Xingu

    Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública Regional Transamazônica e Xingu

    Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará – SINTSEP/PA

    SINTEPP Altamira

    Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH

    Survival International

    Terra de Direitos

    Terræ Organização da Sociedade Civil

    União das mulheres indígenas da Amazônia Brasileira – UMIAB

    União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES)

     

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  • 30/09/2010

    Informe nº 933: Dom Erwin Kräutler recebe prêmio nobel alternativo

    Dom Erwin Kräutler é um dos quatro ganhadores do Prêmio Right Livelihood 2010, um prêmio Nobel Alternativo, que honra o poder de mudança nas bases. A entidade publicou a informação nesta quinta-feira (30). Segundo os organizadores, dom Erwin recebeu este prêmio "por uma vida dedicada ao trabalho com direitos humanos e ambientais dos povos indígenas, e por seu incansável esforço para salvar a Amazônia da destruição", diz a indicação do prêmio.

     

    Para dom Erwin, a alegria de receber o prêmio é muito grande. “Não estou feliz em meu nome, mas por causa da Amazônia e dos povos indígenas que merecem esse reconhecimento!”, declarou.

     

    Os outros premiados foram a organização israelense "Médicos para os Direitos Humanos-Israel", que atua em seu próprio país e na Palestina, o nigeriano Nnimmo Bassey, de 52 anos, que "revelou os horrores ecológicos e humanos da produção del petróleo", e o nepalês Shrikrishna Upadhyay, de 65 anos, em conjunto com a organização Sappros, que "trabalham contra as múltiplas causas da pobreza", segundo o júri.

     

    A coletiva de imprensa com os laureados de 2010 será realizada no Centro de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Suécia, em Estocolmo, no dia 6 de dezembro, às 9h30 (horário da Suécia). A Cerimônia de Premiação no Parlamento sueco será realizada no mesmo dia, às 18h.

     

    A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) havia encaminhado uma carta à fundação Right Livelihood Award ratificando a indicação do nome do bispo da prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, para o prêmio Nobel Alternativo dos Direitos Humanos em fevereiro deste ano. De acordo com a CNBB, a indicação é um gesto de reconhecimento à atuação “pastoral e profética” de dom Erwin “junto aos mais fracos e aos povos indígenas”.

     

    Para o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, esse prêmio é uma grande homenagem a dom Erwin e também honra muito a própria CNBB. “É um reconhecimento das instituições e da própria sociedade brasileira e para mim tem até uma significância maior, justamente por ser um Nobel Alternativo!”. Para dom Geraldo, é o reconhecimento da grande luta de dom Erwin na defesa da vida dos povos indígenas e da própria dignidade humana destes povos. “Dom Helder Câmara também recebeu esse prêmio na época em que vivíamos no regime ditatorial no Brasil, quando lhe foi negado o Prêmio Nobel da Paz. E agora, dom Erwin recebe esse mesmo prêmio! Quero parabenizar dom Erwin e também a nossa própria igreja, por ter em seu meio um lutador pela justiça social, pelo meio ambiente e pela vida dos povos indígenas!”, declarou.

     

    Uma vida pela vida

     

    Dom Erwin Kräutler nasceu na Áustria em 1939, tornou-se padre em 1964 e logo após foi para o Brasil como missionário. Em 1978, tornou-se um cidadão brasileiro (embora também mantendo a sua cidadania austríaca). Ele trabalhou entre os povos do Xingu, que inclue povos indígenas de diferentes etnias. Em 1980, dom Erwin foi nomeado bispo do Xingu, a maior diocese do Brasil. Entre 1983-1991, e desde 2006 é o presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entidade vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

    O trabalho de dom Erwin é guiado pelos ensinamentos da teologia da libertação. Ele ensina que um cristão tem que ficar do lado dos fracos e se opor a seus exploradores.

    Pelos direitos dos povos indígenas

    Durante cinco séculos, a população indígena do Brasil diminuiu fortemente – e a tendência de queda continua. Hoje as causas são bem conhecidas e documentadas, incluindo a violência direta (mas raramente investigada) em
    conexão com a apropriação de terras indígenas, grilagem de terras para a energia, mineração, indústria, agronegócio e projetos militares.

    Durante a presidência de dom Erwin Kräutler, o Cimi passou a ser um dos mais importantes defensores dos direitos indígenas, com foco em direitos à terra, a auto-organização e cuidados com a saúde em territórios indígenas. Em 1988, o intenso lobby do Cimi colaborou para a inclusão dos direitos dos povos indígenas na Constituição Brasileira. O Conselho também elevou a consciência dentro da Igreja sobre os povos indígenas e seus direitos.

    Desde 1992, além do trabalho com o Cimi, Kräutler tem continuado a trabalhar incansavelmente em defesa do Xingu. Os projetos que ele iniciou incluem a construção de casas para os pobres, funcionamento das escolas, a construção de uma instalação para as mães, grávidas, mulheres e crianças, fundando um "refúgio" para a recuperação após o tratamento hospitalar, ajuda de emergência, apoio jurídico e trabalhos sobre os direitos dos agricultores e demarcação de terras indígenas.

    Contra Belo Monte


    Por 30 anos, Kräutler tem sido muito ativo na luta contra os planos da
    enorme barragem de Belo Monte no rio Xingu, hoje fortemente promovida pelo Presidente Lula, que pode ser a terceira maior barragem do mundo. A represa pode destruir 1000 km quadrados de floresta, inundando um terço de Altamira (PA) e criando um lago de água estagnada, infestada de mosquitos nos cerca de 500 km², o que torna a vida no resto da cidade, muito difícil. Cerca de 30.000 pessoas teriam que ser realocados.

    Ameaças

     

     

     

    Carta da Assembléia Cimi Sul e Encontro Macro-Regional Sul-MS

     

    Com o objetivo de partilhar a caminhada , avaliar e aprofundar o processo formativo, tanto dos missionários como das comunidades indígenas e ainda, socializar os desafios e perspectivas do trabalho indigenista junto aos povos indígenas, os regionais do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Sul e Mato Grosso do Sul (MS), se encontraram, entre os dias 28 e 30 de setembro, na cidade de Laranjeiras do Sul, Paraná.

     

    O Sul e Centro-Oeste carregam uma trajetória importante na luta dos povos indígenas do Brasil. Em 1977, quando ocorria intensa depredação ambiental e confinamento de famílias indígenas, os povos implementaram ações que resultaram na retirada de centenas de famílias não indígenas invasoras de várias terras indígenas da região.

     

    Ao longo destes três dias, foi especialmente lembrada a situação vivida por dezenas de acampamentos Guarani nas beiras das rodovias, bem como, a violência sofrida pelas comunidades que voltam a suas terras tradicionais, tais como os recentes casos de Ypo’y (município de Paranhos) e Ita’y, (município de Douradina) no Mato Grosso do Sul. A grave situação de violência que sofreram e a tensão a que continuam submetidos exigem ações urgentes e coerentes do governo federal e ampla solidariedade nacional e internacional.

     

    Tendo presente essa memória de luta, como mística animadora, os regionais do Cimi Sul e MS compartilharam a conjuntura que enfrentam atualmente e reafirmaram seu compromisso solidário e profético junto aos povos indígenas dessas regiões.

     

    No encontro, fez-se uma profunda reflexão acerca dos projetos e empreendimentos que estão impactando as terras indígenas no Brasil. Os regionais refletiram a preocupação em relação ao avanço de grandes projetos que estão atrelados ao Programa de Aceleração do Crescimento e os desafios que existirão após o momento de eleição.

     

    Mas, apesar dos grandes desafios e enfrentamentos, os povos indígenas resistem com sua sabedoria, cultura e organização social. Neste sentido, o Tribunal Regional Federal, da 4ª. Região, através do desembargador Fernando Quadros, deferiu pedido contra a liminar concedida pelo juiz Cláudio Marcelo Schiessl da 1ª. instância da justiça federal de Joinville, SC, que suspendia os efeitos das portarias declaratórias das Terras Indígenas Pindoty, Morro Alto, Piraí e Tarumã, do grupo indígena Guarani Mbyá. Diante desta boa notícia, o Cimi Sul espera que o ministro da Justiça, Luis Paulo Barreto, que também suspendeu os efeitos das referidas portarias revogue seu ato administrativo e restabeleça seus efeitos assegurando normalidade ao procedimento de demarcatório das terras Guarani no litoral norte do Estado de Santa Catarina.

     

    Também a notícia da publicação das portarias declaratórias da Terra Indígena Buriti, do povo Terena, nos municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolância, bem como, a portaria declaratória da Terra Indígena Sombrerito, do povo Guarani Kaiowá, no município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, trouxe esperança a essas comunidades, com as quais nos alegramos por esta conquista. Não podemos deixar de lembrar, no entanto, que ainda existe mais de uma centena de terras indígenas a serem identificadas e demarcadas, especialmente do povo Guarani.  Que o atual governo cumpra sua promessa e que a Funai viabilize a conclusão dos estudos e publicação dos relatórios de identificação e delimitação dessas terras ainda neste ano.

     

    Durante o encontro, foi recebida com grande alegria e comemoração a boa notícia da contemplação do Prêmio Alternativo do Nobel da Paz ao  presidente do Cimi e bispo do Xingu, Dom Erwin Kräutler. O prêmio significa um reconhecimento das lutas firmes e coerentes de Dom Erwin em defesa da vida dos povos indígenas, da Amazônia, da dignidade e da paz.

    O compromisso e a franqueza de dom Erwin colocam sua vida em risco constante. Em outubro de 1987, alguns meses antes da decisão de concessão de plenos direitos civis para os povos indígenas na assembleia constituinte, ele ficou gravemente ferido em um acidente de carro provavelmente planejado. Desde 2006, Kräutler está sob proteção policial, em parte porque ele insistiu em uma investigação após o assassinato do ativista ambiental Irmã Dorothy Stang, em 2005, que, desde 1982, tem trabalhado ao lado de dom Erwin. Mais recentemente, ele recebeu ameaças de morte por causa de sua oposição à barragem de Belo Monte e porque tomou medidas legais contra um grupo criminoso envolvido em abusos sexuais de menores em Altamira.

    Prêmios e livros

    Em 1989, Kräutler recebeu o Grosser Preis für Binding-Natur und Umweltschutz (Principado do Liechtenstein) e em 2009 um doutorado honorário da Universidade de Salzburg, Áustria. Na citação, Kräutler é chamado de "personificação da indignação contra as condições sociais que violam a dignidade humana e a esperança de que um outro mundo certamente é possível ".

    Kräutler tem escrito uma série de livros, mais recentemente escreveu Flores vermelhas como sangue: Um bispo entre a Vida e Morte, publicado em alemão em 2009.

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  • 29/09/2010

    Ministério da Justiça publica quatro portarias declaratórias e um relatório de identificação de Terras Indígenas

    Informações foram publicadas no Diário Oficial da União na última segunda-feira (27)

     

    O ministro da justiça Luiz Paulo Barreto publicou no dia 27 de setembro, as portarias declaratórias das Terras Indígenas Sombrerito, do povo Guarani Ñandeva (MS), Sururuá, do povo Tikuna e Kokama (AM), Ponte de Pedra, do povo Paresi (MT), e Buriti, do povo Terena (MS). O presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) publicou ainda o relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Paukalirajausu, do povo Nambikuara (MT).

     

    Nas portarias, o ministro declara as terras como de posse permanente dos povos indígenas interessados. De acordo com as portarias, as terras indígenas ficaram identificada nos termos do parágrafo 1º do art. 231 da Constituição Federal como sendo tradicionalmente ocupadas pelos grupos indígenas.

     

    A Terra Indígena Buriti, tem aproximadamente 17.200 ha e fica nos municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. A T.I. Sombrerito também fica no MS, no município de Sete Quedas e possui 12.608 ha. A T.I. Ponte de Pedra situa-se nos municípios de Campo Novo dos Parecis, Diamantino e Nova Maringá, no Mato Grosso e possui 17 mil ha. Nos processos das três terras citadas acima, as contestações foram julgadas improcedentes. Já para a T.I. Sururuá não houve contestações. A terra tem pouco mais de 36 mil ha e fica nos municípios de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, no Amazonas.

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  • 29/09/2010

    Missão e Povos Indígenas

    Por Egon Heck

    Cimi Regional Mato Grosso do Sul

     

    Os povos indígenas não entraram pela porta dos fundos ou pela janela, neste 2º Congresso Missionário Regional Oeste 2 da CNBB, que se realizou em  Dourados. Eles estavam previstos como uma das importantes realidades a serem vistas e que exigiriam uma tomada de posição por parte dos cristãos no aprofundamento de sua missão.  Assim o expressou o padre Edson, de saudosa memória, quando assumiu com entusiasmo a proposta do Congresso. Os indígenas Kaiowá Guarani presentes apesar de serem apenas cerca de 20 pessoas, trouxeram para o coração do Congresso o clamor dos povos nativos na região submetidos ao rigor da violência colonial, da discriminação e do racismo.

     

    Na oficina “Missão e Povos Indígenas” eles protagonizaram momentos memoráveis ao manifestarem com convicção e clareza a dureza de suas vidas ameaçadas, suas terras negadas. Eles foram chegando com sua expressão simples, tranqüilos, recatados, mas também vistosos e paramentados com seus cocares, colares, vestimentas, mbaracás e takuara. Foram aos poucos conquistando a simpatia e ou curiosidade dos participantes. Muitos foram os que tiraram fotos com eles. Muitos também terão melhor conhecido e assumido sua causa, a luta pelos direitos desses povos.

     

    No documento produzido na oficina, mais de 60 participantes de todas as dioceses do estado do Mato Grosso do Sul, expressaram seu ardente desejo de que os cristãos, desde os fiéis leigos, os sacerdotes, os religiosos e religiosas, até os bispos assumam com amor, ardor e profetismo a causa dos povos indígenas. Essa é uma causa do Evangélio, do Jesus da cruz, do conflito, que por causa de sua mensagem e testemunho de vida, foi assassinado. O assessor da oficina, teólogo Paulo Suess, que dias antes visitara vários acampamentos e aldeias Kaiowá Guarani da região, insistiu na importância de nós como cristãos, termos a coragem de assumir essa causa, que é a do Cristo da cruz e da ressurreição.

     

    A questão indígena foi assumida pelos participantes do 2º Congresso.  Quanto às injustiças contra os povos indígenas decidimos assumir a sua voz: "Não lutamos por qualquer terra, mas pelas nossas terras sagradas, tradicionais. Por isso, voltamos às terras donde fomos expulsos, onde estão enterrados nossos antepassados, onde podemos desenvolver nossa cultura, economia e espiritualidade". Também nos comprometemos com o resgate dos valores e a dignidade das populações afro-descendentes. Assumimos estes clamores como nos convida o documento de Aparecida: "O Santo Padre nos recorda que a Igreja está convocada a ser advogada da justiça e defensora dos pobres, diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas que clamam ao céu".(DAp 395)

     

    Padre Estevão, que fez uma reflexão sobre a missão hoje, se referiu à missão e causa indígena. “A metade dos assassinatos de indígenas no ano passado aconteceram aqui. E 100% dos suicídios de indígenas aconteceram aqui. Então como podemos celebrar a Eucaristia, diante dessa realidade.”

     

    Em várias oficinas temáticas foi citada a questão indígena e sugerido que o Congresso assuma essa causa e se tomem medidas concretas a favor dos direitos desses nossos irmãos. A escolha concreta e decida da causa dos pobres e excluídos no regional, surgiu como exigência em vários relatórios, como das pastorais sociais, meio ambiente, pequenas comunidades, vida religiosa, povos indígenas e afrodescendentes.

     

    Desafios e compromissos

     

    Foram destacados como principais lacunas e desafios a questão da terra, da violência, da desinformação e má informação a respeito da questão indígena, isso tudo revelando a continuidade de uma mentalidade e sistema neocolonial, discriminatório e racista. “Em nossa sociedade continua predominando uma mentalidade neocolonial, em que os índios são considerados como impedimento do progresso, como realidade a ser superada, quer integrando-os no sistema produtivo ou tomando suas terras.”

     

    Em relação ao trabalho missionário constatou-se a existência de trabalhos isolados, muitas vezes marcados pela pressa, falta de inculturação e conhecimento do povo           (missionário tipo formula 1 que faz “pit stop” – parada rápida – nas aldeias).

     

    Diante dessa realidade foi sugerida a formação de pastorais indigenistas em todas as dioceses. E que estas sejam críticas, dinâmicas, criativas e proféticas. Que a CNBB regional, juntamente com o Cimi e outras instâncias supra diocesanas, busquem trabalhar a diversidade das ações e presenças, numa unidade missionária.

    Foi destacada a atitude da Conferência dos Religiosos no Brasil (CRB) regional MS, que assumiu a causa indígena como prioridade de sua ação e está ajudando viabilizar a presença e atuação de uma comunidade de irmãs junto aos povos indígenas no regional.

     

    Faride Kaiowá, um dos caciques participantes do encontro, avaliou como muito importante o momento, pois puderam dizer o que vivem, sentem e por que lutam, inclusive fazendeiros.

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  • 29/09/2010

    MPF notifica Ibama sobre exigências prévias de Belo Monte

    Procuradores alertam que nenhuma nova licença poderá ser concedida antes que todas as condicionantes sejam concretizadas

    O Ministério Público Federal notificou o diretor de licenciamento do Ibama, Sebastião Custódio Pires, sobre o não-cumprimento das condicionantes prévias da hidrelétrica de Belo Monte. No oficio, o MPF chama atenção para as providências relativas aos povos indígenas afetados pelo projeto. Além das chamadas condicionantes indígenas, existem pelos menos mais 35 ações relativas à infraestrutura dos municípios afetados, qualidade da água, sobrevivência das espécies da volta grande do Xingu e outras preocupações socioambientais.


    Pela legislação ambiental em vigor no país, após o leilão da obra, as condicionantes deveriam estar sendo providenciadas pelos empreendedores. O MPF alerta o Ibama que, de acordo com informações da Fundação Nacional do Índio, não foram cumpridas as seguintes pré-condições relativas aos indígenas impactados: a desintrusão (retirada dos ocupantes não-índios) das Terras Indígenas (TI) Arara da Volta Grande e Cachoeira e de todas as áreas indígenas afetadas, a redefinição de limites da TI Paquiçamba, que vai ficar sem acesso à água com as barragens, e a regularização fundiária dos povos indígenas.


    Além disso, antes mesmo do leilão já foram desobedecidas duas condicionantes: as Terras Cachoeira Seca e Arara da Volta Grande deveriam ter sido demarcadas e a Terra Apiterewa, dos índios Parakanã, deveria ter sido palco de desintrusão. No ofício do MPF, o Ibama é lembrado de que só depois de todas as providências exigidas na Licença Prévia é que poderá se estudar a concessão de qualquer nova licença para o início das obras.


    Entenda o processo de licenciamento – A Licença Prévia concedida pelo Ibama à hidrelétrica de Belo Monte é, como o nome traduz, uma figura do processo de licenciamento que estabelece as condições prévias essenciais da viabilidade ambiental do empreendimento. No caso da hidrelétrica no Xingu, foram estabelecidas 40 condicionantes – ações que, obrigatoriamente, tem que ser concretizadas pelo empreendedor antes que sejam iniciados os estudos para a Licença de Instalação, segunda etapa do licenciamento ambiental.


    As condicionantes que são referidas pelo MPF no ofício enviado essa semana fazem parte do chamado componente indígena do licenciamento de Belo Monte e foram detalhadas em parecer da Funai que considerou viável a obra, desde que fossem obedecidas as condições elencadas relativas aos índios (veja o documento na íntegra em http://bit.ly/parecer-funai).


    Além das condições relativas à sobrevivência dos povos indígenas, existem outras condições prévias – as chamadas condicionantes – que precisam ser providenciadas para que a obra de Belo Monte possa começar. São questões, por exemplo, como a infraestrutura de saúde e educação da região afetada, que vai receber, segundo estimativa dos Estudos de Impacto, cerca de 100 mil migrantes nos anos de instalação da usina.


    “É preciso haver escolas, hospitais, médicos, remédios, para que não aconteça um colapso nos serviços públicos”, explica o procurador da República Cláudio Terre do Amaral, um dos procuradores da República que acompanha o empreendimento de Belo Monte. Todas as exigências – direitos dos indígenas, de infraestrutura, relativas à escolas, saúde, saneamento, qualidade da água, remoção de atingidos – estão sendo acompanhadas pelo MPF.

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  • 29/09/2010

    Shell envolvida em disputa por apropriação de terra indígena no Brasil

    Por Survival Internacional

     

    As autoridades brasileiras têm escrito ao gigante energético Shell, para expressar sua preocupação pelas atividades de seu novo sócio brasileiro em uma empresa conjunta que está produzindo biocombustíveis em terras tradicionais de um empobrecido povo indígena.

     

    No mês passado, a Shell firmou um acordo avaliado em 12 milhões de dólares para produzir biocombustíveis de cana de açúcar com o gigante brasileiro, Cosan. Porém, parte da cana de açúcar da Cosan é cultivada em terras que pertencem legalmente aos indígenas Guarani.  

     

    Um fiscal brasileiro com poderes constitucionais para defender os direitos indígenas nos tribunais tem escrito à Shell advertindo de que sua participação na empresa conjunta “põe em risco o compromisso da empresa com a biodiversidade e a sustentabilidade”.

     

    O filme Birdwatchers chamou a atenção de todo o mundo em 2008 de todo o mundo sobre a difícil situação dos Guarani, e uma das estrelas do filme, Ambrósio Vilhalva, faz parte da comunidade afetada pela Cosan.

     

    Em declarações sobre as plantações de cana que têm “comido” grande parte  do território de seu povo, Ambrósio afirmou:  “As plantações de cana de açúcar estão acabando com os indígenas! Nossas terras estão cada vez mais e mais pequenas. As plantações estão matando o nosso povo!”, afirmou.

     

    Neste mês o principal especialista da ONU em matéria de direitos indígenas publicou um informe ao Conselho de Direitos Humanos  da ONU em que disse que está profundamente preocupado sobre as acusações de violência contra o povo Guarani e o grave impacto que a política agressiva de governos passados de vender grandes extensões de terra ancestrais a não indígenas têm causado.

     

    Praticamente a totalidade do território Guarani lhes foi retirado para dar espaço a fazendas de gado e plantações de soja e cana de açúcar. Os guarani sofrem violentos ataques sempre que  tentam voltar aos seus territórios ancestrais. Seus líderes são miras frequentes de pistoleiros e dezenas já foram assassinados. Este povo indígena registra um dos maiores índices de suicídio do mundo, e as crianças morrem de desnutrição porque o povo não tem terra para cultivar ou caçar.

     

    Fontes internas da Survival declararam hoje: “A Shell está ameaçando agravar uma das situações mais críticas dos povos indígenas do Brasil. Agora que a empresa sabe o que o seu sócio brasileiro está fazendo, esperamos que não queiram estar envolvidos no atroz roubo das terras Guarani”.

     

     A Survival escreveu a Shell sobre as atividades da Cosan que ferem claramente a Declaração dos Princípios Gerais de Negócios da Shell (em inglês).

    Leia o Código de Ética da Cosan (em inglês).

     

    Descargar el informe de Survival a la ONU sobre la situación de los guaraníes de Mato Grosso do Sul, Brasil (en inglés).

     

    http://www.survival.es/noticias/6527

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  • 29/09/2010

    Declaração pública de acadêmicos e estudantes brasileiros em apoio à greve de fome Mapuche

    Estamos acompanhando, há mais de dois meses, a delicada situação que vivem os 32 presos políticos mapuche que mantêm uma greve de fome em diversos sistemas penitenciários chilenos. Esta ação pretende denunciar as irregularidades dos processos judiciais que os afetam, como conseqüência da aplicação da Lei Antiterrorista – antiga normativa de segurança interior do estado, instituída pelo governo militar, em 1984 – frente as legítimas manifestações de reivindicação forjadas por diversas comunidades mapuche que vêm lutando pela restituição de seus territórios ancestrais usurpados e pelo reconhecimento de seus direitos fundamentais.

     

    O rigoroso processo de criminalização do movimento mapuche – pelo qual 58 pessoas têm sido processadas, das quais 5 se encontram condenadas, 42 em prisão preventiva e 11 cumprindo medidas cautelares – se caracteriza pela aplicação de procedimentos que atentam contra as leis e tratados internacionais assinados pelo Chile, tal como foi reconhecido pela fiscal da Corte Suprema, Mónica Maldonado. Ações como: tortura aos detidos, montagem ilegítima de “provas” de incriminação, invasões ilegais de domicílio, manipulação de testemunhas sob proteção, violência policial excessiva, entre outras ações, formam parte das irregularidades constatadas nos processos judiciais em andamento.

     

    É claro, no entanto, que isto não se trata de uma conjuntura particular. O uso da violência contra o povo mapuche vem se desdobrando, há vários anos, também no âmbito das comunidades. A militarização das áreas em conflito e a atuação da polícia chilena, em muitos casos, como defensora dos grandes empresários do agronegócio, causaram um derramamento de sangue unilateral e impune, que já ocasionou a morte, nos últimos anos, de três jovens mapuche: Alex Lemún, Matías Catrileo e Jaime Mendoza Collío.

     

    Em função da nossa ligação com o mundo acadêmico brasileiro e preocupados com as atuais condições do povo mapuche, assim como aderindo às numerosas manifestações de solidariedade internacional sobre suas demandas, nós, os abaixo assinantes, nos permitimos exigir do Estado chileno 1) respeitar os tratados e convênios internacionais assinados (especialmente a Declaração Universal de Direitos Humanos e o Convênio 169 da OIT); 2) desmilitarizar o território mapuche; 3) modificar a Lei 18.314 sobre condutas terroristas; 4) respeitar o direito das pessoas a um processo judicial equitativo e 5) atender de forma imediata às exigências colocadas pelos mapuche em greve, procurando evitar um final trágico.

     

    Nas proximidades das comemorações do Bicentenário do Chile, deve haver, certamente, alguns cidadãos – em particular aqueles que têm sido tratados como cidadãos de segunda categoria –, que não terão nada a festejar. É necessário, portanto, criar de forma definitiva as instâncias políticas, sociais e culturais para reconhecer e saldar a dívida histórica contraída pelo Estado chileno com os mapuche e com as diversas populações originárias que habitam o território nacional. Acreditamos que esse seja o único caminho possível para garantir o futuro de uma sociedade realmente democrática e intercultural.

     

    CAMPINAS, 09 de Setembro de 2010

    ASSINAM A DECLARAÇÃO

    Alexander Hilsenbeck, Estudante Em Ciências Políticas Da Universidade Estadual De Campinas

    Aliádne De P Damazio, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Alieth Sirlene Pereira Cavassa, Estudante Do Instituto De Química – Universidade Estadual De Campinas.

    Aline Corrêa Freitas, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Aline R. Coselea, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Aline Yuri Hasegawa, Pesquisadora Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Allan Michel De Souza, Estudante De Biologia – Universidade Estadual De Campinas

    Ana CRC Souza, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Ana Cruz Correa, Estudante Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas, CEMARX Centro De Estudos Marxistas

    André Luiz Ferreira Da Silva, Advogado – Mestrando Pela Universidade De São Paulo (USP) Escola Superior De Agricultura Luiz De Queiroz- ESALQ. Pós-Graduação Em Ecologia Aplicada – CPGI-EA (ESALQ E CENA).

    Andrea Bertelli Peres, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Andréa Peres, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas Universidade Estadual De Campinas.

    Andrei Felipe Campanini, Estudante Em Historia – Universidade Estadual De Campinas

    Ángela Sandolval, Intercambista da Universidad Autonoma Metropolitana na Universidade Estadual de Campinas.

    Angelo Remedio Neto, Universidade Estadual De Campinas

    Aníbal Rocha De Carvalho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas Universidade Estadual De Campinas.

    Ariadny Rocha, Estudante Da Facultad De Educação, Grupo Historia, Educação E Sociedade No Brasil – Universidade Estadual De Campinas

    Augusto De Arruda Postigo, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Barbara Furlan Tozzi, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Barbara Malonoglia, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.
    Bárbara Nascimento De Oliveira, Estudante De Comunicação Social – Jornalismo – Universidade Federal De Sergipe

    Beatriz M Yonamine, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Beeroth De Souza, Estudante Da Faculdade De Educação Física – Universidade Estadual De Campinas

    Bela Feldman-Bianco, Docente Do Departamento De Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Centro De Estudos De Migrações Internacionais IFCH-UNICAMP

    Bernardo Mendes Ribeiro, Estudante Em Pedagogia – Universidade Estadual De Campinas

    Bruna Alem Santinho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Bruna Louzada Bumachar, Mestranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Bruno Francisco De Sales Martim Martins, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Bruno G Ximenes, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Bruno Santana, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Bryan Felix Da Silva De Moraes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Caio Matsui, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Camila Godoy, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Camila Rocha Firmino, Estudante Em Antropologia – Universidade Federal De São Carlos

    Carla Cristina F Barbosa, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Carlo Romani, Docente Historia Contemporânea – Universidade Federal Do Estado Do Rio De Janeiro, Docente Relações Internacionais – Universidade De Ribeirão Preto,. Integrante Do Coletivo Alternativa Verde.

    Carlos Andrade Rivas, Gutierrez Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo, Núcleo De Antropologia Urbana.

    Carlos Eduardo Amorim Camões, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Carlos Eduardo Henning, Doutorando Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Carolina Barbosa Filho, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas
    Carolina Manarca Cerniak, Intercabista da Universidad Nacional Del Litoral (Argentina) na Universidader Estadual de Campinas

    Carolina Milanez, Universidade Estadual De Campinas

    Carolina Perini De Almeida, Cientista Social – Universidade Estadual De Campinas, Centro Interno De Estudos Rurais, Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena-Unicamp

    Caroline Himmelreich Ayala, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Caroline Maria Florido, Pedagogia, Grupo Historia, Educação E Sociedade No Brasil – Universidade Estadual De Campinas

    Clarissa Rocha De Melo, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Federal De Santa Catarina , Núcleo De Estudos Sobre Populações Indígenas

    Claudene F. A. Pereira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Clerbe Souza, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Cristiane Santos Souza, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisadora Núcleo De Pesquisa E Estudos Sobre Juventudes, Identidades, Cidadania E Cultura – Universidade Católica De Salvador.

    Cristina Antonioevna Dunaeva, Doutoranda Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas. Docente De História Da Arte Universidade Regional Do Cariri- URCA– CE.

    Daniel Bargagli, Estudante Do Instituto De Geociência – Universidade Estadual De Campinas

    Daniel Picoli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Daniela Ribas Ghezzi, Doutoranda Em Sociologia – Universidade Estadual De Campinas.

    Danielle Consolino, Estudante Do Instituto De Estudos Da Linguagem – Universidade Estadual De Campinas

    Denia Román Solano, Doutorando – Programa De Pós-Graduação Em Antropologia – Universidade Federal De Santa Catarina, Pesquisadora Do Instituto De Investigaciones Sociales – Universidad De Costa Rica.

    Desirée De Lemos Azevedo, Mestranda Em Antropologia Social Universidade – Estadual De Campinas, Pesquisadora Centro De Estudos Migratórios- Unicamp.

    Diana Nascimento Moraes Novaes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Diego Amoedo Martínez, Estudante Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Diego N. Bertazzoli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.
    Diego Santiago Ortiz Lopez, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Diego Tosta De Siqueira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Dil Bartolo Lía Constanza, Intercambista – Universidad Nacional De Mar Del Plata (Argentina) na Universidade estadual de Campinas

    Edna Maria De Araujo, Coordenadora Do Grupo De Pesquisa Núcleo Interdisciplinar De Estudos Sobre Desigualdades Em Saúde – Universidade Estadual De Feira De Santana – Bahia, Brasil

    Eric Krahembull De Oliveira, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Érica Giesbrecht, Doutorando Em Música – Universidade Estadual De Campinas

    Erika Moreira, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Ernenek Mejía, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Estevam F De Souza, Estudante Do Instituto De Física – Universidade Estadual De Campinas

    Eugenio Rodrigues Rosa Do Nascimento, Estudante De Física – Universidade Estadual De Campinas

    Fabiana C Rodrigues, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Fabiana De Andrade, Mestranda Do Programa De Pós Graduação Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas

    Fábio Baqueiro Figueiredo, Doutorando Em Estudos Étnicos E Africanos – Universidade Federal Da Bahia, Pesquisador Grupo De Pesquisa África: História E Identidades.

    Fabio Luis Barbosa Dos Santos, Professor De Historia Da America – Universidade De Guarulhos Brasil

    Felipe Dalcin, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Felipe F. Vander Velden, Docente Departamento De Antropologia – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Do Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Fernanda Akemi Pereira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Fernanda Nogueira, Mestre Departamento De Teoria Literária E Literatura Comparada – Universidade De São Paulo, Red Conceptualismos Del Sur

    Fernanda Rafael De Souza Cruz, Estudante Da Faculdade De Engenharia Civil Arquitetura E Urbanismo – Universidade Estadual De Campinas

    Flávia Merlotti Paniz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Flávia Pereira Da Silva, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Franciane M Da Costa, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Franck Seguy, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas, Grupo De Pesquisa Sobre Política E Direito – Universidade Estadual De Campinas

    Fransisco Antunes Caminati, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Gabriel Lima De Oliveira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Gabriel Lutt, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas

    Gabriela Zanotto Bosshard, Estudante Do Instituto De Química, Universidade Estadual De Campinas

    Geisel Bento Julião, Povo Indígena Wapichana, Mestrando Em Educação – Pontifícia Universidade Católica De São Paulo. Membro Da Organização Dos Professores Indígenas De Roraima.

    Geraldo Augusto Pinto, Pós-Graduação Em Sociedade, Cultura E Fronteiras – Universidade Estadual Do Oeste Do Paraná.

    Guilherme Righetto Lopes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Guilherme Silva, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Guilherme Zacura Neto, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Héctor Guerra Hernández, Doutorando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Helena Cavalcanti Schiel, Doutoranda – Laboratoire D´Anthropologie Sociale – EHESS.

    Hugo Ciavatta, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Inaiá M A Bonelli, Universidade Estadual De Campinas

    Íris Morais Araújo, Doutoranda Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo, Pesquisadora Do Núcleo De História Indígena E Indigenismo -USP.

    Isadora Werneck De Andrade, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Janaina Roberta Pereira Costa, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Jimena Pichinao, Mestranda Em Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp. João Henrique Galvão, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    João Manoel Da Silva Magalhães, Estudante Em Ciências Sociais – Universidade Estadual De Campinas

    John Manuel Monteiro, Chefe Do Departamento De Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Do Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Jorge Mauricio Herrera Acuña, Estudante Do Programa De Pós Graduação Em Antropologia Social- Universidade De São Paulo.

    José Leonardo De Souza Lima, Estudante Da Universidade Federal Da Paraíba, Centro De Referência De Direitos Humanos – UFPB

    José Onesio Ramos, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    José Quidel Lincoleo, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Julia Ferreira Scavitti, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Juliana Da Silva, Universidade Regional Do Cariri- URCA.

    Juliano Volpato, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Karen De Andrade, Estudante Instituto De Estudos De Linguagem – Universidade Estadual De Campinas

    Larissa De Souza Pereira, Estudante Doutorado Em Biologia, Departamento Botânica – Universidade Estadual De Campinas

    Larissa Nadai, Mestrando Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Leandro Cardoso, Pesquisador Do Centro De Estudos Rurais, Laboratório De Antropologia Territórios E Ambientes – Universidade Estadual De Campinas.

    Leandro Oliveira Ferreira, Estudante De Comunicação Social – Jornalismo – Universidade Da Amazônia

    Lenina Alejandra Valenzuela Acuna, Doutorado Em Física – Universidade Estadual De Campinas

    Leonardo Coutinho Rodrigues, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Letícia Graciano Nunes, Estudante Em Artes Visuais – Universidade Estadual De Campinas

    Letícia P De Marchi, Estudante Do Instituto De Geociências – Universidade Estadual De Campinas

    Lidia Raizer, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas
    Liliana Lopes Sanjurjo, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas.

    Liliana Rolfsen Petrilli Segnini, Departamento De Ciências Sociais. Faculdade De Educação E Doutorado Em Ciências Sociais. IFCH – Universidade Estadual De Campinas

    Lívia C G Moraes, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Lucas Alves Ferreira, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luciana Ramirez Da Cruz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Lucybeth Camargo De Arruda, Doutoranda Em Antropologia Social – Universidade Estadual De Campinas, Pesquisadora Centro De Pesquisa Em Etnologia Indígena – Unicamp.

    Luis Abner Silva Espinoza, Estudante De ENGENHARIA MECANICA – Universidade Estadual De Campinas

    Luís Fernando Rosa, Instituto De Biologia – Universidade Estadual De Campinas.

    Luis Fernando West, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luisa S. M. Coan, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luísa Valentini, Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social – Universidade De São Paulo

    Luiz Cruz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Luiz Fernando Moreno De Lima, Estudante Do Programa Ciências Biológicas – Universidade Estadual De Campinas

    Luma Feboli, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Luriatan Felipe Muniz, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Maíra Cavalcanti Vale, Estudante Da Pós-Graduação Em Antropologia Social Universidade Estadual De Campinas.

    Marcela Pergolizzi, Estudante Da Faculdade De Educação – Universidade Estadual De Campinas

    Marcelo Grassi Corrêa, Estudante De Engenharia Florestal – Universidade Estadual De Goiás

    Marcelo Miney Mendes, Estudante Do Instituto De Economia – Universidade Estadual De Campinas
    Marco Antonio Perruso, Prof. Sociologia – Universidade Federal Rural Do Rio De Janeiro, Núcleo De Análises Em Políticas Públicas – UFRRJ

    Marcos Alexandre Dos Santos Albuquerque, Estudante Do Programa De Pós-Graduação Em Antropologia Social Centro De Filosofia E Humanidades – Universidade Federal De Santa Catarina, Núcleo De Estudos Das Populações Indígenas

    Marcos Vinícius Santos Dias Coelho, Doutorando Em História Universidade Estadual De Campinas, Pesquisador Centro De Estudos Da Cultura- Unicamp.

    Maria Andrea Dos Santos, Estudante Do College Of Liberal Arts – Department Of Anthropology/African Diaspora Program – University Of Texas At Austin (USA).

    Maria Bernardete F. F. Campos, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas.

    Maria Emilia Rodrigues De Castro, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

    Maria Rosário Gonçalves De Carvalho, Profa. Associada, Departamento De Antropologia, Faculdade De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Federal Da Bahia.

    Mariana Borges, Estudante Da Faculdade De Letras Eixo De Escrita Criativa – Pontifícia Universidade Católica Do Rio Grande Do Sul

    Mariana Conti Takahashi, Estudante Do Instituto De Filosofia E Ciências Humanas – Universidade Estadual De Campinas

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  • 29/09/2010

    Construir para destruir

    Karina Miotto

     

    O governo federal está convicto de que investir em hidrelétricas na Amazônia é um bom negócio. “Para quem?”, questionam-se ambientalistas e pesquisadores, além de populações que serão atingidas por obras megalômanas como Santo Antonio e Jirau, em andamento no rio Madeira (RO), e de outras dez planejadas para os rios Teles Pires (MT) e Tapajós (PA), cada uma com cinco usinas, além de Belo Monte, no Xingu (PA). Há quem diga que elas podem selar a destruição da floresta. O presidente Lula parece não se incomodar, e deu sinal verde para outras Usinas Hidrelétricas de Energia (UHEs) para a região.

     

    A quantidade exata é incerta, pois nem órgãos oficiais como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, consegue responder quantas obras deste porte estão previstas para a Amazônia brasileira. Os números do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, por exemplo, referem-se genericamente apenas à “região norte”.

     

    Para fechar o quebra-cabeças, a ONG International Rivers analisou documentos oficiais e chegou a uma conclusão de assustar: afirma que o governo planeja construir 68 empreendimentos na Amazônia brasileira, entre UHEs e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Não à toa, a EPE afirma que 66% do potencial hidrelétrico a ser explorado no país está na floresta. “A destruição tem um custo alto que não está sendo levado em conta. É óbvio que o governo não estudou impactos de todas as barragens planejadas e nem debateu isto com a população, antes de fazer seus planos”, diz Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

     

    Ao ofertar energia, criam-se condições para que mineradoras e metalúrgicas tenham interesse em explorar os recursos da região amazônica. "Querem transformar o Brasil em fornecedor de energia barata para multinacionais. Esta é uma atitude colonialista baseada na guerra econômica e não nas necessidades sociais", afirma Oswaldo Sevá, professor das faculdades de engenharia mecânica e de ciências sociais da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

     

    “A construção de UHEs não se justifica por geração de empregos ou desenvolvimento local, mas por negócios lucrativos, que é o que o capitalismo precisa para se recuperar de uma crise estrutural", complementa Sevá. "Se juntarmos todas as intervenções planejadas, teremos uma verdadeira hecatombe de consequências imprevisíveis. Hidrelétricas podem destruir a Amazônia" afirma Telma Monteiro, coordenadora de energia da Associação Kanindé, que atua em questões indígenas.

     

    UHEs e seus impactos socioambientais

     

    Impactos ambientais e sociais estão intrinsecamente ligados. “Parte da população que não está nas cidades e mesmo quem mora em áreas urbanas depende direta ou indiretamente dos rios para sobreviver. Os impactos vão muito além das áreas afetadas”, afirma Raul do Valle, advogado do Instituto Socioambiental (ISA). “É inconcebível impactar tanto a floresta sendo que a própria região não se beneficia dessa geração de energia”, complementa Ricardo Baitelo, da Campanha de Energia do Greenpeace.

     

    “Na Amazônia, a construção de UHEs é mais problemática do que em outras regiões do país. É fatal”, diz Baitelo. Deslocamento de populações indígenas e tradicionais, migração e caos na infraestrutura urbana são alguns exemplos de consequências sociais drásticas. Do ponto de vista ambiental, há alteração da vazão do rio, da qualidade da água, impactos para a viabilização da obra (como construção de estradas, o que gera desmatamentos), danos à biodiversidade que podem chegar à extinção de espécies e emissão de gases como CO2 e metano.

     

    Fearnside afirma que “é expressiva a emissão de gases de efeito estufa por hidrelétricas amazônicas”. Ele explica que reservatórios em regiões tropicais, como é o caso da Amazônia, têm grandes áreas com vegetação herbácea: de fácil decomposição, cresce rapidamente e produz metano, um gás 25 vezes mais nocivo do que o CO2 para o aquecimento global – uma prova de que a propalada energia limpa das usinas é um tanto quanto questionável.

     

    (Maus) exemplos históricos

     

    Nas usinas do rio Madeira, antes mesmo de as obras começarem já houve aumento de migração, trânsito e violência em Porto Velho (RO). Conforme explica Fearnside, em 1990 e aos seis anos de idade, a usina de Tucuruí (PA) liberava mais gases de efeito estufa do que a cidade de São Paulo.  "Estas usinas, somadas às de Balbina (AM), Samuel (RO) e Estreito (TO) são desastrosas do ponto de vista socioambiental", complementa Sevá, da UNICAMP.

     

    Para Baitelo, o governo opta por grandes obras a fontes menos impactantes por algumas razões. “É uma questão cultural, de knowhow e de desconfiança quanto ao potencial de energias renováveis, mas também tem o lado político, que envolve superfaturamentos e lucro de empreiteiras".

     

    Estes são quesitos presentes na polêmica construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que atropelou pesquisas econômicas e ambientais em nome do interesse do governo brasileiro. Se for  construída, praticamente secará 100 km da Volta Grande do rio Xingu, extinguirá espécies de peixes, deslocará até 40 mil pessoas e alagará uma parte da zona urbana, além de ser ineficiente do ponto de vista energético: durante a maior parte do ano produzirá 40% da energia prometida de, no máximo, 11 mil MW. “Por isso, o governo está bancando. Ninguém quer assumir o risco, pois não existem garantias de retorno financeiro e nem de compensações de perdas", diz Sevá. Quem pagará a conta será o cidadão brasileiro. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bancará até 80% do total de R$ 19,6 bilhões dos custos.

     

    "Belo Monte vem da época da ditadura, em que não havia freios nem espaço para resistência. É uma vergonha do ponto de vista de engenharia e também ético. Há 30 anos ouvimos mentiras: a obra não será barata, mas caríssima; dados do governo mudaram três vezes a área alagada – de 430 km2, foi para 516 km2 e agora está em 640 km2; é mentira que vai atingir poucas pessoas e que, se não for feita, pode haver apagão; não vai promover o desenvolvimento de Altamira e não existe compromisso de reassentar ninguém", afirma Sevá.

     

    As polêmicas vêm de outras ações arbitrárias do próprio governo, o que explica as nove ações judiciais movidas pelo Ministério Público Federal devido a irregularidades no processo. "Se ganharmos uma delas, a obra nem começa. Belo Monte não é um fato consumado, como tem sido propagado", afirma Felício Pontes Jr, procurador da república no Pará. Para ele, “esta é a obra mais cara do país, fica no coração da Amazônia e é completamente ineficiente”.

     

    A Amazônia não precisa de hidrelétricas

     

    De acordo com Baitelo, a média de radiação solar na Amazônia é superior à da Alemanha, país com mais painéis instalados, ao lado da Espanha. “Roraima e Pará poderiam utilizar a eólica. A energia gerada seria quatro vezes maior do que de qualquer das UHEs que estão sendo construídas no Madeira. Isso sem falar na biomassa", explica. Além disso, em UHEs muita gente trabalha por pouco tempo, o que não acontece no caso de energias renováveis, pois é preciso manter a mão de obra em toda a cadeia.

     

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