Relatoria lança documento sobre impactos causados pela transposição do São Francisco e barragens no semi-árido
Apesar de estar próximo ao rio São Francisco e de ver suas terras cortadas por um dos gigantescos canais da transposição do rio, o assentamento Jibóia, no município de Cabrobó, continuará sem ter água encanada para manter o plantio das famílias que sobrevivem no local. Essas e outras contradições envolvendo a transposição do Velho Chico e a construção de barragens na região serão debatidas durante duas audiências públicas realizadas pela Relatoria do Direito Humano à Terra, Território e Alimentação, que irá apresentar a autoridades públicas um relatório de denúncias sobre esses temas. A primeira audiência será na segunda-feira (21), em Petrolina e na terça-feira (22) acontecerá em Recife, com a presença do relator e sociólogo Sérgio Sauer.
A Relatoria esteve na região do semi-árido entre os estados de Pernambuco e da Bahia em outubro do ano passado, quando coletou depoimentos e denúncias das comunidades e se reuniu com os órgãos públicos locais. Durante a missão, pôde constatar a existência de comunidades que serão afetadas pelas obras, mas que ainda não possuem os títulos de seus territórios. Diversos povos indígenas vivem na mesma situação: ao longo do rio São Francisco, moram 38 povos, numa população estimada em 70 mil indígenas, sendo que muitos não contam com a demarcação de seus territórios. Assentamentos rurais também vão ter suas terras alagadas ou até mesmo já perderam parte da área com a passagem do canal da transposição, mas sem contar com as obras compensatórias.
As comunidades reclamam também da falta de informações sobre todo o processo de transposição e da construção de barragens ao longo do rio. Os empreendimentos irão beneficiar diretamente grandes obras, como a do Porto de Pecém (CE) e o setor da fruticultura irrigada, produção esta voltada para a exportação. Enquanto isso, as comunidades tradicionais e assentamentos sobrevivem resistindo à estiagem, à ausência de políticas públicas e de comprometimento do Estado em garantir acesso a direitos básicos, como terra, saúde, educação, alimentação, moradia etc.
Além das denúncias feitas, o relatório é composto por diversas recomendações aos órgãos públicos, visando a superação das violações identificadas. Entre as recomendações, está o pedido de suspensão das obras da UHE Riacho Seco até que seja apresentado o plano de re-assentamento e as indenizações a serem pagas às famílias impactadas. A Relatoria também solicita que todos os estudos antropológicos das comunidades afetadas sejam finalizados o quanto antes, tanto pelo INCRA quanto pela FUNAI, para que as terras sejam tituladas e demarcadas, e que o Ministério da Integração cumpra os termos de acordo para realização das obras compensatórias, assinado em 2008.
Leia o relatório:
Relatório da Missão à Petrolina e Região do Rio São Francisco (PE)
Sobre o lançamento:
Em Petrolina:
Data: 21/02/2011
Local: Ministério Público Federal, Av. Presidente Tancredo Neves, 101, Centro – Petrolina / PE
Horário: 15h
Em Recife:
Data: 22/02/2011
Local: Assembléia Legislativa de Pernambuco, Rua da União, 439, Boa Vista – Recife / PE
Contato:
Jackeline Florêncio – 081 8743-8364
Secretaria Executiva da Plataforma Dhesca Brasil
Danilo Uler Corregliano: [email protected]
Laura Bregenski Schühli (MTB 8405 – PT): [email protected]
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Categories PE
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A definição desse eixo tem a ver com as demandas atuais dos povos indígenas, especialmente a regularização fundiária e o debate em torno da demarcação de suas terras tradicionais. Essa questão tem inclusive, gerado violências contra as comunidades que lutam para recuperar os territórios tradicionalmente ocupados. A outra questão que demanda muita preocupação dos povos indígenas é o aspecto ambiental, que incide sobre a necessidade de repensar paradigmas, como desenvolvimento e progresso, que contribuíram com a destruição do entorno das terras indígenas e estão provocando o aquecimento global. Repensar a possibilidade de outras referências para o meio ambiente exige redimensionar saberes e práticas e aprofundar temas como o Bem Viver, que vem sendo bastante debatido entre os povos indígenas.
Entre os assessores do evento estiveram Rosângela Piovizani, Eliane Martins, João Pedro Stédile, Horácio Martins, Paulo Alentejano, Igor Fuser e Dorival Gonçalves. A Plenária contou com uma análise de conjuntura sobre o cenário nacional e internacional, com discussões em torno de temáticas como energia, campo, cidade, mulheres, quilombolas e indígenas, além de reflexões em grupo, socialização de experiências, avaliações e planejamento de ações. 
A imagem ao lado mostra uma cena que não é nova. Um índio, no caso Raoni kayapó, mostra sua indignação em uma reunião com brancos politicamente corretos, em atitude repeitosa.