• 12/05/2011

    Indígenas exigem a exoneração da coordenadora do DSEI de Porto Velho

    Comunidades denunciam que Lindalva Coutinho Queiroz, que está no cargo há quase quatro anos, não se interessa em executar as ações contempladas no plano do Distrito

     

    Nós representantes dos povos indígenas Tenharim, Parintintim, Diahoi, Miranha, Mura, Karitiana, Karipuna, Cassupá, Paumari, Apurinã, Kaxarari e Torá e as organizações indígenas OPIAM, APITEM, APIJ, OPIPAM, APITIPRE, CUNPIR, APK, OPICS, APOIK, do DSEI de Porto Velho, estamos sofrendo o descaso e negligência com a saúde indígena, por causa da coordenadora, no cargo há quase quatro anos, que não tem interesse em executar as ações contempladas no plano do DSEI.

     

    Quando questionada pelo movimento, a mesma alega que as ações não foram executadas por falta de recursos. Porém afirmamos que o que predomina é a falta de administração e de planejamento por parte da coordenadora do DSEI Lindalva. Durante este período por falta de atendimento houve vários óbitos de nossas crianças, jovens e adultos. As receitas médicas não são compradas pelo DSEI, ou os pacientes compram com seus recursos próprios, ou ficam sem realizar o tratamento. Afirmamos ainda que o DSEI tenha recursos para atender estas necessidades, porém estes descasos acontecem porque a Coordenadora do DSEI, Lindalva não tem diálogo com as lideranças e nem com os conselheiros de saúde indígenas, tanto locais como distritais.

     

    A coordenadora usa do poder autoritário, de não dialogar com ninguém e afirma que é só o Ministro da Saúde e a Presidente da República que pode exonerá-la.

     

    Estes procedimentos não são afetados pela transição da Funasa para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e sim por falta de compromisso e Gestão da coordenadora atual, Lindalva.

     

    Continuamos com a nossa manifestação pacífica iniciada 02 de maio porque a nossa reivindicação não foi atendida. A Funasa e a Coordenadora do DSEI entraram com ação de reintegração de posse com o parecer favorável da procuradora da FUNAI- PVH, Dra. Raquel o que ocasionou ainda maior descontentamento de nossa parte.

     

    Nós do Movimento Indígena analisamos que a Funai com o seu parecer deu mais valor ao bem Patrimonial da União (prédio da Funasa) do que a  vida dos Povos indígenas da qual ela é a responsável oficialmente.

     

    Diante desta situação houve uma audiência por solicitação do Movimento junto ao Ministério Público Federal e os Assessores Jurídicos do Movimento.  Nesta audiência perante o Juiz Federal (Dr. Herculano) foi firmado o acordo com a Funasa e o DSEI de que os indígenas abririam a sede da Funasa para os funcionários terem livre acesso retomando suas atividades, e no DSEI teria com a coordenadora interina Marisa Ferreira Barrozo, onde, a qual já é substituta. Até o dia 16 de maio, data que a equipe da Sesai Brasília viria a Porto Velho, conforme consta no ofício do Secretário da Sesai Dr. Antônio Alves, que está em nossas mãos. Antes de firmamos o Acordo a Lindava e o seu Procurador se retiraram. Nesta mesma audiência entregamos ao MPF, perante o Juiz Federal, 158 receitas médicas que não foram compradas aos pacientes da região de Humaitá, num período de três meses.

     

    Ressaltamos que de nossa parte o acordo foi cumprido fielmente, mas da parte da coordenadora Lindalva e da Marisa do DSEI não foi cumprido, fechando a porta do DSEI, impendido até o trabalho dos funcionários.

     

    Isto demonstra que o autoritarismo deste DSEI continua desrespeitando até mesmo uma ordem judicial, feito no acordo.

     

    Nossa luta continua!

     

     

    Porto Velho, 11 de maio de 2011

     

    Movimento Indígena de Rondônia, Sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso

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  • 11/05/2011

    Mais de 150 entidades se solidarizam com procurador Pontes Junior do MPF/PA

    Nota:

    defesa e solidariedade ao procurador da república Felício Pontes Junior e ao Ministério Público Federal/PA

    Publicado em 11 de maio de 2011
    Por Xingu Vivo

    O Movimento Xingu Vivo para Sempre – Comitê Metropolitano, fórum composto por dezenas de organizações, movimentos sociais, sindicais, estudantis, entre outros, vem a público expressar defesa e solidariedade irrestrita ao procurador da república Felício Pontes Junior e ao Ministério Público Federal (MPF) no Pará.

    A empresa Norte Energia S.A. (NESA) entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador. A companhia pede seu afastamento das ações referentes a Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte, em decorrência dos artigos que ele publicou na internet sobre os processos judiciais envolvendo a barragem. Nestes artigos, o procurador denuncia os graves danos sociais, ambientais, econômicos, culturais e políticos que os povos do Xingu, o rio e a floresta sofrerão caso Belo Monte seja construída.

    Desde 1997, o MPF/PA acompanha o projeto de implantação da hidrelétrica. Nesses 14 anos, o MPF e seus procuradores sempre se posicionaram de forma coerente e imparcial, garantindo suas funções constitucionais. Sempre procuraram defender os direitos sociais e individuais – indisponíveis dos cidadãos da Amazônia perante a Justiça Federal – de forma independente e autônoma.

    O procurador Felício, juntamente com os membros do MPF, tem levantado questões extremamente relevana tes e pertinentes. Para citar alguns exemplos: ausência da documentação exigida; a insuficiência na quantidade e qualidade das audiências públicas realizadas; o açodamento do processo desenvolvido; a postergação de solução para problemas que precisam ser resolvidos a priori; a ilegalidade da Licença de Instalação parcial emitida.

    Entre várias outras irregularidades, estes são questionamentos  aos quais o governo federal e a NESA tem a obrigação de responder. São problemas que afetarão a vida de milhares de pessoas – homens e mulheres, populações urbanas, pescadores, agricultores, ribeirinhos, indígenas e povos da floresta. Além do mais, comprometerão a biodiversidade do rio Xingu, desequilibrando ainda mais toda a região amazônica.

    Reiteramos nossa total confiança nas ações que o procurador Felício Pontes Junior e o MPF vêm desenvolvendo em relação a UHE Belo Monte. Denunciamos o governo federal e a NESA, que, de maneira totalmente antidemocrática e violenta, tentam calar aqueles que se contrapõem a seus projetos de destruição e morte – das pessoas, da floresta, do rio, e da vida na Amazônia, no Brasil e no mundo.

    Belém, 11 de maio de 2011

    Assinam esta nota:

    IAMAS
    Instituto Humanitas
    FAOR – Fórum da amazõnia oriental
    Society for Threatened Peoples International,
    SDDH: Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
    REJUMA – Rede de Juventudes e Meio Ambiente
    APA-TO – Alternativa dos Pequenos Agricultores de Tocantins
    APACC – Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes
    ABO – Associação Brasileira dos Órgãos
    AOMT BAM – Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas
    AART -AP – Associação de Artesãos do Estado do Amapá
    ACANH – Associação de Comunicação Alternativa Novo Horizonte
    ADCP – Associação de Divisão Comunitária e Popular
    AGLTS – Associação de gays, lésbicas e transgêneros de Santana
    AMQCSTA – Associação de Moradores Quilombolas da Comunidade de São Tomé do Aporema
    AMAP – Associação de Mulheres do Abacate da Pedreira
    AMVQC – Associação de Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú
    APREMA – Associação de Proteção ao Riacho Estrela e Meio Ambiente
    AEM – Associação Educacional Mariá
    ASSEMA – Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão
    APACC – Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes
    ACUMNAGRA – Associação Sóciocultural de Umbanda e Mina Nagô
    AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras
    Articulação de Mulheres do Amapá
    Articulação de Mulheres Brasileiras.
    ANE-L Pai d’égua – Assembléia Nacional dos Estudantes Livres – Estadual Pará
    ANE-L Santarém – Assembléia Nacional dos Estudantes Livres
    AMA/AMAPA – Articulação de Mulheres do Amapá
    AMB/COMITE POLITICO NACIONAL – Articulação de Mulheres Brasileiras
    TIJUPÁ –  Associação Agroecológica Tijupá
    Encanto – Casa Oito de Março – Organização Feminista do Tocantins
    CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará
    Centro Ecológico / RS
    CENTRO TIPITI – Centro de Treinamento e Tecnologia Alternativa Tipiti
    CPCVN – Centro Pedagógico e Cultural da Vila Nova
    CPDC – CENTRO POPULAR PELO DIREITO A CIDADE.
    CJ-PA – Coletivo Jovem de meio Ambiente do Pará
    CPT – Comissão Pastoral da Terra
    COMSAÚDE – Comunidade de saúde, desenvolvimento e educação
    CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores
    CIMI – Conselho Indigenista Missionário Regional N II
    COMITÊ DOROTHY
    COMTRABB – Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga
    COOPTER – Cooperativa de Trabalho, Assistência Técnica, Prestação de Serviço e Extensão Rural
    Comissão Permanente de Saúde e Meio Ambiente de Bacabal – MA
    CIEA BRASIL
    FAMCOS – Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém
    FECAP – Federação das Entidades Comunitárias do Estado do Amapá
    FECARUMINA – Federação de Cultos Afroreligiosos de Umbanda e Mina Nagô
    FASE – FEDERAÇÃO DE ÓRGÃOS PARA ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCACIONAL – Programa Amazônia
    FETAGRI-PA – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Pará
    FÓRUM CARAJÁS – Fórum Carajás
    Fórum dos Lagos – Fórum de Participação Popular em Defesa dos Lagos Bolonha e Água Preta e da APA/Belém
    FMS BR163 – Fórum dos Movimentos Sociais da Br 163 Pa
    FunTocaia – Fundação Tocaia
    FEES/MA – Fórum de Economia Solidária do Maranhão
    FMSAN – Fórum Maranhense de Segurança Alimentar e Nutricional
    Fórum Permanente de Cidadania de Colinas – MA
    GHATA – Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá
    GMB – Grupo de Mulheres Brasileiras
    GT Racismo Ambiental, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
    ISAHC – Instituto de Desenvolvimento Social e Apoio aos Direitos Humanos Caratateua
    IMENA – Instituto de Mulheres Negras do Amapá
    EcoVida – INSTITUTO ECOVIDA
    ISSAR – Instituto Saber ser Amazônia Ribeirinha
    ITV – Instituto Trabalho Vivo
    Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
    SNDdeN – IRMÃS DE NOTRE DAME DE NAMUR
    MMM – AP – Marcha Mundial das Mulheres
    MSTU – MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TETO URBANO
    MMIB – MOVIMENTO DE MULHERES DAS ILHAS DE BELÉM
    MOEMA – MOVIMENTO DE MULHERES EMPREENDEDORAS DA AMAZONIA
    MOPROM – MOVIMENTO DE PROMOÇÃO DA MULHER
    MRE – MOVIMENTO REPÚBLICA DE EMAÚS
    Mulheres de Axé – Mulheres de Axé
    Movimento articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA
    RECID/PA  Rede de Educação Cidadã
    RBJA – Rede Brasileira de Justiça Ambiental
    Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
    REGEAMA – Rede de Gestão Ambiental do Maranhão
    SINDOMESTICA – Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Amapá
    STTR/STM – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém
    SINDNAPI – AP – Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical
    STTR MA – Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais
    SDDH – Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
    UFCG – União Folclórica de Campina Grande
    UNIPOP – Instituto Universidade Popular
    Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS)
    Prelazia do Xingu
    Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
    Comissão Pastoral da Terra (CPT)
    Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Estado do Pará (MMCC)
    Movimento e Mulheres Trabalhadoras de Altamira do Campo e Cidade (MMTACC)
    Movimento de Mulheres do Município de Placas (PA)
    Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (Sintsep-PA)
    Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará – Subsede Altamira (Sintepp-PA)
    Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará – Regional Transamazônica e Xingu (Sintepp-PA)
    Associação do Povo Indígena Juruna do Km 17
    Associação dos Agricultores Ribeirinhos do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Itatá
    Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio
    Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Médio Xingu
    Associação de Pais e Mest res Instituto Maria de Mathias
    Associação de Mulheres de Altamira e Região (AMAR)
    Associação Pró-Moradia do Parque Ipê
    Associação dos Agricultores da Volta Grande do Xingu (Agrivox)
    Associação Rádio Comunitária Nativa
    Associação dos Agricultores e Ribeirinhos do PDS Tatá (AARPI)
    Associação dos Padres da Regional Xingu (APREX)
    Associação de Cultura Franciscana (ACF)
    Associação Franciscana (ASIRFRA-PCC)
    Associação da Rádio Comunitária de Altamira (ARCA)
    Associação de Mulheres do Pacajá (Asmup)
    Mutirão Pela Cidadania
    Fundação Tocaia
    União da Juventude Organizada do Xingu (UJOX)
    Comitê em Defesa da Vida das Crianças Altamirenses
    Movimento dos Pescadores de Altamira e Região do Xingu
    Centro de Formação do Negro e da Negra da Transamazônica Xingu (CFNTX)
    Centro Infantil do Bairro de Brasília
    Grupo Flor da Juventude
    Grupo de Mulheres do Bairro de Bo a Esperança
    Grupo de Moradores do Bairro Sossego
    Grupo SOS Vida
    Grupo de Moradores da Vila Rica da Volta Grande do Xingu
    Verdiama propagação e Cultura
    CRB Núcleo Xingu
    Comissão Verbitas Jupic
    Instituto Sócio Ambiental
    FUNDO DEMA
    IAMAS,
    IAGUA,
    APACC,
    CPT,
    SDDH,
    MST,
    SINTSEP,
    DCE/UFPA,
    DCE/UNAMA,
    MLC,
    GMB/FMAP,
    ABONG,
    CIMI,
    MANA-MANI,
    COMITÊ DOROTHY,
    CIA. PAPO SHOW,
    PSOL,
    PCB,
    MHF/NRP,
    COLETIVO JOVEM/REJUMA,
    COLETIVO DE JUVENTUDE ROMPER O DIA,
    CSP CONLUTAS,
    ANEL,
    MMCC-PA,
    RECID,
    AITESAMPA,
    ANDES-SN,
    FSPA.

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  • 11/05/2011

    Nova Presidência da CNBB toma posse no final da Assembleia

    A CNBB elegeu sua nova Presidência para dirigir a entidade no próximo quadriênio (2011-2015). Esta será a 15ª Presidência da CNBB que, no próximo ano, comemorará 60 anos

     

    O novo presidente, cardeal Raymundo Damasceno Assis, foi eleito no segundo escrutínio com 196 votos. Atual arcebispo de Aparecida, que acolhe pela terceira vez a Assembleia da CNBB, dom Damasceno acumula a experiência de dois mandatos como secretário geral. Até julho, ele é também o presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam).

     

    O vice-presidente, dom José Belisário da Silva, também se elegeu no segundo escrutínio com 215 votos. Dom Belisário é arcebispo de São Luís, no Maranhão, e presidiu, nesta Assembleia dos Bispos, a Comissão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pouco antes de iniciar o processo das eleições.

     

    O secretário geral, dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo da prelazia de São Felix (MT) foi o único, até agora, a ser eleito no primeiro escrutínio. Ele teve 202 votos. Integrou, no ano passado, a Comissão das Diretrizes para a formação presbiteral e, neste ano, foi membro das Comissões das Diretrizes para a Evangelização.

     

    A missa da sexta-feira, 13, última da Assembleia, será presidida pelo novo presidente da CNBB, ladeado pelo vice-presidente e pelo secretário, além dos novos presidentes das 12 Comissões Pastorais da CNBB, também eleitos na Assembleia.

     

    A posse da nova Presidência ocorre na sexta-feira, 13, pela manhã, na sessão de encerramento da 49ª Assembleia da CNBB, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, no pátio do Santuário Nacional de Aparecida. Após a posse, a Presidência dará sua primeira coletiva de imprensa.

     

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  • 11/05/2011

    Assembléia da CNBB e os índios

    Indígenas e missinários do Cimi em Mato Grosso do Sul manifestam alegria pela nomeação de dom Dimas Lara Barbosa para arcebispo de Campo Grande

    Por Egon Heck

    Como vem acontecendo nas últimas décadas, a questão indígena foi colocada de forma contundente, em toda sua dureza e violência, pelo presidente do Cimi, dom Erwin Krautler, nesta 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada entre 3 e 13 de maio, em Aparecida (SP). Em seu pronunciamento, mais uma vez teve destaque a dramática situação nos Guarani Kaiowá:

    “O Estado de Mato Grosso do Sul tem sido recordista em violências contra os povos indígenas. Ali as comunidades indígenas são obrigadas a viver em beira de estrada, são frequentemente expulsas de seus acampamentos, têm suas barracas e pertences queimados e seus líderes assassinados. Cerca de 50% dos assassinatos de indígenas ocorre naquele estado. De acordo com recente informação do Ministério Público Federal (MPF), na terra indígena de Dourados, constituída de três mil e seiscentos hectares, nos quais vivem, em situação de confinamento, mais de 12 mil indígenas, o índice de homicídios é 800% maior que a média nacional. Esta prática de violência contra os povos indígenas no Mato Grosso do Sul, especialmente em relação ao povo Guarani Kaiowá, não deixa de ser um genocídio.

    A omissão em relação ao intenso processo de violências enfrentadas pelos Guarani Kaiowá é talvez o elemento mais significativo da falta de interesse do governo federal pelos povos indígenas. Os abusos contra este povo têm sido denunciados pelo Cimi e por outras organizações de defesa dos direitos humanos e indígenas no Brasil e em nível internacional. Entretanto, mesmo assinando um Termo de Ajustamento de Conduta, no qual a Funai se comprometeu, em 2008,  em realizar os estudos de identificação e delimitação de terras de ocupação tradicional indígena naquele estado, até o presente momento o órgão indigenista está omisso. “A demarcação das terras poderia evitar a morte de centenas de pessoas do povo Guarani Kaiowá”.

    Dom Erwin em diversas ocasiões tem reafirmado que a situação dos Guarani Kaiowá é das mais graves que ele já viu em toda sua vida. Comovido por essa realidade e está cobrando providências das autoridades responsáveis, em todos os lugares por onde está passando.

    Dom Dimas, novo arcebispo de Campo Grande

    Os Guarani e seus aliados ficaram muito felizes com a nomeação do novo arcebispo de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa. O então arcebispo esteve em março do ano passado em Mato Grosso do Sul, quando visitou junto com o Cimi diversos acampamentos do povo Guarani no cone Sul do estado. Naquela ocasião, juntamente com dom Erwim, pôde sentir um pouco da dor e injustiça de que são vítimas os mais de 40 mil indígenas deste povo. Nesta ocasião se comprometeu de levar essa realidade à igreja e também às esferas do governo (presidente da República, Ministro da Justiça…) e pedir providências urgentes, especialmente com relação à demarcação das terras. Também se comprometeu a dar visibilidade a essa realidade, promovendo um debate a respeito nas emissoras católicas de TV.

    Dom Dimas voltou a Dourados, pouco tempo depois, para pregar durante um retiro para o clero local. Esse conhecimento da grave situação e dos conflitos existentes nessa região certamente serão parte de sua ação de pastor em Campo Grande e no regional Oeste 1 da CNBB. Isso ele manifestou em seus primeiros pronunciamentos e entrevistas à imprensa regional.

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  • 11/05/2011

    Dourados – onde tudo é possível

    Por Egon Heck

    O jornal Folha de Dourados (6 a 12 de maio) em suas manchetes e textos mostra um pouco do que se passa nessa prospera cidade de quase 200 mil habitantes, no cone Sul do Mato Grosso do Sul.  Comenta as agruras de membros de uma ilustre família política de ex-prefeito, ex-vereador e deputado estadual, “A misteriosa prisão do Bin Laden douradense”.  Na fazenda da família, que em parte fica dentro de uma terra indígena, cuja portaria declaratória foi assinada recentemente pelo Ministro da Justiça, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado encontrou várias armas. Ainda na página cinco do jornal, destaque para a 47ª Expoagro, no coração do agronegócio, onde os organizadores esperam movimentar 84 milhões de reais. Uma das bandeiras nessas exposições é contestação dos processos de reconhecimento das terras indígenas. Conforme o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, “essa questão não vai acabar tão cedo, estamos atentos e mobilizados.

    Enquanto isso repercute na imprensa regional, a situação de extrema violência na Terra Indígena Dourados, que é 800 vezes maior que a média nacional, não ganha grande destaque na mídia. Vários encontros têm sido promovidos pelo Ministério Público Federal, mas até o momento nenhuma ação efetiva foi tomada.  Anastácio Peralta Kaiowá, membro da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), afirma que a polícia não está presente nas áreas indígenas porque não existe uma efetiva política de segurança pública para os povos indígenas.

    Primeira Vila Olímpica em terra indígena

    Ao mesmo tempo o jornal estampa o convite para a inauguração da Vila Olímpica na Terra Indígena Dourados. Há quem afirme ser a única no gênero dentro de terra indígena, em todo o país. Logo na área que tem se notabilizado pelo altíssimo índice de violência, em decorrência, em grande parte pelo confinamento dos mais de 13 mil indígenas que ali vivem. São famílias pertencentes a três povos – Kaiowá, Guarani e Terena, vivendo em 3.500 hectares de terra.

    A obra, que segundo o jornal, custou mais de um milhão e meio de reais, teve uma rápida cerimônia de inauguração, neste dia 9 de maio.  Conforme alguns diziam, trata-se de mais uma das várias inaugurações que a mesma obra já teve. Aliás, mais parecia um comício de não índios. Com a diferença de que quem serviu de saco de pancadas foi a Funai, que nas palavras iradas do governador André Puccineli  “apenas quer ter a reserva de  mercado dos indígenas.  Ela não faz e nem deixa fazer. Que a Funai nacional tenha vergonha na cara e dê condições de trabalho, sem tutelar…”.

    Ainda em tom ufanista, Puccineli declarou que não houve governo que mais fez do que do que o dele no estado, e desfilou uma ladainha de números, destacando as 14.557 cestas básicas que distribui, aumentando de 22 para 26 quilos, das inúmeras casas, escolas construídas, patrulhas mecanizadas. O governador terminou sua catilinária dizendo: “Que deseja integrar os índios a partir do conceito de produção, para dar a eles a verdadeira independência”.

    No fundo do ginásio, seu Getulio, importante liderança da aldeia Bororó, demonstrou sua indignação com o evento: “Nenhum Kaiowá foi convidado para estar lá na frente. Se aqui tivessem feito uma oga pysy – casa de reza – seria muito melhor. Kaiowá é mbaretê (forte), por isso, vamos continuar nossa luta com nossas Aty Guasu”. E terminou com ironia: “Se fosse falar de terra aqui seria perigoso cair no chão”.

     “A Vila Olímpica Indígena de Dourados poderá propiciar uma nova fase na vida da população indígena, oferecendo um espaço nobre para a prática de esporte e lazer, como alternativa à violência e criminalidade dentro da Reserva Indígena”, afirma o deputado Rezende, um dos agenciadores da obra.

    Formatura da 3ª turma do Ará Vera sem Rolindo

    Na mesma Câmara de Vereadores, onde tantos escândalos foram revelados ultimamente, aconteceu a formatura dos alunos do Magistério Indígena Ará Vera. Durante o evento, uma ausência tomou conta dos sentimentos: a falta dos professores Rolindo e Genivaldo Vera. Rolindo, sumido e possivelmente executado no fim de 2009, quando estava com seu povo do Ypo’i na retomada de sua terra tradicional, se transformou, juntamente com Genivaldo, também assassinado nesta ocasião, um símbolo e paradigma dos professores Kaiowá Guarani.

    Nesta mesma casa, há duas semanas foi aprovado o projeto que institui a “Semana dos Povos Indígenas de Dourados”, que, conforme seu propositor, o vereador Elias, será uma forma de garantir apoio e recursos do município para as atividades culturais e esportivas que as comunidades indígenas do município venham a programar, juntamente com a prefeitura.

    Volta do Acampamento Terra Livre

    Em torno de 80 representantes do Mato Grosso do Sul participaram do Acampamento Terra Livre e do Encontro sobre as terras em conflito, em Brasília. Ao retornarem as suas aldeias, foram unânimes em destacar a importância dessa mobilização indígena nacional. Porém evidenciaram que lá foram para lutar pelos seus direitos, especialmente à terra, situação exposta de forma contudente nos documentos que levaram, tanto em nome da Aty Guasu, como das diversas comunidades em luta pela terra. Por essa razão expressaram seu descontentamento com aqueles que tentaram direcionar os debates apenas para a troca da presidência da Funai.

    Voltaram animados por sentir que sua luta continua sendo uma luta assumida como prioridade pelo movimento indígena brasileiro. Porém esperam gestos concretos dessa solidariedade, assim como tem acontecido por vários anos com a Raposa Serra do Sol, em Roraima.

     

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  • 11/05/2011

    Maior proporção de miseráveis está entre população indígena

     

    De acordo com análise por cor ou raça do Censo 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior proporção de miseráveis está entre a população indígena.

    A taxa é de 40% e superior à verificada nos demais grupos: 12% (pardos), 10% (pretos), 9% (amarelos) e 5% (brancos).

    O Brasil possui uma linha de miséria oficial, definida pelo Governo Federal com base em dados econômicos – renda média domiciliar per capita de até R$      70. Aplicada aos dados do Censo 2010 do IBGE, os grupos mais vulneráveis são as crianças, os indígenas e os moradores de regiões do Nordeste.

    No caso dos povos indígenas do Nordeste, são dezenas de comunidades que se enquadram nos três grupos apontados pelo censo.

    Maranhão (26%), Piauí (21%) e Alagoas (20%) apresentam as maiores taxas de miserabilidade entre os Estados.

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  • 10/05/2011

    Mais de 50 entidades repudiam mudanças no Código Florestal

     

    Manifesto contra as mudanças em discussão no Código Florestal

    O Seminário Nacional sobre o Código Florestal, realizado em São Paulo no dia 7 de maio de 2011, reuniu 400 participantes de 50 entidades, movimentos populares, parlamentares, cientistas, acadêmicos e organizações sociais do campo e da cidade. Dessa ampla articulação, manifestamos nosso repúdio ao projeto de Lei 1876/99 e ao substitutivo apresentado pelo relator, deputado Aldo Rebelo, em trâmite na Câmara dos Deputados e que versa sobre alteração do Código Florestal.

    O substitutivo apresentado pelo relator afronta princípios caros à sociedade brasileira, além de contrariar disposições da Constituição Federal. A intenção de desmonte e fragilização da legislação é evidente e somente a possibilidade de mudança no Código já esta causando o aumento da degradação ambiental.

    Denunciamos a falta de participação e democracia em relação à forma como esse debate, que é de interesse nacional, vem sendo realizado. Ao contrário do que os defensores afirmam, o projeto e seu substitutivo não contemplam as demandas da agricultura familiar e camponesa, das populações tradicionais e quilombolas.

    Do mesmo modo, não há respeito às especificidades das cidades brasileiras e não são incorporadas as propostas dos movimentos sociais urbanos, que defendem políticas de justiça social para a população de baixa renda, sempre exposta e marginalizada em áreas de maior risco. Tampouco estão presentes as contribuições e avanços da ciência com relação à possibilidade de maior aproveitamento sustentável do uso do solo.

    Para construir uma política ambiental que leve em conta os interesses do povo brasileiro e das futuras gerações, é preciso mais tempo para que as questões controversas sejam amplamente debatidas e apropriadas pela sociedade de forma mais abrangente. Não aceitamos que mudanças de tamanha envergadura sejam votadas às pressas sem o necessário envolvimento de todos os setores envolvidos.

    Na verdade, as mudanças propostas favorecem empreendimentos de interesse empresarial e não social, como a especulação imobiliária no campo e na cidade, o latifúndio, o agronegócio, as grandes empresas nacionais e estrangeiras, como a indústria de celulose e papel. A defesa dessa alteração só irá beneficiar os mesmo setores que perpetuam a prática do trabalho escravo e outras iniciativas que afrontam direitos humanos.

    São estes interesses que defendem as alterações contidas no projeto, por exemplo, a suspensão das multas e anistia a crimes ambientais do latifúndio e do agronegócio, que avança de forma violenta sobre nossos bens naturais, assim como a isenção das reservas legais em qualquer propriedade.

    As reservas legais são áreas que admitem exploração sustentável e assim devem ser mantidas. Somos contra a transformação de tais áreas em monocultivos de espécies exóticas. Consideramos necessário melhorar a fiscalização e denunciar o desmonte dos órgãos ambientais e, ao mesmo tempo, ter políticas de incentivo à recuperação das áreas degradadas. Não podemos retroceder.

    É preciso estabelecer clara diferenciação entre a agricultura extensiva, de monocultivo para exportação, e a agricultura familiar e camponesa, responsável por 70% dos alimentos que vai para mesa dos brasileiros, segundo o censo do IBGE. Portanto, é preciso ter políticas para agricultura familiar e camponesa, que afirmam um projeto de agricultura no qual não há espaço para o agronegócio.

    Precisamos reforçar uma política ambiental nacional, com maior apoio aos órgãos fiscalizadores, em vez de ceder às pressões das elites rurais para tirar essa competência da esfera federal. Nos manifestamos contra a flexibilização das áreas de preservação permanente nas áreas rurais, pois sem elas a própria agricultura estaria em risco. Defendemos uma ampla política de reforma agrária e urbana, a demarcação das áreas indígenas e a titulação dos territórios quilombolas, com proteção de nossas florestas, rios e biodiversidade. Denunciamos a repressão aos camponeses e as populações de baixa renda nas cidades. 

    O que está em jogo é o próprio modelo agrícola, ambiental e de uso do solo no Brasil, contra as propostas da bancada ruralista e do capital financeiro e especulativo. Defendemos que nossos bens naturais sejam preservados para todos os brasileiros, para garantir o próprio futuro da humanidade.

    Esperamos que a presidenta Dilma mantenha seus compromissos de campanha no que toca à não flexibilização da legislação ambiental e nos comprometemos a apoiar e dar sustentação política na sociedade para enfrentar os interesses do agronegócio que vem buscando o desmonte da legislação ambiental. Conclamamos ao povo brasileiro a se somar nessa luta contra as mudanças no Código!

    SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE O CÓDIGO FLORESTAL
    São Paulo, 7 de maio de 2011

    ABEEF – Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal

    ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária

    Amigos da Terra America Latina e Caribe – ATALC

    Amigos da Terra Brasil

    Andes/SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior

    Associação Alternativa Terrazul

    Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes

    Associação dos Docentes da UNEMAT

    Assembléia Popular

    Casa da Cidade – São Paulo

    Cimi – SP – Conselho Indigenista Missionário

    Coletivo Curupira

    Coletivo Ecologia Urbana

    Conlutas

    Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo

    CNBB  – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

    CUT – Central Única dos Trabalhadores

    ENEBio – Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia

    FASE – Solidariedade e Educação

    FEAB – Federação Brasileira dos Estudantes de Agronomia

    FETRAF – Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar

    Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

    Fórum Sindical dos Trabalhadores

    Greenpeace Brasil

    Grito dos Excluídos

    Grupo de Ecologia Timbó – Botucatu / SP

    Grupo de Preservação dos Mananciais do Eldorado – GPME  / SP

    Instituto Terramar – Ceará

    Instituto Marina Silva

    Instituto de São Paulo de Cidadania e Política

    Intersindical

    Jornal Brasil de Fato

    Jubileu Sul

    MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens

    MMC – Movimento de Mulheres Camponesas

    Marcha Mundial das Mulheres

    Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC – SP

    Movimento Humanos Direitos

    MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

    MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores

    Mutirão Agroflorestal

    OAB – SP

    Pastorais Sociais / CNBB

    Rede Brasileira de Ecossocialistas

    Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

    Rejuma – Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade

    Repórter Brasil

    SAPA -Secretaria Acadêmica dos estudantes da Engenharia Ambiental da USP de São Carlos.

    Sociedade Chauá

    SEMADS – Setorial de Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT RJ

    SOS Clima Terra

    Terra de Direitos

    Via Campesina

    Vitae Civilis

    Deputado Federal Ivan Valente – PSOL/SP

    Deputado Paulo Teixeira – PT

    Vereador Gilberto Natalini – SP

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  • 10/05/2011

    Cimi: apoio irrestrito à decisão da CIDH sobre Belo Monte

    Dr. Santiago Canton

    Secretário Executivo

    Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH

    1889 F Street, NW,

    Washington DC, 20006

    EUA

    Email: [email protected]

     

    10 de maio de 2011

     

     

    Estimado Sr. Cantón,

     

    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem por meio desta manifestar seu apoio irrestrito à decisão de data do 1 de abril de 2011 feita por esta Honorável Comissão garantindo as medidas cautelares (MC-382-10) em prol das comunidades tradicionais gravemente ameaçadas pela construção do Complexo Hidrelétrico Belo Monte, no estado do Pará, Brasil. 

     

    O Cimi é uma entidade indigenista, fundada em 1972, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos Brasil (CNBB), que desenvolve atividades de assessoria às comunidades indígenas do Brasil, especialmente na defesa de seus territórios tradicionais.

     

    Apesar das reações abruptas do governo brasileiro com a referida decisão, a sociedade civil tem aclamado e apoiado a decisão da Comissão Interamericana, considerando que o Brasil é signatário dos tratados internacionais debaixo dos quais assumiu o compromisso de respeitar os direitos humanos de todas as pessoas em seu território.

     

     

    Conforme demonstrado na resolução de medidas cautelares, além de vários informes de equipes técnicos do governo federal, de científicos, do Ministério Público Federal (MPF) e do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), existem evidências abundantes que comprovam, de forma irrefutável, que o planejamento e licenciamento do Complexo Belo Monte têm envolvido sérios atos de descumprimento da legislação brasileira e de acordos internacionais referentes ao consentimento prévio livre e informado, aos direitos humanos e à proteção do meio ambiente.

     

    Como outras entidades da Sociedade Civil, o Cimi tem denunciado essas ilegalidades ao longo dos anos e insistido para que o governo se disponha ao diálogo aberto e franco com a sociedade brasileira e com as comunidades impactadas pelo empreendimento de Belo Monte.  A pesar de várias promessas feitas, inclusive pelo próprio presidente Lula, o governo nunca se abriu para esse diálogo. Por outro lado, acelerou o processo de licenciamento da usina, motivo pelo qual o Cimi, através de seu presidente, o bispo da prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler, declarou sua desistência de continuar insistindo no diálogo, como pode ser comprovado na nota pública que anexamos a esse documento.

    O Cimi ainda repudiou a resposta do governo, em particular, da Funai, órgão governamental responsável pela política indigenista do país, ao requerimento da CIDH. A resposta da Funai, além de apresentar uma distorção dos fatos, incorre em preconceitos e estimula o racismo contra os povos indígenas. Segue, em anexo, a nota pública a respeito.

     

    Entendemos que, caso o empreendimento venha a ser construído, esta situação certamente resultará em irremediáveis violações aos direitos de comunidades indígenas e outras populações locais ameaçadas, inclusive grupos indígenas que vivem em isolamento voluntário.

     

    Uma audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal no último 7 de abril, em Belém, Pará,  aprovou um manifesto em apoio à vossa decisão de solicitar ao governo brasileiro a suspensão imediata do processo de licenciamento da obra em função do potencial prejuízo que a construção da usina poderá trazer aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu.

     

    Considerando a gravidade deste assunto, gostaríamos de deixar expresso e claro que o governo brasileiro tem ignorado e desrespeitado a vontade das comunidades e do conjunto da sociedade brasileira, a qual reconhece a gravidade dos impactos e violações que a obra de Belo Monte acarretariam e também reconhecem a importância de que os afetados sejam devidamente consultados. Assim, expressamos nossa própria “perplexidade” frente à

     

     

    postura do Estado Brasileiro neste momento crítico e compartimos nosso completo apoio à decisão de suspender imediatamente as obras e o processo de licenciamento da UHE Belo Monte.

     

    Agradecemos a sua atenção.

    Atenciosamente,

     

    Eden Magalhães

    Secretario-Geral do Cimi

     

     

    Leia mais:

    Belo Monte: O Diálogo que não houve – Carta aberta à Opinião Pública Nacional e Internacional

     

    Funai mente sobre Belo Monte e ressusctia critérios racistas de Indianidade

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  • 09/05/2011

    STF garante demarcação da Terra Indígena Yvy-Katu em MS

    Corte rejeitou argumentos de que não houve possibilidade de apresentação de defesa pelos proprietários

     

    A legalidade do procedimento de demarcação da Terra Indígena YVY-Katu, localizada no município de Japorã (MS), foi garantida em sessão realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (3).

     

    Por unanimidade, a 1ª Turma do Tribunal rejeitou os argumentos apresentados pela Agropecuária Pedra Branca Ltda, que pretendia anular a demarcação. A empresa alegou suposta violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como do devido processo legal. Ainda sustentou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) não teria oferecido oportunidade para manifestação dos interessados.

     

    O Supremo entendeu que os argumentos contrários à demarcação foram objeto de análise pela Funai, mediante pareceres e respostas formais, o que comprova que, ao longo de todas as etapas do processo, observou-se o contraditório e a ampla defesa bem como o princípio do devido processo legal.

     

    A 1ª Turma concordou com os argumentos, negou provimento ao recurso impetrado pela empresa e manteve a demarcação da área indígena.

     

    Demarcação válida

     

    A União demonstrou ao Supremo que a demarcação cumpriu rigorosamente a legislação vigente à época da identificação da área (Decreto nº 1775/96 e Portaria do MJ nº 1.289/05).

     

    O Ministério da Justiça já atua como instância revisora nos procedimentos de demarcação de terras indígenas, apreciando as razões apresentadas pelos interessados e rejeitadas pela Funai antes da edição de portaria de demarcação.

     

    O processo de demarcação da Terra Indígena YVY-KATU, também chamada de Porto Lindo,  já dura 27 anos.

     

    Referência processual no STF:

    Recurso Ordinário em Mandado de Segurança nº 26.212 – STF

     

    Com informações da Advocacia-Geral da União

     

    Assessoria de Comunicação Social

    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

    (67) 3312-7265 / 9297-1903

    (67) 3312-7283 / 9142-3976

     

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  • 09/05/2011

    Com o coração enterrado na curva do rio

    José Ribamar Bessa Freire

    08/05/2011 – Diário do Amazonas

     

    Uma das chaves para entender o assassinato de Osama bin Laden talvez esteja no codinome ‘Geronimo’, escolhido para designar a missão norte-americana, formada por 79 membros da tropa de elite da Marinha, que entrou em território do Paquistão com quatro helicópteros ultra-sofisticados, invadiu a casa do ex-aliado da CIA, encontrou-o desarmado e o executou. Afinal, o que é que Gerônimo, chefe Apache do séc. XIX, tem a ver com essa história?

     

    – “Nada. Isto é uma distorção da História. É um insulto e um erro que tenham usado esse nome para designar a operação” – protestou Harlyn Geronimo, bisneto do chefe Apache. Ele, que arriscou sua vida servindo à pátria na 2ª Guerra Mundial e na invasão ao Vietnã, pediu explicações do presidente Obama e exigiu que o nome Geronimo fosse retirado dos documentos oficiais referentes a essa operação.

     

    O protesto familiar foi engrossado pelo atual líder Apache, Jeff Houser, que elogiou o sucesso da missão antiterrorista, mas em carta aberta ao presidente dos EUA, denunciou a associação entre “o símbolo heróico da resistência indígena no país ao símbolo do terrorismo internacional”. Segundo ele, isso reforça a imagem falsa, difamatória e estereotipada dos Apache, que foram tratados como selvagens com o “pretexto para a remoção forçada de suas terras”.

     

    Vários líderes de organizações indígenas nos EUA também formalizaram suas queixas, quinta-feira passada, na Comissão de Relações Indígenas do Congresso Americano que trata dos “estereótipos racistas e das populações autóctones”. Eles exigiram que o presidente americano peça desculpas. Até agora, Barack Obama, que confraterniza com as tropas americanas, não deu qualquer resposta. Talvez porque ele concorde com os militares, para quem Geronimo e Osama são “dois renegados”. São mesmo?  

     

    Os Renegados

     

    Fiz essa pergunta a Dee Brown, um americano que entende do assunto, não diretamente, mas consultando seu livro – Enterrem meu coração na curva do rio – publicado em 1970. Ele respondeu com o capítulo intitulado – O último Chefe Apache – que traz a biografia do guerreiro Goyaalé, nome indígena de Gerônimo (1829-1909).

     

    Lá, ele descreve a resistência apache contra tropas mexicanas e americanas e conta como uma companhia de 400 soldados assassinou, em 5 de março de 1851, centenas de apaches desarmados, a maioria mulheres e crianças, entre as quais a mãe de Geronimo, sua mulher Alope e seus filhos.

     

    Essa história foi reconstituída por Dee Brown, filho de um lenhador da Louisiana, quando trabalhou como bibliotecário no Ministério da Agricultura. Ele, que em sua infância havia brincado com crianças Choctaw, estava antenado para a questão indígena. Pesquisou no arquivo os documentos sobre o tema: relatórios governamentais, tratados, mapas, atas de conselhos e reuniões tribais com autoridades civis e militares, livros de pequena circulação e jornais alternativos que registraram o discurso dos índios. Concluiu que satanizaram o líder Apache:

     

    – “Transformaram Geronimo num demônio especial, inventando histórias de atrocidades às dúzias e pedindo vigilantes para enforcá-lo, se o governo não o fizesse. A fuga do grupo de Geronimo através do Arizona foi o sinal para uma torrente de boatos intensos. Os jornais publicaram grandes manchetes: OS APACHES FUGIRAM! A simples palavra “Geronimo” tornou-se um grito de sangue”.

     

    O autor se apoiou em declarações não de qualquer antropólogo comunista, mas do próprio general George Crook, enviado pelo Exército Americano para caçar Geronimo. Depois de conviver com os índios, o general mudou de opinião: “É muito freqüente jornais fronteiriços disseminarem toda espécie de exageros e falsidades sobre os índios, o que é copiado em jornais de elevado conceito e ampla circulação em outras partes do país, enquanto o lado índio do caso é raramente divulgado. Desta forma, as pessoas ficam com idéias falsas sobre a questão. Então, quando há o clímax, a opinião se volta contra os índios”.

     

    Ouvir o “outro lado”. O general Crook queria que os índios fossem ouvidos, para evitar a satanização deles. Por isso, foi demitido pelo Ministério da Guerra e substituído pelo general Nelson Miles. O novo comandante das tropas organizou, em abril de 1886, uma espécie de “Operação Osama”. Mobilizou 5 mil soldados – um terço da força de combate do Exército – e milhares de milicianos civis armados, montou um custoso sistema de heliógrafos para enviar mensagens e, num clima de histeria coletiva, atacou os Apache que na época já estavam reduzidos a um “exército” de… 24 guerreiros.

     

    A rendição

     

    Foi aí, então, que Geronimo se rendeu, em setembro de 1886, cansado de lutar durante trinta anos contra dois exércitos: o mexicano e o americano. Na época, ele tinha seis esposas: Chee-hash-kish – com quem teve dois filhos – Nana-tha-thtith que lhe deu outro filho, Zi-yeh, She-gha, Shtsha-she e Ih-Tedda. Algumas delas, entre as quais a última, estava com Geronimo e foi com ele aprisionada..

     

    Geronimo, suas mulheres, seus filhos e os 24 guerreiros Apache foram encarcerados. Ele permaneceu prisioneiro do governo americano durante 23 anos, quando morreu, em 1909, vítima de uma pneumonia, na prisão de Fort Sill, em Oklahoma, em cujo cemitério foi enterrado. Seus ossos foram, posteriormente, roubados por membros da sociedade secreta Skull and Bones (Crânio e Ossos) e levados para sua sede em New Haven, onde seu crânio podia ser visto dentro de um pote de vidro.

     

    O historiador Marc Wortman, que fez essa revelação, se apoiou numa troca de correspondência entre membros da sociedade secreta – da qual fazia parte Prescott Bush, avô do ex-presidente George W. Bush – especialmente numa carta datada de junho de 1918 que ele encontrou nos arquivos da biblioteca de Yale. Agora, Harlyn Geronimo está processando o governo americano, pedindo que os ossos do seu bisavô sejam enterrados na sua terra natal, perto do rio Gila, no Novo México.

     

    O livro de Dee Brown, que faz a biografia de Geronimo, começa com a grande marcha dos Navajo, em 1860 e termina com o massacre aos Sioux, trinta anos depois, nas margens de um riacho chamado Wounded Knee, com o exterminio de homens, mulheres e crianças. Ele conta como, em três décadas, quando a população americana pulou de 31 milhões para 62 milhões de habitantes, colonos inescrupulosos, amparados pelo próprio governo, invadiram e roubaram as terras indígenas, encontrando forte resistência por parte dos índios, que lutaram em defesa de seu território.

     

    Nesse período se consolidou a política de remoção indígena do governo americano, que consistiu em espoliar os índios de suas terras, removendo-os para o oeste do rio Mississipi, formando o Território Indígena que deu origem ao atual estado de Oklahoma. Essa migração forçada, que semeou dor, desespero e morte, foi denominada pelos índios de ‘trilha das lágrimas’. 

     

    A rota da dor

     

    Dee Brown, que publicou fotos dos chefes indígenas encontradas no Instituto Smithsoniano, conta como reconstruiu esse caminho: “Embora os índios que viveram durante esse funesto período tenham desaparecido da face da terra, milhões de suas palavras foram conservadas e estão contidas nos registros oficiais. Com todas essas fontes da quase esquecida história oral, tentei armar uma narrativa da conquista do Oeste Americano segundo suas vítimas, usando suas palavras sempre que possível”.

     

    Às vezes, o autor reproduz falas de oficiais do exército americano, como as do capitão Nicholas Hodt: “Os navajo, squaws e crianças correram em todas as direções e foram atacados com tiros e baionetas. Vi, ali, um soldado matando duas criacinhas e uma mulher. Ordenei imediatamente que o soldado parasse. Ele olhou, mas não obedeceu a minha ordem. Corri, mas não consegui impedi-lo de matar as duas crianças inocentes”.

     

    Lendo o livro de Dee Brown, é possivel concluir que a Missão Osama bin Laden podia ter sido chamada com qualquer outro nome de dezenas de chefes indígenas: Geronimo, Antílope Branco, Nuvem Vermelha, Touro Sentado… Todos eles foram igualmente massacrados num processo em que não foram ouvidos.

     

    Um oficial que cavalgava atrás do coronel Chivington conta que viu Antílope Branco, desarmado, se render, com as mãos para o alto, dizendo: Parem! Parem! “Falava isso num inglês tão bom quanto o meu”. Cruzou os braços até ser atingido. Os sobreviventes dos Cheyenne disseram que Antílope Branco cantou a canção da morte antes de expirar: ‘Nada vive muito tempo / só a terra e as montanhas’.

     

    O corpo de Antílope Branco, como o de bin Laden, também não podia ser mostrado. Outro oficial, o capitão Soule, testemunhou: “Vi o corpo de Antilope Branco com os genitais cortados e ouvi um soldado dizer que iria fazer uma bolsa de fumo com eles”.

     

    Diante de tanta barbárie, o cacique Sioux Sinte-Galesha criticou a guerra como forma de solucionar conflitos e apontou para a diplomacia: “Nossa vontade é viver aqui, em nossa terra, pacificamente, e fazer o possível pelo bem-estar e prosperidade de nosso povo. Quando povos entram em choque, é melhor para ambos os lados reunirem-se sem armas e conversar sobre isso, é encontrar algum modo pacífico de resolver”.   

     

    Um dos sobreviventes do massacre foi o cacique sioux Touro Sentado, que no verão de 1885 fez parte do Show do Oeste Selvagem de Buffalo Bill, viajando pelos Estados Unidos e Canadá. Ele dava as moedas que recebia às crianças pobres e famintas não indígenas e não entendia como a sociedade de consumo, que produzia tantos bens, podia ser tão indiferente aos seus pobres.

     

    O homem branco sabe como fazer tudo – disse – mas não sabe como distribuir isso”.

     

    O que é que Osama bin Laden tem a ver com Geronimo e outros chefes indígenas? Os terroristas da Al Qaeda, que mataram inocentes, semeando a dor e o luto, devem estar orgulhosos, pegando carona no nome de um guerreiro que lutou por seu povo e por sua terra. De todos os modos, o tempo vai mostrar que o terrorismo de Estado praticado pelo governo americano, como forma de combater o outro terrorismo, é uma forma truculenta, burra e ineficaz e que os índios têm razão quanto apontam o caminho da conversa e da negociação.

     

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