• 09/08/2011

    Jornal Porantim

    Na língua do povo Sateré-Mawé (AM), Porantim significa arma, remo e memória. Baseado nestes significados, nasceu o Jornal Porantim. Uma importante arma na luta pelos direitos dos povos indígenas. Um instrumento de comunicação que há mais de 30 anos rema contra a maré de poder dos grandes veículos.

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  • 09/08/2011

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    JORNAL PORANTIM

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    Na língua do povo Sateré-Mawé (AM), Porantim significa arma, remo e memória. Baseado nestes significados nasceu o jornal Porantim. Uma importante arma na luta pelos direitos dos povos indígenas. Um instrumento de comunicação que, há mais de 30 anos, rema contra a maré de poder dos grandes veículos. Um jornal que ajuda a preservar a memória dos diversos povos indígenas, suas histórias, origens e tradições.

     

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  • 09/08/2011

    Com a proteção de Ñanderu Vussu

    Por Egon Heck

    Três dias e noites de reza e ritual.  Estão preparados, prontos, protegidos para retornar ao tekohá Mbaraka’y-Pyelito Kue. Madrugada agradável.Sob o olhar atento da lua se põem a caminho. A terra sagrada onde nasceram os mais velhos das duas famílias extensas, onde estão enterrados seus antepassados, é ali o lugar de viver seu teko – jeito de viver Kaiowá Guarani. Na lembrança, uma história marcada por sofrimento, mortes, expulsões. No coração, a inquebrantável vontade de viver novamente feliz e em paz em seu tekohá. À frente a certeza de que desta vez prevalecerá a Justiça, a lei maior, que lhes garante suas terras tradicionais.

    Tantas lágrimas derramadas, tanto sofrimento, mortos e desaparecidos como Arcelino Oliveira Teixeira, que tinha apenas 18 anos.

    Dia 8 de agosto certamente ficará como mais uma data importante da luta dos Kaiowá Guarani por suas terras. Na madrugada deste dia ligaram para seu amigo Ava Vera Arandu dizendo-lhe por telefone: “voltamos aqui para não mais sair vivos. Se os pistoleiros atacarem, nós vamos morrer. Por favor, comunique a todos”, que me enviou a mensagem.

    História de luta, sofrimento e esperança

    Ava Vera Arandu relata a trajetória de luta dos membros desse tekohá: “é importante relembrar que em julho 2003 um grupo tentou retornar a esse tekohá. Dois dias depois os pistoleiros das fazendas invadiram o acampamento e expulsaram os indígenas com extrema violência, torturaram e fraturaram as pernas e os braços das mulheres, crianças e idosos. Da mesma maneira, em 8 de dezembro de 2009, o grupo kaiowá retornou novamente. Dois dias depois sofreram as mesmas violências, quando foram todos amarrados,  fraturaram os braços,  jogaram em cima das caminhonetes e jogaram na margem da rodovia”.

    Desta vez, porém, acreditam que seja respeitado o direito da comunidade, pois o mundo inteiro está sabendo dessa decisão e ação. Trata-se dos mais elementares direitos humanos desse povo. E como apontado em recente relatório da Anistia Internacional, é lamentável a situação de violência contra os Kaiowá Guarani e a inaceitável demora no reconhecimento dos territórios desse povo no Mato Grosso do Sul.

    As famílias extensas de Mbaraka’i e Pyelito Kue esperam que a Funai agilize o processo de identificação e demarcação das terras e contam com a solidariedade dos amigos que lutam pela justiça, no Brasil e no mundo.

    Vidas abreviadas

    Juliano Jorge Pedro. Seu corpo, metade sobre o asfalto, outra metade na terra. Cabeça estraçalhada. Assim foi encontrado mais um jovem Kaiowá Guarani, próximo à Terra Indígena Panambizinho, município de Dourados, no início deste mês.

    Ninguém sabe como aconteceu o atropelamento, qual carro o atingiu. Apenas mais um corpo estirado no chão, envolto na noite escura do mistério e da impunidade.

    Juliano cursava o segundo ano do ensino médio em sua aldeia. Nos últimos tempos destacou-se por seu interesse em recuperar ambientalmente a terra devastada, com o plantio de árvores nativas e frutíferas. Foi um dos entusiastas participantes das iniciativas do projeto Yvy Akandiré, coordenado pelo Cimi com apoio de instituições da ONU e embaixadas.

    Há menos de um mês, Juliano participou de uma viagem de intercâmbio com uma experiência de agroecologia numa terra indígena Paí Taviterã (denominados Kaiowá no lado brasileiro) no município de Capitão Bado. Naquela ocasião ele demonstrou seu entusiasmo em poder contribuir com um futuro melhor para seu povo.  Sua vida e esperança foram abreviadas.  Mais um nome na lamentável lista de vítimas da violência, dos assassinatos, dos atropelamentos, dos suicídios e homicídios em que se encontram as comunidades Kaiowá Guarani no Mato Grosso do sul.

    Esperança à Kurusu Ambá

    Hoje também estará sendo julgada a ação de agravo de Kurusu Ambá.  Lideranças da comunidade estarão acompanhando o julgamento na Justiça Federal, em São Paulo. Os Kaiowá Guarani esperam que a decisão seja similar à tomada em relação ao Ypoi, ou seja, que a comunidade permaneça onde está até que a Funai conclua os trabalhos de identificação da terra.

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  • 09/08/2011

    Povo Kaingang bloqueia sete rodovias no RS por melhorias na saúde indígena

    Por Renato Santana

    De Brasília  

    Sete estradas estaduais e federais no Rio Grande do Sul (RS) estão bloqueadas desde a manhã desta segunda-feira (8) pelo povo Kaingang. Os indígenas bloquearam as estradas que cortam seus territórios tradicionais para reivindicar melhores condições na área da saúde – luta travada há cerca de dez anos – e a criação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) específico para o Estado. 

    Os indígenas afirmam que as estradas continuarão fechadas até que o coordenador geral de saúde indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, vá ao encontro dos índios para reunião que defina como o Governo Federal irá atender a pauta do movimento. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) acompanham os bloqueios e não há notícias de conflitos, de acordo com as lideranças indígenas. 

    No Rio Grande do Sul vivem aproximadamente 40 mil indígenas atendidos por um único DSEI que toma conta das regiões Sul e Sudeste do país. “A estrutura não suporta a demanda. Nós aqui no Sul somos muito mal atendidos”, frisa o cacique Miro Kaingang, da Aldeia Morro do Osso, localizada em Porto Alegre. Os povos indígenas do RS defendem por isso a criação de um distrito para aproximar as necessidades das comunidades ao aparato do Estado.     

    São em torno de 25 mil Kaingang mobilizados nas aldeias de Irai (quase divisa com Santa Catarina), Nonoai, Serrinha, Ventara, Inhacorá, Guarita, Votouro, Mato Castelhano, Ligeiro e Estrela.  Da mobilização participam também os Kaingang do distrito de Lomba do Pinheiro, comunidade da capital do RS. Há alguns meses, os indígenas organizaram uma comissão para tratar do assunto com Antônio Alves, mas não foram ouvidos. 

    “Por isso decidimos pela ação. Só vamos parar o bloqueio quando formos atendidos pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde, em transição para a Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai). A situação da saúde indígena aqui no RS não pode continuar do jeito que está”, ressalta cacique Miro.   

    Falta de saneamento  

    Conforme as lideranças indígenas, a saúde enfrenta problemas que começam com a falta de saneamento – dentre outras consequências está à péssima qualidade da água – e a inexistência de casas de saúde e atendimento especial aos indígenas – conforme exige a Constituição Federal.  

    “Não existe política de saúde diferenciada. Os povos indígenas têm direito ao atendimento diferenciado. Estão largando a gente no SUS (Sistema Único de Saúde). Muitos índios já morreram antes de se conseguir fazer sequer um exame”, denuncia Augusto Kaingang, coordenador do Conselho de Articulação Indígena Kaingang da Região Sul (Caik).  

    Ele afirma que da sua aldeia, na Terra Indígena Irai, a todas as outras do povo Kaingang, além dos Guarani, povo que, inclusive, vive às margens de diversas rodovias, e dos Charrua, a saúde é uma das demandas que mais causam sofrimento aos indígenas do Rio Grande.  

    Os bloqueios continuarão até que o Governo Federal se pronuncie quanto ao reivindicado: “E avisamos que não aceitaremos promessas. Porque é sempre assim: eles chegam aqui com tudo definido sem nos consultar ou pisar dentro de uma aldeia para ver o que de fato acontece. Não vamos aceitar nenhuma imposição”, diz Augusto Kaingang.

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  • 08/08/2011

    Povo Xavante declara guerra contra segunda expulsão da Terra Indígena Marãiwatsédé

    A primeira retirada forçada dos Xavante de Marãiwatsédé de seu território tradicional aconteceu em 1966

    Renato Santana
    De Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso (MT)
     
    “Nunca Xavante chorou de medo, nunca fugiu de morrer. Xavante sempre enfrenta por seus direitos. Estou preparando muito bem essa guerra, está sendo pensado. É assim desde o século passado. Afirmamos e mantemos isso”. A fala é de cacique Damião Paridzane, da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé, no Mato Grosso (MT). No último dia 28 de julho, parecer jurídico, uma carta escrita pelo cacique, além de um abaixo-assinado chegaram às mãos do desembargador Federal Fagundes de Deus a tratar dos últimos episódios que põe em risco a posse Xavante de Marãiwatsédé.
     
    Com a paciência esgotada, a liderança indígena organiza seu povo para resistir a mais uma tentativa de retirada dos Xavante de seu território originário, além de reivindicar ao governo federal a desintrusão de todos os não-indígenas do território homologado desde 1998 – a morosidade, na avaliação dos indígenas, é a principal razão para mais um tentativa de expulsão do povo Xavante de Marãiwatsédé.
     
    O recado do cacique tem destino certo. Fazendeiros, posseiros, madeireiros e grileiros, invasores do território, se articularam com deputados estaduais e conseguiram que a  Assembleia Legislativa do MT aprovasse, em junho, a Lei nº 9.564 que autoriza o governo do estado a realizar permuta com a União da área homologada de Marãiwatsédé pela do Parque Estadual do Araguaia.

     

    Créditos: Cleymenne / CIMI

    A permuta garantiria aos depredadores e invasores a continuidade da exploração do território indígena – que já perdura desde os anos 1960, década em que ocorreu a primeira retirada forçada dos Xavante de Marãiwatsédé. “A comunidade não quer ser retirada pela segunda vez da terra. Para nós não interessa. Essa lei é contra os direitos que a Constituição dá para os índios. Estamos firmes e animados para a decisão final da Justiça”, disse cacique Damião.
     
    Enquanto os Xavante se organizam para resistir, o governo federal vacila na retirada dos fazendeiros e posseiros que ainda insistem em se manter no território já homologado. Eles são os principais interessados e articuladores da retirada dos Xavante das terras. Mesmo com a declaração oficial da Fundação Nacional do Índio (Funai) contrária à lei aprovada no MT, os cerca de 670 Xavante ocupam somente 20% de um total de 165.241 hectares. O resto da terra continua vítima da grilagem e devastação.    
     
    Em maio deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou que dentro da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé, área da Amazônia Legal, 68,8 quilômetros quadrados estão desmatados, sendo o maior foco do país – o que equivale a 43 vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo. 
     
    “Marãiwatsédé foi demarcada, homologada e ainda tem posseiro, fazendeiro criando gado? Isso é um desrespeito. Queremos que o governo gederal os retire para que meu povo possa recuperar a terra da devastação, muito prejudicada”, reivindicou cacique Damião.
     
    Permuta: mecanismo ilegal
     
    De acordo com parecer jurídico elaborado pelos advogados Denise da Veiga Alves e Adelar Cupsinski, ambos assessores jurídicos do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Terra Indígena Marãiwatsédé é bem de uso especial da União “para o fim específico de posse permanente e usufruto exclusivo de suas riquezas pelo povo Xavante”. Portanto, a Lei nº 9.564 sancionada pelo governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, atinge as raias da inconstitucionalidade.
     
    Outro argumento usado pelos advogados dá conta de que a inalienabilidade e a indisponibilidade – termos constitucionais – sobre Marãiwatsédé significam, na prática, que as terras indígenas não podem ser cedidas, doadas, transferidas, vendidas ou permutadas.
     
    “A posse do território é garantida por força constitucional ao povo Xavante. Não se pode confundir Direito Civil com Direito Originário, o indigenato, ou seja, o direito indígena ao usufruto e posse das terras é anterior a qualquer reconhecimento formal pelo Estado”, completou a advogada Denise.
     
    Um abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas a favor dos índios Xavante foi anexado ao parecer, além da carta. Cacique Damião, que nasceu em Marãiwatsédé, acredita que o apoio externo é importante, sobretudo porque a recuperação ambiental do território é necessidade imediata. Os Xavante vivem de roças de tocos tradicionais: arroz, milho, feijão, abóbora, mandioca, melancia, inhame, cará. Como a terra está muito fraca – não há mata – essa produção não vem em grande quantidade. Eles coletam e caçam, mas pouco para a comunidade. Há também uma roça de arroz mecanizada, que a Fundação Nacional do Índio (Funai) ajuda a manter.
     
    “Isso mostra que estamos confiantes, resistentes. Dentro da tradição na nossa terra tem o inhame, um pouquinho de caça, que quase acabou por conta da ação dos invasores. Sempre digo: índio não pode esquecer a tradição. E nós nunca acabamos por isso. Meu pai faleceu, mas fui criado sem sair da tradição. Essa é a origem do índio no Brasil”, completou.   

    Leia parecer jurídico político na íntegra
     
    Para cacique Damião não existe outro documento que a cultura – num gesto simples, retira um pedaço de madeira de sua orelha esquerda furada e diz: “Isso aqui mostra que sou índio, o toré mostra que sou índio, os rituais mostram que eu sou índio. E a gente tem terra. Nós não invadimos ou roubamos nada. Nos invadiram e nos roubaram”.        
     
    1966: a primeira retirada forçada dos Xavante de Marãiwatsédé
     
    Os Xavante de Marãiwatsédé, pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê e de família linguística Jê, fazem parte do grande povo Xavante que habita o leste do Mato Grosso ). No total, são 18 mil indivíduos em 11 Terras Indígenas e divididos em 178 aldeias. Os primeiros registros dos A’wue datam de 1751, quando as terras foram de forma paulatina invadidas. Os Xavante de Marãiwatsédé foram os últimos a terem contato com a sociedade envolvente, no final dos anos 1950, pelas ações de atração do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Muitos sertanistas e agressores foram mortos na tentativa pacífica ou violenta de aproximação com esses índios.
     
    Os primeiros posseiros da Terra Indígena  Marãiwatsédé a invadiram em 1958. Quase quatro anos depois, a fazenda Suiá-Missú era instalada nas terras indígenas como propriedade escriturada. Os Xavante, reduzidos pelos assassinatos e doenças trazidas pelas expedições punitivas e grupos de atração do SPI, foram usados como mão-de-obra pela família Ometto, ‘dona’ da fazenda. Quando essa mão-de-obra foi considerada dispensável pelos invasores, um acordo envolvendo os Ometto, a FAB e o  SPI  decidiu pela retirada forçada dos Xavante de suas terras para a Missão Salesiana de São Marcos, 400 km ao sul do território originário – completamente tomado por posseiros, grileiros e latifundiários.     
    Pela janela de um C-47 da Força Aérea Brasileira (FAB), Damião Paradzane, ainda um jovem índio, viu o Território Indígena Marãiwatsédé se afastar de seu povo – composto por 263 indivíduos. Em São Marcos, os indígenas se encontraram com outros grupos Xavante, como eles reduzidos pela atração da sociedade envolvente e invasores de territórios. No novo território uma epidemia de sarampo matou cerca de 80 índios. Os indígenas sobreviventes, com a estrutura social fragilizada, se dividiram. A reviravolta ocorreu apenas na década de 1980.
     
    Remanescentes de Marãiwatsédé e as novas gerações se reorganizaram para recuperar o território. Descobriram que a fazenda Suiá-Missú, maior propriedade constituída no território, encontrava-se sob controle da Agip do Brasil S/A, filial da corporação italiana. Na Conferência Mundial do Meio Ambiente, a ECO 92, no Rio de Janeiro, em meio às várias discussões que pautaram o encontro, os executivos da Agip prometeram devolver o território para os Xavante.

    Invasões não cessaram com homologação de território
     
    Em 9 de abril de 1992, os estudos de identificação da área foram concluídos pelo Grupo de Trabalho da Funai. A homologação de Marãiwatsédé só viria em 11 de dezembro de 1998. O território teria 165.241 hectares, estendendo-se pelos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia e Serra Nova Dourada, a leste de MT. No entanto, a fazenda Liquifarm Agropecuária Suiá-Missú S/A, da Agip, não entrou na identificação e homologação – sendo leiloada numa manhã de 30 de novembro de 1992.
     
    Os Xavante foram enganados e entre a conclusão dos estudos e a homologação, grileiros e fazendeiros, respaldados por políticos, estimularam a invasão de pequenos posseiros no território. Segundo levantamento da Opan, anúncios foram feitos em várias partes dos estados de Mato Grosso e Goiás para que toda e qualquer gente desfavorecida de terras fossem ocupar Marãiwatsédé.
     
    As matas e o cerrado, áreas consideradas ruins para o cultivo, foram destinadas a esse povo sofrido pela concentração de terras nas regiões de onde chegaram. A devastação da natureza se intensifica no território Xavante. Nas terras tidas como de boa qualidade, o latifúndio se instalou com suas centenas de cabeças de gado e o desmatamento para o pasto também tomou outras proporções.   
     
    “Sabiam e sabem que é área dos índios, já na época de 1993 eles se envolveram com políticos de São Félix e Cuiabá. Os fazendeiros trouxeram vários posseiros, de outras cidades, de Goiás, São Paulo. Nós achamos que tem de tirar eles porque não são índios e ocupam área indígena demarcada”, indignou-se o cacique Damião.
     
    Em 2003, os anciãos Xavante se reuniram e manifestaram aos mais novos o desejo de regressar a Marãiwatsédé – terra onde a cosmologia Xavante encontra força como morada da ancestralidade e dos encantados. Cerca de 280 indígenas fazem o caminho de volta, mas na entrada do território são barrados na BR-158 pelos invasores das terras – a estrada foi bloqueada por um ônibus da prefeitura de Alto Boa Vista. Os Xavante decidem não voltar para São Marcos e acampam às margens da BR.
     
    Por lá ficaram sob lonas de novembro de 2003 a agosto de 2004, quando sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) garante a entrada dos indígenas no território para ocupar a fazenda Karu – ou seja, depois de cinco anos da homologação  de Marãiwatsédé .

     

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  • 04/08/2011

    Terras Indígenas

    BRASIL – QUADRO-RESUMO DAS TERRAS INDÍGENAS

     (Atualizado em 14/06/2016)

    Situação Geral das Terras Indígenas (TIs)

    Quantidade

    % do total de TIs
    (não referente à extensão territorial)

    Registradas (Demarcação concluída e registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca e/ou no Serviço do Patrimônio da União)

    398

    35,66

    Homologadas (com decreto do/a Presidente da República e aguardando registro)

    14

    1,25

    Declaradas (com Portaria Declaratória do Ministro da Justiça, e aguardando demarcação)

    69

    6,18

    Identificadas (analisadas por Grupo Técnico da Funai e aguardando decisão do Ministro da Justiça)

    44

    3,94

    A identificar (incluídas na programação da Funai para identificação futura)

    175

    15,68

    Sem providência

    352

    31,54

    Reservadas (demarcadas como “reservas indígenas” à época do SPI) ou Dominiais (de propriedade de comunidades indígenas)

    53

    4,74

    Com Restrição

    6

    0,53

    Grupo de Trabalho (GT) constituído no MS como Terra Indígena

    5

    0,44

    Total

    1.116

    100
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  • 04/08/2011

    Cimi Regional Norte I

    Cimi Regional Norte I
    Conselheira: Adriana Maria Huber Azevedo
    Rua Lagamar, 36 – Conjunto Habitacional de Flores – Flores
    Caixa Postal 3645
    Manaus – AM – Cep 69.058-801
    Telefone: (92) 32383317/92-32382971 – Fax: (92) 36566602
    E-mail: [email protected]

    Compreende os estados do Amazonas e Roraima

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  • 04/08/2011

    Cimi Regional Norte II

    Cimi Regional Norte II
    Conselheiro: Marcos Antônio Borges Costa Reis
    Travessa Nina Ribeiro, 254 – Canudos 
    Belém – PA – CEP 66070-350
    Telefone: (91) 3226-5408 – Fax: (91) 3246-7222
    E-mail: [email protected]

    Compreende os estados do Amapá e Pará

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  • 04/08/2011

    Cimi Regional Leste

     
    Cimi Regional Leste
    Conselheira: Alda Maria Oliveira
    Rua Joaquim Zenir Leite, 605
    Bairro Paraíso
    Belo Horizonte – MG – CEP 30270-420
    Telefax: 31- 34811181 – E-mail: [email protected]
     
    Compreende os estados de Minas Gerais; Espiríto Santo e extremo sul da Bahia

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  • 04/08/2011

    Cimi Regional Rondônia

    Cimi Regional Rondônia
    Conselheira: Laura Vicuña Pereira Manso
    R. D. Pedro II, 650 – Centro
    Caixa Postal 196
    Porto Velho – RO – CEP 76801-151
    Telefone: (69) 3224-6373/3224-6373
    E-mail: [email protected]

    Compreende o estado de Rondônia

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