• 27/10/2011

    Indígenas correm riscos com instalação de Belo Monte, apontam especialistas

    Isabela Vieira

    Enviada Especial

     

    Caxambu (MG) – Enquanto cerca de 600 manifestantes indígenas, ribeirinhos e ativistas ambientais ocupam o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e fecham a Rodovia Transamazônica, na altura do quilômetro 50, em Altamira (PA), para protestar contra a instalação do empreendimento, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) afirmou hoje (27) que etnias indígenas estão em risco com a instalação da barragem na Bacia do Rio Xingu.

     

    Durante debate no 35º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), a professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Sônia Magalhães, que desde 2007 estuda comunidades afetadas, alerta que impactos ambientais não constam dos estudos sobre o empreendimento e denuncia que condicionantes para a instalação da usina como a desintrusão de invasores das terras indígenas não estão sendo cumpridas.

     

    “Por meio de modelos matemáticos e de engenharia, o consórcio [responsável pela obra] diz que o rio [Xingu] não corre o risco de secar. Não é o que os índios pensam. Pela sua experiência, os velhos estão seguros do contrário e não há modelo matemático que os convença do contrário”, disse. “Eles contam que na época de seca, com a diminuição da vazão do Xingu, peixes podiam ser retirados do rio já cozidos. Imagine como será com a diminuição da vazão”, questionou.

     

    Integrante da Comissão de Assuntos Indígenas da ABA e pesquisadora do povo Xikrin do Rio Bacajá – afluente do Rio Xingu – há 20 anos, Cibele Cohn afirma que os índios não conseguem expor sua opinião ou se defender dos impactos das obras porque não foram informados adequadamente sobre o projeto. Segundo a professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), há menos de um mês, quando viram pela primeira vez fotos de outras barragens, houve reações inesperadas.

     

    “Até esse ano, os Xikrin nunca tinham visto a foto de uma barragem”, afirmou ao relatar uma reunião organizadas pelas lideranças nas aldeias. “Em uma cena muito marcante, quando um dos velhos viu um paredão de uma barragem semelhante ao que será construído, ele disse: é muito pior do que eu estava esperando”, narrou a antropóloga. A Fundação Nacional do Índio (Funai), por outro lado, informa que promoveu 38 reuniões e quatro audiências públicas nas aldeias.

     

    Acolhendo as denúncias dos índios, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, braço da Organização dos Estados Americanos (OEA), também não considerou as consultas da Funai adequadas. Em abril, por meio de medida cautelar, determinou que o Brasil interrompesse a instalação da usina até que as consultas fossem refeitas de forma “livre, informativa, de boa fé” e em língua indígena, “com o objetivo de chegar a um acordo” com as sete etnias afetadas. As consulta também são alvo de ações judiciais no Brasil.

     

    Para cobrar a paralisação das obras da usina até o cumprimentos das condicionantes estabelecidas para a instalação da hidrelétrica, povos indígenas do Xingu fazem uma grande manifestação em Altamira hoje (27), de acordo com a liderança do povo Arara, da aldeia Terrã-Wangã, Josinei Gonçalves, que participou do debate. Ele contou que as comunidades estão “assombradas” com os impactos e querem negociar as mitigações diretamente com a Presidência da República.

     

    “São três pontos principais: a diminuição da vazão de rios que não nos permitirá, principalmente, chegar a Altamira, onde estão os serviços públicos e onde vendemos farinha, a diminuição dos peixes e o desmatamento, além dos conflitos por terra”, destacou Josinei que, assim como o cacique de sua aldeia, foi ameaçado de morte por colonos que invadiram terras indígenas atraídos pela obra. De acordo com o indígena, sem “conversas” não há prazo para  fim da ocupação.

    Em 35 anos de encontros nacionais da Anpocs, esta foi a primeira vez que a organização convidou um representante da sociedade organizada para participar de uma discussão.

    Read More
  • 27/10/2011

    Informe nº 987: Ocupado canteiro de obras da usina de Belo Monte

    Renato Santana
    De Brasília
     
    O canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira (PA), está ocupado por mais de 600 indígenas, pescadores, ribeirinhos e populações ameaçadas pelos impactos sociais e ambientais do grande empreendimento. A ocupação começou na madrugada desta quinta-feira (27). A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir do trecho em frente ao canteiro, na altura da Vila de Santo Antônio, região de Altamira, está interditada e só passam veículos transportando doentes. 

    O que motivou a ocupação do canteiro, além da negativa do governo federal em ouvir os povos indígenas, foi o adiamento do julgamento de Ação Civil Pública ontem (26), no Tribunal Federal da 1ª Região, em Brasília, sobre a realização de oitivas indígenas quando da construção de empreendimentos em suas terras ou que lhes impactem direta ou indiretamente.

    Em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira, o movimento que luta contra Belo Monte definiu como principal reivindicação que o governo federal envie autoridades para negociar com as populações tradicionais o fim das obras de Belo Monte.

    "Diante da intransigência do governo em dialogar e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos a partir de agora o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e desistência definitiva da construção de Belo Monte", diz a declaração dos Povos do Xingu contra Belo Monte, resultado do seminário realizado em Altamira esta semana.
     
    Outra decisão tomada pelos ocupantes é que o acampamento no canteiro de obras será permanente e desde já convocam outras entidades e movimentos a cerrarem fileiras nessa luta que, conforme os manifestantes, não irá parar.
     
    Todo o processo de ocupação ocorreu de forma pacífica e é fruto das discussões entre os povos tradicionais durante o seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.
     
    Com o encontro, se pretendia analisar a conjuntura em torno de Belo Monte e discutir respostas às situações de risco e impactos geradas pela usina. As mesas de debate foram suspensas em vista da ação de ocupação do canteiro de obras.
     
    São 21 povos indígenas envolvidos na mobilização. “Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”, disse Davi Gavião que segue: “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens! (sic)”.
     
    Entre os pescadores, Raimundo Braga Nunes: “Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.

    "Belo Monte só vai sair se cruzarmos os braços. Não podemos ficar calados. Temos que berrar e é agora", disse Juma Xipaia, liderança indígena Xipaia, uma das etnias afetadas por Belo Monte. "Somos guerreiros e não vamos pedir nada ao governo, mas exigir o que a Constituição nos garante. Nossos antepassados lutaram para que nós estivéssemos aqui. Já foram feitos vários documentos, várias reuniões e nada mudou. As máquinas continuam chegando".

    Decisão adiada

    Nesta quarta-feira (26), as populações impactadas viram o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Fagundes de Deus votar contra a Ação Civil Pública que pede a paralisação das obras de Belo Monte. Conhecedor do setor energético, o desembargador se posicionou tendo como base a experiência adquirida na área, pois já advogou para a empresa Eletronorte. 
     
    Impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF), a ação é um recurso de apelação onde se pede o cancelamento do licenciamento ambiental e a inconstitucionalidade do Decreto 788/2005 do Congresso Nacional – que libera a obra sem a realização da consulta de boa fé aos povos indígenas do Xingu e populações tradicionais, tal como diz a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
     
    A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, terceira a votar a matéria durante a sessão desta quarta-feira do TRF-1, em Brasília (DF), pediu vistas da Ação Civil Pública e interrompeu o julgamento – programado para entrar em pauta no dia 9 de novembro. 
     
    Dessa forma, a ocupação é também uma resposta a postura da Justiça que apesar de todas as irregularidades, 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte em tramitação, além de pareceres contrários à obra trabalhados por um painel de especialistas e MPF, não interrompe as obras. Sobretudo, não reconhece a e leva em conta a opinião das comunidades que agora ocupam o canteiro.
     
    Primeiro voto: a favor da ação

    O primeiro voto dos desembargadores do TRF-1, no último dia 17, declarou inválidas a autorização e licença ambiental para Belo Monte. 

    “É de nenhuma eficácia a autorização emitida pelo parlamento”. Com essas palavras a desembargadora Federal Selene Maria de Almeida desqualificou o Decreto Legislativo nº 788/2005 do Congresso Nacional que autorizou a construção da usina de Belo Monte. Ela considerou igualmente inválido o licenciamento ambiental de Belo Monte.

    Num voto elaborado e denso, a desembargadora acatou a maioria dos pontos apresentados pelo MPF/PA, sendo o argumento mais importante o fato de as comunidades indígenas afetadas pela usina de Belo Monte não terem sido consultadas a respeito, conforme mandam a Constituição Federal e tratados internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2004 (Decreto nº 5.051/2004).

    Ela não deixou dúvidas sobre a necessidade das oitivas: “A Constituinte prescreve que sejam ouvidas as comunidades indígenas afetadas. Para protegê-las”. Em seu voto, Selene reafirmou o posicionamento já adotado pelo TRF-1 quando da primeira avaliação da matéria, em 2006.

    Mais informações:
    Dion Monteiro, Comitê Metropolitano Xingu Vivo: (91) 9103.4340
    Éden Magalhães, CIMI: (61) 9979.6916
    Antonia Melo, Xingu Vivo: (93) 9135.1505


    Comunicação
    Renato Santana e Cleymenne Cerqueira (CIMI/Brasília) – (61) 2106.1650
    Verena Glass (MXVPS/SP) – (11) 9853.9950
    Ruy Sposati (MXVPS – Altamira/PA) – (93) 9173.8389

    Read More
  • 27/10/2011

    Declaração da Aliança do Xingu contra Belo Monte

    “Não permitiremos que o governo crie esta usina e quaisquer outros projetos que afetem as terras, as vidas e a sobrevivência das atuais e futuras gerações da Bacia do Xingu”

    Nós, os 700 participantes do seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”; nós, guerreiros Araweté, Assurini do Pará, Assurini do Tocantins, Kayapó, Kraô, Apinajés, Gavião, Munduruku, Guajajara do Pará, Guajajara do Maranhão, Arara, Xipaya, Xicrin, Juruna, Guarani, Tupinambá, Tembé, Ka’apor, Tupinambá, Tapajós, Arapyun, Maytapeí, Cumaruara, Awa-Guajá e Karajas, representando populações indígenas ameaçadas por Belo Monte e por outros projetos hidrelétricos na Amazônia; nós, pescadores, agricultores, ribeirinhos e moradores das cidades, impactados pela usina; nós, estudantes, sindicalistas, lideranças sociais e apoiadores das lutas destes povos contra Belo Monte, afirmamos que não permitiremos que o governo crie esta usina e quaisquer outros projetos que afetem as terras, as vidas e a sobrevivência das atuais e futuras gerações da Bacia do Xingu.

    Durante os dias 25 e 26 outubro de 2011, nos reunimos em Altamira para reafirmar nossa aliança e o firme propósito de resistirmos juntos, não importam as armas e as ameaças físicas, morais e econômicas que usaram contra nós, ao projeto de barramento e assassinato do Xingu.

    Durante esta última década, na qual o governo retomou e desenvolveu um dos mais nefastos projetos da ditadura militar na Amazônia, nós, que somos todos cidadãos brasileiros, não fomos considerados, ouvidos e muito menos consultados sobre a construção de Belo Monte, como nos garante a Constituição e as leis de nosso país, e os tratados internacionais que protegem as populações tradicionais, dos quais o Brasil é signatário.

    Escorraçadas de suas terras, expulsas das barrancas do rio, acuadas pelas máquinas e sufocadas pela poeira que elas levantam, as populações do Xingu vem sendo brutalizadas por parte do consórcio autorizado pelo governo a derrubar as florestas, plantações de cacau, roças, hortas, jardins e casas, destruir a fauna do rio, usurpar os espaços na cidade e no campo, elevar o custo de vida, explorar os trabalhadores e aterrorizar as famílias com a ameaça de um futuro tenebroso de miséria, violência, drogas e prostituição. E repetindo assim os erros, o desrespeito e as violências de tantas outras hidrelétricas e grandes projetos impostos à força à Amazônia e suas populações.

    Armados apenas da nossa dignidade e dos nossos direitos, e fortalecidos pela nossa aliança, declaramos aqui que formalizamos um pacto de luta contra Belo Monte, que nos torna fortes acima de toda a humilhação que nos foi imposta até então. Firmamos um pacto que nos manterá unidos até que este projeto de morte seja varrido do mapa e da história do Xingu, com quem temos uma dívida de honra, vida e, se a sua sobrevivência nos exigir, de sangue.

    Diante da intransigência do governo em dialogar, e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos a partir de agora o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e  desistência definitiva da construção de Belo Monte.

    Altamira, 27 de outubro de 2011

    Read More
  • 27/10/2011

    Declaração da Aliança do Xingu contra Belo Monte

    “Não permitiremos que o governo crie esta usina e quaisquer outros projetos que afetem as terras, as vidas e a sobrevivência das atuais e futuras gerações da Bacia do Xingu”

    Nós, os 700 participantes do seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”; nós, guerreiros Araweté, Assurini do Pará, Assurini do Tocantins, Kayapó, Kraô, Apinajés, Gavião, Munduruku, Guajajara do Pará, Guajajara do Maranhão, Arara, Xipaya, Xicrin, Juruna, Guarani, Tupinambá, Tembé, Ka’apor, Tupinambá, Tapajós, Arapyun, Maytapeí, Cumaruara, Awa-Guajá e Karajas, representando populações indígenas ameaçadas por Belo Monte e por outros projetos hidrelétricos na Amazônia; nós, pescadores, agricultores, ribeirinhos e moradores das cidades, impactados pela usina; nós, estudantes, sindicalistas, lideranças sociais e apoiadores das lutas destes povos contra Belo Monte, afirmamos que não permitiremos que o governo crie esta usina e quaisquer outros projetos que afetem as terras, as vidas e a sobrevivência das atuais e futuras gerações da Bacia do Xingu.

    Durante os dias 25 e 26 outubro de 2011, nos reunimos em Altamira para reafirmar nossa aliança e o firme propósito de resistirmos juntos, não importam as armas e as ameaças físicas, morais e econômicas que usaram contra nós, ao projeto de barramento e assassinato do Xingu.

    Durante esta última década, na qual o governo retomou e desenvolveu um dos mais nefastos projetos da ditadura militar na Amazônia, nós, que somos todos cidadãos brasileiros, não fomos considerados, ouvidos e muito menos consultados sobre a construção de Belo Monte, como nos garante a Constituição e as leis de nosso país, e os tratados internacionais que protegem as populações tradicionais, dos quais o Brasil é signatário.

    Escorraçadas de suas terras, expulsas das barrancas do rio, acuadas pelas máquinas e sufocadas pela poeira que elas levantam, as populações do Xingu vem sendo brutalizadas por parte do consórcio autorizado pelo governo a derrubar as florestas, plantações de cacau, roças, hortas, jardins e casas, destruir a fauna do rio, usurpar os espaços na cidade e no campo, elevar o custo de vida, explorar os trabalhadores e aterrorizar as famílias com a ameaça de um futuro tenebroso de miséria, violência, drogas e prostituição. E repetindo assim os erros, o desrespeito e as violências de tantas outras hidrelétricas e grandes projetos impostos à força à Amazônia e suas populações.

    Armados apenas da nossa dignidade e dos nossos direitos, e fortalecidos pela nossa aliança, declaramos aqui que formalizamos um pacto de luta contra Belo Monte, que nos torna fortes acima de toda a humilhação que nos foi imposta até então. Firmamos um pacto que nos manterá unidos até que este projeto de morte seja varrido do mapa e da história do Xingu, com quem temos uma dívida de honra, vida e, se a sua sobrevivência nos exigir, de sangue.

    Diante da intransigência do governo em dialogar, e da insistência em nos desrespeitar, ocupamos a partir de agora o canteiro de obras de Belo Monte e trancamos seu acesso pela rodovia Transamazônica. Exigimos que o governo envie para cá um representante com mandado para assinar um termo de paralisação e  desistência definitiva da construção de Belo Monte.

    Altamira, 27 de outubro de 2011

    Read More
  • 27/10/2011

    TIPNIS: Lula e Evo

    Evo perdeu. Lula perdeu. Perdeu o BNDES. Perdeu o Brasil.

     

    Foi com perplexidade que simpatizantes do governo Evo Morales reagiram ao ataque violento do governo boliviano à marcha indígena contra a estrada que corta a reserva TIPNIS. Essa simpatia está em todo o mundo, não apenas dentro da Bolívia.

     

    Porém, os brasileiros tiveram que pôr mais uma pulga atrás da orelha. Somos acusados pelos próprios marchantes de sermos os maiores interessados na estrada. Na verdade, ela atenderia mais aos interesses do agronegócio brasileiro da região Oeste, visando os portos do Pacífico. 

     

    Financiada pelo BNDES, a obra teve Lula como lobista da OAS para convencer Evo. Poucos dias depois da visita a marcha começou. Agora, vencedor, o movimento se indigna contra o imperialismo brasileiro.

     

    As nações indígenas, com suas tradições milenares, não se comportam politicamente pela cartilha marxista-leninista de tática e estratégia. Muito menos pelo oportunismo. Elas não fazem aliança hoje para descartar seus aliados no dia seguinte, conforme exigem as conveniências do poder. Ao contrário, o elemento chave em suas alianças é a confiança. E não se abandona um aliado por conveniência. E, uma vez traída, dificilmente essa confiança será restabelecida.

     

    O que se viu na Bolívia foi a lógica da sabedoria milenar indígena, isto é, Evo tem que respeitar a aliança que o levou ao poder, não o povo respeitar os novos interesses de seu governo. O povo indígena foi para a rua e foi reprimido violentamente. O governo voltou atrás e pediu perdão, declarando TIPNIS intangível. Somente o futuro dirá se essa atitude vai ser suficiente para restabelecer a confiança mútua, ou se a história seguirá por outros rumos.

     

    No Brasil o PT jogou fora aliados históricos, impõe seus projetos pela força, passa por cima de comunidades indígenas e quilombolas, vai para a América Latina e África impor os interesses imperiais de empresas brasileiras.  Lula tem sido o embaixador desse sub imperialismo do capital.

     

    Depois de TIPNIS, quem sabe o governo brasileiro, além de prejudicar Evo, aprenda a respeitar melhor os indígenas do próprio país.  Ou então, nos falta um levante como na Bolívia.

     

    Read More
  • 27/10/2011

    Ocupado canteiro de obras da usina de Belo Monte

    Renato Santana

    De Brasília

    Fotos: Rebecca Sommer

     

    O canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira (PA), está ocupado por mais de 600 indígenas, pescadores, ribeirinhos e populações ameaçadas pelos impactos sociais e ambientais do grande empreendimento. A ocupação começou na madrugada desta quinta-feira (27).

     

    A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir de trecho em frente ao canteiro, na altura da Vila de Santo Antônio, região de Altamira, está interditada e só passam veículos transportando doentes.  

     

    Em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira, o movimento definiu como principal reivindicação que o governo federal envie autoridades para negociar com os as populações tradicionais o fim das obras de Belo Monte.

     

    Outra decisão tomada pelos ocupantes é que o acampamento no canteiro de obras será permanente e desde já convocam outras entidades e movimentos a cerrarem fileiras nessa luta que, conforme os manifestantes, não irá parar.

     

    Todo o processo de ocupação ocorreu de forma pacífica e é fruto das discussões entre os povos tradicionais durante o seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.

     

    Com o encontro, se pretendia analisar a conjuntura em torno de Belo Monte e discutir respostas às situações de risco e impactos geradas pela usina. As mesas de debate foram suspensas em vista da ação de ocupação do canteiro de obras.

     

    São 21 povos indígenas envolvidos na mobilização. “Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”, disse Davi Gavião que segue: “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens! (sic)”.

     

    Entre os pescadores, Raimundo Braga Nunes: “Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.

     

    Decisão adiada

    Nesta quarta-feira (26), as populações impactadas viram o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Fagundes de Deus votar contra a Ação Civil Pública que pede a paralisação das obras de Belo Monte. Conhecedor do setor energético, o desembargador se posicionou tendo como base a experiência adquirida na área, pois já advogou para a empresa Eletronorte.  

     

    Impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF), a ação é um recurso de apelação onde se pede o cancelamento do licenciamento ambiental e a inconstitucionalidade do Decreto 788/2005 do Congresso Nacional – que libera a obra sem a realização da consulta de boa fé aos povos indígenas do Xingu e populações tradicionais, tal como diz a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

     

    A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, terceira a votar a matéria durante a sessão desta quarta-feira do TRF-1, em Brasília (DF), pediu vistas da Ação Civil Pública e interrompeu o julgamento – programado para entrar em pauta no dia 9 de novembro.  

     

    Dessa forma, a ocupação é também uma resposta a postura da Justiça que apesar de todas as irregularidades, 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte em tramitação, além de pareceres contrários à obra trabalhados por um painel de especialistas e MPF, não interrompe as obras. Sobretudo, não reconhece a e leva em conta a opinião das comunidades que agora ocupam o canteiro.

     

    Primeiro voto: a favor da ação

    O primeiro voto dos desembargadores do TRF-1, no último dia 17, declarou inválidas a autorização e licença ambiental para Belo Monte.  

    “É de nenhuma eficácia a autorização emitida pelo parlamento”. Com essas palavras a desembargadora Federal Selene Maria de Almeida desqualificou o Decreto Legislativo nº 788/2005 do Congresso Nacional que autorizou a construção da usina de Belo Monte. Ela considerou igualmente inválido o licenciamento ambiental de Belo Monte.

    Num voto elaborado e denso, a desembargadora acatou a maioria dos pontos apresentados pelo MPF/PA, sendo o argumento mais importante o fato de as comunidades indígenas afetadas pela usina de Belo Monte não terem sido consultadas a respeito, conforme mandam a Constituição Federal e tratados internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2004 (Decreto nº 5.051/2004).

    Ela não deixou dúvidas sobre a necessidade das oitivas: “A Constituinte prescreve que sejam ouvidas as comunidades indígenas afetadas. Para protegê-las”. Em seu voto, Selene reafirmou o posicionamento já adotado pelo TRF-1 quando da primeira avaliação da matéria, em 2006.

     

     

     

     

    Read More
  • 26/10/2011

    Carta de Manifesto da ASDEC: manifestamos preocupação diante da dramática situação de saúde em que vivem os povos indígenas desta região

    A ASDEC, uma organização indígena de base da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA vem ao público manifestar sua preocupação diante de uma dramática situação de saúde em que vive os povos indígenas desta região.

     

    O descaso de atendimento de saúde aos povos indígenas do Vale do Javari é uma questão já conhecido a nível nacional e internacional há décadas.

     

    Inúmeras denúncias partindo do movimento indígena e de organizações não governamentais já vêm sendo apresentadas as instância competentes do governo e para Organização Mundial de Saúde por meio de Protocolo.

     

    Inclusive a Procuradoria Federal por meio da 6ª Câmara é sabedora desta realidade crucial da vida desses povos indígenas que vivem nesta região do Vale do Javari.

     

    Tal contexto, já foi apresentado pelos nossos líderes para Organização das Nações Unidas em 2008 na cidade de Washington nos Estados Unidos.    Porém, não há mudança em suas ações, o que permite o agravamento do quadro situacional de saúde desses povos indígenas.

     

    O que podemos de chamar de mudança no quadro atual da situação de saúde é essa:

     

    A SESAI, um novo órgão criado para resolver o velho problema de saúde da nossa população indígena, ainda esta se engatinhado com o mesmo modelo de período arcaico deixado pelos seus antecessores. Sem levar em conta, o grau de risco que esses povos indígenas estão vivendo.   Isto é, não existe uma equipe preparada e qualificada para propor uma ação condizente com a realidade situacional de saúde desses povos.

     

    Em outras palavras: “enquanto a Coordenação Técnica do DSEI, futuro setor da Divisão de Saúde ainda não preenchida, cumprindo seu cronograma técnica de enviar os profissionais de saúde apenas com arma sem munição para enfrentar o leão, a vida dos índios continua sendo devoradas”.

     

    Ou ainda podemos dizer: Enquanto, o Plano Distrital não for acatado pela instância competente do órgão e executado pelo DSEI, as ações de saúde continuará com caráter emergencial, o que não resolve o crônico problema de saúde.

     

    O que demonstra uma ação de um total descaso, decorrida de uma política impotente e despreparado para enfrentar os problemas, resumido em um desastre sanitário.

     

    Uns desses exemplos de desleixos ocasionados por falta de planejamento podemos citar, as mortes de mulheres por septicemia, de agravamento do câncer de colo uterino, aumento de taxa de mortalidade infantil, aumenta de casos de Tb nas aldeias, aumento de casos de DSTs e a continuidade de transmissão das hepatites por falta de uma ação de erradicação que seriam a instalação das geladeiras solares nos Pólos Bases para armazenamento de imunoglobinas e vacinas, treinamentos e capacitações de recursos humanos.

     

    Os pacientes indígenas que são retiradas de área são esquecidos na unidade de Casa de Saúde Indígena – CASAI por falta de chefia que já completa seus 06 anos sem o devido comando. 

     

    Uma situação constrangedora vivida pelos indígenas da etnia Marubo no momento atual, é a morosidade de translado de corpo de uma indígena que faleceu na noite do dia 8 na cidade de Manaus, que devido ao problema de acerto com a empresa aérea conveniada, o corpo vai ter que ficar até quarta-feira dia 19. O que põem de contra o respeito a integridade física e cultural desses povos.

     

    A morte dessa indígena foi uma das histórias mais tristes que eu acompanhei pessoalmente e via telefonia a falta de responsabilidade dos profissionais investidos para trabalhar na saúde indígena.

     

    Desde que a paciente embarcou para Manaus por recomendação médico, a família não teve mais informações. Soube da piora do quadro depois de duas semanas por acompanhante que me informou sobre o estado da paciente. Comuniquei pra família via radiofonia conforme combinado com eles de que iríamos acompanhar situação da paciente através do DSEI Manaus.  As 19 horas do dia 08, recebi ligação da paciente que já teria ido a óbito. Logo cedo, comuniquei novamente pra família sobre ocorrido. Todas essas comunicações recebi de um dos acompanhantes.  No dia seguinte, nem Chefia do DSEI Manaus não sabia do ocorrido. Chegaram a duvidar da comunicação que já teríamos passado a família na aldeia e toda aldeia já sabiam. Um dos enfermeiros do DSEI Manaus teve que ir ao hospital confirmar a morte. Essa informação foi oficializada entre os responsáveis já a tarde.

     

    Problemas dessa natureza não foram apenas com a paciente que faleceu, temos outros pacientes que estão passando pelas mesmas situações e que as famílias não sabem.

     

    Tudo isso nos demonstra que realmente, os quadros de profissionais de saúde do DSEI não estão preparados a trabalhar com a saúde indígena começando da ponta a alta complexidade. Tirei conclusão de que, os profissionais responsáveis pelo encaminhamento dos pacientes falta a aprender que estão trabalhando com a saúde indígena, dentro de uma política que reza o atendimento diferenciado, a humanização de atendimento, o que acometem a falta de responsabilidade com os seus próprios trabalhos e respeito aos índios.

     

    Tal fato, revolta as lideranças indígenas da etnia Marubo e que os mesmos estão se programando para descer a sede do município. Afim promoverem suas manifestações e pedirem socorro. O que pode generalizar uma mobilização regional no Javari. Os mesmo já pediram demissão de alguns profissionais que estão frente da responsabilidade do DSEI.

     

    Diante do contexto, pedimos que as instituições parceiras nos ajudem mobilizarmos as instâncias competentes do governo, a Organização Mundial de Saúde, a UNICEF,  a Procuradoria Federal para  promovermos o Seminário de Saúde para discutirmos o modelo de ação, a implantação dos programas e fortalecimento das políticas já existentes no âmbito da política de saúde para os povos indígenas do Vale do javari.

     

    Pois, muitos dos nossos parceiros também são sabedores da nossa realidade e que precisam fortalecer a nossa corrente de união para fazer algo em prol da saúde dos nossos povos.

     

    Atalaia do Norte-AM, 17 de outubro de 2011.

     

    Manoel Barbosa da Silva – Chorimpa

    Diretoria da ASDEC

     

    Associação de Desenvolvimento Comunitário do Povo Marubo do Alto Rio Curuçá

    Sede: Aldeia Maronal, Alto rio Curuçá – Cep: 69.650 – 000 Atalaia do Norte – A M – Brasil

     Desenvolvendo idéias e construindo Caminhos para o futuro”­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

    Email: [email protected]; [email protected]

     

    Read More
  • 26/10/2011

    “É preciso matar a onça lá em cima!”

    “Sou contra Belo Monte!”. “Não quero Belo Monte!”. “Temos que lutar contra Belo Monte!”. "Belo Monte não passará!”. Cada um dos participantes do seminário contra Belo Monte, que está sendo realizado nestes dias em Altamira, tem o mesmo objetivo: Parar Belo Monte. Não há outra opção para os povos indígenas, os pescadores, os ribeirinhos, os pequenos agricultores, oleiros, areeiros, estudantes e sindicalistas presentes.

     

    Mesa dos indígenas

    Hoje, dia 25, o seminário, que continua até o dia 27, se iniciou com uma mesa indígena. Representantes de cada povo presente explicaram por que são contra a usina. Os povos da bacia do Xingu relataram os impactos que vão sofrer. Assim, os Arara da Volta Grande explicaram que a pescaria acabaria e o transporte ficaria comprometido. Os Assurini do Pará temem as invasões que podem ocorrer, quando muitas pessoas são expulsas das suas casas e, sobretudo, quando as obras terminarem e milhares de pessoas ficarem sem emprego. Os indígenas de outras regiões compartilharam as dramáticas experiências que sofreram com a construção de hidrelétricas nas suas terras. Como Davi Gavião, do povo Gavião (PA).

    Câncer

    “Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”. Davi é jovem, mas sabe do que está falando. “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área, e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens!”.

     

    João Lucas Krahô (TO), conta como seu povo Krahô continua sofrendo impactos de uma usina. “Não só os seres humanos serão impactados, mas também os animais. A usina vai acabar com os animais. Vimos isso com a usina de Tocantins. A usina acaba com nossos recursos, nossa alimentação, nossa água para beber!”.

     

    Josué Karajá (TO) vai além da constatação e aponta os responsáveis pela destruição: “Lá na nossa região estão construindo a usina de Santa Isabel. Não queremos as usinas, porque fazem parte do PAC e o PAC só quer tirar recursos das terras indígenas, trazendo muitos problemas, muitos impactos. Dilma quer fazer o Brasil crescer, mas não vai fazer crescer os povos indígenas”.

     

    Onça

    Mas Dilma apenas é a cara dos verdadeiros interessados nas usinas e demais grandes projetos. São as grandes empresas que financiam as campanhas políticas dela e de Lula, apontam vários palestrantes ao longo do dia. Como dona Antônia Krahô, uma liderança de do povo Krahô (TO). “Sou contra hidrelétricas, mas também contra hidrovias e outros projetos que atacam nossa terra. Brancos invadem nossa terra, queimam nossa floresta. Queremos viver de nosso jeito, mas o branco está acabando com isso. A gente tem que ir atrás da onça que está lá em cima, porque não é só a Dilma não. Precisamos nos unir, com nossos cassetetes, nossas armas, e matar essa onça que está lá, que está comendo nossa terra, que está comprando nossas terras. Que quer tomar tudo. Aonde vocês quiserem, a gente vai atrás, para matar essa onça!”

    Defensores

    Juma Xipaia, representante dos Xipaia (PA), outro povo da região de Altamira que seria impactado por Belo Monte, concretiza a fala simbólica de Antônia. Ressalta primeiro que Belo Monte ainda pode ser barrado. “Belo Monte é fato consumado? Não! As máquinas estão aqui, mas a usina só vai sair se nós deixamos sair.” Mas é preciso agir: “Já fizemos tantas reuniões, tantos documentos, e deu em que? O canteiro de obras está sendo construído. Precisamos sair na rua, gritar, e fazer algo diferente. Vamos somar forças, unir nossas forças, mas não podemos continuar falando, enquanto as máquinas estão destruindo nossa natureza! A natureza está chorando, os rios estão implorando! O que vai ser o resultado desse encontro? Espero que vai ser algo mais, nós somos os defensores do nosso rio. Só nós!”.

    Mesa dos pescadores

    À tarde, se realizou a mesa dos pescadores, que vieram de várias colônias de pescadores ao longo do rio Xingu, na região impactada. Eles deixaram bem claro que para eles os impactos da construção da usina seriam muito dramáticos. A jusante da barragem, no trecho da Volta Grande que teria muito pouca vazão, o pescado vai quase desaparecer. Mas também a montante da barragem, os impactos seriam imensos. Primeiro porque a barragem vai impedir a migração dos peixes, impedindo inclusive a piracema, ou seja, a procriação. Segundo, porque várias ilhas desapareceriam de forma permanente no reservatório da usina. São estas ilhas que fornecem alimentação fundamental para muitos peixes. Também o desaparecimento de vários tabuleiros afetaria muito a natureza, porque são estes tabuleiros que os quelônios usam para a desova.

    As falas de resistência dos pescadores são tão contundentes quanto as dos indígenas, resumidas na fala de Raimundo Braga Nunes: “Temos que nos unirmos, mais do que nunca, contra Belo Monte. Não podemos permitir que essa energia venha destruir nossos rios, nossa floresta. Pesca não vai ter mais. As ilhas com as árvores que alimentam os peixes vão ficar embaixo da água. Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.

    Read More
  • 25/10/2011

    TRF1 retoma hoje julgamento de Ação Civil Pública que pode suspender Belo Monte

    Amanhã, 26 de outubro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1) vai dar continuidade ao julgamento da Ação Civil Pública nº 0000709-88.2006.4.01.3903, que pode suspender a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Impetrada pelo Ministério Público Federal, a ação trata do direito dos povos indígenas de serem consultados pelo Congresso Nacional antes do início das obras que impactem suas comunidades, conforme previsto pelo Art. 231 da Constituição Federal. Além desta, outras 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte aguardam julgamento.
     
    Caso saia do papel, Belo Monte vai destruir uma das regiões mais ricas em diversidade biológica e cultural do planeta, quando há alternativas melhores e menos impactantes para produzir energia. Isso sem contar que o orçamento da obra, majoritariamente financiada com dinheiro público, já ultrapassa o valor astronômico de R$ 30 bilhões.

    Se você, como nós, acha que é papel do Poder Judiciário evitar os crimes que já estão sendo cometidos contra o meio ambiente e os povos do Xingu, envie o texto abaixo para os endereços que seguem:

    Sugestão de Mensagem aos Desembargadores do TRF1:
     

     

    Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal,
    Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal,

    O FUTURO DO XINGU NAS MÃOS DA JUSTIÇA

    Há dez anos, quando o Governo Federal retomou o projeto de barragem no rio Xingu, criado durante a ditadura militar, o Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) passou a detectar ilegalidades em todos os estágios do processo de licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte e na própria concepção da usina.

    Até hoje, o MPF ingressou com 12 Ações Civis Públicas (ACPs) na Justiça contra Belo Monte. Oito delas receberam liminares favoráveis, mas foram revistas pelo presidente da instância superior, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, sem que os méritos jurídicos fossem considerados. Argumentou-se apenas que Belo Monte seria um projeto importante da política energética do país, sem análise profunda de suas ilegalidades.

    Agora, uma das mais importantes ACPs (processo 0000709-88.2006.4.01.3903), que denuncia que os povos indígenas afetados por Belo Monte não foram consultados de forma adequada antes do início das obras, está em pauta para julgamento amanhã, dia 26 de outubro. A consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas (também conhecida como oitivas indígenas) é uma obrigação prevista na Constituição Federal e em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 2006, o TRF1 foi favorável ao Ministério Público Federal, confirmando a necessidade de realização das oitivas antes do início das obras.

    Importante destacar que a população de Altamira e de outras partes do Brasil e do mundo está mobilizada pelo fim desse projeto. Essa semana (25 a 27 de outubro), será realizado um Seminário Mundial sobre Belo Monte com a presença de aproximadamente 800 representantes de populações indígenas, ribeirinhos, pescadores, pequenos agricultores, barqueiros e comunidade no geral para expressar o inconformismo com os grandes projetos hidrelétricos na bacia do rio Xingu e, de modo especial, Belo Monte. Os povos da Amazônia querem ser ouvidos, consultados sobre os empreendimentos em suas terras.

    Como cidadão preocupado com a política do fato consumado que marcam as construções das grandes obras de infra-estrutura no país, solicito vossa especial atenção para este julgamento – bem como das demais ações em curso. A obra não pode sobrepor-se aos direitos humanos de populações indígenas e tradicionais ou mesmo à preservação do meio ambiente, garantidos pela Constituição Brasileira.

    Respeitosamente,
     
    (Nome, Cidade, País)

     

    Presidente do TRF1
    •         OLINDO MENEZES
    E-mai:
    [email protected]

    Desembargadora Federal
    •         SELENE ALMEIDA
    E-mail:
    [email protected]

    Desembargador Federal
    •         FAGUNDES DE DEUS
    E-mail:
    [email protected]

    Read More
  • 25/10/2011

    Participe da Campanha em Defesa das Florestas

    Clique aqui e acesse o Abaixo Assinado em Defesa das Florestas.

     

    Read More
Page 697 of 1234