• 22/12/2011

    O Cimi deseja a todos e todas um abençoado Natal

    Neste Natal, devemos compreender que o nosso Bem Viver é resultado do Bem Viver do outro

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  • 21/12/2011

    Natal, um Natal outro

    Dom Pedro Casaldáliga

    Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

     

    Por Felicitação Natal 2011 e Ano Novo 2012

     

    Natal, um Natal outro:

    para descobrir, acolher e anunciar

    o Deus-conosco, hoje, aqui;

    segundo Mateus, capítulo 25.

    Quem se entende com os pobres

    pode-se entender com Deus.

     

    Somente assim, feito criança,

    feito Deus vindo a menos,

    poderíamos te encontrar,

    diariamente nosso,

    entre Belém e a Páscoa,

    Jesus, o de Nazaré.

     

    Ano Novo, Tempo Novo, alternativo

    na Política, na Economia, na Religião.

    Contra os grandes projetos de morte,

    o grande projeto da Vida.

    Contra o consumismo depredador

    entre as armas e agrotóxicos,

    consumamos indignação

    com ternura e militância

     

     

    Vivamos em Sumak Kawsay.

     

    Terra e Paz para o Povo Palestino,

    para o Povo Kaiowá-Guarani,

    para todos os povos indígenas e quilombolas,

    para todas as migrações do mundo,

    para o bilhão de gente humana

    condenada à fome.

     

    Apesar de todas as crises,

    se podemos balouçar a Deus

    entre os braços de Maria e José,

    não há motivo para ter medo.

    Deus está ao alcance

    da nossa Esperança.

     

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  • 21/12/2011

    Gota D’água pede e governo nega paralisação de Belo Monte

    Em audiência com ministros, Movimento entrega 1,35 milhão de assinaturas contra usina e documento à Dilma Rousseff, mas governo diz que investimentos já são grandes demais para retroagir, apesar de problemas no processo

     

    No final desta terça feira, 17, os representantes do Movimento Gota D’água Sergio Marone, Maria Paula e Natalia Dill, acompanhados da coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Antonia Melo, e do padre Ricardo Rezende, do Movimento Humanos Direitos, foram recebidos em audiência pelos ministros da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, e de Minas e Energia, Edison Lobão, para discutir o polêmico projeto de Belo Monte. Na oportunidade, foi feita a entrega simbólica do 1,35 milhão de assinaturas colhidas pelo Gota D’água contra a usina.

     

    De acordo com Antônia Melo, apesar de garantirem uma predisposição para ampliar o diálogo sobre a política energética brasileira, os representantes do governo foram taxativos ao afirmar que Belo Monte não será paralisada em função dos grandes investimentos já feitos na obra. “Quando falamos dos problemas da falta de diálogo com as populações atingidas, Lobão tentou argumentar que Belo Monte é um projeto gestado por mais de 40 anos, período em que os indígenas, por exemplo, teriam sido suficientemente ouvidos. Mas no fim admitiram falhas no processo de Belo Monte, ao dizer que os próximos projetos de hidrelétricas na Amazônia seriam conduzidos de forma diferente”, relata.

     

    Segundo a coordenadora do Xingu Vivo, o governo admitiu que o número de assinaturas coletadas pelo Gota D’água é expressivo, e que, diante disso, estaria disposto a ampliar o dialogo. Também deixou claro que estaria envolvendo o movimento em futuras discussões por serem seus membros “formadores de opinião”. “Os ministros falaram que querem realizar um grande seminário sobre política energética em fevereiro de 2012, e convidaram o Gota D’água a participar. O movimento agradeceu o convite, mas ponderou que levará especialistas que confrontam a visão técnica do governo”.

     

    Já segundo Sergio Marone, que leu uma extensa carta endereçada a presidente Dilma Rousseff, “ao passo que o governo se mostrou irredutível [acerca de Belo Monte], nós continuaremos a nossa campanha pela imediata paralisação da obra, ao mesmo tempo em que pressionaremos pela abertura de um debate sobre política energética que envolva um dialogo verdadeiro, onde as demandas das populações são ouvidas e consideradas”.

     

    Veja abaixo o documento entregue ao governo:

     

    Brasília, 20 de dezembro de 2011

     

    A Excelentíssima Senhora DILMA ROUSSEFF

    Presidenta da República Federativa do Brasil

     

    Excelentíssima Senhora Presidenta,

     

    Em primeiro lugar, nós, do Movimento Gota D’Água, gostaríamos de agradecer a oportunidade de sermos recebidos pelo governo federal, na pessoa do Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, para dar voz a mais de 1,3 milhões de brasileiros que aderiram à nossa campanha. Nosso movimento surgiu da necessidade de transformar indignação em ação e do desejo de envolver a sociedade brasileira na discussão das questões que impactam o nosso país.

     

    Nossa missão é comover a população para causas socioambientais, emprestando nossa experiência em comunicação para dar voz àqueles que se dedicam a estudar o impacto que as decisões de hoje terão no amanhã. Em nossa primeira campanha, quisemos discutir o planejamento energético brasileiro a partir da análise do projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a maior e mais polêmica obra do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) em andamento no país

     

    Em apenas uma semana, nossa petição alcançou a incrível marca de 1 milhão de assinaturas e nosso vídeo, “Gota D’Água+10”, foi visto por milhões de pessoas. Em nossa petição, pedimos a interrupção imediata das obras de Belo Monte e a abertura de um amplo debate sobre a política energética do país, convocando os brasileiros a refletir e opinar sobre qual modelo de desenvolvimento e de geração de energia estão dispostos a seguir, em especial em relação à Amazônia, conscientes das conseqüências de suas escolhas para o presente e futuro da sociedade brasileira como um todo.

     

    É verdade que não somos especialistas, mas, ao estudar o tema, não pudemos deixar de perceber que o processo de Belo Monte está marcado por falhas e irregularidades desde o licenciamento ambiental até na violação de direitos humanos, especialmente no que concerne aos direitos dos povos indígenas. É de nosso conhecimento que, dada à magnitude do projeto de Belo Monte e seus potenciais efeitos, os povos indígenas deveriam ser consultados antes do início das obras.

     

    Nosso entendimento é que isso não aconteceu, conforme previsto na nossa Constituição e em tratados internacionais de direitos humanos do qual o Brasil é signatário. Uma das dezenas de ações civis públicas que aguardam decisão da Justiça refere-se justamente à garantia deste direito constitucional dos indígenas.

     

    Alguns de nós tivemos o privilégio de experienciar, recentemente, a magnitude do rio Xingu e ouvir diversas vozes da população local. Nessa nossa viagem, pudemos conhecer a região conhecida como Volta Grande do Xingu – trecho de 100 quilômetros de rio que terá seu fluxo seriamente reduzido pela barragem, comprometendo, assim, o modo de vida das populações locais.

     

    Ao estudar mais sobre o tema, deparamo-nos com uma série de contradições entre as manifestações técnicas e políticas das instituições ambientais e indigenistas do governo brasileiro. A literatura disponível sobre o tema revela uma forte tendência a subestimar, historicamente, os impactos socioambientais de grandes empreendimentos na Amazônia. Os grandes fluxos migratórios, num curto período, por exemplo, determinam o agravamento dos problemas sociais nas cidades.

     

    Os impactos sobre a cidade de Altamira, Sra. Presidenta, também já são visíveis. Em nossa recente viagem, pudemos ouvir diversos relatos sobre o aumento explosivo do custo de vida na cidade, sobretudo os aluguéis, o aumento da criminalidade, da prostituição (especialmente contra menores) e sobrecarga dos serviços públicos de saúde, saneamento e segurança pública. Isso sem falar no aumento dos conflitos de terra, desmatamento e expulsão de moradores da zona rural. Para nós, são evidentes as fragilidades da atual política energética do país – não apenas no que concerne às escolhas, mas também na forma como essa política está sendo conduzida e implementada.

     

    Como cidadãos, estamos preocupados com o modelo de desenvolvimento da Amazônia perseguido pelo nosso país, que contempla a perspectiva de barrar sucessivamente os rios da região. Gostaríamos de avançar na direção de um diálogo verdadeiro, em prol de políticas alternativas de geração de energia – capazes de assegurar a energia necessária para o desenvolvimento do país sem arruinar um ecossistema dessa potência.

     

    Com a criatividade necessária para inovar nas estratégias de desenvolvimento da floresta e de seus povos, superando sua função histórica de fornecedora dos nossos recursos naturais até a exaustão. O desafio é tanto do governo quanto da sociedade brasileira, que deve reconhecer – e debater – o futuro da Amazônia como uma parte diferenciada da comunidade nacional.

     

    Dessa forma, Sra. Presidenta, pedimos vossa liderança para promover o debate – e acolher – os argumentos da população do Xingu, de ambientalistas, acadêmicos, cientistas, pesquisadores, juristas e artistas verdadeiramente empenhados em apontar soluções para o desenvolvimento responsável do Brasil.

     

    Nesse sentido, gostaríamos de propor uma moratória imediata no licenciamento de grandes hidrelétricas para que este espaço democrático de diálogo sobre a política energética do país seja efetivo, com a participação de diversos setores da sociedade, como governo, academia, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

     

    Outro passo importante, Presidenta Dilma, é a indicação imediata de representantes da sociedade civil e da academia no Conselho Nacional de Política Energética, cujos assentos estão vazios desde o governo Lula. Estamos convictos de que um debate sério e qualificado sobre o futuro energético que o Brasil pode – e merece – ter só contribuirá para a formação de uma sociedade mais participativa, justa e igualitária no nosso país.

     

    Assim como a Senhora, Presidenta Dilma, nós, do Gota D’Água, também apoiamos o planejamento de soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas pelo bem comum. Nesse sentido, estamos certos de que nosso pedido, em nome de todos os brasileiros que apóiam nosso movimento, não será jamais ignorado, mas sim acolhido.

     

    Por um mundo melhor, mais consciente e solidário,

     

    Prado, Maria Paula Fernandes e Sérgio Marone

    Movimento Gota D’Água

     

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  • 19/12/2011

    Nota: sem um MPF atuante, a democracia perde força e sentido

    A recente ofensiva da Advocacia Geral da União (AGU) contra o procurador do Ministério Público Federal no Pará, Felício Pontes Jr., junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), gerou uma onda de protestos entre juristas, antropólogos, acadêmicos e setores da Igreja.

     

    Em 7 de dezembro, a AGU encaminhou ao CNMP uma representação solicitando o impedimento do procurador para desempenhar suas funções na defesa de populações atingidas por projetos hidrelétricos no Pará. Como justificativa, os advogados do governo utilizaram registros pirateados de uma reunião com indígenas ameaçados por Belo Monte, e publicados pelo jornal Folha de São Paulo.

     

    Consternado com mais este ataque – é a quinta representação da AGU contra o procurador -, um grupo de 132 abaixo-assinantes, composto por bispos da Igreja, juristas, advogados, antropólogos, acadêmicos e defensores dos direitos humanos elaboraram uma nota em defesa do Ministério Público e de seus procuradores, protocolada nesta segunda, 19, no CNMP.

     

    Veja abaixo a íntegra do documento.

     

    Brasília, 19 de dezembro 2011

     

    Ao Exmo. Corregedor Nacional do Ministério Público

    Dr. Jeferson Luiz Pereira Coelho

     

    Excelentíssimo Corregedor,

     

    Com cumprimentos respeitosos, os abaixo assinantes, representantes da Igreja, antropólogos, juristas, acadêmicos e defensores dos Direitos Humanos, vimos, por meio desta, expor ao Conselho Nacional do Ministério Público nossa preocupação e nossos votos de que sejam asseguradas ao Ministério Público Federal e seus procuradores, incondicionalmente, as garantias para o pleno desempenho de suas funções constitucionais, diante do aqui exposto:

     

    NOTA: SEM UM MPF ATUANTE, A DEMOCRACIA PERDE FORÇA E SENTIDO

     

    No dia 7 de dezembro de 2011, a Advocacia Geral da União (AGU) protocolou uma Reclamação Disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), solicitando o afastamento e a substituição do procurador da República Felício Pontes Jr. nos processos que envolvem a construção de Usinas Hidrelétricas (UHEs). Como base para tal reclamação, utiliza-se de matéria e imagens publicadas no site do jornal Folha de São Paulo.

     

    Os factóides usados na construção dos argumentos da AGU, por inócuos e inconsistentes, não merecem consideração. Em fragmentos de imagens do procurador no desempenho de sua função (Art. 129, parágrafo V da Constituição Federal: é função do Ministério Público defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas), apresentam-se trechos descontextualizados de respostas suas a questionamentos da comunidade Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá, sobre seus direitos relativos aos procedimentos de indenização por danos causados por Belo Monte. Toscamente editado sem permissão da produtora – constituindo-se, assim, em crime contra os direitos autorais -, o vídeo não representa prova de nada que possa incriminar Pontes Jr.

     

    A insistência da AGU em buscar subterfúgios para tolher, intimidar e criminalizar o Ministério Público Federal não é nova.  A tática está sendo adotada  pela quinta vez nos últimos dois anos. No presente caso, o fato reveste-se de imensa gravidade, por configurar atentado gritante ao Estado Democrático de Direito, ao atacar frontalmente a Constituição do país.

     

    É inadmissível que o presente governo, que repetidamente tem infringido e mutilado as leis ambientais e de proteção social no processo de imposição de seus projetos neo-coloniais na Amazônia, ao mesmo tempo em que se esquiva de qualquer debate acerca dos questionamentos do Ministério Público Federal, utilize-se da AGU como uma verdadeira milícia jurídica particular para neutralizar a defesa dos direitos humanos das populações mais fragilizadas da região. Esta prática tem se evidenciado também na intervenção sistemática da AGU nos processos de julgamentos das Ações Civis Públicas do MPF, intromissão que ofende a independência do Judiciário e, desta forma, a própria democracia do país.

     

    É preocupante que, depois de tantas lutas, tantas vidas perdidas, e da árdua – e, como se percebe, ainda frágil – conquista do êxito no virar as páginas da tenebrosa ditadura que manchou a recente história do Brasil, o autoritarismo retorne à vida nacional. É consternador, por fim, que ele o faça  dessa forma brutal, com a perseguição obstinada de uma das poucas instituições que ainda zelam pelos que quase nada têm. Semelhante  perseguição aos procuradores da república, e por via deles, a todos aqueles que compreendem a vida dos povos da floresta, solidarizando-se com sua cultura e sua espiritualidade por reconhecê-las como algo infinitamente precioso, poderá causar danos irreversíveis ao nosso país. Será este o legado do atual governo: um país árido, duro e embrutecido, povoado por gente escorraçada, amedrontada e apática? Não foi este Brasil que construímos. Não é este o Brasil que queremos. E enquanto pudermos lutar, não será este o Brasil que teremos.

     

    Assinam

     

    1. Associação Brasileira de Antropologia – ABA

    2. Marinor Brito – Senadora da República PSOL/PA

    3. Flavia Piovesan – jurista, procuradora do Estado de SP, professora da PUC/SP e  membro do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

    4. Marcus Menezes Barberino Mendes – Juiz Titular da Vara Federal do Trabalho de Tatuí-SP

    5. Jônatas Andrade – Juiz Titular da 2ª Vara Federal do Trabalho em Marabá, PA

    6. Carlos Teodoro José Hugueney Irigaray – Procurador do Estado de Mato Grosso

    7. Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces  – Presidente do Regional Norte II (Pará e Amapá)- CNBB e bispo da Prelazia de Cametá (PA)

    8. Dom Bernardo Johannes Bahlmann – Vice Presidente do Regional N2 e Bispo da Diocese de Óbidos/PA

    9. Dom Flávio Giovenale – Secretário do Regional Norte 2- CNBB e Bispo da Diocese de Abaetetuba/PA

    10. Dom Erwin Kräutler – bispo da Prelazia do Xingu (PA) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

    11. Dom José Luis Azcona Hermoso – Bispo da Prelazia do Marajó e Bispo acompanhante das Pastorais Sociais e CJP- Regional N2 da CNBB

    12. Dom Ladislau Biernaski – bispo de São José dos Pinhais (PR), Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

    13. Dom Enemésio Lazzaris – bispo de Balsas, MA, e vice-presidente da CPT

    14. Ennio Candotti – Diretor do Museu da Amazônia, Presidente de honra da SBPC, Professor da Universidade Federal do Espírito Santo

    15. Eduardo Batalha Viveiros de Castro – antropólogo, Professor titular do Depto de Antropologia, Museu Nacional UFRJ, pesquisador do CNPq

    16. Manuela Carneiro da Cunha – antropóloga, Membro da Academia Brasileira de Ciências, Professora de Antropologia, Universidade de Chicago

    17. Ricardo Verdum – antropólogo, assessor de políticas públicas do INESC e membro da comissão de assuntos indígenas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

    18. Darci Frigo – advogado, diretor da organização Terra de Direitos

    19. Andressa Caldas – advogada, diretora da organização Justiça Global

    20. Roberta Amanajás – advogada, Coordenadora do Departamento Internacional de Direitos Humanos da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)

    21. Sergio Martins – advogado, Coordenador do Programa de Acesso à Justiça da  Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

    22. Marco Apolo Santana Leão – advogado, presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

    23. André Villas-Bôas – indigenista,  secretário executivo do Instituto Socioambiental (ISA)

    24. Bela Feldman-Bianco – presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), professora da UNICAMP, pesquisadora do CNPq.

    25. Laymert Garcia dos Santos – Professor titular do Departamento de Sociologia da UNICAMP, conselheiro do CNPC do Ministério da Cultura, pesquisador do CNPq

    26. Paulo Henrique Martins, Sociólogo – Professor Titular de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Presidente da ALAS (Associação Latino-Americana de Sociologia)

    27. Andréa Zhouri – coordenadora do GT Povos Tradicionais Meio Ambiente e Grandes Projetos da Associação Brasileira de Antropologia, professora da UFMG, pesquisadora do CNPq.

    28. Oswaldo Sevá – professor da Faculdade de Eng. Mecânica e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

    29. Henyo Trindade Barretto Filho – antropólogo, Diretor Acadêmico do IEB e Diretor da ABA

    30. Gilberto Azanha – antropólogo, diretor do Centro de Trabalho Indigenista (CTI)

    31. Marlene Rodrigues Medeiros Freitas – Pró-Reitora de Ensino da Graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA), professora da Faculdade de Direito da UFPA

    32. Jane Felipe Beltrão – antropóloga e historiadora, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da UFPA e professora do Programa de Pós-Graduação em Direito. Bolsista do CNPq.

    33. Alexandre Ciconello – advogado, membro da coordenação da Plataforma DHESCA

    34. Assis da Costa Oliveira – advogado, professor de Direitos Humanos da Faculdade de Etnodesenvolvimento da UFPA, Campus Altamira

    35. Maria Inês Smiljanic – Professora do Depto de Antropologia, UFPR.

    36. Artionka M. Góes Capiberibe – Antropóloga, EFLCH-Unifesp

    37. Lydie Oiara Bonilla – Pós-doutoranda do Departamento de Antropologia, Museu Nacional  – UFRJ, bolsista FAPERJ

    38. Mauro William Barbosa de Almeida – Professor do Depto de Antropologia – UNICAMP, pesquisador do CNPq

    39. Ruben Caixeta de Queiroz – Laboratório de Etnologia e do Filme Etnográfico / Professor do Depto de Antropologia – UFMG

    40. Junia Torres – Cineasta – Associação Filmes de Quintal, Belo Horizonte – MG

    41. Déborah Danowski – Professora do Depto de Filosofia PUC-RJ, pesquisadora do CNPq

    42. Marcos de Almeida Matos – Professor do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal do Acre.

    43. Tânia Stolze Lima – antropóloga, professora do Depto de Antropologia, UFF

    44. Miguel Aparício Suárez – antropólogo, Operação Amazônia Nativa, Manaus, AM.

    45. Paulo Roberto Maia Figueiredo – Laboratório de Etnologia e do Filme Etnográfico – Professor do Depto de Antropologia – UFMG

    46. Rogério Duarte do Pateo  – antropólogo, Instituto Socioambiental, Belo Horizonte

    47. Fernanda Cristina de Oliveira e Silva – pesquisadora, Departamento de Antropologia, UFMG

    48. Maria Amélia Leite – Missionária indigenista Fortaleza – Ceará

    49. Ana Maria R. Gomes – antropóloga, Professora da Faculdade de Educação, UFMG, pesquisadora do CNPq

    50. Sylvia Caiuby Novaes – Professora Titular do Departamento de Antropologia, USP, pesquisadora do CNPq

    51. Paulo Dimas Rocha de Menezes – doutorando em geografia pela UFMG, membro do Instituto Cidade

    52. Eduardo Pires Rosse – doutorando etnologia Université Paris X

    53. José Antonio Kelly Luciani – Professor de Antropologia, UFSC

    54. Lívia Mara Guimarães – Professora de Filosofia, UFMG, pesquisadora do CNPq

    55. Antonio Carlos Souza Lima – Professor do Departamento de Antropologia, Museu Nacional / UFRJ, pesquisador do CNPq

    56. Roberto Machado – filósofo, Professor – titular da UFRJ, pesquisador do CNPq

    57. Rafael Haddock Lobo – Chefe do Departamento de Filosofia da UFRJ

    58. Gilton Mendes – Professor do Departamento de Antropologia da UFAM

    59. Rosa Maria Dias, Professora Adjunta do Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    60. Geraldo Andrello- Professor do Departamento de Antropologia, UFSCAR

    61. Yurij Castelfranchi – Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia, FAFICH, UFMG

    62. Luiz Eva – Professor Associado do Departamento de Filosofia da UFPR – Visiting scholar na John Hopkins University – Pesquisador do CNPq

    63. Ernani Pinheiro Chaves – Professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará. Pesquisador CNPQ

    64. Edilene Coffaci de Lima – Professora do Departamento de Antropologia, UFPR

    65. Rodrigo Duarte – Professor Titular do Departamento de Filosofia da UFMG, pesquisador do CNPq

    66. Paulo Cesar Duque Estrada – Professor do Departamento de Filosofia e Coordenador Central da Pós-Graduação da PUC – Rio

    67. Bruna Franchetto – linguista, Professora do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ, bolsista do CNPq

    68. Márcio Ferreira da Silva – Professor do Departamento de Antropologia, FFLCH, USP

    69. Marcela Coelho de Souza – Professora do Departamento de Antropologia, UnB

    70. Fernanda Cristina de Oliveira e Silva – Mestranda em antropologia social – Fafich/UFMG

    71. Rosângela Pereira de Tugny – Professora da Escola de Música da UFMG, pesquisadora do CNPq

    72. Samuel Mello Araujo Junior – Professor da Escola de Música, UFRJ, pesquisador do CNPq

    73. Maria Gorete Neto – linguista, Professora da Faculdade de Educação, UFMG Belo Horizonte

    74. Roberto Rolim Andrés – Diretor de Arquitetura e Artes Aplicadas do Instituto Maria Helena Andrés,  editor da revista PISEAGRAMA

    75. Henrique Parra – Professor do Depto de Ciências Sociais, EFLCH-Unifesp

    76. Lorena França Reis e Silva – assistente de pesquisa, graduanda em Ciências Sociais, UFMG

    77. Milene Migliano – produtora e pesquisadora audiovisual, Belo Horizonte

    78. Arthur Vinícius de Oliveira Moraes Cornélio – estudante do 6º período de Música/Composição e Canto na UFMG

    79. Pedro Aspahan — Cineasta – Associação Filmes de Quintal, Belo Horizonte – MG

    80. Roberto Romero Ribeiro Júnior – estudante do Departamento de Antropologia, Laboratório de Etnologia e do Filme Etnográfico, UFMG

    81. Carolina Lima Canguçu – Associação Filmes de Quintal, BH

    82. Glaura Cardoso Vale – Associação Filmes de Quintal, BH

    83. Filipe Ceppas – Professor da Faculdade de Educação da UFRJ

    84. Henrique José Domiciano Amorim – professor de sociologia EFLCH-Unifesp

    85. Javier Amadeo – professor de Ciência Política EFLCH-Unifesp

    86. Ronaldo de Almeida – professor de antropologia IFCH-Unicamp

    87. Pedro de Niemeyer Cesarino – Departamento de História da Arte, Universidade Federal de São Paulo

    88. José Cândido Lopes Ferreira – mestrando em antropologia, UFMG

    89. Barbara Viggiano Rocha da Silva – Educação a Distância, UFMG

    90. Lilian Simone Godoy Fonseca – professora visitante, Departamento de Filosofia, UFMG

    91. Ricardo Rezende Figueira – padre, antropólogo, professor de Direitos Humanos na UFRJ e membro do Movimento Humanos Direitos

    92. Leonardo Vieira – ator, membro do Movimento Humanos Direitos

    93. Clarisse Sette Troisgros – produtora de TV, membro do Movimento Humanos Direitos

    94. Dira Paes – Atriz membro do Movimento Humanos Direitos

    95. Emilio Gallo – documentarista, membro do Movimento Humanos Direitos

    96. Priscila Camargo – atriz, membro do Movimento Humanos Direitos

    97. Ricardo Albuquerque Paiva – médico, da diretoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco

    98. Leonardo Sakamoto – jornalista, cientista político, professor da PUC/SP e diretor da ONG Repórter Brasil

    99. José Eduardo Martinelli Filho – professor da Faculdade de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará (UFPA).

    100. Sônia Barbosa Magalhães – antropóloga, professora da UFPA.

    101. Antônio Carlos Magalhães – antropólogo, pesquisador o do Museu Paraense Emílio Goeldi, coordenador do Instituto Humanitas (PA)

    102. Nirvia Ravena – professora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-NAEA, UFPA e do Programa de Pós-Graduação em Desenv. e Meio Ambiente Urbano, UNAMA.

    103. Francisco del Moral Hernández – pesquisador do IEE/USP

    104. Jean Hébette – professor emérito da UFPA.

    105. Heraldo Maués – professor titular de Antropologia, UFPA, pesquisador do CNPq.

    106. Luis Fernando Cardoso – antropólogo, professor do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPA.

    107. Inocêncio de Sousa Gorayeb – pesquisador titular de Zoologia/Entomologia do Museu Paraense Emilio Goeldi.

    108. Denise M. Cardoso, professora de antropologia, membro do Comitê de Ética em Pesquisa e Vice Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPA.

    109. Edna Maria Ramos de Castro – Diretora da SBPC, professora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, UFPA.

    110. Maria Elvira Rocha Sá – professora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPA.

    111. Iara Ferraz – pesquisadora associada do Museu Nacional, UFRJ.

    112. Jorane Ramos de Castro – cineasta, professora da UFPA.

    113. Flávio César Thadeo de Lima – biólogo, pesquisador colaborador do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas

    114. Tarcísio Feitosa – Assessor do Ministério Publico Estadual, Pará.

    115. Jansen Zuanon – pesquisador da Coordenação de Pesquisas em Biodiversidade do Instituto  Nacional de Pesquisas da Amazônia  (INPA)

    116. Guiomar Inez Germani – professora da UFBA, Projeto GeografAR/ UFBA / CNPq

    117. Jorge Molina, Insituto de Hidráulica e Hidrologia, Universidad Mayor de San Andrés.

    118. Renato Athias – Professor da Universidade Federal de Pernambuco, Pesquisador do CNPq.

    119. Daniel Schroeter Simião – antropólogo, Departamento de Antropologia da UnB, Secretário Geral da ABA

    120. Rosa Carmina de Sena Couto – professora e pesquisadora da Faculdade de Medicina, UFPA.

    121. Gilca Garcia de Oliveira – professora, coordenadora do Curso de Mestrado em Economia, da Universidade federal da Bahia.

    122. José Marcos da Silva – professor de Saúde Pública da Universidade Federal de Pernambuco.

    123. Diana Antonaz – antropóloga, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/UFPA

    124. Hermes Fonsêca de Medeiros – biólogo, Professor Adjunto do Campus de Altamira, UFPA

    125. Solange Gayoso – professora da Universidade Federal do Pará

    126. Gutemberg Armando Diniz Guerra – professor e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas do Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural da UFPA

    127. Henri Acselrad – professor  do IPPUR/ UFRJ, pesquisador do CNPq.

    128. Regine Schönenberg – professora da Universidade Livre de Berlim e consultora permanente da cooperação técnica alemã (GTZ) pela Amazônia Brasileira

    129. Janice Muriel-Cunha, bióloga, professora do Instituto de Estudos Costeiros, UFPA

    130. Ana Fernandes, Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA. Ex-Presidente da ANPUR – Associação Nacional de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional.

    131. Gláucia Oliveira da Silva – antropóloga, Universidade Federal Fluminense

    132. Jean Pierre Leroy – pesquisador, educador da FASE.

     

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  • 16/12/2011

    Carta a Claude Levi-Strauss

    Caro professor, no início da década de 1950 o senhor se perguntou – com base nas visitas que fez, 20 anos antes, a comunidades indígenas dos sertões brasileiros: somos ainda humanos o bastante para compreendê-los? Desta questão, tua imaginação fértil, análise criteriosa de alguns povos e a revisão de parte de sua vida e produção intelectual produziram a obra Tristes Trópicos.

     

    Sessenta anos se passaram e podemos dizer que hoje temos certeza de que não se trata apenas de compreensão, mas de garantir os direitos conquistados por estes povos no país e no mundo. Talvez a pergunta agora seja: somos humanos o bastante para fazer valer tais direitos, depois de séculos de espoliação e violência contra os povos indígenas?

     

    Na forma em que o Estado está organizado, leis são detalhes para governos com interpretações particulares de democracia e produtos de grupos que dizem representar o povo e as reais necessidades da nação – muitos, com ideologias solventes ao contato com o processo histórico. Justamente por isso, cada governo é um, sendo todos forjados por interesses diluídos nas bolsas de valores, nos conchavos eleitorais e nos projetos sistêmicos.

     

    O conceito hegemônico de humano instalado no Brasil, realidade emergente nesta carta, não pressupõe o olhar etnográfico sobre povos que insistentemente são ceifados em seus direitos. Por certo a etnografia pode ser uma forma de humanismo, porém mais do que humanismo se faz necessário que a violência instalada sobre os direitos indígenas se volte contra quem a pratica. 

     

    Tal prática é perpetrada pelo parlamento, que há anos tenta trazer para si e suas vicissitudes a autorização ou não de um dos direitos mais fundamentais para os povos tradicionais que é o território. Pelo governo, que esvazia os espaços institucionais de influência dos indígenas na vida estrutural do país. Pelo Judiciário, que garante direitos com uma mão e os toma com a outra.

     

    Somos humanos o bastante para a rebelião contra um sistema autofágico, construtor de buracos no vácuo ao grito dos crucificados? Somos humanos a ponto de abdicarmos do caminho fácil de um projeto que atenta à lógica da destruição da natureza e das populações tradicionais como preço a se pagar pelo desenvolvimento nacional?

     

    Não obstante, como refletir sobre o humano em interface com tais populações quando o Estado ainda não enxerga os indígenas dispostos secularmente sob formas próprias de organização social, política, cultural e cosmológica? Quando fomos humanos, posto que o projeto de colonização sempre atentou, com assombrosa violência, sobre o que a sociedade que ela erigiu finge não existir? 

     

    A medida do humano reside na capacidade crítica do indivíduo frente ao lugar comum imposto pelos consensos inventados da polícia palaciana. O humano está na resistência a qualquer projeto que sacrifique quem se nega a fazer parte de uma engrenagem, a se homogeneizar, a se coisificar na apatia de promessas pálidas, na cãibra de músculos usados para reproduzir a competição e na contínua exploração do homem pelo homem em troca do desenvolvimento coletivo.

     

    Professor, desse modo, é possível dizer que avançamos com direitos e isso significa uma melhor compreensão com relação ao protagonismo dos povos originários. Por outro lado, está longe de ser o suficiente para que tais direitos sejam implementados e respeitados na integralidade. A Constituição Federal tornou-se o cemitério da liberdade e dos direitos.

     

    Efetivamente não somos tão humanos quanto os indígenas, ou melhor, não nos reinventamos ao contato e, ao contrário, tentamos de toda forma os aniquilar tal como se estes povos fossem a medida de nossa desumanização e do quanto nosso modelo de sociedade está falido e fadado ao débâcle – enquanto eles resistem e traçam o próprio futuro.

     

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  • 16/12/2011

    Dilma: presente natalino aos Nordestinos

    Confira artigo de Roberto Malvezzi, o Gogó, sobre o rompimento do convênio do governo federal, através do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). Confira:

     

    O presente da presidente Dilma ao povo do semiárido nesse Natal já está decidido: uma cisterna de plástico.

     

    A presidente é uma excelente gerente, pessoa íntegra e acima de qualquer suspeita. Quando criou o “Água para Todos” nos encheu de alegria. Afinal, agora iríamos acelerar a construção das cisternas para beber e produzir. Mas, a presidente preferiu doar centenas de milhares de cisternas de plástico para os nordestinos. Descartou o trabalho histórico da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e vai trabalhar exclusivamente com os estados e municípios.

     

    Claro que essa decisão está acima de qualquer interesse eleitoreiro, ou dos coronéis do sertão, ou dos 10% das empresas fabricantes do reservatório. Dilma é uma mulher honrada.

     

    Claro que os empresários enviarão junto com as cisternas pedagogos, exímios conhecedores do semiárido, que farão a educação contextualizada realizada a duras penas por milhares de educadores da ASA. Esses pedagogos evidentemente conhecem o semiárido, o regime das chuvas, a pluviosidade de cada região, como se deve cuidar dos telhados, das calhas. Irão pelo sertão, pelas serras, pelos brejos, gastarão dias de suas vidas em meio às populações para realizar com um cuidado sacerdotal as tarefas que a questão exige.

     

    Claro que os políticos farão, antes de entregar as cisternas, uma crítica ao coronelismo nordestino, ao uso da água como moeda eleitoral, afinal, já superamos os períodos mais aberrantes da política nordestina.

     

    Quando a cisterna quebrar os pedreiros capacitados saberão reparar os estragos, sem depender da empresa e as cisternas de plástico não virarão um amontoado de lixo no sertão.

     

    As empresas também enviarão agrônomos para dialogar com as comunidades como se faz uma horta com a água de cisterna para produção, uma mandala, uma barragem subterrânea, uma irrigação simples por gotejamento. Claro, o interesse das empresas e dos políticos é continuar o trabalho pedagógico da ASA tão premiado no Brasil e em outros lugares do mundo.

     

    Não temos, portanto, nada a protestar. A presidente e a ministra Campello são exímias conhecedoras do Nordeste, mesmo tendo nascido no sul e sudeste. Conhecem cada palmo da região, dessa cultura, cada um de seus costumes. Claro que não nos enviarão mais sapatos furados, roupas rasgadas em tempos de seca, como acontecia antigamente. Até porque o trabalho da ASA eliminou as grandes migrações, a sede, a fome, as frentes de emergência e os saques. Mesmo não sendo nordestinas, nem jamais tendo vivido aqui, conhecem a região melhor que o povo que aqui nasceu ou aqui habita. Portanto, gratos por tanta generosidade.

     

    Vamos conversar com os milhões de beneficiados envolvidos na convivência som o semiárido. Eles vão entender as razões da presidente e da ministra e vão retribuir com a generosidade que lhes é peculiar.

     

    O povo do semiárido jamais esquecerá que, no Natal de 2011, ganhou como presente da presidente Dilma Roussef uma cisterna de plástico.

     

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  • 16/12/2011

    Direitos Humanos restabelece Comissão Guarani-Kaiowá para monitorar ações de órgãos federais em MS

    O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) decidiu em reunião ontem (15) restabelecer as atividades da Comissão Guarani-Kaiowá, criada em 2007 no âmbito da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) com o objetivo de coordenar, articular, avaliar e monitorar as atividades dos órgãos federais desenvolvidas na região de Dourados, em Mato Grosso do Sul. A situação de violência e abandono dos povos indígenas do estado foi pauta da última reunião do Conselho, presidido pela ministra Maria do Rosário.

     

    Não há data definida, mas ficou acertado também que o CDDPH fará uma nova expedição em Dourados para verificar in loco a situação das comunidades Guarani-Kaiowá. A ida de conselheiros à região deve ocorrer o mais rápido possível.

     

    O restabelecimento da Comissão Guarani-Kaiowá ocorre em função do agravamento dos conflitos fundiários envolvendo aldeias e acampamentos indígenas em Mato Grosso do Sul, que têm resultado em assassinatos e sequestros de homens, mulheres e crianças indígenas, de dia ou de noite. 

     

    O recrudescimento da violência por parte de pistoleiros da região foi relatado aos conselheiros pelo coordenador da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, deputado Padre Ton (PT-RO), que nos dias 2 e 3 de dezembro esteve em diligência em  Mato Grosso do Sul juntamente com os deputados Domingos Dutra (PT-MA) e Erika Kokai (PT-DF), integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. O recrudescimento ocorre porque os índios decidiram retomar suas terras.

     

    “Constatamos que a situação é gravíssima. Temos relatos de lideranças indígenas assassinadas e outras juradas de morte. Eles (os índios), estão confinados nos acampamentos, sem poder ir e vir, vivendo de cestas básicas fornecidas pela Funai. Estão sem acesso a direitos básicos como saúde, educação e água potável e são constantemente atacados por pistoleiros e por fazendeiros”, relatou Padre Ton na reunião, realizada em Brasilia, na sede da SDH. Ele fez a entrega do Relatório da Comissão Externa à ministra.

     

    Em sua exposição, Padre Ton chegou a considerar a possibilidade do governo federal decretar a intervenção em Mato Grosso do Sul, em razão do total desrespeito ao principio constitucional de se assegurar os direitos da pessoa humana. Nesse caso, a intervenção é prevista no artigo 34, inciso VII da Constituição Federal. Essa possibilidade também foi sugerida pelo conselheiro Aurélio Virgílio da Veiga Rios, subprocurador geral da República.

     

    “Se tem um povo indígena que é vítima da omissão do Estado brasileiro é o povo Guarani-Kaiowá. E há muito tempo é a situação indígena mais dramática do país. Por isso, creio que se deve repensar a intervenção no estado de Mato Grosso do Sul”, disse Aurelio, lembrando que o suicídio, o alcoolismo, o abandono, a violência e impunidade não são problemas novos. “São problemas de há pelo menos 20 anos. Não é possível admitirmos que o estado de Mato Grosso do Sul tenha interesses frontalmente contrários aos povos indígenas, deixando correr a impunidade”.

     

    A ativista Rosane Kaingang, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), solicitou aos conselheiros e à ministra Maria do Rosário que solicitem ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) o envio de contingente da Polícia Federal e Força Nacional para a região. “A Polícia Federal que está lá está comprometida”, denunciou. Segundo Rosane, o procurador da República e missionários estão sendo ameaçados de morte e lideranças de movimentos sociais também.   

     

    “Somos a favor da intervenção no estado de Mato Grosso do Sul. O governo local desrespeita todas as instituições federais e os direitos dos povos indígenas”, disse Rosane.

     

    Decisão política

     

    O deputado Domingos Dutra foi enfático: “Já se conhece o diagnóstico da realidade dos Guarani-Kaiowá. O genocído é antigo. O Estado não apura os crimes. Então é preciso garantir a vida dos que estão marcados para morrer e tem que desarmar as milícias. Tudo que estamos dizendo aqui só vai fazer sentido se for tomada uma decisão política”, disse. Uma das formas de aliviar a tensão, especialmente em Dourados, é a presidenta Dilma Rousseff, segundo Dutra, decidir pelo pagamento de indenizações a produtores que foram ilegalmente assentados em terras pertencentes aos povos indígenas.

     

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  • 15/12/2011

    ABA manifesta-se em apoio a Procurador no caso de Belo Monte

    Assine aqui petição acerca do tema

     

    NOTA PÚBLICA

     

    A Associação Brasileira de Antropologia, sociedade científica com mais de 50 anos de existência, sólida trajetória e reconhecimento nacional e internacional, vem publicamente manifestar sua preocupação com o recente pedido da Advocacia Geral da União para o afastamento do Procurador Felício Pontes, do Ministério Público Federal (MPF) do Pará, dos processos movidos pelo MPF contra as obras da usina hidroelétrica de Belo Monte.

     

    A nosso ver, as manifestações públicas do procurador em nada maculam a idoneidade do Ministério Público no legítimo cumprimento de suas obrigações legais. Ao contrário, atestam seu compromisso para com a observância do preceito constitucional de defesa da diversidade cultural e do respeito aos direitos dos povos indígenas, a duras penas conquistado pela sociedade brasileira em nosso processo de redemocratização.

     

    Instamos, outrossim, o Estado brasileiro a respeitar tal preceito, dever que lhe cabe sob pena de por em risco a plena vigência do Estado de Direito em nossa Sociedade.

     

    Brasília, 15 de dezembro de 2011

     

    Bela Feldman-Bianco

    Presidente

     

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  • 15/12/2011

    Ameaçados de Morte no Pará participam de Encontro e divulgam Carta

    Trabalhadores e lideranças ameaçados de morte nas regiões sul e sudeste do Pará participam de Encontro realizado em Marabá (PA), nos dias 9 e 10 de dezembro, e divulgam Carta às Autoridades. Confira:

     

    CARTA ÀS AUTORIDADES

     

    Nós, trabalhadores e trabalhadoras rurais, ameaçados de morte e vivendo em situação de risco nas regiões sul e sudeste do Pará, reunidos em um encontro em Marabá, nos dias 09 e 10 do mês corrente, para avaliar nossa situação, nos dirigimos às autoridades estaduais e federais para expor nossas preocupações e apresentar nossas reivindicações.

     

    Constatamos que a situação é grave, apenas nas regiões sul e sudeste, são mais de 40 lideranças em situação de risco em razão das ameaças e, em 2011, já ocorreram 10 assassinatos de trabalhadores rurais nessas regiões. As ameaças, infelizmente, em muitos casos, acabam se cumprindo resultando no assassinato de muitos camponeses.

     

    A falência do INCRA e da Reforma Agrária é a principal causa geradora das ameaças, e por consequência das mortes. Processos de desapropriação ou arrecadação de terras públicas se arrastam por décadas, desencadeando conflitos graves e expondo os trabalhadores e suas lideranças à ação criminosa de pistoleiros a mando de fazendeiros e madeireiros. Em 2011, nenhuma fazenda foi desapropriada e nenhum assentamento foi criado nas regiões sul e sudeste. São mais de 10 mil famílias aguardando serem assentadas, enfrentando todas as formas de violência.

     

    A inoperância do IBAMA e da Polícia Federal em coibir e penalizar a extração ilegal de madeira e a produção ilegal de carvão é um incentivo à continuidade das ameaças e das mortes. O assassinato de José Cláudio e Maria em Nova Ipixuna no último dia 24 de maio é um exemplo disso.

     

    A impunidade promovida pela segurança pública e pelo poder judiciário constitui elemento incentivador para a continuidade dos crimes. As ameaças, geralmente, não são investigadas, a investigação e identificação dos autores dos crimes contra os trabalhadores sempre ficam pela metade e a conclusão dos processos criminais e consequente condenação dos responsáveis pelos crimes dificilmente acontece. Os processos se arrastam por 5, 10 e até 20 anos e muitos deles acabam prescrevendo.

     

    Frente à situação exposta reivindicamos das autoridades:

     

    1 – Maior agilidade do INCRA nos processos de arrecadação de terras públicas e desapropriação de latifúndios improdutivos para que os conflitos sejam mais rapidamente solucionados;

     

    2 – A investigação de todas as ameaças registradas nas Delegacias de Polícia por parte de trabalhadores e lideranças ameaçadas;

     

    3 – Investigação por parte das corregedorias de polícia e da Comissão de Combate à Violência no Campo, das ilegalidades e arbitrariedades cometidas por policias civis e militares nos acampamentos e assentamentos;

     

    4 – Fiscalização por parte do IBAMA da extração ilegal de madeira, desmatamentos ilegais e produção ilegal de carvão nas áreas ocupadas e nos assentamentos e investigação da Polícia Federal e Ministério Público Federal dos crimes ambientais e agrários cometidos por madeireiros e fazendeiros;

     

    5 – Fortalecimento do Programa de Defensores de Direitos Humanos, para que este tenha condições de monitorar a situação dos ameaçados, acompanhar a apuração das ameaças e garantir seguranças para as pessoas em situação de risco;

     

    6 – Implantação de um posto temporário da Força Nacional no Projeto de Assentamento Agro-extrativista em Nova Ipixuna, considerando a ofensiva de madeireiros, grileiros e produtores de carvão ilegal e a situação de ameaças aos familiares de José Cláudio e Maria, especialmente, Laiza Sampaio;

     

    7 – Prorrogação da Proteção feita pela Força Nacional às lideranças e trabalhadores dos ameaçados.

     

    Marabá, 12 de dezembro de 2011.

     

    Trabalhadores e lideranças ameaçadas de morte nas regiões sul e sudeste do Pará.

     

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  • 15/12/2011

    Consórcio Teles Pires descumpre condicionantes e MP ajuiza nova ação para parar a obra

    Novo processo denuncia violação do termo de compromisso assinado pelo empreendedor de fazer obras para evitar o caos na saúde na região

     

    O Ministério Público do Estado do Mato Grosso, o Ministério Público Federal no Pará e no MT ajuizaram nova ação civil pública pedindo a paralisação das obras da Usina Teles Pires, no rio de mesmo nome, na divisa entre os dois estados. A ação pede a suspensão das obras até que o empreendedor cumpra as condicionantes previstas no licenciamento ambiental para preparar a região para os impactos.

     

    Os promotores de Justiça e procuradores da República que acompanham o caso acusam a Companhia Hidrelétrica Teles Pires de descumprir não só o que determinava o licenciamento ambiental como um termo de compromisso pelo qual estava obrigada a investir em saúde, educação, transporte e habitação para compensar o impacto da ida de 30 mil pessoas para as cidades de Paranaíta, Alta Floresta (MT) e Jacareacanga (PA), onde o empreendimento está localizado.

     

    O Estudo de Impacto Ambiental detectou vários impactos importantes e a precariedade dos serviços públicos na região, que não suportariam o aporte de migração causado pela obra. Por isso, segundo o MP, cabe ao empreendedor suportar os custos advindos desses impactos, sendo que  a Licença Prévia impôs uma série de condicionantes para atestar a viabilidade do empreendimento.

     

    Mas, depois de obtida a LP, a Companhia Hidrelétrica Teles Pires, que tem participação majoritária da Neoenergia e da Construtora Norberto Odebrecht, apresentou aos prefeitos da região um plano detrabalho em que negava o número de 30 mil migrantes previsto pelo Ibama – contabilizando apenas cerca de sete mil trabalhadores como migrantes – e em que afirmava que não era sua responsabilidade fazer os investimentos necessários nos municípios.

     

    Os prefeitos e o MP acusaram a Companhia de “tentar se furtar à responsabilidade de mitigar e compensar os impactos, de duas formas: minimizando-os (afirmando que trará poucas pessoas de fora) e repassando sua responsabilidade ao Poder Público”. Uma das principais discordâncias entre os prefeitos e a empresa era o valor dos repasses para investimentos em serviços públicos.

     

    Apesar de haver no orçamento do empreendimento cerca de R$ 300 milhões destinados à compensações e mitigações, o empreendedor só queria repassar R$ 11 milhões previamente às três prefeituras diretamente impactadas. O MP interveio então e obteve a assinatura,em junho de 2011, de um Termo de Compromisso em que os municípios aceitavam o valor menor para iniciar o mais rápido possível as obras necessárias.

     

    As prefeituras indicaram onde deveria ser aplicado o dinheiro: ampliação do aeroporto, rodoviária, mercado produtor, secretaria de assistência social, construção de salas de aula, implantação de unidade previdenciária, adequação do espaço físico do hospital municipal, construção e ampliação de posto de saúde, pavimentação de estradas e ruas, construção e implantação de aterros sanitários. Pelo compromisso assinado pelo empreendedor, tudo deveria estar pronto até março de 2012.

     

    Até agora, nenhuma obra para prevenir os impactos sequer foi iniciada e o caos se instalou. As obras da usina começaram, milhares de migrantes já aportaram na região e os municípios assistem ao aumento da prostituição, violência, acidentes de trânsito, especulação imobiliária e inflação totalmente incapazes de atender às necessidades da população

     

    Para o MP, a Companhia Hidrelétrica Teles Pires S.A é obrigada pela lei a mitigar e compensar os danos que estão causando. Mas não o fez. “E o pior: agiram dolosamente pois, mesmo sabendo dos impactos, negaram-se a implementar medidas que preparassem os Municípios para absorvê-los como menor trauma possível a população local. O que resulta claro é que a situação relatada não pode continuar, ou seja, a atividade econômica não pode continuar sendo desenvolvida sem que se prepare as comunidades locais para absorverem as milhares de pessoas que estão chegando de várias partes do Brasil”, diz a ação judicial.

     

    A ação é assinada pelos promotores de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, Hellen Uliam Kuriki, Luciano Martins da Silva (MP/MT) e pelos procuradores da República Felício Pontes Jr (MPF/PA), Analícia Ortega Hartz e Márcia Brandão Zollinger (MPF/MT). O caso está tramitando na Justiça Estadual do MT, na Comarca de Paranaíta com o número 949-67.2011.811.0095.

     

    É a terceira ação judicial que trata de irregularidades na instalação da usina de Teles Pires.

     

     

    Ministério Público Federal no Pará

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