• 29/05/2012

    Descaso na saúde indígena motiva protestos de indígenas na Assembleia Legislativa do Maranhão

    Por Gilderlan Rodrigues da Silva,

    Cimi Regional Maranhão

    Mais de 60 indígenas do povo Tenetehara (ou Guajajara) da Terra Indígena Araribóia, região de Arame, Maranhão, chegaram nesta terça-feira, 29, a São Luís para protestos na Assembleia Legislativa do estado contra a falta de assistência à saúde na região.

    A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) realiza o atendimento de forma precária nas aldeias, o que tem ocasionado a morte de indígenas. Um dos últimos casos envolveu Lurdinha Paulino Guajajara, de 13 anos. Grávida, a indígena faleceu no último dia 16 após durante o parto no hospital municipal de Arame.

    Os indígenas estão denunciam que a morte de Lurdinha ocorreu por falta de assistência médica, que não acontece na cidade tampouco nas aldeias. Nas suas comunidades, conforme os indígenas, faltam medicamentos, médicos, estrutura nos postos de saúde, transporte para deslocar os pacientes e atender as demandas das comunidades.

    Denunciam ainda que a equipe multidisciplinar realizou campanha de vacinação durante a noite. Para piorar, a enfermeira atua como médica e que o pré-natal não é feito nas aldeias razão pela qual o parto da indígena se complicou levando-a a morte.

    Cansados de serem desrespeitados, os indígenas cobram melhor assistência em suas comunidades. A liderança indígena Paulo Gomes Guajajara relata, indignado, a situação de descaso vivenciada pelos indígenas entendendo que saúde diferenciada é um direito constitucional.

    "Não podemos nos calar diante dos absurdos, do desrespeito e do descaso com a saúde indígena e da forma que somos tratados. Não somos ficção: somos seres humanos, somos povos e nações sujeitos de direitos inerentes às nossas diferenças e seremos implacáveis na luta pelo fortalecimento destes direitos", afirma.

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  • 29/05/2012

    Indígenas ocupam Ministério da Saúde e fecham cinco rodovias no Sul do país

    Cerca de 80 indígenas dos povos Kaingang, Guarani Mbyá e Charrua, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ocuparam na manhã desta terça-feira, 29, a entrada e o 4º andar do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde estão instalados os escritórios da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

     

    No Rio Grande do Sul, desde as primeiras horas da manhã, rodovias foram bloqueadas pelos indígenas, caso da RS-324 nos trechos entre os municípios de Planalto e Iraí; também, entre as cidades de Ronda Alta e Três Palmeiras. Outros trancamentos ocorrem na BR-386, entre Iraí (RS) e Santa Catarina, a RS-480 na altura do município de São Valentim, região de Erechim, RS-343, na cidade de Cacique Doble, além da BR-285, em Mato Castelhano.

     

    As sedes da Sesai em Curitiba (PR), Porto Alegre e Guarapuava (PR) foram ocupadas. "São atos que acontecem juntos, articulados e que servem para denunciar nossos problemas na saúde", explica Claudemir Kaingang. Os indígenas protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e cobram demarcação de terras indígenas, conforme a liderança Romancil Kretã. Apenas no Rio Grande do Sul, às margens das rodovias, estão instalados 60 acampamentos indígenas.   

     

    De acordo com as lideranças, o protesto ocorre devido ao caos provocado pela Sesai na saúde indígena na região Sul do país. “Falta definição da gestão, sobra incompetência, além do que a transição da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) ainda provoca sérios problemas na saúde de nossos povos”, diz a liderança Pedro Kaingang.

     

    Os problemas enfrentados vão de aspectos simples, como aquisição de leite em pó para crianças em risco nutricional, transporte e leitos para pacientes indígenas, farmácia para aquisição de medicamentos fora da lista básica, chegando a atendimentos de alta e média complexidade, equipamentos médicos e saneamento básico nas aldeias.  

     

    A situação é tão grave, conforme os indígenas, que uma das reivindicações é a realização de contratos com funerárias, recursos para pedágios e a locação de sedes físicas. “Essa semana morreu uma criança Guarani, no litoral do RS, por falta de assistência. Declaramos estado de calamidade pública. Existem aldeias que não há água para beber”, explica Pedro.

     

    Por fim, os indígenas cobram a instalação de um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) no Rio Grande do Sul e Santa Catarina para facilitar a gestão da saúde. O problema é que em junho de 2011, durante seminário realizado em Santa Catarina, o coordenador da Sesai Antônio Alves prometeu o DSEI, mas até agora, quase um ano depois, não abriu Grupo de Trabalho para a abertura do distrito.

     

    “Enquanto eles prometem e não cumprem, nosso povo morre. Isso tem que acabar e por isso estamos aqui”, encerra Pedro Kaingang. Os indígenas buscam audiências com o coordenador da Sesai e ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Com essa mobilização, sobe para cinco o número de protestos indígenas no Brasil no último mês envolvendo a pauta da saúde. Protestos e ocupações aconteceram em Rondônia, Maranhão, Tocantins e Acre, onde 120 indígenas permanecem acampados na sede regional da Funai, em Rio Branco.

     

     

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  • 28/05/2012

    Veto parcial mantém florestas brasileiras sob risco

    O Comitê Brasil em Defesa das Florestas assistiu nesta sexta (25) com grave preocupação o anúncio da sanção parcial do projeto de Código Florestal aprovado no Congresso, o que frustrou a expectativa de ampla maioria da população pelo veto integral.

    O conteúdo das medidas não foi divulgado oficialmente, denotando total falta de transparência. Preocupa-nos ainda, além do conteúdo anunciado, o desdobramento do processo por meio de Medida Provisória.

    A anistia segue como eixo central do texto, visto que, a data de 2008 como linha de corte para manutenção de áreas desmatadas ilegalmente continua inalterada e, consequentemente, promove a isenção de recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reserva Legal.

    As flexibilizações em relação a lei atual podem ser ainda ampliadas, pois a matéria e os pontos modificados serão devolvidos ao Congresso.

    A sanção parcial pela presidente Dilma reforça a necessidade de ampliar a mobilização, que será intensificada na Rio+20. A campanha “Veta Tudo, Dilma!”, que se tornou um fenômeno social no Brasil, seguramente continuará, pois a sanção parcial não encerra a vontade dos brasileiros de construir um Código Florestal que concilie conservação e produção.

    Brasília, 25 de maio de 2012

    Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável

     

     

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  • 28/05/2012

    Os índios do século XXI

    "Índio quer tecnologia" – berra O Globo, em chamada de primeira página (25/05). Lá está a foto de um guerreiro Kamayurá, que usa um iPhone para fotografar o terreno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde será construída a aldeia Kari-Oca que vai sediar eventos paralelos da Conferência Rio + 20. Ele viajou de barco e de ônibus, durante três dias, com mais vinte índios do Alto Xingu, de quatro nações diferentes. Chegaram na última quinta-feira, para construir a aldeia Kari-Oca. 

     

    Na aldeia que eles vão construir formada por cinco ocas – uma delas será uma oca eletrônicahight tech – mais de 400 índios que vivem no Brasil, discutirão com índios dos Estados Unidos, Bolívia, Peru, Canadá, Nicarágua e representantes de outros países temas como código florestal, demarcação de terras, reservas minerais, crédito de carbono, clima, usinas hidrelétricas, saberes tradicionais, direitos culturais e linguísticos. No final, produzirão um documento que será entregue à ONU no dia 17 de junho.

     

    Embora a notícia contenha informações jornalísticas, O Globo insiste em folclorizar a figura do índio. Em pleno século XXI, o jornal estranha que índios usem iPhone, como se isso fosse algo inusitado. Desta forma, congela as culturas indígenas e reforça o preconceito que enfiaram na cabeça da maioria dos brasileiros de que essas culturas não podem mudar e se mudam deixam de ser "autênticas".

     

    A imagem do índio "autêntico" reforçada pela escola e pela mídia é a do índio nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e flecha, tal como foi visto por Pedro Alvares Cabral e descrito por Pero Vaz de Caminha, em 1.500. Essa imagem ficou congelada por mais de cinco séculos. Qualquer mudança nela provoca estranhamento.

     

    Quando o índio não se enquadra nesta representação que dele se faz, surge logo reação como a esboçada pela pecuarista Katia Abreu, senadora pelo Tocantins (PSD, ex-DEM): "Não são mais índios". Ela, que batizou seus três filhos com os nomes de Irajá, Iratã e Iana, acha que o "índio de verdade" é o "índio de papel", da carta do Caminha, que viveu no passado, e não o "índio de carne e osso" que convive conosco, que está hoje no meio de nós.

     

    Na realidade, trata-se de uma manobra interesseira. Destitui-se o índio de sua identidade com o objetivo de liberar as terras indígenas para o agronegócio. Já que a Constituição de 1988 garante aos índios o usufruto de suas terras – que são consideradas juridicamente propriedades da União – a forma de se apoderar delas é justamente negando-se a identidade indígena aos que hoje as ocupam. Se são ex-índios, então não têm direito à terra.

     

    Criou-se, através dessa manobra, uma nova categoria até então desconhecida pela etnologia: a dos "ex-índios". Uma categoria tão absurda como se os índios tivessem congelado a imagem do português do século XVI, e considerassem o escritor José Saramago ou o jogador Cristiano Ronaldo como "ex-portugueses", porque eles não se vestem da mesma forma que Cabral, não falam e nem escrevem como Caminha.

     

    O cotidiano de qualquer cidadão no planeta está marcado por elementos tecnológicos emprestados de outras culturas. A calça jeans ou o paletó e gravata que vestimos não foram inventados por brasileiro. A mesa e a cadeira na qual sentamos são móveis projetados na Mesopotâmia, no século VII a. C., daí passaram pelo Mediterrâneo onde sofreram modificações antes de chegarem a Portugal, que os trouxe para o Brasil.

     

    A máquina fotográfica, a impressora, o computador, o telefone, a televisão, a energia elétrica, a água encanada, a construção de prédios com cimento e tijolo, toda a parafernália que faz parte do cotidiano de um jornal brasileiro como O Globo – nada disso tem suas raízes em solo brasileiro. No entanto, a identidade brasileira não é negada por causa disso. Assim, não se concede às culturas indígenas aquilo que se reivindica para si próprio: o direito de transitar por outras culturas e trocar com elas.

     

    Foi o escritor mexicano Octávio Paz que escreveu com muita propriedade que "as civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas". Ninguém vive isolado, fechado entre muros. Historicamente, os povos em contato se influenciam mutuamente no campo da arte, da técnica, da ciência, da língua. Tudo aquilo que alguém produz de belo e de inteligente em uma cultura merece ser usufruído em qualquer parte do planeta.

     

    Setores da mídia ainda acham que "índio quer apito". Daí o assombro do Globo, com o uso do iPhone pelos Kamayurá, equivalente ao dos americanos e japoneses se anunciassem como algo inusitado o uso que fazemos do computador ou da televisão: "Brasileiro quer tecnologia".

     

    O jornal carioca, de circulação nacional, perdeu uma oportunidade singular de entrevistar integrantes do grupo do Alto Xingu, como Araku Aweti, 52 anos, ou Paulo Alrria Kamayurá, 42 anos, sobre as técnicas de construção das ocas. Eles são verdadeiros arquitetos e poderiam demonstrar que "índio tem tecnologia". O antropólogo Darell Posey, que trabalhou com os Kayapó, escreveu:

     

    Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma “ponte ideológica” entre culturas, que poderia permitir a participação dos povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.

     

    Esses são os índios do século XXI. A mídia olha para eles, mas parece que não os vê.

     

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  • 27/05/2012

    Tribunal determina a suspensão definitiva de construção de estrada que passa em reserva indígena

    A 5.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região acatou recurso proposto pelo Ministério Público Federal (MPF), reformando integralmente sentença de primeiro grau, para determinar, em caráter definitivo, a suspensão de construção de estrada vicinal que interligasse a rodovia federal BR-307 ao 5.º Pelotão Especial de Fronteira do Exército no Amazonas – com o fim de abastecer de suprimentos os soldados –, tendo em vista outras alternativas, tais como, transporte aéreo e hidroviário naquela região, evitando-se, assim, graves danos ao meio ambiente.

     

    Trata-se de ação civil pública ajuizada pelo MPF na Seção Judiciária do Amazonas, em que se requer que a União seja impedida de construir a referida estrada, e também seja condenada ao pagamento de indenização, a título de danos materiais, ao Parque Nacional Pico da Neblina e, a título de danos morais, à comunidade indígena ianomâmi.

     

    Consta nos autos que a estrada que interliga a rodovia federal ao pelotão do Exército passa dentro da reserva indígena e ao lado do Parque Nacional Pico da Neblina. Atualmente, a construção da estrada está paralisada. Contudo, há alguns anos, foi executada parte da obra. Segundo o MPF, a construção do referido trecho causou sensível acréscimo populacional à região, assédio sexual aos indígenas, promovidos por madeireiros e soldados, perda da autossustentabilidade da tribo e outros danos ambientais. Além disso, o trecho da estrada em questão fora construído sem decreto presidencial autorizativo, conforme determinação do estatuto do índio, e sem qualquer estudo prévio de impacto ambiental, como determinam a Constituição Federal (art. 225, § 1º, IV) e a Lei do Sistema Nacional das Unidades de Conservação da Natureza – SNUC (Lei 9.985/2000).

     

    Em sua defesa, a União ressaltou que a construção da estrada estaria inserida no raio de implementação de políticas públicas e que, nos autos, não há provas de que houve danos ambientais ao Parque Nacional Pico da Neblina, tampouco à comunidade indígena ianomâmi.

     

    Ao julgar o caso, o juízo de primeiro grau negou todos os pedidos formulados pelo MPF na ação civil pública, tendo em vista que a suspensão da construção da estrada poderia causar prejuízos à segurança nacional. O fato motivou o MPF a recorrer ao TRF da 1.ª Região para que fosse reformada integralmente a sentença dada pela Seção Judiciária do Amazonas.

     

    Em seu extenso voto, o relator, desembargador Souza Prudente, acatou todos os argumentos apresentados pelo MPF. Segundo o magistrado, há nos autos provas suficientes que comprovam os vários danos sofridos pela população indígena, em especial às índias vítimas de assédio sexual. O relator também destacou os danos ambientais ocasionados pela construção da estrada.

     

    “Os argumentos do Ministério Público pela inviabilidade da obra procedem, tendo em vista as consequências da obra na cultura, nos costumes e no modo de subsistência dos indígenas, bem assim na sustentabilidade do Parque Nacional do Pico da Neblina, que se caracteriza como uma importante unidade de conservação da natureza de proteção integral. Dessa forma, dou provimento para reformar integralmente a sentença e determinar, em caráter definitivo, a suspensão da construção da estrada”, afirmou o relator, que também condenou a União ao pagamento de indenização no valor de R$ 500 mil a título de danos morais à comunidade indígena afetada, bem como a indenização a título de danos matérias ao Parque Nacional Pico da Neblina, em valores a serem apurados.

     

    A decisão foi unânime.

     

    Processo n.º 2004.32.00.000853-0/AM

     

    Assessoria de Comunicação Social

    Tribunal Regional Federal da 1.ª Região

     

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  • 26/05/2012

    Nota Pública acerca do julgamento dos assassinos de Aldo Mota: Justiça já! Basta de impunidade!

    Terra Indígena Raposa do Serra do Sol, 25 de maio de 2012.

     

    O CONSELHO INDÍGENA DE RORAIMA, os familiares de ALDO DA SILVA MOTA, e as comunidades indígenas da região das Serras, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, vêm manifestar seu repúdio quanto ao resultado do julgamento ocorrido nos dias 17 e 18 deste mês e ano, no qual os três acusados de assassinar o índio macuxi ALDO DA SILVA MOTA no dia 02 de janeiro de 2003 foram absolvidos.

     

    Ficamos nos perguntando então, quem matou o ALDO? Não tem nenhuma outra suspeita! Os caminhos percorridos por ALDO e as testemunhas foram convincentes, não temos testemunha ocular da execução, porém testemunhos e o desenho do caminho percorrido por ele para chegar até a fazenda e não mais retornar. Somente o seu corpo foi encontrado no dia 09 de janeiro na área da fazenda, onde já haviam acontecido muitas ameaças, cujos vaqueiros na sede da fazenda estavam fortemente armados, com capacidade para executar qualquer uma pessoa sozinha.

     

    Presenciamos também durante o julgamento o preconceito contra os povos indígenas por terem reconquistado as suas terras, mesmo após uma luta de trinta anos, onde foram assassinadas 21 lideranças indígenas, 54 ameaças de morte, 51 tentativas de homicídios, 80 casas destruídas, 71 prisões ilegais, 05 roças queimadas e 05 cárceres privados. Do lado contrário, todos os não-índios receberam as indenizações por suas benfeitorias.

     

    Na justiça brasileira não tem crime perfeito, portanto mais do que tentar macular, é nesse caminho da JUSTIÇA que estamos recorrendo da sentença do Tribunal do Júri. Também formamos uma comissão com viagem marcada para Brasília, aonde vamos nos manifestar junto às autoridades e pedir celeridade nos julgamentos dos casos em que os índios são vítimas, pois passam muitos anos sem o devido julgamento, como no caso de ALDO que demorou nove anos para ser julgado na Justiça Federal de Roraima. Para nós brasileiros isso é uma vergonha, ver uma justiça que é paga com nosso dinheiro demorar tanto para dar solução aos problemas.

     

    Assim, os familiares não contentes, como de direito estamos recorrendo, bem como solicitamos ao MPF/RR para recorrer e também a FUNAI, que nesse primeiro julgamento ficou ausente, fugindo assim de sua missão constitucional. Pois nesse julgamento estava apenas o MPF, que no final pediu a absolvição do fazendeiro. Lamentamos, porém lembramos que foi o mesmo MPF, com outro Procurador na época, que apresentou as razões e os fatos que a Justiça Federal acatou para processar e julgar o fazendeiro.

     

    Hoje termina o prazo para interposição de recursos e comunicamos aos familiares, aos parentes, aos povos indígenas e aos simpatizantes da causa indígena, QUE ESTAMOS RECORRENDO DESSA DECISÃO DO TRIBUNAL DO JÚRI.

     

    CONVOCAMOS A TODOS PELA JUSTIÇA JÁ – BASTA DE IMPUNIDADE.

    Conselho Indígena de Roraima

    Familiares de ALDO DA SILVA MOTA

    Comunidades e Coordenação da Região das Serras.

     

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  • 25/05/2012

    Posicionamento ético e político: a natureza não tem preço!

    O Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, reunido em plenária nacional nos dias 24 e 25 de maio de 2012 em Brasília, vem manifestar-se publicamente sobre as discussões que se realizam no contexto da preparação à Rio+20 e à Cúpula dos Povos, eventos que se realizarão na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 15 e 23 de junho próximo.

     

    A partir do debate que realizamos sobre a economia verde, afirmamos nosso posicionamento contrário ao discurso que a apresenta como a solução para os problemas que o planeta enfrenta a partir das mudanças climáticas.

     

    Entendemos e reafirmamos que a grande responsabilidade pelo aquecimento global, e consequentemente pelas mudanças climáticas, recai no modelo de desenvolvimento de nossa sociedade atual, modelo este que possui como um de seus fundamentos a economia capitalista.

     

    Neste sentido, entendemos que a economia verde, na perspectiva que vem sendo discutida e apresentada pelos grandes grupos econômicos e governos, nada traz de novo e de concreto para solucionar os problemas, e apenas se constitui numa espécie de “nova roupagem” para o mesmo sistema; ou seja, o próprio causador da doença tenta apresentar agora o que seria o remédio, numa clara tentativa de manipular a crise ambiental.

     

    Sabemos que a economia verde não passa, na realidade, de uma estratégia do capitalismo para continuar sua acumulação e expansão a partir da tentativa de tratar a natureza como uma espécie de “capital natural”, colocando preço em todos os serviços que plantas, animais e o ecossistema como um todo oferecem à humanidade de forma gratuita.

     

    Posicionamos-nos contra a economia verde e todos os demais instrumentos apresentados pelo mercado e assumidos pelos governos no bojo da discussão do combate às mudanças climáticas: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), Pagamento por Serviços Ambientais, Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e Mercado de Carbono. Todos estes instrumentos nada mais são do que uma tentativa de pintar de verde a economia capitalista, que, na verdade histórica, sempre foi cinzenta, por causa dos altos níveis de poluição que joga em todos os espaços do ambiente vital da Terra. Não passa, por isso, de uma falsa solução, uma ilusão de resolução do problema.

     

    Manifestamos publicamente nosso posicionamento para que a presidente Dilma Rousseff, numa demonstração de coerência, escuta e respeito à vontade e soberania popular, vete integralmente o texto do Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional. Ele atende tão somente ao interesse de expandir ainda mais o campo de atuação e, consequentemente, todas as mazelas sociais e ambientais causadas pelo agronegócio. 

     

    Por tudo isso, dizemos não à “precificação” e financeirização da natureza e reafirmamos nossa crença e esperança em formas de convivência que garantam a satisfação das necessidades dos povos sem colocar em risco a própria sobrevivência humana no planeta. Assumimos a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental contra a Mercantilização da Vida e da Natureza em defesa dos Bens Comuns como uma importante oportunidade para construirmos, a partir dos povos e com os povos, as verdadeiras e reais soluções para os graves problemas que põem em risco a Criação.

     

    Brasília, 25 de maio de 2012.

     

    Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

     

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  • 25/05/2012

    Declaração Oficial da ASA sobre a Seca no Semiárido Brasileiro

    Declaração sobre o atual momento da seca no semiárido

     

    À Presidenta Dilma Rousseff

    Aos governadores dos Estados no Semiárido Brasileiro

    Aos Prefeitos Municipais

    À População Brasileira

     

    A luta contra a miséria e a fome tem dupla dimensão: a

    emergencial e a estrutural. A articulação entre as duas

    dimensões é complexa e cheia de astúcias. Atuar no emergencial

    sem considerar o estrutural é contribuir para perpetuar a miséria.

    Propor o estrutural sem atuar no emergencial é praticar o

    cinismo de curto prazo em nome da filantropia de longo prazo”.

    (Betinho)

     

    O Semiárido brasileiro neste momento está mergulhado em uma das secas mais cruéis e devastadoras dos últimos 30 anos. Da chegada dos portugueses aos dias atuais, já se somam 72 grandes secas com características similares.

     

    As secas são previsíveis e seus efeitos sobre a população são extremamente graves com consequências em todos os setores da região. Quadro que não é nenhuma surpresa para quem conhece a história e realidade do Semiárido brasileiro.

     

    Estamos diante de um momento extremamente grave de longa estiagem, uma das maiores e mais intensas das últimas três décadas, que deverá se prolongar até 2013. Em situações como essa os grandes proprietários têm prejuízos, mas os sem terra e pequenos agricultores são os que mais sofrem perdas que colocam em risco as suas vidas, a de seus rebanhos e suas reservas de sementes e alimentos.

     

    Mais de 500 municípios encontram-se em estado de emergência. As plantas cultivadas no entorno das casas, quintais produtivos, estão morrendo, os rebanhos dizimados e as reservas de sementes, organizadas em casas e bancos comunitários ou familiares, correm o risco de desaparecer frente à necessidade de alimentação da população. Desde o ano passado não chove o suficiente para acumular água nas cisternas para consumo da família e para a produção.

     

    O quadro atual é grave! Há que se priorizar o socorro imediato às famílias que estão sem água, mas há a mesma urgência em investir em ações estruturantes para que essas famílias possam enfrentar os períodos de longa estiagem, cíclicos e previsíveis, sem passar fome ou sede.

     

    No Brasil e no Semiárido, as secas sempre foram oportunidade fértil para as oligarquias aumentarem suas posses de terras, se locupletarem dos recursos públicos, conseguirem, com recursos públicos, obras vultosas e caras para beneficiar suas propriedades e de seus comparsas políticos, enraizarem seu poder político à custa da miséria da população, exposta em filas à busca de gotas de água e migalhas de alimentos. Aliado a este quadro, as secas expulsam de suas terras e de seu torrão natal centenas e milhares de cidadãos do Semiárido, que se tornam errantes na busca e na esperança de melhores dias.

     

    A oligarquia e os políticos dela oriundos e a ela ligados sempre explicaram este fenômeno como algo de responsabilidade da natureza, esquecendo-se, intencionalmente, das decisões políticas deles próprios e dos governantes. Creditam, assim, à natureza, aquilo que é responsabilidade e resultado das decisões políticas.

     

    Esta seca, no entanto, embora ainda mantenha enraizadas muitas destas mazelas e injustiças, traz consigo outro viés que tem tornado a população mais capaz de resistir, de ser cidadã e deixar de ser manipulada.

     

    Efetivamente muitas políticas e programas se espalham pelo Semiárido, tornando-o, de certo modo, diferente, mais humano, mais adequado à convivência com o clima e suas intempéries. Evidentemente nem todos os programas oficiais a que nos referimos se revestem de características de convivência com o Semiárido, mas todos eles dão sua parte para a garantia mínima da dignidade das pessoas. Eis alguns exemplos:

     

    a) O bolsa família, acrescido do bolsa estiagem, enquanto ações emergenciais, tem desempenhado papel chave na alimentação das pessoas, sem que para isso necessitem de engordar filas de miseráveis, mendigando alimentos que, mesmo adquiridos com recursos públicos, eram distribuídos por prefeitos, vereadores e cabos eleitorais, reforçando seu (deles) poder político.

     

    b) A extraordinária malha de captação de água construída no Semiárido através das cisternas, quer sejam elas da ASA, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), dos Governos Estaduais e Municipais, da Fundação Banco do Brasil e de vários outros atores e parceiros; esta malha armazena milhões de litros de água outrora literalmente desperdiçados.

     

    c) A malha de captação e distribuição de água para produção e dessedentação de animais, cisternas calçadão, barragens subterrâneas, tanques de pedra, barreiro-trincheiras, bombas d’água popular, outros, financiada quer pelo poder público, quer por várias parcerias.

     

    d) As adutoras e processos semelhantes de abastecimento da população.

     

    e) A decisão da Presidenta da República de universalizar o acesso à água para todos os cidadãos do Semiárido, o que implica, entre outras medidas, na construção de quase 700 mil cisternas.

     

    f) As ações do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de compra da alimentação escolar (PNAE), que aos poucos estrutura propriedades, criou e enraizou bancos de sementes e processos os mais variados de armazenamento de grãos e sementes.

     

    g) O crédito destinado à agricultura familiar e os processos de assistência técnica, aumentados significativamente nos últimos anos, embora ainda carentes de uma adequação mais radical à realidade do Semiárido e Agroecologia.

     

    h) Os processos agroecológicos implementados especialmente devido à teimosia de organizações não governamentais e iniciativas locais.

     

    i) O Seguro Safra.

     

    j) As linhas de crédito oficiais para a seca, anunciados e já em implementação nas regiões e que aumentam a capacidade dos agricultores de resistir e conviver com o Semiárido, manter vivos seus animais, reestruturar suas propriedades.

     

    Todos estes processos e muitos outros realizados e implementados no Semiárido pelas experiências de fundos rotativos solidários, pela economia solidária, pelos intercâmbios entre agricultores pelas experiências variadas oriundas da criatividade dos agricultores, foram, gradativamente se tornando a base para que os agricultores do Semiárido se tornassem cada vez mais sujeitos de sua história.

     

    A ASA se vê na construção desta caminhada diferente, participando de muitos destes processos mesmo com críticas aos mesmos, buscando promover a partilha no lugar da concentração, disseminando as pequenas obras em contrapartida aos projetos faraônicos, valorizando o camponês enquanto sujeito protagonista, portador de direitos, responsável por sua própria libertação, desencadeando outro tipo de desenvolvimento, sustentado e sustentável, que tem por fundamento a participação, a organização, a educação e o empoderamento das pessoas.

     

    Isso, no entanto, se expressa melhorias, ainda está longe de ser suficiente. Ao contrário, assistimos constantemente uma luta dialética entre a proposta de convivência com o Semiárido, que diríamos estar na raiz das ações que refletimos acima, e daquelas de combate à seca, responsáveis pela miséria implementada do Semiárido e pela concentração das riquezas.

     

    Diante desse quadro, a ASA vem a público refletir e propor o que se segue:

     

    I – Ações emergenciais e o cuidado cidadão.

     

    1. Abastecimento imediato e contínuo das cisternas com água tratada distribuída gratuitamente pelas empresas públicas estaduais e municipais de abastecimento de água e/ou exército. Onde não for possível abastecer com água tratada, que seja acompanhada de hipoclorito para que as próprias famílias possam fazer em casa a filtragem e o tratamento. As cisternas, efetivamente, assumem duas funções: armazenar água das chuvas e ser recipiente de armazenamento e reivindicação de água por parte da população quando não chove.

     

    2. Cuidado cidadão para que este abastecimento, feito enquanto direito e com recursos públicos, não se torne instrumento de manipulação política e de enriquecimento ilícito. Infelizmente já há sinais de que esta prática não foi extinta, dado que começa a se manifestar e atuar em determinados espaços e municípios.

     

    3. Conclamamos todas as nossas comissões municipais de água para que realizem o controle social destes processos e denunciem os desvios para a devida punição.

     

    4.  Apelamos aos Ministérios competentes para que instituam disque denúncia por onde os cidadãos possam denunciar estas práticas e para o Supremo Tribunal Eleitoral no sentido de estabelecer uma Campanha: “NÃO TROQUE SEU VOTO POR ÁGUA. ÁGUA É DIREITO SEU”. O Brasil tem o dever ético de não consentir que as medidas de emergência e socorro às pessoas se transformem em instrumentos de manipulação e desvirtuação das eleições.

     

    5. Abastecimento das cisternas calçadão e outros instrumentos de armazenamento de água visando fundamentalmente a dessedentação animal.

     

    6. Controle das irrigações, de modo especial daquelas mais predadoras.

     

    7. Liberação imediata dos créditos especiais no sentido de dotar os agricultores de capacidade de alimentar seus animais e manter suas propriedades e negociação dos débitos pendentes, se necessário.

     

    8. Cuidado todo especial para que os créditos liberados não sejam sempre e continuamente aqueles maiores e mais volumosos – tendência dos bancos – o que tornará inócua a linha de crédito da agricultura familiar e poderá ser um instrumento de enriquecimento.

     

    II – Ações Estruturantes

     

    A convivência com o Semiárido que, aos poucos, vai transformar a região numa terra próspera e feliz, não se concretiza e realiza através de ações emergenciais. Estas são importantes, mas passageiras. Os olhares devem estar voltados para as dimensões estruturantes. Neste contexto de seca e sabendo, igualmente, que outras virão e que a história cobrará de nós quais providências tomamos para uma melhor convivência com o clima, conclamamos os poderes públicos a:

     

    1. No campo da captação da água.

     

    a) Continuidade imediata do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, e início imediato das ações de cisternas de consumo humano e de produção contratadas entre o MDS e os Estados. Não se justifica que, havendo recursos disponíveis, como é o caso, os Estados e consórcios municipais posterguem indefinidamente o início destas atividades que dotarão milhares de famílias de estruturas essenciais à convivência com o Semiárido.

     

    b) Suspensão imediata do processo de cisternas de polietileno (plástico/PVC). Não se justifica, em hipótese alguma, que o Estado Brasileiro opte por cisternas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de custo, adquiridas de multinacionais, ao invés das cisternas de placas que utilizam produtos adquiridos no mercado local, tem tecnologia dominada pelos agricultores, utilizam mão-de-obra local, são mais baratas (menos de 50% do custo das outras) e tem eficiência comprovada. Mais ainda, isso não se justifica quando se dispõe no país de uma imensa malha de organizações capazes de atuar nestas construções.

     

    c) Limpeza de aguadas e açudes, numa perspectiva de armazenamento das águas das chuvas que virão.

     

    d) Criação de um grande programa de escavação de pequenos barreiros (familiares) voltados a dotar as propriedades dos agricultores familiares de maior capacidade de captação e armazenamento de água.

     

    e) Implementar as adutoras – ou serviços de água – previstos no Atlas de Águas do Nordeste (Agência Nacional de Águas), dando prioridade àqueles considerados emergenciais, definidas em consulta à sociedade civil.

     

    f) Rever a política de irrigação que demanda o dinheiro público e constrói canais para grandes empresas, mas não abastece as populações com necessidades básicas de consumo humano. É necessário lembrar que a Lei Brasileira de Recursos Hídricos (9433/97) define que a disponibilidade de água deve priorizar o abastecimento humano e a dessedentação dos animais.

     

    2. No campo do acesso à terra.

     

    O processo da seca não se manifesta apenas na questão da água. Ele se manifesta e se agudiza na concentração da terra. Em momentos como este que vivemos se nota, com exímia clareza, a diferença no processo de convivência, entre uma propriedade maior e uma mini, como a maioria do Semiárido.

     

    Uma propriedade maior, que ao menos se aproxime do módulo fiscal de 70 hectares previsto em Lei, tem reservas alimentares humanas e para animais, pode ter variadas modalidades de armazenamento de água, plantios e criatórios diversificados e assim conviver melhor. Uma propriedade com dois hectares ou pouco mais, como a maior parte do Semiárido, se vê forçada a diminuir seus animais para não morrerem, consome rapidamente suas reservas de água e alimentos, consome suas sementes, morre.

     

    É lamentável que o Governo Federal não tenha tomado a si a urgente tarefa de realizar uma reforma agrária no Semiárido, reforma esta adequada à sua realidade.

     

    Convenhamos que sem o acesso à terra, dificilmente os habitantes do Semiárido terão garantida sua saída da situação de extrema pobreza em que se encontram.

     

    Conviver com o Semiárido é ter acesso à terra e nela viver bem.

     

    3. No campo da assistência técnica e crédito.

     

    A erradicação da miséria (ousado e essencial programa da Presidenta Dilma), a convivência com o Semiárido e a vida digna neste espaço andam de mãos dadas.

     

    Estruturalmente precisamos de uma assistência técnica sistemática, constante e processual, em moldes e metodologias agroecológicas, que resgatem e respeitem os saberes dos agricultores e com eles construam os novos conhecimentos necessários para a mudança da realidade do Semiárido.

     

    É lamentável e inaceitável que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) não realize chamadas públicas suficientes para dar cobertura aos agricultores do Semiárido, leve mais de um ano para celebrar contratos com organizações classificadas nas chamadas públicas e não leve a sério as chamadas existentes. Assim é que a maior parte das chamadas do Semiárido está engavetada.

     

    Este comportamento está desestruturando as organizações e afastando da assistência técnica centenas de pessoas que muito teriam a contribuir na lógica da convivência com o Semiárido e que poderiam, neste momento, estar atuando com mais afinco no socorro aos agricultores, inclusive, para que eles possam acessar melhor as políticas existentes.

     

    O crédito, por sua vez, precisa ser cada vez mais adequado à convivência com o Semiárido e dimensão agroecológica, fugindo da linha hoje predominante de cadeias produtivas.

     

    4. No campo da comercialização, venda de produtos e bancos de sementes.

     

    As experiências do PAA e PNAE em muito contribuíram, até hoje, para fortalecer as infraestruturas produtivas das unidades familiares e autonomizar a agricultura familiar. São inúmeras as famílias agricultoras que isso testemunham e que, por esta razão, hoje estão fora da miséria e melhor convivendo com o Semiárido. Faz-se necessário, assim, ampliá-las, em especial nas modalidades executadas diretamente com as famílias e associações comunitárias.

     

    Outro instrumento importante que necessita ser potencializado são as feiras locais, nas quais os agricultores familiares vendem seus produtos, garantindo, assim, o escoamento dos mesmos. O Semiárido e seus agricultores ainda se ressentem de uma linha de crédito para aquisição de equipamentos para estruturação destas feiras.

     

    Estruturar casas comunitárias de sementes e apoiar a aquisição, armazenamento e distribuição de variedades locais são também medidas essenciais para a autonomização e sustentabilidade da agricultura familiar e a garantia da segurança alimentar e nutricional.

     

    Outras secas virão. A história continuará cobrando. Podemos passar para ela como cidadãos ou vilões.

     

    Este o nosso dilema. Não podemos permitir, em hipótese nenhuma, que a seca que se apresenta e agudiza, seja oportunidade ou justificativa para que deixemos de lado a linha estruturante de convivência com o Semiárido, que reconhece nos agricultores os sujeitos de suas próprias histórias e de suas mudanças, e enveredemos pelo assistencialismo barato, desestruturador das pessoas e grupos, embora fácil de realizar.

     

    A ASA conclama todas as suas entidades e técnicos/as a que, com mais veemência, determinação e afeto, possam dar conta das ações que estão a nosso encargo na ampliação da rede de captação e distribuição de água, na dinamização de bancos de sementes, em estar a serviço dos agricultores informando-os das políticas e medidas a que têm direito neste momento de seca, assim como a fazer o controle social da boa aplicação dos recursos públicos destinados ao seu socorro e, assim, continuando a construção da convivência com o Semiárido. A grande capilaridade de nossa rede estará, mais do que nunca, a serviço dos agricultores e agricultoras familiares.

     

    Cientes do forte papel das organizações sociais sem as quais as mudanças e as grandes conquistas não se efetuam, conclamamos todos os movimentos e organizações sociais do Semiárido Brasileiro para fiscalizar e denunciar candidatos/as que fizerem uso eleitoreiro de carros pipa ou quaisquer outros benefícios que as famílias tenham direito de acessar.

     

    Conclama também os poderes públicos a que, deixando de lado a burocracia asfixiante que impede o Governo de agir com rapidez e eficiência, possa estar a serviço dos que sofrem, velando para que os recursos sejam bem aplicados e, em nenhuma hipótese, possam ser eleitoreiramente utilizados, ressuscitando práticas hediondas que povoam a nossa história.

     

    Conclama todos os cidadãos a que, olhando criticamente o fenômeno da seca, nele não localizem miseráveis, incapazes, esmoleres e recebedores de nossa compaixão e doação do supérfluo, mas cidadãos que sempre tiveram seus direitos negados durante séculos e que, não obstante, lutaram e estão conseguindo implantar no Semiárido a política da convivência, que faz desta seca uma seca diferente.

     

    O Semiárido não precisa de bondade. Precisa de justiça, solidariedade e de que os direitos de seus filhos e filhas sejam respeitados.

     

    Deste modo, o que o Semiárido quer é a continuidade e aprofundamento da política de convivência com o Semiárido e de que seja cada vez mais afastada e erradicada a política de combate à seca.

     

    Semiárido Brasileiro, maio de 2012.

     

    Coordenação Executiva da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)

     

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  • 25/05/2012

    Povos indígenas de São Paulo discutem política de atendimento à saúde

    Por Vanessa Ramos,

    de São Paulo, Rede Brasil Atual

    A política de atendimento à saúde indígena na Grande São Paulo está muito aquém das expectativas das diferentes etnias que vivem nesta região. Essa foi a afirmação dos participantes do 8º Encontro de Formação e Articulação dos Povos Indígenas de São Paulo, ocorrido no último sábado (19), na Casa de Oração do Povo de Rua, no bairro da Luz, zona sul da capital paulistana. Na pauta, o atendimento aos indígenas da cidade, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), atrelada ao Ministério da Saúde, e as condições da Casa de Saúde Indígena (Casai).

    Entre os participantes, órgãos públicos, entidades da sociedade civil e lideranças indígenas que vivem na região metropolitana e no interior de São Paulo, além de pacientes indígenas de outros estados brasileiros, em tratamento na Casai de São Paulo.

    As atuais mudanças na política de atendimento à saúde indígena abrangem a Sesai, novo órgão que substitui a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no atendimento aos povos originários do país. Essa secretaria foi criada pelo Decreto 7.336, de outubro de 2010, dentro da estrutura do Ministério da Saúde. A partir de dezembro de 2011, prazo dado para as mudanças de uma estrutura para outra, a secretaria passou a responder pelo atendimento à saúde dos indígenas de todo país.

    O encontro fez uma retrospectiva de anteriores, quando já se havia discutido a precariedade no atendimento à saúde dos povos indígenas no país, especialmente aos que vivem na cidade. “Nos nossos encontros em 2010, diversas etnias já haviam relatado as dificuldades no atendimento à saúde, falta de medicamentos, precariedade no transporte de pacientes indígenas e as confusas transformações da Funasa para a Sesai”, disse Emerson Guarani Nhandeva.

    Sesai e Casai

    Para Dora Pankararu, moradora da comunidade Real Parque, na zona sul, a proposta de uma secretaria de saúde é uma discussão que data de muito tempo, de conferências anteriores. Ela disse que as mudanças na estrutura do atendimento à saúde em São Paulo estão levando a condições piores do que a antiga, já precarizada. 

    Segundo a indigenista Cristina Alves, da Fundação Nacional do Índio (Funai), o órgão nunca teve uma unidade de atendimento e atenção aos povos indígenas da cidade. “Queremos a partir de agora fazer um levantamento da população indígena na Grande São Paulo e estamos dispostos a apoiar a Sesai na questão do atendimento à saúde”, afirmou.

    Para a chefe da divisão de atenção à saúde indígena, Maria das Graças Serafim, do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Litoral Sul, da Sesai, muitas ações ainda precisam avançar. “Estamos dispostos a dialogar com as comunidades que necessitarem de esclarecimentos”, disse.

    “Antes poderíamos dizer que recebíamos um tratamento, ainda que precário, mas agora nem isso. Temos muitas dúvidas sobre as mudanças atuais”, afirmou Cícera Pankararu, moradora do município de Osasco.  

    Sobre a Casai de São Paulo, estrutura ligada à Sesai e centro de referência no atendimento nos casos de média e alta complexidades, as denúncias são comuns aos povos de diferentes partes do Brasil que fazem tratamento no local.

    “Passou a colonização e a escravidão e eu me sinto violentada pela política e as condições do atendimento à saúde que são oferecidas aos indígenas em São Paulo. Para as consultas e o atendimento, dependemos sempre da liberação do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) e é uma burocracia”, afirmou Dora Pankararu.

    Valdeni Guajajara, que faz tratamento há nove anos na casa, afirmou que a estrutura nunca esteve tão ruim. “Há somente um carro para nos atender, comprado em 2000 e que está sucateado. Estamos na casa sem saber quando teremos remédios para sermos medicados porque nem sempre há. Também estamos tomando água da torneira e dormindo em colchões precários. Tenho certo que se a vigilância sanitária for chamada vai interditar a casa”, disse.

    Sobre o transporte, Maria das Graças afirmou que isso é um problema reconhecido pela Sesai e que ocorre em todo o Brasil. “Todos os carros no país estão velhos para atender adequadamente aos indígenas”, disse. Também reconheceu a precariedade na infraestrutura oferecida pela Casai. A representante disse que há interesse em resolver a situação, mas não apresentou medidas específicas para isso.

    Indígenas na cidade

    A população indígena vivendo na Grande São Paulo ultrapassa 20 mil pessoas, distribuídas em mais de 15 municípios, afirmam o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Pastoral Indigenista de São Paulo.

    “Agora é Sesai, antes era Funasa. Todos os órgãos públicos que cuidam da gente nos abandonaram. Nós que vivemos na cidade de São Paulo, não temos muitas vezes nem dinheiro para pagar aluguel, imagine para comprar medicamentos. A lei que fala do atendimento diferenciado não é cumprida”, afirmou Renato Pankararé, morador da zona norte de São Paulo. 

    Segundo Maria das Graças Serafim, a política nacional de saúde indígena tem um orçamento para trabalhar apenas com índios das aldeias. Os que vivem nas cidades devem procurar o atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Sobre o tema, o Ministério da Saúde lançou no último dia 10, o “Cartão SUS”. Segundo informações divulgadas no site do ministério, “o cartão integrará uma base de dados nacional e permitirá a identificação dos indígenas tanto no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (Sasisus) quanto no SUS”.

    Para o antropólogo Benedito Prezia, coordenador do Programa Pindorama da PUC-SP, outras medidas são necessárias para garantir o atendimento diferenciado. “A saúde oferecida pelo governo estadual já não é de qualidade para a população em geral. Então, talvez seja importante pensar na criação de unidades de atendimento específicas em regiões onde há alta concentração de indígenas em São Paulo, como já existe na favela Real Parque”, disse.

    A historiadora e antropóloga Beatriz Maestri, do Cimi, afirmou que a resposta dada pela Sesai não contempla as demandas reais dos indígenas que vivem nas cidades. “Dizer que os recursos são apenas para os indígenas que vivem em aldeias, representa um descaso com esses povos, uma recusa ao reconhecimento de sua identidade e de seus direitos específicos assegurados em lei. A convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre Povos Indígenas e Tribais reconhece o direito diferenciado aos que não moram em aldeia”, afirmou.

    No final do encontro, um grupo de lideranças indígenas ficou responsável por preparar uma carta com reivindicações e denúncias que serão encaminhadas, até o próximo mês, ao Ministério Público Federal.

     

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  • 25/05/2012

    Informe nº1015: Sob ordem de despejo, indígenas seguem com ocupação à sede da Funai no Acre

    Por Luana Luizy e Renato Santana,

    de Brasília (DF)

     

    Indígenas mantêm ocupação na sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Rio Branco, Acre, desde o último dia 15 sob ordem de despejo. Porém, a situação segue tensa: reintegração de posse foi solicitada pelo órgão indigenista e conforme decisão judicial deverá ser executada na terça-feira, 29. Os indígenas afirmam que permanecerão no local.

     

    O movimento pede a saída da coordenação regional do órgão, acusada de corrupção e uso indevido do dinheiro público, melhorias nas áreas da saúde e educação, além de demarcação de 21 terras indígenas – alvos da expansão das fronteiras do agronegócio na Amazônia.

     

    Um pedido de reintegração de posse foi encaminhado pela Funai para a Justiça Federal, que concedeu liminar. O movimento indígena recorreu da decisão e aguarda parecer da Justiça. No compasso da espera, a sede da Funai segue tomada por cerca de 120 indígenas. Porém, a mobilização deverá aumentar nos próximos dias.  

     

    “Tivemos uma audiência na Assembleia Legislativa ontem (quinta-feira, 24), onde a Comissão de Direitos Humanos se comprometeu conosco. Cansamos de conversas, precisamos de resultados. São muitas mortes e violências. Qual a dificuldade de perceberem que lutamos por nossas vidas?”, destacou Ninawá Huni Kuĩ.

     

    Os povos presentes na sede regional da Funai são os Jaminawa, Ashaninka, Huni Kuĩ, Madja, Nawá, Manchineri e Apolima Arara.

     

    Mortes e violências

     

    A reportagem do jornal Porantim percorreu durante dez dias o rio Purus, que corta o estado do Acre depois de nascer nos Andes e desaguar no estado do Amazonas. Por lá passou nos últimos dias de fevereiro e início de março, constatando graves problemas de saneamento básico e gastos de dinheiro público com obras inadequadas à vida nas aldeias da Terra Indígena do Alto Rio Purus.

     

    Sem ouvir os indígenas, a então Fundação Nacional de Saúde (Funasa), hoje Sesai, construiu banheiros coletivos, fossas e poços secos que não abastecem as caixas d’água instaladas sobre estruturas de concreto e ferro, desgastadas pela umidade amazônica. Assim, os indígenas buscam vertentes de água para as chamadas cacimbas, expostas ao tempo, animais, lixo e cheias do rio.Estruturas construídas pela Funasa apodrecem sob a forte umidade amazônica sem nunca terem funcionado. Foto: Renato Santana     

     

    Junto à equipe que percorreu durante 20 dias as aldeias às margens do rio, a reportagem constatou 24 mortes de crianças Madja (Kulina) e Huni Kuĩ (Kaxinawa) por diarreia e vômito, além de outras que apresentavam os mais variados estágios de desnutrição – uma em estado grave. Desde março, o jornal Porantim publica uma série de reportagens sobre os indígenas do rio Purus.  

    Deste rio, percorrido por Euclides da Cunha em 1905 e descrito como “Um Paraíso Perdido”, se desmembra o rio Iaco. Às suas margens está Sena Madureira. Nas ruas da cidade, indígenas Jaminawa vivem em situação de extrema vulnerabilidade, beirando a mendicância. Na mesma reportagem, está descrita cena de crianças enxotadas depois de tentarem pegar bananas verdes caídas dos cachos carregados por atravessadores.

     

    Expulsos dos territórios de ocupação tradicional pela chegada das fazendas de gado, caso da Terra Indígena Sãopaulina, os indígenas acabam em Sena Madureira buscando comida, casa e trabalho. Encontram a discriminação e todas as dificuldades da vida longe da aldeia.

     

    Falta de diálogo  

     

    “Por enquanto a Funai está fechada ao diálogo. Solicitaram uma intimação para que os indígenas deixem o prédio. A previsão para os próximos é de que a mobilização atinja 400 pessoas”, afirma Lindomar Padilha, coordenador regional do Cimi Amazônia Ocidental.

     

    No início deste mês, Francisco Pianko, assessor da presidente da Funai, se reuniu com as lideranças indígenas em Rio Branco. Conforme os relatos dos indígenas dão conta de que foram atacados por Pianko e ameaçados com retaliações caso ocupassem novamente o órgão.

     

    Para os indígenas, a reunião deveria acontecer para tratar dos encaminhamentos às reivindicações entregues pela comissão de lideranças que estiveram com Marta Azevedo, em Brasília, depois de ocupação da sede da Funai na Capital Federal, tendo como motivo a solicitação de audiência com a presidente, que por sua vez se negava a recebê-los.

    Em nota pública, a Funai afirma estar aberta ao diálogo e propõe a construção de uma agenda conjunta com as lideranças indígenas. “Apesar de todos os esforços da Funai, recebendo-os para várias reuniões, inclusive em Brasília com coordenadores-gerais, assessores e até pela presidente Marta Maria Azevedo, com proposta de ida ao Acre para resolver as questões com um número mais ampliado de representações e lideranças, o grupo ocupou novamente a sede da Coordenação Regional, impedindo os funcionários de trabalhar (sic)”, diz trecho final da nota.

    No documento, o órgão afirma que os indígenas não apresentaram contraproposta para um suposto plano de ação traçado pela Funai, a começar pela construção de “oficinas de regularização fundiária” a partir do próximo mês. Os indígenas destacaram para a presidente que tal processo deve ser o de demarcação de terras e deveria começar de forma efetiva este ano pelas áreas de mais conflito.

     

    “A nota da Funai é uma informação mentirosa, inclusive a regional do Acre decretou para seus funcionários que não conversassem com os indígenas”, menciona Padilha. Para Ninawá, a presidente não cumpriu com o que prometeu ao dizer que daria uma resposta com encaminhamentos aos indígenas no último dia 10. “Não queremos mais encontros para planejar, mas encaminhamentos e prazos. Nós e Funai sabemos o que precisa ser feito”, ataca.

     

    De acordo com o indígena, existe uma movimentação de descaracterizar a ocupação, sobretudo “pelo pessoal do PT”, diz Ninawá, ao dizer que os povos estão ali bancados pelo PSDB. “Falam isso porque é uma gente que não tem coragem de encarar um debate conosco. Uma hora é o Cimi, depois o Comim, outra hora é o PCdoB, agora é o PSDB. Arrumam culpados e isso mostra como eles tratam o índio nesse estado, pois acham que não temos capacidade de lutarmos por nossas vidas e direitos”, encerra.

     

    Em resposta a nota pública da Funai, o movimento indígena se posicionou em esclarecimento. Leia na íntegra:  

     

    Nota de esclarecimento

     

    Nós, lideranças dos povos Huni Kui, Jaminawa, Manchineri, Apolima Arara, Nawa e Ashaninka do estado do Acre, que vem ocupando a sede da Funai em Rio Branco, solicitamos a solidariedade da sociedade acreana para nossa causa.

     

    Uma delegação nossa foi em Brasília, onde denunciamos as violações dos nossos direitos, no que se refere às invasões das nossas terras, e os descasos de saúde e educação em nossas aldeias. Solicitamos providências da Funai, mas até agora não houve nenhum encaminhamento para resolver nossos problemas.

     

    Não vamos voltar para nossas comunidades sem garantias. Ocupamos a sede da Funai, porque queremos que ela cumpre com seu principal objetivo: “Exercer, em nome da União,  a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas”. Entretanto, atualmente a Funai está fazendo o contrário, nos ameaçando e privando dos nossos direitos. Os funcionários da instituição abandonaram o prédio, alegando que os impedimos de trabalhar. Agora querem nos retirar com força policial. Recebemos das mãos de um Oficial de Justiça um mandado de citação e intimação para desocupação do prédio. Se não podemos ficar na Funai onde ficaremos então?

     

    Em resposta às acusações contra nós, esclarecemos:

     

    – Nós não somos invasores. Ao contrário, as nossas terras vêm sendo invadidas;

    – Não estamos, em momento nenhum, pedindo cargos públicos para nós;

    – Não ameaçamos a vida de ninguém, as nossas é que são ameaçadas, como é o caso do cacique Francisco Jaminawa, que, juntamente com sua família, está ameaçado de morte, por fazendeiros;

    – A ação de reintegração de posse foi solicitada pela Funai sem antes buscar o diálogo com nós.

     

    Reafirmamos nossas principais exigências:

     

    – A imediata retomada dos processos de demarcação de nossas terras tradicionais por parte do Governo Federal;

    – Denunciamos a situação de extremo abandono no atendimento à saúde por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e exigimos medidas emergenciais e estruturantes para melhorar o atendimento à saúde em nossas aldeias;

    – Um atendimento à educação de qualidade em nossas aldeias.  

     

    Rio Branco, 24 de maio 2012

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