Guarasugwe: mais um povo a ser reconhecido em Rondônia
O povo Guarasugwe, ao contrário da extinção selada pelos órgãos oficiais, existe. Assim como dezenas de outros povos indígenas que mergulharam no silêncio epistêmico para não serem massacrados, os Guarasugwe emergem como o mais recente povo indígena resistente de Rondônia a exigir reconhecimento.
Mesmo mantendo a identidade no anonimato, os Guarasugwe conservaram a língua materna, de tronco Tupi e usada no dia a dia, e agora estão cada vez mais seguros para mostrá-la aos demais povos indígenas e para a sociedade envolvente.
Na cidade são considerados por alguns como índios bolivianos, mas é a partir de um levantamento linguístico realizado por Henri Ramirez, professor da Universidade Federal de Rondônia, que encontrou o casal José Frey Leite e sua esposa, atuais moradores de Pimenteiras (RO), que se comprova o contrário: são índios brasileiros que falam a língua pertencente ao povo Guarasugwe.
No levantamento linguístico, realizado em 2007, o pesquisador Henri Ramirez constata que o casal fala perfeitamente a língua Guarasugwe. José Frey Leite nasceu em Riozinho, município de Pimenteiras, e é filho de Miguel Capitão e neto de Hierônimo Leite, antigo chefe dos Guarasugwe de Riozinho, território tradicional do povo Guarasugwe, atualmente invadido por fazendas.
Citações
Os Guarasugwe são citado pelo antropólogo sueco Nordenskiöld, em 1913, na área de Riozinho, onde parte deles moravam (Nordenskiöld, E., Exploraciones y Aventuras en Sudamérica,
Os antropólogos Nordenskiöld e J. Richter explicam, nas respectivas obras, que os Guarasugwe, também conhecidos como Guarayú ou Pauserna, viviam na fronteira boliviano-brasileira, entre a foz do rio Paraguá e Pimenteira, desde o século XVIII, cuja área era denominada Guarayuta. Portanto, a área tradicional Guarasugwe abrange Riozinho e seus arredores.
A partir de visita feita a família de José Frey Leite, em Pimenteiras, além de contatos feitos com outra família falante da língua Guarasugwe,
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Por Tarso de Melo
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