Eis-me aqui Senhor, envia-me!
Estamos em tempo de quaresma, tempo de conversão, ano da fé, refletindo o tema da CF – Fraternidade e Juventude. Dentro deste contesto religioso, estamos vivendo em nossa sociedade, especificamente no Mato Grosso do Sul frente às diferentes realidades de opressão que estão acontecendo, um clima propício para parar e pensar em nossa atitude de fé e conversão. Convido a todos e todas, a meditar o verdadeiro jejum recomendado pelo Isaías.
Assim fala o Senhor Deus: Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó.
Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus:
′Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignoraste, quando nos humilhávamos?’ – É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados.
É porque ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu.
Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor?
Acaso o jejum que prefiro não é outro: – quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição?
Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne.
Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá.
Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: ‘Eis-me aqui’.
Recentemente ouvimos e vimos falar do assassinato de um jovem que pescava peixe em um açude, para saciar a fome quando foi brutalmente assassinado por um fazendeiro. O mesmo confessou o crime e até agora nada foi feito. O fazendeiro permanece solto enquanto a Polícia Civil conduz as investigações e elabora o inquérito. Seis dias depois do assassinato, homens armados atacaram o acampamento da retomada indígena, que está localizado próximo ao açude onde mataram Denilson que passou a ser chamada de Tekohá Pindo Roky.
Diante de mais um fato ocorrido e de tantas outras violações de direitos que vem acontecendo contra as comunidades indígenas, como religiosa não poderia deixar de manifestar o meu sentimento de dor, compaixão e indignação por ver diariamente este povo como ovelha sem pastor. Vulnerável à beira da estrada, nos fundos de fazendas, nas praças, nas ruas da cidade, nas escolas e nas igrejas, enfrentando todo tipo de discriminação e violação de direitos.
Esta semana, junto à equipe do Cimi, como missionária, estive em vários acampamentos, terras indígenas, junto a comissões que visitavam as comunidades, cada uma manifestando seu gesto de solidariedade, compromisso e compaixão pelo povo. Isto mexeu profundamente com meu ser cristão e me veio este texto de Isaías. Isto confirmou em mim o que é viver o verdadeiro jejum, penitência. E aí estamos juntos aos povos indígenas, derramando nosso suor na luta pela defesa de suas vidas. Ao mesmo tempo aprendendo tanto com eles. Apesar do sofrimento e da dor que passam, seus rostos estão sempre alegres. Manifestando gestos de acolhimento, sensibilidade e, sobretudo muita resistência. Lutando para que o dia da paz, justiça e libertação aconteça e possamos todos, independente de etnias, classes sociais ou crenças, vivenciar o Bem Viver para sempre!
Que a justiça seja feita. Para que todo este sangue derramado ao longo desses anos não seja em vão, mas que brote cheios de esperança e vida nova!
Amém! Awere! Axé! Porã!
Ir. Joana Aparecida Ortiz
Franciscana Aparecida
Categories MS
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Sabino Romero Izarra, cacique de Chaktapa, foi assassinado na manhã de domingo, 03 de março, por volta das 7hs. Ele era um dos principais líderes indígenas da Venezuela e há muitos anos vinha sofrendo sucessivas ameaças de mortes por fazendeiros. Apesar das inúmeras denúncias, o governo da Venezuela nunca adotou as medidas devidas para proteger sua vida. Sabino foi um grande defensor dos direitos territoriais indígenas. Seu pai também foi assassinado em decorrência da luta pela terra.







No âmbito dos eventos da V Semana Social Brasileira e do Encontro Unitário dos Povos do Campo, das Águas e da Floresta, nós, povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, seringueiros, vazanteiros, quebradeiras de coco, litorâneos e ribeirinhos, comunidades de fundo e fecho de pasto e posseiros de todo o Brasil, mulheres e homens de luta, nos encontramos 
A “natureza missionária” da Igreja foi tema de reflexão na manhã desta quarta-feira, 27, durante o 2º Simpósio de Missiologia que acontece no Centro Cultural Missionário (CCM),