• 09/05/2013

    Governo Dilma dá asas à “democracia” ruralista

    Cleber Cesar Buzatto

    Secretário Executivo do Cimi

    É recorrente o fato de que latifundiários do Brasil, parlamentares ou não, inventam teses falaciosas, descaradamente mentirosas, as usam de forma exaustiva, de forma teatralmente apaixonada a ponto de torná-las críveis a incautos cidadãos e ou a carreiristas políticos. Foi assim por ocasião da aprovação do novo Código Florestal. Insensíveis à opinião de mais de 90% da população brasileira, fizeram valer o poder da sua “democracia”. O objetivo ruralista do momento é a inviabilização do reconhecimento e demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas no Brasil.

    Para tanto, a estratégia da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura possui três vértices principais. O primeiro visa a “suspensão” de todos os procedimentos administrativos de demarcação de terras indígenas que estejam em curso. O foco da ação ruralista, nesse caso, é voltado ao Poder Executivo. O segundo busca a vigência da Portaria 303/12 da Advocacia Geral da União (AGU). O foco, para tanto, é o Poder Judiciário, especialmente, o Supremo Tribunal Federal (STF). Já o terceiro é a aprovação da PEC 215/00, com a qual a CNA e os ruralistas, finalmente, teriam o poder nas próprias mãos para decidir acerca da “não” demarcação das terras indígenas no país.

    Para os ruralistas, o primeiro vértice é temporário. É para “ganhar tempo”. O tempo necessário para que possam “conquistar” os outros dois pontos da estratégia. O governo Dilma dá sinais claros de que não vai colocar nenhum obstáculo no intento ruralista. Ao contrário do que tentou transparecer no caso do Código Florestal, de que teria sido vítima dos ruralistas, agora ministros do governo encamparam e reverberam, eles próprios, os argumentos falaciosos dos latifundiários.

    Não satisfeito com a quase paralisia impetrada ao órgão indigenista oficial, causa da retração e desgastante lentidão dos procedimentos de demarcação das terras indígenas, o governo Dilma anuncia “suspensão” de procedimentos de demarcação de terras indígenas, com base em “relatórios” produzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e mudanças nestes procedimentos na perspectiva de esvaziar ainda mais as atribuições da Funai, potencializando as forças pró-agronegócio, com o intuito evidente de inviabilizar demarcações em curso e ou futuras.

    Para o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann e o Advogado Geral da União, Luiz Adams, entre outros que já tinham esta posição consolidada há mais tempo, a Funai foi transformada em “corpo estranho” merecedora de todo o descrédito almejado pelos fazendeiros.

    Em relação a este ponto da estratégia ruralista anti-indígena, tudo indica que, se depender do governo Dilma, o presente chegará melhor que a encomenda para os fazendeiros.

    Diante disso, aos povos indígenas não resta alternativa senão eles próprios fazerem a defesa de seus direitos. No atual contexto, diferentemente do que ocorreu no episódio do Código Florestal, quando a sociedade mesmo contrária às mudanças reagiu com certa timidez diante da violenta ofensiva do agronegócio, para manterem seus direitos, os povos indígenas precisarão de disposição para enfrentamentos mais contundentes, urgentes e permanentes em todos os níveis, desde a aldeia até o “centro” do poder, em Brasília.

    Nesse processo, no entanto, os povos indígenas e as suas lideranças em especial, precisam estar cientes que o inimigo é violento. Por ocasião da aprovação do Código Florestal, latifundiários ruralistas fizeram o seu “serviço de casa” costumeiro, assassinando e aplaudindo a morte de líderes ambientalistas. O caso mais notável, neste sentido, foi o do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro, no Pará. Outros casos semelhantes ocorreram. A experiência histórica, antiga e recente, mostra que quando os diferentes sujeitos que gravitam em torno agronegócio se juntam para efetivar um determinado objetivo comum, o mesmo discurso desumanizante é usado, tanto nas tribunas, quanto na ponta dos rifles dos seus ascetas.

    O governo Dilma dá asas à “democracia” ruralista. E a “democracia” ruralista não tem outro caminho e horizonte senão a ditadura e a morte.

    Que todos tenham vida e tenham vida em abundância. É nisso que acreditamos e continuaremos acreditando, por mais irrealista que isso possa parecer aos velhos e aos novos fiéis do arcaico e sempre violento ruralismo desenvolvimentista.

    Vida plena e longa aos povos indígenas do Brasil.

     

    Read More
  • 09/05/2013

    MPF quer continuidade das negociações com índios em Belo Monte

    O Governo Federal tinha iniciado negociações ontem, com acompanhamento da Funai. Os índios já estudavam as contrapropostas, mas foram surpreendidos pela ordem de despejo

     

    O Ministério Público Federal foi notificado hoje (9) da ordem de reintegração de posse do canteiro de obras de Belo Monte. A ordem, da desembargadora Selene Almeida, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) foi emitida ontem depois das 22h.

     

    A Polícia Federal de Altamira se prepara para cumpri-la ainda hoje, mas a decisão pegou de surpresa os indígenas, o MPF e a Fundação Nacional do Índio, já que representantes do governo haviam estado no canteiro ontem negociando com os acampados.

     

    A Funai informou ao MPF que os índios estavam debatendo contrapropostas para encaminhar ao governo federal, mas foram surpreendidos com a ordem de despejo já na madrugada de hoje. O MPF vai pedir à Justiça Federal que suspenda a reintegração, porque considera que as negociações tinham sido iniciadas e a manifestação é pacífica.

     

    A decisão da desembargadora Selene Almeida se baseou em grande parte em um relatório feito pela Polícia Federal de Altamira, que é datado do último domingo (5) e não está atualizado com as informações mais recentes, como a evolução das negociações. O relatório policial contradiz as informações da Funai e mostra uma situação de risco na ocupação.

     

    Preocupa o MPF a possibilidade de a desembargadora ter decidido sem as informações atualizadas fornecidas pela Funai, que tinha sido designada pela própria Justiça Federal para acompanhar e relatar a situação nos canteiros. A presença de crianças no acampamento é outra razão para o máximo de cautela na operação.

     

    O MPF também está preocupado com a condução da operação de reintegração de posse, já que a chefe da PF em Altamira, responsável pelo relatório feito à Justiça, é casada com o advogado da Norte Energia S.A Felipe Callegaro Pereira Fortes, autor do pedido de reintegração de posse. No agravo feito ao TRF1, o advogado chega a citar o relatório da PF, assinado pela sua esposa.

     

    Processo nº 0000681-76.2013.4.01.3903

     

    Acompanhamento Processual

     

    Ministério Público Federal no Pará

    Assessoria de Comunicação

    (91) 3299-0148 / 3299-0177

    [email protected]

    http://twitter.com/MPF_PA

    http://www.facebook.com/MPFPara

     

    Read More
  • 09/05/2013

    Belo Monte: Justiça determina reintegração de posse do canteiro. Força policial pode entrar a qualquer momento

    Ruy Sposati,

    de Altamira (PA)

    O Tribunal Regional Federal da 1a. Região (TRF1) deferiu, às 10 e 40 da noite de quarta-feira, 8, a reintegração de posse do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, na região de Altamira, Pará. Foi autorizado o uso de força policial. Cerca de 160 indígenas de seis etnias ocupam a barragem há uma semana, reivindicando pacificamente a consulta prévia e a suspensão de estudos e obras de barragens que afetam suas terras.

    A ordem de reintegração permite a retirada forçada dos indígenas para evacuar o canteiro, e deixa a critério da força policial admitir ou não a entrada de jornalistas, advogados e observadores externos. Segundo operários, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) já estaria mobilizando os trabalhadores para retornarem nos turnos da madrugada e da manhã no sítio Belo Monte, ocupado por indígenas.

    A decisão foi tomada pela desembargadora Selene Almeida, do TRF1, e despachada pelo juíz Sérgio Wolney Guedes, de Altamira. O despacho também indeferiu os pedidos do Ministério Público Federal (MPF) do Pará que fosse permitida a presença de jornalistas e advogados na ocupação. O órgão também pedia que fosse permitida a entrada de produtos, alimentos e utensílios essenciais à subsistência, assim como o livre acesso dos profissionais de saúde do Departamento de Saúde Especial Indígena (DSEI).

    O Ministério Público Federal ainda não foi notificado da decisão, e afirma ter acordado com a polícia de que acompanhará a reintegração. Os indígenas temem que a desocupação aconteça ainda durante a madrugada de quinta, 9.


    Read More
  • 08/05/2013

    ARPINSUL responde ministra Gleisi Hoffmann

    Uma queda de braço desigual e criminosa!

     

    A Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ARPINSUL, vem a público manifestar sua indignação e repúdio pela decisão da Ministra Chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann, em suspender as demarcações de terras indígenas no Estado do Paraná.

     

    O pedido da Ministra Chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann, para suspender a demarcação de terras indígenas no Estado do Paraná, que sempre primou pelo diálogo com os Povos Indígenas, coloca um marco negativo nas relações respeitosas que o Paraná exemplarmente desenvolveu com os Povos Indígenas, o que retrata a arrogância do cargo que Gleisi ocupa na cúpula do governo.

     

    A causa da lamentável decisão foi a sua suposta candidatura ao governo do Paraná, onde ela quer ser eleita governadora no próximo ano. As vaias que a Presidente Dilma recebeu quando em visita nos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, por movimentos organizados pelo agronegócio que disputa a posse das terras tradicionalmente ocupadas com os Povos Indígenas transmitiu certo peso nas suas intenções políticas. E para ser eleita, tem que fazer as vontades dos fazendeiros que com certeza vão financiar seus gastos de campanha.

     

    Outra condição absurda é submeter a EMBRAPA uma empresa de pesquisa do governo, a avaliação dos processos demarcatórios das terras indígenas. Isto é no mínimo um ato nefasto, na medida em que coloca por terra o trabalho sério de técnicos do próprio governo, para desavergonhadamente privilegiar o agronegócio! A EMBRAPA é tão somente uma empresa de pesquisa e que agora passa a ter o papel de avaliar, a fins inconfessáveis, os estudos em andamento realizados pela FUNAI, desmerecendo e publicamente desmoralizando um órgão do próprio governo, que chegou ao desgaste que hoje se encontra por desmandos e irresponsabilidades do próprio Executivo, que gradativamente provocou tal desgaste.

     

    A falha não é da FUNAI, a falha se deve ao conjunto de decisões equivocadas que o Estado Brasileiro tem tomado em relação aos Povos Indígenas, que agora são colocados publicamente como os inimigos do governo e do agronegócio e consequentemente do desenvolvimento. É muito mais fácil encontrar um culpado para os seus sucessivos erros, do que encontrar uma saída negociada e civilizada para a questão indígena, que merece o respeito e a consideração das instituições do Estado.

     

    Mais uma vez os direitos indígenas sofrem um duro golpe daquele que deveria defendê-lo, o Estado Brasileiro, no entanto o agronegócio é o merecedor das recompensas, da solidariedade e da proteção do Estado Brasileiro em detrimento de direitos humanos e fundamentais conquistados a nível nacional e na arena internacional a duras lutas pelos Povos Indígenas, direitos estes jogados no lixo da história pelos colonizadores e pelo Estado, que agora cala a nossa voz em nome do desenvolvimento.

     

    Enquanto o Estado Brasileiro não tratar a questão indígena com o respeito que merece, os conflitos serão constantes e a violação de direitos humanos se intensificará ainda mais, porque não nos calaremos e seremos implacáveis na luta pelos direitos que custaram o sangue dos nossos antepassados!

     

    NUNCA MAIS UM BRASIL SEM OS POVOS INDÍGENAS!

     

    ARPINSUL

    08 de maio de 2013

     

    ARPINSUL – Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul

    Av. Luiz Xavier, 68 Ed. Gal. Tijucas 20º S.2020 Curitiba – PR. Fax: 55 61 3092 4097/4096

     

    Read More
  • 08/05/2013

    Manifesto contra o preconceito institucionalizado do governo Dilma aos povos indígenas

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB vem por meio da presente, manifestar em primeiro lugar a sua profunda preocupação pela nota divulgada no dia 06 de maio, pela Secretaria Geral da Presidência da República, intitulada“ Esclarecimentos sobre a consulta aos Munduruku e a invasão de Belo Monte”, na qual o Estado Brasileiro, sob gerência do Governo da Presidente Dilma Rousseff, assume publicamente uma posição abertamente preconceituosa e discriminatória contra os povos indígenas do Brasil. Para o governo, os indígenas mobilizados contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte e contra o complexo hidrelétrico dos rios Tapajós e Teles Pires não são legítimos, daí que os chama de “autodenomidadas” ou “pretensas” lideranças. Curioso, mas quando era do interesse do governo o mesmo os recebeu como legítimos para negociações no Palácio do Planalto.

     

    Evidentemente que esse ataque não é só contra os Munduruku, pois o neodesenvolvimentismo em curso atinge a todos os povos, os quais desde o governo Lula são tachados de obstáculos à implementação desse modelo, por se insurgirem, contra a sua lógica economicista, neocolonial e mercantilista, de ocupação de territórios, inclusive com o uso da força, de medidas repressivas, acompanhadas de campanhas enganosas e de descaracterização, como nos tempos da ditadura, outrora combatidos pelos hoje autores da nota governamental.

     

    A APIB lamenta que o governo, que por mandato constitucional deveria zelar pelos direitos dos povos indígenas, se assuma hoje como o porta-voz das forças inimigas que almejam a extinção dos nossos povos, para destruírem nossos territórios e se apropriarem dos bens neles existentes preservados milenarmente pelos nossos ancestrais.

     

    A nossa organização alerta ainda para os riscos desse tipo de pronunciamento que só vem legitimar o ódio, as ameaças e práticas de violência que os setores antiindígenas promovem contra as nossas comunidades e lideranças, atos que nos últimos dois anos tem se agravado em razão do respaldo legal que esse governo tem dado aos invasores dos territórios indígenas por meio de portarias e decretos inconstitucionais, destinados a desconstruir os direitos originários e facilitar a abertura desses territórios à exploração brutal dos neocolonizadores.

     

    Ao contrário dos índios, que supostamente tem “se conduzido sem honestidade necessária a qualquer negociação”, foi o Governo Dilma, que assim agiu, pois enquanto estava em andamento o processo de regulamentação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que dispõe sobre o direito de consulta livre, previa e informada, sob comando da própria Secretaria Geral da Presidência, este publicou, em 17 de julho de 2012, a Portaria 303, que atenta frontalmente contra esse direito. O governo, então, contraditório como ninguém, não pode falar de honestidade.

     

    Em função disso, até não ser revogada a tal Portaria, o movimento indígena se negou a fazer parte desse processo de regulamentação, que não foi, como disse o governo, totalmente transparente. Até porque o procedimento desconsidera a participação dos nossos povos já na fase de planejamento dos “programas de desenvolvimento regional e nacional”, conforme estabelece a 169, e não depois que os projetos foram aprovados.

     

    Se a normatização não aconteceu, por conta dessa vergonhosa contradição, como é que o governo pretende fazer consultas aos povos indígenas, mesmo em caráter de laboratório? Ora, com os últimos pronunciamentos, o governo confirma a sua única pretensão ao querer regulamentar a Convenção 169 que é obter o consentimento dos povos e comunidades indígenas à implementação dos grandes empreendimentos nos seus territórios, mesmo que isso signifique a programação de sua morte física e cultural, danos e crimes contra o meio ambiente e a biodiversidade.

     

    A acusação de que os indígenas se opõem aos empreendimentos simplesmente “porque estão envolvidos com o garimpo ilegal de ouro” é insincera e inaceitável, uma vez que tenta desqualificar a luta que todos os povos, incluindo os Munduruku, desenvolvem há séculos na defesa de seus territórios, a partir de uma cosmovisão peculiar de relação com a Mãe natureza e que os atuais tanques pensantes do Planalto já defenderam rigorosamente em outros tempos, quando militantes da causa indígena. Por outro lado, o governo quer justificar a sua inoperância na proteção das terras indígenas e na falta de capacidade ou de vontade de oferecer aos nossos povos condições de sustentabilidade. No mesmo processo de relação com o povo Munduruku essa deficiência ficou provada, pois depois das reuniões com o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e seus notáveis auxiliares, foi prometido aos índios que nos seguintes dias o governo iria compensar os danos da Operação Eldorado, e apoiaria o plano da FUNAI de enviar uma equipe técnica para área com objetivo de pensar junto com os índios um programa de etnodesenvovilmento. Até hoje nada disso aconteceu. Pateticamente só se fala de consulta e da necessidade de fazer crescer o país – a qualquer custo, é claro. Se a prática do garimpo é ilegal e há envolvimento de indígenas com essa atividade, a responsabilidade é do Estado, que erroneamente quer resolver os problemas recorrendo a ilegalidades, como a não observância dos tratados internacionais, da Constituição Federal e o uso de medidas repressivas.

     

    A APIB rechaça a pretensão do governo ou de seus representantes de se atribuírem a prerrogativa de dizer quem é ou não liderança legitima, pois com isso atenta mais uma vez contra o direito dos nossos povos e comunidades a exercerem a sua autonomia. É tristemente lamentável que o Governo Dilma tenha se configurado nos últimos tempos como um governo autoritário claramente alinhado aos interesses das classes que sempre dominaram e exploraram as maiorias deste país.

     

    Brasília-DF, 07 de maio de 2013.

     

    ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL – APIB

     

    Read More
  • 07/05/2013

    Palácio do Planalto submete demarcações de terras indígenas à estatal agropecuária

    Manifestamos perplexidade e profunda contrariedade em relação à iniciativa do Palácio do Planalto de submeter os estudos de identificação e delimitação de terras indígenas à análise da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

     

    Entendemos que a decisão é absurda e de caráter inconcebível e inadmissível. A Embrapa não tem legitimidade e nem competência legal para tratar do tema. Não há nada na legislação brasileira que justifique qualquer tipo de participação da Empresa em procedimento de demarcação de terras indígenas no Brasil.

     

    Com a iniciativa, o governo brasileiro demonstra íntima sintonia com os interesses ilegítimos e ilegais da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) que buscam o estabelecimento de uma moratória absoluta nos procedimentos demarcatórios no país.

     

    O Cimi alerta que o aprofundamento da retração nos procedimentos de demarcação das terras indígenas decorrente dessa iniciativa irá potencializar os conflitos fundiários envolvendo os povos detentores do direito e os ocupantes de boa ou má fé destas terras. Ao não cumprir com suas obrigações constitucionais, o governo brasileiro assume a responsabilidade pelos conflitos decorrentes da sua omissão.

     

    Brasília, DF, 07 de maio de 2013.

     

    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

     

    Read More
  • 07/05/2013

    Belo Monte: “o governo perdeu o juízo”, afirmam indígenas

    Por Ruy Sposati,

    de Altamira (PA)

     

    Em resposta à nota da Secretaria Geral da Presidência da República sobre a ocupação do canteiro de obras de Belo Monte, indígenas lançaram carta rebatendo ataques do governo federal, nessa terça-feira, 7. Há seis dias ocupados no principal canteiro de obras da hidrelétrica, os indígenas aguardam a presença do ministro Gilberto Carvalho no local.

     

    "O governo está ficando mais violento", afirma a carta. Os manifestantes apontam o recrudescimento da postura do governo, na imprensa e no próprio canteiro. "Nós permanecemos calmos e pacíficos. Vocês não", afirmam. 

     

    Segundo os indígenas, a área da ocupação foi militarizada, com presença em tempo integral de tropas armadas que "revistam as pessoas que passam e vem, a nossa comida, tiram fotos, intimidam e dão ordens", além de expulsar, multar e ameaçar de prisão jornalistas e retirar advogados e apoiadores.

     

    Na segunda-feira, os ocupantes realizaram uma coletiva de imprensa com jornalistas na porta do canteiro para denunciar a censura aos jornalistas. Uma cópia da carta, assinada por todos os indígenas, foi entregue aos repórteres, reforçando a reivindicação dos indígenas e exigindo da Justiça a garantia da presença de observadores externos na área da ocupação.

     

    Indígenas de nove povos diferentes ocupam o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, na região de Altamira, no Pará, exigindo a suspensão das obras e estudos de hidrelétricas nos rios Xingu, Teles Pires e Tapajós, até que seja realizada a consulta prévia sobre a construção de grandes projetos que impactem territórios indígenas.

     

    Crédito das fotos: Paygomuyatpu Munduruku

     

    Leia na íntegra a carta dos indígenas:

     

    Carta no. 4: o governo perdeu o juízo

     

    Nós lemos a nota da Secretaria Geral da Presidência da República.

     

    O governo perdeu o juízo. Gilberto Carvalho está mentindo. O governo está completamente desesperado. Não sabe o que fazer com a gente.

     

    Os bandidos, os violadores, os manipuladores, os insinceros e desonestos são vocês. E ainda assim, nós permanecemos calmos e pacíficos. Vocês não. 

     

    Vocês proibiram jornalistas e advogados de entrar no canteiro, e até deputados do seu próprio partido. 

     

    Vocês mandaram a Força Nacional dizer que o governo não irá dialogar com a gente. Mandaram gente pedindo listas de pedidos. Vocês militarizaram a área da ocupação, revistam as pessoas que passam e vem, a nossa comida, tiram fotos, intimidam e dão ordens.

     

    Entendemos que é mais fácil nos chamar de bandidos, nos tratar como bandidos. Assim o discurso do Gilberto Carvalho pode fazer algum sentido. 

     

    Mas nós não somos bandidos e vocês vão ter que lidar com isso.

     

    Nossas reivindicações são baseadas em direitos constitucionais. Na Constituição Federal, nas lesgislações internacionais. E temos o apoio da sociedade e até dos trabalhadores que trabalham para vocês. 

     

    O governo está ficando mais violento. Nas palavras na imprensa, e também aqui no canteiro com seu exército.

     

    É o governo que não quer cooperar com a lei. E faz manobra para tentar desqualificar nossa luta, inventando histórias para a imprensa.

     

    Hoje fazem seis meses que vocês assassinaram Adenilson Munduruku. Nós sabemos bem como vocês agem quando querem alguma coisa.

     

    A má-fé é do Gilberto Carvalho. e apesar de tudo, nós queremos que ele venha no canteiro dialogar conosco. Estamos esperando por você, Gilberto. Pare de mandar policiais com armas na mão para entregar propostas vazias. Pare de tentar nos humilhar na imprensa.

     

    Nós estamos em seu canteiro e não iremos sair enquanto vocês não saírem das nossas aldeias.

     

    Belo Monte, Canteiro de obras, Vitória do Xingu, 7 de maio de 2013

     

     

    Read More
  • 05/05/2013

    Belo Monte: deputado é impedido pela polícia de conversar com indígenas; imprensa é barrada; militares ‘negociam’ em nome do governo

    Ruy Sposati,
    de Altamira (PA)

    O deputado Padre Ton (PT-RO) foi impedido por policiais da Força Nacional de Segurança de entrar no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. O sítio está ocupado desde quinta-feira, 2, por indígenas que reivindicam a realização da consulta prévia e a suspensão da construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires.

    Dois fotógrafos e duas equipes de televisão também foram novamente impedidos de entrar no local. Um dos jornalistas foi ameaçado de prisão por policiais, caso entrasse no canteiro. Um grupo de apoiadores do município de Altamira que levava frutas para os indígenas não foi liberado para entregar as doações aos manifestantes.

    Numa lógica de desinformação, policiais teriam dado a informação falsa ao deputado de que os indígenas recusaram a visita do parlamentar. Mais tarde, o coordenador de movimentos do campo e território da Secretaria Geral da Presidência, Nilton Tubino, teria ligado ao deputado Padre Ton e o orientado a não ir ao canteiro. Dentro do canteiro, policiais disseram aos indígenas que Padre Ton não entraria para encontrá-los.

    Em nome do governo federal, a Força Nacional apresentou ao indígenas uma última “proposta” de negociação: os indígenas deverão apresentar uma lista de reivindicações, que será assinada por eles e pelo governo, que se comprometerá a cumpri-la sob a condição de que, depois de assinado o acordo, os indígenas deixassem o canteiro.

    “O governo já disse pra vocês que não vem aqui”, disse um policial da Força Nacional aos indígenas. “É mais fácil acontecer um despejo do que vocês conseguirem a pauta de vocês. Então é bom aceitarem essa última proposta”. Os indígenas não aceitaram.

    Leia mais:
    Dois jornalistas são expulsos e um é multado por cobrirem ocupação de Belo Monte

    Read More
  • 04/05/2013

    Dois jornalistas são expulsos e um é multado por cobrirem ocupação de Belo Monte

    Ruy Sposati e Lunaé Parracho,
    Altamira (PA)

    No dia internacional da liberdade de imprensa, três repórteres foram impedidos de realizar a cobertura jornalística da ocupação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, nesta sexta-feira, 3, no Pará. Dois deles foram retirados por cerca de cem homens da Polícia Federal, Tropa de Choque, Rotam e Força Nacional, e um terceiro foi multado em mil reais. Um ativista também foi expulso do canteiro.

    Há três dias, cerca de 150 indígenas de oito povos atingidos pela construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires ocupam o principal canteiro da barragem, o Sítio Belo Monte, exigindo que as obras sejam suspensas até que eles sejam ouvidos pelo governo federal.

    Na sexta, foi negado pela Justiça Federal o pedido de reintegração de posse da Norte Energia contra os indígenas. Contudo, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) também pediu à Justiça Estadual que concedesse reintegração de posse contra não-indígenas que estivessem no canteiro. A juíza Cristina Sandoval Collier da 4a. Vara Cível de Altamira concedeu pedido, o que levou à expulsão de dois jornalistas e a aplicação de multa em um terceiro.

    Os três jornalistas – o fotógrafo da Reuters, Lunaé Parracho, o jornalista do Conselho Indigenista Missionário, Ruy Sposati e o correspondente da Radio France Internationale (RFI) no Brasil, François Cardona – tem realizado cobertura diária dos acontecimentos que envolvem a ação dos indígenas contra a construção de grandes barragens que afetam seus territórios. A RFI publicou neste sábado uma reportagem sobre a expulsão sofrida pelo correspondente.

    CENSURA

    “Essa decisão é absolutamente sem sentido”, afirma o advogado da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH), Sérgio Martins. “Ela é tecnicamente inconsistente. Há uma dúzia de processos aqui assim. É como se qualquer justificativa do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) fosse suficiente para que a Justiça conceda liminares favoráveis a eles”, comenta.

    Para Sérgio, a decisão da Justiça estadual foi política. “Essa ação é de 2011, na verdade. Era um interdito proibitório que a Justiça nunca extinguiu e que agora, um ano e meio depois, foi transformada em reintegração de posse. Ela visa tirar todo o apoio e solidariedade das pessoas não-indígenas, e eliminar a cobertura jornalística em campo. Foi uma decisão estritamente política, do ponto de vista judicial. ”, aponta.

    A SDDH entrará com uma ação exigindo que seja garantido o acesso de jornalistas ao local da ocupação.

    PERIGO

    Em nova carta lançada sábado, 4, os indígenas que ocupam o canteiro se mostraram preocupados com a proibição da imprensa no local. Segundo o documento, “a cobertura jornalística ajuda muito” a  “transmitir nossa voz para o mundo”.

    “Nosso protesto é pacífico. Estamos pedindo para sermos ouvidos. Por que eles não querem os jornalistas aqui?”, questiona o guerreiro Valdenir Munduruku. “Se alguma coisa acontecer, a responsabilidade é do governo”.

    Leia na íntegra a carta dos indígenas

    Read More
  • 04/05/2013

    Belo Monte: Justiça nega pedido de reintegração de posse contra indígenas

    Ruy Sposati,
    de Altamira (PA)

    A Justiça Federal negou pedido da concessionária Norte Energia de reintegração de posse do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, ocupado desde quinta-feira por cerca de 200 indígenas, em protesto contra a construção de barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires.

    A decisão, publicada na sexta-feira, 4, considerou que a “desocupação (…) impõe uso de força policial, o que (…) representa risco de morte para os supostos índios e para os profissionais que participariam do cumprimento da decisão, inclusive considerando a alegada presença de mulheres e crianças”, e considerou que o prejuízo financeiro alegado pela Norte Energia  “não se mostra razoável”, face à possibilidade de confronto por parte das forças policiais.

    Para o juíz Sérgio Wolney, autor da decisão, “a questão indígena e os impactos sociais da construção da hidrelétrica geram a necaessidade de cautela na utilização de decisões unilaterais e da força para cumpri-las”. A decisão exige que a Fundação Nacional do Índio (Funai) passe a intermediar a negociação com a concessionária, e que o Ministério Público Federal e Polícia Federal tomem ciência e apurem os fatos.

    Também na sexta-feira, uma ação na Justiça Estadual assinada pela juíza Cristina Sandoval Collier da 4a. Vara Cível de Altamira concedeu pedido de reintegração contra não-indígenas, o que levou à expulsão de dois jornalistas do canteiro, e a aplicação de multa de mil reais contra outro jornalista.

    Read More
Page 607 of 1235