• 21/05/2013

    Manifesto dos Povos Indígenas de Roraima contra a posição do Governo Dilma

    O Conselho Indígena de Roraima – CIR, organização dos povos Macuxi, Wapichana, Ingaricó, Taurepang, Patamona, Sapará, Wai-Wai, Yanomami, Yekuana e Waimiri-Atroari do Estado de Roraima – Brasil, vem manifestar seu sentimento de revolta sobre a posição anti direitos humanos do governo da Presidenta Dilma, que cedeu à pressão contínua da bancada ruralista ordenando a Ministra da Casa Civil e Ministro da Justiça a paralisação imediata de qualquer processo demarcatório de terras indígenas no Brasil. E permitiu na sua proposta de governo a inclusão em massa de órgãos do agronegócio como a Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério das Cidades, entre outros órgãos de interesse do governo para tratar sobre questões indígenas. Eis a pergunta, que exemplo e experiência constitucional têm os órgãos do agronegócio sobre os direitos indígenas, se há pouco tempo, na luta deles contra a Raposa Serra do Sol afirmaram publicamente de que a Funai – MJ é culpada de dar tanta terra para índio?

     

    É contraditório ver a posição do Governo Brasileiro, ao apresentar para a comunidade internacional a defesa e garantia dos direitos humanos, enquanto é notório o desrespeito total aos direitos dos Povos Indígenas. O território tradicional indígena tem sido frequentemente invadido por plantações irregulares de arroz, garimpeiros, fazendeiros, provocando a morte da Mãe Terra, atingindo de forma mais cruel a vida das comunidades indígenas que há séculos vivem e usufruem de forma saudável os recursos naturais. A natureza tem o elo com a vida indígena, pois proporciona um futuro digno aos seus filhos e filhas. Sem a garantia da Terra, os povos indígenas estão sujeitos ao genocídio em pleno século XXI, que começou há 513 anos atrás.

     

    A vida é um direito sagrado e universal de todos, assim como o acesso ao território digno e saudável para manter a sobrevivência e viver de acordo com os costumes e tradições, pois a casa indígena vai além de moradia fixa, estando nos rios, nas matas, nos igarapés, nas serras. A Presidenta Dilma deve respeitar, pois o desenvolvimento não pode ser feito a custa do sofrimento dos povos indígenas.

     

    O slogan do governo brasileiro atual afirma que "país rico é país sem pobreza", portanto a riqueza está na imensa diversidade cultural, socioambiental, territorial e socioeconômica. E a pobreza está na invasão e falta de garantia de terras indígenas, violação dos direitos humanos,

    Violência contra a vida dos povos indígenas e destruição do meio ambiente e de todos os recursos naturais nela existentes. Os povos indígenas solicitam nada mais do que o cumprimento da Constituição Federal, o respeito às diferenças culturais, e acima de tudo a Vida.

     

    Na vinda do ex-presidente Lula à Terra Indígena Raposa Serra do Sol no ano de 2010, naquele momento ficou claro na sua fala que: "Muito ainda precisa ser feito para reparar as injustiças cometidas contra os povos indígenas, desde o ano de 1500". Com a entrada do governo Dilma, o povo estava otimista, acreditando no avanço na defesa dos direitos dos povos indígenas, pois é uma mulher e mãe, que usando do seu instinto maternal defenderia seus filhos(as) brasileiros independente de raça, cor, credo, religião e formas de viver.

     

    A esperança de dias melhores afundou num grande vazio de decepção, e agora permeia a incerteza da paz tomada pela crueldade que atinge diariamente todos os povos indígenas do Brasil. De um lado a ganância e poder do agronegócio, que usa de todos os meios para dizimar vidas, destruir famílias, apenas em prol de um desenvolvimento sujo. Onde o poder do dinheiro é mais valioso que o direito da vida de uma criança indígena.

     

    Os povos indígenas são originalmente brasileiros, e cada palmo de seu território significa vida. Permitir o funcionamento da PEC 215, Lei de Mineração sem consulta, arquivamento do Estatuto dos Povos Indígenas, Portaria 303 da AGU, as condicionantes maléficas do STF, construção de hidrelétricas a custa de sangue indígena, e outros atos que violam os direitos humanos é um ato de Genocídio.

     

    Os povos indígenas têm projetos de desenvolvimento para sustentar a grande nação brasileira, voltados na prática correta sem agredir o território e o meio ambiente. O agronegócio não é a solução para acabar com a pobreza brasileira e os povos indígenas demonstram o exemplo eficiente de enfrentar esse mal social, mas que o governo fecha os olhos e ouvidos a essa proposta, e sequer arrisca um diálogo.

     

    O Brasil é um país rico e precisa manter essa riqueza internamente com participação de todos os brasileiros. Enquanto os ditos países do primeiro mundo industrializado vivem sem ar puro devido à ganância por dinheiro e poder, o governo brasileiro asfixia os povos indígenas. Não adianta o Brasil ser considerado o pulmão do mundo a custa do sangue e vida dos povos indígenas.

     

    Queremos que a senhora presidenta do Brasil Dilma Rousseff respeite e reconheça todos os povos indígenas pelas conquistas de direitos alcançados até os dias atuais, e não faça mais atos de ignorância e desconhecimento sobre a questão indígena, pois terras brasileiras são terras indígenas.

     

    Não queremos mais ficar sofrendo com tantas injustiças, sangue, mortes e falta de espaço para viver. A presidenta Dilma sabe a dor da perseguição, da tortura, pois sofreu esses tipos de violência na época da ditadura militar e sabe o tamanho da dor de uma mãe. Por isso, chega de impunidade, mortes, exclusão e desrespeito a aos nossos direitos constitucionais, brasileiro e universal.

     

    Enquanto os monstros tentam acabar com a nossa vida, temos uma resposta – "a luta indígena não vai parar e todos nós estamos unidos".

     

    Povos Indígenas de Roraima: A luta continua e unidos venceremos.

     

    Roraima – Brasil, 20 de Maio de 2013.

     

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  • 20/05/2013

    Nota Pública das Lideranças Indígenas dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina

    Nós caciques e lideranças indígenas do Estado de Santa Catarina, Paraná e RS nos reunimos em Chapecó, em SC, neste dia 20 de maio de 2013 para conversarmos sobre a situação em que vivemos em nossas aldeias e sobre a demarcação de nossas terras.

     

    Cada um de nós fez um relato e foi consenso o fato de que os processos de demarcação de nossas terras estão paralisados há muito tempo. Avaliamos que o atual Governo Federal não priorizou o atendimento de nossas demandas fundiárias e ficou muito na dependência dos pedidos dos governos estaduais, que são contra os nossos direitos. Resolvemos escrever este documento e manifestar nossas esperanças e reivindicações.

     

    Nós lideranças denunciamos as manobras políticas que estão sendo arquitetadas por parlamentares de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, com o intuito de impedir o avanço das demarcações das terras indígenas nestes estados. Eles, através de autoridades e das oligarquias regionais, pressionam o Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio e instigam, promovem e fomentam, nas regiões, manifestações contrárias as demarcações das terras alimentando o ódio e o preconceito da sociedade envolvente contra os Povos, Kaingang, Guarani, Xokleng e Xeta.

     

    Nós lideranças denunciamos as estratégias de parlamentares de estarem organizando estas ações. A última ofensiva, destes setores, aconteceu no mês passado no oeste do estado do Paraná, onde entidades ligados ao agro negocio promoveram ações contra o Povo Guarani.

     

    A postura antiindígena de parlamentares e autoridades, que até recentemente estavam na oposição e se manifestavam favoráveis aos direitos dos índios tem, no entender das lideranças aqui presentes, duas possíveis explicações: primeiro, os políticos querem transformar a questão indígena em palanque eleitoral para as eleições de 2014, com isso arrebanhar os votos de uma grande parcela da população que não aceita os Povos Indígenas como sujeitos e cidadãos detentores de direitos (preconceito histórico existente na região sul); segundo, muitos políticos considerados de esquerda não compreendem a realidade étnica de nosso país e a que tudo indica, não têm firmeza ideológica acerca da sociedade que se pretende construir e conseqüentemente são cooptados ou susceptíveis aos interesses oligárquicos e por isso aderem, com facilidade, à vontade das oligarquias que mandam no Brasil, como a bancada ruralista e evangélica.

     

    A maior responsabilidade por essa situação de violência é do Governo Federal que, além de não realizar a demarcação das terras indígenas, vem assumindo abertamente e sem pudor uma política desenvolvimentista que converte o meio ambiente, as terras, as águas, as matas, as pessoas em recursos disponíveis para exploração.

     

    Na atual retórica desenvolvimentista, cuja porta-voz principal e a chefe de gabinete Gleisi Hoffmann que de forma autoritária cancelou todos os processos demarcatórios no estado do Paraná. Assim ganham força e legitimidade as demandas de setores ligados ao agronegócio e outros interessados na exploração das terras indígenas e dos recursos naturais nelas existentes.

     

    Na mesma direção, algumas campanhas publicitárias divulgadas em meios de comunicação de massa, em revistas, na televisão, vinculam a expansão da produção agrícola e pecuária ao bem estar de todas as pessoas, informando que este setor é responsável por garantir o alimento na mesa da população brasileira. Este é, contudo, um discurso ardiloso que serve para justificar a alta lucratividade, atestada através de cifras invejáveis de produção e exportação, que beneficia e enriquece apenas setores privados.

     

    O aval do Governo Federal, e seu total e irrestrito apoio às entidades ligadas ao agronegócio, potencializam os conflitos e a disputa pelo controle do território no país. Agora, mais do que nunca, os setores antiindígenas se articulam e acionam seus representantes políticos no Executivo e no Legislativo para assegurar, por um lado, a expansão de seus domínios territoriais e, por outro, fartos investimentos governamentais para a construção de obras de infraestrutura para o escoamento da produção.

     

    Junto a isso, as campanhas promovidas por setores antiindígenas (e popularizadas por políticos, artistas renomados, jornalistas, entre outros sujeitos que abraçam essa “causa” como se fosse algo pessoal) têm conduzido à violação de direitos humanos, econômicos, políticos, sociais, culturais e ambientais de populações indígenas nas mais diversas regiões brasileiras.

     

    Nós lideranças, aqui representando todas as aldeias do RS, SC e PR exigimos que o Governo Federal reveja as PECs que está em debate no Congresso Nacional, como a PEC 215. Consideramos esta emenda inconstitucional, um retrocesso e uma ameaça aos direitos já conquistados. Não permitiremos que isto seja aprovado. Se preciso for, retornaremos novamente a Brasília.

     

    Exigimos ainda que a Funai constitua grupos de trabalho para realizar, com agilidade e rigor, os estudos de demarcação das terras indígenas na região.

     

    Caso o Governo Federal mantenha uma atitude de descaso e omissão diante da grave situação vivida pelos povos e comunidades indígenas nos municípios na região sul, será diretamente responsabilizado pelas violências e por qualquer confronto que por ventura venha a ocorrer.

     

    Chapecó, SC, 20 de maio de 2013.

     

    Assinam as Lideranças

     

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  • 20/05/2013

    O governo do Rio Grande do Sul se alinha aos interesses dos ruralistas contra as demarcações de terras indígenas

    Um grupo de agricultores realizou, nos dias 14 e 15 de maio, em Porto Alegre, uma manifestação contra a demarcação de terras indígenas. Oriundos do norte do estado do Rio Grande do Sul e articulados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul – Fetraf-Sul e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul Farsul, os agricultores acamparam, na noite do dia 14, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo e no dia 16 ocuparam o Centro Administrativo do Estado, onde quebraram portas e vidraças.

     

    O governador Tarso Genro recebeu os representantes dos agricultores e se comprometeu em intervir, junto ao Governo Federal, para que as reivindicações fossem atendidas. Ficou agendada, para o dia 23 de maio, uma audiência do governador com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e com a ministra Casa da Civil, Gleisi Helena Hoffmann. Tarso genro declarou que vai expor a situação dos agricultores afetados por demarcações de terras. E, segundo o que foi noticiado pela imprensa, teria garantido que solicitará medidas no sentido de paralisar as demarcações.

     

    Tal manifestação está inserida dentro de uma programação de eventos que a CNA Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, juntamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (bancada de deputados federais e senadores ruralistas) está promovendo em todos os estados (regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste) para pressionar o Governo Federal e os parlamentares com o intuito de:

     

    – suspender as demarcações de terras de quilombolas e indígenas em áreas onde, segundo ela, não há consenso (ou seja, todas as áreas indígenas, com exceção, por enquanto, dos barrancos de beira de estrada);

     

    – revisão dos decretos 1.775/1996 e 4.887/2003 (que regulamentam as demarcações de terras indígenas e quilombolas);

     

    – suspensão de todos os procedimentos administrativos de demarcação de terras em curso no Rio Grande do Sul; garantia de observância do devido processo legal e da ampla defesa (como se essas não existissem previsão nos decretos e na Constituição Federal);

     

    – revisão da legislação indigenista e da Constituição Federal no que se refere à demarcação das terras indígenas e quilombolas;

     

    – votação e aprovação da PEC 215/2000; garantir assistência jurídica e antropológica aos produtores rurais.

     

    As propostas são unilaterais e refletem o anseio de impor a vontade de certos poderosos segmentos econômicos em detrimento dos direitos estabelecidos na Constituição Federal e, assim, são propostas que instauram a insegurança jurídica, uma vez que colocam em questão as leis e as instituições responsáveis pela sua execução. As iniciativas de desqualificar a Funai, órgão indigenista do governo, e os antropólogos e demais pesquisadores que realizam os estudos de identificação e delimitação das terras, são exemplos disso.

     

    A CNA, para impor seus objetivos políticos e econômicos, estabelece uma relação de força com os poderes constituídos e estimula, nas regiões, os conflitos fundiários. Sua intenção é impactar a opinião pública e comprometer parlamentares e os governos com as suas causas: a produção de grãos, a criação de boi, a agroindústria, o agronegócio e a concentração de terras.

     

    A CNA não dialoga. Ao contrário disso, tenta impor mudanças na legislação que impõe restrição aos direitos dos povos indígenas e de comunidades quilombolas, assim como ocorreu com a mudança do Código Florestal. Portanto, suas mobilizações não estão acontecendo devido às demarcações de terras que supostamente estariam ocorrendo no país, mas à tentativa de impossibilitar que estas venham a ser realizadas no futuro. Há tempos o Governo Federal impôs uma moratóriano que se refere a demarcações de terras indígenas, especialmente na Região Sul do país.

     

    O que ocorre no Rio Grande do Sul é uma grande demonstração de intolerância e de desrespeito contra indígenas e quilombolas. Eles não são ouvidos e muito menos recebidos pelas autoridades para tratar deste embate acerca dos direitos indígenas, quilombolas e dos agricultores. Mesmo os pequenos agricultores não têm espaço para um debate sereno acerca das demarcações de terras, sempre há a intermediação da Farsul, Fetraf e da CNA, organizações que se alimentam do conflito e do sofrimento do pequeno para defender o latifúndio e a grande produção. Eles não se interessam pelas pequenas propriedades e sua produção familiar, apenas as utilizam para insuflar a população contra comunidades indígenas e quilombolas.

     

    O próprio deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS), que tem sua história de militância política junto aos pequenos agricultores no Rio Grande do Sul, disse recentemente numa audiência convocada pelos ruralistas na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados que é necessário explicitar que existe um jogo armado pela bancada ruralista para usar os pequenos agricultores e coloca-los contra os quilombolas e os índios. Segundo ele, os coronéis se escondem e estão usando os pequenos para atingir os seus objetivos, que é o de se apropriarem também das terras indígenas e quilombolas. Ele enfatizou que, em função da grande concentração de terras nas mãos de poucos, o governo precisa fazer a regularização fundiária. Para demonstrar que há grande concentração de terras nas mãos de poucos citou o dado do INCRA de que 196 proprietários rurais detêm 336 mil hectares .

     

    Os pequenos agricultores precisam tomar conhecimento de que a má distribuição de terras não está relacionada com os direitos indígenas e quilombolas. Eles precisam ser informados que 69 mil propriedades improdutivas concentram uma área de 228,5 milhões de hectares. Eles precisam ser informados de que o Censo Agropecuário 2006, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que os estabelecimentos rurais com até 10 hectares ocupam 2,7% da área total dos estabelecimentos rurais no país, enquanto que as áreas ocupadas pelos estabelecimentos de mais de 1.000 hectares concentram 43% da área total do país.

     

    O Censo revela ainda que 05 milhões de estabelecimentos agropecuários ocupam 330 milhões de hectares, ou o equivalente a 36,75% do território brasileiro que é de 851 milhões de hectares. As unidades de conservação representam 8,47% do território nacional (ou 72 milhões de hectares) e as terras indígenas ocupam 14% do País (ou 125 milhões de hectares). No caso das terras indígenas há que se considerar que mais de 85% delas estão invadidas, portanto os povos indígenas não tem a posse plena de suas terras.

     

    Outro aspecto das questões envolvendo pequenos agricultores e que não é considerado, especialmente pela Fetraf, Farsul CNA, são as inundações de terras provocadas por hidroelétricas. Milhares de famílias são obrigas a abandonar suas casas, lotes, lavouras em função das barragens. Nunca se ouve deputados e senadores se posicionarem de maneira contundente opondo-se a estas obras. Ao contrário, fazem gestão para que as famílias sejam removidas de suas propriedades, mesmo sabendo que raramente as compensações e/ou indenizações serão pagas efetivamente pelo governo ou pelo consórcio de empresas responsável pelo empreendimento. São inúmeros os exemplos a serem lembrados: Foz do Chapecó, Machadinho, Jacuí, Balbina, Tucurui, Madeira, Santo Antonio, Girau.

     

    É importante reafirmar, assim como fez o deputado Marcon, que os pequenos agricultores, merecem ser tratados com respeito, com diálogo fraterno e não serem usados como massa de manobra para os interesses de ruralistas. Os governos, tanto federal quanto os estaduais, são imprudentes quando, ao receber a Farsul, CNA e outras federações dos ruralistas, prometem que vão atender suas reivindicações restringindo os direitos indígenas e quilombolas. Com esse tipo de posicionamento instigam a violência e atuam de maneira parcial tendo em vista os interesses de uma minoria, os latifundiários.

     

    Porto Alegre, 20 de maio de 2013.

    Roberto Antonio Liebgott

    Cimi Sul-Equipe Porto Alegre

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  • 20/05/2013

    Lembre seis ações de terrorismo de Estado praticado contra indígenas

    Por Cristiano Navarro,

    de São Paulo (SP)

     

    Nos últimos 10 anos, o movimento indígena brasileiro tem experimentado uma constante e virulenta repressão por parte do governo federal. Sob as batutas de Marcio Thomás Bastos (1/01/2003 -16/03/2007), Tarso Genro (16/03/2007 – 10/02/2010), Luiz Paulo Barreto (10/02/2010 – 31/12/2010) e Eduardo Cardoso (01/01/2011 – até hoje) a falta de diálogo e o recrudescimento da Polícia Federal tem sido flagrantes. Confira aqui algumas das ações de terrorismo de Estado contra os povos indígenas cometidas durante este período:

     

     

    No dia 15 de dezembro de 2005 acontece a reintegração de posse. Com um forte aparato, que contou com 150 homens, vários carros, cachorros, cavalaria e um helicóptero, a Polícia Federal, com apoio da Polícia Militar, realizou o despejo dos Kaiowá Guarani de sua terra Nhanderu Marangatu. No momento do despejo, na presença da Polícia Federal, as casas das famílias indígenas foram incendiadas pelos fazendeiros sem que as pessoas tivessem a chance de salvar seus pertences.

    Em janeiro de 2006, a empresa Aracruz Celulose S/A mobilizou helicópteros, bombas, armas e 120 agentes da Polícia Federal do Comando de Operações Táticas (COT), vindos de Brasília, para destruir duas aldeias e expulsar 50 pessoas dos povos Tupiniquim e Guarani de sua terra tradicional, no município de Aracruz-ES, dezenas acabaram feridos. Leia aqui reportagem.

    Em de junho de 2009, uma mulher e quatro homens do povo Tupinambá da aldeia da Serra do Padeiro, localizada no Recôncavo Baiano, passaram por sessões de tortura (choques, tapas, chutes, pisões, puxões de cabelo e outras agressões) por parte de agentes da Policia Federal. Casas, roupas e o plantio foram incendiados. Depois do ataque, intensificou-se o processo de criminalização que culminou com cinco lideranças presas. A situação ficou mais tensa depois que as terras integraram o relatório de demarcação publicado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) meses antes. Leia aqui reportagem.

     

    Maio de 2010. Em ação de reintegração de posse, policiais militares e federais atacaram crianças, jovens e idosos de uma comunidade Terena em Miranda no Mato Grosso do Sul com cachorros, atirando balas de borracha e jogando bombas de efeito moral de forma covarde, enquanto negociava a sua saída. O delegado da PF, Alcídio de Souza Araújo, o mesmo que no último sábado, 18, confiscou equipamentos do jornalista Ruy Sposati sem nenhuma base legal, comandou a operação.

     

     

    Seis meses após o assassinato e ocultação do cadáver do cacique Guarani Kaiowá Nísio Gomes por pistoleiros, em novembro de 2011, em Aral Moreira, Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal passou a duvidar da morte do cacique e chegou a indiciar seu filho Valmir, principal testemunha no caso, por "denunciação caluniosa". A tese de que Nísio estava vivo no Paraguai e de que a denúncia não passava de uma mentira inventada pela comunidade pesou durante meses contra a comunidade. Depois de muita pressão da sociedade, o inquérito do concluído com o indiciamento de 23 pessoas entre elas políticos, fazendeiros e empresários. Leia aqui reportagem.

    Em novembro de 2012, uma ação desastrosa da Polícia Federal contra a aldeia de Teles Pires, Mato Grosso, vitimou com quatro tiros (três nas pernas e um na cabeça) Adenilson Kirixi Munduruku e deixou outros seis indígenas feridos.

     

     

     

     


     


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  • 20/05/2013

    Malária aumenta entre indígenas da região do Médio Solimões e afluentes

    Por J.Rosha,

    de Manaus (AM)

     

    Os indígenas Deni do rio Xeruã, afluente do Juruá, no sul do Amazonas, estão enfrentando mais um surto de malária. A informação é da equipe do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, no município de Tefé, onde a entidade, juntamente com organizações indígenas e a Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas de Tefé farão levantamento do quadro da saúde indígena até o início de julho.


    A equipe do Cimi Norte I não tem dados precisos sobre o número de pessoas afetadas pela malária, mas alerta que tem muitos doentes em várias aldeias. Na comunidade Morada Nova, funciona o pólo base da Secretaria Especial de Saúde Indígena – Sesai, órgão responsável por prestar assistência à saúde dos povos indígenas. A Sesai encontra muitas dificuldades para atender as mais de 150 comunidades na área de abrangência do Distrito Sanitário Especial – Dsei, de Tefé, que é formado por 10 municípios do Médio Solimões.


    “Falta combustível, falta barco, as equipes multidisciplinares não são bem preparadas e não são completas, faltam medicamentos, além de outros problemas mais graves que precisam ser investigados”, diz Raimundo Nonato Filintro de Freitas, coordenador da equipe do Cimi de Tefé. Segundo ele, a malária também tem aumentado entre os indígenas Katukina, no município de Jutaí e entre os Maku da aldeia Nova São Joaquim, no município de Japurá.


    Em vista das conferências de saúde que acontecerão em níveis local, municipal, estadual e nacional, o Cimi juntamente com a Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas de Tefé, União Nas Nações Indígenas – UNI/Tefé e Associação Cultural Indígena do Médio Solimões e Afluentes – ACPIMSA, já realizaram duas reuniões com o objetivo de fazer um completo levantamento das dificuldades no atendimento à saúde. A Secretaria é responsável por coletar dados na área de abrangência do Município de Tefé, enquanto as organizações indígenas o Cimi farão esse trabalho nos demais municípios.


    No início da década de 1990, uma epidemia de malária vitimou 67 indígenas Deni, de uma população de 255 pessoas. Antes disso, grande parte deles foi afetada com epidemia de tuberculose – doença que os impediu de realizar atividades econômicas durante muitos anos.

     

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  • 20/05/2013

    Nota pública: Cimi denuncia abuso de autoridade da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul

    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público denunciar a forma absolutamente ilegal e autoritária como foram tratados seus missionários e funcionários pela Polícia Federal no município de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, no contexto da reintegração de posse da fazenda Buriti, ocupada por indígenas desde a última quarta-feira, 15.

     

    Há um histórico de ilegalidades nos despejos das comunidades Terena. Particularmente na Terra Indígena Buriti, em 19 de novembro de 2009, mesmo havendo decisão judicial favorável a posse da comunidade, os indígenas foram violentamente despejados por cerca de 30 fazendeiros e 60 policiais militares. Por temerem que a história se repetisse, os indígenas solicitaram a presença de uma delegação de observadores externos, no sentido de coibir possíveis violações por parte dos aparelhos de repressão do estado.

     

    Dessa forma, o Cimi, em conjunto com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil (COPAI/OAB-MS), o Centro de Defesa de Direitos Humanos – Marçal de Souza Tupã’i (CDDH), a ONG Azul, a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB-MS), o Comitê Nacional de Defesa dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul (CONDEPI) e o Coletivo Terra Vermelha foram em comitiva, no último sábado, 18, acompanhar o cumprimento da ordem de reintegração de posse da fazenda Buriti – parte dos 17 mil hectares declarados em 2010 pelo Ministério da Justiça como território tradicionalmente ocupado pelo povo Terena da Terra Indígena Buriti.

     

    Na ocasião, o jornalista do Cimi, Ruy Sposati, teve seus equipamentos arbitrariamente confiscados pelo delegado da Polícia Federal, Alcídio de Souza Araújo, que, não deu qualquer justificativa que identificasse alguma legalidade na apreensão. Além da ausência de ordem judicial de busca e apreensão, a atitude do delegado constitui flagrante ilegalidade de acordo com a Lei Nº 4.898 cujo artigo 3º, item J, reza que constitui abuso de autoridade “qualquer atentado aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional”.

     

    Este não é um caso isolado. Durante a ocupação indígena do plenário da Câmara dos Deputados, em abril deste ano, o jornalista Renato Santana, editor do jornal Porantim, jornal impresso mensal do Cimi, foi espancado pela polícia legislativa enquanto realizava cobertura da ação. Na ocupação indígena da usina hidrelétrica Belo Monte, em maio, jornalistas que cobriam o caso foram expulsos pela Polícia Militar e pela Força Nacional, através de uma decisão judicial, e o jornalista de nossa entidade foi multado em mil reais por ter realizado a cobertura dos acontecimentos.  Em relação a todos estes casos, entraremos com medidas judiciais e denúncias cabíveis com mandado de segurança na Justiça, representações no Ministério Público Federal e na Corregedoria da Polícia Federal.

     

    No Brasil, cada vez mais a polícia tem cumprido o papel de interlocutora política nos conflitos de terra e de violações de direitos aos povos indígenas. O que tem ocorrido é a militarização dos contextos de conflito social relativos à luta por direitos dos indígenas. A institucionalização dessa prática é um atentado brutal ao exercício profissional de um jornalista,  à liberdade das organizações sociais e, mais ainda, às relações democráticas e de direito estabelecidas em nossa sociedade.

     

    Denunciamos este ato de censura injustificado, arbitrário e ilegal. Está se tornando prática institucional dos órgãos de repressão governamentais atacarem indígenas que lutam por seus direitos, e também a imprensa e as organizações que buscam dar visibilidade a estas ações.

      

    Ao mesmo tempo, jogamos luz ao fato de que toda a perseguição que jornalistas e organizações indigenistas sofrem tem como perspectiva política a viabilização das demandas de ruralistas, latifundiários do agronegócio – e do próprio governo brasileiro, que tem capitulado cada vez mais com os interesses destes e do capital, e se justifica a partir de uma leitura e prática absolutamente racistas. Nessa perspectiva, os indígenas são considerados e tratados por estes setores da sociedade como seres inferiores, incapazes de tomarem decisões próprias – e que, por isso, seriam controlados por não-indígenas.

     

    Reafirmamos nossa solidariedade aos povos indígenas do Brasil e às suas lutas autônomas e destemidas na reconquista de seus territórios tradicionais, efetiva garantia de paz, justiça e vida destes povos.

     

    Brasília, DF, 20 de maio de 2013

     

    Conselho Indigenista Missionário – Cimi

    Assista ao vídeo do confisco ilegal do delegado da PF, Alcídio de Souza Araújo:  

     

     

     

     

    Veja a foto do editor do jornal Porantim sendo "abordado" pela Polícia Legislativa do Congresso Nacional:

     

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  • 20/05/2013

    “Tecendo o Bem Viver denunciamos e resistimos ao modelo de desenvolvimento que destrói nossos direitos e nossa Mãe Terra”

    2ª Assembléia dos povos indígenas dos estados de Goiás e Tocantins

     

    Para Palmas estão se dirigindo aproximadamente 500 indígenas de 15 povos, para a realização da 2ª Assembleia dos Povos Indígenas dos estados de Goiás e Tocantins que tem como tema: “Tecendo o Bem Viver denunciamos e resistimos ao modelo de desenvolvimento que destrói nossos direitos e nossa Mãe Terra”.

     

    Será um dia memorável, de chegada com alegria e animação, após longa expectativa e preparação. Será dia de celebrar a pluralidade, a beleza das culturas, a resistência dos povos raiz, os nativos dessas terras.  Será um momento forte de alimentar os sonhos do Brasil plural, no aconchego da mãe terra, tecendo juntos o Bem Viver.

     

    Na área verde da Universidade Federal do Tocantins começam a chegar as primeiras delegações indígenas. Os Apinajé chegam do distante norte do Estado, trazendo muito entusiasmo, esperança e grito. Exigem respeito a seus direitos, seus territórios, a mãe terra, às riquezas naturais e culturais, sua organização e luta, conforme garantem os direitos na Constituição e normas e legislação internacionais.

     

    Um grande momento

     

    Conforme Sara Sánchez, coordenadora do Regional Goiás/Tocantins, do Cimi, esse é um momento muito especial da luta, consciência e visibilidade dos povos indígenas na região.  Ela lembra os grandes desafios que esses povos enfrentam hoje: “a monocultura da soja, arroz, eucalipto e agora até o plantio de seringueiras. É a arrasadora expansão do agronegócio. As hidrelétricas, que acabam sendo impostas por um modelo de desenvolvimento comandado pelo grande capital e acelerado pelo governo, alagando e destruindo em grande profusão. Os índios estão vindo para dizer não à hidrelétrica de Serra Quebrada (no rio Tocantins) e Santa Isabel (no Rio Araguaia) dentre outras. Vem para dizer não a todas essas grandes obras que trazem muita morte, destruição e sofrimento.”

     

    Mas eles vêem não apenas para denunciar, dizer que estão vivos e resistirão a todos os projetos de morte, mas vem dizer que querem contribuir com seus projetos de bem viver para a construção de um Brasil plural, mais justo, respeitoso com seus povos primeiros. E para isso vem se unir aos demais povos indígenas do Brasil e da América Latina e a todos aqueles que buscam a construção de outros modelos de sociedade, de política, de valores e de economia.

     

    Antônio Apinajé espera que a assembleia impulsione e fortaleça a organização e articulação dos povos indígenas para fazer o enfrentamento com as políticas equivocadas do governo e setores conservadores e do agronegócio, a partir das bases. Mas ressalta: “Essa conjuntura nos preocupa, nos tira o sono, mas não tira nossa vontade de lutar. Vamos fazer articulação com as universidades, os camponeses, com os Quilombolas, com a sociedade civil organizada”. Finalizou dizendo: “nessa II Assembleia, vamos dar o nosso recado”.

     

    Durante os próximos dias, Palmas será o espaço de grandes debates do movimento indígena regional com a presença de representantes indígenas e indigenistas do país. Será feita uma análise de conjuntura a partir das aldeias até em nível nacional e internacional. Serão debatidos temas desafiadores da humanidade hoje, como mudanças climáticas e REDD; territórios indígenas: espaços ameaçados pelo agronegócio; o Bem Viver e a Mãe Terra, além das cruciais questões da saúde indígena, educação e sustentabilidade.

     

    Também serão elaboradas e divulgadas informações diárias do andamento da assembleia e manifestações públicas e atividades culturais e celebrações diárias.

     

    Egon Heck – Assessoria de comunicação da 2ª Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins

     

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  • 20/05/2013

    Indígenas Terena resistem à reintegração; PF apreende equipamento de jornalista

    Por Ruy Sposati,

    de Sidrolândia (MS)

     

    Foto: Ruy Sposati?CimiCerca de 600 familías Terena permanecem ocupadas na fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS), a 70 quilômetros de Campo Grande. Os indígenas resistiram à tentativa de reintegração de posse da Polícia Federal, Tropa de Choque da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises (Cigcoe) e Polícia Rodoviária Militar realizada no último sábado, 18. A área faz parte da Terra Indígena Buriti, declarada em 2010 como de ocupação tradicional do povo Terena pelo Ministério da Justiça.

     

    Na manhã de sábado, os indígenas retomaram a sede da fazenda, onde o proprietário Ricardo Bacha, ex-deputado estadual, estava entrincheirado. Os seguranças privados da fazenda atiraram contra os indígenas. Ninguém ficou ferido. O fazendeiro foi retirado pela Polícia Federal do local, junto com a família.

     

    Uma comitiva de observadores externos composta pela Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil (Copai/OAB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cimi, Ong Azul, Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), Comitê de Defesa dos Povos Indígenas do Mato Grosso do Sul (Condepi) e Coletivo Terra Vermelha esteve no local para prestar solidariedade e coibir ilegalidades no processo de evacuação da fazenda. Em 2010, na mesma terra indígena, o Cigcoe realizou despejo da comunidade ilegalmente, sem mandado de reintegração.

     

    Em 19 de novembro de 2009, mesmo havendo decisão judicial favorável a posse da comunidade, os indígenas foram violentamente despejados por cerca de 30 fazendeiros e 60 policiais militares. Por temerem que a história se repetisse, os Terena solicitaram a presença de uma delegação de observadores externos, no sentido de coibir possíveis violações por parte dos aparelhos de repressão do estado.

     

    Na comitiva de observadores, o jornalista do Cimi, autor desta matéria, teve seu equipamento apreendido pelo delegado da Polícia Federal, que argumentou não conhecer a entidade, e por isso levou um computador, um gravador e um leitor de cartões USB. No vídeo abaixo, contudo, é possível observar a contradição do policial, quando este alegou desconhecer o Cimi – uma vez que ele perseguiu o jornalista justamente por ser da entidade.

     

    Assista ao vídeo do momento em que o delegado Alcídio de Souza Araújo, da PF, confiscou instrumentos de trabalho do jornalista sem nenhuma justificativa legal:

     

    “A Polícia Federal dormiu todos esses dias junto com o fazendeiro, dentro da fazenda”, denuncia um indígena que prefere não ser identificado. Ele acusa alguns agentes de reproduzirem o preconceito embutido na fala dos ruralistas. "Mas hoje a polícia viu que a casa está intacta, que não é verdade o que o Ricardo diz que a gente fez. Nós não queremos a casa, nós estamos é lutando pela nossa terra", disse o Terena. Na foto abaixo, o que estava esperando os indígenas dentro de sua própria terra: em celular encontrado com pistoleiro, fotos regsitram treinamento de tiro dos "seguranças" contratados.   

     

    Retomada

     

    Foto retirada de celular de pistoleiro apreendido pelos indígenasOs indígenas explicam que decidiram realizar a retomada da terra após uma quebra de acordo entre a comunidade e o proprietário da fazenda, o ex-deputado estadual Ricardo Bacha. “Quando soubemos na terça que o Ricardo tinha ido junto com outros fazendeiros encontrar com o governo [com o vice-presidente Michel Temer] sem a gente, percebemos que estávamos sendo passados pra trás”, explica uma das lideranças da retomada que prefere não se identificar. Na madrugada seguinte, os indígenas, então, ocuparam a fazenda de Bacha. “Como saiu a reintegração, o povo todo de Buriti veio pra cá, e também os patrícios de outras aldeias, pra ficarem na terra conosco”, expõe.

     

    Leia mais:

     

    Indígenas Terena retomam quatro fazendas e temem ataque 

     

    Leia a carta dos indígenas Terena de Buriti:

     

    Carta Terena à sociedade: porque estamos retomando nosso território Buriti

     

    Nós somos o povo Terena da Terra Indígena Buriti. Mais de 100 anos atrás, nós fomos expulsos daqui pela ambição do homem branco. Há 15 anos nós lutamos para retomar nosso território tradicional.

     

    Nessa luta fomos novamente expulsos da nossa terra em muitas ocasiões. Agora querem nos expulsar mais uma vez. Escrevemos essa carta para explicar à sociedade porque estamos lutando pela nossa terra, porque retomamos nosso território.

     

    Hoje, somos 5 mil pessoas confinadas em menos de meio hectare cada. Dos 17 mil hectares declarados como território tradicionalmente ocupado por nós Terena em 2010 pelo governo federal, temos a posse de apenas 3 mil. Os outros 14 mil hectares estão ocupados por 25 fazendas.

     

    Nesta semana, nós retomamos a fazenda Buriti, a fazenda Cambará, a fazenda Santa Helena e a sede da fazenda Querência São José, abandonada há anos – todas incidentes sobre nosso território.

     

    Nós retomamos essas terras porque elas são nossas e porque não temos terra para plantar.

     

    Nosso povo planta muito. Nas nossas retomadas, temos 350 hectares plantados de mandioca, milho, batata, feijão de corda, cana, abóbora, melancia, eucalipto, maxixe e banana. É assim que vivemos e trabalhamos. Vocês conseguem imaginar como seria ficar mais de um século sem sua terra? É assim que nós estamos.

     

    Todas as vitórias que conquistamos foram fruto da nossa luta, das nossas retomadas. Sabemos que não adianta ficar esperando pela boa vontade de um governo que cede a todas as pressões dos fazendeiros. Já ouvimos a resposta do governo federal às nossas reivindicações: Portaria 303, PEC 215, intervenção na Funai e orquestrações para paralisar processos de demarcação de terra.

     

    Com apoio do governo, os fazendeiros estão se organizando cada vez mais. Enquanto escrevemos essa carta, muitos fazendeiros de todo Mato Grosso do Sul estão com suas caminhonetes forçando para entrar na ocupação. Jagunços e seguranças fortemente armados estão nos rondando e provocando. Se eles derramaram nosso sangue, a culpa é dos fazendeiros e do governo que não dá um basta nessa violência.

     

    Dizemos aos fazendeiros e seus pistoleiros: também estamos organizados. Todos os povos do Mato Grosso do Sul estão juntos na mesma luta, e chamamos todos os patrícios e parentes para nos ajudar agora nesta luta pela vida. Por terra para todas as nossas crianças.

     

    Queremos nossas terras livres e demarcadas. Vamos retomar nossas terras hectare por hectare. Já fomos baleados, presos, espancados e despejados muitas vezes. Mas aqui nós vamos ficar. Esta é nossa fala.

     

    Terra Indígena Buriti, 17 de maio de 2013

     

     

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  • 19/05/2013

    Lugar e finalidade da catequese na pastoral indigenista a partir do contexto histórico-social dos povos indígenas hoje

    Clique aqui e acesse palestra proferida por Pe. Paulo Suess, Assessor Teológico do Cimi, durante abertura do III Seminário de Catequese Indígena “Catequese, Protagonismo Indígena e Inculturação”, organizado em Manaus (25-28 de abril 2013) pelas respectivas comissões da CNBB.

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  • 18/05/2013

    Povos Indígenas do Estado do AC, Sudoeste do AM e Noroeste de RO manifestam indignação contra o preconceito do governo Dilma com os povos indígenas

    Carta circular das Organizações e Povos Indígenas do Estado do Acre, Sudoeste do Amazonas e Noroeste de Rondônia, reunidos na Reunião de regularização fundiárias em TI em Rio Branco, entre os dias 14 a 16 – Manifestam Indignação contra o Preconceito do Governo Dilma, com os Povos indígenas do Brasil.

     

    Rio Branco-AC, 16 de maio de 2013.

     

    Nós lideranças indígenas representantes de 14 povos e organizações do estado do Acre, sul do amazonas e noroeste de Rondônia, reunidos entre os dias 14, 15 e 16 de maio, vimos expressar a nossa grande preocupação e indignação com as recentes medidas adotadas pelo Governo Dilma Rousseff e a bancada ruralista do Congresso Nacional. A mais recente delas diz respeito à tentativa de acabar de vez com os processos de demarcação de terras indígenas e quilombolas, a partir da instalação da CPI da FUNAI e do INCRA. Esta CPI visa paralisar as demarcações das terras indígenas e revisar as já homologadas. Nós perguntamos a todos: o que irá acontecer conosco, os povos indígenas?

     

    Estamos preocupados com o projeto de exploração de petróleo e gás natural no Vale do Juruá, com as hidrelétricas que atingiram os Kaxarari – que estão sendo ameaçados pelos fazendeiros, com os projetos de ligação do Acre ao Peru por meio de rodovias que irão sangrar a floresta, onde há parentes em isolamento voluntário, com as ameaças à liderança Francisco Saldanha e Antonio José, respectivamente da TI São Paulino e TI Valparaíso.

     

    Nossas terras e culturas estão sendo destruídas e com isso todo o nosso conhecimento milenar. Somos parte da natureza e ela faz parte de nós, mas a cada dia surgem novas ameaças que põe em risco a nossa integridade física e os nossos territórios. Exemplifica isto as PECs 215 e 237, além do Projeto de Lei de Mineração, que se aprovadas, vão retalhar o nosso território de ponta a ponta.

     

    Por isso exigimos a imediata demarcação das terras indígenas do Acre, Sul do Amazonas e noroeste de Rondônia, queremos também resaltar a grande importância do fortalecimento da FUNAI  com as implantações das CTl, para que possamos agilizar os estudos das demarcações e revisões de limites das TI,  para nos esta fundação continua sendo muito importante portanto pedimos ao governo Dilma que trate com respeito e atenção o trabalho que vem sendo feito pela FUNAI e dando mais condições e ampliando os servidores para dar conta desta demanda o qual nos povos indígenas lutamos e esperamos a muitos anos pelas demarcações de nossos território.

     

    Queremos deixar bem claro que nunca fomos inimigos do governo somos contra e desaprovamos a forma que somos tratados sem o mínimo de respeito, vendo a cada dia  mais os nossos direitos sendo violado, estamos a cada vez mais sendo ignorando e massacrados, essa bancada de ruralistas, nos tratando como se fôssemos de outra espécie, animais e não humanos, portanto pedimos as partes mundiais que faça uma interferência ao governo brasileiro o qual acusamos de omissão aos direitos de nossos povos, pedimos ainda que a organização das nações unidas por parte da secretaria de direitos humanos cobre esclarecimentos imediato e coloque o governo sobre alerta por maltratar o seu povo.

     

    Por fim queremos dizer que a floresta é a nossa vida e o mundo precisa dela pra viver a força da humanidade esta nas raízes das grandes arvores a essência da vida esta nas nascentes das águas, a cura da humanidade esta nas pequenas ervas de poderes que nos conhecemos e podemos ajudar o mundo a se curar, queremos viver em paz ver nossos filhos nascer e crescer vivendo dignamente para isso necessitamos ter nossos territórios devolvidos através das demarcações e protegidos pelas seguranças deste pais e queremos transmitir o nosso conhecimento ao mundo para que passamos ter paz nesta terra.  

     

    POVOS E ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO ESTADO DO ACRE, NOROESTE DE RONDONIA e SUL DO AMAZONAS.  

     

    ORGANIZAÇÕES:

    01- ORGANIZAÇÃO DOS POVOS INDIGENAS DO RIO JURUÁ- OPIRJ

    02- ORGANIZAÇÃO DOS POVOS INDIGENAS DE TARAUACA-OPITA

    03- ORGANIZAÇÃO DOS POVOS INDIGENAS DO RIO ENVIRA-OPIRE

    04- CORDENAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDIGENAS DA AMAZONIA BRASILEIRA-COIAB

    05- ORGANIZAÇÕA DOS PROFESORIS INDIGENAS DO ACRE-OPIAC

    06-ASSOCIAÇÃO DO MOVIMENTO DOS ARGENTES AGROFLORESTAIS INDIGENAS DO ACRE-AMAIAC

    07-ASSOCIAÇÃO SOCIO CULTURAL E AMBIENTAL KUNTAMANÃ-ASCAK

    08-ASSOCIAÇÃO SOCIO CULTURAL YAWANAWAASCY

    09-FEDERAÇÃO DO POVO HUNI KUI DO ACRE-FEPHAC

    10-ORGANIZAÇÃO DO POVO INDIGENA APURINÃ E JAMAMADI DE BOCA DO ACRE AMAZONAS-OPIAJABAM

     

    POVOS INDÍGENAS:

    01- YAWANAWA

    02- KUNTANAWA

    03- HUNI KUI

    04- NUKINI

    05- JAMINAWA

    06- APOLIMA ARARA

    07- PUYANAWA

    08- AYSHANINKA

    09- NAWA

    10- APURINÃ

    11- JAMAMADI

    12- MANCHINERI

    13- SHAWÃDAWA

    14- KAXARARI

    15- SHANENAWA

    16- MADJÁ

    17- JAMINAWA ARARA

    18- KATUKINA

     

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