• 08/06/2013

    Povo Munduruku questiona ministro Gilberto Carvalho na Justiça; indígenas seguem no Planalto Central

    Lideranças Munduruku protocolaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) interpelação criminal contra o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República (SGPR), Gilberto Carvalho. Em nota publicada no dia 6 de maio deste ano, na primeira da série de duas ocupações ao canteiro de Belo Monte, a SGPR chama de “autodenominadas” e “pretensas” as lideranças do povo, questionando a honestidade dos indígenas e os acusando de estarem envolvidos com o garimpo ilegal.

    “Na verdade, alguns Munduruku não querem nenhum empreendimento em sua região porque estão envolvidos com o garimpo ilegal de ouro no Tapajós e afluentes. Um dos principais porta-vozes dos invasores em Belo Monte é proprietário de seis balsas de garimpo ilegal”, diz trecho da nota. Leia a íntegra aqui.

    Sob tal pretexto, o governo despachou para a aldeia Teles Pires a Operação Eldorado, em novembro do ano passado, que terminou com o assassinato de Adenilson Munduruku pelas mãos dos policiais federais. No entanto, nenhum indígena foi preso ou indiciado por garimpagem.

    Os indígenas acusam o ministro de “declarações caluniosas, difamatórias e injuriosas feitas contra o povo Munduruku”. Na interpelação, os indígenas pedem ao Judiciário que o ministro Carvalho aponte o nome da liderança acusada pela SGPR de manter balsas de garimpo ilegal, bem como apresente provas e ocorrência policial atestando o suposto crime.

    A interpelação é “medida preparatória de Ação Penal” contra Carvalho. Durante reunião entre os indígenas que ocuparam por 17 dias, em duas ocasiões, o canteiro de obras da UHE Belo Monte, e o ministro Carvalho, nesta terça-feira, 4, Jairo Saw, assessor do cacique geral Munduruku, lembrou dos ataques do governo feito pela nota. “O ministro fingiu que ela não existiu, tratou como algo sem importância”, disse Saw.

    À Justiça, os Munduruku pedem também que o ministro indique os assessores que participaram da elaboração da carta e se a presidente Dilma Rousseff estava ciente de sua publicação. “Será esse o diálogo que o governo quer? Isso nos revoltou muito. O governo toma atitude racista e quer dizer quem é liderança ou não. Por que o ministro não vai perguntar na aldeia quem é liderança?”, questionou Valdenir Munduruku.

    Carvalho deverá ser notificado da ação para prestar explicações. Conforme o site Xingu Vivo Para Sempre, até esta sexta-feira, 7, isso ainda não tinha ocorrido.

    Seguem no Planalto Central

    Os pouco mais de 140 indígenas seguem no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO). Conforme as lideranças, uma nova reunião foi marcada com Gilberto Carvalho para segunda-feira, 10, às 10 horas no Anexo I do Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). Por enquanto, a intenção do grupo de povos dos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires é de apenas ir embora após o encontro – governo e indígenas negociam o transporte de volta para o Pará. Agenda com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, é outra intenção dos indígenas, mas até agora não obtiveram resposta. 
     

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  • 07/06/2013

    Nota MST: Solidariedade aos indígenas em luta no Mato Grosso do Sul

    O MST manifesta solidariedade aos indígenas que lutam no Mato Grosso do Sul em defesa dos seus territórios e contra a apropriação das terras pelo agronegócio. 

    O Estado brasileiro, com a decisão de expulsar os indígenas da fazenda Buriti e a ação da Polícia Federal para fazer a reintegração de posse no município de Sidrolândia, age para defender o direito dos fazendeiros, em vez de cumprir o que está previsto na Constituição. 

    O governo federal prioriza o atendimento dos interesses do agronegócio, que ameaça a vida dos camponeses, indígenas, quilombolas e povos tradicionais. A omissão diante da morte dos indígenas em luta revela a falta de sensibilidade das autoridades. 

    O agronegócio, enquanto modelo dominante de organização da agricultura e do meio rural no Brasil, é sustentado na aliança dos fazendeiros capitalistas com empresas transnacionais, que avançam para controlar as nossas terras e a produção agropecuária. 

    As políticas implementadas para fortalecer as empresas do agronegócio aprofundam os problemas históricos do nosso país, como a concentração de terra, a desigualdade social, a violência contra os povos que vivem do cultivo da terra e a subordinação econômica aos interesses do capital internacional. 

    Por isso, a consolidação desse modelo não representa desenvolvimento, mas a dilapidação das bases econômicas do Brasil para a organização da agricultura dentro de um modelo que atenda as necessidades do povo brasileiro no campo e nas cidades. 

    Para alcançar seus objetivos e realizar seus interesses econômicos, os latifundiários capitalizados pela grande burguesia financeira e internacional atuam para impedir os cumprimentos das leis que determinam a reforma agrária, a demarcação de territórios indígenas e a titulação de áreas quilombolas.

    Com sua força no Congresso Nacional, paralelamente o agronegócio faz uma movimentação para mudar essas leis, “legalizando” o descumprimento da Constituição. Com isso, fazem uma campanha ideológica para desmoralizar os órgãos responsáveis pelo cumprimento dessas leis

    Um dos exemplos mais representativos dessa estratégia foi a discussão em torno do Código Florestal. Os ruralistas, que descumpriam a lei que determinava a manutenção de reserva legal e das áreas de preservação permanente, fizeram antecipadamente um movimento para descredibilizar a legislação ambiental (que não corresponderia às necessidades econômicas do país) e a atuação do Ibama (que seria politizado). Logo depois, passaram a fazer pressão pela modificação da lei e pelo perdão às dívidas aplicadas pelo desmatamento.

    O agronegócio repete a mesma fórmula para transformar em letra morta o artigo 231 da Constituição brasileira: “As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”.

    Os indígenas, assim como os sem-terra, os quilombolas e as florestas, representam um obstáculo para a expansão e consolidação de um modelo de produção agrícola, que concentra a terra para produzir monoculturas valorizadas no mercado para exportação, coloca nosso território e agricultura sob controle do capital internacional, expulsa a população do meio rural, destrói o meio ambiente e envenena as lavouras, lençóis freáticos e rios com a utilização excessiva de agrotóxicos.

    Os movimentos de luta pela reforma agrária, a resistência dos indígenas e quilombolas e camponeses e os setores preocupados com a preservação do meio ambiente fazem campanhas e lutas em defesa dos interesses da sociedade brasileira. No entanto, não temos força suficiente para enfrentar a ofensiva do capital na agricultura. 

    Apenas com a organização e mobilização do conjunto da sociedade, especialmente da classe trabalhadora, será possível derrotar os responsáveis pelas mortes dos que lutam no campo, pela desnacionalização das nossas terras e pela submissão da nossa economia aos interesses do capital financeiro internacional.

    Vamos intensificar as nossas mobilizações e realizar atividades por todo o país, em solidariedade aos povos indígenas em luta e, dessa forma, pavimentar na prática a unidade das forças progressistas em torno de um novo modelo de organização da agricultura e por mudanças estruturais no Brasil. 

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  • 07/06/2013

    Informe nº1069: Ministros propõem a lideranças Terena fórum para discutir demarcação de terras no MS

    Por Renato Santana,

    de Brasília (DF)

    Os ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e da Secretaria Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho propuseram a cerca de 50 lideranças Terena, durante encontro em Brasília, nesta quinta-feira, 6, a criação de um fórum para “discussão e pactuação em torno das questões de demarcações de terras indígenas”. A delegação retornou para o Mato Grosso do Sul ainda na noite de ontem.

     

    “Estão insistindo com a opinião de mudar o esquema de demarcação. Mostramos para os ministros que não é preciso isso, apenas que publiquem as portarias declaratórias. O Cardozo nos disse que se fizer isso será pressionado”, disse Lindomar Terena. Para a liderança, o governo “mata os povos indígenas na ponta da caneta”. 

     

    De acordo com a proposta feita por Cardozo e Carvalho, oficializada em nota, o fórum será instalado em 15 dias, ocasião em que representantes do governo irão para o Mato Grosso do Sul iniciar os trabalhos. Farão parte do grupo o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Conselho Nacional de Justiça, governos federal e estadual, fazendeiros e indígenas. 

     

    O fórum está longe de ser a resolução que esperavam as lideranças para os direitos dos Terena pela terra. Outras iniciativas naufragaram antes mesmo de mostrar quaisquer resultados, lembram. Há uma semana, representante do CNJ mediou a discussão entre fazendeiros e indígenas na capital Campo Grande. 

     

    Na ocasião, sábado, 1, ficou determinada trégua de 15 dias: indígenas não fariam retomadas de fazendas incidentes em terras tradicionais e os supostos proprietários não entrariam com pedidos de reintegração de posse em áreas ocupadas pelos Terena. No domingo à noite, reintegração de posse foi expedida para a Fazenda Buriti, local em que Oziel Gabriel Terena foi morto pela polícia no dia 30 de maio. 

     

    “Então assim acabou esse fórum e agora o governo propõe outro. se existem os estudos que comprovam que as terras são Terena, o que mais discutir além da retirada dos invasores?”, questionou cacique Antonio Aparecido Terena, da comunidade Córrego do Meio, Terra Indígena Buriti. A liderança explicou que das 33 fazendas instaladas dentro da terra, apenas oito estão em posse dos fazendeiros.

     

    Sobre a morte de Oziel, Cardozo afirmou que o Ministério da Justiça realizará uma “apuração rigorosa e imparcial da morte do indígena”. Cacique Antonio Terena, que mora na mesma aldeia em que vivia Oziel, espera justiça, mas afirmou que se ela não vier “os Terena vão buscar reconquistando as terras do povo”.   

     

     

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  • 06/06/2013

    CRB Regional Campo Grande – Carta de Solidariedade aos Povos Indígenas – MS

    CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL

    REGIONAL CAMPO GRANDE

    Rua Dom Aquino, 1326 – Edifício Arnaldo Serra, 203

    79.002-180 – Campo Grande/MS

    Fone/fax: (67) 3321.2115 – E-mail: [email protected]

     

    A Conferência dos Religiosos do Brasil, Regional MS, vem manifestar sua inquietação diante das injustiças sofridas pelos Povos Indígenas de nosso Estado. Sentimo-nos indignados diante da inércia do Governo Estadual e Federal.  É incompreensível o fato de que uma instancia governamental tenha produzido um laudo antropológico favorável aos Índios Terenas reconhecendo o direito a posse da terra; (que legitimou a ocupação) e ao mesmo tempo outra instancia governamental (poder de posse de forma violenta e trágica levando a morte o líder Terena Oziel Gabriel. judiciário) negando o laudo tenha mandado um “verdadeiro batalhão” de militares para área em litígio para fazer “tal” reintegração.

     

    A truculência do Estado policialesco é assustador; isso além de esquecer sua vocação maior que é dar garantia de vida ao cidadão nos obriga a conviver com um policiamento com alto índice de agressividade e total despreparado para atuar em situações mais delicadas.

     

    Nós Religiosos e Religiosas presentes em todo Estado do MS, viemos a publico manifestar a nossa indignação diante de tais fatos e ao mesmo tempo nossa solidariedade com a causa de todos os pobres. Muitas das nossas comunidades Religiosas atuam junto a varias etnias Indígenas presentes no Estado. Por isso a morte de mais uma liderança Indígena, provoca em nós o grito pela vida baseada nas palavras de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo10, 10).

     

    O povo indígena toma consciência de si mesmo e opta pela vida isso se evidência pela existência de um grande numero de crianças, adolescentes e jovens em suas famílias; daí ser a terra um elemento vital pra sua sobrevivência étnica.

     

    A coragem e fé do Povo Indígena convoca a todos os homens e mulheres de boa vontade a unir-se em prol da construção de uma sociedade justa e fraterna que seja digna para todos os seus cidadãos. Todos nos somos convocados a fazer nossa esta luta de unidade para que a justiça prevaleça e a vida possa seguir seu rumo segundo os desígnios de Deus.

     

    Presidência da CRB REGIONAL de Campo Grande 04 de junho 2013 – MS.

     

    Ir. Vanda T. Bisato

    Pe. Agenor Martins da Silva CSSR.

     

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  • 06/06/2013

    Polícia impede indígenas de entregar carta à Dilma

    Ruy Sposati,

    de Brasília (DF)



    Cerca de 150 indígenas tentaram entrar no Palácio do Planalto, sede do governo federal em Brasília, para entregar uma carta à presidente da República Dilma Rousseff, mas foram impedidos pela polícia. Ao menos 50 homens da polícia legislativa, Polícia Federal e Polícia Militar forçaram o grupo com violência para fora da casa de governo. Os indígenas, que permaneceram por três horas na entrada do Palácio, protestam contra a violação de direitos promovida por grandes empreendimentos hidrelétricos na Amazônia.



    Indígenas Munduruku, Xipaya, Arara e Kayapó que ocuparam por 17 dias o principal canteiro de obras de Belo Monte chegaram à Brasília na última terça-feira, quando se reuniram com diversos representantes do governo federal. “Nós ficamos muito insatisfeitos. Não gostamos nada”, afirma o guerreiro Adalto Munduruku, referindo-se à afirmação do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, de que serão construídas todas as hidrelétricas planejadas pelo governo nas terras indígenas dos rios Teles Pires, Tapajós e Xingu.



    “Nós queremos agora saber se o governo vai garantir ou não o nosso poder de veto na consulta. Isso é o que importa pra gente”, garante o indígena. O grupo demanda a paralização das obras das barragens de Belo Monte e Teles Pires e a suspensão dos estudos das hidrelétricas do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, até que, em todos os casos, seja realizada consulta prévia com direito a veto. O governo se recusou a recebê-los. O representante da Secretaria Geral, Tiago Garcia, estava no local, mas também não dialogou com os indígenas.



    Ainda pela manhã, o grupo se encontrou com um grupo de 50 indígenas Terena, também com agenda em Brasília com o ministro Gilberto Carvalho na tarde desta quinta. À tarde, os indígenas protocolaram a carta recusada pelo Planalto no gabinete da presidência do Senado e da Câmara, reafirmando a posição contrário dos indígenas à construção de hidrelétricas nos três rios.



    Demarcação

    Indígenas Xipaya que participam dos protestos em Brasília protocolaram hoje na Fundação Nacional do Índio (Funai) um documento denunciando o “esquecimento” da Terra Indígena Xipaya do Jericoá no escopo das condicionantes da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Eles cobram do orgão indigenista a criação de um grupo de trabalho que realize o trabalho de demarcação da área, localizada na Volta Grande do Xingu, principal trecho do rio afetado pela barragem.

     

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  • 06/06/2013

    CONTAG se solidariza à Comunidade Indígena Terena

    A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) repudia a violência do Estado e do agronegócio contra a comunidade indígena Terena ocorrida na fazenda Buriti, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

    Foi com profundo pesar que a CONTAG recebeu a notícia da morte do índio Terena, Oziel Gabriel, e de dezenas de índios feridos durante a trágica demonstração de força do Estado brasileiro sobre famílias desarmadas e indefesas, ocorrida na quinta-feira (30/05), por ocasião da tentativa de despejo na fazenda Buriti.

    A postura adotada pelo Judiciário local contribuiu ainda mais para que a violência imperasse. Todos os boletins oficiais notificam que a recomendação de reintegração de posse orientou a força policial, tanto da Polícia Militar do estado como da Polícia Federal, para que se cumprisse imediatamente o mandato de reintegração de posse, esgotando qualquer possibilidade de diálogo e de busca de uma alternativa pacífica.

    Destaca-se que está cada vez mais comum o abuso por parte de representantes do Poder Judiciário contra os movimentos sociais. Esta postura contraria o papel que deveria ter a Justiça, de prestigiar o diálogo e o entendimento entre as pessoas, as instituições e entre os poderes.

    Vem ocorrendo por todo o país o emprego da força policial a pedido do Judiciário e, quase sempre, para defender os propósitos do agronegócio, seja qual for a natureza do conflito agrário. Um exemplo é o que vem ocorrendo em Rondônia com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Vilhena/Chupinguaia, Udo Wahlbrink, que vive sob a permanente ameaça de morte e foi sentenciado à prisão por estar em defesa dos interesses de sua base e da luta pela reforma agrária.

    A CONTAG se solidariza com a comunidade Terena e com a família de Oziel Gabriel, brutalmente assassinado pelo Estado brasileiro.

    A CONTAG defende a regularização e desintrusão de todas as terras indígenas.

    A CONTAG, como a maior representação sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil, defende o diálogo na busca de soluções para os conflitos, repudia toda e qualquer violência e se coloca em defesa da vida.

    A CONTAG defende um país soberano e que seja capaz de implementar um desenvolvimento rural sustentável e solidário, por meio de uma ampla e massiva reforma agrária, pela valorização e fortalecimento da agricultura familiar, pela valorização dos saberes e culturas tradicionais dos povos do campo, das florestas e das águas.

     

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  • 06/06/2013

    Plataforma Dhesca pede ao governo providências urgentes para conter violações de direitos dos indígenas

    A Relatoria do Direito Humano à Terra, Território e Alimentação encaminhou ao governo federal e ao poder Legislativo um pedido de providências urgentes quanto às ameaças aos direitos indígenas.

    No dia 30 de maio uma ação de reintegração de posse na Fazenda Buriti, no Mato Grosso do Sul, resultou na morte do Terena Oziel Gabriel. Nesta terça-feira (04), outro indígena Terena, Josiel Gabriel Alves, foi baleado e corre o risco de ficar tetraplégico. Os fatos apontam para um acirramento dos conflitos envolvendo os povos indígenas, especialmente naquela região.

    No documento encaminhado, a Relatoria da Plataforma Dhesca recomenda ao poder público que seja agilizado o processo de demarcação dos territórios indígenas, que o governo ouça as comunidades indígenas e que a liminar de reintegração de posse da Fazenda Buriti seja suspensa.

    Leia aqui o documento.

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  • 06/06/2013

    Indígenas demandam ao governo caráter vinculante de consulta

    Os indígenas que ocuparam o canteiro da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e que participaram, na última terça, 4, de uma reunião com ministros do governo para reiterar a demanda de paralisação dos estudos e das obras de usinas na Amazônia até que sejam consultados, conforme reza a Constituição, protocolaram nesta quarta, 5, uma resposta oficial ao governo.

    Tendo decidido permanecer em Brasília em função do descontentamento com a posição do ministro Gilberto Carvalho (SGPR), que afirmou que não discutirá Belo Monte e apenas ofereceu negociar os termos de uma consulta aos indígenas ameaçados pelas obras no Tapajós, eles elaboraram, em assembleia, um documento. Leia abaixo:

    Resposta ao governo brasileiro – Ministro Gilberto Carvalho

    Senhor Ministro, em reunião realizada no dia 4 de junho de 2013 no auditório da Secretaria Geral da Presidência da Republica com Vossa presença e de 141 indígenas das etnias Munduruku, Xikrin, Arara e Xipaya, onde estavam presentes os representantes políticos da organização dos indígenas Munduruku, sendo os seguintes: Cacique Geral do povo Munduruku, assessor do Cacique Geral, presidente e vice-presidente da Associação Pussuru, chefe dos guerreiros, pajés, lideranças, mulheres e crianças, guerreiros e outros caciques. Estavam presentes representantes dos Ministérios da Saúde, Educação, representante da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a presidente da Funai, a vice-presidente da 6a câmara do MPF, o deputado Padre Tom e os advogados dos indígenas.

    Em resposta à sua proposta de realizar uma reunião na aldeia Sai Cinza no prazo de 20 dias para discutir a proposta do governo sobre a consulta prévia da Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, comunicamos nossa decisão coletiva.

    Nosso entendimento é de que somos senhores dos nossos destinos e queremos respeito ao que está escrito na Constituição Federal de 1988, que garante aos indígenas a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, o direito originário sobre nossas terras e o direito de não sermos removidos de nossos territórios, e demais legislações que nos protegem.

    Diante disso solicitamos: Uma manifestação oficial do governo brasileiro declarando se será ou não respeitada a nossa decisão final, de forma vinculante e autônoma, sobre o processo de consulta proposto.

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  • 06/06/2013

    Governo: retocando a imagem

    Correria no Planalto. A série de declarações desencontradas e infelizes, numa clara articulação dos interesses do agronegócio, elevou a temperatura e deixou aranhões fortes na imagem do país e do governo. Tudo isso agravado pela ação truculenta da Polícia Federal contra os Terena em Buriti, município de Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. Essa ação culminou com o assassinato de Oziel Gabriel, guerreiro Terena, e mais de uma dezena de indígenas feridos. Fato semelhante ocorrera com ataque aos Munduruku, em novembro do ano passado. “A questão indígena é uma questão de Estado” e como tal devemos tratá-la, declarou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Depois de reunião com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Advocacia Geral da União (AGU), declarou “A nossa idéia é estarmos juntos, o poder Judiciário, o Ministério Público, o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça, para que possamos debater o problema” (As duas declarações foram publicadas no jornal Correio Braziliense, neste 4 de junho). Depois, Cardozo se mandou para o Mato Grosso do Sul para dialogar com os ruralistas e as lideranças indígenas com o objetivo de evitar novas violências.

    Em dois estados houve manifestações no começo desta semana: ocupação da sede do Partido dos Trabalhadores (PT), em Curitiba, e fechamento de estradas no Rio Grande do Sul.

    O motivo das manifestações são as recentes declarações da presidente da República, Dilma Rousseff, e da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, propondo mudanças no procedimento de demarcação das terras indígenas e a suspensão dos processos de demarcação em alguns estados, velha pauta dos ruralistas. Gleisi foi correndo à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para uma conversa com o Secretário Geral da entidade religiosa, Dom Leonardo Steiner, para pedir que ele “acalme” o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

    Conforme as manifestações da presidente Dilma "A idéia é baixar um decreto ampliando o colegiado responsável por bater o martelo sobre as demarcações, incluindo nesse fórum, por exemplo, a Embrapa, o Incra e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. No diagnóstico do governo, a Funai não tem preparo técnico para decidir sozinha sobre as demarcações nem para administrar conflitos e conduzir negociações com fazendeiros”, (jornal O Estado de S.Paulo, 4 de junho)

    Seria ressuscitar o famigerado "grupão", criado na década de 1980, com a participação de órgãos de segurança e das forças armadas que, na prática, significou a quase total paralisação das demarcações de terras indígenas.

    Munduruku em Brasília

    O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recebeu 140 indígenas que vieram do canteiro de obras da usina de Belo Monte para amplificar seu “não” às hidrelétricas. Leram e entregaram uma carta ao ministro, onde deixam claro que nada os demoverá de sua postura contrária às hidrelétricas na Amazônia. Dão as razões de sua postura e, apesar da prepotência da atuação do governo, se dispõem a ensinar como poderiam agir sem a estúpida agressão ao meio ambiente e à vida.

    Os indígenas ficaram insatisfeitos com a postura do governo que, no máximo, se dispõe a consultar as comunidades, mas afirmou que não deixará de construir as hidrelétricas. Se não possuem poder de veto, então, é brincadeira de mau gosto.

    O governo tinha pressa em devolver os índios às suas aldeias, porém eles decidiram ficar em Brasília. A delegação indígena permanece no Centro do Formação Vicente Canhas até definirem os próximos passos da luta que os trouxe a Brasília.

    Comissão Especial Guarani

    Nesta semana, nos dias 3 e 4, também esteve reunida a Comissão Especial Guarani criada no âmbito da Secretaria de Direitos Humanos, em 2012. Participam representantes de diversos órgãos do governo que têm ações junto aos povos indígenas, representantes Guarani e de organismos da sociedade civil. Com o objetivo de elaborar propostas de atuação do governo que possibilitem a garantia dos direitos do povo Guarani, especialmente com relação a seus territórios, o encontro aconteceu sob o forte impacto das violências e morte de Oziel Terena, no Mato Grosso do Sul. Diante desse fato, a Comissão Especial Guarani aprovou o encaminhamento de um pedido ao Ministro da Justiça para que a Polícia Federal não use armas letais em eventuais atuações envolvendo povos indígenas.

    Com isso, o grupo manifestou sua estupefação e indignação diante da ação violenta contra os indígenas e o desrespeito à Constituição em relação à demarcação e garantia dos direitos territoriais desses povos e a falta de diálogo no encaminhamento de ações que dizem respeito aos direitos indígenas.

     

     

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  • 05/06/2013

    Grupo invade Posto Mata, Cacique Xavante pede providências a Justiça

    Alto Boa Vista – Desde domingo, dia 02/05, um grupo formado por cerca de 20 pessoas invadiu o antigo vilarejo de “Posto da Mata”,a 1100 km de Cuiabá (MT), O local faz parte da terra indígena Marãiwatsédé, que em janeiro de 2013, depois de 47 anos, foi devolvida aos índios Xavantes.No entanto, informações divulgadas pela mídia dizem que o número de invasores chega a 400 famílias. As fotos que estão sendo divulgadas são de uma reunião que aconteceu em novembro de 2012, um mês antes do começo da desintrusão.Dois motoristasque preferiram não se identificar, passarampela área, um no domingo e outro na segunda-feira, e os dois afirmam que o número é bem inferior ao divulgado. “Tinha meia dúzia a uma dúzia de pessoase o clima não estava tenso”, afirmou um dos motoristas.

    O local está a 20km da aldeia e a comunidade de Marãiwatsédé, que soma 900 pessoas, dentre os quais 300 são crianças, temem pela segurança dentro da terra e fora também. Alguns indígenas que moram em Bom Jesus do Araguaia estão chegando a aldeia, temendo pela segurança. Damião Paridzané, cacique de Marãiwatsédé, enviou uma carta ao governo federal, Cimi e Ministério Público Federal comunicando a invasão e pedindo providências. E a polícia federal, queestá dentro da área, informou que está aguardando o Ministério Público Federal expedir um novo mandato de reintegração de posse para que seja feita a retirada dos invasores.

    Leia a carta-

    O motivo da invasão seria o não cumprimento das obrigações assumidas pelo INCRA que até agora não reassentou as famílias que seriam beneficiadas com um lote da reforma agrária. Segundo  o órgão até agora foram cadastradas 270 famílias que foram consideradas aptas para receber outra terra.  Os invasores reclamam que o número é maior. No entanto, oINCRA afirmou que a maioria das famílias retiradas não se enquadra no perfil exigido na triagem e por isso ficaram de fora do plano.

    E esse grupo que retornou ao Posto da Mata é formado justamente poresses ex- moradores do vilarejo, que vem recebendo apoio dos  latifundiários. É importante relembrar que em 2012Marãiwatsédé foi considerada a TI mais desmatada da Amazônia Legal. Os 165.241 he da TI estavam invadidos por um grupo de 22 grandes proprietários, que incluía políticos locais como Filemon Limoeiro, ex-prefeito de São Félix do Araguaia, Irmã Irene, atual  vice-prefeita de Alto Boa Vista, Manoel Ornellas, desembargador de MT, Gilberto Resende, procurado da polícia federal e Renato Teodoro, acusado de  venda ilegal de carne bovina.

     

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