• 21/06/2013

    Relatório Figueiredo explicita que o passado de massacre aos indígenas se repete hoje

    Patrícia Bonilha,

    Brasília

    Muitas referências estão sendo feitas entre atos ocorridos na época da ditadura e os dias de hoje, principalmente em relação aos povos indígenas e outras comunidades tradicionais. Considerados – ontem e hoje – obstáculos para o desenvolvimento, eles são desrespeitados e têm seus modos de vida severamente impactados para que mega projetos, principalmente de infraestrutura, sejam implementados. Em Audiência Pública realizada na Câmara dos Deputados ontem (20), Cleber Buzatto, Secretário Executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afirmou que a mesma ânsia desenvolvimentista da época da ditadura que cometeu verdadeiros massacres contra os indígenas repete-se agora, manifestados tanto em atos de ataques e violência física como em violações e retrocesso nos direitos conquistados na Constituição de 1988.

    O objetivo da audiência foi discutir as impactantes informações do recém encontrado Relatório Figueiredo que, em mais de 7 mil páginas, investigou massacres e torturas de povos indígenas no interior do Brasil que tiveram participação direta do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Concluído em 1967, em plena ditadura militar, o Relatório já é considerado um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século.

    “Há um sentimento análogo. O pano de fundo é o mesmo entendimento de que é preciso fazer o que for necessário porque o país precisa se desenvolver. E este conceito de desenvolvimento justifica todos os massacres registrados no Relatório Figueiredo, assim como todos os severos impactos das mais de 150 hidrelétricas previstas para serem construídas na Amazônia nos próximos 20 anos, por exemplo. Apesar da forte oposição dos povos indígenas, o governo afirma que construirá os projetos de qualquer jeito”, compara Buzatto.

    Nesse sentido, ele focou sua fala em um evento histórico. Em 1960, o Massacre do Paralelo 11, incluído no Relatório Figueiredo, teve como autores os setores privados e públicos – os mesmos que atuam hoje. Segundo o relato de um dos pistoleiros, Atayde Pereira dos Santos, os cerca de 3.500 Cinta Larga morreram vítimas de envenenamento por arsênico e ataques em que os pistoleiros, a mando de empresários e fazendeiros e com a cobertura de funcionários da SPI, entravam nas aldeias metralhando os indígenas. Este Massacre, realizado no Mato Grosso, incluiu seguidos episódios de assalto, além de estupro, grilagem, suborno e tortura, dentre outras crueldades.

    Trazendo para o contexto atual, o outro episódio lembrado foi o ocorrido em novembro do ano passado, quando a Força Nacional e a Polícia Federal deixaram um rastro de destruição na aldeia Teles Pires, no sul do Pará. Houve ataque aéreo com bombas, ampla utilização de metralhadoras em um tiroteio que durou cerca de 30 minutos, destruição das casas, dos barcos de pesca, de dragas, balsas, computadores, celulares e câmaras fotográficas, roubo de dinheiro e ouro, várias pessoas baleadas, machucadas, queimadas e, mais grave, o assassinato de Adenilson Munduruku. A morte de Oziel Gabriel Terena, no dia 30 de maio, pela polícia em processo de retomada de terra tradicional, também foi relatada por Buzatto como exemplo das atrocidades cometidas recentemente, tanto pelo Estado como pelos fazendeiros na região de Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul.

    O Relatório de Violências Contra os Povos Indígenas, com os dados de 2012, traz fatos e informações que explicitam que povos indígenas hoje, no Brasil, vivem situações totalmente inaceitáveis, alguns em extrema miséria. O relatório, publicado pelo Cimi, será lançado no dia 27 deste mês.

    CPI dos crimes contra os indígenas

    “É preciso expor para a sociedade as violências e os massacres sofridos pelos indígenas. Eles são uma constância na história deste país. E o Relatório Figueiredo registra todos os conflitos que há décadas arrasam estes povos. Inclui, por exemplo, a lista de nomes dos políticos, parentes de políticos, juízes, militares e servidores do Serviço de Proteção ao Índio que tomaram terras de vários povos no Mato Grosso do Sul”, afirmou Marcelo Zelic, coordenador do Projeto Armazém Memória e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP.

    Segundo Zelic, é justamente deste período em que as terras indígenas foram roubadas que são os títulos de posse de terra no Mato Grosso do Sul. “Fala-se muito de esbulho. Esbulho quer dizer roubo. O roubo das terras indígenas no Mato Grosso do Sul se deu neste período”, declara ele.

    Na sua avaliação, é preciso que o Estado brasileiro mude de conduta para com os povos indígenas, que passe a respeitá-los. Em uma fala emocionada, Zelic criticou o fato do Ministério da Justiça não estar se opondo ao desmonte da Fundação Nacional do Índio (Funai) e mostrou indignação com a intenção do governo de incluir órgãos como o Ministério da Agricultura para resolver uma questão constitucional, que é a demarcação de terras indígenas.

    “Não é possível que o governo venha colocar, de novo, setores contraditórios para resolver uma questão constitucional. O Ministério da Agricultura era o órgão responsável pelo SPI. Ele foi, portanto, o responsável pelo massacre dos povos indígenas deste país e não pode vir agora opinar sobre a demarcação de terras indígenas. É uma vergonha nosso governo jogar e rifar os direitos humanos e constitucionais desse modo”, afirmou Zelic.

    A deputada Janete Capiberibe (PSB-AM) sugeriu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes descritos no Relatório Figueiredo. “Trata-se do extermínio de milhares de índios – crianças, mulheres, jovens, velhos, homens – para que seus assassinos se apropriassem dos seus bens para si ou para terceiros”, afirmou ela. Nessa direção, Zelic sugeriu que seja criado um fundo de reparação para os povos indígenas para indenizar o roubo da renda indígena, que o Relatório seja disponibilizado na internet e que os povos indígenas constituam Comissões da Verdade em suas aldeias.

    Preconceito histórico e institucionalizado

    Cerca de trinta Kayapó tentaram participar da Audiência Pública. No entanto, a segurança da Câmara, justificando medo de manifestações mais radicais, autorizou um rodízio em que apenas 10 indígenas poderiam entrar e que, portanto, eles teriam que se revezar para participar da Audiência.  Indígenas de outras etnias e deputados presentes, os participantes da mesa e os que assistiam as falas chegaram a pedir a suspensão do evento, alegando que a necessidade de mudar esta postura preconceituosa em relação aos povos indígenas era justamente um dos temas em debate. Por fim, os deputados Sarney Filho (PV-AM), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Domingos Dutra (PT-MA), em negociação com a presidência da Casa, conseguiram autorização para que o grupo todo participasse do debate.

    Esta audiência foi proposta pelo Grupo de Trabalho Questão Terras Indígenas, formado após a ocupação do plenário da Câmara por 700 indígenas, no dia de16 abril, em uma manifestação contra o retrocesso de direitos indígenas, principalmente a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215.

     

    Read More
  • 21/06/2013

    I Encontro dos Povos Indígenas na Fronteira vai debater a Convenção 169 da OIT

    O Conselho Indígena de Roraima (CIR) promove nos próximos dias 25 a 27 de junho o I Encontro dos Povos Indígenas na Fronteira com o tema “Um olhar sobre a Convenção 169 da OIT”. O evento será realizado em um dos locais históricos dos povos indígenas de Roraima, no Lago Caracaranã, atualmente Centro Regional localizado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, município de Normandia.

     

    O objetivo do evento é discutir, identificar e mapear os problemas das comunidades indígenas localizadas na fronteira de Roraima, Guiana e Venezuela, abordando os aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais dos povos indígenas. As lideranças buscam soluções para as suas preocupações de acordo com o tema central do evento.

     

    O Coordenador do CIR, Mário Nicácio reforça a idéia de que povos indígenas não têm fronteiras, pois vivem em tríplice fronteira, Brasil, Guiana e Venezuela, e com a realização do evento a organização só fortalece a atribuição de defender os direitos dos povos indígenas, tanto no âmbito nacional quanto internacional, buscando sempre respeitar e valorizar a diversidade cultural dos povos.    

     

    Joenia Wapichana, coordenadora do Departamento Jurídico do CIR que organiza o evento, destaca que o I Encontro dos Povos Indígenas na Fronteira é por considerar uma série de recomendações das comunidades e suas lideranças indígenas para debater acerca de problemas que envolvem Brasil-Guiana-Venezuela, e conhecer os mecanismos internacionais de direitos, tal como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT. 

     

    Para o evento foi mobilizada a participação de lideranças indígenas das regiões fronteiriças de Roraima, da Guiana e Venezuela, organizações indígenas e autoridades dos consulados dos países vizinhos. Haverá também a presença de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

     

    Foram convidadas as instituições locais como o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Púbico Estadual (MPE), Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Prefeituras dos Municípios de Bonfim, Pacaraima, Uiramutã e Normandia e demais entidades. A expectativa é reunir mais de 100 participantes.

     

    De acordo com a programação, no primeiro dia (25) será exposto o tema sobre “Direitos Indígenas Contemporâneos”, diretos no âmbito internacional, brasileiro, guianense e venezuelano. Após a exposição haverá debate, análise de conjuntura da situação dos povos indígenas em suas respectivas localidades, resultados dos grupos de trabalho (GTs) que serão formados para discutir a temática. No segundo dia (26), haverá mesa redonda com o tema “O Sistema Internacional de Defesa dos Direitos Humanos”.

     

    No mesmo dia (26), a plenária vai conhecer e discutir o tema central do evento “Um olhar segundo a Convenção 169 da OIT”, com a participação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do convidado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Assessoria Internacional da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), além de outros convidados. À tarde, haverá discussão do tema “Questões problemáticas em fronteiras e os povos indígenas”.

     

    Para o último dia do evento (27) está programada a análise de conjuntura das demandas apresentadas e discutidas durante os dias anteriores, subsídios que serão necessários para apontar os desafios e as perspectivas, além de firmar acordos entre os participantes. O mapeamento e acordos serão focos principais do evento.

     

    O I Encontro dos Povos Indígenas na Fronteira tem o apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA/PNUD), e da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).

     

    Essa será a primeira vez que povos indígenas de áreas fronteiriças vão dialogar e analisar questões na visão da Convenção 169 da OIT, povos que vivem e convivem com realidades diferentes, culturas e valores tradicionais.

     

    O momento não marca somente o encontro dos povos, o diálogo diferenciado entre o Estado e os indígenas, que buscam em comum acordo ações e propostas para a solução das problemáticas, mas também o fortalecimento, a união e luta, em defesa de direitos, garantias de vida sem ameaças ou riscos sociais, culturais, ambientais e econômicos as comunidades indígenas localizadas nas áreas de fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela.

     

    Em Roraima as terras indígenas localizadas nas áreas de fronteira são: Terra Indígena Jacamim, Terra Indígena Manoá-Pium, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Terra Indígena São Marcos, Terra Indígena Wai-Wai e Terra Indígena Yanomami. 

     

    Read More
  • 20/06/2013

    Por que Dilma não recebe os índios?

    Marco Paulo F. Schettino

    Mestre em Antropologia UnB

    Analista em antropologia

    do Ministério Público Federal

     

    A presidenta Dilma se recusa sistematicamente a receber os índios. Nem mesmo a trágica morte do índio terena Oziel Gabriel, durante uma desastrada reintegração de posse em Mato Grosso do Sul, demoveu a presidenta de sua intransigente recusa.

     

    Essa trágica morte é o indicador mais cristalino – pois não se trata de caso isolado – da ausência de uma política de governo para solucionar os conflitos que envolvem índios e fazendeiros. A frustração da expectativa indígena, diante do terceiro governo consecutivo do PT, sinaliza para dois cenários: o retrocesso em direitos fundamentais dos povos indígenas e o agravamento das violações dos seus direitos humanos.

     

    A resposta a tais conflitos, no atual governo, tem tido duas vertentes. Uma é atender ao clamor pela suspensão e flexibilização dos direitos constitucionais dos povos indígenas, concretizado em moratórias como as recém anunciadas para o Paraná e o Rio Grande do Sul. Tal proposta é acolhida com uma naturalidade assustadora, como se estivéssemos vivendo a “normalidade” de um Estado de exceção. A outra é reativa: a cada tragédia com repercussão midiática, espasmos de proatividade são ensaiados, comissões constituídas e promessas anunciadas, para durarem o tempo da repercussão e se diluírem no mesmo descaso e omissão anterior, geradores do fato repercutido.

     

    A recusa da presidenta, para além de expressar o pragmatismo que tudo reduz à governabilidade, e aos “fins”, que pretensamente justificam os meios, demonstra que seu governo não reconhece os índios como portadores de direitos e sujeitos qualificados para uma interlocução com a autoridade máxima da República. O mesmo não se observa com os setores que se opõem aos seus direitos.

     

    O direito à consulta, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Brasil, não tem sido respeitado. Aos índios cabe, silenciados, aceitarem os desígnios do planejamento estatal ancorado nas matrizes colonial, integracionista e autoritária. A primeira pretende moldar a nação a uma grande feitoria exportadora de produtos primários, eliminando todos os “obstáculos” à exploração dos recursos naturais; a segunda não reconhece a diversidade sociocultural que os índios representam, busca integrá-los ao padrão do cidadão  urbano; a última não consulta as minorias socioculturais, lhes impõe o planejamento como fato consumado e faz da consulta prévia mero protocolo oitivo.

     

    A atualização da ideologia colonial, que reduzia a diversidade cultural a selvagens e civilizados, hoje se traduz em pobres e ricos. Os índios são, aos olhos do governo, pobres. Precisam ser emancipados da pobreza pelas políticas de “inclusão social” e “integrados” ao mercado. Não podem, desde sua “ignorância inculta”, se oporem ao benefícios do desenvolvimento ou dialogar com o paradigma de desenvolvimento vigente, no que lhes diz respeito, propondo-lhe alternativas ou ajustes.

     

    Certamente os índios não irão propor à presidenta que os congelem no século XVI, como pretendem aqueles que desqualificam seus direitos como mera tentativa de volta a um passado idealizado e indesejável, mas que lhes garanta seus direitos e a liberdade de escolha, onde aderir ao mundo “branco” não é uma imposição, mas uma opção tanto quanto participar da vida nacional sem terem que, necessariamente, abrir mão de seus direitos e identidades culturais.

     

    Read More
  • 19/06/2013

    Nossa floresta é nossa vida. O Povo Ka’apor não aceita mais mentira do governo e invasão do território por madeireiros

    Nós, povo Ka’apor da Terra Indígena Alto Turiaçu, reunimos nos dias 01 a 04/06/2013 na aldeia Xiépihurenda e 09 a 12/06/2013 na Aldeia Turizinho para discutir os problemas que afetam nosso povo, desde a educação até a gestão de nosso território. Demos uma atenção maior para a invasão de nosso território e pensar no futuro de nossa floresta e de nossos filhos. Aproveitamos para olhar os anos que o Estado, através da FUNAI e outros órgãos não deram a devida atenção para nosso povo e território, deixando que permitissem que fosse invadido.

     

    Assim como nós, outros povos no Maranhão e no Brasil estão sofrendo ataques, invasão e até assassinatos. Isso prova o descaso do governo do Maranhão e do governo federal com a defesa de nossos direitos, de nossa vida. Nossos parentes Gavião, da Terra Indígena Governador, estão sofrendo como a gente. Não vamos ficar parados e nem aceitamos que esses fazendeiros e madeireiros queiram governar para seus parentes e grupos políticos. Estamos unidos com os parentes Gavião, por isso somos solidários. A luta deles é nossa luta.

     

    Não vamos aceitar mais ataques e ameaças. Por isso, decidimos cuidar e proteger nosso território e não esperar mais pela Funai, pelo governo. Eles sempre pedem para esperar. Enquanto isso os invasores destroem nossos bens naturais, enganam nosso povo, dão bebidas para nossos parentes, levam nossas caças, tiram alimento de nossos filhos. Só nós sabemos de nossos problemas porque sentimos e sofremos. Só nós sabemos os caminhos que temos que seguir. Não aceitamos mais que o governo decida e faça por nós. Nós mesmos vamos vigiar, proteger e trabalhar a gestão de nosso território.

     

    Também reunidos no Instituto La Salle (dos Irmãos Lassalistas) nos dias 17 a 19/09/2013 para conversar sobre nossa educação, avaliar a falta de respeito da SEDUC com nossa escolarização. Nesse momento, continuamos discutindo a elaboração de nosso Projeto Pedagógico e Curricular e organização de nossa educação nas aldeias. Não queremos mais vestir “roupa velha, dos brancos”. Queremos vestir a nossa própria roupa, uma educação com o nosso rosto, com a cultura e identidade Ka’apor e não Kamará (brancos).

     

    Vamos continuar lutando por nossos direitos juntamente com milhões de parentes pelo Brasil afora. Não aceitamos que nossos bens naturais sejam roubados, nossa floresta destruída, nossa cultura ameaçada, nossa dignidade seja ferida.

     

    Todo apoio e solidariedade aos parentes Gavião, do Maranhão e todos os parentes que estão sofrendo ameaças e assassinatos no Brasil.

     

    Presidente Médici, MA, 19 de junho de 2013.

     

    Lideranças, caciques, mulheres, crianças, professores Ka’apor, Comissão de Educação Ka’apor.

     

    Read More
  • 17/06/2013

    Paraná: MPF/Guaíra verifica as péssimas condições de vida de indígenas na região de Guaíra e Terra Roxa

     

    Depois de visita técnica, procuradores instauraram 45 procedimentos administrativos e um procedimento investigatório criminal, além de requisitar a instauração de dez inquéritos policiais

     

    Prestes a completar um ano de atuação na cidade de Guaíra-PR, o Ministério Público Federal tem atuado de forma incisiva na defesa da população indígena da região noroeste do Estado do Paraná. Com este enfoque, os procuradores da República Lucas Bertinato Maron e Henrique Gentil Oliveira realizaram visitas técnicas aos quase 1.800 indígenas que residem em 13 aldeias nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, entre os dias 4 e 7 de junho.

     

    Como resultado dos elementos coletados nestas visitas técnicas, o MPF instaurou 45 procedimentos administrativos, promoveu a instauração de um procedimento investigatório criminal e requisitou a instauração de dez inquéritos policiais a fim de garantir à minoria indígena a possibilidade de respeito ao princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

     

     

    Desrespeito – Durante as visitas foi possível averiguar diversas situações de desrespeito às mínimas condições de vida dos integrantes da comunidade indígena (etnia guarani). Em muitas aldeias, a única fonte de água disponível para beber vem de mananciais impróprios para o consumo humano, muitas vezes contaminados por agrotóxicos e fertilizantes. Foi possível verificar que, dentre as 13 aldeias visitadas, apenas em três há fornecimento de água potável aos moradores.

     

     

    Além disso, a falta de acesso à educação na língua materna foi apontada como outro grande desafio a ser superado. Apenas em uma das aldeias foi construída uma escola modular, com condições mínimas de aprendizagem em sua língua materna. Fora isso, a educação regular junto à rede pública permite o convívio entre índios e não-índios, o que poderia possibilitar interações interculturais harmônicas. No entanto, em razão do clima hostil instalado na região, a convivência tem ocasionado episódios de racismo e intolerância, com relatos de agressões psicológicas por parte de alguns colegas de turma não-indígenas, que os acusam de querer “tomar” a cidade. De resto, há relatos de que alguns professores impediram o acesso de índios à merenda como forma de castigo.

     

    Ainda neste sentido, atitudes racistas têm sido praticadas por alguns dos munícipes. Nas redes sociais, sites e jornais é possível verificar que há bolsões de repúdio à presença dos índios na cidade. Nas visitas técnicas foi relatado ao MPF que empresas de médio porte teriam demitido todos os empregados de etnia guarani de uma só vez, como forma de represália aos indígenas por estarem postulando a demarcação de terras.

     

     

    A falta de emprego e de alimento das comunidades indígenas, bem como as péssimas condições de moradia e vida, tem provocado, inclusive, a adoção de atitudes extremas por alguns dos índios. Nos últimos seis meses, dois indígenas cometeram suicídio, o que mostra que todo o clima de animosidade existente na região tem trazido resultados desastrosos para o povo guarani, que, por sua condição de hipossuficiência, é a mais vulnerável vítima do contexto conflituoso.

     

    Veja aqui os relatórios das visitas técnicas:

    Aldeia Indígena Tekohá Araguaju

    Aldeia Indígena Tekohá Guarani

    Aldeia Indígena Tekohá Jevy

    Aldeia Indígena Tekohá Karumbey

    Aldeia Indígena Tekohá Marangatu

    Aldeia Indígena Tekohá Mirim

    Aldeia Indígena Tekohá Nhemboete

    Aldeia Indígena Tekohá Pohã Renda

    Aldeia Indígena Tekohá Porã

    Aldeia Indígena Tekohá Porú

    Aldeia Indígena Tekohá Tajy Poty

    Aldeia Indígena Tekohá Taturi

    Aldeia Indígena Tekohá Yhvy

     

    Read More
  • 17/06/2013

    Moção de repúdio à violência contra os povos indígenas do Fórum Nacional de Educação do Campo

    O Fórum Nacional de Educação do Campo – FONEC, reunido em Brasília nos dias 13 e 14 de junho de 2013 vem manifestar solidariedade as lutas indígenas que acontecem em todo o país como na aldeia Buriti em Sidrolândia/MS, em Altamira no estado do Pará, dentre tantas outras que ocorrem em todo o território nacional como forma de resistência à concentração de terras, à destruição do meio ambiente, à violência e morte no campo.

    Repudiamos a aliança poderosa que tem se constituído entre o Governo Federal, Estaduais e Municipais, o Poder Judiciário, a mídia, as empresas transnacionais, fazendeiros e grandes produtores rurais fortalecendo os interesses do agronegócio na produção de commodities para a exportação, desrespeitando a Constituição Federal e ameaçando a vida, expulsando e expropriando de suas terras indígenas, camponeses, quilombolas, ribeirinhos e povos da floresta.

    Perplexos e indignados com essa situação afirmamos o nosso compromisso de apoiar a luta de todos os povos indígenas e seus movimentos sociais, pela vida e pela terra como direito sagrado e universal de todos os seres humanos.

    Brasília, 14 de junho de 2013

    AECOFABA -AEFACOT – AEFAPI – ASSESSOAR – Comitês Estaduais de Educação do Campo – CONTAG – CPT – FEIPA – FETRAF – FRENTE PARLAMENTAR DE EDUCAÇÃO DO CAMPO- Fóruns Estaduais e Regionais de Educação do Campo – IFC – IFMA – IFMT – IFPA – IFRN – MAB – MLT – MMTRP – MOC – MST – RESAB – SINTEP – UEFS -UESPI- UFERSA – UFPA – UFPB – UFPE – UFPEL – UFPI – UFRB-UFRN – UFRRJ – UFSC – UFT – UNB – UNEB – UNEFAB – UNICENTRO – URRB

    Read More
  • 16/06/2013

    Mato Grosso do Sul: assassinatos, prisões e impunidade

    "Isso já passou de todos os limites", exclama Otoniel Kaiowá Guarani, ao ser informado do assassinato de mais um parente.

     

    A polícia se apressa em ir ao local para esclarecer (ou não) mais essa morte de indígena no Mato Grosso do Sul. E para evitar animosidade, já vai adiantando que provavelmente a morte não tenha nada a ver com o conflito de terras indígenas na região. Enquanto Celso Figueiredo vai sendo velado, com prantos indignados, em Dourados cinco Kaiowá Guarani são presos, inclusive a professora Efigenia, grávida. As lideranças são da terra indígena Panambi – Lagoa Rica, aldeia Ytaí, município de Douradina.

     

    Nada disso é novidade no Estado mais anti-indígena do país. Enquanto, o Guarani Celso, assassinado por pistoleiros, está sendo velado, na terra indígena Paraguasu, no município de Paranhos, fronteira com o Paraguai, uma delegação Kaiowá Guarani e Terena, se encontram com vários ministros e parlamentares, para repetir mais uma vez o que foi denunciado milhares de vezes nas últimas décadas: demarquem nossas terras, parem de nos matar, punam os assassinos confessos e reconhecidos.

     

    Porém, os Estado brasileiro e do Mato Grosso do Sul, fazem a leitura ao avesso: matam e prendem os índios. Isso tem seu preço. O Brasil e o mundo não aguentam mais esse genocídio. Os povos indígenas não podem continuar sendo sacrificados no altar do progresso.

     

    Enquanto isso, roncam os tratores e as vozes estridentes de Katia Abreu e outros lideres do agronegócio em todo o país. Talvez estejam temerosos de que o Relatório Figueiredo e as CPIs de 1953 e 1963 façam vir à luz as maracutaias que se faziam, apossando-se as elites do então estado do Mato Grosso, das terras indígenas. Não é por nada que não se realiza um levantamento sério e aprofundado das cadeias dominiais e da estrutura fundiária.

     

    Rodas de diálogo

     

    Enquanto nos gabinetes e corredores vai sendo costurado um novo modelo de identificação e regularização das terras indígenas, com mais interlocutores na mesa, vão sendo constituídos rodadas de negociação e esclarecimentos entre vários ministérios e lideranças indígenas Kaiowá Guarani e Terena. Também a Comissão Especial formada pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ, voltou a se reunir, para ajudar a encontrar saídas para a grave situação das terras indígenas no MS, que tem ocasionado um gravíssimo cenário de assassinatos, feridos, prisões e ameaças.

     

    Conforme Lindomar Terena, apesar de não ter nenhuma ilusão de que seja fácil ou rápida a solução do reconhecimento e demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, acredita que é importante manter os espaços de diálogo e a visita das autoridades à região para ver e sentir no local as dramáticas realidades das comunidades e povos indígenas desta região. Para o mês que vem várias visitas de comissões e ministérios estão previstas. Quem sabe em alguma coisa se avance.

     

    Conforme relato dos membros da Aty Guasu, de 1988 a 2012 mais de mil suicídios aconteceram entre os Kaiowá e Guarani, o que evidencia o grau de desespero e descrença na solução dos problemas, principalmente da terra. “Nos últimos dez anos, mais de 300 indígenas do nosso povo foram assassinados. Relatamos que no Mato Grosso do Sul, existem propagação permanente de racismo, discriminação e ódio contra os indígenas tanto pela mídia local quanto pela manifestação pública dos fazendeiros anti-indígenas e autoridades locais. O genocídio dos povos indígenas do MS em curso foi e é alimentado pelos fazendeiros anti-indígenas. Centenas de lideranças foram assassinadas por pistoleiros das fazendas. Os assassinos das lideranças indígenas não são punidos no MS, a impunidade alimenta as violências contras os indígenas do MS. Destacamos na reunião que nós indígenas do Mato Grosso do Sul sofremos violências tanto pelos pistoleiros dos fazendeiros quanto pela decisão da Justiça Federal, que nenhuma decisão da justiça não considera os nossos direitos, todas as decisões foram favoráveis aos fazendeiros, ignorando os nossos direitos" (Comissão das lideranças da assembleia geral Aty Guasu Guarani-Kaiowá e Terena. Brasília-DF, 12 de junho de 2013).

     

    Mais uma semana de muita conversa, reuniões e manifestações dos povos indígenas em Brasília. Foram acionadas as válvulas de escape da panela de pressão. Os povos indígenas do Xingu, Tapajós e Teles Pires retornaram a suas aldeias, depois de mais de uma semana aguentando o frio do planalto central. Deram o recado. Voltaram de cabeça erguida, certos de que a luta apenas começou.

     

    Os Kaiowá Guarani e Terena tiveram mais uma rodada das eternas conversações, nesse jogo de faz de conta.

    Read More
  • 15/06/2013

    Povo Tenetehara/Guajajara: Não vamos deixar que tirem o nosso chão, nosso lugar sagrado, o nosso bem viver

    Nós, professores, alunos, pais e cantores do Povo Tenetehara/Guajajara, das terras indígenas Pindaré e Caru, reunidos I Encontro Regional de Educação Escolar Indígena, no Sitio dos Padres, em Santa Inês MA, refletindo sobre a situação da educação nas nossas aldeias, estudamos as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Indígena, sobre os Territórios Etno-educacionais e a conjuntura indigenista, constatamos que persiste a violação aos nossos direitos, seja na educação, na saúde e principalmente sobre os nossos territórios.

     

    Vimos a público repudiar a manifestação de fazendeiros, políticos e moradores do município de Amarante do Maranhão contra o processo de demarcação da terra indígena Governador, do povo Gavião. O processo de nova demarcação da Terra Gavião é legitimo. Além de ser garantido por lei, é um reconhecimento, pelo Estado, de que parte importante do território desse povo ficou fora do primeiro processo de demarcação, que atendeu a outros interesses que não os dos indígenas.

     

    Queremos manifestar nosso apoio e solidariedade ao Povo Gavião diante desse momento delicado e dizer que estamos com eles nessa luta. Entendemos que esse protesto na região não é somente contra a demarcação da Terra Indígena Governador, mas quer atingir a nós e outros povos indígenas, que se soma nessa onda sistemática de desmonte dos nossos direitos constitucionais.

     

    Reafirmamos que continuaremos na luta pela defesa dos nossos territórios e pela defesa da vida. Não vamos deixar que tirem o nosso chão, nosso lugar sagrado, o nosso bem viver.

     

    Santa Inês – MA, 14 de junho de 2013.

     

    Professores, pais, alunos e cantores das aldeias Januária, Piçarra Preta, Tabocal, Novo Planeta e Areão – Terra Indígena Pindaré.

    Professores, pais e alunos da aldeia Maçaranduba – Terra Indígena Caru

     

    Read More
  • 14/06/2013

    Nota de apoio e solidariedade do MAB ao CIMI

    O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) manifesta solidariedade à luta e causa indígena, ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e suas lideranças, em especial neste momento em que vem sendo acusado de insuflar a luta justa e legítima dos povos indígenas pela demarcação de suas terras e defesa de seus territórios.

    Sabemos que os ataques partem de deputados ligados à bancada ruralista, de setores conservadores do governo federal e de latifundiários do agronegócio com o único objetivo de difamar a seriedade desta entidade, desestimular e intimidar a luta indígena.

    Os grupos que atacam o CIMI e a luta e resistência dos indígenas são os mesmos que se apropriam de nossos territórios através de empresas do setor elétrico, mineradoras e grandes corporações ligadas ao agronegócio. São estes os que buscam retirar direitos indígenas incorporados na Constituição de 1988 e conquistados através de muitas lutas, pela atuação de organizações populares como o CIMI e tantas outras.

    Portanto, denunciamos a prepotente apropriação de terras e bens naturais fundamentada unicamente na demanda do capital, reforçamos nossa solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário e repudiamos veementemente a criminalização e o assassinato de lutadores e lutadoras do povo, como o que ocorreu nos últimos dias em Mato Grosso do Sul.  

    Reafirmamos que o Estado brasileiro tem um dívida histórica com as populações indígenas, e neste momento de conflitos, pelo interesse do capital, os indígenas não podem ser novamente as vítimas.

     

    Coordenação Nacional

    Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

    São Paulo, 14 de junho de 2013

     

    Read More
  • 14/06/2013

    Nota de protesto contra o racismo praticado contra Quilombolas e Indígenas no sul do país

    O Rio Grande do Sul amanheceu (no dia 13 de junho) com as informações de que 23 jovens foram presos durante as manifestações em defesa do Transporte Público em Porto Alegre e de que “pequenos agricultores” bloqueariam rodovias no sul do país para protestar contra demarcações de terras quilombolas e indígenas. Os bloqueios efetivamente ocorreram no Litoral Norte, BR-101, município de Maquine, na região Norte do estado, BR-285, município de Getúlio Vargas e em outras quatro rodovias federais e estaduais.

     

    As manifestações desencadeadas em sete capitais por transporte público eficiente e de qualidade foram apresentadas como ações de vandalismo pela grande mídia. No entanto, as cenas de truculência e vandalismos demonstram de forma explícita que a Polícia Militar as praticou para defender e garantir a sanha de lucros dos empresários dos transportes públicos. Centenas de pessoas que protestavam foram agredidas e presas. O transporte público, em todo o país, é caro e de baixa qualidade, em função disso os protestos se avolumam pelo Brasil.

     

    As manifestações dos agricultores, patrocinadas pelos setores do agronegócio, têm como objetivo pressionar as autoridades para que estas não demarquem terras quilombolas e indígenas, desrespeitando com isso, preceitos constitucionais. Seus protestos têm as mesmas características dos demais setores da sociedade, no entanto contam com o aval e complacência dos poderes públicos.

     

    Lamentavelmente os meios de comunicação referem-se, quanto aos protestos que acontecem no país, de forma diferenciada. No caso das manifestações pela defesa do transporte público a mídia criminaliza as pessoas. No caso daqueles que bloquearam as estradas, incentivados e patrocinados pelos deputados ruralistas, causando enormes transtornos para a população, os meios de comunicação adotaram a posição de que os “pequenos agricultores” protestam porque não querem perder direitos, criminalizando, como consequência, os povos indígenas e quilombolas como se estes afrontassem "os direitos dos agricultores”.

     

    A manifestação dos “pequenos agricultores” é orquestrada pelo agronegócio através da Farsul, CNA e pela bancada parlamentar ruralista através dos deputados federais Alceu Moreira (PMDB/RS) e Luiz Carlos Heinze (PP/RS), ambos da base aliada do governo Dilma Rousseff, para se contrapor à demarcação das terras indígenas e quilombolas.

     

    Calúnias, infâmias e difamação são veiculadas aos quatro cantos contra quilombolas, indígenas, antropólogos, ativistas e advogados defensores dos direitos humanos. A legislação é flagrantemente desrespeitada por quem deveria cumpri-la e tudo isso aprofundando o clima de violência contra os povos tradicionais.

     

    Quilombolas e indígenas vivem nas beiras de estradas, fazendo parte, comprovadamente, do grupo social do país com menor IDH e ainda com seus territórios invadidos por grileiros, fazendeiros e agricultores, que não raras vezes, contratam jagunços para ameaçar, intimidar, agredir e até matar lideranças. E tudo isso com a inércia dos poderes constituídos.

     

    No caso da Comunidade Quilombola de Morro Alto, Associação Quilombola Rosa Osório Marques, com território delimitado em 4.660 hectares (território ancestral 10% da área real dos quais 23 ex-escravos herdaram) sofreu um processo de esbulho e violência continuada, sendo a União e o Estado, mesmo tendo conhecimento desses fatos, responsáveis pela implementação de projetos de colonização na área.

     

    Mesmo os “proprietários” sabedores de que na legislação Quilombola, especificamente, o Decreto 4887/2003, prevê a indenização para a terra por preço de mercado, além das benfeitorias, eles optam por se mobilizar, junto com os latifundiários e especuladores imobiliários, contra os direitos dos povos indígenas e quilombolas.

     

    Utilizam-se de aparatos dos poderes locais, prefeituras, sindicatos rurais para fazer uma verdadeira campanha de terrorismo dizendo que escolas serão fechadas e vidas perdidas se terras forem demarcadas. Ou seja, fazem terrorismo e intimidação e além disso ofertam vantagens e dinheiro para que famílias quilombolas abandonem seus direitos.

     

    No caso dos povos indígenas, o Estado promoveu sobre suas terras a colonização. Entregou títulos de propriedade aos agricultores. Cabe, portanto, ao estado promover o pagamento da indenização e o reassentamento das famílias afetadas por demarcações de terras. Não se pode jogar sobre os povos indígenas a responsabilidade pelos equívocos e práticas criminosas do Estado e seus colonizadores.

     

    Diante da opressão e da violência que estão sendo praticadas contra as comunidades indígenas e quilombolas no Rio Grande do Sul, assim como em outras regiões do Brasil, a constatação mais preocupante é a de que os problemas são bem mais profundos do que as questões fundiárias. Estão na raiz destes conflitos o preconceito e a intolerância contra quilombolas, indígenas e pobres. Nossa sociedade é racista, não aceita os diferentes e não reconhece seus direitos fundamentais a vida, a liberdade, a terra. Os governos seguem, em suas políticas públicas, as práticas que negam esses direitos.

     

    Porto Alegre, RS, 13 de junho de 2013.

     

    FRENTE NACIONAL EM DEFESA DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS

    CIMI SUL – CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – REGIONAL SUL – EQUIPE PORTO ALEGRE

     

    Read More
Page 595 of 1235