Em nova retomada, povo Terena ocupa terra tradicional identificada no início do século XX
Por Renato Santana,
de Brasília (DF)
Cerca de 300 indígenas do povo Terena retomaram, na manhã desta quarta-feira, 9, duas propriedades localizadas dentro da Terra Indígena Pillad Rebuá, município de Miranda, Mato Grosso do Sul. O território foi identificado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) com
“Estávamos em duas aldeias (Moreira e Passarinho) vivendo 2.800 índios em
Mesmo sem conflito nas ações de retomadas – numa das áreas só estavam funcionários e em outra não tinha ninguém – os Terena passaram o dia sendo intimidados. Pela manhã, 16 caminhonetes, de acordo com os indígenas, circularam pelas retomadas com homens armados nas caçambas. Em declarações para a imprensa, os ruralistas dizem que se as autoridades não resolverem a questão, eles mesmos vão resolvem – leia aqui.
“Acreditamos que à noite eles possam fazer algum ataque contra a gente. Solicitamos a presença das autoridades policiais. Tem fazendeiro que teve de sair das terras indígenas, em outras áreas, e que incentiva os demais a praticar violências”, explica Paulino Terena. A Funai esteve à tarde no local para tomar pé da situação e acompanhar a retirada do gado de uma das propriedades.
Paulino afirma que o gado retirado de uma das áreas retomadas foi levado para a Fazenda Jambeira, de propriedade do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Pedro Perossian. A propriedade fica dentro da Terra Indígena Pillad Rebuá, mas na margem oposta da BR-262. Jambeira e mais uma fazenda estão nos
Na semana passada, como parte da Mobilização Nacional Indígena, convocada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), os Terena realizaram retomada na região de Miranda – leia aqui. A fazenda, com
“As terras estavam abandonadas, por assim dizer. No máximo usadas por arrendatários para colocar gado. Enquanto isso nosso povo amontoado em pequenos espaços, vendo o território tradicional virar pasto. Isso não está certo”, enfatiza Lindomar Terena.
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Inácio Lopes, líder político e religioso Guarani Mbya foi encontrado morto na manhã de hoje, 08, boiando na Lagoa dos Patos, próximo a uma ilha onde habitam algumas famílias do povo Guarani Mbya, no município de Palmares do Sul.
Nas principais cidades do país ocorreram manifestações contra esta ofensiva do agronegócio. Nesta semana, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) organizou Mobilização Nacional em defesa dos direitos indígenas. A parte sadia do país disse um rotundo "não" ao pacote de dezenas de Projetos de Emenda Constitucional (PEC) ou Projetos de Lei Complementar (PLP) que tramitam no Congresso apresentados pela bancada ruralista e pela bancada da mineração.
Ela chama de "invasão" a resistência dos índios em não permitir que seus territórios sejam apropriados pelo agronegócio e anuncia: "Para reagir ao avanço dessas invasões, apresentei ao Senado projeto de lei que suspende processos demarcatórios de terras indígenas sobre propriedades invadidas pelos dois anos seguintes à sua desocupação".
“Nos respeitem. Respeitem nossos direitos. Não continuem rasgando a Constituição”. Uma semana de intensa mobilização dos povos indígenas que ocuparam Brasília há quase uma semana. O enterro "simbólico" com rituais verdadeiros de proeminentes inimigos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado, Gleisi Hoffmann e Luis Adams, e a ocupação da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), foram demonstrações inequívocas de uma luta sem tréguas na defesa de seus direitos.
Brasília se enfeitou de verde para acolher os povos indígenas, no espaço da Esplanada dos Ministérios, que já se transformou em patrimônio de luta dos povos originários desse país, na luta pelos seus direitos.