URGENTE – PYELITO KUE SOB RISCO DE ATAQUE IMINENTE
Mensagem urgente por Tonico Benites Ava Guarani Kaiowá, porta voz da Aty Guasu.
"O funcionário da FUNAI Sr. Paulo de CTL-FUNAI Iguatemi-MS comunicou que hoje (13/02) fazendeiros estão se organizando para atacar os indígenas manifestantes do acampamento Pyelito kue/Mbarakai-município de Iguatemi-MS. Além disso, os fazendeiros recomeçaram a ameaçar os funcionários da FUNAI de Iguatemi-MS, e estão várias camionetas das fazendas cercando e isolando a entrada do Pyelito kue não deixando a entrar os funcionários da FUNAI. Em qualquer momento podem atacar e massacrar a comunidade Guarani Kaiowa do Pyelito kue em manifestação. Diante disso, o Sr. Paulo falou me que vai fechar o escritório da FUNAI em Iguatemi por falta de segurança. Tres funcionários estão tentando ir ao acampamento Pyelito kue, mas os fazendeiros estão todos armados pela estrada. Há risco iminente de acontecer ataque à comunidade. Por isso precisamos com urgência a presença e intervenção da Polícia Federal e Força Nacional na região de Iguatemi-MS, sobretudo para proteger os funcionários da FUNAI e da comunidade do tekoha Pyelito kue".
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Paulo Suess. Foto: marista.edu.br
No Rio Grande do Sul, se intensificam os ataques às demarcações de terras para comunidades indígenas e quilombolas. Nos discursos disseminados nos meios de comunicação, especialmente por autoridades, os problemas causados pelas demarcações são explicados basicamente a partir de três argumentos: o primeiro afirma haver interesses de grupos estrangeiros nas terras indígenas e isso explicaria o empenho de ONGs e entidades indigenistas (de assessoria aos índios) na defesa das demarcações. O segundo afirma que se trata de muita terra para os "índios", porque estes "não trabalham" e/ou porque arrendam as terras que possuem. O terceiro argumento, e certamente o mais contundente, reitera que não se pode, a pretexto de demarcar terras para índios, cometer injustiças com os agricultores que “produzem” alimentos para a população.
E mais uma vez, por falta de vontade política para proceder às demarcações das terras indígenas e quilombolas, se apresenta como alternativa a remoção das comunidades para pequenas áreas adquiridas pelo estado. A pergunta que fica, diante destas propostas, é: por que o governo não oferece terras para o reassentamento dos agricultores? Aos povos que estão em luta pela demarcação às propostas apresentadas significam, no limite, a negociação do direito constitucional. Através do reassentamento em pequenas porções de terra e de assistência às necessidades básicas, as comunidades abririam mão de territórios tradicionais que hoje estão em processo de demarcação, “finalizando-se” assim os conflitos. Essa é uma solução que se supõe justa e pacífica, mas penaliza os povos originários, e mais uma vez se pratica uma violência contra estes.