MTST e indĂgenas se unem a protesto contra a Copa hoje, em BrasĂlia
Brasília – 27 de maio – Mais de 500 indígenas e cerca de 400 trabalhadores sem teto engrossam o coro dos participantes do Julgamento Popular das Violações e Crimes da Copa, cometidos pela Fifa, pelos governos Federal e do Distrito Federal e pelos patrocinadores e empreiteiros contra a população brasileira, que acontece hoje (27/05), às 16h, na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília (DF). A realização do Julgamento Popular é uma iniciativa do Comitê Popular da Copa DF, juntamente com dezenas de movimentos e organizações sociais, coletivos e ativistas de diversas áreas.
O objetivo do Julgamento Popular é explicitar os diversos crimes e violações cometidos contra a população para possibilitar a realização de uma Copa do Mundo que não traz benefícios para a população. Dentre eles estão: a remoção de 250 mil pessoas de suas casas para a construção de obras, a mudança da legislação para a efetivação de políticas de exceção, a criminalização dos movimentos sociais, a repressão ao trabalho informal, os gastos exorbitantes, o desinteresse e a falta de programas para impedir a exploração sexual de crianças e adolescentes, a subserviência do poder público aos interesses privados e à FIFA, a isenção fiscal total dos patrocinadores e da Fifa, dentre outros.
Nesse sentido, a proposta do ato é demandar uma inversão do atual projeto de sociedade, priorizando as obras e ações que beneficiem a maior parte da população. Dentre as demandas estão:
• moradia digna para todas as pessoas removidas;
• fim da violência estatal e da higienização das ruas do centro da cidade;
• revogação imediata das áreas exclusivas da Fifa previstas na Lei Geral da Copa;
• permissão ao trabalho ambulante;
• criação de campanhas de combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas;
• não instalação dos tribunais de exceção da Fifa;
• revogação da lei que concede isenção fiscal à Fifa e às suas parceiras comerciais;
• arquivamento imediato dos projetos de lei que tramitam no Congresso, e das normas infra-legais emitidas pelos governos, que tipificam o crime de terrorismo e avançam contra o direito à manifestação, criminalizando movimentos sociais e fortalecendo a violência contra a população pobre e a juventude do país;
• desmilitarização da polícia e fim da repressão aos movimentos sociais.
No Distrito Federal, em especial, os movimentos e organizações sociais também exigem o não fechamento do Lixão da Estrutural até a garantia de todas as condições necessárias para uma efetiva política de resíduos sólidos e o apoio social justo para os catadores. Outra demanda local importante é que haja transparência no inquérito da Polícia Civil sobre o desaparecimento do Antônio de Araújo, morador de Planaltina, que foi uma vítima fatal da criminalização e violência contra a população pobre. Hoje faz um ano que ele desapareceu após ser levado para a delegacia por seis policiais. Até hoje a família não teve acesso ao processo.
Todos pela mesma causa
Os indígenas vieram a Brasília para a Mobilização Nacional Indígena, organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que acontece até o dia 29, para manifestar total repúdio a qualquer retirada de seus direitos constitucionais, duramente conquistados, e a demarcação de todas as terras indígenas. Eles juntam-se ao ato do Julgamento Popular por considerarem que esta é uma causa de todos os brasileiros.
“Ao invés do governo obedecer a Constituição Federal e concluir as demarcações de todas as terras indígenas, prioriza e investe bilhões de reais em um evento que dura somente um mês e ainda prejudica o povo. Para quem o governo brasileiro trabalha, afinal?”, questiona Lindomar Terena, da coordenação da Apib.
Em relação aos indígenas, as demandas são:
• retomada imediata das demarcações de terras indígenas;
• revogação da Portaria 303/2012, da PEC 215/2000 e de todas as portarias ou decretos que restrinjam direitos indígenas;
• fim da criminalização de comunidades e lideranças indígenas e punição dos executores de violência contra estes povos;
• efetivação de políticas públicas específicas, efetivas e de qualidade, especialmente nas áreas da saúde e educação.
Considerando que o Distrito Federal tem um déficit habitacional de 330 mil moradias, segundo o programa oficial do GDF, o Morar Bem, e é berço da maior favela da América Latina, o Sol Nascente, em Ceilândia, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) condena o fato do GDF ter gasto R$ 1,9 bilhão, segundo o Tribunal de Contas da União, em um estádio de futebol enquanto tanta gente não tem nem onde morar, premissa básica para uma vida digna. “Nós não queremos Copa. Queremos casa. Esta é nossa prioridade”, afirma uma liderança do movimento que prefere não se identificar por conta da enorme criminalização que o movimento vem sofrendo.
Neste contexto, o MTST apresenta as seguintes demandas:
• audiência das contas da Terracap e do Estádio Mané Garrincha;
• fim dos leilões de venda de terra pública para as empreiteiras;
• aumento do orçamento para o programas de moradia no DF.
Serviço:
O quê: Julgamento Popular das Violações e Crimes da Copa, cometidos pela Fifa, pelos governos Federal e do Distrito Federal e pelos patrocinadores e empreiteiros contra a população brasileira
Quando: Hoje, 3a feira, dia 27/05, às 16h
Onde: Concentração na Rodoviária do Plano Piloto
Mais informações:
Patrícia Bonilha – 61 8138-7739/9979-7059
Thiago Ávila – 61 9932-5440
Mácia Teixeira – 61 8250-9188
Categories NotĂcias
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A comissão – composta pela direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por lideranças indígenas de cada uma das regiões do país – entregou ao Supremo um documento em que pedem que os ministros apurem as declarações racistas e homofóbicas desses parlamentares contra povos indígenas, quilombolas e movimento LGBTT. O documento solicita ainda a apuração dos crimes de incitação ao ódio e à violência contra as comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais. 
Em Defesa dos Direitos Territoriais dos Povos Indígenas, cerca de 500 indígenas estão reunidos no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO), para a Mobilização Nacional Indígena, que teve início nesta segunda-feira, 26, e segue até quinta-feira, 29. Propostas e projetos do Executivo (Portaria 303 e mesas de diálogo) e do Legislativo (como a PEC 215 e o PLP 227) serão alvo de protestos do movimento, que representa mais de 100 povos que vivem no país.

Nós, lideranças indígenas Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Ye’kuana, Yanomami do Brasil, lideranças indígenas Arauak, Wapichana, Akawaio da Guiana Inglesa, e lideranças indígenas Ye’kuana, Uwottuja, Yanomami, Yabarana e Baré da Venezuela, juntamente com nossas organizações indígenas Conselho Indígena de Roraima – CIR, Hutukara Associação Yanomami – HAY, Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos – APITSM, Conselho do Povo Ingarikó – COPING, Organização Regional dos Povos Indígenas do Amazonas – ORPIA, Horonami – Associação Yanomami da Venezuela, Organização de Mulheres de Aisharatoon, organizações aliadas como o Instituto Socioambiental – ISA e Conselho Indigenista Missionário – CIMI, e demais convidados, reunidos no Seminário sobre Mineração e Hidrelétricas em Terras Indígenas realizado nos dias 20 a 22 de maio de 2014 na Comunidade Indígena Tabalascada, região Serra da Lua, Roraima – Brasil, afirmamos que a Mineração e Hidrelétricas atingem a vida dos povos indígenas e que Mineração e Hidrelétricas andam juntas! Sem Hidrelétricas não tem Mineração.
Considerando que as regiões fronteiriças na Amazônia estão fortemente afetadas por garimpeiros e empresários de garimpo brasileiros que, muitas vezes operam ilegalmente, principalmente nas Regiões 7 e 9 na Guiana Inglesa;
