Boletim Mundo: Ka’apor fecham BR-316 pela expulsão de madeireiros das terras indígenas no Maranhão
De Brasília (DF)
Um grupo com cerca de 250 indígenas do povo Ka’apor bloqueia desde a manhã desta quinta-feira (3) a rodovia BR-316, no trecho que liga os municípios de Araguanã e Nova Olinda, no Maranhão. Para liberar a via, os indígenas exigem a presença de representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Secretaria de Estado de Educação do Maranhão (Seduc).
Os Ka’apor denunciam a
ausência de políticas públicas voltadas à educação e saúde para os povos indígenas no Estado. No entanto, a principal exigência do grupo é que a Funai providencie a retirada imediata dos madeireiros que estão dentro de suas terras, e que instale um Posto de Vigilância dentro da Terra Indígena Alto Turiaçu. “Nosso território está invadindo, explorado. Não dá mais pra vivermos assim”, diz Irakadju Ka’apor, liderança da comunidade.A instalação dos Postos
de Vigilância na Terra Indígena foi determinada pela Justiça Federal, que havia estipulado a conclusão das obras até junho, porém nada foi feito. “Somos ameaçados o tempo inteiro pelos madeireiros, corremos risco de vida. A Funai tem que colocar um posto de segurança aqui na reserva. Faz muito tempo que queremos e pedimos apoio, mas não temos”.Pedido de socorro
Os indígenas alertam o governo e solicitam auxílio desde o término da Operação Hiléia Pátria, que fechou várias madeireiras e apreendeu caminhões na região. Depois da saída das equipes do Exército, Ibama e Funai, os madeireiros organizaram-se para atacar a Terra Indígena Alto Turiaçu.
Ainda mais vulneráveis e desass
istidos que antes, os indígenas decidiram formar uma frente de proteção por conta própria. Retiveram invasores e apreenderam motosserras e maquinários usados na exploração ilegal de madeira das Terras Indígenas Awá Guajá e Alto Turiaçu. Dias depois, em represália, um grupo de 50 madeireiros armados invadiu a aldeia Gurupiuna. Na ocasião, os invasores amarraram e bateram em indígenas, saquearam plEm janeiro deste ano, um grupo de 10 Ka’apor foi atacado enquanto realizava abertura de trilhas nos limites do território Alto Turiaçu, para a autovigilância e proteção. Ti
ros atingiram as costas e pernas de dois jovens Ka’apor e a cabeça do cacique da aldeia.Ainda assim, os indígenas seguiram com o monitoramento territorial e ambiental. Irakadju Ka’apor conta que depois do aumento de ataques, a comunidade considera su
spender as ações de proteção do território. “Estamos passando perigo. Eles estão preparados, tem fazendeiros envolvidos na exploração da madeira. Estamos com medo de morrer, por isso já discutimos muito se devemos continuar com nosso projeto de monitoramento ambiental. Estamos sozinhos, fizemos nossa parte, arriscando nossa vida todos os dias para proteger nossa floresta. A Funai precisa nos ajudar a tirar os madeireiros de lá. Eles ameaçam, exploram, tiram madeira e caça, seguem a gente e invadem nossas aldeias”.Na última semana, os Ka’apor haviam alertado sobre as ameaças de invasão de seu território por madeireiros. Irakadju diz que há muito tempo denunciam a situação, mas nunca houve ação efetiva dos órgãos responsáveis. “Estivemos em Brasília muitas vezes, mas ninguém encaminha nada. Nós pensamos como povo Ka’apor, e a única coisa que queremos é continuar com o nosso modo de vida com tranquilidade”.
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icipais. Esses madeireiros possuem fazendas e são os mesmos que devastaram a terra indígena Awá, agora em fase de proteção depois da desintrusão”, diz um apoiador dos indígenas. Ele explica que equipes da Fundação Nacional do Índio (Funai) são intimidadas na região e não recebem apoio do governo federal para criar Postos de Apoio e Vigilância. Os que existem estão sem proteção policial e comumente são atacados, sobretudo na terra indígena dos awá. 
O município de Cocos, com cerca de 20 mil habitantes, se localiza a 684 km de Brasília e a 878 km de Salvador.
Em 2013, a comunidade indígena, com o apoio do Padre Albanir da Mata Souza, pároco da Paróquia de São Sebastião, da Diocese de Bom Jesus da Lapa, obteve um veículo, junto à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), para atendimento à saúde, o que despertou a ira dos fazendeiros, que passaram, então, a ameaçar o Padre Albanir e a liderança indígena Divalci. Esse veículo está, atualmente, impedido pelos fazendeiros de entrar ou sair da aldeia. Albanir está também impedido pelos pistoleiros de celebrar missa em diversas áreas rurais do município sob ameaça de tocaia e morte. As ameaças ao religioso ocorrem diariamente. O mesmo já registrou boletins de ocorrências, identificando autores de ameaças, junto à Polícia Civil e junto ao Ministério Público Federal de Barreiras.
No dia 19 de junho, a Coordenação Regional da Funai de Paulo Afonso se dirigiu até a aldeia de Porcos com vistas a averiguar a situação e buscar soluções para o conflito. No dia anterior surgiram boatos na região de que haveria um atentado contra a equipe da Funai e a ameaça se cumpriu. O fato ocorreu por volta de 18hs30min, quando os funcionários públicos retornavam da reunião ocorrida na Aldeia de Porcos. O veículo que conduzia a equipe federal foi alvejado por disparos de armas de fogo de grosso calibre.