Indígenas isolados: ameaças e risco de desaparecimento aumentam na América do Sul
Marcela Belchior,
Adital
Nos últimos dias, coincidentemente dias após o contato inicial de uma comunidade indígena na região da Amazônia brasileira com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), ameaçada pelo avanço da extração de madeira ilegal na região, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização de Estados Americanos (OEA) publicou um informe sobre a situação dos povos indígenas que não foram colonizados e não possuem relação permanente com as sociedades hegemônicas atuais. O documento "Povos indígenas em isolamento voluntário e contato inicial nas Américas” faz sérias recomendações para evitar que essa população desapareça ou se torne cada vez mais vulnerável.
Segundo a CIDH, atualmente, há uma demanda alta e crescente de recursos naturais que se encontram em territórios de povos originários, como madeira, hidrocarbonetos, combustíveis fósseis, minerais e recursos hídricos. Essa busca econômica provoca a incursão de pessoas não índias às suas terras, colocando em risco sua existência.
No continente americano, é sabido da presença de povos indígenas em situação de isolamento voluntário ou contato inicial na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela. Há indícios também de sua presença na Guiana e Suriname, na região fronteiriça com o território brasileiro. De acordo com a Comissão, os Estados sul-americanos têm reconhecido, de diferentes maneiras e níveis de proteção, mais de 9 milhões de hectares a favor dessas comunidades.
"Apesar dessas proteções jurídicas, na prática as proibições de acesso a essas áreas nem sempre são respeitadas, nem são realizadas ações para se fazê-las cumprir”, ressalta a CIDH. As consequências, aponta a Comissão, são violações ao direito à vida e integridade desses povos.
"As agressões físicas diretas, as incursões a seus territórios para extrair recursos naturais, as epidemias, a escassez de alimentos e a perda de sua cultura, todas pressupõem um contato”, explica a Comissão. "Se for eliminado o contato não desejado, também será eliminada a maioria das ameaças e garantido o respeito aos direitos desses povos”,acrescenta.
A CIDH aponta também que existem contatos deliberados, como o caso do ingresso de missões religiosas, que buscam evangelizá-los (por exemplo, a New Tribes Mission e a Summer Linguistic Institute, ambas dos Estados Unidos), e projetos científicos de diversos tipos. Os povos originários ainda são ameaçados por projetos de turismo, como o "turismo de aventura”, que tratam o contato com as comunidades indígenas como um "atrativo turístico”. Da mesma maneira, o narcotráfico figura, hoje, como ameaça crescente.
Além desses problemas, o organismo indica que atividades em áreas próximas às aldeias podem contaminar rios e outras fontes hídricas, enquanto atividades de exploração podem afugentar a fauna da zona, da qual dependem os indígenas para sua alimentação e sustento. Exemplos disso são empresas petrolíferas de agências estatais, que se sobrepõem a áreas protegidas frequentemente, assim como a mineração ilegal ou casos de agricultura e pecuária dentro de territórios indígenas. Outras fontes de danos são: a construção de estradas, projetos hidroelétricos e demais obras de infraestrutura.
Recomendações para proteção
Diante desse problema e risco, a CIDH recomenda que seja reconhecida a existência desses povos e seu direito à autodeterminação, incluindo o direito a decidir permanecerem isolados ou em contato inicial. Exige ainda a proteção de das terras, territórios e recursos naturais, condição essencial para sua existência, e a necessidade de que o Estado assegure o respeito e a garantia do princípio de não contato por parte de qualquer pessoa ou grupo.
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Segundo informações colhidas no próprio Ministério da Saúde, o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, esteve, no dia 1º de agosto, no gabinete do ministro, Arthur Chioro onde propôs a criação do INSI. A iniciativa acorre apenas quatro anos depois da criação da Sesai, fruto de uma grande mobilização do movimento indígena em todo o país, visando o reconhecimento da saúde indígena como uma política pública ligada diretamente ao gabinete do ministro da Saúde, em substituição à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que promovia a terceirização e a privatização da saúde indígena.


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A determinação de paralisar as demarcações está em sintonia com outros tantos aspectos nefastos da política indigenista executada ao longo dos 12 anos de governos petistas (oito anos de governo Lula e quatro de Dilma), destacamos alguns pontos destes governos: as violações aos direitos individuais e coletivos dos povos indígenas, a manutenção de comunidades às margens das estradas; a falta de compromisso com a vida e com a dignidade de tantas famílias que permanecem sem terra, sem alimentos, sem água potável, sem saneamento básico; a manutenção de uma situação indigna de confinamento de grandes contingentes populacionais em áreas exíguas, a continuidade de uma política de omissão que gera, em muitas comunidades indígenas, os mais altos índices de mortalidade infantil de desnutrição, de morbidade, de suicídio; às constantes ameaças de morte e agressões a indígenas que lutam por seus direitos assegurados na Constituição Federal.
quilombolas o esvaziamento do alcance dos seus direitos constitucionais. Mais grave ainda é o processo de negociação destes direitos, chegando ao cúmulo de o ministro da Justiça anunciar publicamente que os direitos dos indígenas precisam ser ajustados (ajustados, logicamente, aos interesses daqueles que efetivamente tem a máquina pública sob seus domínios). .jpg)