Páscoa nas águas do rio Juruena
É com pesar que a família cimiana comunica a perda de um de seus mais antigos membros, Pe. Balduíno Loebens, jesuíta que por mais de 40 anos se dedicou aos povos indígenas do noroeste de Mato Grosso, em especial ao Povo Rikbaktsa.
Presença querida entre os Rikbatsa, inculturou a presença da Igreja entre os povos indígenas atuando de forma exemplar na defesa e cuidado com a saúde a partir da medicina alternativa, valorizando os conhecimentos do próprio povo. A evangelização inculturada efetivada por Pe. Balduíno sempre buscou a valorização e afirmação dos valores da cultura indígena. Incentivou e atuou no fortalecimento dos pajés, tendo articulado e promovido com os Rikbaktsa diversos encontros buscando reafirmar e fortalecer as práticas tradicionais de medicina e cura. Com o conhecimento acumulado durante anos de pesquisa e atendimento aos indígenas desenvolveu métodos naturais a partir da fitoterapia e homeopatia, conhecimento que o levou a atender também a não indígenas na região.
No processo de demarcação das terras indígenas na região chegou a ser retirado de um ônibus no qual viajava e foi covardemente agredido, o que não o demoveu de sua convicção de defender os direitos dos indígenas.
Pe. Balduíno conhecia muito bem as águas do rio Juruena. Pilotando muitas vezes sozinho sua voadeira realizou inúmeras viagens para visitas aos indígenas Rikbaktsa ao longo deste rio. Conhecia cada curva, cada cachoeira e pedreira deste rio que agora o acolheu e realizou sua passagem para a vida eterna.
Com toda a família Cimi, com os padres Jesuítas, com os Rikbaktsa e todos os povos indígenas da região noroeste de Mato Grosso queremos agradecer a Deus pelo dom da vida de Pe. Balduíno.
Neste momento em que alguns querem enterrar a ‘saúde indígena’, que seu exemplo de dedicação e crença nos conhecimentos tradicionais dos povos ilumine nossa prática.
Secretariado Nacional do Cimi
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O governo prometeu grandes melhorias no serviço de saúde, mas não deixou claro como se dará a criação do instituto, que pretende privatizar a saúde indígena e tirá-la da atribuição do governo federal. Conselheiros não indígenas afirmaram que não podiam votar algo que não sabiam o que era. Até mesmo os conselheiros inclinados a concordar com a proposta, se queixaram de que algumas perguntas sobre o instituto ainda estavam sem respostas – mesmo com a apresentação do ministro da saúde, Arthur Chioro, que também se mostrou confuso sobre alguns pontos do projeto.
unilateral. Foi obrigado a mudar de estratégia, como muitas vezes ocorreu quando o Executivo propôs medidas anti-indígenas em outros ambientes dos direitos constitucionais destas populações. “Existem muitos questionamentos, nem todos os distritos aprovaram todo o processo. Em alguns, a discussão foi bem calorosa. Isso precisa de aprofundamento”, disse o padre Clóvis Andrade da CNBB. 
Uma carta denunciando a Política de Atenção à Saúde Indígena no Brasil foi protocolada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e lideranças indígenas à Funai, ao Ministério da Saúde, a Secretaria de Direitos Humanos, a Secretaria-Geral da Presidência da República, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a Procuradoria-Geral da República. Na carta, os indígenas pedem além de mais atenção na saúde, a exoneração do coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Heródoto Jean de Sales, devido a sua má gestão.
políticas aqui acabaram aprovando o documento”, comenta Manoel Marubo. A nova política de precarização da saúde indígena ocorre após a criação da Sesai, implantada pelo Ministério da Saúde em 2008, pauta de luta do movimento indígena. Os dados orçamentários do próprio governo mostram que a Política de Atenção à Saúde Indígena no Brasil é insuficiente e até criminosa. 
Durante passagem pelo Recife (PE), na última semana, a subprocuradora-Geral da República Deborah Duprat (na foto), coordenadora da 6a Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República (PGR), afirmou que o concurso público para a saúde indígena não provocará a demissão dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (Aisan), que atuam nas aldeias. 
Dificuldades no processo de licitação têm sido um dos principais argumentos utilizados pela equipe da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) para demonstrar a necessidade de terceirizar o setor, criando o paraestatal Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI). Todavia, balanço do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão demonstra o contrário. 
