• 17/11/2014

    Povos Indígenas: criminalização e resistência – Nota Pública do Conselho Diretor do Cimi

    Sem sinalizações de que a conjuntura poderá ser mais favorável aos povos indígenas no próximo período, estabelecido pela reeleição de Dilma Rousseff e a configuração do novo Congresso Nacional, cuja maior bancada será a ruralista, além de um quadro agravado de violência e criminalização partindo desde o governo federal e grupos anti-indígenas, o Conselho Diretor do Cimi, composto pela diretoria e coordenações dos 11 regionais da entidade, reunido no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO), entre os dias 5 e 8 de novembro, se pronuncia publicamente diante dos fatos.

    Cumprindo papel semelhante ao do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) no período da ditadura militar (1964-1985), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no âmbito do Ministério da Saúde, tem priorizado ações políticas entre os povos em vista de aprovar a privatização do setor através da criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (INSI), preterindo assim sua função original de promover políticas públicas de saúde e executá-las. Tal intervenção da Sesai acontece ao arrepio do direito de consulta dos povos, estabelecido pela Convenção 169 da OIT, com o estímulo a divisões no seio das comunidades, entre povos indígenas e destes com aliados históricos (‘dividir para governar’). Tudo isso na base da instrumentalização da política, da coerção e da calúnia. Enquanto isso, nas aldeias, são altos os índices de mortalidade infantil, suicídios, fome e desassistência diversa.

    Enquanto a privatização da saúde indígena no atual governo relembra o período neoliberal de FHC, a paralisação das demarcações de terras indígenas segue provocando terríveis conseqüências aos povos, suas comunidades e lideranças. Em todas as regiões do país, se avolumam os casos em que a decisão governamental de não demarcar tem provocado o aumento exponencial da tensão, do conflito, da violência e da criminalização dos povos e suas lideranças. O povo Guarani-Kaiowá (MS), nas retomadas, tem sido atacado reiteradamente por jagunços e é ameaçado permanentemente por despejos judiciais e extrajudiciais.  Nos acampamentos, às margens das rodovias, quem ataca os Guarani-Kaiowá é a fome, que nos últimos meses vem ceifando a vida de suas crianças. Os Munduruku, no Médio Tapajós (PA), iniciaram a autodemarcação da terra tradicional Sawré Muybu, ameaçada de alagamento pela construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, depois da Funai descumprir acordos de publicação do relatório circunstanciado de identificação e delimitação.

    As “mesas de diálogo” estabelecidas ao longo dos anos 2013 e 2014 pelo Governo Dilma, por meio do ministro José Eduardo Cardozo, têm cumprido a função de protelar a tomada de decisões, enquanto os inimigos dos povos se fortalecem e atacam seus direitos. Entre os objetivos das mesas, segundo o ministro, estariam a redução de conflitos e a não judicialização das demarcações. A enxurrada de processos movimentados nos últimos meses, com reintegrações de posse e suspensão de demarcações, inclusive em áreas com mesas instaladas, caso dos Terena, no MS, além do quadro de violência e criminalização contra indígenas em todo o país, comprovam a falácia e os prejuízos causados aos povos por esta estratégia governamental.

    Passado o processo eleitoral, diante da promessa de que o ‘novo governo’ será de ‘novas ideias’, o Cimi confia e espera que a Presidente Dilma dará um sinal positivo e imediato aos povos, assinando os decretos de homologação das 17 terras que estão sobre sua mesa, bem como, determinando a assinatura das Portarias Declaratórias das 12 Terras que estão sobre a mesa do Ministro da Justiça e das Portarias de Identificação e Delimitação das 05 terras que estão sobre a mesa da Presidência da Funai – todas sem qualquer impedimento jurídico e ou administrativo.

    Sob a batuta de Cardozo, a Polícia Federal mostra-se profundamente parcial contra os povos indígenas. Por um lado, realiza uma devassa na vida de lideranças indígenas levando-as, por intermédio de inquéritos evasivos e mega-operações, a prisão. Tenharim, Tupinambá, Pataxó, Kaingang, Suruí são exemplos de povos que tiveram ou ainda estão com lideranças presas – apenas neste ano de 2014. Não é coincidência que tais prisões ocorram em áreas de interesse da mineração, da retirada ilegal de madeira, do agronegócio e de grandes empreendimentos do governo. Por outro lado, reina a omissão e a impunidade nos crimes cometidos contra os povos e suas lideranças pela própria Polícia Federal e outras forças policiais, como no caso dos assassinatos de Adenilson Kirixi Munduruku e de Oziel Terena, e também por fazendeiros e seus pistoleiros, casos dos assassinatos de  Julite Lopes Guarani-Kaiowá, Ortiz Lopes Guarani-Kaiowá, Osvaldo Pereira Guarani-Kaiowá, dentre outros. Para investigar e prender indígenas, a Polícia Federal tem realizado operações grandiosas, com centenas de homens fortemente armados, mas diante das denúncias e cobranças sistemáticas de povos para a retirada de madeireiros de suas terras, a exemplo dos Ka’apor (MA), a resposta da Polícia Federal tem sido sempre a mesma, de que não há efetivo para atuar. Por que a Polícia Federal, órgão do Estado brasileiro, atua ‘com dois pesos e duas medidas’ contra os povos indígenas? É preconceito institucional ou são ‘ordens superiores’?

    Em vários Regionais do Cimi, caso do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Norte I (Amazonas e Roraima) e Norte II (Pará e Amapá), incursões da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Exército foram notificadas pelas coordenações. Seja por telefone, visitas ou convocação. São fortes os indícios de que inquéritos policiais estão em curso e interceptações telefônicas de vários missionários da entidade foram comprovadas. A sede do Regional Amazônia Ocidental (Acre) foi invadida duas vezes em menos de um mês, sem que qualquer informação sobre os autores tenha sido apontada pelas autoridades policiais. O Cimi espera que o governo federal paralise a utilização de dispositivos aplicados por regimes autoritários – como aqueles revelados pelos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV),  para intimidar a ação indigenista e o direito de resistência dos povos.

    Diante deste quadro, o Conselho Diretor do Cimi chama a atenção para a importância da articulação dos povos indígenas e aliados no Brasil, na América Latina e no mundo. A situação interna potencializa a demanda por denúncias internacionais e maior atuação junto a instâncias da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dentre outras, a fim de demonstrar as contradições do discurso governamental nessa esfera segundo o qual, no Brasil, os direitos indígenas estariam sendo respeitados e efetivados.

    Dada a correlação de forças adversas no país, a resistência e a luta dos povos originários é marcante e elogiável. Nos últimos anos, os povos têm se mobilizado permanentemente para evitar retrocessos com relação a seus direitos constitucionais, fazendo um enfrentamento destemido contra seus inimigos históricos, de modo especial os interesses e representantes do latifúndio, do agronegócio, das mineradoras, das empreiteiras e do próprio Executivo Federal. Para o próximo ano, com o recrudescimento das forças conservadoras e reacionárias, os desafios e embates prometem ser ainda mais duros. O possível cenário ainda mais adverso exigirá, além de maior união e entendimento entre os povos, a ampliação das forças sociais aliadas e apoiadoras desta causa.

    A necessária Reforma Política deve ser profunda e as mobilizações sociais para sua concretização devem estar diretamente vinculadas à luta pelas mudanças estruturantes almejadas historicamente. É imprescindível que o governo Dilma implemente a demarcação das terras indígenas, a reforma agrária, a titulação dos territórios quilombolas, a criação de Unidades de Conservação Ambiental e acabe com o ciclo de altos subsídios públicos ao latifúndio no Brasil.

    Por fim, o Cimi reafirma o compromisso de estar ao lado dos povos nas suas lutas, debates e embates na defesa e pela efetivação de seus direitos e por condições de vida plena.  Contra a onda reacionária, integracionista e criminalizante, todo o apoio e empenho pela autodeterminação dos povos e em defesa de uma transformação radical, descolonial do Estado brasileiro, rumo ao exercício pleno da pluralidade dos vários modos próprios de ser que compõem o nosso país.

     

    Conselho Diretor do Cimi

    Luziânia, 08 de novembro de 2014

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  • 17/11/2014

    PF e Brigada Militar fazem operação de busca e apreensão na comunidade Kaingang de Kandóia, no RS

    Na madrugada desta segunda-feira (17) a Polícia Federal (PF) e a Brigada Militar ocuparam a estrada em frente à comunidade Kaingang de Kandóia, município de Faxinalzinho, no Rio Grande do Sul. Numa operação que mobilizou centenas de homens equipados com armamentos pesados, viaturas, helicópteros, cães e cavalos as Polícias executaram mandados de busca e apreensão na área, relativos ao inquérito policial que investiga as mortes de dois agricultores ocorridas no mês de abril na região. 

    O que chamou a atenção dos indígenas nessa mega-operação foi a desproporcionalidade: contingente superior a 200 homens, cavalaria montada, 70 viaturas, policiais acompanhados de cães, helicópteros, Corpo de Bombeiros, armamento pesado e a presença da mídia. Assim como ocorreu por ocasião da prisão de cinco lideranças, em 9 de maio, a RBS e outros veículos de imprensa estavam acompanhando a polícia.

    Os policiais adentraram nas casas a partir das 6h, mas não encontraram nada. Levaram um veículo de um morador da aldeia e fotografaram todos os homens da comunidade, incluindo adolescentes. Obrigaram a todos o fornecimento de saliva, possivelmente para a realização de análise genética.

    O procurador da República de Erechim estava com os policiais. Os advogados dos indígenas e a Defensoria Pública da União, que prestam apoio jurídico no caso em investigação, não foram informados da operação policial. A Funai, órgão indigenista oficial,  também não foi informada e portanto não esteve presente na operação. A pergunta que se deve fazer nesta ocasião é: por que a Polícia Federal chamou a imprensa e não foi capaz de informar a Funai sobre a operação?

    Ao que parece, a Polícia Federal se preocupa em dar espetáculo ao invés de concluir um inquérito que já dura oito meses.

    Outras perguntas que se fazem necessárias diante da mega-operação policial contra a comunidade indígena: por que a Polícia não age da mesma forma quando é para investigar crimes praticados contra a vida de indígenas, como foi o caso do assassinato de Oziel Terena, morto com um tiro disparado por policial numa operação de reintegração de posse no Mato Grosso do Sul? Por que a Polícia Federal não tem o mesmo empenho em investigar adequadamente os fatos criminosos praticados contra o povo Tanharim, no Amazonas? Por que a Polícia Federal não tem o mesmo empenho em coibir extração ilegal de diamantes na terra indígena Suruí, em Rondônia? Por que a Polícia Federal não tem o mesmo empenho em combater o narcotráfico? Por que não empreende o mesmo esforço para investigar a ação violenta ocorrida na terra do Povo Munduruku, no Pará, quando um indígena foi executado por um delegado da Polícia Federal? Por que não há o mesmo empenho na investigação e no combate às milícias armadas, contratadas por fazendeiros, em Mato Grosso do Sul, para atacarem comunidades indígenas que lutam pelo seu direito constitucional à demarcação de terras? E no caso do povo Tupinambá, quando agentes da PF torturaram cinco indígenas em 2009 e o processo penal foi arquivado porque a Polícia alegou não ser possível identificar os culpados?

    Há que se perguntar quanto investimento de recursos públicos foi destinado a esta ação policial em Faxinalzinho, para mais uma vez a Polícia Federal dar espetáculo às televisões, rádios e jornais? Há que questionar também, neste momento, o fato de que, para dar espetáculo, são disponibilizados centenas de policiais, recursos, veículos, helicópteros e quando há efetivamente demanda pública, como a proteção das fronteiras e o combate ao contrabando, narcotráfico e todos os demais ilícitos que ocorrem nas faixas de fronteira, não há homens, não há recursos e muito menos viaturas.

    Contra os pequenos, aqueles a quem os poderes públicos sonegam os direitos humanos, as ações são abruptas, truculentas e desproporcionais. E quando agem contra setores mais abastados, como é o caso dos que roubam o dinheiro público, a Polícia Federal atua com delicadeza e conduz os suspeitos presos em jatinhos pagos com o erário público.

    Porto Alegre, 17 de novembro de 2014

    Cimi Regional Sul – Equipe Porto Alegre

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  • 13/11/2014

    Audiência em Altamira expõe dramas do deslocamento compulsório de Belo Monte

    O Ministério Público Federal (MPF) promoveu nesta quarta-feira, 12 de novembro, audiência pública em Altamira para ouvir os moradores da cidade que são atingidos pelo deslocamento compulsório para dar lugar ao reservatório da usina de Belo Monte. O processo de realocação e reassentamento na área urbana vai afetar cerca de 9 mil famílias, incluindo 600 famílias de indígenas que moram na cidade. Os critérios usados pela empresa Norte Energia na seleção de quem vai ter direito a casas novas e sobre os valores das indenizações são questionados por muitos.

    Para o MPF, a presença do estado brasileiro em Altamira tem sido marcada pela parcialidade, com foco excessivo no cronograma e na rapidez da obra, deixando de atuar na garantia dos direitos da população atingida. “Essa é a primeira condicionante de Belo Monte que precisa ser cumprida”, disse a procuradora da República Thaís Santi, ao abrir a audiência pública. Estavam presentes representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Fundação Nacional do Índio, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Ministério da Pesca, prefeitura de Altamira e Defensoria Pública da União.

    A ausência de mediação governamental e de assistência jurídica (não há atualmente defensoria pública na região) no processo de deslocamento compulsório deixa os atingidos em situação vulnerável, sem capacidade de se defender ou argumentar diante das avaliações impostas pela empresa Diagonal, subcontratada da Norte Energia que faz o trabalho de negociação com os atingidos. Pelo Plano Básico Ambiental de Belo Monte, todos os atingidos deveriam ter direito a optar entre o reassentamento – uma casa nova fora da área a ser atingida pelo alagamento – ou a indenização – que deveria dar acesso à moradia em situação igual ou melhor que a anterior.

    São incontáveis denúncias de que isso não está sendo cumprido e que muitos estão sendo pressionados a aceitar indenizações que variam entre R$ 15 e R$ 50 mil, insuficientes para que novas moradias sejam adquiridas, já que a obra de Belo Monte fez explodirem os preços de imóveis em todas as faixas de poder aquisitivo em Altamira.

    Uma moradora do bairro do Açaizal, de 80 anos, Maria dos Santos, analfabeta, denunciou durante a audiência ter sido obrigada a assinar um papel em branco e aceitar uma indenização de R$ 42 mil. Outra atingida, Elissandra Oliveira, chegou a gravar um comercial para a Norte Energia na casa nova que receberia no bairro Jatobá, construído para receber os impactados. O comercial foi gravado no final de 2013 e ela disse que até agora não foi contemplada com a casa. “Para onde vamos mandar os sem-teto que a Norte Energia está criando aqui?”, questionou Giácomo Shaffer, presidente da Colônia de Pescadores Z-12.

    Com o fechamento do escritório da Defensoria Pública do Estado no primeiro semestre de 2014 e com a ausência da Defensoria Pública da União (DPU), esses e outros moradores que se sentem prejudicados começaram a procurar o MPF em grande número, o que gerou a necessidade da audiência pública. Um primeiro resultado da audiência é que o representante da DPU, Francisco Nóbrega, anunciou que chegarão defensores em Altamira ainda esse ano, em caráter emergencial, para garantir a assistência jurídica dos atingidos.

    “Não é possível que uma pessoa seja retirada de casa sem ter outra casa e sem receber a indenização prévia. É preciso que isso conste nos critérios aplicados a todos os casos de deslocamento para Belo Monte”, lembrou Nóbrega. Outro resultado anunciado imediatamente na audiência foi a criação de uma espécie de câmara de conciliação interinstitucional, que funcione como uma instância superior para os casos em que a empresa não chega a acordo com os moradores. Até agora, a última palavra sobre todos os casos era da Norte Energia S.A. O representante da Casa Civil, Johanness Eck e a empresa concessionária concordaram com a câmara. Os movimentos sociais devem apresentar uma lista de casos de conflitos entre moradores e a empresa para que a revisão comece imediatamente.

    O MPF apontou ao Ibama e ao governo a necessidade de flexibilização das regras aplicadas nas negociações, que geram questionamentos legítimos: por exemplo, são negadas moradias aos moradores de reservas extrativistas e até terras indígenas que mantém casas de apoio na periferia de Altamira para quando necessitam de acesso a serviços públicos básicos – porque educação e saúde são muito precárias nas áreas rurais.

    “Esse morador que mantém uma casa em Altamira mas não ocupa a casa o ano inteiro é uma realidade da região, ele não pode ser tratado, como está sendo, da mesma forma que um especulador. É necessário revisar e contextualizar as regras aplicadas pelo empreendedor para a realidade da região”, disse a procuradora Thaís Santi. Os critérios também causam problemas nas dezenas de casos em que várias famílias ocupam o mesmo imóvel e apenas um dos moradores é contemplado com a nova casa.

    A representante do Ibama, Regina Coeli, confirmou que o PBA prevê que todas as pessoas afetadas pelo empreendimento devem ser compensadas de maneira a ter moradia igual ou melhor ao que tinham antes da usina. Todos os compromissos assumidos pelas autoridades presentes foram registrados em ata, assinada ao final da audiência pública.

    Veja aqui a íntegra dos compromissos assumidos

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  • 13/11/2014

    Empresa de Belo Monte coage atingida a gravar comercial


    Consórcio responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, Norte Energia, coagiu atingida pela obra para gravar comercial sobre reassentamento. Após dez meses, moradora de Altamira continua sem casa.

    Elissandra Oliveira, atingida pela maior obra de infraestrutura do Brasil, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em fase de construção no leito do rio Xingu, no Pará, admite que sofreu coação da empresa Norte Energia para gravar comercial sobre os reassentamentos.

    A moradora de Altamira relatou que aceitou gravar a propaganda após ter a garantia que receberia uma casa. “Eu estava trabalhando e eles pediram pra mim: Elissandra, eu vou te dar 10 mil ou então casa. Aí eu falei assim: eu aceito casa. Eu faço e aceito casa. Bom, aí eu fui. No outro dia fui no salão, arrumei meu cabelo e vim fazer a entrevista com eles”, relembrou.

    Passados dez meses após a veiculação do comercial, Elissandra continua na mesma situação de outros milhares de atingidos por Belo Monte, ou seja, sem direito ao reassentamento.

    Das 7.790 famílias cadastradas na área urbana de Altamira, apenas 3.980 receberam uma casa nos novos loteamentos. As demais deverão se contentar com indenizações, com valores insuficientes para comprar novas casas na região, que sofre com altas taxas de inflação desde o início da obra.

    Além dessas, o Movimento dos Atingidos por Barragens calcula que mais 10,7 mil pessoas estão de fora do cadastro socioeconômico, o que tem gerado uma série de conflitos e mobilizações nos últimos meses.

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  • 12/11/2014

    Alto índice de mortalidade entre indígenas leva MPF a recomendar mudanças nos serviços de saúde em Mato Grosso

    Recomendação para que antropólogos façam parte das equipes de atendimento aos indígenas foi enviada ao secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, e para os coordenadores dos DSEIs Xavante e Xingu


    A atuação dos profissionais e gestores da área de saúde deve ser orientada por antropólogos. Este é o entendimento do Ministério Público Federal para adequar os serviços de saúde prestados aos indígenas atendidos pelos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Xavante e Xingu, em Mato Grosso, e para fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde para aos povos indígenas no Brasil.

    Para que a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas seja efetivamente cumprida, o Ministério Público Federal em Barra do Garças encaminhou uma recomendação ao secretário especial de saúde indígena, Antônio Alves, e aos coordenadores dos Distritos Sanitários de Saúde Xavante, Cláudio Rodrigues; e Xingu, Eric Daniel Cantuária, para que contratem antropólogos habilitados a orientar a atuação dos gestores e profissionais de saúde.

    Segundo o procurador da República Wilson Rocha Assis, a compreensão dos modos de vida dos povos indígenas é essencial ao atendimento das comunidades, devendo nortear os gestores responsáveis pela definição das rotinas adequadas às especificidades socioculturais dos povos, garantindo um atendimento digno e em conformidade com os diplomas normativos nacionais e internacionais que garantem atendimento diferenciado à saúde dos povos indígenas.

    O atendimento de saúde que considere as especificidades de cada comunidade está previsto na Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Portaria nº 254, de 31 de janeiro de 2002, do Ministério da Saúde) e no subsistema de saúde indígena. Essas duas normativas nacionais possuem diretrizes para a adequação dos recursos humanos empregados nos serviços de saúde para uma atuação em contextos interculturais, bem como a promoção de ações específicas em situações especiais.

    A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas prevê, também, que os Distritos de Saúde Indígena devem contar com a participação sistemática de um antropólogo no seu quadro funcional.

    Mortes – Uma das situações mais preocupantes em se tratando dos povos indígenas que habitam a porção leste de Mato Grosso é a mortalidade infantil. De acordo com informações do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Araguaia, de janeiro de 2013 a março de 2014 foram registradas 31 mortes de crianças indígenas com idade inferior a dois anos, na região do Médio Araguaia, no leste de Mato Grosso, na divisa com Tocantins e Goiás.

    Para compreender as causas da alta taxa de mortalidade na região, a Secretaria Especial de Saúde Indígena já considerou a necessidade de realizar uma investigação antropológica aprofundada das questões culturais relativas à nutrição indígena.

    A participação das comunidades indígenas na definição de políticas para os serviços prestados a elas também está previsto na Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Em seu artigo 25, inciso 2, a Convenção prevê que os serviços de saúde deverão ser planejados e administrados em cooperação com os povos interessados e levar em conta as suas condições econômicas, geográficas, sociais e culturais, bem como os seus métodos de prevenção, praticas curativas e medicamentos tradicionais.


    Mas o que se vê na realidade são serviços de saúde prestados que não levam em consideração as particularidades do modo de viver indígena. O estudioso Cláudio Fortes Garcia Lorenzo, em artigo publicado na Revista Bioética* afirma que “Não é raro encontrar no âmbito local das práticas dos gestores e profissionais responsáveis pela assistência à saúde indígena o desconhecimento completo da matriz cultural diferenciada que sustenta os sistemas médicos indígenas e justifica suas práticas”.

     

  • 12/11/2014

    Conselho do Povo Terena realiza 6ª Grande Assembleia a fim de debater temas como território, saúde e educação

    Acontece nos dias 19 a 23 de novembro de 2014, a Grande Assembleia do povo Terena, na Terra Indígena Lalima, município de Miranda, Mato Grosso do Sul

     
     

    Lideranças do Conselho Terena preparam a próxima Assembleia que discutirá temas relacionados ao território, direito, saúde, educação, sustentabilidade e política. Na sua sexta edição, o encontro visa reunir caciques, lideranças de retomadas, mulheres, anciãos e a juventude indígena.

     

    O evento contará ainda com a participação do Conselho Aty Guasu Guarani-Kaiowá, povo Kinikinau, Kadiwéu e Ofaié.

     

    Com mesas específicas para cada área de atuação a novidade desta Assembleia é a Mesa 3 que tratará dos Direitos dos Povos Indígenas em âmbito internacional, abordando a legislação internacional, em especial a Convenção 169 da OIT que consagra princípios importantes como a autonomia, livre determinação dos povos e o direito a consulta e consentimento prévio, livre e informado. Para esta mesa foram convidadas Dra. Samia Roges Jordy Barbieri que é presidenta da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB (MS) e Dra. Kenarik Boujikian, Desembargadora do Tribunal de São Paulo e fundadora da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

     

    O advogado do Conselho Terena, Luiz Henrique Eloy aponta para importância do evento. “É o momento das lideranças refletirem sobre as demandas da comunidade e principalmente, debaterem sobre os principais entraves para a efetiva demarcação dos territórios tradicionais, visto que desde a Constituição Federal de 1988 apenas uma terra indígena terena foi, de fato, demarcada de acordo com os ditames do Art. 231 da CF/88”.

     

    Está prevista também a participação da Coordenadora Executiva da APIB, Sonia Guajajara que vem acompanhando os desafios atuais aos direitos dos povos indígenas e a consecução de políticas públicas específicas para as comunidades indígenas de todo o Brasil.  

     

    Foram convidados para a Assembleia entidades que apoiam a luta das comunidades indígenas, tais como, o Ministério Público Federal (MPF), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Associação Juízes para a Democracia (AJD), Departamento de Proteção Territorial da Funai, União e Procuradoria Especializada da FUNAI, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS, RENAP, CONDEPI e Justiça Global.

     

    O Conselho do Povo Terena integra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e, juntamente com Aty Guasu Guarani Kaiowá representa a instancia regional em Mato Grosso do Sul.

     

    Saiba mais sobre o Conselho do Povo Terena: http://conselhoterenams.wordpress.com/

     

    Ouça lideranças Terena: https://www.youtube.com/watch?v=I45MoE5tbIs

     

    Mais informações:

    Lindomar Terena

    Luiz Henrique Eloy ([email protected])

     

     

    PROGRAMAÇÃO

    Dia 19 – Quarta-feira

    17:00hs – chegada

    19:00hs – Mesa das lideranças indígenas

    · Momento de reza tradicional – Dança KohixotiKipáe / Dança Siputrema

    · Vídeos – Imagens da luta do movimento indígena

     

    Dia 20 – Quinta-feira:

    Mesa 1 (8:00 as 12:00) –Conjuntura Nacional e Internacional da luta dos povos indígenas

    Esta mesa destina-se a análise da conjuntura nacional e internacional da luta dos povos indígenas do Brasil e América Latina, refletindo sobre a legislação indigenista e os principais desafios das populações tradicionais diante do modelo de desenvolvimento adotado pelos Estados Nacionais. Proposições legislativas em trâmite serão alvo de análise e contará com assessorias técnicas de profissionais que atuam na defesa judicial dos povos indígenas e lideranças indígenas que acompanham o movimento indígena.

    Convidados: Ministério Público Federal, Conselho Indigenista Missionário, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Plataforma Dhesca, Associação Juízes para a Democracia, entre outros.

     

    Mesa 2 (13:30 as 18:00) –Situação Jurídica das terras indígenas de Mato Grosso do Sul

    Tem por objetivo informar as lideranças presentes a situação atual dos procedimentos demarcatório de cada terra indígena, bem como os processos judiciais em trâmite na Justiça Federal de Mato Grosso e nos Tribunais Superiores.

    Convidados: Departamento de Proteção Territorial da Funai, Ministério Público Federal (MPF), Advocacia da União e Procuradoria Especializada da Funai.

     

    20:00hs – Apresentação Cultural Guarani/Kaiowá

    Dia 21 – Sexta-feira:

     

    Mesa 3 (8:00 as 12:00) – Os direitos dos Povos Indígenas nos tratados internacionais

     

    Tratará da legislação internacional dos direitos dos Povos Indígenas fortalecendo assim a discussão na comunidade e também refletir sobra a efetivação desses direitos. Desta maneira esta mesa tem por objetivo trabalhar essa gama de legislação voltada para os povos indígenas, em especial a Convenção 169 da OIT que consagra princípios importantes como a autonomia, livre determinação dos povos e o direito a consulta e consentimento prévio, livre e informado.

     

    Convidados:Secretaria de Articulação Social da Presidência da República, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB, RENAP, CONDEPI e Justiça Global.

     

    Mesa 4 (13:30 as 18:00) – Retomada da educação escolar indígena

    Este momento é coordenado pelos professores indígenas e tem por objetivo discutir sobre educação indígena, escola indígena, práticas interculturais e processo próprio do ensino – aprendizagem na língua materna. Como inovação, esta mesa se propõe também a “desconstruir a doutrina do descobrimento” que se firmam nas teorias, políticas e práticas baseadas na superioridade de determinados povos ou indivíduos, ou que a defendem alegando razões de origem nacional ou diferenças raciais, religiosas, étnicas ou culturais.

    Convidados:Representante indígena do Conselho Nacional de Educação no MEC; Secretaria Estadual de Educação; Secretarias municipais de educação; Representante dos Povos do Pantanal no MEC e Representante Guarani Kaiowá no MEC

     

    Dia 22 – Sábado:

     

    Mesa 5(8:00 as 12:00) – Sustentabilidade e Meio ambiente

    Pretende-se refletir junto com a comunidade a gestão territorial e ambiental em terras indígenas. Desde 2009, por meio da Portaria Interministerial nº. 434, o Grupo de Trabalho Interministerial – GTI, composto por membros da Funai, do Ministério do Meio Ambiente – MMA e representantes indígenas tem discutido a construção da proposta da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI, com a finalidade de garantir e promover a proteção, a recuperação, a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais das Terras Indígenas.

     

    Convidados:Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável – FUNAI; Ministério do Desenvolvimento Social – MDS; Ministério da Pesca – MPA; Conselho GATTI

     

    Mesa 6 (13:30 as 18:00) – Saúde indígena em Mato Grosso do Sul

    A mesa destina-se a tratar da situação atual do atendimento e prestação da saúde nas comunidades indígenas. Analisar a política de saúde indígena e os principais desafios a sua persecução. Discute-se também a medicina tradicional e a retomada de práticas tradicionais por uma alimentação saudável.

     

    Convidados: CONDISI; Sesai; Conselho de Saúde, Técnicos e profissionais da área de saúde.

     

    Dia 23 – Domingo

     

    Mesa 5 (13:30 a 18:00) – Organização do Conselho Terena

    CNPI – Conselho dos Povos indígenas e sua organização – Questão Política

    Documento Final

     

    Realização:

     

    HÁNAITI HO’ ÚNEVO TÊRENOE

    CONSELHO DO POVOTERENA

     

    Apoio:

     

    Conselho AtyGuasu – Guarani Kaiowá

    Conselho Indigenista Missionário – Cimi

    CESE

    NEPPI/UCDB

    Rede de Saberes/UCDB

    Funai

     

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  • 12/11/2014

    5° Encontro latino-americano pela defesa dos territórios articula frente contra extrativismo

    Comunidades campesinas, indígenas e organizações do Peru, México, Brasil, Guatemala e Honduras se reuniram no 5° Encontro Latino-americano de Cuidado e Defesa do Território Frente a Complexidade dos Minerais na América Latina.

    O encontro fortaleceu a construção de uma frente de articulação das organizações a fim de construir alternativas de resistência e compartilhar experiências de luta contra o modelo corporativo extrativista mundial, que invade territórios e povos com o propósito de exterminá-los.

     

    Confira na íntegra o documento, em espanhol, do encontro:

     

    Declaración  V Taller  Latinoamericano Cuidado y Defensa del Territorio Frente a la Complejidad  de las Mineras en América Latina

     

    Puebla, 7 de noviembre de 2014

     

    Los pueblos, comunidades campesinas e indígenas, y organizaciones de Chile, Perú,  Colombia, Guatemala, Honduras, México, Argentina y Brasil reunidos en el “V TALLER   LATINOAMERICANO CUIDADO Y DEFENSA DEL TERRITORIO FRENTE A LA COMPLEJIDAD  DE LAS MINERAS EN AMÉRICA LATINA” , hemos logrado reconocernos en el compartir de  nuestras experiencias de lucha, disidencia, resistencia y construcción de alternativas  desde una visión colectiva y esperanzadora para la configuración de otro mundo posible, que enfrente radicalmente las imposiciones de un sistema hegemónico que nos arrastra a  la destrucción de la vida. Sabemos que enfrentamos un adversario común cada vez más poderoso, perverso y violento, que intenta, desde diversas estrategias, seguir imponiendo  su modelo extractivo corporativo mundial, que se extiende invadiendo nuestros territorios y pueblos con el propósito de exterminarlos. Esta comprensión nos exige ampliar el carácter de nuestra acción comunitaria, y nos compromete a una mayor y mejor articulación que trascienda y mundialice nuestras luchas locales.

    El análisis del contexto regional y de la coyuntura actual nos encaminó a reflexionar sobre las causas estructurales y las consecuencias de los conflictos socio-ambientales que impone el extractivismo en Nuestra América, configurando la amenaza y re-colonización de nuestros territorios, el cual requiere de la sistemática violación y vulneración de las  soberanías de los pueblos, bajo la tutela del sistema capitalista globalizante. Estas  reflexiones también nos llevaron a reconocer y compartir la indignación sobre las  consecuencias que este modelo de muerte implica en las múltiples dimensiones de  nuestra vida, y que se hacen manifiestas en las experiencias de despojo, daños  irreversibles a la naturaleza, la destrucción de los procesos identitarios y, en  consecuencia, la desaparición de nuestras culturas. Ante esta situación, que no quede  duda que tan fuerte como nuestra indignación, lo es también nuestro espíritu milenario de  resistencia, reación y fecundación de un mundo basado en el respeto, el cuidado entre nosotras y nosotros, en el legado de honrar a nuestra madre tierra y la espiritualidad que  refuerzan nuestra cosmovisión para con el agua, fuego, tierra y viento.

    Reafirmamos nuestra convicción de seguir con obstinada rebeldía, de continuar     contestatarios, contestatarias y disidentes ante quienes secuestran nuestros bienes naturales, nuestra pluriculturalidad, los derechos, la biodiversidad y la vida misma. De  este encuentro salimos fortalecidos para crecer y trascender en nuestros procesos de articulación, en la construcción de alternativas relacionadas con el impulso de procesos  de transformación dialógicos que nos permitan cada vez más el fortalecimiento de la  comunalidad con abuelas y abuelos, hombres y mujeres, las y los jóvenes, niñas y niños  organizados y en movimiento. Asumimos la responsabilidad que, desde nuestro pasado y sabiduría heredada por nuestros abuelos y abuelas, pelearemos por nuestro presente y  nuestro futuro, sin dejarnos arrinconar por los miedos, convencidos de que lograremos           romper con la reproducción y el avance de este sistema hegemonizante.

    Este proceso, que hoy hacemos público, se desarrolla en el marco de la gravísima     situación que se vive en México, en el contexto de la desaparición forzada de 43 jóvenes de la Normal Rural de Ayotzinapa en Guerrero, situación que evidencia el marco de  impunidad, de corrupción, falta de procuración de justicia y prevalencia del crimen organizado, que reconocemos como parte connatural del capitalismo.

    Hacemos un llamado a los pueblos, comunidades campesinas e indígenas y  organizaciones del mundo, a que, con osadía y tenacidad, transformemos nuestra     realidad, defendamos la vida en cualquiera de sus manifestaciones, a que refrendemos la  solidaridad y articulación de nuestras luchas y a partir de la defensa del territorio,  renovemos nuestro compromiso con las justas luchas basadas en la autodeterminación,  auto-organización y autoreconocimiento para el BUEN VIVIR.

         Celebramos esta posibilidad de encuentro y aprendizaje como espacio de integración de  nuestras apuestas y luchas, como posibilidad real de avanzar en la materialización de   nuestros sueños, esperanzas y utopías en la soberanía de todos los pueblos.

               

                ¡VIVOS SE LOS LLEVARON, VIVOS LOS QUEREMOS!            

                ¡TERRITORIOS LIBRES, PROHIBIDOS PARA LA MINERIA¡            

                ¡MUNDIALICEMOS NUESTRA LUCHA¡            

                ¡MUNDIALICEMOS LA ESPERANZA¡

                 

                Colectivo Sumaj Kawsay  (Argentina)

                Rede Justiça Nos Trilhos (Brasil)       

                Cimi Maranhão (Brasil)

                Associação Comunitária do Povo Gavião (Brasil)

                Comisión Intereclesial de Justicia y Paz (Colombia)

                Censat Agua Viva-Amigos de la Tierra Colombia

                Resguardo Humanitario Ambiental (Colombia) (SO BIA DRUA)              

                Comunidades Construyendo Paz en los Territorios (CONPAZ) (Colombia)           

                Proyecto de Desarrollo Santiago Prodessa (Guatemala)

                Consejo de Pueblos de Occidente (Guatemala)

                Misioneros Claretianos (Honduras)  

                Organización Madre Tierra (Honduras)

                 Comité Regional Ambientalista del Valle de Siria de Honduras (Honduras)       

                Colegio de San Luis AC Centro Público del Conacyt (México)

                Asamblea Veracruzana de Iniciativas y Defensa Ambiental (LAVIDA) (México)

                Procesos Integrales para la Gestión de los Pueblos PIAP (México)

                Centro Regional de Derechos Humanos Bartolomé Carrasco Briseño (México)

                BIOS Iguana, A.C.

                 Consejo Indígena por la Defensa del Territorio de Zacualpan (México)

                Proyecto de Fe Compartida en Tarahumara PROFECTAR (México)

                 Centro de Capacitación y Defensa de los Derechos Humanos

                 e Indígenas CECADDHI (México)

                Otros Mundos, A.C. Chiapas (México)

                Red Solidaria DH (México)

                Tequio Jurídico A.C. (México)

                Iyolosiwa A.C.  (México)

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.  (México)

                Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.  (México)

               Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  (México)

               Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  (México)

              Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Juárez (Centro Prodh) (México)

              Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Juárez (Centro Prodh)  (México)

              Centro de Educación Popular e Investigación Social-Proyecto Amigo

                (Perú)

              Grupo de Formación e Intervención para el Desarrollo Sostenible GRUFIDES (Perú)

              Red Latinoamericana y Caribeña de Educación Popular de las Religiosas del Sagrado

                Corazón (LA RED)

              Consejo de Educación Popular de América Latina y El Caribe (CEAAL)

               

     

     

               

     

     

     

     

     

     

                 

               

               

                 

                 

                 

     

                 

     

               

                 

                 

               

               

               

               

                 

                 

               

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  • 11/11/2014

    Comunidades manifestam repúdio à PL sobre uso de conhecimentos tradicionais e recursos genéticos

     Na tarde desta terça-feira (11) ocorre na Câmara dos Deputados, no plenário Ulysses Guimarães, uma Comissão Geral sobre o Projeto de Lei (PL) 7735/2014, que trata do acesso e uso dos conhecimentos tradicionais e recursos genéticos e que foi encaminhado sob regime de urgência pelo Poder Executivo ao Congresso.

    Representantes das indústrias farmacêuticas e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior admitiram, durante a Comissão Geral, que o governo está debatendo o teor do PL 7735 a três anos com o setor industrial. No entanto, povos e comunidades tradicionais foram excluídos intencionalmente do processo. Não houve qualquer tipo de discussão ou consulta aos povos indígenas, comunidades tradicionais e camponeses.

    Uma carta assinada por 54 organizações, entre elas o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), manifesta repúdio ao Projeto de Lei e a forma como o mesmo tem tramitado.

    Leia o documento na íntegra:

     

     

    De onde brotam os espinhos

     Brasília, 11 de novembro de 2.014.

    Os Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares do Brasil, em nome próprio, representados por suas entidades e entidades parceiras que subscrevem a presente, com base nos artigos 8 ‘j’, 10 ‘c’ da Convenção da Diversidade Biológica, promulgado pelo Brasil no Decreto nº. 2.519/1998, a Convenção 169 da OIT, promulgada no Decreto nº 5.051/ 2004, especialmente em seus artigos, 5, 6 e 7, no Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura, promulgado no Decreto nº 6.476/2008, especialmente em seu artigo 9, na Constituição Federal, especialmente nos artigos 215, 216 e 225, no Decreto 6.040/2007, Lei 10.711/2003, Lei 11.326/2006, e Decreto 7.794/2012, vêm a público manifestar repúdio ao Projeto de Lei que tramita na Câmara Federal sob o nº 7.735/2014, encaminhado em regime de urgência pelo Poder Executivo, sob pressão do Ministério do Meio Ambiente, Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e denunciar os poderes Legislativo e Executivo Nacionais pela violação aos Direitos dos Agricultores Familiares, Povos e Comunidades Tradicionais, diante dos motivos que passa a expor:

    – O Projeto de Lei representa uma nova tentativa de regulamentar o tema do Acesso e Repartição Justa e Equitativa de Benefícios, hoje regido pela MP 2.186-16/2001, que evidencia motivo de preocupação nacional e internacional, especialmente no Brasil, por sua megadiversidade e por ser, historicamente, território de inúmeras formas de expropriação de conhecimentos tradicionais e de recursos naturais.

    – A preocupação para com os direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais e de agricultores familiares (considerados como guardiões da biodiversidade e detentores dos conhecimentos tradicionais a ela associados) surge apenas no aspecto econômico e em especial no trato da repartição de benefícios, não considerando o papel fundamental de povos e comunidades tradicionais para o uso sustentável e a conservação da biodiversidade brasileira, os quais constituem os outros objetivos da Convenção da Diversidade Biológica.

    – A não observância ao processo de debate internacional quanto à implementação do Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios, ainda não ratificado pelo Congresso Nacional.

    – A incorporação da temática de agricultura e alimentação, quando a referência é o Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura/FAO, que também abrange o uso sustentável e a conservação desses recursos, os direitos dos agricultores ao livre uso de suas sementes.

    – A ausência de um processo de consulta ampla e da participação formal de organizações representativas de Agricultores, Povos e Comunidades Tradicionais, sem que suas preocupações e contribuições fossem reconhecidas ou incorporadas, desrespeitando o exercício do direito de participação e de resguardo de seus interesses.

    – Pela invisibilidade dos sujeitos de direito que representam a força produtiva, a proteção da biodiversidade e da agrobiodiversidade nacional e que detém conhecimentos que são objeto de expropriação territorial e exploração econômica, que foram solenemente ignorados representando de um lado a relação desigual de poderes e de outro o descompromisso do Brasil com a própria legislação nacional quando conflitante com interesses eminentemente econômicos.

    – O assédio praticado pela comunidade acadêmica (que se omite em discutir os direitos dos povos e comunidades tradicionais neste processo, e pauta a discussão unicamente para garantir a facilitação do acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados, atuando na perspectiva da captura do conhecimento sem a divulgação dos resultados) e pela indústria, interessada no desenvolvimento tecnológico a qualquer preço e em altos rendimentos.

    – A exclusão do exercício do direito a negar o acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados, quando o seu próprio é sistematicamente dificultado.

    – A participação de organizações que surgem como se representantes dos interesses dos povos e comunidades tradicionais, mas que estão interessadas no lucro líquido obtido a partir da comercialização de produtos originários do acesso a recurso genético ou conhecimento tradicional associado.

    – Sem um processo de consulta e participação efetiva dos sujeitos de direito, tem-se uma proposta de legalização unilateral da exploração dos recursos e dos conhecimentos tradicionais associados, estando estes, relegados a um “obstáculo” a ser superado mediante pagamento ou promessa de pagamento.

    Pelos motivos destacados, não é possível aos Agricultores familiares e aos Povos e Comunidades Tradicionais, referendar ou participar de forma limitada e excludente das discussões deste Projeto de Lei que, a pretexto de regulamentar e impe acaba por cercear direitos conquistados a base de luta social.

    O Projeto de Lei, tal como apresentado, é o reconhecimento da falência do Estado Brasileiro no combate à biopirataria e na garantia de direitos coletivos, que subserviente a sistemas corporativos industriais e financeiros, desconsidera o papel de povos e comunidades tradicionais, únicos sujeitos que efetivamente desenvolvem estratégias para o uso sustentável e a conservação da diversidade biológica brasileira.

    Esta denúncia vem reforçar as denúncias constantes da carta ‘De Onde Brotam as Sementes’ com as recomendações da sociedade civil ao governo brasileiro, bem como a Carta elaborada pela AS-PTA que marca o posicionamento dos agricultores familiares brasileiros.

     

    Assinam a presente carta:

    ASA Brasil

    ASA Paraíba

    AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

    Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ARPIN-Sul

    Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica

    Associação de Agricultura Biodinâmica do Sul

    Articulação Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado

    Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses

    AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

    Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – Agapan

    Associação das Mulheres Organizadas do Vale do Jequitinhonha

    Associação dos Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade de Tenente Portela – AGABIO

    Associação Nacional da Agricultura Camponesa

    Associação Nacional de Agroecologia – ANA

    Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia – AOPA

    Antonio Andrioli – UFFS

    Bionatur

    Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida

    Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA/NM

    Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC

    Centro Ecológico

    Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG

    Cooperativa Coppabacs – AL

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    FASE – Solidariedade e Educação

    Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil – FETRAF

    Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

    Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos

    Fundação Mokiti Okada

    Instituto Terra Viva do Brasil de Agroecologia

    Leonardo Melgarejo – ABA

    Marcha Mundial de Mulheres – MMM

    Marciano Toledo da Silva – MPA Brasil

    Marijane Lisboa – USP

    Morada da Floresta;

    Movimento das Aprendizes da Sabedoria (Benzedores e Benzedeiras, Parteiras, e Costureiras de Rendidura)

    Movimento das Mulheres Camponesas – MMC

    Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

    Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

    Movimento Urbano de Agroecologia – MUDA

    Movimentos Sem Terra – MST

    Núcleo Amigos da Terra Brasil

    PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul

    Paulo Kageyama – USP

    Rede Brota Cerrado de Cultura e Agroecologia

    Rede de Sementes Livres Brasil

    Rede Eco Vida de Agroecologia

    Rubens Onofre Nodari – UFSC

    Suzi Barletto Cavalli– UFSC

    Terra de Direitos

    Via Campesina Brasil

    Via Campesina Sudamerica

    Dep. Marcon-PT/RS

    Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro

    Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais

     

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  • 11/11/2014

    Professor Kaingang é covardemente assassinado em Vicente Dutra (RS)

    Com pesar e indignação comunicamos o assassinato do professor Kaingang Davi Limeira de Oliveira de 22 anos, da Terra Indígena, Rio dos Índios, no município de Vicente Dutra (RS). O município está localizado numa região, onde ocorrem há décadas, sérios conflitos contra os indígenas em função da luta da comunidade Kaingang pela demarcação e garantia das terras.

     

    Os Kaingang vivem em acampamento há décadas e aguardam que a terra seja demarcada e regularizada pelo governo federal.

     

    Segundo informações repassadas por lideranças indígenas, o professor Davi participava de um evento festivo no município de Vicente Dutra na noite de sexta-feira, 07, de novembro. Por volta de 1h da manhã ocorreu uma pequena confusão entre alguns participantes. Davi foi envolvido e acabou sendo esfaqueado pelas costas. Teve os pulmões perfurados e veio a falecer quase que instantaneamente.

     

    O Cimi Sul espera que efetivamente o assassino seja punido. Imaginemos, neste contexto, se fosse o contrário: se um indígena tivesse esfaqueado pelas costas um branco de Vicente Dutra. A repercussão do fato seria absurdamente grande e criminalizariam todos os povos e comunidades indígenas do estado.

     

    Este fato não pode ser caracterizado como caso isolado. Há na região uma forte campanha contra os indígenas, especialmente no norte do Rio Grande do Sul, por conta da luta dos povos pela demarcação de suas terras. Não podemos esquecer que foi naquela região que os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP/RS) e Alceu Moreira (PMDB/RS) conclamaram toda a população a se manifestar contra os indígenas. Foi lá que eles incitaram a violência e chegaram a sugerir que as pessoas se armassem para enfrentar os indígenas e afirmaram que “indígenas, quilombolas, gays e lésbicas são tudo o que não prestam”. Foi em Vicente Dutra também que no final do ano de 2013, os comerciantes do município se negaram a vender alimentos paras os indígenas.

     

    Não podemos deixar de fazer referência a outros casos de violação à vida nos primeiros dias do mês de novembro e uma semana depois do resultado das eleições presidenciais: a jovem Marinalva Guarani-Kaiowá de 27 anos foi encontrada morta às margens da BR-163, próximo ao município de Dourados. Ela foi atingida por 35 golpes de faca; também no Mato Grosso do Sul, no dia 9 de novembro, o jovem Kaiowá,  Adriano Lunes Benites, de 21 anos, foi baleado na perna durante um ataque de pistoleiros contra indígenas da comunidade de Pyelito Kue, localizada na região de Iguatemi.

     

    Assusta constatar que em nosso país seja permitido a segmentos da economia e da política – contrários aos direitos constitucionais dos povos indígenas e quilombolas – agirem impunemente quando promovem o preconceito e as mais variadas formas de violações ao direito à vida. Até quando as autoridades públicas de nosso Brasil continuarão governando, legislando e julgando tendo como horizonte a defesa destes segmentos, que deveriam ser caracterizados como criminosos?

     

    Nossa solidariedade e apoio aos familiares do professor Davi que foi covardemente assassinado e ao povo Kaingang que luta pela defesa de seus direitos.

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  • 10/11/2014

    Indígenas e quilombolas firmam aliança para a demarcação de terras no sertão de PE

    Se outrora indígenas e quilombolas do Nordeste resistiram juntos à escravidão, em guerras de libertação, caso da Cabanada, no século XIX, e na articulação entre aldeias e quilombos na luta pela terra, baseada em dinâmicas interculturais, hoje não é diferente para o povo Pankará e comunidades quilombolas localizadas no município de Itacuruba, sertão de Pernambuco.

    Neste final de semana ocorreu o 1º Encontro de Comunidades Tradicionais de Itacuruba, envolvendo indígenas e quilombolas. Acossados pelas intervenções desastrosas do Estado brasileiro, seja pela remoção de famílias para a construção da Barragem de Itaparica, que desalojou toda a cidade de Itacuruba, obrigando sua refundação noutro canto de caatinga, seja pelo impacto no rio São Francisco, que já não dá mais peixes como antes, ou pela não demarcação das terras, as comunidades decidiram lutar e resistir juntas, contrariando a postura de Incra e Funai ao alimentar brigas entre os grupos.

    As três principais pautas são: luta pela reforma agrária, demarcação das terras tradicionais, além da posição veemente contra grandes empreendimentos que possam afetar as comunidades da região – os traumas das remoções motivadas pela Barragem de Itaparica ainda são latentes, tanto que em tempos de mais seca, quando a cidade em ruínas emerge na água rasa, muitos ex-moradores cogitam voltar para esta Atlântida inundada, mas não esquecida.            

    Leia na íntegra a carta do encontro:

     

    1º ENCONTRO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DE ITACURUBA: INDÍGENAS E QUILOMBOLAS

     

    Nós, comunidade quilombola Negros do Gilú, comunidade quilombola Poço dos Cavalos e o povo indígena Pankará, reunidos na Aldeia Pankará Serrote dos Campos, em Itacuruba, Pernambuco, constatamos: Que nossas comunidades vêm sofrendo violações de direitos dos mais diversos tipos, ao longo de nossa história, resultado da ganância das empresas e pela inoperância do Estado brasileiro. Foi assim com a construção da Barragem de Itaparica, quando perdemos parte dos nossos territórios, e está sendo com a lentidão da FUNAI e do INCRA, que além de tudo fica jogando povo contra povo para justificar sua lentidão. Atualmente estamos nos sentindo ameaçados com possibilidade de construção de uma usina nuclear em nosso Município que vai impossibilitar mais uma vez nosso direito territorial.

     

    Reafirmamos a necessidade de demarcar e defender os nossos territórios como forma de garantir as culturas e as vidas das comunidades tradicionais indígenas e quilombola, como também a realização da Reforma Agrária. Sem nossos territórios, perdemos nossa cultura, nossa história e nosso direito de ser indígena e quilombola! Para o Estado brasileiro garantir os direitos das comunidades quilombolas e dos povos indígenas, e em especial no município de Itacuruba – PE, tem que primeiro demarcar nossos territórios, conforme está garantido na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

     

    Assumimos o fortalecimento da organização das nossas comunidades e a luta conjunta pela demarcação e garantia dos territórios tradicionais das comunidades indígenas e quilombola. Assumimos o compromisso com cada parente de caminharmos de forma conjunta, organizados e unidos por um projeto de vida que garanta a vida digna, o cuidado com a Mãe Natureza, o respeito aos saberes dos mais velhos e à nossa história neste país. Queremos nos juntar ao Papa Francisco quando afirmou, no encontro Mundial dos Movimentos Populares, que “Nenhum sem teto sem casa, nenhum camponês sem-terra, nenhum trabalhador sem direitos”, completando que, NENHUMA COMUNIDADE TRADICIONAL SEM TERRITÓRIO!!!

     

    Itacuruba, 8 de novembro de 2014

     

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