• 17/12/2014

    A luta dos indígenas contra a PEC 215, por Elaine Tavares

    Tivéssemos nós apenas o acesso à mídia comercial, saberíamos que, ontem, um pequeno grupo de indígenas provocou grandes tumultos na Câmara de Deputados, inclusive ferindo um policial no pé, com uma flechada. Eles protestavam contra a votação da PEC 215, que leva para o legislativo a prerrogativa de demarcar terras indígenas.

    Essas cenas de empurra-empurra entre índios e policiais foram as que tomaram os noticiários no dia de ontem (16), em curtos minutos, ressaltando apenas a "bagunça" e a falta de "civilidade" dos indígenas. A maior parte dos telejornais, é claro, esteve voltada para a Petrobras e as denúncias de corrupção. É que entre o achincalhe da Petrobras – que serve inclusive para que a ações baixem e sejam vendidas a grupos estrangeiros – e os problemas dos índios, é óbvio que o primeiro tema é mais interessante.

    A nota triste nisso tudo é que grande parte da população brasileira só tem acesso a isso mesmo: canais de televisão comercial que divulgam inverdades ou meias verdades, buscando desinformar e formar uma opinião pública desfavorável com relação aos povos indígenas. Segundo dados de uma pesquisa do Ministério das Comunicações, a TV está em 97% dos lares brasileiros, logo se constitui num poder.

    Os fatos

    Em primeiro lugar a "bagunça" que aconteceu no Congresso Nacional não foi provocada pelos índios. Eles foram lá fazer o que qualquer cidadão tem o direito: acompanhar o debate numa comissão da Câmara. Como o tema em questão era quente e os deputados não queriam a presença "incômoda" dos interessados, procuraram impedir o acesso dos indígenas ao Congresso. Uma ilegalidade, uma ruptura no pacto do direito.  Feridos no direito de entrar na chamada "casa do povo", os indígenas deram batalha ao que lhes impedia, no caso, os soldados, fortemente armados.

    Em segundo lugar, não era um grupo "pequeno" e sem importância como fizeram parecer os locutores das notícias. Ali, no Congresso Nacional, estavam as mais representativas lideranças indígenas do país, o equivalente ao conjunto dos governadores de estado, por exemplo, já que os/as caciques são os cargos de maior responsabilidade dentro de uma aldeia. Alguém imagina os governadores dos estados sendo tratados assim? Polícia na porta, impedimento da entrada, empurrões e safanões? Praticamente impossível. Mas, os índios ainda são vistos como pessoas de "segunda categoria", quando não um atrapalho ao progresso da nação.

    Terceiro. Se hoje os indígenas brasileiros conformam um grupo pequeno (900 mil almas) a responsabilidade sobre isso é do processo histórico levado a cabo pelos não-índios. Primeiro, com a invasão das terras, houve um extermínio indiscriminado, depois, na contemporaneidade, os que restaram do genocídio, ou foram confinados em reservas, ou foram obrigados a "civilizarem-se", incluindo-se na sociedade como se homens e mulheres brancos fossem. Todas as tentativas só prejudicaram os indígenas. A primeira, levou-os a morte, a segunda os tutelou e abandonou em poucos espaços de terras, no geral inférteis e insuficientes. E a terceira os tornou um misto de branco/índio, desgarrado de suas culturas e não aceitos pela cultura ocidental. Um limbo.  

    O quarto ponto a considerar é a reivindicação que não fica clara nos ideológicos textos de reportagem. O que é a PEC 215 e que impactos terá na vida dos indígenas e quilombolas (negros remanescentes dos quilombos)? A mudança mais significativa da mudança que essa lei pode causar é a que define quem demarca as terras. Hoje, a função é do Executivo, responsabilidade da Presidência da República. Com a PEC 215, quem vai definir é o Congresso Nacional.

    Ora, os indígenas sabem quem são os integrantes do Congresso Nacional. Na sua maioria, os deputados e senadores representam interesses de empresas e de grupos bem específicos. Um deles, em particular, acaba de eleger para a próxima temporada, a maior bancada de representantes do agronegócio, praticamente a metade das cadeiras. Isso sem contar aqueles que não sendo representantes diretos, são marionetes de empresas ligadas ao setor e que, fatalmente, numa decisão relacionada a terras indígenas, acabarão votando com o agronegócio.

    Por que essa PEC é importante para o agronegócio?

    O Brasil vive já há algum tempo uma nova onda de monocultura, aliada a grandes obras de infraestrutura (as hidrelétricas) e a mineração. Tudo isso é domínio dos latifundiários. A maioria deles faz o discurso de que há muita terra para pouco índio e que eles atrapalham a caminhada da nação rumo ao progresso. Para eles, entre se apropriar das terras públicas para o plantio do açúcar ou da soja é muito mais lucrativo que deixá-las nas mãos de uma gente preguiçosa e improdutiva, no caso, os índios.  Esse discurso ganha corpo e se fortalece por todo o país. Mas, ao contrário do que dizem os ruralistas, há pouco índio (900 mil) e pouca terra para eles, que ocupam apenas 12,5% do território nacional, pouco mais do que um milhão de metros quadrados.

    Já os latifundiários, esses são pouquíssimos. Representam apenas 3% das famílias rurais. Mas, por outro lado detém perto de 60% das terras agricultáveis, o que equivaleria juntar os estados de São Paulo e Paraná. E, ainda segundo o IBGE, existem fazendas que, sozinhas, ocupam um milhão de hectares – o total de todas as 503 terras indígenas já demarcadas.

    Então, na verdade, a frase certa seria: há terra demais para pouco latifundiário.

    Mas, esses 3% de donos de terra não estão satisfeitos com seus latifúndios. Querem mais. Não apenas para plantar a monocultura de exportação, mas para extrair minerais ou preservar para si os mananciais de água. Isso sem falar no processo de valorização das terras – mesmo paradas, sem produção. Por isso mesmo que, para eles, se configura um atrapalho essa coisa de demarcar terras para índios. Incapazes de compreenderem a dívida histórica que se tem com as comunidades indígenas, eles fazem questão de formar a opinião pública contra o que chamam de "vagabundos".

    Esse é então o pano de fundo da disputa que se trava hoje no Congresso Nacional.  Entregar aos deputados a decisão sobre as demarcações, tanto indígenas como quilombolas, é colocar a vida dessas populações novamente em risco. Foi necessário um longo período para que os indígenas brasileiros aumentassem sua população, garantissem terras e direitos e, agora, tudo isso pode ir por água abaixo. Não que ficar na mão do Executivo seja muito diferente, uma vez que se a Presidência quiser favorecer os grandes fazendeiros também pode demorar com as demarcações. Mas, pelo menos, a luta fica mais dirigida. Nas mãos dos deputados, a morte é certa, seja física ou cultural.

    O que os povos indígenas querem, através de suas mais importantes lideranças em visita ao Congresso Nacional é que esse projeto seja retirado, arquivado, suprimido. E que as demarcações sigam sendo prerrogativa do Executivo. Essa é a batalha que eles estão travando essa semana, uma vez que na medida em que o projeto vai passando pelas comissões, bem mais difícil fica de barrá-lo. Por várias vezes, os deputados representantes do latifúndio e do agronegócio tentaram manobras para aprovar a PEC, mas não conseguiram. Ontem, mais uma vez a votação foi adiada.

    Só que essa é uma batalha de gigantes. São concepções de país que se enfrentam naquela porta de entrada. De um lado, um projeto de justiça, ancorado na necessidade de reparação de uma dívida histórica – terra suficiente e fértil para os povos originários – e de outro, a rapinagem, a lógica da destruição do ambiente em nome do lucro e do acúmulo das terras nas mãos de poucos para o desfrute de uma minoria.

    Compreender o que se esconde por trás dos escudos da repressão do Estado é fundamental para formar uma opinião. A indignação de um William Bonner com a flechada no pé de um policial fortemente armado representa um lado muito claro: o do agronegócio, do sinhozinho Malta, do rei do gado, que quer fazer parecer que os indígenas são selvagens desqualificados. E essa é a visão que se massifica. Cabe a nós fazermos o papel do passarinho no incêndio. Difundir os outros lados desse drama, para que as pessoas possam entender o que realmente acontece nesses fundões do Brasil.

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  • 17/12/2014

    Indígenas bloqueiam BR que liga o estado de Roraima a Venezuela contra a PEC 215

    Cerca de 1000 indígenas bloquearam na manhã de hoje, 17, de dezembro, a BR- 174 que liga o estado de Roraima a Venezuela em protesto contra a PEC 215.  A manifestação é pacífica e os indígenas do estado de Roraima exigem o arquivamento da medida legislativa.

    Neste clima de intranquilidade, os povos indígenas clamam por justiça e pedem pela garantia dos direitos previstos na Constituição Federal. Os povos afirmam que a PEC 215 é inconstitucional e infringe direitos previstos na lei.

    Entenda a PEC 215

    A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215/2000) é de autoria do ex-deputado federal Almir Sá (RR) que, "acrescenta o inciso XVIII ao art. 49; modifica o § 4º e acrescenta o § 8º ambos no art. 231, da Constituição Federal" para incluir dentre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas; e para estabelecer critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei”.

    No momento, a discussão da PEC 215 está na Comissão Especial da Câmara dos Deputados criada na apresentar parecer.  A Comissão é formada na sua maioria por deputados ligados a bancada ruralista que apoiam a PEC 215 e tentam aprovar um Relatório Substitutivo.

    O novo parecer além de corroborar o texto original, inclui as piores e inconstitucionais condicionantes do Caso da Raposa Serra do Sol estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Tais condicionantes foram consideradas pelos ministros do STF como não vinculantes, portanto, não devem se estender a outras terras, mesmo assim a bancada ruralista tenta incorporar no texto da PEC 215.

    Além disso, segundo informações publicadas em jornais e pelo Ministério Público Federal, o Relatório Substitutivo a ser discutido teria sido produzido fora da Comissão Especial, por advogado ligado ao CNA pago para atender os interesses individuais dos ruralistas envolvidos em invasão em terras indígenas no Mato Grosso do Sul.

    A PEC 215 afronta seriamente os direitos constitucionais. Coloca em risco a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas que dependem de suas terras. Somado a isso, contraria os princípios de separação de poderes ao propor transferir para o Congresso Nacional responsabilidades administrativas do governo federal, com absurda interferência clara da bancada ruralista. E o mais grave, os povos indígenas deixados de fora, do processo e das discussões, sem consultas e sem direito de entrar, falar ou defender na casa, considerado do povo, o Congresso Nacional.

    As lideranças indígenas de diversas partes do estado de Roraima permanecem na manifestação divulgando suas preocupações e alertando autoridades e a sociedade brasileira sobre o risco de seus direitos.

     

    Conselho Indígena de Roraima

    17 de dezembro de 2014

     

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  • 17/12/2014

    Organizações indígenas, indigenistas, camponesas e religiosas do MS divulgam carta contra a PEC 215

    Nota conjunta de repúdio à PEC 215.

    O Conselho Indigenista Missionário – Regional Mato Grosso do Sul, junto a seus aliados na defesa da vida, da dignidade humana e dos direitos dos povos indígenas, reunidos por ocasião de sua Assembleia Regional, vem a público repudiar e denunciar as violências cometidas pelo Estado brasileiro contra os Povos Indígenas do Brasil, que tem por objetivo a aprovação da PEC 215.

    No apagar das luzes a bancada ruralista tenta a todo custo aprovar o relatório da Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição 215, a PEC 215, que transfere a competência para demarcar terra indígena para o Congresso Nacional.

    Os povos indígenas do Brasil insurgem-se contra esta proposta legislativa, pois representa retrocesso aos direitos indígenas e anuncia a morte dos povos originários deste pais. Fica nítido o atendimento aos interesses do agronegócio que querem a todo custo atropelar não só os direitos dos povos indígenas, mas também de outros direitos sociais da sociedade civil e principalmente o meio ambiente.

    Denunciamos a criminalização das lideranças indígenas que foram presas arbitrariamente pela polícia. Lideranças que estão defendendo seus direitos originários e que não aceitam a imposição deste Estado opressor.

    Conclamamos a sociedade brasileira a defender os direitos das minorias e a Vida dos povos indígenas.

    Assinam este documento:

    Conselho Indigenista Missionário – Regional MS – CIMIMS

    Grande Conselho Aty Guasu do povo Guarani e Kaiowa

    Conselho do Povo Terena

    Organização dos Professores Indígenas Taunay Ipegue

    Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição – CIIC

    Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas

    Congregação das Missionárias Lauritas

    Congregação das Irmãs Franciscanas Aparecida – Regional Centro Oeste I

    Conferencia dos Religiosos do Brasil – CRB Regional Oeste I

    Frades Menores Capuchinhos – Franciscanos Capuchinhos


    Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP

    Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupa-i – CDDH

    Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST    

     

     

     

     

     

      

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  • 17/12/2014

    Homens armados são detidos pelos Kaiowá e Guarani em área do tekoha Tey’i Juçu

    Quatro homens não identificados foram retidos nesta segunda-feira, 16, pela comunidade do tekoha – lugar onde se é – Tey’i Juçu, município de Caarapó (MS). Os indivíduos circulavam no perímetro da área retomada pelos Kaiowá e Guarani, no último dia 7, e foram apanhados enquanto se dirigiam ao acampamento erguido pelos indígenas. A Polícia Federal foi acionada pela Funai e no final do dia os agentes levaram os quatro homens da terra indígena para a carceragem de Dourados. 

    Conforme lideranças Kaiowá e Guarani, os indivíduos estavam armados, dois deles eram paraguaios e teriam sido enviados por fazendeiros para ameaçar e intimidar a comunidade. “Eram pistoleiros, né. Não fizemos maldade não. Apenas pintamos eles, demos cocares e colocamos eles para participar de um ritual e dança do nosso povo. Um deles assumiu que fazendeiro mandou para botar medo, mandar patrício (parentes indígenas) sair”, explica o cacique Lourival Kaiowá e Guarani.

    Vander Nishijima, Chefe de Divisão e coordenador interino da Funai em Dourados, solicitou à Polícia Federal o resultado da diligência: “Os indivíduos estavam portando armas de fogo, mas não sabemos de mais detalhes. Quem são, se ficarão presos, ou se trabalham nas fazendas”, diz. Nishijima conta que recebeu uma ligação das lideranças do Tey’i Juçu informando sobre a retenção dos quatro homens. “Então comuniquei aos policiais, que se dirigiram ao local e levaram os indivíduos”, conclui.

    As lideranças da terra indígena, que abrange o tekoha Tey’i Juçu, são enfáticas ao dizer que diariamente a comunidade recebe ameaças. Por conta disso os indígenas estavam preparados e aguardando a visita do dia; assim puderam se antecipar e deter o quarteto. Na última sexta-feira, 12, movimentos sociais e organizações de direitos humanos visitaram Tey’i Juçu. “Constatamos um ambiente de vulnerabilidade, como a fome e a falta de acesso a fontes de água potável. As entidades que integraram a visita vão ajudar nisso”, afirma um dos assessores jurídicos do Cimi presente na visita.  

    Na última segunda, 15, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) do Mato Grosso do Sul bloqueou por cinco horas a BR-262, na altura do município de Terenos, em defesa da demarcação das terras indígenas e por uma reforma agrária popular, no estado.

    “Há anos assistimos o sangue dos indígenas escorrerem nas mãos do latifúndio ou das forças armadas, assim como muitos dos nossos que tombaram na luta por terra e justiça social. Tudo isso por omissão dos poderes constituídos, responsáveis por agir concretamente na demarcação e na Reforma Agrária. Por isso estamos realizando essa ação, e realizaremos quantas mais forem necessárias para chamarmos a atenção dos que precisam resolver essa situação alarmante, antes que uma guerra se instaure em nosso estado”, disse na ocasião Dinho Lopes, da direção estadual do MST-MS.  

    A Aty Guasu – grande reunião Kaiowá e Guarani – divulgou uma nota do tekoha Tey’i Juçu sobre a situação da retomada, onde os indígenas reafirmam o que desde o último dia 8 a jovem de 17 anos Julia Venezuela de Almeida está desaparecida depois de ser baleada e ter o corpo sequestrado pelos agressores – fazendeiros, arrendatários e capangas.           

    Leia na íntegra a nota da Aty Guasu:

    ATY GUASU recebeu e divulga a carta de comunidade Guarani e Kaiowa de tekoha TEY’IJUÇU E PINDO ROKY, CAARAPO-MS-BRASIL.
    Carta de comunidade Guarani Kaiowa Tey’i Juçu Pindo Roky/Tey’ikue-Caarapó-MS.

    Para: Presidente da República Dilma Rousseff, Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), todas as sociedades nacionais e internacionais, autoridades das Organizações das Nações Unidas- ONU..

    Nós representantes e lideranças das comunidades Guarani e Kaiowa reocupantes da terra tekoha tradicional TEY’I JUÇU E PINDO ROKY-Caarapo-MS, vimos através desta carta comunicar as nossas decisões definitivas às todas autoridades sociedades do Brasil e do Mundo. A princípio nós somos um povo indígena/nativo Guarani e Kaiowa, somos originários de nossos territórios tekoha Tey’i Juçu, Pindo Roky, Javorai, somos comunidades ameaçadas de morte sim, resistimos até hoje, os nossos avô e avós foram expulsos e expropriados recentemente de nossas terras tradicionais Tey’i Juçu em meados de 1960, pelos fazendeiros, por essa razão nós reivindicamos a demarcação e devolução de nossas terras desde 1980, mas o governo e justiça federal do Brasil até os dias de hoje não demarcou, afirma e alega que as nossas terras se encontram em estudo, está no TAC, que será demarcada, mas já passaram mais de 20 anos, estamos enganados e fomos enrolados pelo governo do Brasil, cansado de esperar a demarcação, por essa razão, no dia 07 de dezembro de 2014, começamos a reocupar e retomar uma parte de nossas terras tradicionais TEY’I JUÇU, esse movimento de reocupação e retomada de TEY’I JUÇU é a nossa decisão como povo Guarani e Kaiowa, é decisão de comunidade, apoiada sim de todas as comunidades de mais 20 aldeias Guarani e Kaiowa, e de Aty Guasu, hoje somos povos indígenas unidos e resistentes, deixando evidente para todos que essa é a mobilização permanente e decisão definitiva do povo Guarani e Kaiowáa. Esse movimento é do povo indígena Guarani e Kaiowa de Reserva Teyi’kue, apoiadas de mais de 40 mil indígenas, de todas as aldeias e Reservas indígenas. É movimento pela demarcação do tekoha. contra as violências promovidas pelos fazendeiros e suas organizações. Aqui não existem “paraguaios” não! Nem pessoas estranhas não-indios “brancos”. Aqui no tekoha TEY’IJUÇU VOLTARAM REOCUPAR GUARANI E KAIOWA SIM! SOMOS INDÍGENAS GUARANI E KAIOWA, ESTAMOS AQUI RESISTENTES FRENTE A FRENTE COM PISTOLERIOS, NÃO RECUAMOS. Sabemos que os fazendeiros divulgam na imprensa dele, como fossem bonzinhos, alegando que sempre eles seriam bonzinhos com os indígenas. Essa versão dos fazendeiros não são verdades, os fazendeiros já mataram vários indígenas no passado recente, e continuam atacando e assassinado indígenas sim, expulsaram os indígenas de terras indígenas, e continuam massacrando e matando nos indígenas Guarani e Kaiowa, essa é a verdade. Pedimos JUSTIÇA, E PUNIÇÃO AOS FAZENDEIROS ASSASSINOS. No dia 16 de fevereiro de 2013, um dos fazendeiros assassinou o jovem indígena DENILSON BARBOSA. Esse fazendeiro ORLANDINO BEZERRO CARNEIRO declarou e confessou ao delegado da polícia assim: “ eu atirei nos índios e matei o índio sim, fui eu ”, mas não foi punido pela justiça, por isso é mentira quando os fazendeiros divulgam não atacaram às comunidades. De fato, os fazendeiros e seus pistoleiros cercaram e atacaram nós sim, aqui no tekoha TEY’IJUÇU, nos dia 07, 08, e 09 de dezembro de 2014, os três dias consecutivos cercaram nos sim, atiraram em direção das crianças e idosos sim. Durante o ataque e nos meios de tiroteios e fumaças de balas, uma menina indígena Kaiowa sumiu sim! Até hoje não conseguimos localiza-la. Os fazendeiros continuam ameaçando nos sim. Diante desse cerco de pistoleiros e anúncio de mais ataque e ameaça de morte às lideranças e as comunidades por fazendeiros, nos decidimos em permanecer e morar aqui no tekoha TEY’I JUÇU, aqui vamos lutar e resistir, é decisão de um povo Guarani e Kaiowa. Pedimos ao governo federal para demarcar imediatamente o tekoha TEY’I JUÇU, PINDO ROKY, E TODAS OUTRAS TEKOHA GUARANI E KAIOWA. Encaminhamos a nossa decisão a todas as autoridades federais e sociedades, nós Guarani e Kaiowa voltamos sim retomar um pedacinho de nossas terras tradicionais, não vamos aguardar a promessa do governo, so mandar nós esperar eternamente. Antes de continuarmos a retomada de nossas terras aguardamos a posição urgente da presidenta da República Dilma Rousseff. Por fim deixamos claro a todos que aqui no tekoha TEY’I JUÇU recomeça a mobilização das lideranças do Aty Guasu e movimento de RESISTÊNCIA do povo indígena GUARANI, KAIOWA,TERENA, ETC. Sabemos que aqui estamos sofrendo cerco de ameaça de pistoleiros, lá no Congresso e na Câmara Federal os nossos direitos sofrem também ameaça de alteração, por isso, não vamos recuar, vamos lutar firme pelas nossas terras, custe o que custar, nos somos um povos, mais de 50 mil, já convidamos a todos os povos INDÍGENAS como o povo Terena, Kadweu para apoiar nos nessa retomada de terras tradicionais. NOSSA DECISÃO É NÃO RECUAR, VAMOS AVANÇAR NA RECUPERAÇÃO DE NOSSOS TEKOHA SIM.
    Atenciosamente,
    TEKOHA TEY’IJUÇU, 11 DE DEZEMBRO DE 2014
    As lideranças e comunidades do povo Guarani e Kaiowa de tekoha PINDO ROKY, TEY’I KUE, TEY’IJUÇU, Conselho Aty Guasu

     

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  • 17/12/2014

    Denúncia contra a supressão de direitos e as tentativas de acabar com os povos indígenas do Brasil

    Nós lideranças de povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil, reunidos em Brasília-DF, para manifestar o nosso repúdio ao processo de supressão dos nossos direitos fundamentais, coletivos e originários, operado ostensivamente, por distintas instituições do Estado Brasileiro, notadamente pelo Congresso da República, sob olhar omisso e conivente do Poder Executivo e setores do Poder Judiciário, viemos junto à opinião pública nacional e internacional denunciar:

     

    1.    A truculenta atuação das forças policiais – Legislativa, Polícia Militar (PM) e Força Nacional-, que além de impedir o nosso acesso ao Congresso Nacional considerado a casa do povo, agem contra o estado de direito, o regime democrático, com abuso de autoridade, reprimindo, intimidando, ameaçando e detendo arbitrariamente parentes nossos, como aconteceu na última terça-feira, 16 de dezembro, quando a PM capturou no acesso principal do Ministério da Justiça quatro lideranças e outras duas na BR-040 quando de noite voltávamos ao espaço onde nos alojávamos.

    2.    A bancada ruralista, na sua maioria herdeiros dos invasores do território hoje chamado Brasil e dos algozes dos nossos povos no período da ditadura, querem de todas as formas suprimir os nossos direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988, legalizando a usurpação, o esbulho e espoliação que secularmente vem praticando contra as poucas terras que nos restaram nesses 514 anos de invasão.

    3.    Os ruralistas, muitos deles financiados pelas corporações do agronegócio, frigoríficos, indústria armamentista e empreiteiras, entre outros, a partir de 2011, principalmente, tem feito de tudo para modificar, conforme seus interesses, o texto constitucional que garante os nossos direitos, por meio de iniciativas legislativas como a Proposta de Emenda Constitucional – PEC 215 de 2000, o PL sem número proposto pelo senador Romero Jucá que altera o Artigo 231, parágrafo sexto, a PEC 237 que trata do arrendamento das terras indígenas e o Projeto de Lei Complementar 227, que tem o mesmo propósito do PL do dito senador.

    4.    O governo da Presidente Dilma, mesmo tendo se declarado contrário à PEC 215, pouco tem feito para conter esta temerosa ofensiva, que no atual momento se configura como um plano genocida, de extermínio dos nossos povos, pois com seu peculiar silêncio mostra concordar que os nossos direitos territoriais sejam suprimidos, apesar de que na “Carta aos Povos Indígenas do Brasil”, publicada pela então candidata nas últimas eleições, tenha afirmado trabalhar visando “novos avanços, particularmente na demarcação das terras indígenas, dentro dos marcos da nossa Constituição”.

    5.    Declarações dessa natureza se tornam vazias quando o governo se omite de orientar a sua bancada de sustentação para conter os ataques sistemáticos aos direitos indígenas no Congresso Nacional e quando toma a determinação de suspender o processo de demarcação das terras indígenas, pois assim parece concordar com os objetivos dos ruralistas de invadir, explorar e mercantilizar os nossos territórios e suas riquezas, para o qual querem interferir nos processos de demarcação, reabrir processos concluídos e parar totalmente os processos de demarcação.

    Jamais a presidente Dilma diria para os povos indígenas o que falou para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), na posse de sua presidente senadora Kátia Abreu: "Quero a CNA ao meu lado… Proponho mais que isso. Quero o produtor rural tomando decisões junto comigo, participando do governo e atuando diretamente na definição de novas políticas". Isso para uma entidade que considera os povos indígenas e quilombolas empecilhos ao “desenvolvimento”.

    6.    Diante deste quadro de ameaças e ataques, reafirmamos a nossa determinação de continuar em luta para defender os nossos direitos, para o qual esperamos contar com o apoio de outros movimentos e organizações sociais e da opinião pública nacional e internacional, exigindo do Estado brasileiro a efetivação das seguintes reivindicações:

    ·        Demarcação de terras indígenas, com dotação orçamentária necessária. Há um passivo de mais de 60% de áreas não demarcadas.

    ·        Proteção, fiscalização e desintrusão das terras indígenas, assegurando condições de sustentabilidade aos nossos povos.

    ·        Inviabilizar iniciativas legislativas (PECs, PLs) que buscam suprimir os direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal, em favor de uma agenda positiva.

    ·        Aprovação do projeto de lei e efetivação do Conselho Nacional de Política Indigenista, instância deliberativa, normativa e articuladora de políticas e ações atualmente dispersas nos distintos órgãos de governo.

    ·        Aplicação da Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todos os assuntos de nosso interesse.

    ·        Implementação efetiva do Subsistema de Saúde Indígena, através do fortalecimento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) para superar o atual quadro de caos e abandono.

    ·        Garantia de acesso à educação de qualidade, específica e diferenciada, nas aldeias, na terra indígena ou próxima a ela.

    ·        Garantir a participação de indígenas no Conselho Nacional de Incentivo à Cultura e a criação de instância específica para atender as demandas das nossas culturas.

    ·        Compromisso com o fim da criminalização, o assassinato e a prisão arbitrária de lideranças indígenas que lutam pela defesa dos direitos territoriais de seus povos. Nesse sentido exigimos a imediata soltura das nossas lideranças que foram presas, no dia de ontem, apenas por se manifestarem contra a inconstitucional PEC 215.





    Mobilização Indígena Nacional

     

    Brasília – DF, 17 de dezembro de 2014.

     

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  • 16/12/2014

    Manifestação contra PEC 215 termina com ação violenta da Polícia Militar e seis indígenas presos

    Indígenas foram reprimidos com violência quando tentavam entrar na Câmara dos Deputados para serem ouvidos em reunião da PEC 215. Horas depois da dispersão, Polícia Militar efetuou prisões arbitrárias acusando aleatoriamente seis indígenas de terem ferido policiais.

    Após confusão na entrada do anexo 2 da Câmara dos Deputados durante a manhã desta terça-feira (16/12), seis indígenas – David Martim Guarani, Cleriston Tupinambá, Tucuri Santos Pataxó Alessandro Terena, Claudenir Terena e Idalino Kaingand – foram detidos acusados de terem ferido policiais militares. As prisões foi feita horas depois dos acontecimentos da manhã, em uma ação arbitrária que identificou aleatoriamente os indígenas como agressores. Os indígenas aguardam no Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do DF para serem ouvidos pelo delegado responsável.

    Na parte da manhã cerca de 80 indígenas se manifestavam pacificamente quando foram avisados da possibilidade de que ocorresse a votação do relatório da Comissão Especial da PEC 215. Na tentativa de entrar na Câmara, duas mulheres indígenas foram agredidas por policiais militares, dando início a confusão. Na dispersão, os relatos dos indígenas são de agressões e uso de gás de pimenta por parte dos policiais.

    Logo após a confusão chegou a confirmação de que a reunião que votaria o relatório da PEC 215 havia sido cancelada. O deputado Afonso Florence, presidente da Comissão Especial da PEC 215, foi pessoalmente anunciar que indeferiu o pedido para que a reunião acontecesse. “Essa PEC não é aprovada pela maioria do povo brasileiro, não convém aos povos indígenas e com a minha presidência, não será aprovada no final do ano atropelando o regimento”, disse Florence. Apesar do posicionamento público de Florence, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, afirmou hoje à noite durante plenária que a reunião da PEC entraria em  pauta desta quarta-feira (17/12) ainda sem horário previsto. 

    Junto com outros deputados, Florence anunciou ainda uma reunião marcada também para a tarde desta terça com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, lideranças indígenas e deputados que atuam na causa. Foi justamente quando se deslocavam para o Ministério da Justiça que os índios foram surpreendidos com a ação arbitrária da Polícia Militar que resultou nas prisões de quatro indígenas.

    Quando tentou registrar a ação da Polícia Militar, o assessor de comunicação do CTI teve seu aparelho celular apreendido. Os policiais apontaram armas enquanto dirigiam ofensas aos indígenas. Os camburões foram fechados com pontapés dos policiais que gritavam ofensas e impediam quem tentasse fazer registro de imagens. Os indígenas detidos relataram que dentro das viaturas um dos policiais usou spray de pimenta, sufocando os quatro indígenas que se amontoavam no mesmo espaço.

    “Ficamos o tempo todo na porta da Câmara, quando saímos de lá fomos surpreendidos com carros da PM. Aí Já foram puxando os indígenas e jogando as lideranças no carro. Chutaram nosso cocar e nos xingaram. Disseram que iríamos pagar pelo suposto ferimento de alguns policiais. É triste presenciarmos isso sem sabermos o real motivo. É um grande esquema para sujar nossa imagem”, afirma a liderança Nilton Pataxó, presente no momento da prisão dos quatro indígenas.

    Mais tarde, ao voltar da mobilização, dois ônibus que transportavam os indígenas foram parados pela Polícia Militar, que prendeu mais duas lideranças. A prisão dos indígenas não é um caso isolado, mas resultado de um processo de criminalização dos povos que lutam pela demarcação de seus territórios tradicionais. 

     

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  • 16/12/2014

    Nota de repúdio das mulheres indígenas do sul da Bahia contra a PEC 215/2000

    Nós mulheres indígenas da organização COMISULBA – Comissão de Organização das Mulheres Indígenas do Sul da Bahia, reunidas nos dias 13 a 15 de dezembro de 2014, na Aldeia Caramuru, município de Pau Brasil, no sul da Bahia, cerca de 120 companheiras Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe em nosso encontro anual de avaliação, queremos manifestar nessa oportunidade nossa indignação e revolta ao governo federal que delega ao Congresso votar a PEC 215. Projeto de Lei que significa a morte para nossas populações indígenas. Aprovar a PEC é desrespeitar automaticamente todas as formas organizativas dos povos tradicionais, principalmente o direito a terra a demarcação e sobrevivência das comunidades.

    Votar a PEC é rasgar a constituição de 1988 que garante ao governo federal zelar pelas populações indígenas, quilombolas, sem terras e todos os que lutam em defesa da vida.

    Queremos dizer NÃO A PEC 215, NÃO AO PROJETO DE MORTE e SIM A VIDA e a sobrevivência dos Povos.

    Respeitem os nossos direitos e nos deixe viver. Já não chegam 514 de massacres?

    Aldeia, Caramuru-Paraguaçu, 15 de dezembro de 2014.

    Assinam 120 participantes do Encontro

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  • 16/12/2014

    URGENTE! Envie uma mensagem aos parlamentares pelo arquivamento da PEC 215

    Ao deputado federal Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara dos Deputados,

     

    Ao deputado federal Afonso Florence (PT-BA), presidente da Comissão Especial da PEC 215,

     

     

    Venho através desta mensagem expressar minha indignação e repúdio às ofensivas contra os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que tomam força no Congresso Nacional atualmente, especialmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215. Esta proposta poderá ser aprovada nesta semana, conforme planeja a bancada ruralista após as manobras realizadas na Câmara dos Deputados na semana passada, que ferem o próprio regimento da Câmara dos Deputados.

     

    É de amplo conhecimento da sociedade que se a prerrogativa da demarcação de terras indígenas, da titulação de territórios quilombolas e da criação de unidades de conservação passar para o Congresso Nacional haverá uma total paralisação na criação destas áreas no Brasil. Além disso, o parecer desta PEC autoriza a revisão das terras indígenas que já estão demarcadas, o que coloca em risco a autonomia e a própria vida de todos os povos indígenas do Brasil.

     

    Entendo que a PEC 215 é uma afronta aos direitos constitucionais conquistados com muito esforço e sofrimento pelos povos e comunidades tradicionais e que esta proposta significa a morte dos seus modos de vida, já que sem os seus territórios eles não têm condição de serem indígenas e quilombolas.

     

    Também é fundamental que os senhores considerem o fato de que a Justiça Federal do Mato Grosso decidiu enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o processo que investiga possível envolvimento do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), na compra de um parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e de seu colega Nílson Leitão (PSDB-MT), vice-presidente da Comissão Especial que analisa esta PEC, na invasão da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, no Mato Grosso. Escutas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal identificaram um possível esquema de produtores rurais do nordeste do Mato Grosso para pagar R$ 30 mil a um lobista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para elaborar parecer sobre a PEC.

     

    Desse modo, dada a gravidade dos fatos aqui elencados, peço que os senhores façam todo o esforço no sentido de rejeitarem definitivamente esta PEC 215.

     

    e-mails:

     

    [email protected]
    [email protected]

     

     

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  • 16/12/2014

    Carta da Plataforma dos Movimentos Sociais do Estado do Tocantins

    À

    Presidenta Dilma Rousseff

     

    Nós, dos Movimentos Sociais do Campo, da Cidade, de Juventude, de Mulheres, de Indígenas, de Quilombolas e dos Direitos Humanos, que vivemos no Tocantins, reunidos durante a Plenária Estadual dos Movimentos Sociais que atuam no campo e na cidade, bem como a dos demais movimentos sociais do país, entendemos que a luta pela reforma agrária e as conquistas garantidas pelos direitos constitucionais adquiridos pelos povos indígenas e pelos povos quilombolas estão, totalmente, ameaçadas com o possível ingresso da senadora Kátia Abreu no Ministério da Agricultura. Afirmamos que a luta dos povos do campo contra o agronegócio/agrotóxico/transgênico na região amazônica tem como inimiga a Senadora Kátia Abreu, representante principal da bancada ruralista.

     

    Para nós, essa indicação é contrária às reivindicações dos movimentos sociais brasileiros. Nossa preocupação não está apenas na suposta chegada da referida Senadora ao Ministério da Agricultura e sua provável facilitação na liberação de agrotóxicos e transgênicos, tão nocivos à saúde da população brasileira, mas sim de toda a sua repulsa aos Movimentos Sociais que provavelmente sofrerão mais ainda com a criminalização das lutas e da pobreza.

     

    Os movimentos sociais do campo, da cidade, de juventude, de mulheres, indígena, quilombola e dos direitos humanos não têm preconceitos contra a senadora Katia Abreu pelo fato dela ser mulher ou por ser da região Norte, somos, sim, contra o que ela politicamente representa, defende e apoia.

     

    Todos os movimentos sociais e organizações presentes na Plenária Estadual dos Movimentos Sociais são veementemente contra a aprovação da PEC 215 e a ADI 3239 por representar um retrocesso aos direitos humanos, dos povos indígenas e quilombolas, uma ameaça a seus territórios, a sua vida e sua reprodução social-cultural-econômica, subjugando-os ainda mais a concepção autoritária de desenvolvimento adotado pelo governo.

     

    Exigimos que o novo mandato seja pautado pelas rupturas necessárias para enfrentar as grandes questões estruturais da sociedade, que aponte a natureza de nossos problemas e as soluções necessárias, principalmente no que diz respeito às transformações políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais que interessam ao povo brasileiro.

     

    Entendemos que a Reforma do Sistema Político, a partir de uma Constituinte exclusiva e soberana, é o ponto principal para eliminarmos o “voto” do Poder Econômico nas eleições e nas definições das políticas públicas; que fortaleça os programas partidários, que enfrente a sub-representação dos/as trabalhadores/as, das mulheres, dos jovens, da população negra, indígena e LGBT; que regulamente e efetive os mecanismos de Democracia Direta; com a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo 1508/2014 que convoca um Plebiscito Oficial com a mesma pergunta do Plebiscito Popular, realizado em setembro de 2014, que obteve mais de 7 milhões e meio de votos: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?” A Constituinte deve ter como prerrogativa central a soberania popular.

     

    Por tudo que foi exposto acima é que defendemos e exigimos:

     

    1. Democratização da Educação: com universalização do acesso à educação em todos os níveis, principalmente a educação infantil, ensino médio e superior; erradicação do analfabetismo de 14 milhões de trabalhadores/as; garantir a efetividade dos 10% do PIB para educação pública.

     

    2. Democratização dos Meios de Comunicação: implementação das propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação e pela descriminalização dos veículos de mídia independente.

     

    3. Programa Massivo de Moradia Popular, que supere o déficit de 8 milhões de moradias à curto prazo. 

     

    4. Investimentos Prioritários em Transporte Público de Qualidade, implementando a tarifa zero. Entendemos que é o transporte público que dá acesso a todos os outros direitos sociais constitucionalmente conquistados, como saúde, educação e cultura. 

     

    5. Redução da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais. 

     

    6. Reforma Agrária, que de fato democratize a estrutura da propriedade fundiária e garanta terra a todos/as os/as sem-terra. Pela publicação do decreto que atualize o índice de produtividade, facilitando a desapropriação do latifúndio. 

     

    7. Por um Plano Nacional de Erradicação do Uso de Agrotóxicos e Transgênicos, em defesa dos bens naturais e da biodiversidade, a partir da agroecologia.  

     

    8. Por um Plano de Desenvolvimento da Indústria Nacional, em todos os municípios, com estímulo a Agroindústria Cooperativa e Economia Solidária. Este plano deve apontar para um novo modelo de desenvolvimento, baseado em novas formas de produção, distribuição e consumo. 

     

    9. Pelo compromisso real com o pleno emprego. Pensar a política econômica como elemento essencial para o pleno emprego, garantia de melhores salários e trabalho decente. Contra qualquer tentativa de precarização do trabalho e dos direitos trabalhistas. Garantia de uma política para os/as trabalhadores/as estrangeiros/as que se encontram no país em situações de violação de direitos humanos. 

     

    10. Desmilitarização das PM´s e aprovação imediata da PL 4471/2012, que obriga que todas as mortes ou lesões efetuadas pelas forças policiais sejam investigadas. Defesa de uma Polícia desmilitarizada e uma nova concepção de política de segurança que não criminalize a pobreza e a juventude, principalmente negra. 

     

    11. Pelo fim do Genocídio da Juventude Negra e contra Projetos de Redução da Maioridade Penal. 

     

    12. Pelo fortalecimento do sistema público de Previdência, pelo fim do fator previdenciário que prejudica o direito à aposentadoria dos/as trabalhadores/as brasileiros/as. 

     

    13. Pelo fim das Privatizações e das concessões dos bens e serviços públicos. O Estado precisa ter instrumentos eficazes de controle das tarifas de água, energia elétrica, combustíveis. 

     

    14. Por Políticas de Enfrentamento ao Machismo, Racismo e Homofobia. Defesa da criminalização da homofobia, da união civil igualitária, implementação real da Lei Maria da Penha e políticas para a autonomia econômica e pessoal das mulheres, pela criação do Fundo Nacional de Combate ao Racismo. 

     

    15. Pela demarcação imediata das terras indígenas e titularidade e regularização das terras das comunidades quilombolas. Rejeição a todos os projetos e PEC’s em tramitação no Congresso contra os direitos indígenas e quilombolas. Pelo efetivo cumprimento da Convenção 169 da OIT. 

     

    16. Pela criação da Política Nacional dos atingidos pelos grandes projetos.

     

    17. Implementação, imediata das Escolas Famílias Agrícola: de Esperantina, Riachinho, Novo Acordo e São Salvador.

     

    Assinam: 

     

    Alternativa para Pequena Agricultura no Tocantins – APA-TO

    Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Centro Norte de Palmas – ASCAMPA-TO

    Casa 8 de Março Organização Feminista do Tocantins

    Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais – ABONG-Tocantins

    Centro de Direitos Humanos de Palmas – CDHP

    Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins – COEQ-TO

    Coletivo Cultural Canábico

    Comissão Pastoral da Terra – CPT

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    Consulta Popular

    Instituto de Direitos Humanos e Meio Ambiente – IDHMA

    Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais – IPDMS Seção Tocantins

    Levante Popular da Juventude

    Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

    Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

    Movimento Independente de Luta pela Moradia – MILM

    Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

    Movimento Estadual dos Direitos Humanos – MEDH

    Rede de Educação Cidadã – RECID

  • 16/12/2014

    Grandes empresas financiaram campanhas de deputados anti-indígenas

    Os deputados que figuram como membros titulares na Comissão Especial1 da Câmara dos Deputados que aprecia a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/20002 receberam mais de R$ 18 milhões na campanha eleitoral de 2010. Entre os doares estão grandes empresas, como JBS, Bunge, Gerdau, Suzano, Klabin, Embraer, Camil, Engevix e Cosan. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral.

    A JBS foi a principal doadora da campanha que levou à reeleição de Dilma Roussef (PT). Na lista do Tribunal ainda constam vários outras empresas dos setores do agronegócio, mineração, siderurgia, celulose, armas e agrotóxicos. 

    A PEC 215 foi apresentada no ano 2000 pelo então deputado Almir Sá (PPB/RR) e propõe, via texto principal associado a emendas parlamentares, repassar do Executivo para o Legislativo a prerrogativa de demarcar Terras Indígenas e Quilombolas, bem como de criar parques nacionais e outras Unidades de Conservação. 

    O último relatório à tramitação da PEC, apresentado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR), prevê que essas áreas protegidas tenham sua criação e limites revistos caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional. Isso violaria direitos constitucionais e submeteria à insegurança jurídica medidas aprovadas pelo Estado brasileiro.

    Vale ressaltar, ainda, que, desde 2001, o Código de Ética da Câmara dos Deputados é ferido sempre que parlamentares relatam "matéria submetida à apreciação da Câmara dos Deputados, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”. 

    ___________________________________________________________________________

    1) http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/54a-legislatura/pec-215-00-demarcacao-de-terras-indigenas/conheca-a-comissao/membros-da-comissao
    2) http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=14562

     

    Empresas, sites, mails e tuítes

    JBS

    http://www.jbs.com.br/pt-br/contato

    [email protected]

    @Jbs_Friboi / @jbsfriboi@JBS_Inc

    Bunge

    http://www.bunge.com.br/Ferramentas/FaleConosco.aspx 

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    @fundacaobunge

    Gerdau

    https://www.comercialgerdau.com.br/faleconosco/index.asp

    [email protected]

    @gerdau / @AEAclube

    Suzano

    http://www.suzano.com.br/portal/faleconosco.jsp?locale=pt_BR

    [email protected]

    [email protected]

    @suzano_ri

    Klabin

    http://www.klabin.com.br/pt-br/fale-conosco

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

     

    Embraer

    http://www.embraer.com/pt-BR/ContatoEmbraer/Paginas/Fale-Conosco.aspx

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    @embraersa

    Camil

    http://www.camil.com.br/contactus

    [email protected]

     

    Engevix

    http://www.engevix.com.br/paginas/contato.aspx

    [email protected]

    @grupoengevix / @institutengevix

    Cosan

    http://cosan.com.br/pt-br/canal-de-comunicacao/contato

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    [email protected]

    @cosanbrasil

     

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