Cinco indígenas presos por protestarem contra a PEC 215 foram libertados
Após ficarem presos três dias por protestarem contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, no Congresso Nacional, as cinco lideranças
indígenas Alessandro Miranda Marques Terena, 29, Cleriston Teles Sousa Tupinambá, 20, Itucuri Santos Santana Pataxó, 24, Idalino Fernandes Kaingang, 49, e Claudesi Vicente Pio Terena, 37, foram, finalmente, soltos. Eles retornarão para as suas aldeias nos próximos dias.
As lideranças afirmam que foram ameaçadas e bastante xingadas pelos policiais militares, que chegaram a dizer que eles não eram indígenas e atiraram gás de pimenta no rosto deles, dentre várias outras humilhações.
O juiz Fábio Francisco Esteves, ao contrário, afirmou em sua primeira decisão, em que três dos cinco indígenas foram libertados: “Verifico que as prisões não podem ser mantidas. É preciso registrar que os fatos se deram no contexto do legítimo exercício do direito de manifestação, da liberdade de expressar, do direito de participação na esfera pública, de integrar o processo deliberativo político, pilares centrais de sustentação do Estado Democrático de Direito… Os sujeitos afetados procuraram exercer o direito de defesa dos seus interesses através da manifestação, do movimento de protesto, de contestação contra uma sociedade que na sua visão, por meio dos seus representantes, se pôs contra eles…”. Na segunda decisão, que libertou os outros dois indígenas, ele reafirmou a defesa do direito de protestar praticada pelos indígenas.
Os cinco indígenas libertados afirmam que a prisão e todas as humilhações que passaram por terem vindo à capital do país defenderem seus direitos não os desanima. “Ao contrário, estamos ainda mais convictos da importância de nos fortalecermos para continuar a nossa luta. A nossa luta pela terra e pela vida dos povos indígenas do Brasil”, declararam, logo após a soltura.
Breve histórico – Os cinco indígenas foram encarcerados no Departamento de Polícia Especializada (DPE), em Brasília, acusados de tentativa de homicídio contra policiais durante o confronto na manhã da terça-feira (16), no Congresso Nacional. Quatro foram presos à tarde, nas proximidades do Ministério da Justiça, quando se dirigiam para uma reunião com o ministro José Eduardo Cardozo, e dois, à noite, quando um ônibus foi interceptado pela Polícia Militar (PM). À noite, naquele mesmo dia, um Guarani foi solto após prestar depoimento. A polícia argumenta que houve disparo de flechas, que os índios agrediram policiais e que eles estariam “armados com arcos e flechas, lanças e tacapes”. O que, evidentemente, não constitui crime algum.
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principalmente pela bancada ruralista do Congresso Nacional, vem por meio da presente agradecer profundamente a todos e todas os aliados e aliadas da causa indígena no Brasil e em todas as partes do mundo – entidades indigenistas, socioambientais e de direitos humanos, movimentos e organizações sociais, instituições acadêmicas, partidos políticos, parlamentares e outras iniciativas, inclusive individuais – que se solidarizaram conosco e contribuíram das mais diversas formas na defesa dos nossos direitos gravemente ameaçados sobretudo neste final de ano.
Constitucional (PEC) 215 tenha sido votada pela comissão especial que a analisava. Com isso, de acordo com o Regimento da Câmara, a comissão deve ser extinta e o projeto arquivado, numa vitória histórica para defensores do meio ambiente, povos indígenas e tradicionais.

forte esquema policial se espalhou pelos espaços dos três poderes. Parecia que estaria prestes a acontecer uma perigosa invasão de vândalos..jpg)
João e Novo Paraíso, região da Serra da Lua, pertencentes aos povos Wapichana e Macuxi reunidos na Oficina de Pactuação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental(PGTA), atividade iniciada ontem, 16, na comunidade indígena Pium, manifestamos e somamos apoio aos demais povos indígenas do Brasil, assim como todos os povos de Roraima que hoje, 17, se reúnem na comunidade indígena Sabiá, Terra Indígena São Marcos em grande mobilização local com mais de 800 indígenas, reforçando a Mobilização Nacional Indígena contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215). Proposta absurda da bancada ruralista e seus aliados, que querem violar as nossos direitos constitucionais. 
Tivéssemos nós apenas o acesso à mídia comercial, saberíamos que, ontem, um pequeno grupo de indígenas provocou grandes tumultos na Câmara de Deputados, inclusive ferindo um policial no pé, com uma flechada. Eles protestavam contra a votação da PEC 215, que leva para o legislativo a prerrogativa de demarcar terras indígenas.
215. 
Nota conjunta de repúdio à PEC 215.