Frente Parlamentar Ambientalista tentará impedir aprovação da PEC 215 no Congresso Nacional
O Conselho Indigenista Missionário – Cimi participou de um café da manhã na Câmara dos Deputados organizado pela Frente Parlamentar Ambientalista, na manhã desta quarta-feira (25). Cerca de 300 pessoas entre representantes de entidades, parlamentares e indígenas se reuniram para discutir, prioritariamente, a PEC 215.
Para o secretário executivo do Cimi, Cleber Buzatto, a PEC é apenas um dos instrumentos no Congresso para inibir os direitos indigenistas. De acordo com ele, é objetivo do setor ruralista, mineradores, etc, essas mudanças no texto constitucional, conseguindo, assim, impedir as demarcações e ainda viabilizar as invasões em territórios já demarcados.
O coordenador da Frente, deputado Sarney Filho (PV-AM), defendeu a articulação para impedir que a PEC 215 seja aprovada. “Atacar as reservas indígenas é atacar não somente os povos indígenas, mas também o meio ambiente”, defendeu o deputado que também lembrou que mudanças na legislação vão contra o caminho do desenvolvimento socioambiental.
Representando a Articulação Nacional dos Povos Indígenas – Apib, Sônia Guajajara mostrou a importância das mobilizações, citando as conquistas do final do ano como o engavetamento da PEC 215. Para Sônia o evento aconteceu em um momento bastante oportuno, de retomada das articulações, incluindo os novos parlamentares.
“O recado do presidente da Câmara já foi dado: é para desarquivar e aprovar a PEC. Portanto, se não há diálogo, nossa decisão é ir para o enfrentamento com o presidente da Câmara e a bancada ruralista”, garantiu Sônia.
Já o fundador do Instituto Sócio Ambiental – ISA, Márcio Santilli, questionou a constitucionalidade da PEC 215. Ele defende que discutir e pensar em aprovar a Proposta é destituir a autonomia dos poderes e atropelar o Executivo e o Judiciário, chamando para o Legislativo o poder de decisão. Márcio também lembrou que os processos de demarcação estão judicializados, portanto o Congresso não dará a ordem final. “O que isso contribui para a garantia dos direitos?”, questionou.
Representante da classe dos artistas e da ONG Uma Gota no Oceano, Maria Paula Fidalgo, pediu atenção a várias causas que estão acontecendo paralelamente e que envolvem explorações desenfreadas em áreas de proteção. Na ocasião, ela também agradeceu à todos os índios presentes e suas respectivas comunidades pela preservação de suas terras, defendendo, assim, todos os brasileiros.
Alguns parlamentares também fizeram uso da palavra e se colocaram como apoiadores da causa, garantindo lutar em favor do completo arquivamento da PEC 215. Também foi lembrado que será instaurada a Frente Parlamentar de Apoio aos Índios, uma forma a mais de mobilização das comunidades indígenas em defesa de seus direitos.

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Há exatamente uma semana atrás, o Cimi denunciou a lamentável investida de jagunços armados contra um jovem Kaiowá nas imediações de Naviraí, município ao sul do Mato Grosso do Sul. Em busca de informações sobre as lideranças da tekoha – lugar onde se é – Kurupi, cerca de 20 homens armados sequestraram um jovem de 17 anos e infringiram contra ele uma longa e aterrorizante sessão de tortura psicológica. Os aspectos deste crime, somados a sistemática onda de violência acometida contra os povos indígenas, revelam a continuidade da formação de milícias anti-indígenas por parte dos ruralistas no estado.
Doze lideranças do povo Paiter Suruí, da Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, localizada no estado de Rondônia, afirmaram ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Flávio Chiarelli, em uma reunião realizada na manhã de ontem (24), que desejam que o projeto de Carbono Florestal Suruí seja suspenso. Os principais argumentos apresentados pelas lideranças foram: as graves divisões ocorridas no povo; o não cumprimento das promessas de melhoria de vida da comunidade (enquanto, por outro lado, afirma que algumas poucas famílias têm se beneficiado bastante); o afastamento de lideranças e a centralização da representatividade do povo; e as ameaças feitas a vários integrantes do povo que, atualmente, se posicionam contrários ao projeto.
“Queremos a suspensão imediata desse projeto de carbono, que está matando o povo Suruí”. Essa foi a reivindicação de todos os caciques e lideranças do povo Suruí, na audiência por mais de três horas, no auditório do Ministério Público Federal. Deborah Duprat, coordenadora da 6ª Câmara, ouviu atentamente e debateu com a delegação dos Povos Indígenas de Rondônia, num clima de muita confiança e franqueza. Após breve apresentação, Dra. Deborah manifestou estranheza sobre a presença de alguns seguranças no auditório. Após indagar quem os teria enviado a esse espaço, comentou: “Nós nunca precisamos de tais presenças em nossos encontros com os povos indígenas. Por isso peço a vocês que se retirem”. Apesar de terem confidenciado que estavam ali por ordem superior, retiraram-se do recinto.
“Não consegui em voz falar ainda sobre o que esta conquista significa para nós, existe um nó dentro do peito que não me permite soltar esse grito”, assim manifestou-se Kerexu Yxapyry – Eunice Antunes cacique da TI Morro dos Cavalos (SC) após saber a decisão judicial, do juiz Federal da Vara Ambiental de Florianópolis que confirmou a Portaria Declaratória e reconheceu o Morro dos Cavalos como terra tradicionalmente ocupada. Para a comunidade Guarani não é novidade, porque esta já é a terceira vez que os contrários entram com ação judicial e perdem, mas cada uma delas é comemorada, porque confirma a palavra Guarani. Agora só falta a presidenta Dilma Rousseff assinar a Homologação, tanto esperada pela comunidade.
Diminuir a área indígena não será fácil. A frase é de Roberto Cinta Larga, um dos representantes da comitiva que está em Brasília e foi ouvido pelo CIMI para tratar uma série de pautas junto aos três poderes. Ela foi dita durante uma reunião que aconteceu no Centro de Formação Vicente Cañas, na manhã de hoje (23), onde a delegação de indígenas de Rondônia e Mato Grosso está hospedada. 
Em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na quarta-feira, 12, bispos do regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentaram o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2015. Este ano, a Campanha traz como tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir!”.