Povos de Rondônia, Noroeste de Mato Grosso e Sul do Amazonas reúnem-se para defender direitos indígenas
Com o Tema: “Fortalecer, Proteger e Unificar as lutas em Defesa dos Direitos Indígenas”, cerca de 90 lideranças de povos de Rondônia, do Noroeste do Mato Grosso e do Sul do Amazonas, realizaram o encontro regional “Abril Indigena”, de 7 a 10 de abril, onde discutiram, avaliaram e refletiram sobre os problemas que atingem os povos desta região. “Nossas terras foram roubadas, nossas riquezas saqueadas e nossa cultura ridicularizada. Continuamos firmes na luta, na defesa de nossos territórios”, afirmaram os indígenas.
Foram expostas as angústias, preocupações e violências ainda vivenciadas diariamente pelas comunidades e territórios tradicionais. As lideranças denunciaram os ataques que os povos vêm sofrendo, com as constantes violações de seus direitos, garantidos constitucionalmente, assim como as ameaças que rodam os territórios, seja por invasão de madeireiros, fazendeiros, instalação de grandes empreendimentos, especulação do agronegócio e dos projetos de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), que têm impactos desastrosos para os povos indígenas.
O encontro ainda denunciou o roubo do patrimônio genético dos povos, que se posicionaram contrários à criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (Insi). Diante de tudo, foi renovada a indignação. “Exigimos respeito aos nossos direitos tão duramente conquistados pela Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da OIT, e hoje ameaçados por aqueles que só exploram as riquezas e os povos do nosso país. Nós somos filhos da Mãe Terra e por ela seguiremos lutando, guiados pelos espíritos de nossos antigos guerreiros”, disseram as lideranças.
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Brasília, 10 de Abril de 2015
Pelo menos 600 indígenas que vivem na aldeia do Jaraguá, na zona oeste de São Paulo, podem perder uma área de 72 hectares de seu território devido a uma ordem de reintegração de posse emitida pela Justiça Federal no último dia 26, que está para ser cumprida a qualquer momento pela Polícia Federal. O terreno já foi reconhecido como área tradicional pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e aguarda parecer do Ministério da Justiça e homologação da Presidência da República.

“Num encontro com a presidente Dilma, eu falei pra ela que era preciso descolonizar o país. Ela me respondeu que já está descolonizado. Pensei comigo: essa é uma prova de que ela não conhece e não quer conhecer o país a partir de sua raiz, os habitantes primeiros, os povos originários desse país” (Anastácio Peralta).
Os crimes da ditadura e a impunidade


De janeiro a março deste ano seis crianças morreram na Terra Indígena Vale do Javari, situada no oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru, distante da capital cerca de 1.150 quilômetros em linha reta. De acordo com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – Univaja, o atendimento às comunidades continua precário, comprometendo a saúde dos indígenas.
“Quando trabalhamos no Secretariado do CIMI, sempre lutamos para que a questão indígena não mais permanecesse ligada a um Ministério do governo, mas passasse a ser responsabilidade direta da Presidência da República. Ora, a PEC 215 quer transferir a responsabilidade ao Congresso Nacional, onde sempre vencem as forças anti-indígenas”, critica o colaborador do CIMI.