Povo Terena retoma três fazendas da Terra Indígena Taunay/Ipegue, em MS
Cerca de 500 indígenas do povo Terena retomaram, na madrugada desta segunda-feira (27), três fazendas que estão localizadas dentro da Terra Indígena Taunay/Ipegue, no município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Juntas, as áreas somam 6 mil hectares.O procedimento administrativo de ampliação da área, demarcada originalmente em 1905 pelo marechal Cândido Rondon, tramita há quase 30 anos. Em janeiro de 2009, foi encaminhado da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao Ministério da Justiça e, desde então, encontra-se paralisado, junto com outros 16 processos, aguardando a assinatura da Portaria Declaratória pelo ministro José Eduardo Cardozo.
A liderança Alceri Terena explica que o povo decidiu retomar o território devido à morosidade na regularização de suas terras. “Estamos cansados de esperar. As negociações [com fazendeiros do estado] estão engavetadas e o processo da nossa demarcação também. E se nossa ocupação não tiver nenhum resultado vamos fazer mais retomadas”, afirma a liderança.
Os indígenas dividiram-se em três grupos e cada um ocupa a frente da sede das fazen
das. “Tá tudo tranquilo, demos um prazo de 24 horas para os fazendeiros retirarem os pertences deles e o gado”, disse o cacique Isais, que reforçou a determinação do povo em permanecer na terra. Os Terena asseguraram que até o momento não houve nenhum tipo de violência contra o grupo, que agora já soma cerca de mil pessoas, entre homens, mulheres, crianças e idosos. Os indígenas afirmam que têm suprimentos de comida e água."Avisamos aos governantes deste país, se não demarcarem nossas terras tradicionais, nós povo terena vamos retomar uma por uma das nossas terras tradicionais ocupadas pelos fazendeiros", diz comunicado divulgado pela página ‘Resistência do Povo Terena’ no Facebook. Leia abaixo na íntegra:
"O Povo Terena cansou de esperar a boa vontade do Estado brasileiro! Está claro que a política atual do Brasil não é para índios brasileiros, o progresso tem os seus donos, os grandes barões que comandam este Brasil para uma verdadeira escassez. A Constituição do Brasil, de 1988, assegurou aos povos indígenas à demarcar as terras tradicionais 5 anos após promulgação em 1988 que nada foi cumprida. Já se passaram mais de 26 anos de promessa. Durante estes anos várias vidas indígenas foram ceifadas. Reafirmamos que vamos sim lutar e fazer ser respeitado todos os nossos direitos".
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Dezenas de famílias Kaingang decidiram ocupar, nesse sábado (25), uma terra reivindicada há décadas pelo povo, localizada no município de Canela, Rio Grande do Sul. Sobre a área foi constituído um parque ambiental denominado Floresta Nacional de Canela, localizado a sete quilômetros do centro da cidade. No parque existem cursos d’água e vegetação nativa, em especial a araucária.
Muitas de suas terras, redutos sagrados, foram transformadas em fonte de renda, em capital especulativo através do plantio de grãos (soja, milho, trigo), através da implantação de grandes latifúndios (criação de gado e de grandes granjas da monocultura) e vêm servindo para a expansão imobiliária. E, nas últimas décadas, áreas que não serviam para a agricultura e nem para a criação do gado de corte, sobre as quais restavam recursos ambientais significativos ou, em muitos casos, em processo de extinção por causa da exploração indiscriminada da madeira, foram transformadas em reservas ou parques de preservação.
Durante a semana passada, as manifestações sagradas dos Guarani e Kaiowá, entoadas, cantadas e dançadas ao som dos mbarakás, se unificaram para fazer romper o cerco de violência e violações que novamente se intensificaram contra o povo. 

Cerca de 100 índios Kanela do Araguaia que haviam retomado recentemente uma área, batizada como aldeia Pukanu, no município de Luciara (MT), foram expulsos depois de um processo de reintegração de posse. Relatos dão conta de uma série de negociações realizadas entre as autoridades responsáveis pela execução da ordem de despejo e as lideranças indígenas. Mas a comunidade acabou removida para a cidade de Canabrava do Norte.
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