Na luta pela terra e por um mundo mais justo, perdemos um grande lutador!
Seu Chico, como era conhecido, tinha 53 anos e, desde o final da década de 1980, lutava na região metropolitana de Porto Alegre, juntamente com centenas de famílias indígenas, pelo direito a um pedaço de terra para viverem e pela garantia de espaços públicos onde pudessem comercializar os seus produtos, especialmente os artesanatos e as cestarias de taquara e cipó.Na luta pelo direito de viverem nos espaços urbanos, os Kaingang sempre foram duramente perseguidos e questionados sobre o porquê os "índios queriam viver na cidade, se o lugar de índio era na mata?” Seu Chico em sua sabedoria sempre respondia que a terra foi dada a todos os seres e que os colonizadores chegaram e foram se apossando de tudo, tirando um direito que era comum. E, ao se apossarem da terra, construíram sobre ela as cidades, destruíram as matas, os seres que viviam nas matas e contaminaram as águas. Mas antes destes colonizadores os Kaingang já viviam na terra e nunca se distanciaram dos lugares onde os umbigos dos antepassados foram enterrados. As autoridades não aceitam este argumento e, em geral, a sociedade dominante também se nega a entender e acolher os indígenas como parte da terra, da natureza e como partícipes do cotidiano nos espaços urbanos.
Nos debates que travava contra aqueles que faziam oposição a presença indígena em Porto Alegre, São Leopoldo, Canela, Farroupilha, Lajeado, Estrela e tantos outros lugares, Seu Chico sempre dizia se sentir mais índio na cidade do que nas reservas criadas para confiná-los, pois nos espaços urbanos ele lutava para resgatar e retomar o que lhes tiraram.
Seu Chico preocupou-se muito com a cultura Kaingang, com seus costumes, crenças, com a manutenção da língua ou do idioma, como ele mesmo falava, aspectos fundamentais para fortalecer o sentido de povo. Em função desse pensamento de Seu Chico e de outras lideranças, nas áreas que foram sendo criadas ou estão em processo de demarcação, a cultura Kaingang é valorizada, seu modo de ser é vivenciado no cotidiano e as crianças crescem aprendendo, em primeiro lugar, a língua Kaingang.
Seu Chico, nos últimos anos, envolveu-se fortemente na luta pela demarcação dos territórios indígenas, participando de reuniões, mobilizações, protestos contra a política de paralisação das demarcações de terras. Esteve por diversas vezes em Brasília juntamente com outras lideranças do Brasil dialogando com autoridades federais para que os direitos consolidados na Constituição Federal fossem assegurados e não destruídos por parlamentares ou governantes que defendem exclusivamente interesses econômicos.
Perdemos nesta vida um grande lutador, mas recebemos dele ensinamentos que se eternizam junto aos militantes das causas indígenas, quilombolas, sociais e ambientais. Causas que ele sempre articulava, pois dizia que as lutas não podiam ser isoladas, mas tratadas em conjunto. No mês de maio participou de uma reunião em Porto Alegre, no Quilombo dos Silva, onde expressou o sentimento de que indígenas e quilombolas são, entre os que sofrem, aqueles que mais foram agredidos, perseguidos, escravizados e os que, na atualidade, têm seus direitos ameaçados por governos, políticos e juízes que deveriam respeitar e cumprir a lei. Por isso, afirmava ele, “não podemos fraquejar, temos que manter a união e enfrentar os nossos inimigos em comum”.
Francisco dos Santos foi o nome dado a ele em português, mas em Kaingang os Kujã o nomearam como sendo Rôkag, que na tradução significa "Homem de boas ideias". Ao longo de sua vida, Rôkag nos deixou ensinamentos e ideias que precisam ser valorizados: cuidar da terra, cuidar das matas e de todos os seres nelas existentes. Para Rôkag todos os seres são relevantes para a vida. Dizia ele que as plantas existem porque têm a função de alimentar, proteger, servir de abrigo, remédios. A água é como se fosse o nosso sangue, por isso deve ser protegida, limpa, pura. E a terra é nossa mãe e sobre ela não precisamos nem falar muitas coisas, pois quem é que quer agredir a mãe, matar a mãe, envenenar a mãe? Somente aqueles que não a merecem.
Porto Alegre, 17 de agosto de 2015
Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul.
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![“Louvado sejas [Laudato Si´]: sobre o cuidado da casa comum”....](https://cimi.org.br/wp-content/uploads/pub/assteologica/papaFrancisco.jpg)

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhão realizou, de 10 a 14 de agosto em São Luís, sua 36ª Assembleia, pautada no conceito do “Bem Viver como caminho possível a partir dos projetos de vida dos povos indígenas”.
Nós, missionárias e missionários do Cimi Maranhão, a vice-presidente do Cimi Nacional, o bispo da Diocese de Viana, representantes indígenas dos povos Ka’apor, Krenyê, Gamela, Tremembé e Guajajara, Comissão Pastoral da Terra, Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI, NuRuNi – Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras, Quilombolas e Indígenas do Programa de Pós Graduação de Saúde e Ambiente/UFMA, Justiça nos Trilhos e Gedmma – Grupo de Estudo Desenvolvimento Modernidade e Meio Ambiente/UFMA, reunidos na XXXVI Assembleia Regional do Cimi MA, nos dias 10 a 14 de agosto de 2015, no Centro Comboniano, praia do Olho D’Água, refletimos sobre o conceito do Bem Viver como caminho possível a partir dos Projeto de Vida dos Povos Indígenas. Reafirmamos seus projetos de vida, pautados numa relação de equilíbrio com a natureza e os seres humanos, e defendemos sua autodeterminação. Nos indignamos com os relatos das inúmeras violências praticadas pelo Estado brasileiro em parceria com o capital, com o objetivo de eliminar esses projetos e usurpar seus territórios. Diante disso, denunciamos e repudiamos: a não conclusão do inquérito do assassinato de Eusébio Ka’apor, ocorrido a quatro meses; as constantes ameaças de madeireiros e políticos da região contra o povo Ka’apor,
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou nesta sexta-feira, 14, um manifesto contra a Agenda Brasil, um pacote de medidas adotado pelo governo federal para enfrentar a crise econômica e política. Em um de seus pontos, a agenda prevê a “
A delegação com cerca de 100 indígenas de oito povos dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que está em Brasília desde a segunda-feira (10) para reivindicar direitos junto aos Três Poderes, visitou nessa quarta-feira (12) gabinetes na Câmara dos Deputados e participou de uma sessão de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) “para dizer que existimos e exigir que respeitem nosso direito à terra”, de acordo com a professora Guarani-Kaiowá Teodora de Souza.
Cerca de 100 indígenas Guarani dos povos Kaiowá, Mbyá e Nhandeva; Terena, Kaingang, Kinikinau, Atikum e Kadiwéu ocupam o auditório Tancredo Neves, no Ministério da Justiça e afirmam que não sairão até serem recebidos pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, por Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência, pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro Gonçalves e por Antonio Alves, o secretário da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). As autoridades haviam confirmado a reunião com os indígenas nesta quinta-feira (13) às 10h30, mas não compareceram alegando que foram chamados pela presidente Dilma Rousseff. Na 
O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul pediu à Justiça que obrigue o ministro José Eduardo Cardozo a se posicionar, em 30 dias, sobre o processo de demarcação da Terra Indígena (TI) Taunay-Ipegue, localizada no município de Aquidauana. Segundo a legislação, os estudos demarcatórios realizados pela Funai devem ser analisados pelo Ministério da Justiça (MJ) no prazo de 30 dias, mas o procedimento está parado no órgão há mais de 6 anos.
A especialista independente das Nações Unidas, Victoria Tauli-Corpuz, exortou o governo do Brasil “a garantir que os direitos humanos dos povos indígenas Guarani e Kaiowá sejam plenamente respeitados, em estrita conformidade com as normas internacionais que protegem os direitos dos povos indígenas”.