Conselheiro da Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, é assassinado
Raimundo Santos Rodrigues, conselheiro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi, no Maranhão, foi assassinado na tarde dessa terça-feira (25), na cidade de Bom Jardim, a 275 km de São Luís, próximo onde morava. A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema) divulgou uma nota pública nessa quarta (26) exigindo investigações do governo do Maranhão, Poder Judiciário e o Ministério Público Estadual (leia abaixo).No momento da emboscada, Raimundo estava acompanhado da esposa, Maria da Conceição, que foi atingida por tiros e levada ao Hospital Municipal de Imperatriz, a 412 km de distância de Bom Jardim.
Ele era conselheiro desde 2012. “Os madeireiros odiavam ele, porque ele os denunciava. Ele era bastante atuante na região, defendia a comunidade, participava do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bom Jardim”, disse um companheiro de trabalho, que prefere não ser identificado, ao G1.
O corpo do conselheiro está em Buriticupu, a 200 km de Bom Jardim, e ainda não foi liberado. Raimundo deixa seis filhos.
Com 271.197,51 de hectares, a Rebio do Gurupi é uma das unidades de conservação administradas pelo ICMBio na região da Amazônia Legal, com coordenação regional vinculada ao CR4 (Belém, PA).
Histórico
A Comunidade Brejinho das Onças está localizada na Reserva Biológica do Gurupi, no município de Bom Jardim, onde mais de 100 famílias vivem da agricultura de subsistência, criação de pequenos animais, caça e pesca, com observância para a preservação ambiental pelo Instituto Chico Mendes. As famílias ocupam a área há mais de 50 anos e, por Decreto Federal, são parte integrante da reserva Biológica do Gurupi.
Desde 2014, conforme informações do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a comunidade é perseguida por um latifundiário de Imperatriz, ligado a grupo político da região. Além disso, os moradores e moradoras da comunidade têm sofrido ameaças de pistoleiros.
Nesse mesmo ano, o latifundiário, utilizando-se de fraude cartorial, ingressou na Justiça Estadual com pedido de reintegração de posse. O juízo de primeiro grau decidiu de forma favorável ao latifundiário. Diogo Cabral, advogado da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadores na Agricultura do Maranhão (Fetaema) e da CPT, interpôs recurso no Tribunal de Justiça do Maranhão, contra a concessão da liminar. O Tribunal acatou o pedido e determinou a permanência das famílias na Comunidade Brejinho das Onças.
O conflito perdura há mais de 5 anos, na região da Reserva Biológica do Gurupi, oeste do Maranhão, e madeireiros e criadores de gado bovino, além de devastarem o que restou da Amazônia maranhense, tentam expulsar, por meio de força bruta e ações judiciais, as famílias da localidade Brejinho do Onça. Ressaltamos que em 2014, o Poder Judiciário do Maranhão determinou a expulsão das famílias da localidade, despejo que foi revertido por meio de recurso judicial.
Conclamamos que as autoridades constituídas, especialmente o Governo do Maranhão, o Poder Judiciário e o Ministério Público Estadual garantam as investigações do crime e a prisão do culpados.
FRANCISCO DE JESUS SILVA
PRESIDENTE DA FETAEMA
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Em pronunciamento difundido no dia 22 de agosto, logo após a ocupação de uma fazenda no município de Antônio João por indígenas da região, a fazendeira Luana Ruis Silva acusou o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) de estar incentivando as “invasões”, e desafogou seu ressentimento contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil afirmando: «Abomino esse braço demoníaco da Igreja Católica que é a CNBB».
Os Guarani e Kaiowá do tekoha – lugar onde se é – Ñanderu Marangatu retomaram desde o último sábado, 22, quase a totalidade de áreas invadidas e localizadas dentro dos limites da terra indígena, já homologada pela Presidência da República, cujos efeitos do decreto estão suspensos pela Justiça desde setembro de 2005. No total, os indígenas ergueram acampamentos em cinco propriedades: Primavera, Pedro, Fronteira, Barra e Soberania. Restam apenas duas fazendas para Ñanderu Marangatu, localizada no município de Antônio João, Mato Grosso do Sul, ser ocupada na íntegra pelos indígenas. Os Guarani e Kaiowá, diante de ataque sofrido e denunciado no início da semana, exigem do governo a presença da Força Nacional na região. 


A ansiedade e disposição eram grandes. Os guerreiros, rezadores e famílias estavam esperando
Por volta das 9 horas chega um contingente policial para expulsar os índios de seu tekoha. Algumas dezenas de indígenas e aliados haviam feito uma vigília a noite toda.
História da violência e resistência
O processo de demarcação da terra indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada entre os municípios de Itaporã e Douradina, em Mato Grosso do Sul, deve ser retomado após ficar três anos e meio suspenso por decisão liminar da Justiça Federal de Dourados. Em julgamento de recurso da Fundação Nacional do Índio (Funai), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) seguiu parecer do Ministério Público Federal (MPF) e cassou a determinação judicial que impedia o andamento do procedimento demarcatório.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal (na foto, ao centro), deputado Paulo Pimenta (PT-RS), foi recebido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki na tarde desta última quinta-feira, dia 20. Durante o encontro, o parlamentar demonstrou preocupação com o entendimento que a Suprema Corte brasileira tem tido sobre os processos de demarcação das terras indígenas.