• 28/09/2015

    Regional Sul 4 da CNBB se solidariza ao Cimi diante da CPI

    Em nota assinada pelo bispo Dom João Francisco Salm, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul 4, os participantes da Assembleia de Pastoral desse regional, reunidos em Lages (SC), nos dias 18 e 19 de setembro manifestam preocupação com a violência praticada contra os povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Leia a nota da CNBB, Regional Sul4 aqui.

     

    No mesmo documento, eles expressam solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) diante da aprovação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela bancada ruralista da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul contra o Cimi.  

     

    “Como ficar indiferente diante do fato de que nos últimos 12 anos ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e outros 390 foram assassinados nessa mesma região?… A solução para tão grave problema social está na criação de uma CPI para investigar a ação missionária do Cimi que se coloca do lado desses povos sofridos? Por que é tão lenta a ação do governo em regularizar as terras indígenas e de indenizar os ocupantes de boa-fé?”, questionam na nota.

     

    Como contraposição a esta CPI contra o Cimi, organizações e movimentos indígenas e movimentos populares do campo e da cidade lançaram no dia 24 de setembro, no Mato Grosso do Sul, a campanha “Eu Quero CPI do Genocídio!”, que pretende mobilizar a sociedade sul-mato-grossense e nacional, além de organismos internacionais de direitos humanas contra o genocídio orquestrado de indígenas nesse estado, a paralisação das demarcações das terras tradicionais e a criminalização dos movimentos sociais no estado.

     

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  • 28/09/2015

    Povos indĂ­genas do Tocantins: palmas para eles

    O calor de rachar, característico de uma das cidades mais quentes do país, vai amenizando no final desse dia 22 de setembro. Aos poucos representantes da maioria dos povos indígenas do estado vão chegando ao simpático espaço Krãnipi Casa do Estudante Indígena de Palmas

    “Essa é uma conquista de todos nós. Mais um espaço de apoio às nossas lutas”, afirmou Wagner Krahô-Kanela, presidente da organização indígena União dos Estudantes Indígenas do Tocantins (Uneit). A liderança Antônio Apinajé complementou dizendo aos estudantes indígenas: “lembrem-se de que o estudo que vocês vêm buscar aqui na Universidade só tem sentido se vocês continuarem ligados à luta e aos conhecimentos tradicionais dos nossos povos. Não deixem de buscar os conhecimentos e a sabedoria dos anciões. Essa Casa do Estudante só terá sentido e cumprirá seus objetivos se vocês fizerem dela um espaço de apoio aos direitos dos povos indígenas deste estado”.

    O reitor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Márcio Antônio da Silveira, de forma muito espontânea, foi recebendo as delegações indígenas que foram chegando. Ao se referir a esse gesto, Adelar Cupsinski, da assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) comentou: “Alguma coisa está mudando. Quando se via um reitor ir ao encontro e receber dessa forma os povos e estudantes indígenas?”. A equipe do Regional do Cimi Goiás Tocantins nutria um sentimento de alegria ao ver finalmente um sonho dos estudantes indígenas realizado. Eles não mediram esforços para que esse momento acontecesse. Buscaram aliados para a construção da obra e realizaram todo o processo de forma participativa e em diálogo permanente com as comunidades, povos e organizações indígenas.

    Após cantos, rituais e falas indígenas, foi descerrada a placa de inauguração do espaço onde 48 estudantes indígenas estarão hospedados durante o período de seus cursos universitários. A universidade assumiu o espaço e a sua administração. O reitor afirmou que existem atualmente 200 estudantes indígenas e que buscarão ampliar esse número através do sistema de cotas, assumido por esta UFT.

    Resistir para existir, na luta e na esperança

    No dia 23 teve início, no Colégio Marista de Palmas, um importante seminário sobre a luta dos povos indígenas e das populações tradicionais em defesa de seus direitos e territórios. Com a participação dos povos indígenas de Tocantins, Maranhão, Pernambuco e Bahia, e dos movimentos sociais e aliados dessas causas, ecoou o grito das vítimas de um sistema perverso de avanço do agronegócio, desrespeitando os povos indígenas e as comunidades tradicionais e gerando a destruição brutal da natureza. A natureza chora, seus filhos clamam, pedem socorro.

    Diante desse processo de violência e desrespeito aos direitos e à vida, os participantes debateram e definiram suas estratégias de luta e resistência. Só existe um caminho de enfrentamento: a união de todos os atingidos pelo avanço do agronegócio e seus rastros de destruição e morte.

    Durante todo o dia foram realizadas mesas de exposição e debates em que foram expostos os sofrimentos e o clamor da Mãe Terra e de seus filhos. Nailton Pataxó relatou o processo de luta de seu povo para a reconquista de seu território. “Esperamos 30 anos pela justiça. Depois, formamos guerreiros que foram retomando nossas terras. Terra não se ganha, se reconquista”, expressou ele, deixando transparecer sua felicidade por terem suas terras de volta e poderem cuidar da Mãe Natureza e viver de seu jeito, em paz e harmonia. “A luta não acabou, me sinto em missão. Enquanto todos os povos indígenas não tiveram suas terras demarcadas estaremos com eles apoiando esse sagrado e constitucional direito às suas terras. O índio sem terra não tem vida”. Diante da decisão do governo de total paralisação da demarcação das terras, acredita que o caminho será o das autodemarcações. Por último, Nailton fez relatos emocionados das lutas e conquistas dos direitos indígenas na Constituição.

    Gercília Krahô, após reiterar as denúncias das graves consequências do avanço dos grandes projetos sobre o território de seu povo, demonstrou a confiança de que enfrentarão esses grandes interesses e de que não conseguirão destruir os filhos da terra, pois “somos o broto e a semente da terra e por ela vamos lutar até morrer”.

    Palmas palco de polêmica

    A capital de Tocantins está envolta nos preparativos do I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que são alvo de muitas críticas e contestações por vários segmentos da sociedade. Neste primeiro dia do seminário foram feitas críticas contundentes a esse evento, por lideranças de vários povos. Uma liderança do povo Karajá chamou atenção para as várias formas que o atual governo vem utilizando para matar os índios, com ações e omissões. Lembrou que enquanto estavam reunidos, em Brasília estavam tentando aprovar o relatório da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 215). Ele avalia que “nenhum indígena do estado de Tocantins deveria participar desses jogos mundiais”.

    Durante os debates sobre os graves problemas que envolvem os povos indígenas , repercutiam as recentes manifestações dos povos Krahô e Apinajé de não participarem dos Jogos Mundiais.

    À noite foi feito o lançamento do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas – dados de 2014. A grave situação dos Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, foi destacada durante o debate e ressaltou-se a importância dos povos pensarem ações concretas de apoio à luta pelos territórios e vida deste povo, submetido a uma verdadeira realidade de guerra e genocídio.

    Também foi descrita, detalhadamente, a terrível trajetória dos Avá Canoeiro do Araguaia, submetidos a uma guerra de extermínio nas últimas décadas. Revelando os planos e as ações de extermínio a que foram submetidos, a antropóloga Patrícia Rodrigues narrou a trajetória desse povo, hoje reduzido a apenas 25 pessoas, e com o processo de regularização de suas terras paralisado no Ministério da Justiça.

    Promovido pelo Regional Goiás-Tocantins, do Cimi, o seminário contou também com debate sobre a conjuntura indigenista e a atual desconstrução de direitos indígenas e uma mesa sobre o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, dentre outras atividades.

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  • 25/09/2015

    Regional Leste do Cimi avalia que adiamento de audiência agrava criminalização de Javana Xakriabá

    O Regional Leste do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou hoje (25) uma nota de repúdio em relação ao adiamento da audiência pública que aconteceria, em Montes Claros (MG), no próximo dia 28 para tratar da violenta ação policial contra a jovem indígena Javana  Petyrhara Xakriabá, durante o tradicional evento Grito dos Excluídos, no último dia 7 de setembro. 

     

    Segundo a nota, “o lamentável episódio, filmado e amplamente divulgado pelas redes sociais, continua ainda sem providências, constituindo-se em mais um grave precedente na luta dos povos e das comunidades excluídas que lutam para ecoar suas vozes diante do processo de negação de direitos fundamentais em curso, onde o Estado insiste em manter a ‘ordem’ através de práticas exercidas no recente e doloroso regime de exceção”.

     

    Leia abaixo a nota na íntegra:

     

    Caso Juvana Petyrhara Xakriabá e o processo de

    criminalização dos povos indígenas em Minas Gerais

     

    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Leste, vem a público repudiar a violência e criminalização contra a indígena Juvana Petyrhara Xakriabá.

     

    No último dia 7 de setembro, durante o evento Grito dos Excluídos, realizado na cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, a indígena Xakriabá foi alvo de uma violenta ação policial, um ato de repressão e um atentado ao livre direito à manifestação e ao exercício da democracia. O lamentável episódio, filmado e amplamente divulgado pelas redes sociais, continua ainda sem providências, constituindo-se em mais um grave precedente na luta dos povos e das comunidades excluídas que lutam para ecoar suas vozes diante do processo de negação de direitos fundamentais em curso, onde o Estado insiste em manter a “ordem” através de práticas exercidas no recente e doloroso regime de exceção.

     

    A violência contra a indígena Juvana Petyrhara Xakriabá não é um caso isolado. É uma triste realidade vivenciada cotidianamente pelos povos indígenas no Brasil, onde a grande mídia manipula a informação e os fatos e criminaliza a legítima luta pela efetivação de direitos das populações consideradas obstáculos pelo sistema capitalista.

     

    Na próxima segunda feira (28), aconteceria uma audiência pública em Montes Claros para discutir a violenta ação contra Juvana. Nesta audiência, representações de povos e comunidades tradicionais apresentariam um quadro geral da crescente violência e das violações de direitos que enfrentam no estado de Minas Gerais.

     

    É lamentável perceber que essa situação possa ser manipulada pela mídia e pelo poder político, em uma clara manobra para desviar o foco e transformar o fato em mera disputa eleitoreira, distorcendo a realidade e criminalizando a indígena, que foi quem sofreu a violência.

     

    O jogo político é estarrecedor e preocupante. Segundo nota do blog de Luis Claudio Guedes, em matéria publicada em 14 de setembro de 2015, intitulada Entidade policial refuta erro de sargento no caso da índia Juvana, “O presidente da Associação Norte-Mineira dos Policiais, sargento Levy Castilho, alega que os agentes policiais estão ‘inseridos no sistema eleitoral’ e somam 16 mil votos apenas no município de Montes Claros”.

     

    Os órgãos de imprensa da região norte mineira, juntamente com a pressão política exercida pelo corporativismo, com apoio de setores envolvidos em disputas de poder, querem manipular os fatos e abafar a gravidade da situação, inclusive da criminalização de Juvana. Desse modo, permitem que a violência desmedida coordenada pelo Estado prevaleça como instrumento legítimo para calar a voz de povos e comunidades tradicionais que lutam pelos seus direitos.

     

    Enquanto isso, diante da sensação de insegurança, a jovem Juvana vem sofrendo pressões e ameaças e, possivelmente, terá que abrir mão do seu sonho de concluir o curso de direito para defender o seu povo.  Não podemos aceitar que o jogo de interesses gerado por este lamentável episódio prevaleça, nem aceitar mais uma vez para a omissão do Estado, que transforma vítimas em réus.

     

    Nesta última quinta feira (24), a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais divulgou uma nota comunicando o adiamento da audiência pública alegando choque de agenda com a Conferência Regional de Política Indigenista, que será realizada de 28 a 30 de setembro em Governador Valadares, sob a coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai).

     

    Este adiamento da audiência pública representa, neste momento, um acirramento dos conflitos e das pressões que têm por objetivo desmistificar a verdadeira ordem dos fatos, criminalizar a indígena Xakriabá e fortalecer grupos que historicamente sempre massacraram povos e comunidades tradicionais do norte de Minas Gerais, e que continuam utilizando os mesmos mecanismos de pressão e domínio para se manterem impunes diante das atrocidades que continuam sendo praticadas.

     

    Repudiamos toda e qualquer manobra política que tenha por objetivo a manipulação dos fatos e dos atos de violência cometidos contra os povos indígenas, bem como, a conivência do Estado em aceitar, sem reação, os ataques cada vez mais violentos contra aqueles que denunciam o processo de genocídio q que estão submetidos os povos indígenas, com a conivência e omissão do próprio Estado.

     

    Conselho Indigenista Missionário (Cimi Leste), 25 de setembro de 2015

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  • 25/09/2015

    Cimi lança Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas amanhã (26) em Friburgo, na Alemanha

    Amanhã (26), às 9h (horário alemão), será realizado em Friburgo, na Alemanha, o lançamento da versão em inglês do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2014. O evento faz parte da programação de incidência internacional que, com apoio da União Europeia, acontece nesta e na próxima semana na Suíça, Alemanha, Bélgica e Itália com o objetivo de denunciar o grave aumento da violência e das violações de direitos contra os povos indígenas no Brasil, especialmente a situação de extrema barbárie e crise humanitária que o povo Guarani-Kaiowá enfrenta atualmente no Mato Grosso do Sul.

     

    Publicado pelo Cimi, este relatório apresenta em 19 categorias uma sistematização dos casos de violência e violações registrados e compilados pela organização contra os povos originários do Brasil. O lançamento acontecerá logo após a realização de uma reunião de organizações alemãs de direitos humanos, direitos indígenas e agências de cooperação que têm prestado apoio e solidariedade aos povos indígenas brasileiros, especialmente os Guarani-Kaiowá.

     

    À frente dessa iniciativa de incidência na Europa, Eliseu Lopes, representante da Grande Assembleia Aty Guasu Guarani-Kaiowá, entregou durante esta semana exemplares do Relatório de Violência para representantes da Santa Sé, da União Européia, do Alto Comissariado e da Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Direitos Indígenas, além de outras cinco relatorias especiais da ONU: agrotóxicos e pesticidas; combate à violência contra as mulheres; direito à alimentação; deslocamentos internos e discriminação racial e preconceito.

     

    No último dia 22, em discurso na 30ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, Eliseu afirmou que o seu povo está cansado de esperar e que já não consegue mais acreditar na vontade e na capacidade do Estado brasileiro de resolver efetiva e definitivamente a cruel situação vivida por eles.

     

    Segundo a liderança, é importante mostrar ao mundo a realidade de como os povos indígenas são tratados no Brasil. “Meu povo está morrendo, está sofrendo, todos os dias, ataques e massacres… mas o governo brasileiro não apresenta nenhuma solução. É porque a demarcação das nossas terras foi paralisada que a violência, o estupro e a tortura feita por capangas e pistoleiros da região aumentam. O governo defende o interesse das grandes empresas e dos grandes fazendeiros da cana, eucalipto, soja, milho e do gado. Eles lucram muito, enquanto nós estamos morrendo”, declarou ele.

     

    Gado vale mais que gente

     

    Segundo os dados do Relatório, houve um severo aumento da violência e das violações praticadas contra os povos indígenas no Brasil em 2014, especialmente em relação aos casos de assassinatos, suicídios, mortes por desassistência à saúde, mortalidade na infância, invasões possessórias e exploração ilegal de recursos naturais e de omissão e morosidade na regularização das terras indígenas.

     

    De acordo com informações da própria Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, 135 indígenas cometeram suicídio em 2014. Este número configura-se como o maior em 29 anos, de acordo com os registros do Cimi. O Mato Grosso do Sul continua sendo o estado que apresenta a maior quantidade de ocorrências, com o registro de 48 suicídios, totalizando 707 casos registrados de suicídio no estado entre 2000 e 2014. Outro dado assustador é que entre os anos de 2003 e 2014, 390 indígenas foram assassinados no Mato Grosso do Sul, um total que representa 52% dos casos registrados em todo o país.

     

    Segundo Flávio Machado, do Regional Mato Grosso do Sul do Cimi, que integra esta delegação de incidência internacional, apesar desta violenta realidade, o governo brasileiro não avançou em nada no sentido de demarcar as terras tradicionais reivindicadas. E uma das consequências da paralisação das demarcações é que os conflitos intensificaram-se drasticamente no estado no último mês. “O assassinato de Semião Vilhalva, de apenas 24 anos, durante um ataque paramilitar de fazendeiros ao tekoha Ñanderú Marangatú, no município de Antônio João (MS), é uma prova desta situação”, analisa o missionário.  

     

    Após a morte de Semião, milícias armadas realizaram mais de dez ataques paramilitares contra o povo Guarani-Kaiowá dos tekoha Guyra Kamby´i, Pyelito Kue e Potreiro Guasu, todos no cone sul do estado. Como consequência, além da morte de Semião, três indígenas foram baleados por arma de fogo, vários foram feridos por balas de borracha, inclusive uma criança de colo, e dezenas de indígenas foram espancados. São fortes os indícios de que indígenas sofreram tortura e há denúncias da ocorrência de um estupro coletivo de uma Guarani-Kaiowá.

     

    Com 45 mil pessoas, os Guarani-Kaiowá são a 2ª maior população indígena do Brasil e ocupam apenas 30 mil hectares de suas terras tradicionais. De acordo com dados do governo federal, se todas as áreas reivindicadas por eles como territórios indígenas forem demarcadas elas representam cerca de apenas 2% da área total do estado. Por outro lado, o Mato Grosso do Sul tem 23 milhões de bovinos, que ocupam 23 milhões de hectares de terra.

     

    Acesse aqui a versão em português do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2014

     

    Acesse aqui o release em português

     

    Acesse aqui a versão em inglês do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados 2014

     

    Acesse aqui o release em inglês

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  • 24/09/2015

    Movimentos sociais se reunirĂŁo com o bispo de Campo Grande (MS), Dom Dimas

    Os movimentos sociais e sindicais de Mato Grosso do Sul, que compõem um Fórum Unitário de luta pelas mais diversas causas, como pelos direitos dos povos indígenas, que estiveram na Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (24), pedindo a implantação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Genocídio, para investigar a morte de cerca de 390 indígenas que foram assassinados em Mato Grosso do Sul, reflexo dos conflitos por terra, terão, nesta sexta-feira (25), uma reunião com o bispo Dom Dimas, às 10h30, na Cúria Diocesana, localizada à Rua Armando de Oliveira, 448. Bairro Amambai.

    A reunião não é somente por causa da luta pelos direitos dos povos indígenas, como pela recente Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Igreja Católica, aberta pela Assembleia Legislativa, no dia 18 de setembro.

    Para os povos indígenas e movimentos populares, a intenção da chamada ‘CPI do Cimi’ é desviar o foco dos 10 ataques sofridos pelo povo Guarani e Kaiowá de Ñanderú Marangatú, Guyra Kamby’i, Pyelito Kue e Potrero Guasu desde o assassinato de Semião Vilhalva, no último dia 29 de agosto.

    Além disso, os movimentos também vão denunciar ao Bispo, que ao término da sessão desta quinta, Rogério Batalha, advogado do Coletivo Terra Vermelha, que acompanhava as manifestações, foi abordado pelo segurança José Emílio, que mesmo sem ter poder de polícia deu voz de prisão ao advogado.

    Tampouco o segurança ofereceu uma razão determinada para o ato hostil. Rogério o questionou e imediatamente passou a ser agredido e empurrado para dentro do prédio da Assembleia Legislativa, contra a sua vontade. O advogado teve a camisa rasgada, os óculos despedaçados e escoriações por todo o corpo.

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  • 24/09/2015

    Invasores destroem mata nativa de territĂłrio reivindicado pelo povo Gamela

    Babaçu, juçara, marmorana, guarimã, bacuri… Vários hectares de vegetação nativa destas importantes espécies vegetais estão sendo desmatados e incendiados por invasores de um território reivindicado pelo povo Gamela, nos municípios de Viana, Matinha e Penalva, há mais de 200 km de São Luís, no Maranhão.  Estas espécies são utilizadas secularmente pelos indígenas, tanto para alimentação como na confecção de artesanato. Além dos severos impactos se estenderem sobre os animais da região, os igarapés também estão sendo aterrados e os rios assoreados.

     

    “O propósito dos invasores é transformar a área em pasto para a criação de gado”, esclarece Inaldo Gamela, liderança de seu povo. Mais grave ainda é o fato de que esta destruição ambiental está sendo realizada sob a guarida de homens armados, segundo informa carta-denúncia assinada pelo Conselho de Gestão do Território Indígena Gamela, pelo Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu, Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Isso “agrava a situação e coloca em risco a vida do nosso povo, sobretudo de nossas lideranças”, afirma o documento.

     

    Com o objetivo de denunciar estes fatos, uma comissão de indígenas do povo Gamela esteve nos dias 21 e 22 desta semana na capital maranhense para denunciar a situação para diversos órgãos públicos, de modo que: a destruição ambiental seja imediatamente cessada; os responsáveis por ela sejam punidos; e também que seja garantida a integridade física do povo que vive no território reivindicado. Eles informaram ainda que a retirada de barro das margens do Rio Piraí, para a produção de tijolos, também tem causado o desvio do seu leito e diminuído a quantidade de água, além de estar causando a morte de muitos peixes.

     

    Além das ameaças à existência física do povo Gamela, com cerca de 400 famílias, e de outras comunidades tradicionais, a destruição dessas áreas ameaça a reprodução cultural e religiosa do povo. “Pois essas áreas são também moradas de Seres Encantados cultuados pelo Povo Indígena Gamela, tais como, o ‘Capitão’, morador dos juçarais, e o Encantado João Piraí”, relatam.

     

    A carta-denúncia foi entregue na Defensoria Pública da União (DPU), no Ministério Público Federal (MPF), na Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) e na Fundação Nacional do Índio (Funai).

     

    No órgão indigenista, no entanto, eles tiveram uma desagradável surpresa. “Apesar de já termos solicitado, desde 2014, a abertura do procedimento administrativo para a demarcação do nosso território, tanto aqui no Maranhão, como em Brasília, fomos informados que todos os documentos que enviamos não são suficientes e que nenhuma iniciativa administrativa foi tomada no sentido de devolverem nossa terra tradicional. Diante disso, ficamos muito preocupados. Parece que estão jogando com a gente”, lamenta Inaldo.

     

    Invasões e ameaças

     

    Na carta-denúncia, os Gamela afirmam que devido à luta para defender os seus direitos e os direitos da terra, nos últimos dias os invasores têm intensificado as ameaças contra o povo e a destruição da natureza.

     

    Segundo Inaldo Gamela, na última terça-feira (22) pela manhã, um casal de invasores foi até a casa de uma liderança do povo. Como não encontraram ninguém, foram até a casa onde os Gamela costumam se reunir e, por último, foram até a roça. Ao encontrar alguns indígenas, eles afirmaram que a terra é deles e que não teria comprado “terra de índio”. “Eles estavam acompanhados de um homem desconhecido, que não mora na região. Por isso, a gente desconfia que pode ser algum jagunço contratado por eles”, conta Inaldo.

     

    “Diferentes invasores do nosso território têm apresentado certidões cartoriais de uma mesma área, gerando uma situação de ‘vários andares de terra’, como se isso fosse possível. Isso, além de provocar uma situação de permanente conflito e ameaça contra nosso povo, configura-se numa clara violação de nossos Direitos garantidos em nossa Constituição Federal”, asseguram, na nota.

     

    Leia a carta-denúncia do povo Gamela na íntegra

                      

    Fotos: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Questões Agrárias (Nera)/Universidade Federal do Maranhão (UFMa)

     

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  • 24/09/2015

    Indígenas e movimentos populares lançam campanha Eu quero: CPI do Genocídio em ato público na Assembleia Legislativa do MS

    Cerca de 200 pessoas, entre indígenas do povo Terena e movimentos populares do campo e da cidade, ocuparam na manhã desta quinta-feira, 24, o plenário da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, em ato público, para lançar a campanha Eu Quero: CPI do Genocídio!, que pretende mobilizar a sociedade sul-mato-grossense e nacional, além de organismos internacionais de direitos humanos, contra a matança orquestrada de indígenas, a falta de demarcação e a criminalização dos movimentos sociais no estado. A sessão chegou a ser suspensa por conta dos protestos dos manifestantes.

    O objetivo da campanha é fazer a contraposição à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), aberta por pressão da bancada ruralista. Mesmo sem fato determinado, e sem demonstrar nenhum indício de ilegalidade por parte do Cimi, a deputada estadual Mara Caseiro (PTdoB), inventora e animadora da CPI, acusa a organização de incitar as retomadas realizadas pelos indígenas.

    A campanha pede ainda a moratória do agronegócio no estado até que as terras indígenas estejam demarcadas. No Mato Grosso do Sul, conforme dados de organizações do setor pecuário, existem 23 milhões de cabeças de gado, sendo que cada animal ocupa, em média, um hectare de terra. A comunidade de Ñanderú Marangatú, composta por 1.500 Guarani e Kaiowá, ocupava, antes das retomadas do último mês de agosto, 100 hectares.  

    Para os povos indígenas e movimentos populares, a intenção da chamada ‘CPI do Cimi’ é desviar o foco dos 10 ataques sofridos pelo povo Guarani e Kaiowá de Ñanderú Marangatú, Guyra Kamby’i, Pyelito Kue e Potrero Guasu desde o assassinato de Semião Vilhalva, no último dia 29 de agosto.

    Semião estava em Ñanderú Marangatú, terra indígena homologada em 2005, quando a presidente do Sindicato Rural de Antônio João, Roseli Maria Ruiz, liderou um bando de fazendeiros, em um comboio com cerca de 100 camionetes, que atacaram a comunidade a tiros de arma de fogo e borracha.

    A ‘CPI do Cimi’, conforme os participantes do ato público, pretende também enfraquecer a luta dos povos indígenas pelos territórios tradicionais. A verdadeira CPI, dizem os indígenas, deve ser aquela que investigue as milícias e os assassinatos de lideranças no estado, que nos últimos 12 anos atinge a marca de 390 indígenas. Vídeos, relatos da imprensa sul-mato-grossense e até a presença comprovada de parlamentares em ataques contra as comunidades percorrem as redes sociais.

    Tais números são fatos determinados. Por conta disso, a campanha pela CPI do Genocídio pretende denunciar a matança de indígenas e demonstrar como a cadeia do agronegócio se alimenta “desse sangue” para exportar carnes e grãos produzidos em terras tradicionalmente ocupadas. Além disso, a campanha visa demonstrar a omissão do Estado brasileiro e o não cumprimento, por parte do governo federal, das demarcações determinadas pela Constituição Federal.  

    Para acompanhar as ações da campanha, clique aqui. A reprodução dos materiais visuais, vídeos, fotos e textos é livre: use e abuse.

     

    Outras informações – Assessoria de Imprensa

    Karina Vilas Boas: (67) 91426.522 / MST

    Renato Santana: (61) 9979.6912 / Cimi

      

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  • 24/09/2015

    Somos todos indĂ­genas e estamos na luta pela CPI do GenocĂ­dio

    Os movimentos sociais e sindicais de Mato Grosso do Sul, reunidos no dia 22 de setembro de 2015, reafirmam seu total apoio a luta dos povos indígenas por seus direitos, como os de retomar os seus territórios e terem a possibilidade de construir uma vida mais justa e digna.

    Denunciamos, mais uma vez, indignados, que em nosso Estado, Mato Grosso do Sul, uma parte dos fazendeiros e seus jagunços tem atuado, através de milícias armadas, que, em menos de um mês, desferiu doze ataques paramilitares contra o povo Guarani Kaiowá dos Tekohá Ñanderú Maragantú, Potrero Guasu, Guyra Kamby’i, Pyelito Kue e Kurupi. Como resultado desta verdadeira guerra, o líder Guarani Kaiowá, Semião Vilhalva, foi assassinato, três indígenas foram baleados por arma de fogo, vários foram feridos por balas de borracha, dezenas de indígenas foram espancados. São fortes também os indícios de que indígenas sofreram tortura e há denúncias da ocorrência de um estupro coletivo contra uma Guarani Kaiowá.

    Vale ressaltar que Ñanderú Marangatú, local onde Semião foi assassinado, é uma Terra Indígena homologada há uma década. Ele, como tantos outros indígenas, foram assassinados, não só pelo coronelismo de MS, como pela morosidade do Estado em garantir a Constituição Federal.

    Nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e outros 390 foram assassinados em MS. O estado tem 23 milhões de bovinos que ocupam aproximadamente, coincidentemente, também, 23 milhões de hectares de terra, isso quer dizer 1 hectare por animal. Enquanto isso, com a morosidade e a paralisação dos processos de demarcação, os cerca de 45 mil Guarani Kaiowá, continuam espremidos em apenas 30 mil hectares de suas terras tradicionais.

    E para nossa surpresa, totalmente na contramão de se resolver os problemas dos conflitos de terra em Mato Grosso do Sul, no dia 18 de setembro, em Diário Oficial do Estado, foi publicada a homologação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposição da deputada estadual, Mara Caseiro (PTdoB),  subscrita por outros deputados fazendeiros, criada, por despacho assinado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi (PMDB), com o intuito de investigar as ações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

    O CIMI é um organismo que merece total respeito pela seriedade dos trabalhos que realiza, é vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.

    Esta importante organização acredita que os povos indígenas são fontes de inspiração para a revisão dos sentidos, da história, das orientações e práticas sociais, políticas e econômicas construídas até hoje e é justamente isso que incomoda a elite ruralista sul-mato-grossense e porque não a brasileira. A existência de uma entidade, respaldada pela igreja católica, que visa defender os nossos irmãos indígenas e os seus direitos é inconcebível para os reacionários que só visam o lucro e nunca a construção de um Brasil mais justo, respaldado na igualdade e na solidariedade.

    Temos certeza que a CPI em questão faz parte da estratégia de ataques ruralistas aos povos indígenas e seus aliados. Neste sentido, unidos, cobramos que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul também instaure uma Comissão Parlamentar para investigar o genocídio dos povos indígenas, como dissemos acima, nos últimos 12 anos, foram 390 assassinatos em MS, com praticamente nenhuma punição, de fato, aos culpados.

    Não aguentamos mais a inércia dos poderes constituídos e muito menos os desmandos dos coronéis. Iremos as ruas, ocuparemos as praças, gritaremos em alto e bom som para que todos e todas escutem a nossa voz, pois não vamos assistir de braços cruzados o solo do nosso querido Mato Grosso do Sul ser manchado pelo sangue inocente dos nossos irmãos e irmãs indígenas.

    Assinam:

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

    Central Única dos Trabalhadores – CUT

    Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE

    Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul – FETEMS

    Coletivo Terra Vermelha

    Movimento de Luta Camponesa pela Reforma Agrária – MCLRA

    Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de MS – Fetagri

    Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos  – CEBI

    Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares  – RENAP

    Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares – CEDAMPO

    Tribunal Popular da Terra – TPT

    Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU

    União da Juventude Comunista – UJC

    Partido Comunista do Brasil – PCdoB

    Conselho Terena

    Movimento das Mulheres Camponesas – MMC

    Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã y – CDDH

    Irmãs Catequistas Franciscanas

    Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região

    Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho e Previdência Social – SINTSPREV/MS

     

     

     

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  • 23/09/2015

    Para denunciar destruição ambiental, Pataxó ocupam fazenda e apreendem equipamentos da Suzano

    Com o objetivo de chamar atenção da sociedade e, principalmente, dos órgãos públicos estaduais e federais para a severa destruição ambiental em curso na região, cerca de 300 indígenas do povo Pataxó ocuparam na manhã desta segunda-feira (21) uma monocultura de eucalipto na fazenda Nedila, no município de Prado, na Bahia. Eles também apreenderam dez equipamentos agrícolas de propriedade da empresa de papel e celulose Suzano, segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto, de acordo com informações da própria empresa.

     

    Em nota pública, os Pataxó afirmam que já é possível perceber os efeitos nocivos da plantação para os seres humanos, na fauna, flora e, mais gravemente, nos rios e nascentes. Também afirmam que grandes áreas da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, estão sendo desmatadas diuturnamente.

     

    “Nós acusamos os órgãos responsáveis pela liberação e fiscalização, como a Secretaria do Meio Ambiente de Prado e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por conivência ou, no mínimo, negligência nessa situação”, declaram na nota. Eles pedem a presença de representantes de órgãos, como a Funai, a Secretaria do Meio Ambiente do município do Prado e do ICMBio, dos responsáveis pela empresa Suzano, e solicitam a presença da imprensa para denunciar as violações cometidas contra os povos indígenas da região.

    Leia na íntegra a nota Órgãos públicos autorizam a destruição da vida na Terra Indígena Pataxó

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  • 23/09/2015

    IndĂ­genas Ka’apor denunciam novas invasões ao territĂłrio tradicional e omissĂŁo do governo federal

    “A nossa luta continua, Ka’apor! Não foram caminhões, nem tratores e nem motosserras. Não serão cercas de arame e nem pistoleiros que vão nos impedir de proteger e viver em nosso território, em nossa floresta”

    Entre 2013 e o último mês de março, fechamos todos os ramais de entrada de madeireiros que invadiam e destruíram nossa floresta, nossa casa. Nesse período, criamos oito Ka’a usak ha, ou Áreas de Proteção para recuperar, proteger, viver de forma sustentável em nosso território. Depois de iniciar muito forte a fiscalização, limpeza de nossos limites, encontramos madeireiros, fazendeiros, estaqueiros, caçadores e posseiros que usavam nosso território sem autorização da gente.

    Esses agressores usavam e usam os limites ou áreas dentro de nosso território com permissão de funcionários da Funai, de prefeituras, do INCRA e de sindicatos para tirar madeira, colocar pastos, colocar roças grandes, tirar estacas para fazendas, para movelarias, para cerâmicas, para panificadoras nas cidades. Entravam principalmente para derrubar árvores, tirar a madeira e capturar animais. Nunca as fiscalizações do governo (IBAMA, Policia Federal, Funai, Exército) conseguiram resolver e acabar com esses tipos de destruição.

    Por isso que nós, por conta própria, resolvemos nos organizar, defender e proteger nosso território. Começamos fiscalizando e limpando nossos limites, quando identificamos as áreas de maior destruição. A partir daí iniciamos o nosso etnomapeamento que ajudou a gente identificar todos os limites do nosso território, fazer vários mapas de nossa área. Esse trabalho ajudou a gente identificar tanto as áreas destruídas quanto os grupos e pessoas que entravam, entram e destroem.

    Vimos que a melhor maneira para evitar o aumento dessa destruição foi morar nessas áreas destruídas para recuperar, plantando espécies de árvores que tinham antes, para os animais voltarem a viver ali e a gente ter caças para o nosso alimento, os pássaros voltem a viver nessas áreas para a gente criar e tirar suas penas para fazer nossas roupas tradicionais (cocares, braçadeiras, pulseiras, colares), proteger da entrada desses invasores e plantar pequenas roças com diversas culturas produtivas para a gente ter bastante e diversos alimentos para  gente ter um bem viver. Mas, depois que a gente criou essas áreas de proteção, agora, depois de dois meses, a gente vem sendo impedido, perseguido e até ameaçado de entrar nessas áreas por fazendeiros, pistoleiros, posseiros (incentivados por madeireiros e fazendeiros), alguns assentados do INCRA que, pressionados por madeireiros e fazendeiros, têm vendido seus lotes para fazendeiros e madeireiros, permitido a destruição de suas reservas para retirada de madeira, para grandes extensões de pastos.

    Isso está acontecendo principalmente nos municípios de Centro do Guilherme, Maranhãozinho, Santa Luzia do Paruá, Nova Olinda do Maranhão, Araguanã e Zé Doca. Todos esses municípios fazem limites com nosso território. A gente está preocupado porque eles estão impedindo e ameaçando nossas famílias de proteger essas áreas, sair para outras aldeias, ir para cidade quando precisam. Prova de tudo isso, a gente continua vendo madeira e estacas saindo de um ramal que foi reaberto por madeireiros no município de Nova Olinda do Maranhão.

    A gente vê serrarias em Zé Doca, Araguanã, Santa Luzia do Paruá, Centro do Guilherme e Governado Nunes Freire (Encruzo) funcionando com muita madeira em seus pátios que sai dessas áreas, nesses municípios. As serrarias do município de Encruzo nunca pararam de funcionar. A gente não vê nenhuma fiscalização dos governos nestes locais. Desde a semana passada, nossos parentes viram pessoas (pistoleiros) com armas tipo pistola perto de nosso cemitério na entrada da Aldeia Ximborenda, aldeia que nosso parente Eusébio Ka’apor morava.

    Na última segunda-feira, dia 21 de setembro, seis homens em três motos foram vistos armados na estrada de entrada da aldeia Ximborenda. Um estava visivelmente armado. A polícia nunca prendeu o assassino que matou Eusébio e mais parentes estão correndo perigo na entrada de nossas áreas de proteção e das aldeias. A gente não aceita que a violência desses agressores continue impedindo a gente viver com dignidade em nosso território. Por isso que nosso povo está vigilante, atento e unido para defender nosso território, nossa verdadeira casa que é a floresta.

     

     

     

     

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