Movimentos sociais e comunidades tradicionais prestam solidariedade aos Gamela do Maranhão
Após os indígenas Gamela realizarem a retomada de parte de seu território tradicional, na última semana, no Maranhão, uma série de perseguições, ataques e intimidações tem ocorrido na região recém ocupada pelos indígenas. Na noite de terça-feira, pistoleiros atiraram contra o acampamento, causando desespero entre os indígenas, ainda que ninguém tenha ficado ferido.
Entre segunda e terça-feira, os indígenas do povo Gamela retomaram duas fazendas sobrepostas a seu território tradicional, as quais eles denunciam por grilagem, com a intenção de pressionar a Funai a abrir o processo para a demarcação de suas terras.
Há anos, os Gamela vem sofrendo com a grilagem e a destruição de árvores e plantas importantes para sua sobrevivência, como é o caso dos açaizais, e recentemente iniciaram um processo de luta pela recuperação de sua identidade e do seu território.
Frente a essa situação, diversos movimentos sociais, sindicais e comunidades tradicionais assinaram uma nota em solidariedade à luta dos Gamela. Na nota, mais de 85 povos, associações, movimentos e comunidades afirmam que “a retomada de parte do território tradicional é um ato insurgente, que mexe com grupos que historicamente dominaram e dominam o poder político e econômico naquela região”.
Os grupos que assinam a nota também repudiam as ações de retaliação iniciadas pelos fazendeiros das duas áreas retomadas, que incluem, além dos disparos já efetuados por pistoleiros, ameaças de morte, aliciamento de jovens com promessas irreais ou precárias de emprego nas cidades, desmatamento dos recursos naturais e destruição de espaços sagrados e simbólicos indispensáveis à sobrevivência física e cultural do povo.
Além disso, os povos e entidades que assinam a nota exigem da Funai a criação imediata de um grupo de trabalho para o estudo das terras Gamela e do governo do Maranhão, que garanta a segurança dos indígenas neste momento de tensão.
Amanhã, uma comitiva desses grupos vai visitar o acampamento da retomada, para prestar solidariedade aos indígenas e acompanhar de perto a situação dos Gamela.
Para ler a nota na íntegra, clique aqui.
Foto: Rosimeire Diniz/Cimi MA
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Na noite de ontem (02/12), indígenas Gamela sofreram um atentado a tiros em uma área tradicional retomada no Maranhão. Segundo relato de indígenas que estavam no local, homens em uma caminhonete dispararam vários tiros contra o acampamento da retomada. Ninguém foi atingido, mas o clima entre os indígenas é de tensão e insegurança.






No fim da tarde de terça-feira (1º/12), indígenas do povo Gamela realizaram a retomada de mais uma fazenda no Maranhão. É a segunda retomada feita nesta semana pelos Gamela, que já haviam retomado uma fazenda na madrugada da última segunda-feira (30/11). Carros estranhos rondam a região, e os indígenas, ainda sem a presença da Funai, temem possíveis ataques de pistoleiros.
O ruralista e deputado federal Nilson leitão (PSDB/MT), vice-presidente e articulador da Comissão Especial que aprovou o relatório da PEC 215, será mais uma vez alvo de investigação da Justiça. 
Atentados, ameaças e provocações voltaram a fazer parte da rotina dos indígenas Guarani e Kaiowá do tekoha – lugar onde se é – Ñanderú Marangatú, município de Antônio João (MS). No último dia 29, um fazendeiro e capangas chegaram atirando sobre os acampamentos instalados nas retomadas das fazendas Fronteira e Cedro. A agressão ocorreu exatos três meses depois da morte de Semião Vilhalva, em 29 de agosto, e será denunciada ao Ministério Público Federal (MPF). Os recentes ataques tiveram início após a saída do Exército da região, há menos de um mês. 