• 26/04/2016

    Organizações pedem que mineradoras do Canadá respeitem direitos humanos na América Latina

    Mais de 190 organizações latino-americanas e de redes internacionais ligadas à região entregaram ontem (25) ao primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, uma carta pública solicitando que seu governo promova reformas legais e administrativas a fim de controlar de forma mais eficaz a ação das mineradoras canadenses na América Latina.

    As organizações manifestaram sua preocupação com as frequentes violações de direitos humanos cometidas por empresas mineiras do Canadá, as quais têm forte presença em toda a América Latina. No Brasil, há casos conhecidos, como o da mineradora Belo Sun, que pretende explorar ouro no entorno da problemática usina de Belo Monte e deve ter sua licença de instalação assinada nesta semana, e o da mineradora Kinross, cuja mineração de ouro em Paracatu (MG, foto acima) resultou na destruição de dois territórios quilombolas e em diversos casos de criminalização e violações subsequentes, incluindo um exponencial aumento de casos de câncer.

    A carta cita que, em 2014, um conjunto de diversas organizações entregou ao Conselho Interamericano de Direitos Humanos (CIDH) um relatório apontando a responsabilidade do Estado canadense sobre as violações cometidas pelas mineradoras, através do apoio político, financeiro ou diplomático a essas empresas.

    O premiê canadense, eleito em outubro de 2015, notabilizou-se por manifestações e atos que demonstraram aparente preocupação com o respeito aos direitos humanos e à diversidade, como a posição de maior abertura perante crise migratória vivida hoje no mundo. A escolha de dois indígenas como ministros, na avaliação dos grupos que subscrevem o documento, também apontou para a possibilidade de um caminho de maior respeito aos direitos dos povos originários.

    As organizações e ativistas que assinam a carta mencionaram estas ações para pedir que o governo canadense tome providências também para barrar as violações promovidas por mineradoras canadenses na América Latina, afirmando que “a reputação do Canadá em matéria de direitos humanos deteriorou de forma considerável” em função da ação destas empresas, “perante os olhos tanto da comunidade internacional quanto daquelas pessoas, povos e comunidades que convivem com o impacto negativo dos projetos extrativistas conduzidos pelas empresas canadenses”.

    Na carta, as organizações propõem uma série de medidas para que o governo do Canadá garanta o mínimo respeito aos direitos humanos em áreas de atuação ou visadas pelas mineradoras do país. Entre as recomendações, estão o respeito ao direito dos povos indígenas à autodeterminação e ao consentimento prévio, livre e informado, antes de realizar qualquer atividade mineira nos seus territórios, e à decisão das comunidades indígenas e não-indígenas que disseram não à mineração a grande escala devido aos danos severos ao meio ambiente e ao bem-estar social que ela sabidamente provoca.

    Os signatários do documento também pedem que o Estado canadense não influencie na adoção ou modificação de marcos regulatórios nos países receptores de projetos extrativistas e adote parâmetros de transparência e monitoramento para garantir o respeito aos tratados internacionais de direitos humanos.

    Clique aqui para ler a carta na íntegra.

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

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  • 22/04/2016

    Justiça suspende contratos de exploração de floresta no Pará incidente em território Munduruku

    A Justiça Federal suspendeu dois contratos que permitiam a exploração madeireira da floresta nacional (flona) do Crepori, no sudoeste do Pará. A suspensão será mantida até a elaboração de estudo antropológico que defina as características dos povos existentes na floresta.

    A decisão liminar (urgente) é do juiz federal em Itaituba, Paulo César Moy Anaisse, e foi publicada no último dia 14. Para o juiz federal, são necessários estudos técnicos mais aprofundados para verificar se as comunidades localizadas na floresta são ou não tradicionais. 

    Caso ficar comprovado que áreas da flona são ocupadas por indígenas, ribeirinhos ou outras comunidades tradicionais, essas áreas não poderão fazer parte da concessão florestal promovida pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

    Dados e perícia apresentados no processo indicam que é possível que populações encontradas na flona possam ser consideradas tradicionais. "Ainda que não se considere o laudo pericial realizado como definitivo a confirmar a tradicionalidade das comunidades locais e o impacto a ser causado pela concessão, haveria a necessidade, outrossim, de análise mais extensiva e minuciosa da questão", diz trecho da decisão.

    "O que ocorreu, todavia, foi o sobrepujamento do referido documento e a temerária concessão de exploração florestal, em possível detrimento dos direitos das comunidades locais, habitantes que retiram da floresta seu sustento e dedicam a ela sua forma de viver", alerta o juiz federal.

    A decisão também destaca que, caso comprovada a existência de povos indígenas na localidade, deve-se proceder à consulta prévia dessa população para que se possa, posteriormente, apreciar a concessão da exploração ambiental da área.

    A ação do Ministério Público Federal (MPF) em Itaituba em defesa das comunidades tradicionais foi ajuizada em 2014, e já alertava que a exploração madeireira feita sem considerar os direitos dos moradores poderia provocar conflitos.

    Em 2015 o MPF recebeu comunicações de associações indígenas informando a grande movimentação de pessoas de fora na região, supostamente para abrir uma estrada de acesso às máquinas para a derrubada da floresta. Essas informações levaram procuradores da República a encaminhar pedido à Justiça em outubro do ano passado para que fossem analisados os pedidos urgentes da ação.

    “A inicial [da ação do MPF] já trazia o alerta, a partir de laudo pericial, que o projeto de concessão, tendo em vista a área licitada, impactaria as comunidades encontradas, uma vez que a atividade madeireira em suas proximidades afetaria o modo de vida local”, informou o MPF no pedido enviado à Justiça em 2015.

    “Apesar da resistência do SFB, o mesmo laudo pericial foi incisivo ao afirmar que há evidente ocupação do povo Munduruku na área da flona Crepori, sendo que tais áreas eram utilizadas em conjunto pela comunidade [ribeirinha] e pelo povo Munduruku. O relatório conclui, ainda, que no interior das áreas licitadas passam igarapés de pesca, trilhas de caça e zonas de coleta e há concentração de aldeias Munduruku na margem esquerda do rio das Tropas, na divisa com a flona, a menos de dois km do megaempreendimento madeireiro, chamando atenção ainda, para a ausência de consulta ao povo Munduruku, na forma da Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho]”.

    Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

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  • 20/04/2016

    TI Sawré Muybu: “Esse é o primeiro passo de vitória, mas a gente vai continuar nossa luta”

    Ontem (19), mais de uma década após o início do processo de demarcação da Terra Indígena (TI) Sawré Muybu – com 178 mil hectares, localizada nos municípios de Itaituba e Trairão, no Pará -, a Funai deu continuidade ao procedimento, com a publicação do “Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação”, que reconhece o território do povo Munduruku.

    “Essa vitória é fruto da união de nosso povo, que se fortaleceu para buscar os parceiros que apoiam a nossa luta e que tiveram uma contribuição muito grande. Nessa data especial que é o Dia do Índio, ele [o presidente da Funai] não assinou [o relatório] porque ele quis, mas sim por conta da pressão que há muitos anos a gente vem fazendo. Esse é o primeiro passo de vitória, mas a gente vai continuar nossa luta. Sabemos que depois vem a contestação, e sabemos dos outros projetos que vão impactar nossa vida e nossa cultura, como a hidrelétrica que querem construir no Tapajós. Estamos lutando pelo território e por uma coisa boa para a humanidade. Queremos que as pessoas juntem-se a nós porque estamos lutando por um futuro melhor que é de todos”, afirma Rozeninho Saw Munduruku.

    Hidrelétrica

    A demarcação da TI Sawré Muybu é uma antiga reivindicação do povo Munduruku, que vive no rio Tapajós há gerações. No entanto, o processo estava paralisado desde 2013, justamente porque a Funai não havia publicado o relatório circunstanciado que, na prática, confirma a ocupação tradicional dos índios neste território. Na época, a então presidente interina da Funai, Maria Augusta Assirati, chegou a declarar que o relatório estava aprovado, mas não tinha sido publicado por envolver outros interesses do governo.

    Nos últimos anos, por pressão do setor energético, uma hidrelétrica foi colocada no caminho da demarcação de Sawré Muybu. Desde maio de 2011, São Luiz do Tapajós passou a figurar como obra prioritária do governo. Se construída, ela poderá alagar parte do território indígena, comprometendo a sobrevivência física e cultural do povo Munduruku, devido aos impactos sobre a flora, a fauna e sobre os locais sagrados do povo, e forçando a remoção da população que habita o território de Sawré Muybu. De acordo com o Artigo 231 da Constituição Federal, é vedada a remoção de grupos indígenas de suas terras, salvo em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, e garantindo o retorno imediato logo que cesse o risco.

    “A publicação do relatório é realmente um passo importante para que a demarcação prossiga rumo aos momentos finais, sendo considerada uma importante vitória que honra a tradição de luta do povo Munduruku e premia o esforço de articulação realizado pelo povo no sentido garantir seus direitos constitucionais e contra a construção de hidrelétricas no rio Tapajós”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

    Autodemarcação

    Em 2014 e 2015, os Munduruku realizaram a autodemarcação da TI Sawré Muybu, confirmando os limites da terra de acordo com o que consta no próprio relatório que agora foi publicado. Nesse processo, eles exigiam não só o reconhecimento de sua existência, mas também de seus direitos: “A publicação do Relatório ocorre depois de muita luta e pressão do povo Munduruku, que nunca desistiu de lutar por seus direitos. A demarcação da TI Sawré Muybu é importantíssima não só por garantir a proteção do território e da floresta, mas por assegurar a prevalência dos direitos indígenas em relação aos projetos hidrelétricos nos rios da Amazônia”, completa Aguiar.

    Para os Munduruku, Sawré Muybu é muito mais do que um simples pedaço de terra. É lá que eles têm a base de sua cultura e alimentação, e é o rio Tapajós que abriga diversos locais sagrados que poderão ser destruídos caso a construção da hidrelétrica ocorra. A publicação do relatório foi um importante passo no sentido de garantir a proteção do território, mas ainda é preciso lutar para que a demarcação seja finalizada e para que o governo desista dos planos de construir as dezenas de hidrelétricas previstas para a bacia do Tapajós.

    “A gente conserva a floresta andando nela, por terra, debaixo dela, e não só de cima, onde muitas vezes não dá para ver nada. A autodemarcação para nós é isso, é cuidar da floresta, impedir que tirem madeira e conservar os frutos e a caça”, afirmou o cacique Juarez Saw Munduruku, em entrevista ao Greenpeace em 2015, explicando que o direito à terra é fundamental para a sobrevivência de seu povo.

    Mais terras indígenas rumo à demarcação

    Outras três terras indígenas também tiveram seus Relatórios Circunstanciados publicados no Diário Oficial ontem: a TI Ypoi/Triunfo, do povo Guarani Ñandéva, no Mato Grosso do Sul; a TI Sambaqui, do povo Guarani Mbyá, no Paraná; e a TI Jurubaxi-Téa, dos povos Baré, Tukano, Baniwa, Nadöb, Pira-Tapuya, Arapaso, Tariana, Tikuna, Coripaco e Desana, no Amazonas.

    Além delas, o Ministério da Justiça publicou ontem também as portarias declaratórias de outras duas terras indígenas, ambas no estado do Mato Grosso (MT): a TI Estação Parecis, do povo Pareci, no município de Diamantino, com 2.170 hectares, cujo relatório havia sido publicado pela Funai no ano de 2010; e a Terra Indígena Kawaiva do Rio Pardo, do povo Kawahiva, no município de Colniza, com área aproximada de 411.844 hectares, quase dez anos depois da publicação do relatório de identificação. Ainda assim, o governo de Dilma Rousseff é um dos que menos demarcou terras indígenas na história do Brasil.

    Adaptado de texto do Greenpeace

    foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

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  • 19/04/2016

    Quatro terras indígenas tiveram relatório de identificação publicado nesta terça (19)

    A Fundação Nacional do Índio (Funai) publicou hoje (19) no Diário Oficial da União os relatórios de identificação e delimitação de quatro terras indígenas. São elas as Terras Indígenas (TIs) Ypoi/Triunfo (MS), Sambaqui (PR) Jurubaxi-Téa (AM) e, por fim, a TI Sawré Muybu (PA), do povo Munduruku, que vem travando uma importante batalha contra a construção da usina hidrelétrica São Luiz do Tapajós, a qual alagaria parte de seu território e provocaria graves e irreversíveis danos à região. A medida é importante, visto que a atual paralisação das demarcações de terras indígenas pelo governo federal é a principal razão dos conflitos e da violência sofrida pelos povos indígenas no Brasil.

    Segundo informações da Funai, a TI Ypoi/Triunfo, do povo Guarani Ñandeva, possui 19.756 hectares e está localizada no município de Paranhos, Mato Grosso do Sul (MS). Os Guarani Ñandeva foram esbulhados de seu território de ocupação tradicional e compulsoriamente transferidos para Reservas Indígenas constituídas no início do século XX ou então permaneceram em áreas de matas no interior de fazendas.

    Mesmo em condições adversas, os Guarani Ñandeva nunca deixaram de acessar sua área de ocupação tradicional. Em 2009, em uma tentativa de recuperação da posse do Tekoha Ypoi, dois professores indígenas foram brutalmente assassinados.

    O procedimento de identificação e delimitação da TI Ypoi/Triunfo foi realizado no âmbito do Compromisso de Ajustamento de Conduta (CAC), firmado em 12 de novembro de 2007 entre a Funai e o Ministério Público Federal (MPF).

    A TI Sambaqui, de 2.795 hectares, é de ocupação tradicional do povo Guarani Mbya, localizada no município Pontal do Paraná, estado do Paraná. O passado histórico da região e a farta documentação comprovam a presença indígena e o movimento do povo Guarani Mbya em busca de antigos territórios na costa litorânea desde os anos 1940. O processo de identificação e delimitação do território foi iniciado em 2008.

    A TI Jurubaxi-Téa, por sua vez, possui 1.208.155 hectares e está localizada nos municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, estado do Amazonas. Segundo a Funai, habitam essas terras grupos indígenas dos povos Arapaso, Baniwa, Baré, Desana, Kuripaco, Nadöb, Pira-Tapuya, Tikuna, Tukano e Tariana.

    A TI Sawré Muybu, do povo Munduruku, possui 178.173 hectares e localiza-se nos municípios de Itaituba e Trairão, no Pará. Sua demarcação é uma antiga reivindicação do povo Munduruku, que vive no rio Tapajós há gerações. No entanto, o processo estava paralisado desde 2013, justamente porque a Funai não havia publicado o relatório circunstanciado que, na prática, confirma a ocupação tradicional dos índios neste território.

    Na época, a então presidente interina da Funai, Maria Augusta Assirati, chegou a declarar que o relatório estava aprovado, mas não tinha sido publicado por envolver outros interesses do governo.

    Nos últimos anos, por pressão do setor energético, uma hidrelétrica foi colocada no caminho da demarcação de Sawré Muybu. Desde maio de 2011, São Luiz do Tapajós passou a figurar como obra prioritária do governo. Se construída, ela poderá alagar parte do território indígena, comprometendo a sobrevivência física e cultural do povo Munduruku, devido aos impactos sobre a flora, a fauna e sobre os locais sagrados do povo, e forçando a remoção da população que habita o território de Sawré Muybu.

    Em 2014 e 2015, os Munduruku realizaram a autodemarcação da TI Sawré Muybu, confirmando os limites da terra de acordo com o que consta no próprio relatório que agora foi publicado.

    A publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), como é chamado o documento resultante do grupo de trabalho constituído pela Funai para identificar e reconhecer os limites das terras indígenas, é a primeira etapa para garantir a demarcação dos territórios tradicionalmente ocupados pelos indígenas.

    Até a passagem de noventa dias a partir da data em que o relatório é publicado no Diário Oficial da União, permanece aberto o período para contestações administrativas, após a análise das quais o processo de demarcação segue para o Ministério da Justiça, responsável por analisar e declarar os limites da terra indígena por meio de uma Portaria Declaratória.

    A seguir, é feita a demarcação física do território e o levantamento das benfeitorias de possíveis não-indígenas sobre a área, as quais, se consideradas de boa-fé, serão indenizadas após a homologação do território, feita via decreto da presidência da república.

    Somente após a indenização e o reassentamento dos ocupantes não indígenas de boa-fé é que o território tradicional é regularizado.

    Dados reunidos pelo Cimi no relatório “Violência contra os povos indígenas no Brasil 2014” dão conta de que, até o final daquele ano, de um total de 1.061 terras indígenas no Brasil, apenas 361 estavam registradas e somente 43 homologadas. Havia, ainda, um grupo de 334 terras indígenas sem qualquer providência da Funai para que o processo demarcatório fosse iniciado.

    O primeiro governo de Dilma Rousseff (2011-2014) foi o que menos demarcou terras indígenas desde o governo Sarney, com 11 homologações ao todo – uma média de 2,7 terras homologadas por ano. A paralisação das demarcações de terras indígenas pelo governo federal, mantida no segundo mandato de Dilma, é considerada, hoje, um dos principais agravantes dos conflitos por terra e da violência sofrida pelos indígenas no Brasil.

    “Recebemos a notícia da publicação dos relatórios com alegria, pois consideramos um passo importante para garantir aos povos indígenas que vivem nestas áreas dignidade em seu presente e em seu futuro. É importante que o governo, agora, dê seguimento regular a esses processos e a outros que estão paralisados, pois a segurança e a própria sobrevivência destes povos depende da conclusão das demarcações em todas as suas etapas”, afirmou Cleber Buzatto, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

    Com informações e fragmentos da Funai e do Greenpeace

    Foto: Tiago Miotto

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  • 19/04/2016

    Semana dos Povos Indígenas 2016: sementes de solução e fontes de esperança

    Na Encíclica Laudato Si (LS) — Louvado Sejas: Sobre o Cuidado da Casa Comum, divulgada em junho de 2015, o Papa Francisco faz questionamentos profundos para todos nós, para a humanidade, e convida-nos a ter coragem. “O que está acontecendo na nossa casa? Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer? Com que finalidade passamos por este mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?” são alguns desses questionamentos.

    Este ano, na Semana dos Povos Indígenas, procuramos entender um pouco mais sobre os diversos desafios que enfrentam os povos indígenas, depois de mais de cinco séculos de resistência, na atual conjuntura brasileira e dentro do contexto global que vive a humanidade e o planeta, nossa Casa Comum. Infelizmente, é evidente a incapacidade da sociedade não indígena de viver a reciprocidade e o cuidado com todos os seres, a solidariedade e o respeito à diversidade.

    Na luta pelo Cuidado da Casa Comum, todos os povos filhos da Mãe Terra são chamados a somar. Os povos indígenas são mestres e sábios nesta reciprocidade e solidariedade cuidadosa com a Casa Comum, Mãe Terra, e com todos os seres que nela habitam. Os povos indígenas são sementes de solução e fontes de esperança para a humanidade e o planeta.

    Acesse a página especial da Semana dos Povos Indígenas 2016, cuja temática é “Povos Indígenas: sementes de solução e fontes de esperança”:

    www.cimi.org.br/povosindigenas2016

    Clique aqui para acessar o mesmo material em formato pdf, para download.

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  • 19/04/2016

    Xakriabá em Brasília: semana histórica

    Quando deixaram suas aldeias, no norte de Minas Gerais, talvez não tivessem a exata noção de tudo o que iriam passar aqui em Brasília. Particularmente os jovens guerreiros e guerreiras que eram a maioria da delegação.

    Vieram com pauta específica: denunciar as violências e ameaças constantes, especialmente os Xakriabá de Cocos, na Bahia. Vieram também exigir da Funai a urgente regularização de suas terras, em processos emperrados há anos. Também tinham consciência da grave situação e riscos que correm os direitos indígenas, num Congresso mais conservador e reacionário do que nunca dantes nesse país. Vieram dar visibilidade a essa situação, e dizer em alto e bom tom que “direitos não se negociam, não se abre mão”, são sagrados e seu cumprimento é vital para a sobrevivência dos povos nativos em nosso país.

    Agenda política e étnica

    A delegação dos indígenas Xakriabá participou de uma intensa agenda conjuntural, ou seja, a semana em que se poderia haver, ou não, mudanças na Presidência do país. Os ânimos exaltados, as iras e os ódios espalharam-se no país de norte a sul, de leste a oeste. Criou-se uma grande expectativa em torno do desfecho da votação do impedimento da presidente Dilma, na Câmara dos Deputados.

    Em torno desse fato, se estabeleceu forte mobilização e embate. Os indígenas ergueram suas bandeiras e faixas, juntamente com os povos e comunidades tradicionais e os movimentos sociais. Ao dizerem não ao golpe, lembraram que a PEC 215 também é golpe. Matopiba também mata. Que os golpes das elites no poder contra os direitos indígenas praticamente começaram com o primeiro carregamento de pau brasil, nas naus portuguesas. Infelizmente, os governos das últimas décadas também não se dignaram a cumprir a Constituição de 1988 ou o Estatuto do Índio de 1973, pois essa legislação exigia do Estado brasileiro o reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas, dentre outros direitos fundamentais.


    Com ou sem bordunas

    Tiveram alguns momentos em que foi necessário tomar decisões, a partir de seus direitos. Entenderam os guerreiros, por exemplo, de que, caso a polícia os abordasse, esta não poderia proibi-los de portar ou tomar suas bordunas. Apesar de ter sido lembrado que isso já aconteceu em outros momentos, eles foram tranquilos, mas decididos a não abrir mão de suas bordunas. Tudo correu tranquilamente. Até no espaço onde falou o ex-presidente Lula e outras lideranças de movimentos sociais, lá estiveram eles com suas bordunas. Só acabaram impedidos de entrar no espaço das manifestações na Esplanada dos Ministérios.

    Símbolo de resistência e de seus rituais, as bordunas estiveram com eles durante toda a semana. Foi uma semana em que as bordunas falaram, inspiraram os guerreiros, ouviram os encantados.

    A violência no campo

    Dentre os vários momentos formativos no Acampamento Brasil Popular, com várias falas sobre a gravidade do momento, também estiveram presentes no lançamento do Relatório de Violência no Campo, dados de 2015, articulado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ouviram com atenção as estatísticas das violências e assassinatos de trabalhadores no campo. O geógrafo Ariovaldo Umbelino detalhou os dados decorrentes do não reconhecimento das terras indígenas e de sérios problemas de grilagem em terras na Amazônia. Afirmou que “a barbárie voltou ao campo brasileiro”.

    O alerta para a esperança

    Ao acompanharem a votação do processo de impeachment, puderam sentir as motivações personalistas e raivosas, num espaço em que não estão representados. Apenas foram lembrados por alguns aliados da causa indígena.

    Apesar de todo o clima de acirrada disputa e tensões, a delegação Xakriabá partiu para suas aldeias na madrugada desta segunda-feira. Levam em sua bagagem imagens de uma disputa política histórica, que para eles, que vieram lutar por seus direitos, pelos direitos dos povos indígenas no Brasil, não se esgota neste momento. As lutas dos povos nativos têm raízes e razões muito aquém e muito além desse momento de disputa de poder.

    Texto e fotos : Egon Heck
    Cimi Secretariado
    Brasília, 19 de abril, do dia do índio!

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  • 19/04/2016

    Povos indígenas: exemplo de resistência, esperança de futuro

    Há quase vinte e oito anos, os povos indígenas obtiveram uma conquista inédita no Brasil: pela primeira vez, seus direitos originários foram reconhecidos na carta magna do país. Em dois artigos sucintos e valiosos, a Constituição Federal promulgada em 1988 lhes garantiu o direito a existirem conforme seus próprios modos de vida, a terem respeitada sua autodeterminação, sem a tutela do Estado que até então os considerava incapazes, e a terem demarcados seus territórios tradicionais.

    Tais direitos originários encontram-se hoje sob o mais intenso ataque desde que foram reconhecidos. Em meio à violência e à ameaça de novos tempos sombrios, os povos indígenas resistem e, resistindo, nos ensinam. Seu futuro é o futuro de todos nós.

    As frentes de agressão e os focos da omissão aos direitos dos povos indígenas no Brasil articulam-se nos diferentes poderes da República, com estratégias variadas, discursos ultrapassados e um único objetivo: liberar as terras tradicionais destes povos para a exploração capitalista.

    No âmbito do Congresso Federal, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 pretende passar do poder Executivo ao Legislativo a competência para demarcar terras tradicionais e, na prática, inviabilizar as demarcações e permitir a mercantilização das terras já demarcadas. O relatório aprovado em outubro último, por uma comissão especial dominada por parlamentares financiados pelas grandes empresas do agronegócio e da mineração, somou a este já desastroso projeto um dispositivo ainda mais perverso: é o chamado “marco temporal”, segundo o qual só poderiam ser demarcados os territórios que estivessem sob posse dos indígenas em 5 de outubro de 1988.

    O absurdo desse argumento, utilizado também em três decisões recentes da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam demarcações de terras já homologadas, é desconsiderar e legitimar todas as violações sofridas pelos povos indígenas nos últimos séculos e intensificadas, sob a justificativa da “comunhão nacional”, pela Ditadura Civil-Militar estabelecida em 1964. Durante este regime, que violentava os povos ao mesmo que tempo os “tutelava” e os impedia de reivindicarem seus direitos, mais de oito mil indígenas foram mortos, conforme apurou a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

    Além da tentativa de desmonte de direitos constitucionalmente assegurados, a paralisação das demarcações pelo Poder Executivo, com a finalidade de atender aos interesses do agronegócio, das mineradoras e do próprio governo, acaba repercutindo no recrudescimento da criminalização e da violência contra os povos indígenas.

    O ano de 2015 terminou marcado pelo assassinato de Vitor Kaingang, de apenas dois anos, no colo de sua mãe, em Imbituba (SC). Somente nos últimos meses, uma dezena de ataques utilizando armas de fogo e até mesmo agentes químicos foi registrada contra os indígenas Guarani e Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul, onde não se pode mais negar que assistimos a um processo de genocídio. Em abril de 2016, o cacique Babau Tupinambá e seu irmão Teity Tupinambá foram presos arbitrariamente no sul da Bahia, mesma região em que o povo Pataxó sofre com constante insegurança e violação de direitos humanos.

    Enquanto isso, os Munduruku da Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará, aguardam a publicação do relatório que deve garantir o reconhecimento e a delimitação de seu território tradicional, mas que está emperrada porque o governo federal pretende construir sobre ele a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, uma das 43 planejadas somente para esta bacia hidrográfica.

    Situações semelhantes repetem-se em outros estados e com outros povos, em maior e menor grau. Com a finalidade de criminalizar povos indígenas e seus aliados, foram criadas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que são palcos das mais preconceituosas ações e afirmações. É o caso da CPI da Funai e do Incra, em andamento na Câmara dos Deputados, e da CPI criada na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul com a finalidade de perseguir o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em seu trabalho pastoral de apoio aos povos indígenas.

    Num contexto tão desfavorável, mais importante do que eleger um dia arbitrário para celebrar o respeito à vida e à sabedoria indígena é reconhecer que os povos indígenas não são a imagem estática de um passado distante, como gostariam muitos: eles estão vivos, presentes, mesmo depois de 516 anos de violência colonial, e têm voz ativa.

    Em sua pluralidade, estes povos nos ensinam a ver o mundo e a sociedade sob outra perspectiva, na qual o lucro não se sobrepõe à vida e o viver melhor (do que os outros) não é mais importante do que o Bem Viver, em harmonia e com respeito à diversidade da natureza e à totalidade da vida.

    Como nos afirma o Papa Francisco, para os povos indígenas “(…) a terra não é um bem econômico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espaço sagrado com o qual precisam interagir para manter a sua identidade e os seus valores. Eles, quando permanecem nos seus territórios, são quem melhor os cuida”.

    Aqueles que acham que os indígenas não deveriam mais existir os apresentam como grupos “ultrapassados”, que seriam percalços ao suposto desenvolvimento da nação, compreendido sempre como num sentido único e linear.

    Onde enxergam unicamente o passado, entretanto, é que pode estar nossa única esperança de futuro e dignidade. Quando o mundo colapsa frente aos excessos de um sistema baseado no lucro, na competição e na ideia impraticável de um crescimento infinito, temos o direito de aprender com estes povos outros parâmetros de vida – mas, para isso, temos a obrigação de garantir a eles o seu direito a existir, com terra, autonomia e liberdade, “para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10).

    Dom Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, publicado originalmente no Uol Opinião

    Foto: crianças Munduruku, por Frei Sebastião Robledo

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  • 19/04/2016

    Dia do Índio: Survival lança campanha internacional contra o genocídio dos povos indígenas no Brasil

    Hoje, Dia do Índio, a Survival International lançou uma campanha para impedir a destruição de povos indígenas no Brasil, coincidindo com os Jogos Olímpicos de 2016.

    Apesar da atual situação política no Brasil, a campanha visa chamar a atenção para as graves ameaças e violações de direitos humanos enfrentadas pelos povos indígenas do país. Essas ameaças continuam independentemente da instabilidade política no Brasil.

    A campanha, ‘Pare o genocídio no Brasil’ foca na proteção de povos isolados da Amazônia como os Kawahiva, no fim da violência e roubo de terra dos Guarani no centro-oeste do Brasil, e no fim da PEC 215, uma proposta de emenda constitucional que seriamente enfraqueceria os direitos territoriais indígenas, significando um desastre para tribos ao redor do país.

    Há décadas, a Survival tem feito campanhas pela proteção de tribos isoladas – as quais, estima-se que sejam mais de 100 no Brasil. Elas são os povos mais vulneráveis do planeta. Povos como os Kawahiva estão sendo exterminados com a violência de invasores que roubam suas terras e recursos, e com doenças como gripe e sarampo, para as quais eles não têm resistência imunológica.

    No centro-oeste do Brasil, fazendeiros devastaram o território dos Guarani, e quase toda a sua terra foi roubada. Crianças Guarani passam fome e seus líderes estão sendo mortos, um a um, por pistoleiros contratados por fazendeiros. Centenas de homens, mulheres e crianças Guarani cometeram suicídio.

    Por último, a PEC 215, caso implementada, daria à bancada ruralista a chance de bloquear o reconhecimento de novos territórios indígenas, e possibilitaria o desmantelamento de terras existentes. Como as tribos dependem da terra para sobreviver, isso representaria uma ameaça existencial a muitos povos, enfraquecendo fatalmente seus direitos humanos.

    A Survival argumenta que, coletivamente, essas causas constituem uma ameaça genocida aos povos indígenas no Brasil, e que devem ser paradas.

    O diretor da Survival, Stephen Corry, afirmou: “Povos indígenas têm sido gradualmente aniquilados, por séculos, ao redor das Américas. Isso tem que acabar. Ao invés de ver as tribos como obstáculos inconvenientes ao “progresso”, o Brasil deve reconhecer que elas são uma parte intrínseca de sua nação moderna, e merecem ter seus direitos territoriais protegidos para que elas possam sobreviver e prosperar. Independentemente da crise política, esses são assuntos cruciais que devem ser levados a sério. Todos os olhos estão voltados para o Brasil, que se prepara para sediar as Olimpíadas, e está nas mãos dos brasileiros assegurar que a história olhe favoravelmente para sua geração”.

  • 18/04/2016

    MPF pode barrar exploração de silvinita em Autazes (AM) se indígenas não forem consultados

    As atividades da empresa Potássio do Brasil na região de Autazes (AM) poderão ser embargadas caso o Ministério Público Federal (MPF) conclua que não houve consulta às comunidades indígenas e não indígenas, conforme previsto pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A informação foi prestada pelo Procurador da República, Fernando Meloto Soave, por ocasião da reunião realizada na última quarta-feira, 13, na aldeia Ponta das Pedras, em Autazes, município localizado a 113 quilômetros capital amazonense.

    “Nós reunimos vários elementos e parece que, de fato, a consulta não aconteceu”, explicou Fernando Meloto, acrescentando que “nós vamos analisar as informações apresentadas pelos indígenas e tomar os encaminhamentos, inclusive pedindo a paralisação do projeto”.

    O Procurador da República participou da reunião promovida pelas lideranças indígenas de Autazes e Careiro da Várzea. Ele explicou aos participantes como a consulta deve acontecer para obedecer aos requisitos da Convenção 169 da OIT –  ratificada pelo governo brasileiro e vigorando no país na forma do Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004.

    Em 2015, o governo do estado do Amazonas realizou audiências públicas na cidade de Autazes e na aldeia Urucurituba, localizada a 13 quilômetros da sede municipal, para a instalação do projeto de exploração da Potássio do Brasil. Na ocasião, os indígenas não foram ouvidos. Na audiência em Urucurituba, representantes da empresa teriam informado que a Fundação Nacional do Índio (Funai) não se manifestou para responder aos quesitos relacionados aos impactos sociais e ambientais nas terras indígenas.

    Os indígenas estão preocupados com os impactos da exploração mineral. Márcia Lira Castro da Silveira, moradora da aldeia Jawari, em Autazes, conta que um dos impactos da exploração já foi experimentado pelos moradores da aldeia. “Aqui tem um local chamado Ilha do Amor, onde fica um cemitério, que já foi escavado para pesquisa em agosto de 2013. Nós reconhecemos que poderá causar muitas doenças e muitos outros problemas”, suspeita Márcia Lira. Tuxauas de várias aldeias Mura disseram ao Procurador da República que não concordam com a exploração mineral na região temendo os impactos ambientais e sociais, tais como o surgimento de doenças, o súbito crescimento populacional resultante da contratação de trabalhadores e o desaparecimento de suas principais fontes de alimentação.

    Eles disseram que já estão com a alimentação comprometida pela ação da criação de búfalos. Em muitos locais, os animais destroem plantações e os berçários de peixes.

    Os participantes criticaram duramente o Coordenador Técnico Local da Funai, Hudson Henrique. Segundo as lideranças, o coordenador da Funai não tem prestado a devida assistência, não comparece às aldeias quando solicitado e tem se omitido diante das denúncias de violações aos direitos, especialmente quando se trata de invasão das terras indígenas. 
    Da reunião com o Procurador da República participaram mais de 150 indígenas Mura de 18 aldeias dos municípios de Autazes e Careiro da Várzea.


    Manaus (AM), 15 de abril de 2016
    Cimi Norte I (AM/RR)

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  • 18/04/2016

    Carta de Solidariedade: “Bem aventurados os perseguidos e marginalizados”

    Caros irmãos e irmãs do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), escrevemos a vocês para manifestar nossa total solidariedade nesta hora de grande perseguição pela qual passam. A presença afetiva e solidária a serviço da Causa dos Povos Indígenas ao longo de mais de quatro décadas está produzindo frutos.

    Acompanhamos com apreensão e indignação todos os ataques dirigidos a vocês na CPI da Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul comandada por inimigos históricos dos povos indígenas do Brasil e de todos os cantos do mundo. Temos certeza que a perseguição sofrida é por causa do compromisso evangélico de vocês. Os povos indígenas estão em luta para defesa e conquista de direitos fundamentais sempre negados, entre os quais o Direito à Terra Sagrada dos Ancestrais.

    A luta dos Povos Indígenas não será detida pelo ódio dos fazendeiros e dos que exercem mandatos eletivos, porque carrega a memória subversiva de Marçal, Nizio, Euzébio, Xicão e outros guerreiros e guerreiras plantados como sementes nestas terras duras e banhadas de sangue negro, indígena, camponês.

    Permaneçam de cabeça erguida! Vocês estão no caminho certo como disse Jesus de Nazaré: “Felizes serão quando injuriarem e perseguirem vocês e, mentindo, disserem todo o mal contra vocês por causa de mim. Alegrem-se e regozijem-se porque será grande a recompensa de vocês, pois assim perseguiram os profetas, que vieram antes de vocês”.


    Com ternura,


    Articulação Nacional de Quilombos

    Brasil

    Associação das Quebradeiras de Coco

    Dom Pedro/MA

    Associação dos Moradores Remanescentes Quilombola de Gurutil

    Mirinzal /MA

    Associação Nacional de Ação Indigenista

    Maranhão

    Centro de Estudos Bíblico

    Maranhão

    Comissão de Direitos Humanos

    OAB/MA

    Comissão Pastoral da Terra

    Maranhão

    Comissão Pastoral da Terra

    Marajó/PA

    Comissão pastoral da Terra

    Coroatá /Maranhão

    Comunidade Nossa Senhora da Vitória

    São Luís/MA

    Comunidades Eclesiais de Base

    Maranhão

    Fundação Barros

    Brasília

    Grupo de Estudo em Desenvolvimento e Meio Ambiente / UFMA

    Maranhão

    Grupo de Voluntários Greenpaece

    Maranhão

    Irmãs de Notr Dame de Namur

     

    Jornal Vias de Fato

    Maranhão

    LEPEC/UFPE

     

    Movimento de Mulheres Camponesas

    Mato Grosso do Sul

    Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu

     

    Movimento Quilombola do Maranhão

    Maranhão

    Núcleo de Estudo e pesquisa de Questões Agrária /UFMA

    Maranhão

    Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras, Quilombolas, Indígenas – PPGSA/UFMA

    Maranhão

    Paróquia Divino Espírito Santo

    Mirinzal MA

    Paróquia Santíssimo Salvador

    Apicum Açu – MA

    Paróquia São Sebastião

    Peri Mirim/MA

    Pastorais Sociais da Diocese de Grajaú

    Maranhão

    Pastoral da Juventude / Paróquia Santa Terezinha

    São Luís/MA

    Rede Justiça nos Trilhos

     

    Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais

    São Raimundo das Mangabeiras/MA

    Comissão Pastoral da Terra

    Pinheiro/MA

    CSP Conlutas

    Maranhão

    Movimento de Defesa da Ilha

    São Luís/MA

    Grupo de Estudos Pesquisa e Extensão em Lutas Sociais, Igualdade e Diversidades- LIDA/UEMA

    São Luís/MA

     

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