Em carta, lideranças Guarani e Kaiowá prometem ações de retomadas caso o direito à terra não seja garantido
No entendimento do branco, a Terra Indígena Dourados-Amambai Pegua I é a demarcação de uma porção de terra tradicional no Mato Grosso do Sul. Para os Guarani e Kaiowá significa a vida de 13 tekoha – lugar onde se é – de onde os mais velhos foram expulsos a partir de 1917. Desde então, esses indígenas sobrevivem às margens de rodovias, convivem com a violência latifundiária, suicídios e peregrinações em busca do direito à terra. Não resta alternativa a não ser as retomadas, que gera ainda mais violência e mortes; caso essa demarcação e outras não ocorram, os Guarani e Kaiowá prometem intensificar a estratégia.
Em carta ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro Gonçalves, cuja sede em Brasília está ocupada desde ontem, dia 10, por lideranças Guarani e Kaiowá, os indígenas dizem que possuem “muita dor no coração pela indiferença e pela falta de respeito daqueles que deveriam nos ajudar a garantir o direito a nossos territórios tradicionais, mas que por conta da política e do dinheiro violam nossa vida e nossos sonhos de viver em paz”. a ocupação é parte das ações da 12ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL).
Leia a carta na íntegra aqui.
No documento, os Guarani e Kaiowá reivindicam uma reunião com o presidente da Funai, a publicação do relatório da Terra Indígena Dourados-Amambai Pegua I, a volta dos estudos de identificação e delimitação das terras indígenas do povo, além da manutenção da metodologia usada pela própria Funai dos chamados Pegua – onde o Grupo de Trabalho realiza estudos de uma terra indígena que compreende vários tekoha. Os indígenas rechaçam, com isso, uma estratégia ventilada pelo governo de criar reservas no lugar de demarcar os Peguas.
Os Guarani e Kaiowá afirmam que a partir de 1917 o Estado passou a expulsar os indígenas dos territórios, tornando essas terras devolutas e cedidas a fazendeiros e empresas de mate. “Fomos esmagados e apertados para dentro da Reserva de Tey’i Kue, que hoje já não possui mais espaço. Muitas mortes ocorreram, muito de nossos lugares sagrados e Xirus foram destruídos, famílias foram separadas e desde então vivemos em meio ao sofrimento e a dor”, diz trecho da carta.
Quando os Guarani e Kaiowá passaram a retomar esses territórios, assassinatos, espancamentos e toda sorte de violência caíram sobre eles. “Em 2013, enquanto esperávamos a publicação da terra, Denilson Barbosa foi duramente assassinado pelos fazendeiros com um tiro na cabeça. Denilson é mais um jovem que não verá jamais sua terra nem sua família, aquela que sua mãe talvez não verá e que se ver não partilhará com seu filho. Cansadas de enterrar os filhos mortos em 2014 um grupo de mães enfrentou retomada e as balas dos fazendeiros para recuperar dignidade e paz”, explicam.
E a carta segue listando uma vasta lista de mortes e sofrimentos. Por conta de tal histórico, os Guarani e Kaiowá são direitos caso a Funai não publique o relatório: “Iremos começar um grande movimento como no ano passado de retomar por nossa própria conta todos os territórios que estão nos estudos pelo direito de viver no que é nosso. Não recuaremos e a FUNAI deve escolher uma vez que nos deixou sem opção. Ou publica o relatório e continua os estudos ou nós e as demais Tekoha começaremos nossas retomadas e a morte do nosso povo será culpa do Executivo brasileiro”.
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Em meio a uma das maiores crises políticas dos últimos anos, os povos indígenas estão reforçando a reivindicação pela demarcação de suas terras no Acampamento Terra Livre (ATL), que começou a manhã desta terça (10/5), em Brasília. As lideranças indígenas também deixaram claro que não aceitarão nenhum retrocesso em seus direitos, independente do governo de plantão. Plenária do Acampamento Terra Livre em Brasília. Alan Azevendo / MNI






Durante encontro realizado em La Paz, na Bolívia, nos últimos dias, as entidades que compõem o Foro Andino Amazônico de Desenvolvimento Rural manifestaram preocupações com a garantia de direitos a populações indígenas, quilombolas e camponesas ante a crise política do Brasil gerada pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Os problemas de ingerência indevida na gestão dos distritos pelos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (CONDISI) observados em muitas regiões do país têm como origem uma interpretação errada sobre o significado do controle social no Sistema Único de Saúde (SUS). Os CONDISI, em sua concepção original, têm um caráter deliberativo, devendo estabelecer as diretrizes e fiscalizar a execução das ações de saúde no território de abrangência dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). A justa e progressiva ocupação dos espaços da gestão por profissionais indígenas, como propugnado na Convenção 169 da OIT e Declaração dos Direitos Indígenas da ONU, não deve ser confundida com a finalidade precípua do controle social definida para os CONDISI.
Neste 02 de maio de 2016, fez dois anos que o grande profeta Dom Tomás Balduíno nos deixou. No velório na cidade de Goiás, GO, estavam presentes seus amigos e companheiros representantes das entidades camponesas, trabalhadores(as) rurais e urbanos e lideranças dos povos Apinajé, Krahô, Xerente, Karajá Xambioá do Estado de Tocantins e Tapuia de Goiás, que representaram os demais povos indígenas brasileiros; pelos quais lutou intensamente e dedicou a maior parte de sua existência terrena.
Brasília, 9/5/2016 – O Acampamento Terra Livre (ATL) começa na manhã desta terça (10/5), ao lado do Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, com uma entrevista coletiva, às 11h (veja programação em anexo). O evento reunirá manifestantes de todo o país com o objetivo de reforçar as reivindicações dos povos indígenas pela garantia de seus direitos.