Povo Ka’apor pede providĂŞncias quanto ao sequestro de jovem por madeireiros e afirma seguir com guarda
"A gente não aceita que o governo mande e controle a gente. Governo quer destruir nossa organização e o nosso jeito de proteger a Floresta. A gente não aceita”. Essas são as palavras das lideranças Ka’apor, do Maranhão, ao governo federal. A revolta dos indígenas ainda é maior porque Iraúna Ka’apor segue sob o cárcere de madeireiros, que a sequestraram, há mais de dois meses, durante invasão à aldeia em que a jovem de 14 anos mora.
Em carta dirigida às autoridades públicas, os Ka’apor dizem: “Lutamos sozinhos durante esses anos, enfrentamos e expulsamos madeireiros. Por causa disso, mataram 5 lideranças, agrediram e atiraram em nossos guardas florestais, invadiram duas aldeias, madeireiros sequestraram Iraúna Ka’apor”.
Diante das tentativas da Fundação Nacional do Índio (Funai) de destituir a Guarda Florestal Ka’apor, alegando que ela gera represálias contra as aldeias, os indígenas são taxativos: seguirão protegendo a Terra Indígena Alto Turiaçu na medida em que o governo federal não o faz.
Leia a carta na íntegra:
“Não aceitamos ser tutelados, estamos organizados….Respeitem nosso jeito de ser, viver e se organizar em nossa casa, nosso território e proteger nossa floresta”
Nós povo Ka’apor sabemos cuidar, viver e proteger nosso território, cultivamos a vida e
fazemos isso a mais tempo do que os livros dos Kamara contam. Fazemos a nossa parte, mas o governo ainda não fez a parte dele. Ficamos ameaçados se o governo não faz a parte dele e ainda fica interferindo em nossa organização e não respeita nossos direitos.
Por isso a gente quer falar um pouco para o Brasil o que acontece com a gente, por que lutamos e não aceitamos mais ser mandado e controlado pelo governo.
A Terra Indígena Alto Turiaçu é uma pequena parte do grande território que a gente vivia
antes ser invadido, tomado a força da gente, perseguindo e matando nossos parentes, e o
governo nem consultou a gente. Por isso que a gente continua lutando pra não perder o que temos.
Lutamos sozinhos durante esses anos, enfrentamos e expulsamos madeireiros. Por causa disso, mataram 5 lideranças, agrediram e atiraram em nossos guardas florestais, invadiram duas aldeias, madeireiros sequestraram Iraúna ka’apor, estão ameaçando matar mais de 8 lideranças e apoiadores de nossa luta em defesa de nosso território. Tudo isso denunciamos para os órgãos do Estado, para Funai, IBAMA, para Policia Federal, MPF em São Luís e para relatora da ONU em Brasília.
Agora nossos inimigos não conseguem entrar com tratores, jericos, motosserras,
caminhões, atirar na gente. Estão usando funcionários da Funai e de outros órgãos do governo do Estado para dividir nossas lideranças, tirar nossa atenção de proteger nosso território, acabar com nossa organização e jeito de proteger nosso território. Eles estão fazendo reuniões, falam mal de nossa organização, querem tirar Itahu Ka’apor da CTL Zé Doca, acabar como nosso Conselho de Gestão Ka’apor, tomar e controlar nossa associação, afastar nossos apoiadores e parceiros, prometendo dar estrutura para aldeias e mudar o jeito de trabalho dos Ka’apor. Eles deveriam seguir o que o juiz mandou que é criar bases de vigilância e fiscalização em nosso território, prender os assassinos que mataram nossos parentes esses anos, investigar o sumiço de nossa parente Iraúna Ka’apor, dar condições para os Kamara que moram perto de nosso território viverem bem para não explorar nosso território.
Desde 2009 a gente vem organizando nossa educação, saúde, assistência, protegendo
com mais força nosso território e melhorando nossa alimentação. Em dezembro de 2013, em nossa assembleia, decidimos voltar nossa forma tradicional de se organizar, decidir, proteger nosso território e viver sem ameaçar e destruir a floresta. Criamos o Conselho de Gestão Ka’apor que representa nossos antigos TUXÁ. Nossos Tuxá são guerreiros, guardam nossos costumes, nossa cultura original, trabalham para nosso povo servindo e protegendo nossa cultura e território. Nessa assembleia escolhemos um grupo de lideranças. A gente vem acompanhando o trabalho de todos.
Criamos um Acordo de Convivência interno que diz que nosso povo, nossas lideranças não podem falhar com nossa cultura e adotar a cultura, costumes dos Kamará que enfraquece nossa cultura, nossa vida e ameaça nosso território.
Não vamos aceitar que essas pessoas que chegaram no final do ano passado destruam nosso trabalho e organização que construímos com suor, muita luta pra melhoria de nossa vida. Assim como não aceitamos os ataques contra nossos parentes Guarany Kaiowá, Tupinambá, Munduruku, Pataxó Hãhãhãe, Gamela e outros.
Nosso Conselho de Gestão Ka’apor visitou, consultou e reuniu com a maioria dos conselhos das aldeias e todos decidiram que:
1. O nosso Conselho de Gestão Ka’apor quem escuta e decide pelo nosso povo;
2. Manter e continuar criando Conselho nas Aldeias;
3. Manter e ampliar nossa Guarda Florestal Ka’apor;
4. Manter e ampliar nossos Ka’a usak ha ta – Áreas de Proteção Ka’apor com sistemas solares;
5. Manter e ampliar nossos Agentes Agroflorestais Ka’apor;
6. Manter e ampliar nossas experiências de Agrofloresta Ka’apor em nossas áreas de Proteção valorizando nossa cultura tradicional para a criação de nossa Ma’e Hain rok (Casa de Sementes);
7. Manter nosso Centro de Formação Saberes Ka’apor como espaço de Educação e Formação Ka’apor;
8. Manter nosso jeito de Educar e organizar como orienta nosso Projeto Pedagógico e Curricular Ka’apor;
9. Manter e maior respeito aos nossos Gestores de Educação Ka’apor;
10. Manter nossa participação na Gestão de nosso Polo Base de Saúde Indígena com orientação de nosso Pajés;
11. Manter Itahu Ka’apor na Coordenação Técnica Local e Gestor em nossa Assistência Social;
-
Manter as parcerias e apoios na educação, saúde e proteção territorial;
-
Manter a gestão territorial e ambiental pelos Agentes Agroflorestais e Guardas Florestais Ka’apor.
Não aceitamos que funcionários do governo mande, controle, divida e destrua nosso povo e nossa organização.
Não aceitamos nenhum golpe! Vamos continuar lutando em defesa de nossa autonomia, floresta e território!
Aldeia Ximborenda, 17 e 18 de julho de 2016.
Conselho de Gestão Ka’apor.
Conselho da Aldeia Ximborenda,
Conselho da Aldeia Waxiguirenda,
Conselho da Aldeia Zé Gurupi,
Conselho da Aldeia Bacurizeiro,
Conselho da Área de Proteção Jumu’eha renda Keruhu ou Centro de Formação Saberes Ka’apor,
Conselho da Área de Proteção Ywyãhurenda,
Conselho da Área de Proteção Ypahurenda,
Conselho da Área de Proteção Jaxipuxirenda,
Conselho da Área de Proteção Eirhurenda,
Conselho da Área de Proteção Akadju’yrenda,
Lideranças Aldeia Capitão Mirá,
Lideranças Aldeia Piquizeiro,
Lideranças Aldeia Cumaru,
Lideranças da Área de Proteção Tawaxirenda.
Categories MA
Read More


Cidade do Vaticano (RV) – Entidades ligadas à Igreja Católica se reúnem nos dias 22 e 23 de julho em Viena, na Áustria, para um encontro sobre a criação e os povos mais fragilizados, à luz da Encílica Laudato Si do Papa Francisco.

“São terras consideradas devolutas, ou seja, dos nossos antepassados. Só teremos melhorias quando nosso território for de fato livre dessas ameaças e da negligência do Poder Público. A Funai precisa urgente garantir nosso território”, diz trecho de comunicado do povo Truká-Tupã divulgado pela Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP), entidade que assessora e acompanha o povo em suas reivindicações. Com a situação da ocupação territorial do povo precarizada pelo Estado, serviços de saúde e educação não chegam à aldeia. Os protestos pediram também melhoras em tais políticas públicas. 




Após um dia da inauguração da casa de medicina tradicional, oriundo do projeto “Casa da Memória”, ocorrida no domingo, 17 de julho, na comunidade indígena Jacaminzinho, na comunidade indígena Malacacheta, Lucila Mota de Souza, 72 anos, geração de Thiago de Souza e Galdina Mota, uma geração de Wapichanas da região Serra da Lua, veio visitar a sede do Conselho Indígena de Roraima (CIR), especialmente, a Secretaria do Movimento de Mulheres Indígenas de Roraima e compartilhar um pouco da boa nova de anos e anos quando finalmente conseguiu realizar o sonho de construir o seu cantinho sagrado, um cantinho coletivo e que pretende deixar às futuras gerações.


Os quase cinco mil romeiros, participantes das celebrações da vida e da esperança – Profetas do Reino
A doce rebeldia e a sagrada teimosia
NOTA DE REPÚDIO E MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE
Organizações indígenas do Nordeste ofereceram duas representações criminais contra o deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP/RS) ao procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Em maio, o parlamentar saudou a Associação de Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema (Aspaiub), da Bahia, 

“Dor, sofrimento e injustiça”. Com essas palavras Silvino Werá da Silva, cacique da Terra Indígena Irapuá, localizada entre os municípios de Cachoeira do Sul e Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul, definiu para a equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que o acompanhou em audiência no Ministério Público Federal (MPF), os sentimentos de sua comunidade. E completou: “Vivo na beira da estrada a minha vida toda. Crio meus filhos de baixo de lona à espera da demarcação da nossa terra, que fica do outro lado da estrada (BR 290, no Km 299). Eu até quis desistir, mas não consigo. Vivemos por causa da terra. Ela é tudo o que temos e somos, mas nela não nos deixam pisar. Ela é nosso sonho, é nosso ritual, é nosso alimento, é nossa vida”.
de governo que temos. Nele, estimula-se a propriedade, a concentração de terras, a produção em larga escala. A partir dessa lógica, os governantes, mesmo tendo a responsabilidade constitucional de demarcar as terras e assegurar aos povos indígenas o seu usufruto, não o fazem. Suas ações (e omissões) demonstram estarem atrelados política e economicamente aos proprietários que, em sua maioria, adquiriram os bens de modo ilegal ou ilegítimo. Ilegal porque muitos grilaram terras ou se apossaram violentamente delas, e ilegítima porque, quando os títulos foram concedidos pelo Estado, os governantes sabiam que as terras eram habitadas por indígenas ou quilombolas. 