Fórum das Equipes fortalece a missão do Cimi Regional Norte 1 com olhar sistêmico e integrado sobre os projetos
Na oficina, missionárias e missionários identificaram desafios, compartilharam experiências e aprofundaram seus conhecimentos

Fórum das Equipes fortalece a missão do Cimi Regional Norte 1 com olhar sistêmico e integrado sobre os projetos. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
Vindos de diferentes regiões dos estados do Amazonas e de Roraima — Vale do Javari, Médio Solimões, Médio Juruá, sul do Amazonas, Baixo Rio Madeira, região de fronteira no noroeste do estado, Manaus e região metropolitana, além de Roraima —, missionárias e missionários do Cimi Regional Norte 1 se reuniram na 2ª edição do Fórum das Equipes, realizada de 9 a 11 de julho, no Centro de Formação Xare, em Manaus.
Momento de celebração, partilha, socialização, formação, avalição, (re)planejamento e afirmação nas definições dos caminhos que seguem em defesa dos direitos e das formas de vida dos povos indígenas, o Fórum das Equipes teve no abraço o alimento que fortalece trocas de afetos e conhecimentos.
“Ao Fórum das Equipes teve no abraço o alimento que fortalece trocas de afetos e conhecimentos”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
A cada encontro, as equipes aperfeiçoam seus aprendizados, se fortalecem e consolidam o espírito da sinodalidade, que justamente é o “caminhar juntos”, dimensão da Igreja promovida, enaltecida e valorizada pelo Papa Francisco, convidando a todos e todas a “participarem ativamente, dialogarem, escutarem e discernirem em comunidade, superando assim o individualismo”.
Para Raimunda Paixão, conhecida como Rai, missionária do Cimi há 36 anos, os projetos e missão realizados pelas equipes mostra o pertencimento que cada um tem e sente pela instituição e pelos indígenas. “A socialização dos projetos das nossas equipes é uma forma de ‘pertença’ tanto ao Cimi quanto ao compromisso com os povos indígenas. É o que dá um sentido de companheirismo entre nós porque estamos caminhando juntos, num processo de abertura uns com os outros e aprendizados que vêm das aldeias, onde a gente está sempre partilhando a vida”, partilha Rai.
“A socialização dos projetos das nossas equipes é uma forma de ‘pertença’ tanto ao Cimi quanto ao compromisso com os povos indígenas”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
Tudo está interligado
Nessa 2ª edição do Fórum das Equipes foi realizada a Oficina de Planejamento, Monitoramento e Avaliação (PMA), com o objetivo de contribuir com o fortalecimento institucional do Cimi Regional Norte 1, em seus Projetos e na Gestão Interna, partindo do balanço das potencialidades e dificuldades identificadas pelos participantes.
O tema foi conduzido com metodologia participativa, seguindo os projetos que as equipes desenvolvem em suas áreas de atuação, pela assessora Kelly Cristina Alves, da assessoria de Projetos do Secretariado Nacional do Cimi. Promovido pelo Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais (CAIS), os subsídios político-pedagógicos partilhados seguem os objetivos do “Processo de Formação de Formadores e Formadoras”, desenvolvido no âmbito da modalidade de “Comunidade de Aprendizagem”, que tem como horizonte, além de encontros de intercâmbio, atividades práticas realizadas em períodos intercalados.
O CAIS apoia a Misereor, Obra Episcopal da Igreja Católica da Alemanha, dedicada à cooperação para o desenvolvimento, importante parceira do Cimi.
“A cada encontro, as equipes aperfeiçoam seus aprendizados, se fortalecem e consolidam o espírito da sinodalidade”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
Para Gilmara Fernandes, da coordenação colegiada do Cimi Regional Norte 1, essa é uma formação de relevância que o Cimi desenvolve, tanto pela necessidade de seguir as diretrizes dos financiadores que apoiam as ações, quanto pelo acompanhamento às vivências dos povos indígenas, especialmente em relação aos retrocessos impostos pelos setores da política anti-indígena.
“O Cimi deve estar sempre se capacitando, se qualificando para enfrentar os desafios que se colocam aos povos indígenas e, também, para corresponder com as exigências das financiadoras [na correta aplicação dos recursos]. A gente precisa de capacitação a partir dos princípios do Planejamento, Monitoramento e Avaliação, e o CAIS, junto com a Misereor, vêm ao longo dessas décadas nos ajudando com essa formação”, aponta ao comentar que as especificidades nas realidades de cada povo precisam ser consideradas.
“O Cimi deve estar sempre se capacitando, se qualificando para enfrentar os desafios que se colocam aos povos indígenas”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
“O desafio também está colocado na realidade e no contexto de cada povo, de cada território. Isso é feito muito em consonância com os povos e suas realidades, respeitando, primeiro na escuta dos povos em seus territórios, depois, no pensar, planejar e acompanhar as ações conjuntamente e de forma integradora. Esse processo, o CAIS chama de ‘comunidades’, de ‘viver-se de comunidades’”, conta Gilmara. Ela destacou o olhar sistêmico sobre todos os elementos que compõem a organização e, inseridos nela, os seus projetos.
“É a partir de um contexto sistêmico que a gente pensa os projetos, que estejam integrados a partir de uma cooperação, da coordenação junto com o setor financeiro e as equipes que estão no território. Tudo é um sistema integrado e em sintonia, onde um, precisa do outro para poder responder da melhor forma às políticas e às exigências do que se quer alcançar com os projetos”, concluiu a missionária do Cimi.
Integração, entusiasmo e legítimos conhecimentos das realidades indígenas foram os destaques de Kelly ao promover os debates sobre um tema que, aos olhos de muitas pessoas, é complexo e difícil de ser trabalhado. A assessora afirmou que essas capacidades das equipes deixou a complexidade da oficina e do tema mais leve.
“É a partir de um contexto sistêmico que a gente pensa os projetos, que estejam integrados a partir de uma cooperação”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
“Muitas pessoas olham ou têm experiências difíceis em relação ao tema [Elaboração e Gestão de Projetos]. Mas, destaco o entusiasmo, a dedicação das equipes com o monitoramento dos projetos, o desejo de saberem mais, a integração e a alegria entre as equipes, o compartilhar das experiências. Os missionários do Cimi têm uma forte inserção no meio dos povos indígenas, e traduzir essas experiências nessa tarefa de elaboração e monitoramento de projetos se torna mais suave, diante de tantos desafios”, destaca, ao valorizar a forma coletiva de atuar das equipes do Cimi Regional Norte 1.
“Quando se faz coletivamente, com apoio entre as equipes, num equilíbrio entre o domínio técnico dessas ferramentas e com companheirismo, [tudo flui melhor]. Eu presenciei essa força coletiva nesse regional e as equipes já desejam uma segunda etapa para aprofundar o exercício prático de elaboração”, conta Kelly.
Confirmando as constatações de Kelly, Pedro dos Santos, também da coordenação colegiada do Cimi, disse que “o estar junto” é uma metodologia consagrada do Cimi. “Nossa formação é estar junto, os processos de escuta acontecem quando estamos na aldeia, vivenciando a realidade da vida indígena. Estar junto sempre foi a metodologia do Cimi e foi o que gerou a confiabilidade dos povos para com a instituição”, conta animado com os aprendizados e na expectativa das novas etapas da oficina.
“Quando se faz coletivamente num equilíbrio entre o domínio técnico dessas ferramentas e com companheirismo, tudo flui melhor”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
A esperança sustenta horizontes
A importância do olhar integrado dos projetos, percebendo-os como parte de um todo, planejando e realizando com o método de “estar junto” foi a constatação principal das equipes. Ter uma visão sistêmica é o desafio posto e proposto. Mas, ao vislumbrar metas alcançada, objetivos realizados e resultados conquistados, renovam-se as esperanças para a renovação de novas ações e missões. A comunidade fortalecida é, ao final, a maior conquista do olhar integrado e do agir coletivamente.
Nessa perspectiva, as equipes trouxeram o reconhecimento de que, apesar da prática de ação conjunta e primaz da participação dos indígenas em todo o processo de desenvolvimento dos projetos, existem lacunas na condução deles que precisam ser sanadas. Também, de que a identificação e o reconhecimento das dificuldades e limitações que existem na caminhada favoreceram a compreensão de que há necessidade de capacitações e diálogo constante nos prosseguimentos e desdobramentos dos processos.
“Ter uma visão sistêmica é o desafio posto e proposto. A comunidade fortalecida é a maior conquista do olhar integrado e do agir coletivamente”

Segunda edição do Fórum das Equipes 2026 do Cimi Regional Norte 1. Foto: Ligia Apel | Ascom do Cimi Regional Norte 1
As avaliações da oficina foram positivas e promissoras em relação à metodologia participativa e envolvente, e aos conhecimentos compartilhados, tanto pelas equipes quanto externos pela assessoria.
A aceitação, reconhecimento, acolhimento e interesse de todos, ajudou na construção coletiva das aprendizagens, que se configuraram como multiplicadoras, e das percepções sobre os caminhos a serem percorridos em continuação à missão.
Movendo as dinâmicas das equipes, a esperança sustentou os horizontes apesar das dificuldades identificadas em cada lugar, em cada ação, em cada projeto, foi a conclusão mística da oficina: “Para fortalecer a nossa missão, a esperança se renova quando a gente se reúne, partilha nossas experiências, constrói juntos nossos aprendizados, no fortalecimento da nossa instituição que atua com os povos indígenas, nos territórios”, compartilhou, ao final, Raimunda Paixão.





