19/04/2022

Com luta, teimosia e esperança, os povos indígenas resistem

Apesar de toda a violência no passado e no presente, os povos indígenas continuam mobilizados em defesa de seu direito a existir, com terra, diversidade e dignidade

II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, realizada em setembro de 2021. Foto: Verônica Holanda/Cimi

II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, realizada em setembro de 2021. Foto: Verônica Holanda/Cimi

Neste dia 19 de abril de 2022, Dia dos Povos Indígenas, devemos continuar refletindo a situação dos povos originários e suas lutas no Brasil. Ainda não podemos comemorar, principalmente em um momento em que seus direitos fundamentais, reconhecidos na Constituição Federal de 1988 após muita luta e mobilização, estão sendo questionados e agredidos pelas elites econômicas e pelo próprio Estado.

Os povos indígenas representam uma extraordinária diversidade cultural e são responsáveis pela preservação e proteção dos territórios, das águas, das florestas, do ar que respiramos.

Em todos os períodos da nossa história, eles estiveram presentes com sua luta pela existência e com sua resistência. A colonização configurou-se como um processo violento contra os territórios, os corpos e as formas diversas de vida dos povos indígenas.

Em sua luta constante de resistência, como sementes teimosas, chegamos aos dias atuais com mais de 300 povos indígenas, falando mais de 170 línguas, com uma população de mais de 900 mil indígenas presentes em todo o Brasil, junto com a existência de povos indígenas livres que lutam por sua autonomia e seu direito de existir.

Mas os inimigos continuam atacando essas formas coletivas e integrais de vida.

Constatamos um aumento constante dos conflitos contra a vida dos povos indígenas. Os territórios são ameaçados e invadidos, na perspectiva colonial de integrá-los e submetê-los à lógica do capital; iniciativas legislativas e administrativas circulam no Congresso e no Executivo com a pretensão de desconstruir os direitos territoriais e inviabilizar os projetos de vida desses povos; povos indígenas são invisibilizados nos contextos urbanos. O comércio, o agronegócio, o minério, o ouro, na visão das elites, estão acima da vida de comunidades, de povos, de lideranças que continuam resistindo em favor de todos nós.

No entanto, os povos indígenas continuam se organizando e se mobilizando em reuniões, encontros, assembleias, acampamentos, lutando pela garantia dos direitos conquistados, com muita luta, teimosia e Esperança.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), prestes a completar 50 anos ao lado dos povos indígenas, vem manifestar seu testemunho da resistência desses povos e reiterar seu compromisso e apoio, conclamando todo o povo brasileiro a apoiar essa causa, que é de todos nós.

Brasília (DF), 19 de abril de 2022

Conselho Indigenista Missionário

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