17/05/2019

Indígenas ocupam sede da Sesai em Roraima contra interferência política em nomeações

Uma das reivindicações dos indígenas é que as nomeações para os órgãos de assistência sejam resultado de consulta a eles

Ocupação à sede da Sesai em Roraima começou nesta quinta (16) e não tem prazo para acabar. Crédito da foto: Divulgação/CIR

Por J. Rosha, Cimi Regional Norte I

Indígenas das várias regiões de Roraima estão sendo aguardados nesses dias para engrossar a fileira dos que já estão na capital Boa Vista, desde ontem (16), em ocupação à sede da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) contra a interferência de políticos na nomeação do novo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Leste, que presta atendimento a cerca de 50 mil indígenas de 325 aldeias e 34 polos.

Indicado pelo senador Chico Rodrigues (DEM/RR), o médico ortopedista Victor Paracat tomou posse na terça-feira (14) e uma de suas primeiras medidas foi iniciar um atrito com as lideranças indígenas durante entrevista a um veículo de comunicação de Roraima.

Ele chamou de “radicais” os indígenas que se manifestam por melhorias no atendimento à saúde

De acordo com lideranças do Conselho Indígena de Roraima (CIR), a manifestação não tem data para acabar. Uma das reivindicações dos indígenas é que  as nomeações para os órgãos de assistência sejam resultado de consulta a eles.

“A Sesai é uma conquista nossa. Hoje, nas aldeias, faltam medicamentos, falta transporte para as pessoas doentes, além de já terem sido detectadas  fraudes na aquisição de medicamentos”, diz o vice-coordenador do CIR, Edinho Pereira.

Segundo a liderança, antes mesmo da nomeação de Victor Paracat os indígenas entregaram ao senador Chico Rodrigues uma proposta de nome para a coordenação do Dsei/Leste. “Nós esperamos mais parentes das regiões. Não vamos temos data para encerrar esse movimento”, disse Pereira.

A ocupação da sede do DSEI/Leste continua a agenda de lutas do Acampamento Terra Livre (ATL), ocorrido em abril na Capital Federal. Os indígenas promoveram discussões sobre saúde, educação, proteção das terras e protestaram contra o desmonte de seus direitos constitucionais articulado pelo governo federal, especialmente quanto à exploração mineral e geração de energia sem diálogo com os povos indígenas.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação - Cimi
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