15/04/2019

Comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado volta a ser ameaçada por seguranças armados

Indígenas que vivem em retomada às margens do rio Guaíba vêm sofrendo ameaças de morte, proferidas por seguranças de empreendimento imobiliário

Comunidade Guarani Mbya da Ponta do Arado, em Porto Alegre. Foto: Roberto Liebgott/Cimi Regional Sul

Comunidade Guarani Mbya da Ponta do Arado, em Porto Alegre. Foto: Roberto Liebgott/Cimi Regional Sul

Por Cimi Regional Sul/Equipe Porto Alegre

Nas últimas noites e madrugadas, de forma insistente, homens armados que prestam serviço de segurança para o empreendimento Arado Velho, em Belém Novo, Porto Alegre (RS), vêm proferindo ameaças de morte aos Mbya Guarani que vivem nas margens do Rio Guaíba, na praia que faz divisa com a área de terra reivindicada pelos indígenas como sendo de ocupação originária, ancestral e imemorial.

Desde que retomaram a terra, em 18 de junho de 2018, os Mbya Guarani sofreram atentados a tiros, foram ameaçados de morte e tiveram seus direitos de ir e vir cerceados pelos que se dizem donos do empreendimento imobiliário e que pretendem construir na região um condômino de luxo onde para abrigar famílias de classe média alta.

Espera-se que a Justiça Federal e a Polícia Federal tomem medidas para concluir as investigações e punir os responsáveis pelos ataques aos indígenas, e que o governo federal atue para garantir segurança aos Mbya e realizar os estudos de delimitação e identificação da terra requerida pelos indígenas

Ao longo dos últimos meses, pesou sobre os indígenas e seus apoiadores uma série de restrições, inclusive do ponto de vista jurídico, tendo em vista impedir a liberdade e a prestação de apoio, serviços e de solidariedade à comunidade que lá vive. Em fevereiro, depois de uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, atendendo pedido do Ministério Público Federal, se determinou que a demanda jurídica envolvendo indígenas e o empreendimento deve ser julgada e solucionada pela Justiça Federal.

Concomitante a isso a Polícia Federal tornou-se responsável pelos inquéritos relativos aos ataques a tiros e as ameaças contra os Mbya. Na tarde de quarta-feira, 10 de abril, e na tarde de domingo, 14 de abril, as lideranças indígenas se dirigiram à Delegacia de Polícia Civil em Belém Novo, com o objetivo de registrar as reincidências dos crimes de ameaças contra a comunidade. Espera-se que a Justiça Federal e a Polícia Federal tomem medidas no sentido de concluir as investigações e punir os responsáveis pelos ataques aos indígenas. Ao mesmo tempo, reivindica-se que o governo federal atue no sentido de garantir segurança aos Mbya e de realizar os estudos de delimitação e identificação da terra requerida pelos indígenas.

Leia mais sobre as ameaças à comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado

Porto Alegre, 14 de abril de 2019.

Cimi Regional Sul – Equipe POA

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