17/01/2019

No Panamá, jovens indígenas brasileiros denunciam realidade de violência contra os povos originários

Durante Encontro Mundial da Juventude Indígena, a delegação do Brasil relatará a espinhosa realidade dos povos frente a invasões de seus territórios tradicionais pelo agronegócio e as violações dos direitos constitucionais do atual governo.

1º Encontro da Juventude Xakriabá, agosto de 2017. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

Por Cimi Regional RO

Em encontro que inicia hoje (17) na cidade de Soloy, no Panamá, jovens indígenas no Brasil se reunirão com outras representações indígenas para debater a situação dos povos tradicionais no mundo. A delegação brasileira de 10 jovens indígenas integrará o grupo de aproximadamente uma centena que se reúne no Encontro Mundial da Juventude Indígena. O evento antecede a Jornada Mundial da Juventude, que reunirá aproximadamente 200 mil jovens de 150 países com o papa Francisco.

Desde a Carta Encíclica Laudato Si, documento papal sobre o cuidado com a Casa Comum, Francisco tem direcionado atenção especial para a Amazônia e para os Povos Indígenas. Frequentes são as denúncias do Latino Americano sobre as “forças de destruição” presentes nos “pulmões do planeta” (cf. LS 33), como as várias formas de violência e abuso, no abandono dos mais frágeis, nos ataques contra a natureza (cf. LS 66). Em 2015, quando esteve na Bolívia, o bispo de Roma, em crítica ao capitalismo o qual nominou como “ditadura sutil”, convocou os movimentos sociais a trabalharem “pela união dos povos e preservação da natureza”.

O papa escuta os clamores dos povos e o protagonismo da juventude indígena fará chegar ao líder católico, novamente, as “culturas de morte” que ameaçam sua vida e território. A invasão das terras indígenas pelo agronegócio e as ameaças de exploração dos recursos minerais, desmatamento indevido e a violência e atuação de fazendeiros nos territórios tradicionais estarão em pauta no encontro que segue até 21 de janeiro. Será momento para refletir, também, a presença da Igreja na atuação junto aos povos e comunidades tradicionais.

Foto: Cimi RO

Representando o Brasil, participam do encontro jovens indígenas dos povos Tukano, Baré, Tikuna, do AM; Pataxó Hã-Hã-Hãe, da BA; Guajajara, do MA; Guarani Kaiowá, do MS; Macuxi, de RR e Karipuna, de RO.

“Estaremos levando as riquezas ancestrais e a força da espiritualidade e da resistência, em garantir o cuidado da Mãe Terra, dos rios, das florestas e guardiões e cuidadores da Casa Comum”, discorre documento redatado pelo grupo. “A casa comum, morada de todos os seres vivos, está sendo ameaçados e atacados pelos projetos de morte em nome da capital econômico”, denunciam. Os indígenas levarão para a esfera internacional os as violências sofridas recentemente pelos povos Arara, no Pará, Guarani no Rio Grande do Sul, Uru Eu Wau Wau e Karipuna, em Rondônia.

“Será uma oportunidade de responder ao convite do papa Francisco feito a juventude, de sermos agradecido pela história dos nossos povos e valente frente aos desafios que nos envolvem para seguir adiante cheios de esperança na construção de outro mundo possível”, afirma a carta convocatória do encontro.

Delegação Brasileira

A delegação do Brasil terá como eixos de participação o debate pelo respeito a cultura e as diversidades étnicas; a proteção dos territórios indígena, para que se evite novos mártires e mortes; a lutar pela demarcação das terras indígenas. Os jovens brasileiros apresentarão as seguintes realidades em encontro de cinco dias:

  1. Invasão do agronegócio nas terras indígenas e as ameaças de exploração dos recursos minerais. São práticas que ameaçam as terras tradicionais preservadas pelos indígenas
  2. Ameaça e criminalização de lideranças indígenas
  3. Poluição e envenenamento dos rios
  4. Crescente desmatamento devido a invasão dos fazendeiros, grileiros e madeireiros em terras indígenas.
  5. A preocupação em relação ao decreto do presidente Jair Bolsonaro, que facilita a compra de armas de fogo no Brasil. Os indígenas serão mais vulneráveis pela violência alimentada pelo agronegócio
  6. A proliferação do alcoolismo, drogas, tráfico humano, prostituição nas comunidades indígenas.
  7. Violação dos direitos constitucionais e a insegurança de comunidades indígenas que estão a mercê da extinção e redução das terras tradicionais
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