14/11/2018

Indígena Donecildo Agueiro fica paraplégico após atentado a tiros em Guaíra/PR

Por recomendação médica, bala permanece alojada para que Ava-Guarani não corra risco de ficar tetraplégico

Protesto Guarani na cidade de Guaíra, Paraná. Foto: Diego Pelizzari/Cimi

Por Michelle Calazans, Ascom Cimi

Uma semana após ser vítima de atentado a tiros, o indígena Ava-Guarani Donecildo Agueiro, de 21 anos, recebe confirmação médica de paraplegia – lesão medular que inviabiliza o movimento das pernas. O jovem passou por cirurgia para descompressão da medula nesta semana no Hospital Regional de Toledo e hoje (14), recebeu a notícia de que, por recomendação médica, permanecerá com a bala alojada na medula para não correr o risco de ficar tetraplégico, que é a perda dos movimentos dos braços, tronco e pernas.

Segundo informações da antropóloga Jacqueline Parmegiani, que trabalha com os Avá-Guarani na região, ainda não foi definido prazo para Donecildo Agueiro receber alta. A antropóloga afirmou, também, que o indígena não tem mais controle das necessidades fisiológicas e ficará utilizando fralda em caráter permanente.

Além disso, a febre permanente é outro fator preocupante, apesar de o Ava-Guarani se encontrar consciente da situação. “Durante todos esses dias Donecildo Agueiro parecia simplesmente não acreditar que perdeu complemente o movimento das pernas. Apenas hoje ele se manifestou e disse que estava muito triste por toda a situação, inclusive pelo fato de ter que conviver com a bala alojada no corpo”, explicou a antropóloga.

Ava-Guarani Donecildo Agueiro. Foto: Acervo pessoal

Sobre o atentado sofrido, o Avá-Guarani conseguiu recordar parcialmente apenas do veículo que conduziu os homens que praticaram a agressão: “Foi um carro com carroceria da Volkswagen, na cor prata”, afirmou. Como os tiros foram praticados pelas costas do indígena, nenhum rosto pode ser reconhecido.

O atentado a tiros aconteceu na tarde do dia 06 de novembro, após o Ava-Guarani sair de reunião da Coordenação Técnica Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), que tratava dos processos de licenciamento de duas linhas de transmissão que passam em Guaíra, com estudos ambientais iniciados. O cenário de omissão e morosidade na regularização de terras indígenas é o principal agravante, segundo lideranças indígenas, das violências praticadas contra esses povos tradicionais.

Foto: Osmarina de Oliveira/ Cimi sul

Tekoha Ara Porã em Sta Helena. Foto: Osmarina de Oliveira/ Cimi sul

Suspensão do despacho de identificação da Terra de Donecildo Agueiro

No dia seguinte ao atentado a tiros de Donecildo Agueiro (07/11),  o desembargador federal Candido Alfredo Leal Junior, do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4), concedeu uma liminar  à Federação Agrícola do Estado do Paraná (Faep) para suspender, por 90 dias, o processo de demarcação de terras dos indígenas Avá-Guarani nos municípios de Terra Roxa e Guaíra, no Oeste do estado.

 

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