23/11/2018

Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro divulga nota sobre invasão à Terra Indígena Jurubaxi-Téa

A FOIRN considera ser um absurdo que agentes públicos de segurança agridam indígenas em seu território, defendendo interesses privados de um empresário que atua fora da lei.

Foto: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)

Por Michelle Calazans/Ascom CIMI, com informações da FOIRN

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) divulgou, na segunda-feira (19) uma nota de sobre a invasão à Terra Indígena Jurubaxi-Téa, no Amazonas. Para a FOIRN é inaceitável a invasão da Terra Indígena, bem como as agressões e tentativas de intimidação por parte de um empresário e dos policiais que o escoltavam. A Federação considera ser um absurdo que agentes públicos de segurança agridam indígenas em seu território, defendendo interesses privados de um empresário que atua fora da lei.

No dia 16 de novembro, um empresário da empresa de pesca Amazon Sport Fishing, escoltado por policiais do município de Santa Isabel do Rio Negro (AM), invadiu com um barco-hotel a Terra Indígena (TI) Jurubaxi-Téa. No barco invasor estavam o proprietário e funcionários da empresa, turistas e três policiais – dois civis e um militar – à paisana. Os vigilantes indígenas solicitaram a parada do barco, que ignorou os chamados, seguindo rio adentro.

Frente à invasão, a comunidade indígena desamarrou e apreendeu um dos botes atracados ao barco principal, para forçar os responsáveis a parar e dialogar com as lideranças indígenas. O empresário foi até a comunidade, escoltado pelos policiais armados com metralhadora e pistolas à vista, para recuperar o bote. O próprio empresário deu voz de prisão aos indígenas, gritando que eram autoridades federais, conforme comprovam registros de áudio feitos pelas lideranças indígenas. O empresário e os policiais chegaram a ameaçar mulheres e crianças da comunidade.

Foto: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)

Ao ser abordado por vigilantes da comunidade de Tabocal do Uneuixi, o empresário provocou grave atentado com arma de fogo, ferindo Arlindo Nogueira, da etnia Baré, vigilante da terra indígena e do Projeto de Pesca Esportiva desenvolvido pela Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN), associada à FOIRN.

Historicamente, a demarcação da TI Jurubaxi-Téa foi conquistada após 10 anos de luta dos povos indígenas da região, que desejam permanecer em paz em suas terras, de onde tiram o seu sustento, mantém a sua cultura e protegem a floresta e os rios através do seu modo de vida.

CLIQUE AQUI e confira na íntegra a nota da FOIRN. 

 

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