17/06/2018

Se dizendo policiais, homens armados ameaçam retomada Guarani Mbya em Porto Alegre

Os homens exigiram que os indígenas saíssem da retomada na Ponta do Arado e que os removeriam à força se resistissem

Indígenas reivindicam presença da Funai e do MPF em área retomada na Ponta do Arado, em Porto Alegre. Foto: arquivo Cimi Sul

Indígenas reivindicam presença da Funai e do MPF em área retomada na Ponta do Arado, em Porto Alegre. Foto: arquivo Cimi Sul

Por regional Cimi Sul

Lideranças indígenas que estão em retomada na Ponta do Arado, bairro Belém Novo, Porto Alegre, informaram que na madrugada deste domingo, 17 de junho, a comunidade Guarani Mbya foi abordada por seis homens armados e que se diziam policiais. Os homens exigiram que os indígenas saíssem imediatamente do local e afirmaram que os removeriam a força se resistissem, e que, para tanto, já estariam providenciando transportes e mais homens.

As lideranças indígenas disseram aos homens, provavelmente seguranças das fazendas, que não sairão, e pedem a presença da Funai e do Ministério Público Federal na área. A comunidade retomou a terra que consideram de ocupação originária no dia 15, sexta feira, e exigem que o governo federal proceda aos estudos de identificação e delimitação da área porque, de acordo com os Guarani Mbya, aquela terra lhes foi destinada por Nhanderu – Deus – e nelas pretendem viver.

Banhada pelo Guaíba, a área retomada pelos indígenas fica no perímetro da antiga Fazenda do Arado, de 426 hectares, na zona sul da capital gaúcha. Atualmente, a região divide-se entre uma área de preservação e algumas fazendas onde se cria gado e que contam com vigilantes particulares. Para chegar à retomada, é necessário passar pela entrada de duas destas propriedades.

Como informa reportagem do Sul 21, trata-se de um importante sítio arqueológico Guarani, com marcas pré-coloniais da ocupação do povo e que tem, inclusive, algumas peças expostas no Museu Joaquim José Felizardo, em Porto Alegre.

Também é uma área visada pela especulação imobiliária, para a qual existe um projeto de construção de um condomínio de 2,3 mil unidades residenciais e comerciais. Segundo o movimento Preserva Arado, que luta pela preservação do local, o empreendimento devastaria o ecossistema da região.

Frente às ameaças e o risco de expulsão, a comunidade pede o apoio e a solidariedade dos movimentos ambientalistas, sociais e populares neste momento de lutas resistência tendo em vista a garantia de seus direitos constitucionais.

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