27/05/2010

CDH cobra investigação sobre ação de pistoleiros em aldeia Tupinambá

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Yulo Oiticica (PT), cobra da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) investigação sobre as ações criminosas de pistoleiros contra os índios Tupinambás da Serra do Padeiro, no município de Buerarema. No último dia 19 de maio, Yulo entregou ao subsecretário de SSP, Ari Pereira, nove armas e munições recolhidas na aldeia durante visita da comissão, realizada no dia 18.

 

De acordo com denúncia feita pelos índios, o armamento foi abandonado por capangas que invadiram a Aldeia, no dia 24 de fevereiro, após tentativa de confronto com os indígenas. Na fuga, o grupo deixou para trás cinco revólveres, uma pistola, uma escopeta, uma carabina,um rifle e munições com a inscrição “federal”. Os Tupinambás alegam ainda que os pistoleiros trabalham para fazendeiros da região com o conhecimento da Polícia Federal. “É importante que essa investigação seja feita o mais rápido possível. As armas encontradas provam que quem deveria estar preso são pistoleiros, não o cacique Babau”, afirmou o deputado.

 

A visita de Yulo a aldeia foi motivada por inúmeras denúncias feitas pelos indígenas a Comissão de DH. O clima tenso na Serra do Padeiro se intensificou após a prisão do cacique Rosivaldo Ferreira da Silva, mais conhecido como cacique Babau, no dia 10 de fevereiro. As brigas são motivadas pela disputa de terra que foram retomadas pelos Tupinambás, sobretudo a fazenda Serra da Palmeira.

 

De acordo com denúncias, a tribo vem sofrendo constantes ameaças dos fazendeiros e da Polícia Federal, que vem agindo de forma truculenta e arbitrária. O clima de tensão gerou o isolamento da aldeia, já que todos os moradores deixaram de ir até o centro do município de Buerarema, temendo represálias. Essa situação tem causado inúmeros transtornos aos Tupinambás.  Um deles é a dificuldade de vender os produtos produzidos na aldeia e que também são fonte de renda, como farinha, cacau, entre outras frutas. Os índios que estudam fora da aldeia também estão impossibilitados de assistir as aulas.

 

“Essa é uma demonstração de que quem deveriam estar presos, acusados de formação de quadrilha, são os capangas, não o cacique Babau que é um líder indígena. As armas comprovam isso”, ressaltou o deputado Yulo.

 

Durante a visita, os índios tupinambás também relataram dificuldades de acesso a alguns serviços como o fornecimento de energia, através do programa Luz para Todos, e a visita da equipe do Programa Saúde da Família, que possuía convênio com a prefeitura. O deputado Yulo também se comprometeu em dar encaminhamento as demandas solicitadas, relacionadas aos programas do Governo Federal.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Dep. Yulo Oiticica
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