29/04/2010

Indígenas temem que polícia militar os retire da Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira à noite

Os indígenas que estão acampados em frente ao Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, temem que a polícia militar do DF faça uma operação na noite desta quinta-feira (29) para retirar os acampados do local. Cerca de cem índios estão em frente ao Ministério da Justiça desde o mês de janeiro em protesto contra o Decreto 7.056, da presidência da República, que reestrutura a Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

Segundo fonte ligada à presidência da Funai, o presidente do órgão, Márcio Meira, e o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pediram ao comandante Martins – do DF – que retire os indígenas hoje mesmo do local, pois consideram que “os indígenas estão deixando muito feia a frente do órgão”. Ainda segundo a fonte, será realizada – em breve – uma missa campal no palco situado a menos de 100 metros do acampamento, portanto, as autoridades querem “limpar o terreno” o quanto antes.

 

Operação irregular

 

No último sábado (24), os acampados foram surpreendidos por uma ação irregular formada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), a Rotam e a Polícia Militar do DF, somando 15 viaturas e dois ônibus (um da PM, outro do Bope), apoiados pelo Corpo de Bombeiros, agentes distritais de administração da TERRACAP, ambulância, tratores e dois caminhões do tipo caçamba. A operação começou às 4h30 da manhã e não foi apresentada em nenhum momento ordem judicial para desocupação da Esplanada dos Ministérios.

 

O comandante da operação de sábado havia dado como prazo até 8 horas da manhã de sábado para que os indígenas desocupassem o gramado da Esplanada, onde resistiam pacificamente sentados. Por volta de 7 horas da manhã, um comboio de apoiadores trazendo a imprensa televisiva (Globo e Record) estacionou na Esplanada. Diante da cobertura midiática e da presença de testemunhas, o comandante Fábio decidiu recuar e a operação foi abortada.

 

Os indígenas participaram de uma audiência na Câmara dos Deputados ontem, onde expuseram as razões para não concordar com o Decreto 7.056 e pediram a sua revogação.

Fonte: Cimi
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