
Vice-presidenta do Cimi, Alcilene Bezerra. Foto: Arquivo Cimi
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), sua Presidência, Conselho Diretor, missionárias, missionários, assessoras, assessores, colaboradoras e colaboradores despedem-se, com profunda tristeza, de sua vice-presidenta, Alcilene Bezerra, que fez, na tarde desta sexta-feira, 17 de julho, sua passagem para a vida eterna.
Alcilene faleceu após uma longa e intensa luta contra a leucemia. Foram mais de dois anos enfrentando a doença com coragem, serenidade, determinação e uma fé inabalável. Em nenhum momento permitiu que a enfermidade apagasse sua esperança, seu sorriso ou sua dedicação à missão.
Sua caminhada junto aos povos indígenas iniciou-se no estado do Acre no ano de 1998, onde atuou diretamente com as comunidades e depois exerceu, entre outras responsabilidades, a coordenação regional Amazônia Ocidental do Cimi. Mais tarde, no ano de 2013, passou a integrar o Regional Nordeste, colocando sua inteligência, sensibilidade e compromisso a serviço dos povos indígenas dos diversos estados da região.
Mesmo enfrentando os desafios impostos pela doença, jamais abandonou os estudos. Com enorme perseverança, concluiu o mestrado em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ingressou no doutorado na mesma instituição, reafirmando sua convicção de que o saber e as alteridades também são passos de libertação, de fortalecimento dos povos e de defesa dos direitos.
“Em nenhum momento permitiu que a enfermidade apagasse sua esperança, seu sorriso ou sua dedicação à missão”
Em 2023, foi eleita vice-presidenta do Cimi. Exerceu essa missão com dedicação, firmeza e espírito de serviço, contribuindo com a condução da entidade, acompanhando as regionais, fortalecendo os processos de formação básica e permanente e animando, com sua presença fraterna, a caminhada missionária.
Alcilene destacava-se pelo compromisso radical com a defesa dos direitos dos povos indígenas. Foi uma mulher altiva, forte, determinada, simples e profundamente acolhedora. Seu sorriso sereno irradiava esperança, confiança e alegria, mesmo nos momentos mais difíceis.
Ao longo de sua trajetória enfrentou inúmeras dores. Suportou e lutou contra manifestações de machismo, misoginia, intolerância e outras formas de violência. Nunca permitiu, porém, que essas experiências endurecessem seu coração. Transformou cada desafio em motivo para seguir lutando, tornando-se exemplo de coragem, dignidade e resistência para tantas mulheres e para toda a missão do Cimi.
Alcilene nunca deixou de acreditar na vida. Nunca deixou de sonhar, de amar e de esperançar. Mesmo quando a dor lhe visitava com intensidade, fazia prevalecer a esperança sobre o sofrimento, o sonho sobre a tristeza e a vida sobre o medo.
“Alcilene nunca deixou de acreditar na vida. Nunca deixou de sonhar, de amar e de esperançar”
Hoje nos despedimos de uma mulher que tornou o Cimi e a missão junto aos povos indígenas mais humanas, mais fraternas e mais leves, sem jamais abrir mão da firmeza na defesa da justiça e dos direitos.
Sua caminhada permanece gravada no chão por onde passou. Deixa sua fé como semente, seu sorriso como alento e sua coragem como fermento para que continuemos semeando paz, justiça, solidariedade e o Bem Viver entre os povos indígenas e todas as comunidades.
Cremos que Alcilene agora encontra sua morada definitiva na Casa da Mãe e do Pai, junto de tantas missionárias, missionários, lideranças indígenas e testemunhas da esperança que dedicaram suas vidas à construção do Reino de Deus. Na comunhão dos santos e santas, dos ancestrais e dos Encantados de Luz, seguirá intercedendo por nossa missão, para que nunca nos falte coragem de continuar caminhando, defendendo a vida e alimentando, com teimosa esperança, o sonho da Terra sem Mal.
Nossa gratidão eterna por sua vida, sua amizade, sua missão e seu testemunho.
Alcilene, presente entre nós, hoje e sempre.
Brasília, 17 de julho de 2026
Conselho Indigenista Missionário