
Foto: Daniel Lima
Em maio de 2015, o Papa Francisco tornou pública a encíclica Laudato Si’, na qual apresentou os principais aspectos socioambientais do cuidado com o planeta, a nossa Casa Comum, onde tudo está interligado. Inspirados por esse entendimento, missionárias e missionários do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em processo de formação nos cursos Básico I, Básico II e Formação Permanente, realizaram um mutirão de cuidado com a Casa Comum no Centro de Formação Vicente Cañas (CFVC), localizado no bairro Jardim Ingá, em Luziânia (GO), a cerca de 50 km de Brasília (DF).
O mutirão foi realizado duas vezes por semana ao longo dos 22 dias de curso, entre 13 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026. A prática incluiu cuidados com jardins, pomares e espaços de convivência, além da organização e limpeza da chácara.
” A prática, além de promover o cuidado com o espaço, possibilitou a troca de experiências”

Foto: Maria Cássia
A iniciativa nasceu como sugestão da turma do Básico I, edição de 2025. Cirlei do Nascimento, missionário do Cimi Regional Norte 1 e integrante do curso Básico II, relata como surgiu a proposta:
“Ano passado, na avaliação final, eu trouxe a ideia de a gente montar um mutirão para a gente fazer o cuidado da nossa Casa Comum aqui no centro de formação. Então eu trouxe essa ideia e esse ano foi realizado junto com a turma do básico e do permanente para a gente fazer o primeiro mutirão aqui no centro.”
A prática, além de promover o cuidado com o espaço, possibilitou a troca de experiências e a construção de laços entre os missionários dos três cursos. Também integrou a espiritualidade e fortaleceu o sentimento de pertença à missão indigenista.
Lucilene Correia, do Cimi Regional Goiás-Tocantins e integrante da Formação Permanente, destaca o significado da experiência:
“Nós tivemos alguns momentos aqui de cuidar da chácara, da nossa casa, que a chácara aqui é a nossa casa. A gente vem para cá para estudo, para momento de formação, e os missionários têm que sentir isso assim, sua casa, como se fosse sua casa. Foi proposto para nós dar uma limpeza, organizar os jardins, capinar. E foi muito bom esse momento, porque cada um sentiu o valor do que é cuidar da Casa Comum. E essa casa é de todos os missionários que passam por aqui.”
A irmã Maria Persila Vieira, missionária Serva do Espírito Santo e integrante do curso Básico I, também ressaltou a dimensão espiritual do mutirão:
“A proposta que o Cimi tem é realmente colocar em prática esse cuidado, esse amor com a Casa Comum. E a experiência que nós estamos vivenciando aqui na casa de formação realmente é o caminho. Para nós termos essa presença de transformação. De que forma que vamos transformar? Cuidando de toda a natureza. E se a gente cuida da natureza, nós também cuidamos de nós mesmos, nós cuidamos das nossas relações. Então, este é o caminho. Essa relação com toda a natureza, conosco mesmo, com os outros e com Deus. E aí há realmente essa integração. E posso dizer: tudo está interligado.”
“A prática, também integrou a espiritualidade e fortaleceu o sentimento de pertença à missão indigenista”

Foto: Daniel Lima
Formação missionária
Realizados anualmente, os cursos Básico I e II são voltados à formação de pessoas que se dispõem a seguir a vida missionária no Cimi junto aos povos indígenas. Já a Formação Permanente é destinada a missionários com pelo menos dois anos de caminhada após a conclusão do curso básico, que buscam atualização e aprofundamento.
O mutirão passará a ser adotado pelas próximas turmas dos três cursos como parte da vivência formativa.
O Centro de Formação Vicente Cañas
O Centro de Formação Vicente Cañas é um espaço de formação e acolhimento vinculado ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Destinado a receber povos indígenas de todo o país, o local também acolhe integrantes de organizações, movimentos e entidades parceiras para cursos, reuniões, eventos, encontros religiosos, retiros e atividades de articulação política e pastoral. Além disso, disponibiliza hospedagem para o público em geral, conforme a programação e a disponibilidade do espaço.
Construído em uma chácara ampla, arborizada, silenciosa e acolhedora, o centro foi pensado para favorecer a reflexão, a meditação e a convivência entre os participantes. O complexo possui cerca de 26 mil m² (quase 4 hectares) e reúne módulos com espaços de hospedagem, áreas de trabalho, convivência e lazer.
“Mais do que um espaço de hospedagem, o centro foi pensado como ponto de encontro para diferentes grupos”

Foto: Daniel Lima
Entre as instalações, estão:
• Hospedagem com dezenas de apartamentos e cerca de 177 camas, distribuídas em quartos individuais, de casal e coletivos;
• Refeitório com refeições variadas, preparadas com atenção e, em grande parte, com produtos orgânicos cultivados no próprio centro;
• Auditórios com capacidade para até 200 pessoas e salas menores para encontros e oficinas;
• Salas de reunião, secretaria com internet e impressão, capela, campo de futebol, quadra de vôlei, espaço de TV e vídeo, churrasqueira, lavanderia e quiosque.
O espaço valoriza práticas sustentáveis, como sistema de captação de água da chuva, poço artesiano, energia solar e cultivo agroecológico, com hortas orgânicas, árvores frutíferas e pequenas criações. Essa atenção ao cuidado com a terra se reflete nas refeições e nas atividades desenvolvidas no local.
Mais do que um espaço de hospedagem, o centro foi pensado como ponto de encontro para diferentes grupos, movimentos sociais e povos indígenas que se reúnem para formação, intercâmbio e mobilização em torno de causas sociais e direitos humanos.
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*Adriana de F. Souza de Oliveira, Daniel dos Santos Lima, Eduardo Alves de Oliveira, Francisca Suelem Mafra da Cruz, Ir. Solange de Fátima Lussi, Lara Menegazzo, Martins Rodrigues Putencio, Selcilius Riwu Nuga, Sirlei do Nascimento de Andrade